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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Espreitar o ano de 2022

21.01.22 | asal
Meu caríssimo Amigo Henriques:
Aí te envio uma reflexão que me atrevi a escrever, pensando nos dias que se seguem. Certo ou errado, o tempo dirá da sua justiça. Sabendo que a realidade é multifacetada e complexa, este atrevimento é pura especulação e divertimento. Brinquemos, pois, com o futuro. Acertar em tudo, certamente que não. Fica apenas a espreitadela. António.  Um abraço e que o ANO NOVO NOS SORRIA, apesar de sabermos que não vai ser fácil....

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Um olhar sobre o futuro

Ao entrarmos num novo ano, todos nos vamos interrogando sobre o que nos pode esperar nos dias que aí vêm. O que é certo é que o que sonhamos ou prevemos como certo, a realidade se encarrega de nos trocar as voltas. O que parecia bater certinho com os desejos que acalentámos transmuta-se facilmente em algo, totalmente inesperado. Para o bem e para o mal, assim acontece todos os dias e de ano para ano. A nossa experiência de vida assim o confirma, sem dó nem piedade. Porém, esta constatação diária não nos retira a capacidade de nos aventurarmos a descortinar, pelo menos, as grandes coordenadas com que, em princípio, se vai tecer o futuro da vida de cada um e do mundo onde nos é dado viver. Como exemplo, podemos apontar a pandemia que nos tem vitimado vai para dois anos prometendo manter-se por este ano, com mais ou menos intensidade. O Ómicron, a fazer das suas, aí está para nos fazer regressar a tempos dos quais todos já nos encontramos saturados e deprimidos, pelas consequências causadas na vida de cada um de nós.

Voltando-nos para o nível nacional, com as eleições que prometem ser muito renhidas, marcadas para 30 deste mês, pelos dados que se vão conhecendo através das diversas sondagens, tanto o PS como o PSD podem ser os futuros governantes do nosso país, dividido ao meio nas intenções dos eleitores. Ganhe quem ganhar, será que se adivinham grandes transformações, como as que são necessárias para endireitar um país com contornos tão complicados? Com problemas tão profundos e graves, as soluções que se têm de aplicar não serão fáceis para quem ficar com o poder nas suas mãos. Desde a justiça à saúde, da fiscalidade à economia, do ambiente à escolaridade, não esquecendo as empresas pequenas e médias a definharem dia a dia, não há tempo a perder, para podermos colocar Portugal num lugar mais digno no panorama da UE, onde fazemos má figura pelos maus resultados que obtivemos nas últimas décadas. Tudo isto embrulhado num manto de dívida pública que nos coloca nas mãos dos nossos credores, mirrados até aos ossos.

 Relativamente aos problemas que assolam o mundo inteiro, poderemos contar, para já, com a subida da inflação, que tudo aponta no sentido de ela ter vindo para ficar por largo tempo. Até os países mais ricos da Europa já foram atingidos por esta realidade, mantendo-se, como nos dizem os números, já com tendência de alta no conjunto dos países da Área do Euro. Perante esta situação, os bancos centrais podem vir a entrar em pânico, retirando os estímulos e aumentando rapidamente as taxas de juro. Deste modo, a ser assim, no atual contexto pandémico, qualquer alteração política monetária seria muito problemática para este novo ano que ainda é uma criança a dar os primeiros passos.

Acresce a tudo isto, os substanciais aumentos de todos os produtos transportados por via marítima, uma vez que vão cobrar por transporte novas taxas mais pesadas. Podemos ainda contar com os prováveis estrangulamentos que também são previstos na cadeia logística em que a procura global será demasiado elevada face à oferta.

Para mal dos nossos pecados, para agravar a situação dos problemas esperados para o próximo ano contemos com uma nova variante da epidemia, a Ómicron, que está a afetar a vida de todos os que vivem na zona da União Europeia com restrições que nunca mais terminam. Este aumento tão rápido de número dos infetados vai continuar a colocar os hospitais sob pressão, exigindo cada vez mais camas disponíveis para dar respostas rápidas e eficazes, para tratar os numerosos doentes que ficarão sujeitos a tratamentos, mais ou menos prolongados.

Se alargarmos o nosso olhar, vamos ver acentuada a corrida aos armamentos da China à América do Norte, podendo a EU entrar também na competição militar, sempre perigosa.

O acentuar da crise entre a Rússia e a Europa, devido à famigerada e mártir Ucrânia, está aí também para durar mais alguns dias e fazendo vítimas de ambos os lados da contenda, sem um fim feliz. Será que Putin e Biden vão tentar fazer progressos em ordem a uma paz concreta e duradora? Oxalá as grandes potências mundiais, incluindo a China, não comprometam, com a sua cobiça desenfreada de grandes impérios, a paz que os povos aspiram e merecem.

florentinobeirao@homail.com

LENDO O "RECONQUISTA"

20.01.22 | asal

  Uma bela recensão crítica do jornal beirão. Obrigado, João! AH    

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 Valerá a pena interromper os meus afazeres para dar conta dos sublinhados feitos nos textos do Reconquista de hoje, dia 20. O nosso semanário veicula informação relevante para o desenvolvimento do Distrito e do nosso Interior desertificado, sendo certo que o grau de esvaziamento humano é variável e assimétrico dentro da mesma circunscrição territorial. Temos uma capital que se estendeu e agigantou, afogando quintas históricas e campinas à custa da geografia humana das aldeias. Passar por Tinalhas ou Castelo Novo e não ver vivalma faz doer a alma!  Vamos, porém, ao que interessa.

