Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Um belo poema

22.03.21 | asal

Meu Caro António Henriquesgotas.jpg

Deixo-te a análise deste pequeno poema que dediquei ao DIA DA ÁGUA e se entenderes que tem algum interesse em o publicares, fica ao teu critério, mas, crê, a crítica é para mim salutar e sempre convivi bem com ela. Um abraço.

José Maria Lopes

 

A GOTA D'ÁGUA
 
GOTA que nasce, que flui, que desliza
Pelo caminho outras gémeas se juntam
Como um coro de odes ao Divino
Não desistem até formar caudal
Fazem sulcos que dão de beber a oceanos de coral
GOTA-A-GOTA muitos milagres operam
Em jardins de flores que renascem
São sopros de vida da Natureza
São felizes, livres de acrimónia
Do Tigre e Eufrates regaram os jardins da Babilónia
Na cruz, Jesus muitas GOTAS derramou
Que a brisa os seus suores limpou
Sem GOTAS a ciência teria dificuldades
Sem GOTAS os colibris não viveriam
Sem GOTAS os nossos olhos secos colariam
Sem GOTAS a digestão não se faria
Tudo é feito de pequenas coisas
São as GOTAS a base do Universo
Chovem GOTAS mansas e a Terra acorda
Sorri e agradece
É o hino do nascer da vida

É o hino do alvor do dia

José Maria Lopes.JPGQuantas GOTAS um aquário encerra

Dão vida a peixes em algas coloridas
 São fundos de oceanos em miniatura
Mas não há bela sem senão
A GOTA das articulações
Faz doer, é cruel
Fugimos dela em tropel
Separou-se, como Lúcifer, das boas GOTAS sem avisar
Incomoda muita gente
Em dor  forte e pungente
Matreira e silenciosa, andou à socapa
E até fez ninho na perna santa do Papa.

 

NOTA: Parabéns, José Maria, pela a tua veia poética. A tua arte de cronista já era conhecida, mas hoje surpreendes-nos com esta produção. Espero mais, naturalmente... Fico ansioso!
Burilas a palavra em prosopopeias lindas, viras e reviras as palavras, que bonito. Ant. Henriques

Aniversários

22.03.21 | asal

São dois os aniversariantes de hoje, os dois em serviço ativo à santa madre Igreja, um na zona de Castelo Branco e outro na zona de Abrantes.
agostinho dias copy.jpg

- O P. Agostinho Gonçalves Dias é Diretor do jornal "Reconquista" e pároco de Freixial do Campo, Juncal do Campo e Salgueiro do Campo. Celebra hoje o seu 77.º aniversário em plena pujança de vida.

Pois, meu caro amigo, conheço a tua coragem em assumir a vida com ambas as mãos, a dizer o que pensas com toda a simplicidade e assombro. Por isso, muitos te admiram! A foto não é muito actual, mas tu és avesso  a esta moda!

Neste dia, aqui ficam os PARABÉNS deste grupo de amigos e colegas, com votos de muita saúde e alegria pessoal na realização da tua missão e dos teus sonhos. Ad multos annos!

Contacto: tel. 963 090 714

P. Francisco Valente.jpg

- Também hoje faz anos o P. Francisco José Esteves Valente, nascido em 1961,  que presentemente desempenha as funções de Pároco de Alcaravela, Mouriscas e Santiago de Montalegre; é também Presidente da Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja e representante da Diocese no Conselho Consultivo da Casa Museu Padre Belo.

Ao P. Francisco Valente damos os PARABÉNS pelas suas 60 primaveras, desejando-lhe saúde e energia bastantes para realizar a sua missão com agrado pessoal e satisfação da comunidade.

Contacto: tel. 936 360 103  

Palavra do Sr. Bispo

19.03.21 | asal
É O CAMINHO QUE VEM AO NOSSO ENCONTRO?!...

Antonino Dias.jpg

Então não somos nós que andamos à procura do caminho que dê sentido à vida? Não somos nós que, perante tantas e tantas encruzilhadas de não menos estradas, caminhos e carreiros, sentimos dificuldade em fazer opção, porque nem sempre a melhor rota é a que está à frente ao nariz? Não somos nós que, por causa disso, tantas vezes cortamos por atalhos que nos levam a becos sem saída, fazendo-nos apear e atar as mãos à cabeça? Então como é o caminho que vem ao nosso encontro?

