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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Aniversário

07.04.21 | asal

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Hoje, quase sem ninguém dar por tal, celebra o seu 84.º aniversário o António dos Reis, que nos habituámos a ver nos nossos encontros quase de braço dado com o seu e nosso amigo António Pequito Cravo. E porquê? Os dois exercem a advocacia, os dois se completam e se ajudam, o que os torna exímios. 

Pois ao António dos Reis damos os nossos PARABÉNS, desejando-lhe saúde e energia para gozar os dias por muito tempo. E mais um abraço fraterno.

Contacto: tel. 918 311 626

As nossas Leituras -1

06.04.21 | asal

E continuamos a ler! O Mário Pissarra mostra como faz... Vamos lá seguir o exemplo! AH

O que me levou a comprar este livro?

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    Em tempo tinha visto um livro do mesmo autor: O meu Deus é um Deus ferido. Fiquei surpreendido, mas, como não conhecia o autor, não arrisquei comprá-lo. Feita a investigação sobre Tomás Halíc, padre e teólogo, decidi adquiri-lo, pois achei que seria interessante e iria gostar de o ler. Mentalmente passou a ser para mim um D. Tolentino Mendonça Checo. Porém, quando voltei à livraria, o livro já lá não estava. Fiquei preso ao conceito de «apataísmo». Nunca tinha visto referido o conceito, mas, pelo contexto, seria sinónimo de indiferentismo. O «apataísmo» ou indiferentismo em questões religiosas é um fenómeno sociológico bem conhecido. É uma atitude que embora distinta da do ateu teórico ou militante muitos consideram como um ateísmo prático, pois, embora não façam questão de negar a existência de Deus, vivem como se Ele não existisse.

Agora, assim que o vi, não hesitei. Além disso, o título – O Tempo das Igrejas Vazias -- enquadrava-se num dos meus interesses muito antigos: a secularização e a passagem da Igreja Cristandade para a Igreja das pequenas comunidades.

Ir por lã e volver tosquiado

                O tema sonhado – secularização e o abandono das práticas religiosas -- não correspondia ao tema tratado – a experiência das igrejas vazias em tempo de pandemia. Mas valeu a pena a leitura e acompanhar as reflexões do autor sobre o ciclo litúrgico da quaresma e pascal. Um conjunto de textos para um público erudito e exigente e escritos com sensibilidade poética, muito preocupado com as interpelações do tempo presente. Como pároco com uma Igreja, normalmente sobrelotada, a estranheza da ausência de fiéis é marcante e está sempre presente. Apesar do recurso às tecnologias para estar junto dos paroquianos, bem visível entre nós nesta Páscoa, o autor não se cansa de sublinhar a tentação de substituir a presença real pela virtual. Frisa, inúmeras vezes, a presença real da liturgia eucarística.

Aliás, este interregno da presença dos fiéis e a as igrejas vazias permite-lhe uma acutilante reflexão e desafio: “talvez este tempo de edifícios eclesiais vazios ponha simbolicamente em evidência o vazio escondido nas Igrejas e o seu possível futuro – se não fizermos uma séria tentativa de mostrar ao mundo um rosto do cristianismo completamente diferente”. Não podemos esquecer que o fenómeno de reaproximação das igrejas e da religião após a queda da URSS ainda se faz sentir nos países de Leste, embora certos estudiosos destaquem a existência de sinais do tal «apataísmo» ou indiferença.

Que tipo de paróquia é esta que justifica este tipo de textos?

          Que o autor é um intelectual reconhecido prova-o o seu currículo e a sua carreira universitária. Além disso e dos prémios recebidos, foi conselheiro de um ex-presidente checo e é conselheiro atual do papa. A sua paróquia é uma paróquia que inclui a universidade e tem ativado movimentos de reflexão onde o diálogo entre crentes, agnósticos e ateus é uma constante. Uma paróquia com características específicas, com paroquianos culturalmente acima da média e, simultaneamente, muito empenhada em repensar o cristianismo, quer na sua doutrina quer na sua prática, beneficiando de um «renascimento pós-comunista». Esta espécie de homilias em igrejas vazias acompanha um tempo que vai de quarta-feira de Cinzas ao Pentecostes e são um constante desafio a encontrar um Cristo e um catolicismo para além dos rituais litúrgicos. Perpassa na obra a preocupação de encontrar um rosto de Cristo e do cristianismo mais próximo do sentir e pensar e das necessidades do homem de hoje.

