Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Palavra do Sr. Bispo

13.05.22 | asal
SEMANA DA VIDA – ONDE ESTÁ A VERDADE?...

1.jpg

Quem se julga dono da verdade ensoberbece-se. Não raro, até parece que tem medo da verdade. É muito difícil lidar com gente que se tem como dona da verdade. Tem sempre razão, tem pouca ou nenhuma capacidade para parar, escutar, refletir e permitir ao menos o benefício da dúvida! Dogmatiza a sua verdade e afasta-se do caminho que a ela conduz. A verdade não é monopólio de ninguém, ninguém tem a verdade! Nós somos ou não verdadeiros na medida em que desejamos a verdade, a procuramos, humilde e diligentemente, e a vamos traduzindo em atitudes de vida, em gestos de amor para com Deus, para com os outros, para com a natureza e para connosco próprios. É uma fatura que, por mais que se pague, nunca está liquidada, está sempre em aberto, sempre nos apresenta a possibilidade de mais e melhor em todos os campos do ser do saber e do fazer.
O nosso maior compromisso deve ser sempre com a verdade. Por mais diversos que sejam os caminhos humanos - uns mais sofisticados e sabidos, outros mais simples e humildes -, todos haveremos de nos encontrar na Verdade. Judeu ou grego, escravo ou livre, de perto ou de longe, desta ou daquela raça, cultura ou cor de pele, lá nos encontraremos. Só a verdade nos libertará, só a verdade nos fará viver em comunhão plena. Só a verdade é a verdade, e não depende de maiorias parlamentares ou de outras. Dela vimos, para ela caminhamos apetrechados de instrumentos vários: de Inteligência para aprender e saber caminhar na sua direção; de Sentimento para sentir as diferentes emoções que a vida nos vai oferecendo; de Coração para amar e servir com amor; de Vontade para agirmos o melhor possível. Mas não só, a pessoa também é dotada de Consciência, uma faculdade que, não sujeita à vontade e aos sentimentos, aprova ou desaprova as nossas ações. Mais: temos a fé, uma faculdade inata ao homem, anterior à fé adquirida ou ensinada, mas que não deixa de estimular a busca de Deus e de querer sintonizar com Ele. É interessante perceber como se manifesta a fé dos que se dizem não crentes... Todas estas e outras ferramentas estão entregues à liberdade humana que as deve usar responsavelmente embora nem sempre aconteça.
Em Portugal, está a decorrer a Semana da Vida, de 8 a 15 de maio, Dia Internacional da Família. ‘A Vida que acolhemos’ é o tema desta semana inspirado na parábola do Bom Samaritano. Durante a semana acentuam-se três subtemas: o aborto, uma realidade que brada aos céus; a eutanásia, tema central na realidade política nacional; e a guerra na Europa, com todas as mortes e refugiados que provoca. Cada dia da semana tem o seu item específico: “Os que ainda não nasceram”, “Adoção”, “Os refugiados”, “O que é diferente”, “O que sofre”, “O que cuida”, a “Família, lugar de acolhimento".
Jesus é a Verdade que nos faz caminhar certo. Veio trazer-nos a vida e vida em abundância, pediu que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou. Fomentar a cultura da vida é, pois, um desafio constante, um gesto de amor.
Quem se mata, quem mata, quem pede a morte, no fundo no fundo não é porque não ame a vida ou não queira mais viver ou deseje tirar a vida a outros, sem mais. Esse ato é mais um sinal de revolta contra uma sociedade envolvente que o despreza, o não cuida nem ama. Contra uma sociedade que não é capaz de considerar um seu pedido de socorro em hora dura da sua vida, quer de sofrimento, quer por ser vítima de injustiças sociais ou de outras. Toda a gente ama a vida e gosta de viver. Se alguma exceção existe, confirma a regra. A vida humana é preciosa e inviolável, é o primeiro de todos os direitos, fundamenta a nossa cultura, é fonte de confiança. “O seu valor não depende da utilidade, beleza ou papel social que desempenha, mas da sua dignidade intrínseca, única e anterior a todo e qualquer outro critério seja ele a autonomia, a liberdade ou a qualidade de vida”. No entanto, não falta quem, por razões que só eles entendem, invocando a dignidade da vida e a liberdade individual, se arvorem em donos da verdade e queiram subverter o princípio que tanto tem custado a fazer caminho ao longos dos séculos, o qual, aliás, ainda não plenamente assumido: “Não matarás”.
A pessoa só é ética e moralmente livre quando, entre o bem e o mal, tem a capacidade interior de escolher o bem. Se opta pelo mal está a ser escrava da sua fragilidade e de tudo quanto a envolve. Quem mata ou aconselha a matar não opta pelo bem, destrói a liberdade, não há retorno. Somos seres de relação, somos uns com os outros, devemo-nos respeito e amor mútuo. E se, em teoria, todos somos iguais em liberdades, direitos e garantias, na prática, sobretudo as crianças - as pessoas mais frágeis e o melhor do mundo -, são discriminadas. Só em Portugal, por ano, são destruídas cerca de 15.000 crianças antes de nascerem, mas ninguém se alarma ou escandaliza, não são notícia!
Todos precisamos de bons samaritanos em situações de vulnerabilidade e fragilidade. Não de quem olhe para o lado e passe à frente ou acabe connosco. Não de leis que abram a porta para que outros o façam. Precisamos, isso sim, é de quem nos ame e ajude a viver e a morrer com dignidade, naturalmente, até ao fim. É certo que o sofrimento pode despertar “sentimentos e vivência de tristeza, solidão, ser peso para os outros, angústia, interrogações sobre o sentido da vida. Nesses estados de inquietação e sofrimento espiritual, muitos doentes encontram sentido no mistério da morte e ressurreição de Jesus. Outros, porém, sentem-no fútil e absurdo e manifestam o desejo de morrer ou até o pedido para morrer. Em tais pedidos está subjacente o valor da vida e o desejo de viver de outro modo. São sobretudo um pedido angustiado de ajuda face ao sofrimento intolerável e a manifestação da necessidade de proximidade afetiva face à solidão no morrer. Uns e outros pedem terapêuticas adequadas que aliviem ou suprimam a dor; cuidados imbuídos de compreensão empática e calor humano; acompanhamento espiritual; a presença humana, compreensiva e compassiva de familiares, amigos e outros membros da comunidade”.
Agradecemos e aplaudimos a ciência no seu enorme contributo ao bem estar da humanidade. Entendemos que ela deve estar ao serviço do conhecimento, do progresso sustentável, da vida e da qualidade de vida, isto é, da Verdade. Aplaudimos os médicos e todos quantos se manifestam a favor da vida. Um estudante de medicina, porém, numa intervenção que fez algures sobre os desafios da formação nessa área, afirmava que “já nem as faculdades são depositárias da conduta e do olhar devido sobre a ciência: tentam ensinar-nos que a vida nasce da ciência, quando ao invés, tal como tudo, é a ciência que nasce da vida”. E denunciava a subtileza com que até o código deontológico dos médicos está cada vez mais descomprometido com a vida humana, lembrando que “na mais recente atualização do Juramento de Hipócrates, já depois de incontáveis atualizações prévias, foi alterada uma simples frase: passou de “guardarei respeito absoluto pela vida humana”, para “guardarei respeito máximo pela vida”.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 13-05-2022.