   O nosso Florentino oferece-nos um cardápio de desgraças, presentes e futuras, um tanto disfórico e deprimente. Uma aragem escura paira sobre o seu texto. Um elenco panorâmico de tópicos da nossa realidade contemporânea que só vêm confirmar a impressão de que vivemos num mundo muito perigoso. A pandemia que alastra a um ritmo exponencial, a ponto de já não ser uma mera probabilidade o isolamento profilático de 700 a 800 mil eleitores, no dia das eleições, o que poria em risco a real, mesmo que formal, legitimidade de qualquer solução governativa. Eis um cenário, não de todo, descartável.

 E a invasão da Ucrânia pela Rússia torna-se cada dia mais previsível, o que seria uma catástrofe para uma Europa, militarmente desguarnecida, que até aos dias de hoje se revelou incapaz de constituir um verdadeiro Exército Europeu. Pois se até para gizar uma estratégia comum para a vacinação contra o vírus se tem mostrado errática e desunida!

  Já para o Império do Czar Putin, viciado na imputabilidade dos Grandes, as ameaças de Biden, debilitado pela inflação galopante e a imagem vergonhosa da retirada do Afeganistão, não passam disso mesmo… de ameaças. Um ventinho que nem uma telha faz mexer no novo e velho Kremlin, alegremente habitado pela nova oligarquia, um coletivo a quem a sorte de cada cidadão pouco ou nada importa. Reparem como se saiu airosamente da recente crise do Cazaquistão, e como, com novos gulags, vai domesticando a oposição interna.

  Na pena do Florentino, a realidade é o que é. Compreende-se, pois, o tom desencantado do seu discurso. E, nem por isso, menos verdadeiro e realista.

 Hélder Henriques reivindica para Castelo Branco o papel de uma nova centralidade ibérica. Em breve, ver-se-á o território povoado de investimento e empresas, de enormes grupos de turistas, de massa ou seletivos, pouco importa, atraídos pela qualidade ambiental desta terra, das suas águas e ares. As aves em revoada fazendo os seus ninhos nas árvores que o falso progresso destruiu. Diz coisas fabulosas de encher o vazio dos corações: valorização do “mercado interno, (Portugal e Espanha) “…. Mercado interno! Onde é que já vamos? Na União Ibérica?  “Sem prejuízo (…) de se ir fazendo caminho no apelidado “mercado da saudade”. Desta gostei, sem saber muito bem o que seja tão lírico rasgo. Compreendo a sua intenção de reunir todas as forças vivas para fazer de Castelo Branco “uma cidade líder no contexto regional”. Da necessidade de reforçar a nossa ligação rodoviária, ferroviária e comercial a Espanha, em termos de parcerias em pé de igualdade, ao invés do que se passa com a gestão das águas transfronteiriças, absolutamente de acordo. Aliás, em tempos ouvi, na Capela da Senhora do Almurtão, uma excelente homilia do nosso querido Padre Lúcio, corrigindo a cantiga popular do “Voltai costas a Castela…!” Hoje, dizia ele, na sua voz carregada de convicção e sabedoria, do que mais carecemos é de nos voltarmos uns para os outros, num abraço sincero de vantagens mútuas, sem ninguém ficar com a parte de leão!

   O Joaquim Silvério Mateus, nosso colega de Oleiros, na rubrica “Desertificação do Interior de Portugal”, publica um excelente estudo, que merecia figurar na Academia de Ciências. De forma fundamentada, em números indiscutíveis, o ilustre autor defende um choque fiscal como remédio único para superar o esvaziamento demográfico do nosso interior, na linha do grande movimento que grassa por toda a Espanha contra o esvaziamento do interior rural e a macrocefalia de Madrid. Não digo que o artigo do Público 2 de domingo passado o tenha influenciado.  Não deve, dado que a sua argumentação nasce da observação pessoal e científica, porque quantitativa, da realidade portuguesa, tão tragicamente dilacerada por erros do poder central, narcisista e sugador, bem como da falta de músculo do poder local. Reconhece, no entanto, os esforços pontuais de alguns governantes” em relação a medidas de apoio ao investimento que podem potenciar efeitos positivos na mobilidade de pessoas do estrangeiro e do litoral para o interior.” 

  O seu estudo incide sobre a comparação das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, no total inferior a meio milhão de habitantes, e os distritos do interior do país (Bragança, Guarda, Castelo Branco e Portalegre) “cuja soma é cerca de 550 mil habitantes”.

 Ora acontece uma flagrante disparidade de recursos postos à disposição das RA em detrimento da grande região do interior, se considerarmos apenas o critério demográfico. E conclui: é necessário que os autarcas do interior lutem por um estatuto de interioridade, digno e mais simétrico, “para que o país não continue a ser apenas e cada vez mais uma faixa de 100km a partir do mar, ficando os outros 100km para pasto de javalis e outra bicharada”.

   O Agostinho Dias tem mais um artigo, marcado pelo rigor e relevância a que nos habituou.  “Crise de empregos?” Discorre muito bem, escoltado por números, sobre o fenómeno da migração. Na verdade, só as levas de imigrantes podem semear alguma esperança de vida numa Europa invernal, que, há muito, parece ter abdicado das crianças, das novas vidas a gerar no seu seio, no seu fecundo seio, madre de cultura e civilização, que pelo mundo disseminou. Hoje, vive debruçada sobre si mesma, estéril e sáfara, num ensimesmamento narcisista de fazer dó. 

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 O Agostinho põe-se claramente a favor de uma imigração aberta, que reconheça ao trabalhador a dignidade laboral e familiar a que tem direito como pessoas humana. Isto implica uma mudança profunda nas estruturas de acolhimento e integração. Não é só usar e deitar fora. O imigrante não quer esmolas, quer trabalho, digno e respeitado. Agostinho, como é seu hábito, termina com uma citação do Papa Francisco, sempre muito apropriada.