Registei com agrado a recusa perentória de Halík «à «devoção virtual», «à «comunhão à distância», «de joelhos diante de um ecrã». Esta visão facilitista de alguns é, para o autor, algo sumamente bizarro. A presença física nas igrejas é fundamental e alimenta uma conceção de igreja como comunidade de crentes.

    Li este livro no momento em que as igrejas começaram a ser reabertas ao culto para as cerimónias pascais. Com regras e limitações, como exige a situação. Não encontrei o que pensei ir encontrar, mas li a obra com agrado e proveito. Não só não fiquei defraudado, como dei o tempo por bem empregue. Nesta coisa dos livros, nem sempre o «ir por lã e volver tosquiado» defrauda. Por vezes, estimula e envolve-nos em confortável agasalho. Foi o caso!

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Tomás Halík não é o Tolentino Mendonça checo, mas é uma voz que merece ser ouvida e a prestar atenção. Ficou a vontade de reencontrar e ler «O meu Deus é um Deus Ferido».

Mário Pissarra

Dinheiros da Páscoa

06.04.21 | asal

Vamos registando aqui os dinheiros recebidos na semana da Páscoa para a impressão do livro sobre o Seminário de Alcains.

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2.ª feira  - total 2660.00 €

- António Lopes Xavier - 2.º reforço

- Bernardino Mateus

- José Manteigas Martins

- Fernando Leitão Miranda - 2.º reforço

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3.ª feira - total - 2760.00 €

Mais dois nomes a aumentar a colheita:

- José Manuel Barata Centeio - 2.º reforço

- Mário Clemente Delgado

5.ª feira - total - 3010.00 €

Flor5.jpgMais cinco nomes a figurar na lista

- António José Pires (reforço)

- José Maria Lopes (reforço)

- António Batista Martins (reforço)

- António Dias Henriques (reforço)

- Paula Maria Nunes Silva

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6.ª feira - total - 3090.00 €

Quase no fim da semana (só na 2.ª ou 3.ª feira voltaremos a referir o estado da campanha), mais um:

- José Ventura Domingos - (reforço)

- José Figueira (50€ prometidos pelo telefone).

3.ª feira depois da Páscoa - total: 3370 €

Anunciamos mais cinco óbolos, graças a Deus!

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Adelino Neves Mateus

Augusto Matos  Rei

António Martins Ventura  

Joao Oliveira Lopes—reforço

António Pequito Cravo  -- reforço

Que bom! Já só faltam mais 630.00 € para fechamos o peditório. (!!!)

NOTAS:  

1 - O IBAN para as transferências das ofertas é - PT50 0018 0000 0343 5755 0019 8

2 - Os emails para onde devem dirigir a vossa colaboração são:

 - para comunicar o nome do depositante - António Silva  - antonio.m.silva1947@gmail.com

 - para receberem por correio o livro logo após a impressão: florentinobeirao@hotmail.com 

António Henriques

"ALWAYS LOOK FOR THE HELPERS, IF YOU DON'T SEE ONE, BE ONE."

("PROCURE SEMPRE OS AJUDANTES, SE VOCÊ NÃO VIR UM, SEJA UM."

Aniversários

06.04.21 | asal

Hoje temos dois aniversariantes, um beirão e outro alentejano.

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- O António Maria Romeiro Carvalho, que pelo seu Facebook é da raia (Ladoeiro - Idanha-a-Nova?), frequentou os seminários do Gavião e Alcains, estudou Sociologia e História nas universidades de Lisboa e leciona numa escola da Amadora, onde também reside com a sua família, certamente em isolamento e confinamento social como todos nós neste momento.

Estamos a dar-lhe os PARABÉNS pelos seus 67 anos e a desejar-lhe muitos anos com saúde e felicidade. Um dia vamos encontrar-nos? Tenho a certeza que sim, até porque ele é um dos que já contribuiram para a impressão do nosso livro.

Contacto: tel. 966 410 933

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 - Também hoje faz 50 anos o João Durão, um jovem ex-seminarista como nós, mas do qual nada mais sabemos. No Facebook, parece que trabalha no sector hoteleiro em Lisboa. E tem ligações a Flor da Rosa, suponho eu!...

Por isso, aqui ficam os nossos PARABÉNS e votos de longa vida... E que os seus sonhos se realizem. Esperamos que ele apareça e diga coisas, para enriquecer o grupo.