Da Parreirinha

13.05.22 | asal

13-05-2022.JPG

Cumprindo a tradição, lá fomos a Carnide almoçar na Parreirinha. Como somos amigos, tratou-se de um almoço normal, com os rituais conhecidos, partilhando as doses e as bebidas.

Hoje alguns já experimentaram as sardinhas, que, por sinal, estavam bem saborosas. Adivinha-se um verão rico de apetitosas sardinhas assadas.

Éramos sete e a foto do costume aí está. Os preços é que estão a subir na fatura e nos bolsos.

Bom fim de semana a todos. AH

NOTA: Vou já acrescentar o nome do António Patrocínio à lista de inscrições para o Encontro de Castelo Branco. Ele acabou de me telefonar.

E também o P. Eusébio Firmino da Silva se inscreveu hoje. Isto vai!... AH

Aniversário

13.05.22 | asal

João Delgado.jpg

Para o João Delgado, que nasceu em 13 de Maio de 1972, vão hoje os nossos pensamentos e nossas felicitações. Trabalhou no Agrupamento de Escolas da Sertã e deduzo dos dados do seu Facebook que hoje se dedica especialmente à fotografia. Em Fátima não estará hoje, mas festa deve haver em casa...

De qualquer modo, aqui te damos os nossos sinceros PARABÉNS, com votos de longa vida cheia de saúde e felicidade. Vem connosco a Castelo Branco!

Lista de inscrições

12.05.22 | asal

Hoje, dia 12, inscreveu-se para o Encontro do dia 28 de Maio, o José Alves Jana, passando a 53 o número de participantes. 

Continuo com a esperança de ter muitos mais colegas no Encontro. E os nomes de uns podem arrastar outros. Vamos dar vida aos nossos dias, amigos!

INSCRIÇÕES EFETUADAS
 

Abílio Cruz Martins (2)

IMG_1369.jpg

Alexandre Nunes (2)

(D.) Antonino Dias (1)

António Colaço (1)

António Henriques (2)

António Lopes Luís (2)

António Manuel Alves Martins (1)

António Martins da Silva (2)

António Patrocínio (1)

António Rodrigues Lopes (2)

Armindo Luís (2)

IMG_1397.jpg

Augusto Rei (2)

Carlos Diogo (2)

Carlos Filipe Marques (1)

Carlos Tavares (1)

Eusébio Firmino da Silva P. (1)

Florentino Beirão (1)

Francisco Simão (2)

Ilídio Mendonça P. (1)

João Mendonça (1) 

João Oliveira Lopes (2)

Joaquim Mendeiros (2)

José Alberto dos Santos Martins (1)

IMG_1399.jpg

José Alves Jana (1)

José Caldeira (1)

José Figueira (1)

José de Jesus André (2)

José Maria Lopes (1)

José Maria Martins (1)

José Maria Santos Esteves (1)

José Ribeiro Andrade (2)

José Ventura (1)

IMG_1400.jpg

Manuel Bugalho (2)

Manuel Domingues (1)

(Pe) Manuel Lopes Mendonça (1)

Manuel Pereira (1)

Mário Pissarra (1) 

Saúl Nunes Valente (1) 

Vitorino Barata Reis (1) 

                                                                                                         Fotos de 2016   
Total -54
 
NOTA: Agora, em 14/05, somos 54.

Aniversário

12.05.22 | asal

P. Eusébio Firmino da Silva, é hoje o teu dia de anos. Assim, meu caro amigo de coração, nascido em 1942 na Aldeia de S. Francisco de Assis, de onde um dia fugimos para não sermos aprisionados por um grande nevão, colega de profissão como professores no Colégio de S. António em Portalegre, aqui estou eu a dar-te os PARABÉNS de aniversário em nome do grupo e a desejar-te muita saúde para continuares a servir a Igreja com devoção e realização pessoal. 

Eusébio 2016.jpg

Com mais de 30 anos de sacerdócio numa diocese dos Estados Unidos, ainda paroquiou uma comunidade de língua inglesa em Bruxelas por alguns anos.

Agora, vive em Alcains e ajuda os colegas nas paróquias vizinhas. A foto é de um magusto na Senhora da Rocha, em Carnaxide. Viva a Vida! E continua a aparecer, que nós gostamos de ti. Foi na Sertã que nos abraçámos pela última vez. E será agora em Castelo Branco, a 28/05, que nos voltamos a encontrar?

