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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Novas da Parreirinha

06.05.22 | asal

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António, vê lá como um tipo já está velho! Já me não lembrava que tinha a foto no meu telemóvel.
Aqui vai, portanto, o registo do almoço de hoje, incompleto, pois já tinham saído o Zé Maria Lopes e o Zé Figueira.
Foi um bom almoço com o João Lucas a despejar jarros e a desenhar caras…. Deve ter sido isso que contribuiu para o meu esquecimento.
Um abraço.

Manel Pires Antunes

 

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Olha, Manel, nem tudo se perdeu... Só os guardanapos desenhados pelo nosso artista é que foram para o lixo. E, por sorte, ainda apanhei o amigo José Figueira à saída, arrastando-o para a foto. Aqui estamos nós, com foto da mesma data da outra.

Quanto ao Zé Maria Lopes, não ficou na foto, mas espero que ele apareça por aqui com mais um texto a despertar os nossos neurónios.

Quem não está muito satisfeito é cá o "eu", pois hoje não consigo acrescentar nomes à lista dos encontristas de Castelo Branco. Será que vamos adiar o encontro para novas calendas? Começo a ter vontade de me "enterrar", tal não é a ausência de nomes... Alguns, infelizmente, já se foram. Mas ainda temos muita gente para encher a sala do hotel. Ou será que todos fazem como os peixes do Sr. Bispo, que foram dar uma volta e experimentar novo passadiço?

Quem está na organização é que sofre! Acordem, amigos!