   João Lopes

Quinze anos de UNISSEIXAL

20.01.22 | asal

Desculpem lá! Também aqui gastei o meu tempo. E alegro-me de ver tudo a andar! AH

 

Vai longa a nossa história...
Já vem de 2007, quando a direção da Casa do Educador no seu segundo mandato, considerou importante abrir os seus préstimos à comunidade e começou a pensar na possibilidade de criar uma universidade sénior, que nesse ano começava a ser um projeto adaptado a muitos concelhos e freguesias e estava a entusiasmar muitos reformados, desejosos de aprender mais, conviver muito e encontrar novas razões de viver a sua jubilação.
As condições não eram as melhores para uma associação nascida há quatro anos, com uma sala e uma cozinha somente. Mas os sócios eram professores na sua maioria e logo pensámos na possível disponibilidade dos espaços escolares para albergar os alunos maiores em algumas horas do dia.
Com muito ânimo, depois de consultar universidades semelhantes, a funcionar já perto de nós, criámos os documentos básicos necessários para a constituição desta valência, consultámos a Rutis, federação das universidades seniores em Portugal, contactámos as autarquias locais, as escolas e associações que nos pudessem ceder espaços e abrimos as inscrições.
Pudera! Muitas pessoas estavam ávidas e depressa sentimos uma adesão significativa da parte dos nossos concidadãos. Passados uns dois meses de trabalho, abriu a Unisseixal - Universidade Sénior do Seixal no dia 15 de Janeiro de 2007. E logo no início foram 230 os alunos que inauguraram este projeto.
Cada ano que ia passando levava a Unisseixal a crescer em alunos, professores e instalações. A pandemia perturbou este crescimento, mas já neste ano letivo de 2021/22 recuperámos o crescimento, estando inscritos agora 810 alunos e 90 professores. O mais significativo é o critério de gratuidade absoluta (palavra deste mês) que anima todos os professores.
Vamos vivendo deste convívio, desta fraternidade, criando a novidade suficiente para mais sentido aos nossos dias. E VIVA A UNISSEIXAL.
António Henriques  

         SEDE  ANTIGA                                                                             SEDE ATUAL

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Aniversário

19.01.22 | asal

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  Agora, a fazer anos, é o Lúcio Serras Lobato, meu vizinho a viver em Vale de Milhaços, Corroios. Avô amorudo, estudante da Usalma - Universidade Sénior de Almada, amigo de passear, eis aqui o que sabemos. Não é muito, mas é bom...

Amigo Lúcio, aqui deixamos os nossos MELHORES PARABÉNS por mais uma primavera. Que o dia se repita muitas vezes e tu vivas com muita saúde e alegrias, especialmente familiares. Mas também é bom encontrar os amigos com quem já fomos felizes durante anos. 

A CAMINHO DE ESTRASBURGO

18.01.22 | asal

O António Colaço, no Facebook, vem lembrar-me aquela outra exposição que vai acontecer em Estrasburgo no dia 22 de Maio deste ano de 2022. Como todos sabemos, é um arrojado projeto do Zeca (José de Jesus André) que, numa carrinha, vem buscar a Mação uma parte do conjunto exposicional do Colaço, para o mostrar (a ele e à sua obra!) aos emigrantes portugueses a viver na cidade de Estrasburgo, e logo na sala maior e mais digna da cidade.

Todos nos alegramos com o contributo que juntámos em tempo para este projeto e que o maldito vírus tem adiado até hoje. Mas o projeto continua vivo!

Junto o texto do António Colaço e a entrevista em vídeo que o Colaço nos enviou, com a marca do tempo (como as coisas passam a anacrónicas!). AH

A CAMINHO DE ESTRASBURGO

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Há mais de cinquenta anos que não estávamos juntos.
As novas tecnologias aproximaram-nos, sim, mas hoje o meu querido amigo e antigo companheiro das lides seminarísticas em Alcains, dois anos mais novo, o Zeca, como lhe chamamos, veio até Mação para um almoço de trabalho.
Meteu-se-lhe na cabeça que a Sô Dona Josephine, mulher do Napoleão, tem um Salão em Estrasburgo à minha espera.
E daqui não sai.
E ainda, o que me deixa incomodado, meteu ao barulho os meus companheiros da Animus Semper. Adiante.
Está tudo em aberto. Voltaremos ao assunto.
O Zeca e sua mulher Fernanda deram-me o prazer da sua visita.
Do Atelier à visita à Chaimite PALAVRIL - o Zeca foi para França fugindo à Pide e à guerra colonial - por várias vezes vi bailairem-lhe nos olhos furtivas lágrimas.
O Zeca reformou-se estando, agora, mais disponível para se reencontrar com os seus antigos colegas. Foi isso que confirmei atraves de dois ou três telefonemas que mediei em directo de restaurante Godinho Paulo Godinho.
Obrigado, Zeca, por esta manifestação de confiança.
Vejam e ouçam a conversa que mantivemos com ele em frente à PALAVRIL.
 
António Colaço
 
 

Aniversários - 3

18.01.22 | asal

PARABÉNS, FRANCISCO!

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Aqui está um meu vizinho a fazer 70 anos, o Francisco Luís Moura Simão. Beirão de nascimento, amorense por profissão, consumiu a sua energia, como a esposa, na Escola Secundária do Fogueteiro, da qual saiu jubilado há quatro anos.

Com os PARABÉNS de aniversário, desejamos que a vida te sorria por muitos anos, com saúde e muitas alegrias. E espero que gostes de estar com os amigos e não tropeces noutros compromissos... Escreve para este portal!

                                            

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PARABÉNS, BOAVENTURA!

Hoje também faz anos o Boaventura Calvário Antunes, nascido em 1948.

Caro amigo, PARABÉNS! Que o teu dia esteja a decorrer em ambiente de felicidade. E que continues a desfrutar por muitos anos da beleza da vida.

