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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

As aulas estão de volta

18.09.20 | asal
Caríssimo Amigo Henriques
Agora que as nossas escolas abriram as suas portas, embora a medo, tentei olhar para esta nova realidade, tentando compreender a sua problemática. Para todos os que nela intervêm, não vai ser fácil reinventar novos modos de relacionamento. Contudo, a aposta mais positiva e esperançosa será tentarmos sair vencedores deste magno desafio.
Para os nossos Amigos que nos acompanham no Animus, as maiores venturas.
Florentino Beirão

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A educação desafia a pandemia

 

Aligeirado o longo período do confinamento obrigatório, provocado pelo covid.19, escolas e universidades abriram as portas aos seus alunos, desafiando a epidemia que nos reteve em nossas casas. Finalmente, alunos e professores, embora receosos, estão de volta.

Crianças e jovens, de mochilas às costas, regressam a um espaço que foram forçados deixar há longos e penosos meses.

O novo ano letivo que acaba de arrancar este mês, embora com alguns receios, encontra-se igualmente imbuído da esperança de que tudo irá correr pelo melhor. Professores, alunos e Ministério da Educação (ME) tudo planearam atempadamente, para que tal assim venha a acontecer. Envolvidos que estamos pelas desagradáveis surpresas de surtos por todo o país, aconselha-se a que estejamos alerta, para se evitar o pior.

Conscientes desta realidade, confiamos que os nossos estabelecimentos de ensino, não isentos de poder também vir a ser atingidos, tanto professores, como alunos, encarregados de educação e auxiliares da ação educativa, se encontrem confiantes de que a sua escola é um lugar seguro, para todos os que nela trabalham. Desde que todos cumpram, responsavelmente, as normas determinadas pelo (ME) e da Direção Geral de Saúde (DGS), o perigo poderá ser menor.

Para trás, fica a dolorosa experiência do confinamento forçado a que se encontraram sujeitos todos os envolvidos nas tarefas do ensino-aprendizagem nas nossas escolas. Todos os seus intervenientes tiveram que aprender as novas regras, desenvolver novas competências, colocar a imaginação e o engenho em ação, para conseguirem os melhores resultados. Embora alguns, com mais dificuldades do que outros, lá se foi fazendo o melhor que foi possível, com as limitações inerentes a uma situação tão anormal e complexa. Como sabemos, os alunos tiveram de um momento para o outro que aprender as matérias de modos diferentes e, por vezes, sem meios tecnológicos. Apesar de tudo, a nível do 12º ano, como se sabe, nunca houve tão bons resultados nos exames, bem como no tão elevado número de candidatos, admitidos às universidades.

Foi notório que, de um modo geral, alunos e professores, foram capazes de responder eficazmente à nova situação, embora de diferentes modos.

Uns, porque já tinham trabalhado em plataformas de ensino à distância, outros, com mais dificuldades, porque não habilitados para tal. Mas, na maioria dos casos, as atividades letivas puderam ser levadas a cabo, com as escolas encerradas e com os alunos em suas casas, enclausurados nos quartos. Estes, por vezes, sem condições para poderem estudar e receber os conteúdos dos seus professores em boas condições. Como sabemos, houve um pouco de tudo, conforme foi noticiado naqueles conturbados e difíceis dias de confinamento obrigatório.

Virando-nos para os professores, é de admirar como a maioria deles, alguns em idade já avançada, com carreiras paradas e desiludidos com a tutela e com as suas permanentes reformas curriculares e burocracias, por vezes desconexas, conseguiram dar uma resposta tão satisfatória a uma tão exigente situação. A sua resposta, na generalidade, foi um exemplo da qualidade do pessoal docente, que pelos seus alunos são capazes de fazer milagres, com a sua generosa doação.

Deste modo, a maioria dos profissionais nesses dias difíceis, revelaram a sua dedicação aos seus alunos e, generosamente, enfrentaram a situação da pandemia com grande determinação e criatividade.

O Governo devia, por tudo isto, olhar para esta classe com novos olhos, e retribuir com justiça o que eles ansiosamente esperam e merecem.

Agora, que a escola enfrenta novos desafios, necessitamos que os docentes estejam motivados, para que nenhum dos seus alunos fique sem uma resposta adequada. Não se pode nem deve falhar nesta batalha. Para tal, impõe-se que, neste retomar da normalidade possível  das escolas, se crie um clima de proximidade entre docentes e alunos, para derrubar as possíveis barreiras que se vão levantando.

Só será possível haver êxito neste novo ano letivo, se existir responsabilidade de todos os que trabalham na escola, que tem de voltar a ser um lugar de Esperança, a qual não pode estar confinada. Por isso, terá que se tentar descobrir, em cada aluno, o que de melhor há nele. Há um mundo novo que vai necessitar de todos.

“ Segundo J. Azevedo, membro do Conselho Nacional da Educação, “a escola tem de ser capaz de ser um espaço de escuta e diálogo de uns com os outros, em comunhão com a Natureza”.

 florentinobeirao@hotmail.com