No Ofício de Leituras do Domingo passado, Agostinho de Hipona mimoseou-nos com um piropo de fazer ganir, assim: “Levanta-te, preguiçoso. O próprio caminho veio ao teu encontro e despertou-te do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te. Levanta-te e anda. Talvez tentes andar e não consigas, por te doerem os pés. E por que motivo te doem? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. “Eu tenho os pés sãos, dizes tu, mas não vejo o caminho”. Lembra-te que Ele também deu vistas aos cegos”.
Pois, pois, não sejas cego, amigo, abre os olhos e vê, nem que seja com os olhos de antanho, de há cerca de três mil anos atrás, assim: “Quem mediu com a mão as águas do mar, quem mediu a palmo as dimensões do céu? Quem mediu com o alqueire o pó da terra, quem pesou na báscula as montanhas e na balança as colinas? Quem dirigiu o espírito do Senhor, qual foi o conselheiro que lhe deu lições? De quem recebeu Ele conselho para julgar, para lhe ensinar o caminho da justiça? Quem lhe ensinou a sabedoria e lhe mostrou o caminho da prudência? As nações são para Ele como a gota de água no balde, não passam de um grão de areia na balança. As ilhas não pesam mais que uma poeira fina (...) As nações todas juntas nada são diante d’Ele (...) Porventura não sabeis? Nunca ouvistes dizer? Não vos foi anunciado desde o começo? (...) Erguei os olhos para o céu e observai: quem criou todos estes astros? Aquele que organiza e põe em marcha o exército das estrelas, chamando cada uma pelo seu nome. Tão grande é o seu poder e tão firme é a sua força, que ninguém deixa de se apresentar. (...) Não o sabes? Não ouviste dizer? O Senhor é o Deus eterno; foi Ele quem criou os confins do mundo. Ele não se cansa, nem se fadiga, e a sua inteligência é insondável. Ele dá ânimo ao cansado e recupera as forças do enfraquecido. Até os jovens se fatigam e cansam, e os rapazes também tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, criam asas, como águias, correm e não se fatigam, podem andar que não se cansam” (Is 40, 12-31). A sua mensagem ressoa por toda a terra: os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. O dia transmite ao outro esta mensagem e a noite a dá a conhecer à outra noite. Não são palavras nem linguagem cujo sentido se não perceba. O seu eco ressoou por toda a terra e a sua notícia até aos confins do mundo (cf. Sl 18). Um outro Salmo reza assim: Ele tudo vê e tudo ouve, todos os nossos caminhos lhe são familiares. Se assim é, quem se poderá esconder d’Ele? Para onde irei longe do teu sopro? Para onde fugirei, longe da tua presença? Se subo ao céu, Tu lá estás. Se desço ao abismo, lá Te encontro. Se levanto voo para as margens da aurora, se emigro para os confins do mar, aí me alcançara a Tua esquerda e a Tua direita me sustentará (cf. Sl 139).
Se não devemos permanecer como cegos deixando de contemplar as maravilhas do Senhor, também não podemos coxear para dizer que não conseguimos encontrar o caminho, tal como o jogador matreiro que, à boca da baliza, não mete um golo evidente e finge ter tido uma cãibra na perna. Aqui, nem desculpas dessas pode haver, é o próprio caminho que veio ao nosso encontro. Deus faz-se encontrado em seu Filho. Jesus, que veio do Pai e permanece junto do Pai, apresentou-se como a Verdade e a Vida. Mas também se apresentou como sendo o Caminho a seguir para encontrar a Verdade e a Vida. Eu sou o Caminho, disse-nos Ele, se queres vir, anda daí, pega na tua cruz e segue-me, Eu sou manso e humilde de coração, vim para que tenhas a alegria e a tua alegria seja completa, sem Mim nada podes fazer, fica comigo!
A Quaresma, que, aliás, não é só para os outros, é um tempo de descoberta e de acolhimento de Jesus, ficando com Ele. Dirás: “Não o vejo, não o sinto”. Mas será que é isso mesmo?... Se queres tirar as teimas, anda daí, deixa-te de preconceitos, fecha a porta, desliga todos os empecilhos e afins que te distraem. Abre os olhos, afina os ouvidos do teu coração para apanhares o tom e sintonizares na frequência da sua voz e das suas surpresas. Fala, grita, contesta, chora, discorda d’Ele se é isso que te vai na alma, bate com o punho na mesa. Ele, que te conhece muito melhor que tu a ti próprio, está aí, no silêncio de ti mesmo, a ouvir-te com toda a serenidade e paciência, sem te despachar, sem te cortar a palavra, sem te reprovar seja sobre o que for, sem perder a serenidade própria da amizade que sabe ouvir e gerar empatia. Depois dessa tua furiosa guerra, desce do cavalo e cria espaço para também o ouvires até ao fim. Com certeza que Ele, como amigo que te ama e por quem deu a vida, tem muita coisa a dizer-te. Como ovelhita perdida, alvo da sua preocupação e procura, Ele carrega-te aos ombros, os mesmos ombros que carregaram a cruz onde foi morto, morto por ti, morto por cada um de nós para a todos restituir à liberdade e à Vida. Ele quer festejar contigo, quer abraçar-te, vestir-te de gala para comemorar o teu regresso com uma multidão sem número, com aquela banda sonora que tu aprecias e um banquete sem igual...
É Quaresma!... A boa Quaresma exige passar pelo Sacramento da Reconciliação.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 19-03-2021.