 

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- Também hoje faz anos o António José Pires, nascido em 1946 em Medelim, de quem não tínhamos foto. Mas descobri-a no Animus60, ao lado do nosso artista, na sua exposição em Lisboa há uns anos atrás.

Agora, resta-nos dar-lhe os nossos PARABÉNS e desejar-lhe longa vida com saúde e felicidade. Encontramo-nos em Alcains quando o raio do vírus permitir?

A arte do Colaço

17.01.22 | asal

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Estive ontem a olhar para o vídeo da Exposição do António Colaço, inaugurada no sábado no Sardoal, precisamente no dia dos seus 70 anos. Eu já não sei como era quando fiz 70 anos, mas confesso que me surpreendeu a energia deste artista no decorrer do evento, que não foi tão cerimonioso como costuma ser devido às restrições do ladrão Covid, costuma ele dizer... Mesmo assim, o amigo Colaço movimentava-se com uma agilidade visível, para já não falar do mais importante, que é o entusiasmo e o trabalho que ele desenvolveu na preparação dos quadros que enriquecem a exposição no Centro Cultural Gil Vicente do Sardoal.

Também o Covid me prende a casa, mas eu vou fazer de jornalista à distância neste pequeno apontamento, sobretudo a pensar nos colegas que não puderam acompanhar o evento pelo Facebook.

Destaco a intervenção inicial do colega Mário Pissarra e as palavras do Sr. Presidente da Câmara, que a minha notória falta de audição não permitiu seguir a jeito.

O Mário dissertou sobre o fenómeno artístico com o seu toque filosófico, levantando alguns problemas ligados ao mundo da arte. Eis algumas ideias:

1 - A Arte, para o ser, precisa de um ritual de apresentação pública, sem a qual não passa de uma intenção privada do autor. Sem esta relação entre artista e a sociedade, a Arte não se confirma... 

2 - Por isso, o artista é alguém que depende muito da confirmação dos seus semelhantes, que, sem o consentimento do artista, valoram mais ou menos a força do seu trabalho. E há intermediários, de nome curadores, empresários, galeristas, críticos, que podem marcar o futuro da arte de cada artista...

3 - E que é preciso para uma obra se chamar arte? Não há características bem definidas, que vão alterando segundo os tempos e os espaços culturais, o que arrasta consigo a grande interrogação: porquê esta arte ganha fama e aquela não sai da mediocridade?

4 - Cada artista tem o seu estilo, que se define na permanência de certas técnicas e expressões, como uma espécie de B.I. que o artista apresenta, mas sempre dependente dos gosto dos outros. O histórico de um artista também é marcado por sucessos e derrotas. O António Colaço também tem a "sua" arte e a sua história, os seus sucessos e as suas derrotas ao longos destes 50 anos de atividade artística. Derrota foi o AVC que o acometeu, mas o trágico não é a derrota, trágico é ficar derrotado! E nem a pandemia o derrotou...

Também o Sr. Presidente da Câmara, António Borges, quis estar presente e dele retiro afirmações como esta, a identificar o artista: "O António Colaço sempre foi assim, conheci-o sempre a fazer muitas coisas". E o que é uma obra de arte? É aquela que nós vemos muitas vezes e nela descobrimos sempre novidade... Uma bela afirmação a valorizar as peças artísticas do nosso artista.

Presente também o Sr. Artur Cortês, que dispensou ao Colaço o velhinho Citroen caligrafado pelo artista. 

Para tudo ficar mais claro e poderem corrigir a minha escrita, aqui fica o vídeo (40 ´?) da exposição, onde falam os intervenientes.

Como a Exposição está no Sardoal até finais de Fevereiro, temos esperança de ainda nos podermos deslocar até lá com razoável segurança.

Força, amigo Colaço, continua a viver a vida com intensidade e que os teus projetos tenham o sucesso que ambicionas.

António Henriques

https://www.facebook.com/animo.diasmaisleves/videos/660532798725072 

https://www.facebook.com/100001882580178/videos/pcb.6821193077953377/222582730077197 

Aniversários

15.01.22 | asal

Hoje é o dia dos organistas!

 Primeiro, aqui está o ManuelManuel Pereira.jpg Pereira, de 1933, um rapaz de iniciativa, para além de ser um dos organistas famosos do Seminário de Alcains. Tornou-se empresário, construíu muitos prédios e não se esquece de nós, quer nos encontros, quer nos almoços da Parreirinha de Carnide, quer ainda na colaboração pecuniária com que ele nos ajuda em causas comuns.

Do Manuel temos foto, aqui todo refastelado no Encontro de Castelo Branco. Ou ainda outra foto, onde se prova mais uma

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tendência deste amigo: é um dos que vive inclinado para Carnide, à sombra da Parreirinha.

Ao Manel, amigo de muitas andanças (até nos encontrámos na Grécia!),  os PARABÉNS do grupo por mais um ano, desejando-te saúde e muitas alegrias.

 

- Também em15-01, mas de 1952 - nasce o António Colaço!COLAÇO.jpg

Nos teus 70 anos, caro amigo, muitos de nós sentem que este é um dia especial para ti e para nós. Não nos esquecemos dos anos em que andaste a congregar a malta, num esforço para além do normal, porque sofreste, cheio de ilusão, para «tornar os dias mais leves»...

Com alguns pedregulhos no caminho, continuas a removê-los com valentia, o que nós muito apreciamos. E continuas a obedecer a ti próprio, cheio de projetos  porque queres "tomar p.arte".  

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Sim, que a vida sem projetos é apenas um bocejo... E hoje lembro dois desses projetos: - aquela proposta gigantesca do Zeca, que vai mesmo levar-te a ti e à tua arte a Estrasburgo no mês de Maio de 2022! Muitos de nós tornámos essa viagem possível monetariamente... O segundo projeto é agora a tua grande exposição no Sardoal, no Centro Cultural Gil Vicente, que hoje abre ao público. Sempre em movimento e com ânimo. Só te desejamos o sucesso a que aspiras com a tua arte!

