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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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A bola num mundo global

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Força e fraqueza do desporto

 

Parece pouco importar hoje ao mundo que 2.000 crianças, em apenas seis semanas, tivessem sido separadas das suas famílias nos Estados Unidos, quando passaram a fronteira entre o México e este país. Para o cardeal católico Daniel Di Nerdo, separar mães das suas crianças é uma atitude desumana e “imoral.”

Enviadas para o Texas, estas inocentes crianças eram colocadas em casas de acolhimento para, posteriormente, serem adotadas. Junte-se a esta desumana medida, a incompreensível relação política do turbulento D. Trump e a ditadura da Coreia do Norte, com ambos a assinar tratados pouco transparentes. Todas estas e outras notícias, como a 600 refugiados do navio “Aquarius” que viram a sua entrada na Itália recusada, têm ficado ofuscados pelos jogos do campeonato mundial da Rússia. O que hoje atrai as paixões do planeta não são tanto os casos desumanos que ocorrem diariamente no mundo, mas as atenções focam-se sobretudo, nas competições do desporto rei. Um futebol total, num mundo global. Horas e horas de jogos nas televisões e nos jornais, irão preenchendo as horas deste mês.

Sabe-se que a paixão pelo desporto já vem dos alvores da nossa civilização greco-romana. Tudo começou com os primeiros jogos Olímpicos, em 776 a. C. inseridos num festival religioso realizado no santuário grego de Olimpo, de 4 em 4 anos, em honra de Zeus. Durante estas competições, era interdito às cidades-estado gregas decretarem guerra umas às outras. Deste modo se apostava em se criar um período de segurança e de paz, para todos os gregos poderem participar nas competições desportivas.

Após a conquista da Grécia pelos romanos, em 146 a.C., a paixão pelo desporto viria a dar origem a novas competições, nomeadamente, as corridas de carros puxados por cavalos que decorriam no circo. As várias equipas, com diversas cores, eram assim apoiadas pelas suas claques. O mesmo acontecia com as lutas mortíferas dos gladiadores na arena. Numa sociedade militarizada, os desportos romanos manifestaram-se mais sanguinários do que os dos gregos. Esta culta civilização pugnava mais pela superação dos limites humanos, do que pela força física e pela violência. Porém, estas manifestações desportivas foram decaindo quer pela proibição do imperador romano Teodósio I em 393, quer pelos papas de Roma que consideravam estas manifestações pagãs. Com a invasão dos povos bárbaros, a partir do séc. V, como estes ignoravam os jogos do império romano, os espaços onde estes tiveram lugar, foram entrando em decadência e ruína.

Entrados na idade-média, entre o séc. XII e XVI, uma época imbuída dos valores do cristianismo, o desporto que mais se evidenciou foi a luta nos torneios entre cavaleiros. Estas disputas, apesar de condenadas pela igreja, foram-se mantendo por vários séculos. Chegados à revolução industrial inglesa, no séc. XIX, foi recriado um novo desporto, em 1863, o jogo de futebol, para responder aos novos tempos. Multidões de operários das fábricas, nos seus tempos livres, queriam divertir-se e praticar o desporto da moda. Quer assistindo aos jogos, onde descarregavam a sua agressividade, quer libertando as suas fortes emoções clubistas.

Através desta rápida revisitação histórica, podemos concluir que os jogos desportivos nasceram numa antiga festa religiosa. Ainda hoje, muitos jogadores, ao entrarem no campo, quando entram no campo ou marcam golos, manifestam a sua alegria através de gestos religiosos, como benzer-se, com o sinal da cruz. O desporto já aparece na Grécia Antiga, também muito ligado aos valores da segurança e da paz. Quando hoje se quer fazer de um jogador um deus, pela sua excecional habilidade, estamos a tentar imitar os gregos que elevavam os seus heróis desportivos à categoria de deuses, colocando nas suas cabeças uma coroa de louro ou oliveira. O homem a transcender-se “ a dar o melhor de si”.

Se estes são alguns dos aspetos positivos do desporto, não olvidamos que a realidade do mesmo se encontra hoje eivada de profundas fraquezas que vão ofuscando a sua dignidade. Recorde-se, como alerta a Santa Sé (01.06.1918) o cancro da “corrupção” que grassa nos jogadores e nos clubes ao quererem conquistar títulos, a qualquer preço. O “doping” que não respeita os limites físicos dos atletas. O preço milionário dos jogadores ao lado da extrema pobreza de tantos seres humanos, a quem países ricos insensíveis fecham as suas portas de bronze.

florentinobeirao@hotmail.com

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