Um simples telefonema - 1

19.03.21 | asal

Hoje lembrei-me de ligar ao Manuel Pereira. Ei-lo aqui na foto enre mim e o Mendeiros. 

1-03-19.JPG

Agora passa muito tempo ao sol do Algarve e, com mais seis anos que eu, ainda não foi chamado para ser vacinado. Perante as dúvidas, enquanto falávamos, fui fazer a simulação sobre vacinação no Google utilizando os dados dele (nome completo, data de nascimento e n.º de utente de saúde) e lá me responderam a confirmar que ele seria vacinado antes de Abril, sendo convocado pelo número de telefone que ele usa. Ficou mais descansado, naturalmente!

Mas a conversa com este Manel é sempre sem fim... Ainda sonhámos voltar à Grécia, que foi onde, há mais de 20 anos, nos encontrámos e fomos apresentados, que eu nem sequer o conhecia... E da Grécia passámos para Alcains, quando nos vamos encontrar lá com o livro na mão? - olha, eu vou hoje ser vacinado, já me estou a preparar para o Encontro... Quem sabe se lá para Setembro ou Outubro já nos podemos abraçar?!

E vai ele com queixumes dizer que já não terá tempo para ler o livro... Manel, sonha com os 90 e tais! Mas aquele moço, que tantas vezes diz que deve tudo à educação do Seminário, começa a desfiar histórias... O Sr. P. Domingos, professor de Francês com muitos anos a viver em França, e com uma costela solidária bem vincada (tinha os seus pobres a quem ajudava!) não gostava de ser gozado. O Rito levou uma chapada a sério... Mas ninguém se queixou! Eu lembrei-me também da "bolacha" que levei dele no Gavião, num intervalo em que ele distribuia bolachas a sério, mas eu lá insisti demais e levei bolacha das outras...

E o Sr. Cón. Falcão, numa prova de Português no 5.º ano, pergunta ao Manuel qual é o macho da cabra! Com dificuldade se responde a esta questão, mas ele disse ao professor que era "bode". O Sr. Cónego diz-lhe que não, que o masculino de cabra é "cabrão". E o Manel não se ficou, contrapondo com esta: - Sr. Cónego, o dicionário diz que cabrão é «Criança que berra muito»! Será por isso que ele lhe deu uma boa nota!... Curiosamente, eu fui confirmar ao Dicionário Priberam e é verdade! Toma...

Vamos lá ver se ele também manda alguns tostões para o livro, que ele tornou-se um grande benfeitor da Diocese e do nosso grupo e agora também espera alguma recompensa. Se não acontecer, sou eu que lhe ofereço um.

O que um telefonema permite... Terminei a dizer-lhe que, assim que houver liberdade de circulação, ainda nos vamos encontrar todos em Albufeira com o Zeca. Haja esperança.