Desculpem a minha sinceridade! António Henriques

Palavra do Sr. Bispo

06.05.22 | asal
SEM REDES, ANZÓIS, FISGAS, SETAS OU ARPÕES

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Só com as armas do bem, da palavra, do testemunho e da ação. A palavra é o meio por excelência de comunicação humana. Não para esfarrapar os outros com críticas viperinas, mas para nos dizermos e nos fazermos entender como irmãos, mesmo sabendo que é pela boca que morre o peixe. Quando, porém, a palavra mexe connosco, tende-se a fechar os ouvidos. Escutá-la, prestar-lhe atenção, implica consequências nem sempre fáceis, muito menos cómodas. O mesmo se passa em relação à Palavra de Deus que tantas vezes corta a desmanchar prazeres, projetos e rotinas tranquilizadoras, mesmo que lícitas.
Há mais de dois mil anos, Jesus, nas margens do mar da Galileia, entabulou conversa com uns pescadores, que, ao longo dos tempos, artistas há que os têm pintado como se de pessoas idosas se tratasse, barbudas e carecas. E nada há que nos leve a crer que de facto o fossem. Não prova nada, mas Jesus até se dirige a eles chamando-os de rapazes: “Rapazes, tendes aí alguma coisa de comer?” E os rapazes não tinham mesmo nada para comer! Sentiam-se pescadores de mãos a abanar após uma noite de pesca sem qualquer resultado. Os peixes tinham ido ao futebol ou saído para experimentar algum passadiço lá por aquelas bandas. E se tais pescadores, ao romper da manhã, ficaram muito surpreendidos por Jesus lhes ter aparecido nas margens do mar, não ficaram menos estranhos quando Jesus lhes ordenou que arremessassem as redes para o outro lado do barco (Jo 21, 1-19). Algo incrédulos, talvez a esboçar um sorriso irónico à espera do fracasso desta ordem do Mestre, aceitaram o repto. Pelo sim, pelo não, lá obedeceram a Jesus, lançaram as redes para o outro lado do barco. E contra toda a lógica e sabedoria deles (o seu know-how, como gente fina costuma dizer), deu-se o impensável, a pescaria encheu o barco, fez arregalar os olhos aos pescadores que tiveram de meter a viola ao saco e corrigir a sua incredulidade. Entretanto, ainda boquiabertos perante este acontecimento tão extraordinário, Jesus vai mais longe, desafia-os a serem antes ‘pescadores de homens’, mas sem redes, anzóis, fisgas, setas ou arpões. Se pescar no mar, apesar de ser a sua profissão, e terem muita experiência nessa arte, era difícil, esta pesca para a qual Jesus agora os convida não iria ser mais fácil. Apesar disso, e exigindo outro saber, outras técnicas e apetrechos, eles não hesitaram, deixaram as redes e o barco, deixaram o seu trabalho e seguranças e lançaram-se nessa feliz aventura de seguir Jesus, dispostos a enfrentar as mais felizes e as mais duras consequências desse seguimento. Preparados na escola e na convivência de Jesus, sentiram-se atraídos com o seu jeito, a sua palavra, a sua ação, a sua liberdade e o seu amor, e acabaram por dar a vida pela sua pessoa, por tudo quanto dele tinham ouvido e por tudo quanto tinham visto acontecer, nunca tinham visto coisa assim. Colocaram-se, tal como Jesus, com toda a sua energia e entusiasmo ao serviço da implantação do Reino de Deus na história, esperando a vitória do bem, da justiça, da igualdade e do respeito por todos, sem distinção. Confiantes na promessa de Jesus de que estaria com eles para os ajudar a enfrentar as tempestades e as adversidades neste mar-mundo, partiram, sem medo, com muita esperança e entusiasmo, mesmo quando no horizonte da missão faiscava a perseguição e a morte. Ao longo dos tempos, Jesus jamais deixou de estabelecer conversa com os jovens, rapazes e raparigas, convidando-os a segui-lo com alegria e esperança. E para quê? Para os enviar em seu nome à faina neste mar-mundo, sempre em rebuliço e tumultuoso, a sacudir o barco que é a sua própria Igreja.
À proposta de Jesus, é possível que as redes, o barco e os projetos pessoais de alguns a quem Jesus convida, sejam empecilho, os impeçam dessa decisão, de correr riscos, de se lançarem ao largo e irem mais além, preferindo continuar presos ao seu tudo, passando a vida acomodados e a remendar as redes nas areias movediças da sua praia.
Sabemos que pelo batismo todos somos consagrados e chamados à santidade (cf. LG39-42). Mas há pessoas cristãs que, mais atentas à ação do Espírito e cada uma com a sua história, se sentem chamadas a uma consagração especial, tendo como modelo e inspiração o próprio Jesus, pobre, casto e obediente (cf. LG 43-47). São jovens, rapazes e raparigas, adultos e casais que deixam as suas redes, os seus barcos, os seus projetos pessoais, para se consagrarem à causa evangélica, ao serviço missionário e apostólico, quer no ministério ordenado, quer na vida consagrada religiosa ou laical, quer na oração em mosteiros, abadias e conventos, quer confundidas com a sociedade. São uma força viva e atuante no tecido social e eclesial, agindo como fermento e sal, como luz. São homens e mulheres que, com a sua vida e ação, testemunham o amor misericordioso de Deus no mundo, em parlamentos e auditórios, em escolas, colégios e universidades, em aldeias, vilas e cidades, no trabalho, no desporto e no convívio, junto de crianças, jovens e adultos, de refugiados, migrantes e deserdados de sorte, em ambientes de pobreza, de guerra e de paz...
Em qualquer vocação cristã, o Senhor chama a si aquelas pessoas que entende para estarem com Ele e as enviar em seu nome. É um inefável diálogo entre o amor de Deus que chama e a liberdade da pessoa que no amor responde a Deus (cf. PdV36). Depois de uma semana vivida nesse contexto, vamos viver o Dia Mundial de Oração pelas Vocações de especial consagração, em Dia do Bom Pastor. Como nos pede a Igreja, cada comunidade cristã, cada família, através da oração pessoal e comunitária, através da escuta, do silêncio e da ação pastoral que sabe animar e propor, é desafiada a criar o espaço ideal para que cada um dos seus membros possa discernir o projeto de vida, pessoal e irrepetível, que o Pai lhe confia.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 06-05-2022.

Aniversário

06.05.22 | asal

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Seis de Maio, dia de aniversário do Carlos José Alexandrino Beato, dos Escalos de Baixo e a viver em Castelo Branco. Sportinguista como eu, ligou-se profissionalmente ao Instituto dos Registos e do Notariado. 

Assíduo frequentador dos jantares de Natal dos colegas de Castelo Branco, foi lá que fui buscar esta foto.