Os teus amigos aqui estão para te PARABENIZAR, te dar um abraço e desejar-te muitos anos de vida saudável, cheia de realização pessoal e familiar. Ad multos annos!

Aqui estão três vídeos para nos criar apetite  para ir abraçar o Colaço no Sardoal:

https://www.facebook.com/animo.diasmaisleves/videos/3081580132082127 

https://www.facebook.com/100001882580178/videos/pcb.6779983335407685/505620080839712

 https://www.facebook.com/animo.diasmaisleves/videos/317843046895908/?notif_id=1642177832197383&notif_t=live_video_explicit&ref=notif 

Palavra do Sr. Bispo

14.01.22 | asal
E TANTOS O FAZEM POR ESSAS ESTRADAS FORA!...

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A Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) caminha de braço dado com o ícone Salus Populi Romani, Salvação do povo romano. Um ícone bizantino que, com história milenar, retrata Maria com o Menino Jesus ao colo em gesto de quem está a abençoar. O original está em Roma, na Basílica de Santa Maria Maior, a primeira igreja do Ocidente dedicada à Virgem Maria. Foi mandada construir logo após o Concílio de Éfeso, no qual, em 431, Maria foi proclamada Mãe de Deus. Em Portugal, o santuário mariano mais antigo terá sido o de Nossa Senhora da Abadia, na freguesia de Santa Maria do Bouro, Amares, perto do Santuário de São Bento da Porta Aberta, em Rio Caldo, Terras de Bouro, no Gerês. Seria construído nos séculos VII e VIII, mas sobre o qual se levantou o atual santuário no século XVII, com cruzeiro no largo e os respetivos quartéis, hoje Museu de Arte Sacra e Etnográfico da Confraria de Nossa Senhora da Abadia.
O ícone Salus Populi Romani chama-se assim devido à devoção que o povo romano lhe presta. Muitas vezes tem sido levado em procissão pelas ruas de Roma a pedir a intercessão de Maria para afastar epidemias, perigos e desgraças. Como um dos símbolos mariológicos mais importantes da Igreja, sempre foi muito querido dos Papas.
Mais perto de nós, em 1953, o ícone foi levado em procissão através de Roma para festejar o primeiro ano mariano na história da Igreja Católica. No ano seguinte, em 1954, Pio XII instituiu a festa da Rainha dos Céus e teve um gesto simbólico de coroação do ícone, como, aliás, já Clemente III, nos finais de século XVI, havia tido essa iniciativa. Bento XVI venerou o Salus Populi Romani em diferentes ocasiões, pedindo à Virgem a sua intercessão para a Igreja e para o mundo. O Papa Francisco tem por ele uma devoção muito especial. Logo após a sua eleição à cátedra de Pedro, antes e depois de cada Viagem Apostólica ao estrangeiro, Francisco dirige-se à Basílica para um momento de oração, ajoelha-se diante desta imagem, não raro coloca flores no altar e lá vai noutras vezes em visita privada ou pública. Mas foi o Papa João Paulo II quem mais o divulgou. Ele mandara colocar e manter acesa dia e noite uma lâmpada de azeite sob a Virgem Salus Populi Romani. Na passagem do milénio, no ano 2000, o ícone esteve, pela primeira vez, na JMJ em Tor Vergata. No dia 13 de abril de 2003, Domingo de Ramos, celebrava-se o Dia Mundial da Juventude a nível diocesano. Nesse dia, um grupo de jovens da Alemanha estava em Roma para receber, dos Jovens de Toronto onde se tinha realizado a Jornada anterior, a Cruz peregrina para a preparação da JMJ2005, em Colónia. João Paulo II, depois da Missa na Praça de São Pedro, confiou publicamente a este grupo de jovens alemães não só a Cruz Peregrina, mas também o ícone da Virgem, dizendo: “Entrego também à delegação vinda da Alemanha o Ícone de Maria. Daqui em diante, juntamente com a Cruz, ele acompanhará as Jornadas Mundiais da Juventude. Eis a tua Mãe! Será sinal da presença materna de Maria ao lado dos jovens, chamados, como o apóstolo João, a acolhê-la na sua vida”.
A entrega da Mãe ao Apóstolo João tem, para São João Paulo II, um caráter solene e constitui como que o testamento espiritual de Jesus: "Eis a tua Mãe!" (Jo 19, 27). Foi sobre este pano de fundo que ele desenvolveu a Mensagem para o Dia Mundial da Juventude desse ano, dentro do Ano do Rosário, bem como o tema da homilia desse Domingo de Ramos. Se Jesus apresentou João a Maria como seu filho: “Mulher, eis aí o teu filho”, também apresentou Maria a João como sua Mãe: "Eis aí a tua Mãe!” E dessa hora em diante, o discípulo recebeu-a em sua casa, diz o Evangelista.
E João Paulo II reafirmou: “Prezados jovens, vós tendes mais ou menos a mesma idade de João, e o mesmo desejo de estar com Jesus. Hoje, é a vós que Cristo pede expressamente que recebais Maria "em vossa casa", que a acolhais "no meio dos vossos bens" ... É por este motivo que vos repito, também no dia de hoje, o lema do meu serviço episcopal e pontifical: "Totus tuus". Experimentei constantemente, durante a minha vida, a presença amorosa e eficaz da Mãe do Senhor; Maria acompanha-me em cada dia, no cumprimento da missão de Sucessor de Pedro.... Confiai-vos a ela com plena confiança! ... Na escola de Maria, haveis de descobrir o compromisso concreto que Cristo espera de vós, aprendereis a colocá-lo no primeiro lugar na vossa vida, orientando para Ele os vossos pensamentos e as vossas ações”.
Esclarecendo que o cristianismo não é uma opinião nem consiste em palavras vãs, mas que o cristianismo é Cristo, é uma Pessoa, é Aquele que vive, afirmou-lhes que a vocação cristã consiste em amá-lo e fazer com que Ele seja amado, contando com Maria que sempre ajuda a entrar numa relação mais forte e pessoal com Jesus.
Com profunda devoção a Maria, ele apontou aos jovens a sua oração preferida, aquela que sempre o acompanhou nos momentos de alegria e nas provações, em que sempre confiou e encontrou conforto, recordando-lhes: “no dia 16 de Outubro de 2002, proclamei o ‘Ano do Rosário’ e convidei todos os filhos da Igreja a fazer desta antiga oração mariana um exercício simples e profundo de contemplação do rosto de Cristo ... Hoje, entrego-vos espiritualmente, também a vós, queridos jovens, a coroa do Rosário. Através da oração e da meditação dos mistérios, Maria orienta-vos com segurança para o seu Filho! Não tenhais vergonha de recitar o Rosário sozinhos, ao irdes para a escola, a universidade ou o trabalho, ao longo do caminho e nos meios de transporte público; habituai-vos a recitá-lo entre vós, nos vossos grupos, movimentos e associações, porque ele anima e revigora os vínculos entre os membros da família. Esta oração ajudar-vos-á a ser fortes na fé, constantes na caridade, alegres e perseverantes na esperança”.
Sabemos que muitos jovens o rezam e tanta gente o faz em família, em comunidade e por essas estradas de Portugal e do mundo enquanto viaja. Esta certeza constitui também um apelo para quem, dizendo-se muito devoto de Fátima e tendo o terço pendurado no espelho do carro, o pôs de parte, esquecendo o pedido da Senhora: ‘Rezem o terço todos os dias”...
A Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude e o ícone da Virgem Maria Salus Populi Romani, símbolos mundiais tão importantes pelo que significam e interpelam, chegarão à nossa Diocese no dia 30 de janeiro. Não vivas distraído, num desses lugares por onde vão passar a provocar momentos de oração, procura estar, é uma oportunidade única ...
Totus tuus Salus Populi Romani!...
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 14-01-2022.