Lista de Inscrições

11.05.22 | asal

IMG_1379.jpg

Hoje, dia 11, inscreveram-se para o Encontro do dia 28 de Maio, o João Mendonça e o irmão, P. Ilídio Mendonça, e ainda o Manuel Domingues, passando a 52 o número de "encontristas". 

Continuo com a esperança de ter muitos mais colegas no Encontro. E os nomes de uns podem arrastar outros. Vamos dar vida aos nossos dias, amigos!

A foto de hoje é de 2016. Nela está o João Mendonça a orientar o coro da missa na Igreja do Valongo.

Belas recordações! Éramos 125...

AH

Dor da ausência - 2

11.05.22 | asal

Hoje são só testemunhos!

Primeiro

António! Como me sinto amargurado por não me poder inscrever no próximo encontro de companheiros mais novos... Até porque com a minha presença, dada a idade, quereria apregoar que a aposta nestes convívios tem de ser ganha, com mais adesão, por todos aqueles que, um dia, entraram no Seminário.

Mas a seguir  à recente dupla cirurgia a que fui submetido e que me enclausurou no mês de Abril, surgiu, nos primeiros dias de Maio, esse "vírus covídico", contagiando também a esposa, no momento, em situação de saúde muito precária.
Mas eu quero teimar em sentir-me um no meio de vós: na Eucaristia e no almoço-convívio. E porque estou sempre grato ao Seminário que me formou, queria enviar um donativo para, em envelope fechado. entregares no ofertório.
Para tal agradecia que me enviasses o teu NIB para proceder à transferência do contributo.
 
Segundo
 
Caro amigo, emocionou-me o teu email. As nossas idades estão a fazer mossa no estilo de vida que levámos até agora. Eu também começo a ser incapaz de ouvir bem, já não consigo cantar, qualquer problema me perturba o sono... É a vida, numa altura em que passamos a "ser muito amigos dos médicos"... Vocês apanharam mesmo uma pedrada forte... Não me admiro que estejam contundidos!!! 
Por aqui, agora é a perna marota da esposa que precisa de uma operação à anca. Vamos ver quando pode ser...
Quanto a Castelo Branco, nem sei o que dizer. Ontem fiz quatro telefonemas a amigos que não costumam faltar. Só ouvi mazelas, operações, quimio... Hoje, outro telefonema pôs-me a falar com outro amigo que agora é cuidador informal e permanente da mulher toda escavacada por uma queda, operações mal sucedidas, e ainda com uma sogra velhinha incapaz. Olha, achei-me um privilegiado...
Tenho muito gosto em cumprir o teu desejo e o teu dinheiro será entregue na missa do dia 28. Disse-o ontem a outro amigo incapacitado e ele também me pediu o IBAN. Temos de assumir as nossas limitações e cara alegre!
O meu IBAN é ( )...
António Henriques
 
Terceiro
 
Sim, António. Há já algumas ausências que doem! E como doem! O tempo os trouxe e o tempo os levou! Mas quem tornará essas ausências "presentes" senão o grupo de amigos que se reúnem para celebrar a vida que desapareceu da nossa vista? Os nossos Encontros servem também para isto. Por isso, o apelo do António Henriques, perante a míngua de inscritos, vai neste sentido. Ele, sempre tão zeloso em lembrar os nossos aniversários, tem toda a autoridade para o fazer.
Eu sei por mim. Ás vezes, já me custa sair à rua. Vou à janela e vejo o tempo húmido. E digo, é melhor não sair. Se o tempo está esplendoroso... Ah, o sol! Enfim, há sempre uma desculpa para ficar em casa. E lá se ouve a voz da minha senhora: Sai, vai arejar, espairecer, mexe as pernas, que te faz bem.
Somos assim. Precisamos de nos contrariar e sair do ninho. E depois até gostamos! Se for este o caso, meu amigo, inscreva-se, que todos somos necessários para haver alegria e refrescar o sentido das nossa vidas. Um grande abraço, João Lopes.

Apresentação2.jpg

Aniversários

11.05.22 | asal

Diamantino2.jpg

Faz hoje 70 anos o Diamantino Ribeiro! Vive na Austrália e aparece por vezes a comentar os acontecimentos no nosso Facebook. Contactamos pelas redes sociais e tivemos a alegria de conviver com ele e sua família no Festival do plangaio e maranho de Sobreira Formosa há dois anos.

Para ti, que estás tão longe e tão perto, aqui ficam os sinceros PARABÉNS DESTE GRUPO, com votos de muita saúde e felicidade.

 

João Quinto.jpg

Também hoje celebra o seu aniversário o João Luís Quinto, natural do Brasil e a viver em Abrantes. Frequentou o Seminário de Gavião durante um ano e vive em Abrantes. Profissão? Ele responde: «Cá continuo a brincar com os meus bonequinhos amigos e espero que os mais novos cá cheguem com a alegria, saúde e tudo o mais que eu julgo ter.»

Amigo, aqui ficam os nossos parabéns e votos de muita saúde e alegria por muitos anos.  Viva a vida!

A brincar com o tempo

10.05.22 | asal

Caro António Henriques

Com o espírito de colaborar no ANIMUS aqui te envio uma segunda poesia leve sobre o tema "TEMPO", que me levou a consultar alguma Literatura Portuguesa.
Tenho sempre presente, como disse Fidelino de Figueiredo, que a Literatura é AMOR, INTRIGA, LIRISMO, SUBJECTIVISMO, CONTEMPLAÇÃO, DEVANEIO e NOSTALGIA.