Aqui lhe deixamos os PARABÉNS do Grupo dos antigos alunos, desejando ao Carlos muita saúde e felicidade por anos longos.

A CAMINHO DE STRASBOURG

04.05.22 | asal
Porque também nós andámos a "fazer parte" deste projeto, juntando dinheiro para custear despesas da deslocação do artista e sua obra a Estrasburgo, trazemos para aqui as últimas novidades, alegrando-nos com o desenvolvimento desta iniciativa, que envolve diretamente os amigos António Colaço e José de Jesus André (Zeca). São estes e outros projetos que nos dão vida! AH

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A CAMINHO DE  STRASBOURG

TEMOS CATÁLOGOS

QUALIDADE A TODA A PROVA

 
A acabar de sair da vizinha Gráfica "PROVA DE COR", eufórico com a qualidade do trabalho final.
Renovo o agradecimento para o meu amigo designer João Saraiva e, tranquiliza-te, Zeca, José Jose De Jesus Andre, pois esta etapa está cumprida.
Um OBRIGADO, outra vez e sempre, para os amigos da Animus Semper Antigos Alunos.
Porque sim!!!
 
Ontem foi dia de embrulhar e seleccionar os eleitos que viajarão ate ao Pavillion Josephine, 4 e 5 de Junho, terminando, assim, a itinerância da exposição CINQUENTA ANOS A FAZER P.ARTE, depois de Lisboa, Mação, Gavião, Sardoal e depois de algum eco na imprensa e nas três televisões generalistas nacionais.
Abrantes. Gráfica Prova de Cor. Rua General Humberto Delgado.
 
António Colaço

Reflexões incompletas

04.05.22 | asal

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Ainda sobre o 25 de Abril

Na data em que recordamos o 25 de Abril de 1974, desejo partilhar convosco o que de bom e menos bom a Revolução dos Cravos nos trouxe e que podemos ir deixando cair no cesto do esquecimento. Como a memória é muito curta, balancear o antes e depois de Revolução do 25 de Abril é sempre saudável para não absolutizarmos a nossa história recente, repleta de significativos acontecimentos que foram formatando a nossa consciência. Não podemos nem devemos olvidar tudo o que de bom e de menos bom, como povo, fomos capazes de desenhar nas últimas décadas.
Temos ouvido desabafos de muitos que, quando comparam os tempos de antes e depois do 25 de Abril, tiram conclusões precipitadas. Muitos chegam a concluir que antes é que era bom, sobretudo a nível dos costumes e que o período que se lhe seguiu abriu um ambiente de decadência no país, sobretudo a nível dos costumes e das condições de vida. Referem ainda, nomeadamente, o facto de ter havido mais educação e mais respeito na sociedade do regime salazarista do que nos tempos da democracia. A eterna questão do copo meio cheio, meio vazio, dependente do observador que o analisa.
O certo é que Portugal mudou muitíssimo nestes últimos anos da nossa democracia, em que o poder autárquico se foi implantando e desenvolvendo, sobretudo a nível dos valores da liberdade democrática, das infraestruturas e do urbanismo. O programa Polis e as numerosas autoestradas aí estão, embora, muitas vezes, às moscas.
Porém, também se constata que o nosso sistema democrático, como tantos outros na Europa, entraram em período de crise e risco, encontrando-se hoje debaixo da pressão dos recentes nacionalismos que assumem na sua programação serem ostensivamente contra os sistemas democráticos que dizem estar eivados de um pecado capital, revelado no clima de abstenção política eleitoral que tem deixado muitos eleitores de fora, com níveis de abstenção elevadíssimos.
Portugal, de um modo geral, tem sido governado nos tempos da democracia, alternadamente, pelos socialistas e pelos sociais-democratas. Governos ao centro, mais ou menos reformistas, têm tentado responder aos anseios dos portugueses. Comparando com as décadas anteriores em que não havia eleições democratas, mas uma farsa delas, controladas pelos governos ditatoriais que manobravam os resultados eleitorais a seu belo prazer. Sem partidos políticos, o Estado Novo era governado despoticamente, sem qualquer poder contraditório. Sem esquerda nem direita. Politicamente, o país era um regime monocolor, sem direito a contraditório. A PIDE vigiava todos aqueles que eram considerados discordantes dos valores do regime ditatorial.
Hoje a crítica aos partidos políticos consiste mais no fechamento dos partidos do poder sobre si mesmos, recrutando dentro da sua família política o grupo dos mais fiéis ao chefe, para governarem o país, em regime de partidocracia. Alternadamente, como no século XIX, o PS e o PSD foram governando o nosso país com resultados medíocres, deixando-nos nos últimos lugares da Europa democrática. Hoje, o que mais se discute no país é tentar saber por que razão Portugal não consegue dar o salto para lugares mais cimeiros, continuando a rastejar, há tantos anos, na cauda da União Europeia, apesar dos rios de dinheiro que têm jorrado dos fundos europeus. Entre algumas razões que se têm avançado a este respeito, uma tem a ver com a corrupção que tem grassado no nosso país nas últimas décadas da nossa democracia. Outra, não inferior a esta, está ligada à falta de escolaridade dos portugueses, sobretudo das gerações mais velhas. Seja como tenha sido, a interrogação permanece de pé, a espicaçar a nossa interrogação acerca do atavismo em que vivemos, com ordenados baixos e parados há tantos anos e sem se vislumbrarem melhorias. Por esta razão, a maior parte dos nossos cérebros têm procurado noutras paragens melhores condições para poderem viver com mais dignidade. 
No que à censura diz respeito, comparando o Estado Novo com estes 48 anos de democracia, constatamos que, se antes havia censura feroz por parte do regime salazarista, hoje, a censura utilizada pelos meios da comunicação social é mais sofisticada, consistindo, nas palavras de José Pacheco Pereira, em “impulsos censórios de hoje” limitadores da nossa liberdade, de podermos escolher livremente porque formatados pela bolha censória que existe em nós, fruto dos tempos passados de poder ditatorial, mas que mal se dá por ela. 
florentinobeirao@hotmail.com

