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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

A capela do Seminário

10.07.21 | asal

Vejam como a fome dá em fartura... É uma alegria ver tanta colaboração nova e cheia de temas e novidade. Venham mais, que os leitores agradecem. AH

Boa tarde, António Henriques.

Manuel Mendonça1.jpg

As férias fazem destas, também dão para recordações. Como disse há dias, o escrito do Florentino no livro sobre a nova Capela do Seminário de Alcains despertou-me para outras memórias.

Se vires que é de publicar, se tem alguma razoabilidade histórica, aí tens mais um escrito meu, a que dou o nº IV, contando com o que foi publicado no livro referido.

Também apreciarei comentários a propósito.

Um abraço e votos de muita força.

P. Manuel Mendonça

 

IV

Capela nova do Seminário de Alcains

Ao ler o Capítulo VI do livro “Seminário de Alcains – histórias e memórias”, do Florentino Beirão, no que se refere à nova Capela do Seminário, vieram-me ao pensamento dois factos diferentes em que eu posso dar uma pequena achega para a história e para a memória.

Refere-se o primeiro a uma pedra trabalhada, referindo o autor “que fazia parte do primitivo altar” (pág.93, última linha) e que passou a ser a “trabalhada pedra do ambão” (idem). O segundo facto refere-se ao “novo sacrário, sobre uma coluna lateral, por iniciativa de D. Agostinho de Moura” (pág.94, antepenúltima linha).

1- Quanto ao primitivo altar encostado à parede do fundo, de que faria parte a referida pedra trabalhada e que certamente eu vi muitas vezes nos quatro anos que ali passei como aluno entre Outubro de 1960 e Julho de 1964, não guardo recordação de seu motivo artístico. A sua deslocação para a posição actual ocorreu antes de eu voltar ao Seminário de Alcains como membro da equipa formadora em 1971, pelo que não conheço a história da integração da pedra trabalhada no actual ambão.

Mas aqui a questão é outra. Quem é o autor do desenho que serviu de modelo ao canteiro para trabalhar a pedra do altar? Não sei quando foi construído este altar e trabalhada a pedra em causa. Em 1960 entrei eu em Alcains como aluno e estava tudo pronto.  Não tendo comigo para consultar o livro “O Seminário de S. José em Alcains”, de Monsenhor José Maria Félix, sou levado a pensar que terá sido no início da década de 50, pela circunstância e reflexão que apresento a seguir.

Em data que não sei situar no tempo e lugar, mas certamente em encontro de padres e em desabafo informal, ouvi o P. Francisco Rosado Belo contar o comentário de Monsenhor Moura sobre os pormenores do desenho, a querer dizer que uma coisa é ter um belo e burilado desenho feito a lápis ou tinta, outro é esculpir o mesmo desenho em granito. Assim justificava o P. Belo, digo eu, o autor do desenho, os enfeites na pedra esculpida com a arte dos canteiros não serem tão minuciosos como no desenho.

 Sabendo-se que o Padre Belo, ordenado em 1958, ainda como aluno evidenciava especiais dotes artísticos, mais tarde valorizados pela formatura em Arte Sacra em Roma, e que terá sido aluno em Alcains nos anos a que nos reportamos, antes de ter ido para o Seminário de Marvão, pode deduzir-se ter sido ele convidado por Monsenhor Moura a preparar o referido desenho. Talvez ainda vivam alguns antigos alunos do Seminário de Alcains naqueles anos que possam corroborar esta informação.

2- No que se refere ao “novo sacrário, sobre uma coluna lateral, por iniciativa de D. Agostinho de Moura”, eu sou testemunha da compra do mesmo em Madrid, creio que nos últimos dias de Setembro de 1971. Então, era eu o “secretário particular” e motorista do Senhor D. Agostinho de Moura, tendo nós trazido de Madrid o sacrário no carro Peugeot 307 do Senhor Bispo. Também posso testemunhar a sua instalação na capela, sobre uma coluna lateral, pois desde os primeiros dias de Outubro de 1971 passei a integrar a equipa formadora do Seminário de Alcains.

10 de Julho de 2021...

P. Manuel Mendonça

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