José Maria Lopes.JPG

 
Assim:
 
Desde o TEMPO de Pascoais
O poema é jardim aberto ao Mar
Que consola, acalma e faz sonhar.
TEMPO é bem real de cada dia
 Estejamos tristes ou com alegria.
Diz o Eclesiastes que todas as coisas têm o seu TEMPO:
Há TEMPO para nascer e TEMPO para morrer,
Há TEMPO para plantar e TEMPO para arrancar,
Há TEMPO para destruir e TEMPO para construir,
Há TEMPO para calar e TEMPO para falar,
Há TEMPO para romper e TEMPO para coser,
Há TEMPO para espalhar e TEMPO para juntar,
É um rol sem nunca acabar
E verbos transitivos e intransitivos para classificar.
Eduardo Coelho disse dos poemas de Sophia
Que o TEMPO é um bem real do presente
E livres habitamos a substância do TEMPO,
Anda com todos nós todo o dia.
Às vezes as palavras dum tempo
Ficam fora do TEMPO.
Há obras literárias onde confluem em duas esferas
A do espaço e do TEMPO.
Era, assim, a obra de Wagner, a Valquíria
Que vai perdurar por muitas eras.
Cortar o TEMPO em fatias
É o ano dividido por dias.
O TEMPO é perseguidor
Que por vezes causa dor.
Com o TEMPO as ofensas se perdoam, 
Mas as mágoas não se escoam.
O TEMPO é como o eixo do Mundo
Onde se unem e fracturam destinos
Cantam-se odes e tocam sinos.
Diz-se que o TEMPO está a chegar ao fim, 
Mas o TEMPO é acabamento?
E não há mais TEMPO?  Há, sim.
A Revolução  Francesa disse que o TEMPO
Era de liberdade, igualdade e
Fraternidade.
Com o TEMPO aparecem os antigos desejos de infância
Embora estejam a grande distância
Disse Santo Agostinho:
TEMPO é concretização da ideia da evolução
Sem pôr de parte a ideia da razão,
Tornando possível a realização dos factos.
A origem do TEMPO foi a criação do Mundo
Um pensamento com sentido bem profundo.
TEMPO é o fluir do passado para o presente
E do presente para o futuro
Atravessa a montanha e o mais alto muro.
É fluir como as águas dum rio
Sempre a correr sem desvio.
Não somos o TEMPO, escreveu Tolentino Mendonça,
Pensador, filósofo, magnífico,
Somos, digo eu, um TEMPO específico.
TEMPO é contemporizador
Porque o TEMPO aceita o TEMPO,
Mas é preciso dar TEMPO ao TEMPO.
O TEMPO também se extingue
Como fogo que se apaga.
TEMPO é como a casa que se constrói um dia
Com ferramentas de alegria.
Jesus disse ao TEMPO: cala-te e está quieto.
Então tem boca e pernas em concreto?
Deixo o TEMPO para o TEMPO
 Sem contratempo, 
E o amanhã para amanhã com TEMPO
 
Zé Maria Lopes

Dor da ausência

09.05.22 | asal

A pandemia isolou-nos, empurrou-nos para casa e de lá custa a sair. Talvez seja por isso e ainda com medo do vírus covídico que estamos com pouca vontade de irmos até Castelo Branco em 28/05.

A guerra está a perturbar muitas famílias e muitos de nós convivem com casos de gente que fugiu da Ucrânia e ficou sem nada, tentando agora sobreviver em Portugal, com a convicção de que enquanto há vida há esperança!

Heitor+Nogueira.jpg

Estou a escrever agora a pensar em vários colegas que nos deixaram para sempre (na foto, o João Heitor e o Joaquim Nogueira)  e alguns outros que passam por momentos mui complicados e não estão em condições de marcar presença no nosso Encontro. Dói muito a vida quando nos vemos limitados... Mas temos de reagir, mesmo quando os médicos começam a fazer parte do nosso quotidiano. 

Os que têm saúde é que se podem interrogar: vou ou não abraçar antigos colegas e amigos?

Quem, por exemplo, não vai é o Pequito Cravo, que continua a debater-se com um estrondoso AVC que o derrotou e vai evoluindo muito lentamente. Ou o António Reis, que está em convalescença de problemas pulmonares graves.

E quem também não vai marcar presença é o amigo Francisco Cristóvão, que ainda em Marvão dissertou com muito gosto sobre a universidade do calhau naquele "ninho de águias", onde alguns de nós - os mais velhos - estudaram, antes de haver Seminário de Portalegre. Neste momento, o Chico está no hospital com um choque séptico perigoso, lutando entre a vida e a morte. As últimas notícias recebidas dizem: «Olá, família e amigos. O estado do Francisco continua muito, muito crítico. Hoje fizeram-lhe uma TAC crânio encefálica e ainda fazem na 4ª feira um EEG pois há a suspeita de que tenha tido um AVC muito forte. Acresce a total dependência da máquina que lhe fornece oxigénio». Vamos lembrá-lo ao Pai...

Como elemento que estou a fazer alguma coisa para "reunir a malta", também é doloroso sentir a ausência de amigos, que andam por aí a viver a sua vida, muitos a viver quase ao lado do hotel. Mas que posso eu fazer? E esta incapacidade de fazer melhor também me perturba o sono e os dias, ainda hoje o disse ao Mendeiros. É a dor da ausência...

Mas eu desejo a todos o melhor, o dobro do que me desejam a mim.

António Henriques

INFORMAÇÃO

09.05.22 | asal
ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DOS SEMINÁRIOS DA DIOCESE DE
PORTALEGRE - CASTELO BRANCO