A propósito da Isna

13.01.22 | asal

Olá, António, bom dia!

Na sequência do que parecias sugerir no final dos parabéns endereçados ao nosso Zé Maria, sobre escassez de novidades, e espicaçado pelo aniversário do Assis, que eu considero quase conterrâneo, por crer que há toda uma cultura ribeirinha ligada à ribeira da Isna, resolvi enviar-te um texto de homenagem a um sancarlense (natural da Isna de S. Carlos), que une ainda mais as duas povoações, já que o seu pai, Luís Farinha Henriques, era da Isna de Oleiros, povoação que eu referencio no texto como "mais subida", não só por estar a montante, mas também por ser de mais monta.
Enfim, trata-se também de uma pequena incursão pela história da minha terra, o que pode não interessar a muitos dos nossos seguidores, até por me faltarem capacidades para voos mais altos, como os dos nossos alcainenses, mas haverá também referências a temáticas e pessoas do nosso meio sociológico. Tu avaliarás se vale a pena publicar ou não.
Um abraço!                                                                                              Foto da Wikipédia

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Gil
 

FREI VÍTOR--ISNA

Os nossos antepassados, na Isna de S. Carlos, eram cognominados, acintosamente, pelos vizinhos, de “fecha-portas”. Uma das interpretações para tão pouco amigável epíteto estaria relacionado com a pouca familiaridade com os visitantes, o não saber receber e acomodar os estranhos, ou até por serem um tanto “bichos-do-mato”. Ora, em nosso entender, tal designação deve estar relacionada com a velha questão da passagem da velha estrada nacional 241, que os da Isna empurraram para “as ladeiras”, para se livrarem dos viandantes indesejáveis a invadirem-lhe a tranquilidade e ameaçarem-lhe os haveres: consta até que deram presuntos aos decisores para os levar a alterar o projeto da referida estrada, muito mais acessível pelas várzeas da povoação.

Se tudo se passou assim, ou não, pouco importa. Naquele tempo, a estrada foi para a Maljoga um fator de progresso e de proximidade de transportes, que eles não se coibiam de nos ostentar e que nos levava a depender deles, até em termos comerciais. Nos tempos que correm, não vemos grande vantagem para os nossos vizinhos por lá terem a velha estrada, tão despovoados e envelhecidos como nós, embora, agora, nós um tanto mais ufanos e turísticos.

Contudo, não foram só desvantagens no atirar com a estrada para as ladeiras, pois assim também ela serviu de miradoiro para a bela paisagem isnense, a ponto de muitos forasteiros apelidarem a Isna de S. Carlos de presépio natural, verdadeiro naco de beleza paisagística do percurso entre Tomar e Castelo Branco. Ouçamos o que alguém escreveu a este propósito em 1995: “Quem, de Proença-a-Nova, se desloca, pelo IC8, para a Sertã, num abrir e fechar de olhos, transpõe o Carvalhal e, se os não levar bem abertos, arrisca-se mesmo a voar para os enfestos, sem ter o privilégio de poder contemplar, a meio da descida, a encosta povoada da Isna e, mais abaixo, a extensa várzea, à direita da nova ponte. Apesar da alta velocidade a que se rola, mesmo que num relance, vale a pena vislumbrar tão bem enquadrado presépio natural.”

 Mas voltemos aos “fecha-portas”: efetivamente a Isna de S. Carlos, que está indelevelmente ligada ao seu padroeiro (já que a ribeira herdou o nome de uma outra povoação, mais subida) era fácil de fechar, apenas a capela ficava altaneira, fora da circunscrição da única rua que albergava os nossos antepassados: Os Pedro Alves, os Lopes Alves, os Farinha, os Lourenço, os da Joaquina, também Lopes, os Matias, e mais Lopes, os morgados, a fechar a rua, de norte para sul.

