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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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A destruição do planeta

Caro António
Quando escrevi estas letras, estava muito longe de imaginar a horrível situação que hoje se vive em Moçambique, mergulhado em pleno dilúvio.
Os maus tratos que os países ricos infligem ao nosso planeta, estão bem à vista nos países mais pobres do mundo. A riqueza de uns, transformada em pobreza e miséria para muitos. Olhemos para a baleia, barriga de aluguer de tantos quilos de sacos de plástico! Um mundo louco a esquecer-se, como nos lembram os jovens que não há um planeta B . A nossa Mãe Terra muito sofre!!! Nesta Quaresma, peçamos perdão, por este pecado da Humanidade.
Cordialmente, até sempre

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Florentino Beirão
 

 

Ouçamos os gemidos da terra

As catástrofes que ocorrem no planeta azul começam a ser cada vez mais frequentes e violentas, nos quatro cantos do mundo. As televisões vão-nos mostrando que, em qualquer momento, podemos ser nós as próximas vítimas das contínuas agressões que provocamos na natureza e na atmosfera terrestre. Ora secas extremas que colocam a agricultura em perigo. Ora medonhas enxurradas de água e lama que varrem aldeias inteiras, com as casas e habitantes. Ora contínuos incêndios, consumidores de florestas, de vidas humanas e de animais. Todos estes fenómenos, segundo os cientistas, serão cada vez mais frequentes e destruidores.

Não vale a pena fechar os olhos e fingir, como o instável e irresponsável Donald Trump, que mantém a louca ideia de que tais fenómenos ocorrem sem que tenhamos culpa alguma. Cego, guia de cegos, com o seu populismo enganador, não poderemos esperar nada de benéfico, a nível ecológico.

Em contraste com esta nefasta visão, temos um outro olhar deste problema mundial, apoiado na ciência, que nos propõe o Papa Francisco, na sua Carta Encíclica “Laudato Si” (24.05.2015), sobre os cuidados a ter com a terra, nossa casa comum. Neste documento, o chefe da Igreja Católica chama a atenção para “a exposição aos poluentes atmosféricos que produzem uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres e provoca milhões de mortes prematuras (…) na realidade, acrescenta o pontífice, a tecnologia que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros” (nº.20).

Outra voz importante que se tem preocupado com estes graves problemas deslocou-se, recentemente, ao nosso país para fazer uma conferência no Porto, sobre a grave e urgente problemática ecológica. Trata-se do antigo vice-presidente dos EUA, Al Gore, um incansável e lúcido apóstolo desta causa. No seu discurso, lançou um forte apelo para que alteremos os nossos comportamentos civilizacionais, se queremos salvar o planeta das aceleradas alterações climáticas que o estão a destruir. As emissões de gases, com efeito de estufa, segundo Al Gore,” se não forem travadas por todos os países, sobretudo pelos mais poluidores, colocarão em grave risco a qualidade de vida das gerações futuras, dos nossos filhos e netos. Para tal, segundo ele, “temos de mudar a forma como produzimos e consumismo os bens e serviços de que necessitamos (…) a qualidade de vida das gerações futuras irá depender da nossa capacidade de deixarmos de usar o mar e o céu, como esgotos a céu aberto”.

Al Gore ainda teve tempo, numa visão otimista, de sublinhar que, apesar da visão negativa de Trump, os EUA “poderão nunca chegar a sair do Acordo de Paris, já que a decisão tomada pelo atual líder, só terá efeitos no dia a seguir às eleições”. Recorde-se que este acordo internacional, aprovado em 12.12.2015, sobre alterações climáticas, apresenta um plano de ação destinado a limitar o aquecimento global, abaixo dos dois graus, a partir de 2020.

No ano em que decorre o centenário da saudosa poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen deixo ainda aqui uma oração-poema sobre a intimidade sublime e despojada desta poetisa com a Mãe Terra:

“Dá-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa./Dá-me a beleza intensa e nua do que é frugal./Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.

Não quero possuir a terra, mas ser um com ela. Não quero possuir nem dominar porque quero ser: esta é a necessidade. Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser.

Dá-me a claridade daquilo que é exatamente o necessário. Dai-me a limpeza de que não haja lucro. Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo.

Chegou o tempo da nova aliança com a vida”.

Remato com palavras do papa Francisco que, na referida encíclica, nos adverte que ”é necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros e que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo” (L.S. n.º 229).

Para bem de toda a humanidade, urge ouvir os dolorosos gemidos do nosso planeta.

Florentino Beirão

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