LOGÓTIPO.png

COMISSÃO ANTIGOS ALUNOS SPCB
(asal.mail@sapo.pt)
Caros Amigos,
Entrámos no mês do ENCONTRO DE CASTELO BRANCO, agendado para o dia 28 (sábado), com receção e missa na igreja do Valongo e almoço e sessão no Hotel Meliá (antigo hotel Colina do Castelo) que a Comissão deseja e espera que seja mais uma jornada de convívio e amizade e fique gravado na nossa memória.
Vamos fazer a apresentação formal do livro “Seminário de Alcains – História e Memórias” e a sua entrega àqueles que têm direito a um segundo livro em virtude do valor dos donativos efetuados para a edição e, naturalmente, também, a quem o queira adquirir, em primeira mão, ao preço de 15,00 €.
Como é habitual, convidamos os autores de outras publicações a levarem as suas obras para eventual aquisição pelos participantes.
Toda a prioridade está a ser dada ao Encontro de Castelo Branco, pelo que a Comissão pede a todos os antigos alunos que o divulguem junto dos amigos mais próximos, porque todos nunca seremos demais para alimentar o espírito associativo que nos anima.
Já temos 43 inscritos cuja lista se publica de seguida e lembramos que as inscrições devem ser feitas, preferencialmente, até 18 de maio, pela forma seguinte:
1. Através do e-mail da Comissão (asal.mail@sapo.pt), blogue “animus Semper” ou facebook “Animus Semper Antigos Alunos”.
2. Por telefone para os seguintes membros da Comissão: António Henriques (917 831 904); Florentino Beirão (964 819 423); Joaquim Mendeiros (969 015 114), Martins da Silva (965 026 324).
 
INSCRIÇÕES PROVISÓRIAS
 
Abílio Cruz Martins (2)

IMG_1423.jpg

Alexandre Nunes (2)
(D.) Antonino Dias (1)
António Colaço (1)
António Eduardo Oliveira (2)
António Henriques (2)
António Lopes Luís (2)
António Manuel Alves Martins (1)
António Martins da Silva (2)
António Rodrigues Lopes (2)
Armindo Luís (2)
Augusto Rei (2)
Carlos Diogo (2)
Carlos Filipe Marques (1)
Carlos Tavares (1)
Florentino Beirão (1)
Francisco Simão (2) 
João Oliveira Lopes (2)
Joaquim Mendeiros (2)

IMG_1444.jpgJosé Caldeira (1)

José Figueira (1)

José de Jesus André (2)
José Maria Lopes (1)
José Maria Martins (1)
José Maria Santos Esteves (1)
José Ribeiro Andrade (2)
José Ventura (1)
Manuel Bugalho (2)
(Pe) Manuel Lopes Mendonça (1)
Manuel Pereira (1)
Mário Pissarra (1) 
Saúl Nunes Valente (1) 
Vitorino Barata Reis (1)                                                                                                             Fotos de 2016   
Total -49
Saudações Associativas
(A Comissão Administrativa, em 09 de maio de 2022)
 
NOTA: Na sequência desta INFORMAÇÃO, acabo de receber telefonemas do Mário Pissarra, Carlos Diogo, do António Lopes Luís e do  Carlos Tavares a aumentar para 49 o número de inscritos. Quem se seguirá? AH
 

Cântico dos cânticos - 2

09.05.22 | asal

Meu Caro António Henriques, amanhã, o meu computador vai estar ocupado com aulas à distância. Aproveito hoje para te enviar o meu texto. Um pouco extenso, peço desculpa, mas a sua unidade de tratamento assim o exige. Se algum dos leitores quiser colocar alguma objeção ou fazer uma crítica, não há problema. Responderei como puder. 

 Mandei duas fotos para ilustrar um texto tão  representado na azulejaria e na pintura, Marc Chagal fez belas ilustrações do Cântico,  como Bernini  no êxtase de Santa Teresa de Àvila. 
 O saudoso P. Carreira das Neves,  no seu pequeno grande livro," Ler a Bíblia no  Século XXI", diz ser um livro excelente para a preparação do casamento. E não só, aconselha-o para todas as idades do amor, mesmo para o amor bem velhinho de tantos de nós.
Um grande abraço agradecido, João                            A 1. parte foi publicada em 3/05 (veja aqui).
 

    2ª Parte e conclusão

João Lopes 11.jpg

    “ Volta-te, volta-te, Sulamita! 

       Volta-te, volta-te, para te vermos!" (7,1) 

  1. O Cântico dos Cânticos e a Virgem Maria

    Não custa admitir que o Cântico tenha sido aplicado, de forma eminente, à Virgem Maria. Algumas referências do poema a Maria têm sido feitas desde o séc. IV na Liturgia e nos Sermões, sendo que é no séc. XII que, em chave alegórica, se desenvolve a interpretação mariana deste poema de amor, grandioso e resistente, a um tempo lírico e épico.

  Em três passagens se fundamenta esta releitura:  Vv. 4,7;  6,4 e 6, 10.

   “ Toda bela és tu, ó minha amada, / e em ti defeito não há. ( 4,7)

    Este verso faz parte do 1º elogio da formosura da amada, num discurso superlativo ao jeito da retórica oriental, um colar de metáforas e comparações, de singular beleza.

   A propósito do verso citado, a Santa Bíblia de Jerusalém esclarece: “ a Liturgia Católica aplica este verso à Imaculada Conceição.” E ao fazê-lo, a hermenêutica cristã alarga o âmbito da sua significação para o momento da conceção de Maria, pura e incontaminada pela mancha do pecado, em atenção à Incarnação do Filho de Deus.

 Obviamente, a intenção original do poeta final do séc. V a. C. não vai tão longe. E nós também, com um simples olhar, não compreendemos o alcance desta “ referência” que, mesmo em registo alegórico e acomodatício, nos coloca no limiar do Mistério.

 Por mim, não desligo este verso do contexto verbal em que se insere. Na verdade, todas as qualidades cantadas podem ornar o retrato de Maria: o falar doce e encantador (v. 4, 3); as faces de romã, (4, 3); a fragrância dos perfumes ( 4, 10), a altivez e frontalidade da “ torre de David,” resplandecente de troféus de vitória ( 4, 4).  Em 6,4. no 2º elogio, “ Tu és bela, minha  amada, como Tirça; / esplêndida como Jerusalém. / És terrível como as coisas grandiosas.” De novo, a sugestão da fortaleza inexpugnável que ressalta na tradução latina: “terribilis ut castrorum acies ordinata”.

