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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

A voz da poesia

12.11.19 | asal

Pires da Costa, com pseudómino, mais uma vez enche as nossas páginas. Sonhando! AH

DEBAIXO  DA OLIVEIRA

 

Pires da Costa2.jpg

Lugar idílico e aprazível,

Sobre a relva bem tratada,

Num delírio indizível,

Encontrei a minha amada.

Debaixo daquela oliveira,

Ocupámos a terra inteira.

 

Sinal da paz, ali plantada,

Frondosa, bela e viçosa,

Ali ao lado da estrada,

De todas a mais formosa.

Debaixo daquela oliveira,

O paraíso à nossa beira!

 

Tantas carícias trocámos,

Tantos enlevos de embalar,

Tantas vezes nos abraçámos

Alegres e mudos a delirar!

Debaixo daquela oliveira,

Foste a minha padroeira!

 

Memórias simples, a reviver

Ilusões e desacertos da vida,

Doçuras e amargos do ser

Tudo sem conta nem medida.

Debaixo daquela oliveira,

Sonhámos à nossa maneira!

 

Presos em puro sentimento,

Livres de qualquer labéu,

Alados ao sabor do vento,

Aproximámo-nos do céu.

Debaixo daquela oliveira,

Nossa fantasia primeira!

 

Fruto do momento ilusório

Ouço, repentino, um trovão,

Fui lançado no purgatório

Por um travar de camião.

Debaixo daquela oliveira,

Senti espinhos da roseira!

 

Acordar brusco e traiçoeiro,

Senti-me confuso de repente,

Mas, num reflexo primeiro,

Fiquei desiludido e contente.

Debaixo daquela oliveira,

Senti o calor frio da lareira.

 

Entre o sonho e a realidade,

Qual distância os separa?

Tomei o sonho como verdade,

Pois amei como nunca amara.

Debaixo daquela oliveira,

Minha quimera derradeira!...

 

António Naio

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