Aniversários

04.05.22 | asal

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Hoje celebra 83 anos o Hermínio Canhoto, um colega muito chegado (entrou no Gavião em 1952), a viver agora na Aldeia de S. Francisco de Assis, a terra do P. Eusébio. O Hermínio passou uns longos 60 anos na Venezuela, de onde regressou há algum tempo. 

Caro amigo, os nossos PARABÉNS, com votos de muita saúde e longa vida em felicidade. Espero abraçar-te em 28 de Maio, certo?

 

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E o P. Marcelino Dias Marques, pároco de Marvão, celebra hoje o seu 57.º aniversário. Bem nos lembramos do seu trabalho aquando do nosso encontro naquele "Ninho de Águias". A foto foi tirada num dos momentos em que com ele estivemos.

Aqui estamos a dar-lhe os PARABÉNS e desejar-lhe muita saúde e longa vida na sua missão de bem-fazer. Pois, que a Vida te cumule de muita felicidade pessoal com todos os que serves em missão apostólica.

O Cântico do Cânticos

03.05.22 | asal

Meu Bom Amigo

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  Aqui te envio a 1ª parte do meu estudo sobre o Cântico dos Cânticos. Só depois da 2ª e última parte, se poderá fazer um juízo crítico. Espero ser útil a quem tiver paciência para me ler. Dizem tratar-se de um dos livros mais estranhos, complexos e desconcertantes da Bíblia. Mas, tratando-se de Amor, já Camões dizia que são tantas as suas contradições que nem o mesmo Amor a si se entende. Lá vamos, caminhando, pobrezinhos e mendigos, pedindo  ao nosso Deus que nos valha porque uma vida sem amor deve ser cavernícula, gelada e desumana, como a do senhor do Kremlin e a do seu sacristão, como diz o nosso Milhazes. Um grande abraço agradecido e vamos pensando no Encontro. João
 

O Cântico do Cânticos, que é de Salomão

     ( Séc. V, a.C. na época  pós-exílica)

        (…forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão.) –diz Ela, 8,6)

1.Um livro perigoso

  Em 1577, Frei Luís de Leon, agostinho, professor de Teologia,  entrava  na Universidade de Salamanca, regressado de uma dura prisão de cinco anos, nos calaboiços da Inquisição, por ter cometido a ousadia de traduzir para castelhano o livro sapiencial “Cântico dos Cânticos”. Fosse outro o livro sagrado e não teria passado por este calvário.