    Toda esta cornucópia de predicados e excelências físicas e morais podem, com toda a verosimilhança, passar da beleza da heroína do Cântico, uma epopeia de amor de fidelidade e resistência, do séc. V. a.C. para Maria, casada com um construtor do séc.I ( tekton) e que, naturalmente, gostava de se apresentar com todos os adereços  de beleza de uma mulher oriental do povo ou da classe média.

 Quanto à sua resistência física, só uma jovem, com perfil de atleta, seria capaz de vencer, por altas montanhas, uma distância de Nazaré a Ain-Karim,  a 6km a sul de Jerusalém. Divulga-se por aí uma imagem de fragilidade e delicadeza que em nada condiz com a mulher forte do Apocalipse e com o seu papel de matriarca, atarefada em trabalhar para o seu clã familiar de Nazaré, um clã davídico, como nos explica o abade Pixner nos seus escritos sobre o Quinto Evangelho. Ou a paisagem  e geografia das terras percorridas por Jesus. Por isso, tanto aprecio a estátua de Maria com o Menino, ao lado do altar-mor da Basílica de S. Pedro!

d1a8ae53-67e8-4a4f-9a81-af3d214f8922.jfif

 Humanizemos, pois, a imagem desta grande Mulher, Senhora e Mãe carinhosa, que tanto se preocupa com esta tropa de filhos, rebeldes e zaragateiros “ A mulher que em tudo se mete” como a define soberbamente o dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna, no seu Auto da Compadecida. E, apesar de tantas preocupações, em nada perde do brilho da beleza e dedicação, como ressoa no elogio coletivo das mulheres de Jerusalém. “Quem é essa que desponta como a aurora, /bela como a Lua, / fulgurante como o Sol,/ terrível como as coisas grandiosas?” ( 6, 10) 

  1. O caráter antológico do livro, género literário e contexto

    A Bíblia apresenta-nos um Poema composto de 8 cps, dotado de alguma unidade literária e coesão textual.  Porém, os exegetas identificaram 5 a 20 pequenos cantos, que, antes da sua compilação, haviam gozado de alguma autonomia no florescente folclore de Israel. Seriam cantados nas reuniões das tribos, nas festas e nos casamentos. Nos costumes orientais, celebrava-se a festa do casamento em sete dias festivos. O núcleo central é constituído pela coroação dos esposos. Num dos dias, os convidados entoavam cantos vários em honra dos noivos que, sentados num trono, eram elogiados com epítetos reais de “príncipe e princesa".

    Quanto ao género literário, trata-se naturalmente de poesia lírica, estruturada segundo o modelo estilístico e teatral de um epitalâmio, como nos esclarece T. Mendonça na Introdução j da ed. da Bíblia da Difusora Bíblica.

     No séc. V, Neemias, um regressado do cativeiro e nomeado pela corte persa como governador da província da Judeia, vendo a cidade profanada por povos estrangeiros, empreendeu uma reforma dos costumes, tendendo a defender o casamento monogâmico entre os judeus puros, que haviam feito a experiência do exílio.

  É neste contexto sociológico que um grupo de poetas de ofício, de alto gabarito, homens e mulheres, decidiram reunir esses cantos soltos, fragmentos amorosos, transmitidos pela tradição oral e colectiva, e, inventando uma linguagem rica, sensorial e sugestiva, subtil e requintada, empreenderam um trabalho de construção verbal de alto nível poético, em que as palavras, cuidadosamente escolhidas e combinadas, pela ressonância que entre si produzem, formam também uma espécie de música de fundo de todo o Cântico. Poesia, música e dança, três artes em sintonia!

   Uma obra de excelência de um ou uma poeta desconhecidos. Desse trabalho minucioso sobre a textura verbal, que implicou também um trabalho de colagem dos tais cantos menores, resultou o Cântico dos Cânticos, uma forma semita de traduzir o superlativo relativo de superioridade, isto é o Cântico mais perfeito para celebrar o amor entre um homem e uma mulher. Os refrães que se repetem, servem de elos de ligação.

  1. Estrutura textual e unidade literária
  1. Título e prólogo

   Os hagiógrafos atribuem a autoria do Poema a Salomão (séc. X, 972-931 a. C.), expoente máximo  da sabedoria em todo o Israel  e povos vizinhos. Não é que o afamado Rei seja o seu autor, mas, ao colocar o Poema sob a autoridade real, (pseudo-epigrafia, muito usada na Bíblia) havia a intenção de  garantir  a aceitação de uma obra cujos verdadeiros autores se desconheciam.

 A mulher, personagem de 1º plano, vinda de um lugar desconhecido, do deserto, terra de sede e solidão, irrompe pelo texto, ex abrupto, repentina e desesperadamente, ao amado solicitando beijos, muitos beijos, que lhe matem a sede de amor. Há que afastar as concorrentes. Por isso, arranca-o dali  para, numa corrida infrene, alcançarem o bosque das delícias.

  1. Desenvolvimento
  • 1º Poema, 1,5-2,7: BUSCA E GALANTEIO

    joao.jfif

           Podem detectar-se, pelo menos, cinco quadros ou cenas, no desenrolar de um diálogo apaixonado entre um par amoroso, simples e anónimo, impregnado de um lirismo bucólico e pastoril, que se expande em movimentos de fuga e aproximação entre “ELA” e “ELE”. Talvez mais do que encenar ou” representar”, ou também isso, dado o potencial teatral do Poema, como observou E. Renan, interessa-lhes viver, sinceramente, a paixão que os consome, num cenário que varia entre o deserto de Judeia e o oásis de En-Guédi, a oeste do Mar Morto.  (Lembro-me bem: ao passar por ali, vi uma imponente cascata vinda deste oásis fecundo!)

  Ela começa por se apresentar à comunidade. “ Sou morena, mas formosa, ó filhas de Jerusalém” Na alta sociedade, valorizava-se a cor branca, sinal de nobreza. Perante o preconceito de cor, não se acanha, justificando-se com a sua condição de camponesa:   “Não estranheis eu ser morena: foi o sol que me queimou.”

