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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Palavra do Sr. Bispo

04.02.22 | asal
UMA PASTORAL DE BILHAR?...
 

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Alto aí, amigo, por favor não dispare! A expressão não é minha. Aparece entre aspas no texto duma conferência que ouvi a Rossano Sala, mas tem a sua graça e sentido. É sabedoria de farmácia italiana, em comprimido. Trazer esta expressão à baila, aqui e agora, espero que não desague em escândalo ‘pusilorum’ ou ‘phariseorum’, vindo alguém dizer-me que perdi uma grande oportunidade para estar calado! Paciência!...
A Bíblia diz-nos que há tempo para tudo. Também para tocar, cantar, bailar e rir, pois até no bater de asas de uma avestruz há alegria. O coração alegre aformoseia o rosto, diz-se por lá. Estudos sobre o humor no Antigo e Novo Testamento relatam que Deus até cria expressões que raspam o absurdo só para denunciar certas atitudes e situações ridículas de quem se julga muito sábio e sabido. Alguns salmos falam do riso de Deus, zombando. Sara confessa que Deus a fez rir. Riu de incredulidade porque não queria acreditar. Riu de espanto porque aconteceu o que lhe parecia um disparate sem igual. Na vida de Jesus também há muitas cenas que fazem rir, Ele é fonte de alegria. Muitas das reações de espanto ou de fúria de quem presencia o que Ele diz e faz são mesmo dignas de fazer ecoar umas gargalhadas bem sonoras. Ele veio para que tivéssemos a alegria, e a nossa alegria fosse completa.
Chesterton afirmava que o humor corresponde à virtude humana da humildade e é mais divino porque, pelo menos por uns instantes, tem uma perceção maior dos mistérios. São Tomás Moro rezava-se assim: “...Dai-me, Senhor, o sentido do bom humor. Dai-me a graça de compreender uma piada, uma brincadeira, para conseguir um pouco de felicidade e para dá-la de presente aos outros”. O Papa Francisco diz que “o santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor”. Bento XVI, ao escrever sobre a alegria, afirmou que onde falta a alegria, onde morre o humor, ali não está nem sequer o Espírito de Cristo. Para Jacques Maritain, uma sociedade que perde o sentido do humor prepara o seu próprio enterro.
Deve ser para contrariar essa possibilidade do funeral lusitano que alguns líderes políticos da nossa praça reconhecem humor refinado nos disparates que os outros vão fazendo ecoar. O povo tem mesmo razão: um santo triste é um triste santo. Mas cuidado, se tristezas não pagam dívidas, podem complicar a vida, ou não tanto, como, aliás, aconteceu com os protagonistas do filme brasileiro de 1944 com esse título.
Quem tem e provoca humor, não quer dizer que esteja a fazer crítica negativa e tonta contra alguém ou alguma coisa. Não quer dizer que esteja a puxar para trás ou a espernear contra a comunhão eclesial de forma descabelada. Seria mesmo humor de alto gabarito se nos ambientes mais seráficos ou ‘ai Jesus’ o viessem a considerar de herético. É evidente que não estamos a falar do pretenso humor ou do humor forçado, daquele humor que é rude e brejeiro, que humilha, escandaliza e destrói. Falamos do humor inteligente, do bom humor, do humor que edifica e dispõe bem, que não ofende e até quebra o gelo relacional. Embora esse dom não se possa comprar nem ande por aí muito a cotio, há sempre quem esteja atento e saiba tirar partido donde menos se espera, com piada.
Ora, a expressão em título, ‘Pastoral de bilhar’, está num contexto que cita documentos e iniciativas pastorais em catadupa, provenientes de cima, do lado, de baixo, de todos os cantos até lhe chegar com o dedo. A expressão surge aí a insinuar que é difícil ter pedalada para acompanhar tanta coisa em ritmo tão rápido, correndo o risco de fazermos da pastoral uma pastoral de bilhar. Isto é, uma pastoral em que uma iniciativa ou documento mete o anterior no buraco, sem somar pontos, sem saborear a sua receção ou celebração. E mesmo que se meta a mão na caçapa e se traga de novo o dito cujo à mesa do jogo, o taco da vontade logo o encaçapa de novo. Esta abundância de coisas, por um lado é positiva, sacode, forma, desafia, faz com que ninguém adormeça. Por outro lado, acaba por girar uma certa fadiga amarga em muitas pessoas e comunidades, baralhadas por não conseguirem levar à letra, e ao ritmo desejado, o que se propõe. Mesmo que haja sempre quem prefira ficar à janela a ver os outros a partir, quase todos desejam correr em pelotão, na esperança dum sprint final em jeito sinodal e da coroa láurea para todos. Mas, atentos ao que se vê, diz e ouve por estes meios despovoados, dificilmente temos pessoas com idade, formação, entusiasmo e empenho para abraçar tudo quanto chega em documentos e possam provocar, com a sua receção e entusiasmo, uma forma diferente de estar em consonância com os objetivos propostos. Com tanta abundância de desafios e não menos pressa na resposta existencial, resposta pessoal e comunitária, com certeza que muitos se desunharão, e bem, é verdade. A maioria, porém, dadas as circunstâncias apontadas de uns e as ocupações de outros que nem tempo lhes sobra para viverem calma e serenamente, haverá muita dificuldade em conseguir qualquer processo ou percurso prático que, de facto, forme e faça crescer, mudando e transformando. Com notável peso nesta situação, estão ainda os efeitos da pandemia que afastou uns, fez desistir outros e deu pretexto a muitos para abandonarem o empenho e a colaboração que prestavam.
Mas siga a marcha, isto está mesmo a mudar. O que é é e o que deve ser será. Deus não dorme e o Espírito Santo não está acorrentado. Sempre desejamos permanecer na escuta e perceber o que Ele nos quer dizer. O Santo Padre, desde que assumiu o sólio pontifício, é o primeiro nessa escuta e a esticar a corda. Como nos aconselha a fazer, ora vai à frente a puxar, ora vai atrás a empurrar, ora vai ao lado a animar, ora se senta ao lado a apreciar o desempenho, ora, qual treinador experimentado, bate na muche a puxar para que todos, em equipa, deem mais dinâmica e beleza ao jogo, mesmo que haja quem se arvore em árbitro para mandar terminar o desafio e recolher à sacristia.
Haja alegria na responsabilidade. Saibamos acompanhar, viver e fazer, sempre abertos ao que é diferente e às surpresas de Deus. O 2º Secretário-Geral das Nações Unidas, Dag, sueco, falecido em 1961 em acidente aéreo mal esclarecido, e sobre o qual John Kennedy disse ser "o maior estadista do nosso século", escreveu assim: "Quando nasceste, todos riam, só tu choravas. Vive de maneira tal que, quando morreres, todos chorem e só tu não tenhas lágrimas para verter".
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 04-02-2022.