   O frade sobe ao estrado e começa a aula: “ Como dizia ontem…”

  Desde a sua composição, no séc. V a. C., em Jerusalém, que este belo cântico de amor se encontra sob suspeita. Foi escrito como um livro de contestação e protesto contra uma sociedade, mergulhada numa grave crise de valores morais e familiares, que fazia da mulher um objeto de uso e descarte e do casamento um negócio ou um contrato que, a qualquer momento, o homem podia desfazer. Ao apresentar uma experiência da relação amorosa, entre dois jovens amantes de sexo diferente, que se desejam com ardor, indiferentes a qualquer interesse material, procurando tão-somente o amor, como valor absoluto, que a si mesmo se basta, o poema distancia-se de uma visão materialista, precária e utilitária do matrimónio, então predominante.

   Nestes cantares, vive-se o amor físico e corpóreo, com naturalidade, exprimindo-se os amantes numa linguagem sensorial, recheada de imagens sensuais audaciosas, o que pode explicar o impacto impressionante em sucessivas gerações de ouvintes e leitores.

  1. Um diálogo apaixonado em que predomina a voz feminina

 Duas vozes se entrelaçam e respondem, construindo um discurso amoroso, aqui e ali entrecortado pelo coro das filhas de Jerusalém, com o papel de confidente ou de ampliação do maravilhamento, dúvida e receios que os protagonistas  provam  durante o seu percurso  de conhecimento e sedução. “Antes de mais o Cântico é um universo sonoro de apelos, de ecos e réplicas. Ele não fala simplesmente de amor. Canta o amor. É o amor que jorra na palavra.” (Anne – Marie Pelletier, a maior especialista  na leitura deste livro in Cadernos Bíblicos , nº75, Difusora Bíblica)

 Pois bem. Numa sociedade marcadamente masculina, é talvez a primeira vez em toda a literatura hebraica que a mulher assume o papel predominante na condução da troca das palavras, na marcação das entradas e saídas e no convite pressuroso ao amigo para ensaiarem os dois uma corrida louca e infrene pelos campos perfumados,  “Corramos … corramos". Não é por acaso que o primeiro elogio que o amante lhe faz(1,9) é a comparação do seu porte a uma égua de Faraó, símbolo da iconografia cananaica e grega para aludir ao esplendor da mulher...Teócrito utiliza o mesmo símile para cantar a beleza de Helena. No conto e canto desta linda história de amor, através de um diálogo, ela fala diretamente por si mesma, dirigindo-se ao amado, num face a face que dispensa qualquer narração.

  De facto, o centro de todo o poema é a jovem que profere com a sua boca a maior parte dos 117 versos. Mais. Ela é o pólo de atracão que conquista com o seu olhar o coração do jovem. Tudo parece passar pelo filtro da sua perspetiva.

   Com efeito, é ela que dá início ao poema, abrindo a sua boca latejante de amor: “Que ele me beije com beijos da sua boca” - boca do amado e não de outro. É também ela que o termina com um convite ardente, repassado de saudade e prenhe do desejo de voltar a repetir a mesma experiência (8, 14). Afinal, um encontro interminável, porque susceptível de ser sempre renovado, uma ferida que nunca  se fecha, um  amor  firme e fiel, que,  de modos vários e criativos,  se exprime e continua pela vida fora. Devo esta expressão do “ encontro interminável” a Tolentino Mendonça que sobre o Cântico nos oferece um dos mais belos textos que já li. (A leitura infinita. A Bíblia e a sua interpretação, 2015)

  A mulher comunica, de forma livre e desinibida, o desejo pelo “corpo” do amado, que se lhe equipara neste diálogo intersubjetivo e reversível em que o Eu e o Tu se falam, cada um por sua vez, utilizando a mesma linguagem erótica em que as palavras de um deslizam para o discurso do outro. Daí as repetições, retomada e repetições, que além de reforçarem a coesão textual, revelam a sintonia plena dos corações. Boca com boca, assim jorra o amor nas palavras!