António Henriques

NOTA: Vamos lá a ver quem continua a história ou escreve sobre o último livro que está a ler. O António Rodrigues Lopes prometeu há tempos... Talvez seja a hora de ele aparecer. AH

Pluralismo religioso em Portugal (1)

18.03.21 | asal
Caro Henriques
Este é a primeira de três reflexões que me proponho fazer, relativamente a este assunto. Iremos verificar como o nosso país se tem comportado, relativamente à sua relação com outros credos, ao longo da sua longa e complexa história. Como chegámos até aqui, com altos e baixos. Quando o Papa Francisco hoje nos desafia para sermos todos irmãos e não inimigos, a sua ida ao Iraque foi neste sentido, é bom examinar o nosso passado como Nação, relativamente a esta problemática. É este o meu propósito.
Um abraço Pascal para ti e para os que nos acompanham neste espaço fraterno.
Florentino

Florentino2.jpg

 

A enriquecedora convivência pacífica

 

Assistimos hoje no nosso país ao proliferar de numerosas religiões e seitas, espalhadas por todo o território, sobretudo nas grandes cidades e vilas. Umas mais contemporâneas do que outras. Os seus espaços de culto, mais ou menos visíveis, salpicam algumas ruas e avenidas, ostentando as suas apelativas designações. Um notável pluralismo que nem sempre fez parte da nossa atribulada história religiosa. Mas vamos por partes.

Iniciemos esta longa caminhada pelos alvores da formação da nossa nacionalidade na Idade-Média, em plena Reconquista, nos tempos longínquos dos nossos primeiros monarcas, a partir do séc. XII.

Como se sabe, Portugal, como Nação independente, nasceu à sombra da Igreja de Roma, apadrinhado pelo Papa Alexandre III em 1143, com o Rei D. Afonso Henriques, nosso primeiro Rei, conquistador de vastas terras aos mouros com o precioso apoio militar dos Cruzados.

Nesses tempos de cristandade, a ligação diplomática ao Papado era o grande trunfo a exibir, para quem queria ascender ou conservar o poder político, organizado à sombra da protetora e poderosa Igreja de Roma. Uma perfeita união, entre a coroa e o altar, a espada e a cruz.

Após a Reconquista Cristã do nosso território aos adoradores de Alá, que nessa altura governavam o território que habitamos, desde o séc. VIII ao XII, cerca de quatro longos séculos, os primeiros Reis de Portugal decidiram organizar as terras que iam conquistando, através de uma nova administração, baseada em territórios paroquiais, administrados por bispos e clero. Desta organização também faziam parte as diversas Ordens Religiosas e Militares que contribuíram, com o seu saber e proteção, para desenvolver e defender o território que tinha sido penosamente conquistado aos mouros ao longo de muitas décadas.

As mesquitas, onde os muçulmanos praticavam o seu culto ao “misericordioso Alá”, lentamente, foram sendo deitadas por terra pelos cristãos, tentando apagar a sua memória religiosa. No seu espaço, foram sendo levantadas catedrais e igrejas, no meio dos agregados populacionais. Em locais estratégicos, foram também construídos poderosos e inacessíveis castelos defensivos, para se fazer face a possíveis invasões inimigas, sempre à espreita.

Tenha-se em conta que, após a prolongada Reconquista, muitos muçulmanos que viviam no território foram-se convertendo ao cristianismo e integrando-se lentamente, na nova sociedade cristã, embora confinados em mourarias, onde só podiam habitar.

Neste longo período da consolidação do território português, contou-se também com o apoio das populações que praticavam outros credos, sobretudo judeus que viviam isolados em judiarias, onde, por vezes, às escondidas, iam praticando os seus cultos ancestrais.

Note-se que a vinda dos judeus para a Península Ibérica é muito antiga, remontando a tempos anteriores à conquista do território pelos romanos. Por aqui se foram instalando de tal modo que, quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros, já se encontravam judiarias na cidade, onde viviam os descendentes de Abraão, embora sujeitos a impostos. Eram ainda obrigados a reparar pontes, calçadas e muros. Para com a Igreja, tinham também de pagar uma dízima. A sua presença no reino interessava ao rei porque desempenhavam lugares de relevo na vida nacional, nomeadamente administradores dos capitais do monarca e da própria Igreja. Note-se que os primeiros reis de Portugal não tiveram pejo em entregar também aos judeus, agentes fiscais, a cobrança dos impostos.

O pluralismo religioso, como se constata, era então aceite pelas populações, convivendo lado a lado, respeitando-se nos seus diversos credos.

Deste modo foi possível, chegados ao início do Renascimento, no séc. XV, com as nossas fronteiras já bem definidas e consolidadas, arrancar para as conquistas no norte de África, começando por Ceuta em 1415, para levar a fé cristã aos infiéis e enriquecer o Reino. Uma aventura que mobilizou uma vasta parte da população, sobretudo a burguesia, a corte real e o clero regular, onde os franciscanos se destacaram. Gesta que foi cantada em verso por Camões nos Lusíadas. Deste modo, foi possível “dar novos mundos ao mundo” e conhecer outras terras, outros povos e culturas.