Um surpreendente ato eleitoral

04.02.22 | asal
Meu caro Henriques....Aí te envio uma breve reflexão sobre os resultados surpreendentes das últimas eleições. A realidade tem muita força. Durante quatro anos, vamos ter o que agora quisemos escolher. Que seja vantajoso para o nosso país. Florentino

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As vitórias e as derrotas

Quando em véspera do ato eleitoral de domingo, as sondagens apontavam para uma luta renhida entre o PS de António Costa e o PSD de Rui Rio, os eleitores escolheram dar uma maioria absoluta aos socialistas com 41,7 % dos votos. Deste modo, 117 deputados deste partido vão permitir ao futuro Governo de António Costa não necessitar de qualquer aliança à direita ou à esquerda para poder governar durante os próximos quatro anos, que vão ser muito difíceis. A inesperada e severa derrota do PSD vai deixar este partido em sérias dificuldades, com o seu líder a deitar a toalha ao chão. A sua prometida política de governar ao centro foi por água abaixo. Acabou por ser o PS a arrecadar os votos da esquerda, com a atração dos votos do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, que ficarão com menos deputados no Parlamento. Estes, ao chumbarem o Orçamento para 2022 apresentado pelo PS, ficaram com o ónus da culpa de derrubarem o Governo de António Costa.

Deste modo os partidos da CDU, do Bloco de Esquerda e do PAN irão ter nas bancadas do Parlamento muito menos deputados do que anteriormente. Pior foi para o CDS, que nem um deputado conseguiu eleger. Em agonia anunciada nas sondagens, acabou por ficar completamente ausente do Parlamento, onde esteve desde o 25 de Abril.

Deste modo, o sistema partidário do país sofreu com estas eleições um inesperado terramoto político de consequências difíceis de imaginar para os próximos quatro anos.

A explicação para esta nova e inesperada situação certamente que será complexa, com variáveis que não foram tidas em conta nas sondagens que não acertaram nos resultados finais.

Uma tão profunda mudança eleitoral dará matéria abundante para os comentadores que se afadigaram a comentar as sondagens que iam saindo diariamente, como se de certezas se tratasse. O certo é que perante propostas confusas e incertas do PSD, os eleitores optaram pelo Orçamento de Estado, rejeitado pelos partidos.

Face ao resultado histórico obtido por António Costa, fica-se com a convicção de que os eleitores premiaram o seu trabalho face às adversidades pandémicas que nos perseguiram ao longo dos últimos dois longos anos. Acautelar o futuro que ainda nos espera face à Pandemia e suas contínuas espécies poderá ser a grande razão para a reeleição de António Costa, um homem que já conhece bem os corredores do poder, do país e da UE, de onde vão jorrar avultadas verbas nos próximos tempos.