 Mas como apelidar a Isna de “fecha-portas” se, desde há muito, se abriu e recebeu gente de perto e de longe: do Casal, os Cardoso, do Moinho Branco, os Fernandes, do Pereiro, do Vale da Junça, do Sobral, das Fontainhas, os raposos, do Beirão, do Mosteiro, do Sipote, os Barretos, das Cimadas, os Porta-da-Vinha, do Vergão, os Nunes, os Duques e os Pascoais, do Pergulho, os Catarino, de Cardigos, os Maranhos, e até da Isna de Oleiros, os Henriques. Saiu da rua e espalhou-se pelas 5 colinas: o Santo, o Barreiro, o Serro Boieiro, o Cabeço do Sapateiro, e o Casalinho. É verdade, se Lisboa tem as suas sete colinas, a Isna, nas devidas proporções, tem cinco, que os viandantes da antiga estrada puderam contemplar, lá “das ladeiras”, nem todas povoadas naquele tempo, é verdade.

Que nos perdoe o nosso homenageado, de quem hoje celebramos os transcorridos vinte e cinco anos de sacerdócio, se nos perdemos com preâmbulos, aparentemente desviados do essencial que nos traz aqui. Lá chegaremos, se não for abusar muito da vossa paciência, mas como os que aqui estão hoje estão, seguramente, desejosos de conhecer com alguma profundidade, as origens deste nosso homenageado, tomámos a liberdade de deixar registo etnossociológico, mesmo se um tanto lisonjeiro, como mandam as circunstâncias, até porque as fontes históricas escritas escasseiam, devo alertar, e as orais, como se compreende, vão-se adulterando, tornando-se menos fiáveis. Não pretendemos fazer história, apenas discorrer sobre o passado, para que nem tudo se perca, agora que somos cada vez menos, os autóctones da Isna. 

Se considerarmos que o padre Manuel Martins, que aqui completou, até 1959, ano da sua morte, os últimos anos da sua vida, não era da Isna, apenas protegido, criado e formado padre no Colégio de Sernache pelas primas da Joaquina, de que foi herdeiro, tendo partido como missionário para a Índia em 1910 e regressando como pároco substituto na Sertã, e paroquiando muitos anos no Troviscal, então,  este nosso homenageado de hoje é um exemplar único e precioso neste cotejo com os nossos vizinhos, neste particular bem mais ricos que nós, ora vejamos: as Maljogas, berços de meia dúzia de padres (padres Cardoso e Tarcísio…); O Pereiro e as Fontainhas com dois ( padres António e Elias); o Sipote, com pelo menos dois de que me lembro ( padres Libânio e Serrano); a Folga, onde chegou até a residir um bispo, o Cabeço do Moinho e a Aldeia Ruiva, ambas com pelo dois cada uma. E isto para só referir povoações vizinhas que, com maior ou menor assiduidade, frequentaram a nossa capela de S. Carlos.

Pois, o reverendo Frei Vítor é o paladino precioso que veio contrariar um velho desabafo do António “Porta-da-Vinha”, que, desanimado com a falta de jeito dos filhos para mecânicos, repetia: “padres e serralheiros na Isna!…” Bom! Não completamos o dito que todos já conhecem, por respeito pelo espaço e as dignidades.

Frei Vítor, antes de ser Henriques é Alves e, bem vistas as coisas, deveria ser Pedro, um nome que é toda uma herança, que ele continua, como presbítero, na linha de um seu antepassado, o Padre Pedro, tanto quanto se sabe, o primeiro capelão desta capelania da Isna de S. Carlos, conhecida desde 1598, e outro Pedro, seu administrador, como testemunho do padre António Lourenço Farinha em “A Sertã e o seu Concelho”, que passo a citar: “A capela da Isna é relativamente bastante antiga, não se conhecendo porém a data da sua fundação. Suponho que existe desde 1598, porque o Visitador do Grão-Priorado do Crato concedeu licença para edificar, na freguesia da Várzea, uma ermida, sem indicar o seu nome nem o local, parecendo tratar-se da de S. Carlos, na Isna. É certo que já existia em 1647, conforme consta do testamento do Padre Pedro Alves, que morava na localidade no referido ano, e nela se fizeram reparações em 1668. Depois, deixaram-na chegar a tal abandono que o Provisor do Grão-Priorado a interditou, sendo reaberta em 1775, depois de novamente reparada. Era esta capela, em 1730, cabeça de morgado, que então possuía José de Melo de Figueiredo de Bulhões, de Arganil, e tinha a sua administração, em 1758, Manuel Alves, morador na Isna. Por alvará do Prior do Crato, de 23 de Julho de 1800, foi estabelecido o ordenado de 90 alqueires de trigo ao seu capelão, que ficou com o dever de coadjuvar o pároco no serviço religioso dos lugares de Isna, Maljoga, Moinho Branco, Fontaínhas e Casal.”

Consta da armação em ferro, no topo da escadaria de acesso ao campanário e ao coro, a data de 1937, pressupondo-se tratar-se de mais uma reparação, com a construção do referido coro, que se eliminou em 1995, na última reparação, que incluiu o interior e o acrescento de uma casa de banho para o recanto do emblemático canteiro dos “rapazitos”, que os da minha geração tão bem conhecíamos.  

Se, como me ensinou o meu falecido pai, Celestino Dias, “A melhor parte do carrego é o atar da carrada: o mais está feito, o resto é quase nada!”, resta-nos encerrar esta incursão pelo nosso passado comum, no desejo expresso de não ter abusado da vossa paciência, como me parece vislumbrar na atenção como me ouviram os nossos convidados de Braga.