Contacto: tel. 966 230 831

Aniversário

05.04.21 | asal

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Celebra hoje o seu 41.º aniversário o P. Nuno Miguel Lopes da Silva,  Pároco de Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada; Responsável pelo Pré-Seminário; Capelão das Irmãs Clarissas de Montalvo (Ordem de Santa Clara) e Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude e Vocações.

Cheio de responsabilidades, não lhe falta tempo para nada, mas aqui estamos para lhe dar os nossos sinceros PARABÉNS por mais uma primavera, desejando-lhe muita saúde e energia para levar a cabo a sua missão. 

Contacto: tel.  965 153 711

Aleluia!

04.04.21 | asal

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Buscais (…) o crucificado? Ressuscitou; não está aqui (Mc 16,6)

A UASP deseja a todas as suas Associadas e amigos uma Santa Páscoa!

E a Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da diocese de Portalegre e Castelo Branco agradece os votos formulados e deseja a todos uma vida tranquila e em paz na companhia de Jesus Ressuscitado.

Boas Festas Pascais

03.04.21 | asal

Quem nos dá as Boas-Festas de Páscoa é o José Raposo Nunes:

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É com esta margarida-do-cabo (osteospermum ecklonis), captada esta manhã solarenga de sábado de Aleluia, no quintal dos meus pais, e cuja cor se revela apropriada, que venho aqui assinalar mais uma Páscoa. Sábado de Aleluia, que é o termo litúrgico que a maioria de nós conhece desde a infância. Amanhã é domingo de Páscoa e assim se cumpre o calendário. Páscoa tem a ver com renovação e quem não precisa de se renovar? A vida das pessoas também se faz destes símbolos, desta fé. E se isso trouxer paz e alento a cada alma que acredita, então, só por isso, já vale a pena.

Boa Páscoa.

José Raposo Nunes

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Palavra do Sr. Bispo

02.04.21 | asal
QUE VOS PARECE?.... ELE NÃO VIRÁ À FESTA?

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Face ao que ia acontecendo, o diz-que-diz aumentava. As reuniões entre os senhores dos diversos poderes multiplicavam-se. Os conhecedores da psicologia das multidões manipulavam o povo. A unanimidade política apontava o crime: “se o deixarmos continuar assim, todos acreditarão nele”. Dito e feito, para manterem o seu rame-rame subserviente e a sua posição privilegiada, “decidiram matar Jesus”. E os que já passeavam pelo recinto da festa perguntavam-se curiosos: ‘Que vos parece? Ele não virá à festa?”.