O contínuo apelo à moderação política e à estabilidade poderão ter sido as grandes traves-mestras para explicar esta grande vitória do PS, que optou por cativar os eleitores do centro, onde habitualmente se ganham as eleições.

Assim se pode explicar a fuga dos votos dos partidos à esquerda do PS que optaram por robustecer este partido, concentrando nele os seus votos.

Quanto à direita, subiram o Partido da Iniciativa Liberal e o Chega, arrecadando numerosos votos roubados provavelmente ao PSD que não foi capaz de captar os eleitores à sua direita.

No próximo Parlamento, certamente, será este partido a força mais ruidosa que se fará ouvir com a radicalidade e verborreia do seu líder e dos amigos que o vão acompanhar, bem alinhadinhos com a voz de André Ventura, seu chefe.

   A partir de agora, com estes resultados, com a “geringonça” desfeita e com a direita em minoria no Parlamento, António Costa pode fazer o que quiser com o seu Orçamento derrotado recentemente, imprimindo-lhe a direção e a força que bem entender e com quem desejar governar, reformando o país nas áreas mais vulneráveis em que ele se encontra.

Acabaram-se as desculpas para as urgentes reformas na Saúde, Justiça, Educação, Ciência e Cultura, apoios robustos às Empresas e cuidar das alterações climáticas.

Esta maioria absoluta não deixa de ser uma vitória pessoal de António Costa que foi mudando de estratégia, sabendo ler as sondagens a cada momento.

O PS passa a partir de agora a ter um mandato até janeiro de 2026, altura em que será eleito o novo Presidente da República. Se Marcelo Rebelo de Sousa, o atual Presidente da República andava preocupado com o resultado destas eleições, pois não sabia se delas sairia uma situação clara de estabilidade, resultou a maioria absoluta do PS que o tranquilizará nos anos do seu segundo mandato.

florentinobeirao@hotmail.com

LAGARTA do PINHEIRO

04.02.22 | asal
A célebre lagarta com que eu brincava quando era criança, querendo orientar a procissão com um pauzinho por caminhos mais lisos... Mas só agora aprendi qual era o seu destino! Obrigado, José Bernardino, de quem roubo este texto! AH

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PROCESSIONÁRIA
As temperaturas amenas que se têm feito sentir, durante o dia, podem considerar-se muito agradáveis para TODOS NÓS, PESSOAS, mas podem estar a interferir ou mesmo alterar o ciclo de vida de algumas plantas e animais.
Pode não ser muito importante em termos de plantas e muito em concreto e especialmente do pinheiro bravo, mas os danos que pode causar no que se refere às PESSOAS e mesmo alguns animais, levam-me a partilhar esta reflexão, visando em concreto alguns cuidados a ter.
As lagartas, as processionárias encontram-se, durante o dia, nos ninhos e saem à noite para se alimentar das agulhas dos pinheiros e nesta fase causarão alguns danos nos pinheiros uma vez que se alimentam das agulhas reduzindo a superfície das folhas/agulhas e podendo diminuir o respetivo crescimento das plantas.
Com o evoluir do tempo e cumprindo o seu ciclo de vida normal, vão descer, formando uma fila muito regular, uma espécie de procissão e vão procurar um terreno adequado para se enterrar. Podem permanecer enterradas mais do que um ano e só se transformarão em insetos, em borboletas, quando "sentirem" haver condições para isso. Estas borboletas vão procurar o pinheiro adequado, onde depositam os ovos que depois vão dar origem a estas lagartas com as quais nos devemos preocupar.
Podem considerar-se um perigo em termos de saúde, de saúde pública, uma vez que os pelos que possuem são muito urticantes, podendo causar alergias e danos graves nas PESSOAS, pelo menos nas mais sensíveis.
Alguns animais e em concreto os cães, também se podem considerar especialmente sensíveis a esta lagarta.
Algumas PESSOAS, especialmente as CRIANÇAS podem sentir-se atraídas pela forma como as lagartas, a processionária evolui na descida das árvores e na procura do local para se enterrarem e será, principalmente, nesta fase que devem ser tomadas todas as precauções para evitar que causem quaisquer danos.
É evidente que mexer nos ninhos, com os pelos urticantes que existem, ou mesmo nas árvores onde se encontram esses ninhos, também se deverá evitar, pelo menos as PESSOAS mais sensíveis a alergias.
Resumindo:
A lagarta do pinheiro, a processionária, poderá não ser considerada como uma séria ameaça para os pinheiros e muito especialmente, nesta zona, para os pinheiros bravos, mas devem ser tomadas todas as precauções no que se refere às PESSOAS, pelos danos que pode causar em termos de saúde das PESSOAS.
José Bernardino Dias
 

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