 (Onde é que já ouvimos isto no Cancioneiro da Beira?)

  • 2º Poema: 2,8-3-5: PRIMAVERA E SONHOS DE AMOR

E desabrocha a 1ª declaração de amor: “ O meu amado é para mim e eu para ele” v. 16

 Ou seja: ela deseja o desejo dele e ele deseja o desejo dela. A constelação semântica das palavras que gravitam em torno do “Desejo”, o pivot temático do discurso, são inúmeras e repetidas: “ desejar” 2,3; “beijar” 1,2; 8,1)  “abraçar” 2,6; 8,3; “ roubar o coração”4,9;  “ desejo e prazer” 7,7; desejável e apetecível, 7,7)

 Diante da realidade do amor, não há conflitos morais. Apenas a ambivalência da paixão, tecida de contenção/ satisfação, ausência/ presença, perda e reencontro, fala e silêncio, imobilidade e ação.

 Apalpa-se o avanço progressivo do discurso até explodir no clímax dos versos 4,16-5,2.

  • 2.3 3º Poema 3, 6- 5,2 : BUSCA NOTURNA, ANSIEDADE E ENCONTRO

   Ela: “ Levanta-te, vento norte (…) Vem soprar no meu jardim (metáfora do corpo)

  O meu amado entrará no seu jardim/ e comerá os seus frutos deliciosos”.4,16

      Promessa ou anúncio que ele cumpre, sem  mais delongas: “Entrei no meu jardim, minha irmã e minha noiva. (…) Colhi do meu favo de mel/ bebi o meu vinho e o meu leite”

    Tratar a amada como irmã é comum na poesia oriental. É uma forma de realçar os laços de ternura e convívio que traz a coabitação desde a infância.

 Na textura simbólica e poética dos elementos comestíveis, mel, vinho, leite ou maçãs e figos, recorrentes na literatura egípcia e em toda a imagética mediterrânica da Bíblia, reafirma-se a intenção autoral de exaltar o amor feliz, a sexualidade saudável, embelezada pela fidelidade, unicidade, exclusividade e respeito mútuo que, de forma singular e bem marcante, adornam a expressão erótica do discurso.

  •  2.4 4º Poema:  5,2-6,9  FUGA E ENCONTRO DO AMADO

          A REVELAÇÂO DA BELEZA MASCULINA

  O retrato do amado, único retrato desenhado por ela, além de um ou outro apontamento, responde à curiosidade do coro das filhas de Jerusalém. O corpo do amado, percorrido de alto a baixo pelo seu olhar, naturalmente interessado e envolvido, distingue-o entre dez mil, pela tez rosada do rosto, pela farta cabeleira, negra como as asas de um corvo, olhos de pomba, reflectidos num lago de leite – enfim, um quadro perfeito pintado com as tintas da terra, da bela terra de Israel. Antes, já ele se autocaraterizara como um narciso de Sharon , a planície  da costa do Mediterrâneo e um lírio do vale.  Há quem veja, em parte do retrato, uma comparação do corpo do jovem com o Templo, o monumento mais precioso de Jerusalém, o centro luminoso da presença divina. E, assim, indiretamente,   se insinua a imagem  do Autor da vida e do amor.

  • 2.5. 5º Poema  : 6,4- 8,4  :   UNICIDADE E INTEGRIDADE DO AMOR

     Mais dois retratos da beleza da amada, numa sequência quase contínua:  6,4 -6-10 e 7,1-7,10

  Canta-se a unicidade da relação amorosa, em contraponto com a poligamia salomónica que levou o Reino à ruína. (1Rs, 11)

  “ Mas ela é única, minha pomba, minha perfeita… 6,9

 De facto, ela é única, inteira e completa; indestrutível é o seu amor como Tirça e Jerusalém, as duas capitais da Samaria e da Judeia, capaz de saciar plenamente o desejo de um homem e de o cativar no vigor dos seus braços. ( 7. 6-8) Por isso, avisado não seria  trocá-la por outra.

  Emerge aqui a lembrança da Sulamita, a jovem mais bonita de Israel ( 1Rs 2, 17-20) escolhida para suavizar as agruras da velhice de David e , com passos de dança e carinhos, o entretinha. Então, a amada, qual Sulamita, ensaia aqui uma dança oriental, mostrando habilidade, talento e capacidade de sedução. 

   Com um olhar latejante de desejo, o amante despe-a, de baixo para cima, dos pés aos cabelos de púrpura. A elegância do andar, o bamboleio das ancas e outras intimidades como a tacinha do umbigo e o monte de Vénus exibem-se com a mesma candura e naturalidade de quem cheira uma flor ou tira água da fonte. Um quadro realista de uma nudez, mais imaginada do que exposta, com uma floresta de palmeiras ao fundo.

       Perante elogio tão arrebatado, a nossa “Sulamita”  responde com um verso emblemático sobre a dignidade  da mulher:  “Eu pertenço ao meu amado e o seu desejo impele-o para mim”  (7,11) Muitos exegetas vêem aqui  uma resposta a Gn. 3,16, em que a atração sexual se realiza num movimento contrário. “ Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará” ameaça Javé, dirigindo-se à mulher.  Ora, no Cântico, é o homem que não resiste ao poder de sedução que sobre ele exerce a mulher que ama. E nesta pertença mútua se restabelece a equidade, a paridade e a simetria na relação. Ou seja, no plano do amor, a mulher recupera a dignidade que a sociedade lhe sonegava. Pelo menos, neste Poema, as coisas passam-se assim. Basta ler as palavras no sentido imediato e natural.

      3.DESENLACE (8. 5-7) O MISTÉRIO DO AMOR

Chagall.jfif

Esclarece-nos o autor da BÍBLIA PASTORAL, ilustrada por Gustave Doré, que o epílogo ou desenlace é o cume do livro. “O amor é mistério insondável e indestrutível que une duas pessoas, superando mesmo a barreira da morte.” Daí a metáfora do selo, conotando uma amor eterno e fiel. “ Grava-me como um selo em teu coração, como selo no teu braço. “ 8,6 Imagem da amada, tatuada para sempre no corpo do amado?