  No entanto, nas exclamações de alegria do encontro e na dolência e tristeza do desencontro, é a mulher que se destaca, como nota o biblista Carreira das Neves. “ No Cântico, a amada sobressai em relação ao amado, o que representa uma revolução no paradigma clássico e bíblico entre o homem e a mulher” (O que é a  Bíblia, Casa das letras, p. 232). Por outro lado, o mesmo biblista confirma o que atrás foi dito sobre a vivência do amor, em si e por si: “ Os cantos celebram o amor do par humano e exaltam as suas delícias. Não é preciso pensar em canções de boda, embora não se possa excluir a priori  o seu uso posterior em tais celebrações.”

  1.  Leitura alegórica e aceitação no Cânon das Escrituras hebraicas

   Este saboroso livro, tão popular que até nas tabernas se cantava, e, naturalmente, aproveitado nas cerimónias de casamento onde tinha o seu lugar próprio, como pertencente ao género lírico do “epitalâmio” ( Ct.3,11, em que se evoca o casamento de Salomão) durante vários séculos, deparou-se com a recusa do judaísmo oficial. Pelo que já foi dito, é fácil descortinar a repugnância por uma confissão tão descarada do amor natural, apoiada em imagens provenientes de um fundo oriental politeísta. Até que um dia se fez luz! No concílio de Jabné, sec. I, depois de uma calorosa discussão, os rabinos apresentaram a sua leitura alegórica.

     E, pelas portas travessas da alegoria, transpôs-se um Cântico de amor humano, numa imagem viva do amor, igualmente incandescente, de Deus por Israel. E nem foi preciso alterar as palavras. Apenas, um sentido espiritual no texto foi injetado.

      Verdade seja dita que profetas como Isaías, Jeremias, Oseias e Malaquias já haviam dissertado largamente sobre a Aliança de Deus com o seu Povo, com recurso à linguagem conjugal. Depois de uma reflexão profunda, o  Rabbi Aquiba terá dito: O mundo inteiro não vale o dia em que o cântico foi dado a Israel, pois todos os escritos são santos, mas o Cântico é o Santo dos santos”. Deste modo, não foi difícil ao cristianismo acolhê-lo com admiração e espanto, com se vê nos comentários de Orígenes (séc. III), S. Bernardo (séc. XII) e de tantos, tantos  outros.

  Livro especialmente lido nos conventos. Com as devidas precauções, previstas nos regulamentos, não fossem os frades ou as monjas, sobretudo, os mais jovens, ceder a uma leitura literal, à linguagem livre de um poema que, em primeira mão, canta a sedução, o corpo, a paixão, o estremecimento e o prazer melífluo da união. Para isso, toda a vigilância, ascese e preparação espiritual para se entender e cantar a divina mensagem da alegoria.” Et quand même!”  (Continua)

 João Lopes, Coimbra, maio de 2022

Mais inscrições

03.05.22 | asal

Meus amigos, esta semana deve ser a mais conveniente para todos nos inscrevermos para o Encontro em Castelo Branco no dia 28 de Maio. Ontem publicámos a primeira lista com 33 participantes, a que já acrescentei o nome de dois que hoje se inscreveram por email: o António Manuel Lopes Alves Martins e o Carlos Filipe Marques.

Infelizmente, também recebemos notícia triste: o Francisco Cristóvão não vai de certeza ao Encontro, dado que a sua saúde está muito periclitante: «está desde sábado nos cuidados intensivos, com um choque séptico» num hospital no Algarve. Rezemos por ele. E o mesmo se passa com mais alguns colegas, cuja idade não perdoa...

Amigos, o Encontro não vai resolver os nossos problemas pessoais e financeiros!... Mas aquelas caras de jovens envelhecidos, que se reunem a pensar na sua antiga juventude, de certeza que nos vão dar um suplemento de alma.

Aos mais novos, os  de 50, 60 ou 70 anos, eu faço um apelo especial: apareçam pela primeira vez! Deixem-se de cantigas... É bom olhar o nosso passado, onde as nossas raízes se revigoraram e projetaram o nosso futuro. Muitos ainda hoje dizem: "foi o Seminário que me preparou para a vida". "eu devo tudo ao Seminário"...