Sim, Jesus foi à festa. Ele começou a sua vida pública numa festa, nas Bodas de Caná. Também a vai terminar numa festa, a da Páscoa. Mas não é próprio da festa transmitir e cultivar sentimentos de alegria e amizade? Pois é, mas não foi o caso. Costuma apresentar-se três forças como indispensáveis para que o homem sinta defendidas a sua vida e a sua honra. São elas a força da amizade, a força da justiça e a força da compaixão ou piedade. Quando estas virtudes desaparecem do convívio social, nem sequer a santidade é respeitada. E Jesus foi traído por todas elas e mais algumas! Todos preferiram salvaguardar a sua “grandeza”, a sua autoridade, o seu prestígio em reles subserviência ou dominados pelo medo e cobardia.
A AMIZADE EVAPOROU-SE. Jesus Cristo foi traído pela amizade, sim. A amizade provoca a união dos homens e leva a auxiliarem-se mutuamente nos trabalhos da vida. Este sentimento que nos une, a amizade, tem as suas leis, leis que ela não pode abandonar sem se trair a si própria. É próprio da amizade proteger aquele a quem se dedica, defender o amigo, não abandonar, não negar, não vender, não atraiçoar, evitar tudo aquilo que se possa confundir com indiferença. É próprio da amizade ser reconhecida como valor e valor essencial. No entanto, os discípulos foram indiferentes à dor e à preocupação do Amigo. Jesus, perturbado, sentiu necessidade de presença e apoio em momentos tão trágicos da sua vida: “A minha alma está numa tristeza de morte, ficai aqui e vigiai comigo”. O Evangelista Lucas, que era médico e sabia o que era a hematidrose, diz que “o seu suor se tornou como gotas de sangue, que caiam no chão”. Jesus sua sangue e reza... Eles dormem… Judas foi procurar a quem vender e entregar Jesus por uma gorjeta e com um beijo… É a amizade convertida em indiferença e ódio, em brutalidade e ingratidão. Os outros abandonam o Mestre, todos fogem. Jesus vai sozinho para a casa de Anás. Pedro, meio sorrateiro e a curtir o medo à distância, ao aproximar-se mais um pouco, nega o Mestre: “Uma das criadas olhou-o de frente e disse-lhe: ‘tu também estava com Jesus o Nazareno’. Mas ele negou: ‘Não sei nem entendo o que dizes’. A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes: ‘este é um deles’. Mas ele negou segunda vez. Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro: ‘Na verdade, tu és deles, pois também és galileu’. Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar: ‘Não conheço esse homem de quem falais”. Abandonar, renegar o amigo, é doloroso e triste. Vender, entregar o amigo aos próprios inimigos é a maior das infâmias! Tal como outrora, quantas vezes os amigos de hoje se convertem nos inimigos de amanhã!
A JUSTIÇA PREFERIU BARRABÁS. Se faltou a amizade, esperava-se que a justiça salvaguardasse a vida e a honra de Jesus, a sua inocência. Pode o juiz não ser amigo do réu, mas tem a obrigação de o julgar segundo o direito e as leis vigentes. Mas Jesus, se traído pela amizade dos seus, foi também traído pela própria justiça. As irregularidades praticadas contra Jesus no Sinédrio são mais que muitas. Há irregularidade no júri constituído, todos são suspeitos, pois eram inimigos de Cristo, fariseus fanáticos, escribas orgulhosos, juízes e acusadores ao mesmo tempo. Há irregularidades no andamento dum processo onde “procuravam um testemunho contra Jesus para lhe dar a morte, mas não o encontravam”. Não há ninguém que o defenda, são todos acusadores, todos. Os depoimentos são de falsas testemunhas que nem sequer concordam nas afirmações: “Muitos testemunhavam falsamente contra Ele, mas os seus depoimentos não eram concordes”. Deturpam as palavras de Jesus acerca do templo do seu corpo. O próprio Caifás transforma-se em acusador, mente, afirma que Jesus “blasfemou” ao dizer-se o Messias, o Filho de Deus. No Tribunal de Herodes, é tratado como um louco e objeto de troça. No Pretório de Pilatos, aparece igualmente injustiçado. Pilatos impõe-se e faz-se valer com a linguagem deste mundo: “não sabes que tenho poder para te libertar e te crucificar?”. «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam». Mas Jesus nada responde, não vale a pena. Pressionado pelo povo, Pilatos, tenta uma última chance. Valendo-se de uma tradição que havia pela festa da Páscoa, de ele ou o povo ter o direito de escolher a liberdade de algum preso, manda buscar um condenado tido como ladrão e assassino e pergunta ao povo quem quer que lhe solte: Jesus ou Barrabás. O povo, manipulado pelos populistas, prefere Barrabás, Barrabás foi solto. Pilatos, forte com os fracos ali representados em Jesus, é subserviente, tem medo do imperador romano, tem medo das autoridades judaicas, tem medo da multidão, tem medo da sua própria consciência que o massacra a dizer-lhe que Jesus é justo e inocente: “Eu não encontro n’Ele nenhum motivo de condenação”. A própria esposa lhe havia dito: “Não te intrometas no caso desse justo, porque hoje sofri muito em sonhos por causa dele” (Mt 27,19). No entanto, mais importante é assegurar os seus próprios interesses. Jesus é condenado à morte, ridicularizado, flagelado, coroado de espinhos e carregado com a cruz até ao alto do Calvário. Aí, é pregado na cruz e morre. Como alguém afirma e se constata, Jesus nunca se descontrola, nunca recua, nunca exerce resistência, mantém-se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino. Pilatos dá-se conta dessa coerência de Jesus, mas permanece dividido entre um sentimento de justiça e a necessidade de satisfazer a multidão e os seus cabecilhas. A justiça não funcionou.
A COMPAIXÃO TAMBÉM FOI NEGADA. Faltou, pois, a amizade e a justiça a defender a inocência de Jesus. Esperar-se-ia que, ao menos, surgisse a compaixão, a piedade, esse sentimento que leva a ter pena de quem sofre, a respeitar a sua honra e dignidade. O último refúgio da inocência é a compaixão que a inocência sempre é capaz de inspirar. Quem se não comove perante os sofrimentos alheios? E quem se não comove perante os sofrimentos infringidos a um inocente? Com Jesus Cristo não há compaixão. Algumas mulheres choram impotentes, é verdade. Um homem, talvez obrigado, ajuda-o a levar a cruz, sim, também é verdade. Mas são muito poucos aqueles que o seguem até ao Calvário. Os outros não manifestam qualquer gesto de compaixão. Vede a atitude dos criados dos pontífices, no Sinédrio: “alguns começaram a cuspir-lhe, a tapar-lhe o rosto com um véu e a dar-Lhe punhadas, dizendo: ‘advinha’ quem te bateu. E os guardas davam-lhe bofetadas”. Reparai na atitude dos soldados de Roma aquando da flagelação e da coroação de espinhos: “Os soldados entrançaram uma coroa com espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram Jesus com um manto vermelho. Aproximavam-se d’Ele e diziam: “Salve, rei dos judeus!”. E davam-lhe bofetadas. Vede a reação do povo quando Pilatos lhe apresenta Cristo sem saber o que lhe havia de fazer: “Crucifica-o!”. “Crucifica-o!”. Olhai os fariseus, também no Calvário, cheios de ódio, desafiando-o a que descesse da cruz: “Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz”. Também os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo: ‘Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! Esse Messias, o rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos’. Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam”. Tendo perdido “toda a aparência de um ser humano”, ali está “sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspeto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós”. Até a própria natureza se torna mais triste.
Contemplar a cruz significa assumir a mesma atitude que Jesus assumiu e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo por causas tão mesquinhas ou sem qualquer valor. Aprendamos com Jesus a entregar a vida por amor, numa dinâmica que a morte não pode vencer, porque o amor gera vida nova e faz-nos entrar nos dinamismos da ressurreição. Na cruz vemos todas as dimensões da nossa vida. A cruz não é um símbolo, é uma realidade bem concreta.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 02-04-2021.