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Ora, como vimos na transcrição de "A Sertã e o seu Concelho", fica documentado, sem grande margem para erro, que o nosso homenageado de hoje é o legítimo herdeiro deste legado dos seus antepassados, apesar de não ostentar o nome Pedro, corre-lhe nas veias o seu sangue e fica evidente a razão desta incursão que fiz pelos nossos antepassados.

Pois bem, que Deus cubra de bênçãos este nosso Frei Vítor, e lhe conceda força para não vacilar na sua fé e no seu ministério, e dê saúde e vida a sua mãe, que, como me foi confidenciado, prometeu, em Fátima, quando celebrou o seu casamento, encaminhar à vida religiosa um filho que Deus lhe concedesse.

                                                                                               Gil  06/11/2021

 
NOTA: O teu texto é como pão para a boca, até porque a sequia que por aqui vai (pessoal e comunitária) está a agravar-se, não por falta de água, mas por medo do maligno, que nos prende ainda mais a casa.
Brevemente verás também um texto meu. Ir à infância é sempre como entrar em mina de boa água e fartas recordações. Olha, a minha ascendência também se liga à serra, onde pontifica a Isna de Oleiros, do Assis, do Armindo, do Alvarino, do Bernardino e não sei quem mais. AH

Aniversários

13.01.22 | asal

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PARABÉNS, ASSIS!

Nascido em 13-01-45 na Isna de Oleiros, cresceste, estudaste, trabalhaste e agora gozas a tua jubilação ali para os lados de Coimbra. Foste professor no seminário e fora dele. E o escutismo também te encheu os dias.

Meu caro Assis Ribeiro Cardoso, aqui estamos a saudar-te no teu aniversário, com PARABÉNS e votos de longa vida, cheia de saúde e felicidade.  Que continuemos a ver-nos de vez em quando. Sempre virão boas memórias, as raízes do presente.

 

OUTRO ANIVERSARIANTE

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Também hoje faz anos, dia 13/01, o  António Rodrigues Lopes, do Monte da Pedra, perto da Comenda e muito assíduo às nossas atividades. E não deixa de estudar... Agora até já aprendeu a escrever comentários no nosso blogue com nome e tudo, evitando a tacha de "anónimo".

Queremos dar os PARABÉNS ao nosso amigo no dia em que celebra os seus 76 anos. E juntamos votos de longa vida, com saúde e muita felicidade. 

Uma história de seringas

12.01.22 | asal

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Esta é uma história triste, dolorosa e traumatizante. Só quem não tiver coração e uma embalagem de kleenex à mão é que não chora.
Quando vejo as criancinhas a serem vacinadas contra o covid19, vem-me à memória a primeira vez que também levei uma injecção.
Uma inflamação das anginas levou-me numa viagem de burro, até Salvaterra do Extremo, ao médico da freguesia. Depois de observado e receitado, regressei novamente e devidamente acomodado, em cima da besta, com a minha irmã mais velha que me acompanhou, já que eu teria apenas seis ou sete anos.
A única pessoa que havia na terra capaz de dar as injecções que o médico me receitou era o dono da Tasca, o ti Fernando. Eu já o tinha visto uma vez a desinfectar as enormes seringas e agulhas e portanto, quando soube e me vieram chamar para levar a injecção, eu desapareci.
Só ao fim de, mais ou menos, duas horas é que alguém me encontrou, atrás de um monte de lenha e me levaram à força, enquanto eu chorava e esperneava. A coisa não estava a ser fácil porque eu não sossegava, mas alguém teve a brilhante ideia de chamar uma psicóloga como fazem actualmente.
A psicóloga chamava-se Vara Maria de Marmeleiro. Duas vergastadas nas minhas pequenas nádegas foram o suficiente para me acalmar e ser então vacinado. No dia seguinte,quando vejo vir, ao fundo da rua, o ti Fernando com a caixa das seringas e das agulhas para me dar a segunda dose,
corri para casa, deitei as calças abaixo, pus-me de barriga para baixo em cima da cama e esperei calmamente por ele.
Desta vez, não foi necessário chamar a "psicóloga" para me acalmar!!!
António Rodrigues

Aniversário

12.01.22 | asal

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José Maria Morgado Martins faz hoje 78 aninhos. No seminário, era uma espécie de vocação tardia e, por isso, os colegas olhavam-no como o pai de todos. Ele era mesmo simpático! E continua a ser!

Professor aposentado a viver ali para os lados de Odivelas, é já há algum tempo nosso comensal na Parreirinha de Carnide (e lá havemos de voltar!). Ultimamente, distingue-se pelo avanço que tem feito nas artes da Internet, tornando-se comentador atento e assíduo no Facebook e Messenger, o que muito alegra e ocupa a malta... Só falta a sua participação neste blogue, sobretudo quando as novidades escasseiam...

 PARABÉNS, amigo! E votos de longa vida, cheia de saúde e felicidade. 

Aniversário

10.01.22 | asal

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É hoje o dia do Ramiro Martins Lopes.

Aqui deixamos os nossos sinceros parabéns. É mais um ano? Deixa lá, não me apanhas... És de 1952, mas eu já venho de 39! Mas é bom viver, encontrar amigos e saber que eles estão bem. 

Passa um dia alegre e continua a celebrar a vida por muitos anos, feliz e com saúde. E o Encontro de 21/05 em Alcains? Vais?

 

Aniversário

08.01.22 | asal

Carlos Tavares.jpgPARABÉNS, CARLOS!

O  Carlos Alberto Tavares é de Abrantes, onde nasceu em 1956, e vive agora em Lisboa. Sabemos que cursou Direito e exerce a advocacia. No Seminário, gostava de futebol, com qualidades excepcionais, ao lado de outros iguais, que é em grupo que mais valemos.

PARABÉNS, AMIGO! Que celebres muitas primaveras com saúde e alegria.