Em 2016, de Castelo Branco foram estas algumas das fotos que ficaram. Já não veremos alguns rostos, que neste entretanto se despediram para sempre. AH

Aniversário

03.05.22 | asal

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MAIS UM ANIVERSARIANTE

Desta vez é o António Rodrigues, nascido em 3 de Maio de 1948. Vive no Seixal, onde se dedicou e dedica às tarefas da Cruz Vermelha, mesmo na aposentação.

Aqui se registam os PARABÉNS do grupo, com votos de vida prolongada, com saúde, junto de familiares e amigos. 

Inscrições para o Encontro

02.05.22 | asal

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ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DOS SEMINÁRIOS DA DIOCESE DEPORTALEGRE - CASTELO BRANCO

COMISSÃO ANTIGOS ALUNOS SPCB

(asal.mail@sapo.pt)

 

Caros Amigos,

Entrámos no mês do ENCONTRO DE CASTELO BRANCO, agendado para o dia 28 (sábado), com receção e missa na igreja do Valongo e almoço e sessão no Hotel Meliá (antigo hotel Colina do Castelo) que a Comissão deseja e espera que seja mais uma jornada de convívio e amizade e fique gravado na nossa memória.

Vamos fazer a apresentação formal do livro “Seminário de Alcains – História e Memórias” e a sua entrega àqueles que têm direito a um segundo livro em virtude do valor dos donativos efetuados para a edição e, naturalmente, também, a quem o queira adquirir, em primeira mão, ao preço de 15,00 €.

Como é habitual, convidamos os autores de outras publicações a levarem as suas obras para eventual aquisição pelos participantes.

Toda a prioridade vai ser dada ao Encontro de Castelo Branco, pelo que a Comissão pede a todos os antigos alunos que o divulguem junto dos amigos mais próximos, porque todos nunca seremos demais para alimentar o espírito associativo que nos anima.

Já temos 35 inscritos cuja lista se publica de seguida e lembramos que as inscrições devem ser feitas, preferencialmente, até 18 de maio, pela forma seguinte:

  1. Através do e-mail da Comissão (asal.mail@sapo.pt) “animus Semper” ou facebook “Animus Semper Antigos Alunos”.
  2. Por telefone para os seguintes membros da Comissão: António Henriques (917 831 904); Florentino Beirão (964 819 423); Joaquim Mendeiros (969 015 114), Martins da Silva (965 026 324).

INSCRIÇÕES PROVISÓRIAS

Abílio Cruz Martins (2)

António Colaço (1)

António Eduardo Oliveira (2)

António Henriques (2)

António Manuel Lopes Alves Martins (1)

António Martins da Silva (2)

António Rodrigues Lopes (2)

Armindo Luís (2)

Carlos Filipe Marques (1)

(D.) Antonino Dias (1)

Florentino Beirão (1)

João Oliveira Lopes (2)

Joaquim Mendeiros (2)

José Caldeira (1)

José Figueira (1)

José de Jesus André (2)

José Maria Lopes (1)

José Maria Martins (1)          

José Ribeiro Andrade (2)

José Ventura (1)

Manuel Bugalho (2)

(Pe) Manuel Lopes Mendonça (1)

Manuel Pereira (1)

Saúl Nunes Valente (1)

Saudações Associativas

(A Comissão Administrativa, em 02 de maio de 2022)

                                                                                                 FOTO DE 2016

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POEMA DE MAIO

01.05.22 | asal

Amigo António. Aquele abraço e um pequena lembrança.

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Maio - Água cristalina
Vôo breve de uma ave
Raiar brando e suave
Da meiga luz matutina
 
Mês da Senhora dos anos
Entre todos o primeiro
Símbolo bem verdadeiro 
Do amor dos Lusitanos
 
Reina o culto original
À Santa Virgem Hebreia
Nos lares da nossa aldeia
Em aldeias de Portugal
 

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1 de Maio de 2022
Do "jovem" J. Caldeira
 
NOTA: Uma homenagem à Mãe do Céu e a todas as mães da terra, que também procuram fazer o melhor pelos seus filhos. AH

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