Sacerdotes jubilados

02.04.21 | asal

Copio de "Reconquista":

Diocese presta homenagem a sacerdotes jubilados

 se catedral.jpgReconquista - 31/03/2021

São homenageados os sacerdotes que fazem 25, 50 e 60 anos de ordenação sacerdotal.

«Os sacerdotes jubilados da Diocese de Portalegre-Castelo Branco vão ser homenageados a 1 de abril, Quinta-Feira Santa, durante a missa crismal na Sé de Castelo Branco.

O cónego Bonifácio dos Santos Bernardo, o padre Ilídio Alberto Ribeiro Mendonça e o padre Joaquim Martins Valente cumprem as bodas de ouro, enquanto os padres Adelino Dias Cardoso e José Manuel Marques Cardoso assinalam as bodas de prata.

Serão ainda lembrados o padre Américo Ribeiro Agostinho e o padre Manuel Lopes Nunes, ainda vivos. Também são de recordar o cónego António Lopes e o padre José Bernardino dos Santos António já falecidos. Todos estes foram ordenados padres a 9 de julho de 1961».

A todos estes amigos, damos Parabéns e deixamos um abraço. AH

O pluralismo religioso em Portugal (2)

02.04.21 | asal
Meu caro Henriques: nesta Sexta-Feira Santa envio-te um simples contributo para o nosso ponto de Encontro - o ANIMUS SEMPER. Desta vez tentei revisitar uma das mais fatídicas manchas da nossa História Pátria. Os infindáveis e cruéis anos do Santo Ofício. É com dor que recordo esses tempos de breu. Lutemos democraticamente para que jamais corra tanto sangue inocente, por questões religiosas.   Uma Feliz Páscoa para o Henriques e para todos os amigos que nos acompanham.
Florentino

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A longa e iníqua inquisição

Como verificámos, até ao séc. XV, vigorou no nosso país um clima de uma convivência pacífica entre cristãos, judeus e mouros, respeitando-se mutuamente. Uma liberdade religiosa apadrinhada pelos primeiros monarcas e pela igreja. Pelo que se sabe, só nas cortes de 1361 as minorias judaicas foram episodicamente sujeitas a perseguição por parte dos comerciantes que competiam nos negócios com os judeus.

Seria só com a conversão forçada dos judeus, expulsos de Espanha para Portugal em 1492, que a perseguição religiosa aos judeus foi colocada na ordem do dia. Nesta data, foram forçados a converter-se ao cristianismo e a batizar-se, sob pena de serem expulsos do nosso país. Desta drástica imposição resultou o nome de cristãos-novos, para classificar os judeus que se converteram. O que acabou por acontecer foi que as supostas conversões, por parte de alguns, não foi totalmente sincera. Se oficialmente se diziam cristãos, em suas casas continuavam a praticar as suas tradições religiosas judaicas. Descobertas estas práticas, a Igreja e o Rei de mãos dadas, decidiram pedir ao Papa a criação do Tribunal do Santo Ofício - a Inquisição - para julgar e condenar os cristãos-novos e outros hereges, acusados de praticarem ou defenderem doutrinas contrárias à religião católica.