 Não encontro palavras mais apropriadas para pôr um termo provisório a este estudo que as palavras de S. Bernardo, quer optemos pela leitura natural ou alegórica ou por ambas. “Se quisermos atingir uma compreensão do que no Cântico se pode ler, é preciso amar.  Senão, será em vão que se escuta ou lê este poema de amor; sem amor não se chega a parte nenhuma; um coração frio nada captará destas palavras de fogo.”(  Sermão 79)

  1. Intertextualidade com a poesia oriental

    Incompleta ficaria esta leitura, onde cinco poemas curtos e soltos se constituíram em quadros de uma composição final, de caráter antológico, ( e aqui, ligeiramente analisados)  incompleta ficaria se não referisse, mesmo ao de leve,  as  relações  com outros cânticos amorosos e  epitalâmicos do Egito e do Próximo Médio Oriente.

 Diz ELE: Amada, és única, de ti não se fez duplicado. (…)/ Os teus lábios são encantamento./ O teu pescoço tem o tamanho certo / E os seios uma maravilha.” (…) Os teus braços de mais esplendor que o oiro… (  Poemas de amor do antigo Egito. Ed, Assírio Alvim , p.15.

 Diz ELA: A tua voz perturba o meu coração, / Por tua culpa é que eu sofro.

  Ou este:   “Diz ela: Tens sede? / Toma o meu seio, / Exuberante. / O teu amor infiltra-se no meu corpo, / Tal como o vinho se infiltra na água… ( p. 31)

     “A única, a amada, a incomparável/ a mais bela do mundo, / olha-a bem, é como uma estrela brilhante/ no limiar de uma ano novo! (…) De graça cintilante e tez fulgente/ ela possui olhos de brilho incandescente. (…)  O seu ar é altivo  ao caminhar./  Ela prende-me o coração em seu andar".  ( Anne Pelletier, ib, p.13) 

     A especialista em Estudos Bíblicos realça os paralelos entre estes poemas de amor e admiração e o Cântico dos Cânticos. No fundo, pertencem todos à mesma área cultural. A vida simples e alegre da pastorícia, o trabalho na vinha ou no pomar, ou até o ambiente da corte, é fonte de imagens poéticas, parábolas ou metáforas, usadas, com mais ou menos requinte, na literatura profana (ou sagrada) sobre o amor humano, comum aos povos vizinhos da Palestina.

  João Lopes, Maio, mês de rosas e de Maria.

Aniversário

09.05.22 | asal

José Eusébio.jpg

Ainda há pouco, este colega pediu para entrar no nosso convívio. E é a primeira vez que anunciamos o seu aniversário. Esta é a foto do José Eusébio, que hoje festeja os seus 48 anos, um jovem a olhar para o futuro. Natural de Tinalhas, segundo consigo inferir, é profissional do ramo da segurança.

Pois, aqui ficam os nossos Parabéns e votos de muita saúde e sucesso pessoal e familiar.

Castelo Branco é ponto de encontro em 28 de Maio e o teu nome ainda não consta da lista. Não queres aparecer?

Mais nomes

08.05.22 | asal

Atualizando a lista, juntámos mais 2 convivas. Somos 43. E amanhã quantos virão?

INSCRIÇÕES PROVISÓRIAS

Abílio Cruz Martins (2)

Alexandre Nunes (2)

IMG_1315.jpg

António Colaço (1)

António Eduardo Oliveira (2)

António Henriques (2)

António Manuel Lopes Alves Martins (1)

António Martins da Silva (2)

António Rodrigues Lopes (2)

Armindo Luís (2)

Augusto de Matos Rei (2)

Carlos Filipe Marques (1)

(D.) Antonino Dias (1)

IMG_0687.jpg

Florentino Beirão (1)

Francisco Simão (2)

João Oliveira Lopes (2)

Joaquim Mendeiros (2)

José Caldeira (1)

José Figueira (1)

José de Jesus André (2)

José Maria Lopes (1)

José Maria Martins (1)

 José  Maria Santos Esteves (1)        

IMG_1332.jpg

José Ribeiro Andrade (2)

José Ventura (1)

Manuel Bugalho (2)

(Pe) Manuel Lopes Mendonça (1)

Manuel Pereira (1)

Saúl Nunes Valente (1)

Vitorino Barata Reis (1)

Ao todo, temos hoje 43 participantes.

Aniversário

08.05.22 | asal

Hoje é o dia do José de Jesus André, de Alcains. Aposentado há poucos anos, dirigia uma agência do BCP em Estrasburgo e, no seu aniversário de 2019José Jesus André.jpg, prometeu estar connosco na Sertã. E esteve! Já depois, atirou-se a novo projecto, pedindo aos colegas que o ajudassem a levar a obra artística do António Colaço ao Centro Cultural Português em Estrarburgo, o que também se fez com sucesso - juntámos 2.040 euros para a viagem se fazer em Junho.

Entretanto, veio o Covid e o Zeca foi apanhado por este inimigo invisível, destruindo-lhe a saúde e fazendo adiar os seus projetos. Depois de uma longa recuperação, feita com muita persistência, hoje o Zeca voltou a ser o que era... E o sonho de levar o Colaço e sua obra artística a Estrasburgo vai realizar-se no próximo mês, com a Exposição marcada para o primeiro fim de semana de junho. O Zeca estará no Encontro de Castelo Branco e depois desanda para Estrasburgo com a Exposição do Colaço. Grandes apostas de gente corajosa!

 Nos teus 69 anos, damos-te sinceros PARABÉNS, com votos de muita saúde e longa vida junto de família e amigos. Já nos encontrámos em Albufeira e espero repetir a visita.