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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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A crise do capital

Meu dedicado Henriques
 Quando éramos jovens no seminário de Alcains diziam-nos que estávamos na idade da crise. Nunca entendi bem o que os nossos prefeitos queria dizer com tal vocábulo. Tão mergulhados no ideal místico que me propunham, a crise para mim era o grau de santidade a que era desafiado nos retiros mensais, dirigidos pelos jesuítas da Covilhã, na pessoa do rigorista padre Simões. São Luís de Gonzaga era o modelo a imitar por qualquer jovem seminarista.
Agora, dizem-nos que tudo está em crise. As instituições políticas e religiosas, as famílias e toda a política mundial. Afogados nesta cultura, cada um procure discernir os sinais dos tempos com a grelha que julgar mais apropriada. Não há certezas. Só interrogações.

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Num abraço forte
F. Beirão
 

Uma doença demolidora

 

A palavra mais repetida e apregoada nos últimos dias, pelos nossos comentaristas de serviço, é a indefinida palavra “crise”. Vocábulo tão genérico e subjetivo que facilmente pode ser manipulável, segundo a grelha de leitura de cada olhar. Não se conhecendo os seus contornos específicos, tanto pode servir para explicar a realidade envolvente, como pouco ou nada acrescentar, à complexa análise dos fenómenos sociais e políticos.

A derrota da direita nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, com o PSD a ter a pior percentagem da sua história eleitoral, e com o CDS já a competir por baixo, com o PAN, aponta para um possível processo de decomposição em curso, em direção a uma profunda crise da direita. Por várias razões, os números têm-nos revelado que a direita em Portugal tem vindo a perder votos, já desde há alguns anos. Foi neste pano de fundo que saltou para a ribalta a palavra crise, colada à direita, pela voz do Presidente/comentador, Marcelo Rebelo de Sousa.

Segundo ele “há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos”.

Esta frase proferida pelo Presidente, como uma pedrada no charco, logo alvoroçou a direita em Portugal. Discordando desta análise de Marcelo, imediatamente, chutando para canto, Rui Rio, líder do PSD, veio a terreno contrapor tal leitura. Segundo ele, não é a direita que se encontra numa situação de crise, mas o regime. Como quem diz, não é ao meu partido que assenta a carapuça, Sr. Presidente. A crise, segundo Rio, não se cola tanto à direita, mas atinge sobretudo o próprio regime político português.

Seja como for, tenho para mim que o problema pode ser mais largo e profundo. Prefiro centrá-lo mais na longa e constante crise da doença destruidora do capitalismo mundial, nas suas mais diversas formas. Um sistema que, verdadeiramente, se encontra doente e não funciona em benefício da maioria da população. Um pequeno núcleo de capitalistas, aproveitando-se da globalização da economia e das finanças, enriqueceu de tal modo que a maior parte da humanidade vive dos restos que vão sobrando das suas lautas mesas douradas. Sendo assim, poderemos concluir que será sobretudo o sistema capitalista que se encontra doente.

Mas devo acrescentar que o capitalismo é o pior dos sistemas, exceto todos os outros. Todas as outras alternativas, tentadas ao longo da história, foram fracassando, gerando pobreza, fome, repressão, guerra e morte.

Uma das causas do mal-estar nas sociedades capitalistas ocidentais, quanto a nós, foi sobretudo a progressiva destruição de uma classe média forte, base indispensável para uma democracia saudável e estável. A estagnação ou diminuição dos salários e dos rendimentos deste sector social acabaram por produzir uma sociedade desigual que gerou grande descontentamento. Daqui decorre que algumas forças políticas mais radicais europeias tenham obtido tão elevado número de votos, com os seus programas nacionalistas e xenófobos. Se no nosso país ainda tal não aconteceu, não podemos baixar as armas. A nossa direita, ainda muito repartida, pode medrar se não se concretizarem políticas que apoiem os descontentes do sistema.

A situação em que se encontra a nossa sociedade é deveras preocupante e encerra os germes de uma certa revolta popular. Certamente, não será o nacionalismo ou a xenofobia ou outros problemas europeus, mas a corrupção, a medrar todos os dias. Hora a hora, é mais um escândalo com “teias” a acrescentar a outras. São as desigualdades gritantes entre os muito ricos e o volumoso contingente de crianças pobres. É o estado periclitante da Saúde e da Justiça a terem dificuldade em responder atempadamente e com qualidade às necessidades dos cidadãos. Junte-se ainda a necessária reforma do nosso sistema eleitoral, para aproximar eleitos e eleitores e o combate às alterações climáticas.

 Não se poderão resolver, a todo o vapor, todos os problemas de uma sociedade atrasada e débil, como é a nossa. Mas, quanto a nós, o que os cidadãos mais clamam é que, nas grandes questões que atravessam a nossa sociedade, os principais partidos políticos se unam e decidam com fundamento, o que julgarem ser mais vantajoso e urgente. O eterno passa culpas dos políticos não tem ajudado, infelizmente, a resolver muitos dos eternos problemas com que nos vamos debatendo todos os dias. Os ataques pessoais das últimas eleições, entre os políticos, foram um exemplo pouco edificante e não auguram nada de positivo.                                 

florentinobeirao@hotmail.com

Foto da Sertã, com o Florentino entre o Jana e o Zeca (José de Jesus André)

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