Embora na Idade Média, no séc. XII, já existisse Inquisição na Europa nas mãos dos Bispos e dos Dominicanos para condenar a heresia dos cátaros que proliferava na cristandade, em Portugal só mais tarde, a pedido de D. Manuel, mas só concretizada com D. João III em 1536, no pontificado do Papa Paulo III, foi criada a Inquisição para julgar judeus, luteranos, bruxas, feiticeiros, hereges, islamizantes e bígamos, como a que existia em Espanha com Carlos V.

Nesta altura, já este Papa, após o concílio de Trento (1545 -1563), se encontrava a lidar com o problema do protestantismo na Alemanha, iniciado por Martinho Lutero (1483-1546). Esta radical e complexa conjuntura religiosa terá potenciado a criação da Inquisição em Portugal, nomeadamente em Coimbra, Lisboa e Évora, estendendo-se depois ao Brasil, Índia portuguesa (1561), Goa e colónias africanas (1626) no reinado filipino.

Note-se que os estatutos da Inquisição (1552-1570) permitiam aos funcionários e familiares inquisidores uma supremacia sobre as outras autoridades do Reino. Um Estado dentro do Estado. Quanto ao seu âmbito, estendia-se além das heresias à censura de todos os livros publicados no nosso país - como aconteceu com os Lusíadas, cortado que foi o canto IX - e aos livros que chegavam do estrangeiro.

Quanto às pessoas acusadas, eram sujeitas a sevícias cruéis, torturas físicas e morais, para confessarem e denunciarem por delação outros supostos hereges. As penas aplicadas podiam ir desde o confisco dos bens, à prisão e morte na fogueira ou o garrote. Entre 1543-1684, foram condenadas 19.247 pessoas das quais 1.379 foram queimadas vivas na fogueira.

Com a Inquisição - um instrumento político-religioso, pretendia-se centralizar o poder real com o apoio da Igreja. Como não havia protestantes em Portugal, a Inquisição virou-se sobretudo para os cristãos-novos, para o combate às heresias e defesa dos dogmas tridentinos.

Foi o que aconteceu no período do domínio filipino em Portugal, entre 1580-1640, onde foi mantida a sua grande atividade relativamente à perseguição aos cristãos-novos. Porém, a partir de D. João IV com a Restauração em 1640, estes foram mais poupados à perseguição, chegando a obter o perdão das suas faltas. Nomeadamente com o Padre António Vieira, que se colocou a seu lado dando-lhes apoio.

Mas seria no reinado de D. João V (1707-1750) que o Santo Ofício voltou novamente a atingir o seu apogeu com os majestosos e mortíferos “autos de fé”.

No reinado de D. José, com o Marquês de Pombal a governar o país, foi tirada da alçada da Inquisição a censura literária. E só em 1775 se aboliu a distinção entre cristãos-novos e cristãos- velhos. Deste modo, foi perdendo uma boa parte da sua vitalidade, também por força dos seus opositores - Luís da Cunha, Ribeiro Sanches, A. Verney - difusores das ideias iluministas em Portugal. Porém, a machadada final na Inquisição, que se manteve durante 285 anos no país, só foi dada em 1821, um ano após a Revolução Liberal. Referindo-se a ela, escreveu o filósofo Eduardo Lourenço: “A Inquisição é o mais presente, obsessivo e enigmático episódio da nossa vida coletiva”. Uma Feliz Páscoa!

florentinobeirao@hotmail.com

Aniversário

02.04.21 | asal

É hoje o aniversário do José Eduardo Alves Jana, nascido em 1952, um ilustre dinamizador da vida cultural e associativa de Abrantes, depois de gastar os seus anos profissionais a ensinar Filosofia na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.Jana3.jpg

Aqui estamos a dar-te os PARABÉNS e a desejar-te muita saúde para continuares a servir, num dar e receber em troca da tua vida associativa.

A foto é do Encontro em Maio/2019, na Sertã, na apresentação do teu livro "O meu Seminário", que muitos leram e nele se sentiram retratados.

Contacto: tel. 967 204 089

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