O pluralismo religioso, na sua diversidade, foi assim fator importante para se poder levar por diante o grande projeto nacional, conhecido pelo “Período dos Descobrimentos Marítimos”.

Os saberes e os volumosos capitais dos judeus, bem como os conhecimentos matemáticos e náuticos dos mouros, com o determinante apoio real, certamente, muito contribuíram para que pudéssemos, numa gesta heroica, escrever páginas memoráveis na nossa história pátria.

florentinobeirao@hotmail.com

Aniversário

18.03.21 | asal

Desta vez, é o  António Silva Duque a celebrar a vida!17361003_1486722328039401_435245959_n.png

Caro amigo, com os nosso PARABÉNS, aqui deixamos os desejos sinceros de que continues a desfrutar de saúde, felicidade e muitos amigos, celebrando cada ano com muito gosto pessoal e na companhia dos familiares. 

E nós gostamos de te ver por aí, nos nossos encontros, comunicando felicidade. Só não sei quando nos vamos encontrar em Alcains, depois de sairmos da jaula do Covid, onde nos espera o tão falado livro sobre a história do Seminário. Mas lá havemos de estar quanto mais depressa melhor!

Contacto: tel. 966 537 128

As nossas leituras

16.03.21 | asal

Caro António Henriques

Espero que te encontres bem de saúde assim como todos os teus.
Creio não estar enganado com o desafio que fizeste a todos para publicar sobre o que lemos.
Contudo, não me apercebi que alguém tenha respondido ao desafio.
Envio-te um texto de um livro sobre o qual, mais tarde, farei algumas considerações. Recebi-o hoje e comecei a lê-lo.
Isto é apenas um aperitivo.
Se te parecer oportuno e entenderes que é útil, publica-o. Caso contrário, amigos como dantes e eu continuo por Abrantes.
Tudo de bom para ti e todos os seus.
Um abraço.
Mário Pissarra

 

tempo.jpg

Há tempos, alguém lançou este desafio na Animus Semper: dar conta de livros que lemos. Vou dar o pontapé de saída com um livro que comecei hoje a ler, O tempo das Igrejas Vazias. Mas antes e para começar sirvo-vos um aperitivo: uma ficha de leitura que elaborei. Este é um velho hábito que me impus a mim mesmo quando numa determinada altura precisei de recorrer ao que tinha lido, mas nada estava disponível. Impus-me, então, fazer todos os dias uma ficha de leitura. Os computadores substituíram as fichas de papel. Os anos passaram e hoje são milhares. Condenadas a nunca serem usadas ou sequer lidas. Quando me vem a tentação de abandonar esta exigência, argumento comigo mesmo: sempre é uma forma de reler atentamente enquanto a escreves.

Arte e religião

                 “O mundo da arte e o mundo da religião são intimamente unidos. A história da arte não se pode pensar sem a história da religião e vice-versa.

                Esses dois mundos estão historicamente interligados: praticamente todos os tipos de arte – dança, música e canto, bem como expressões visuais, nomeadamente a construção de edifícios sacros – foram provavelmente criados, no amanhecer da história humana, como parte de um culto religioso. (Deve-se aqui recordar que praticamente até ao Iluminismo a «religião» não era simplesmente um segmento da vida da sociedade ao lado dos outros, mas era sobretudo o «ar que todos respiravam».) Inclusive, um dos primeiros filmes foi um registo da encenação da Paixão de Cristo.

                O que seria a liturgia sem a música, sem o canto, sem a arquitetura de templos – e quão empobrecida seria a história da arte sem tudo o que acompanhava a liturgia e a nossa cultura, sem tudo o que foi inspirado pela Bíblia e por outros textos e histórias sagradas!

                A arte e a religião, porém, estão unidas não apenas historicamente, como duas raízes entrelaçadas da cultura humana, mas também pela sua natureza. A pedra essencial de construção da religião e da arte são os símbolos: a arte e a religião tentam por meio da linguagem dos símbolos expressar o inexprimível e reproduzir o irreproduzível. O símbolo tem um carácter paradoxal: revela e, ao mesmo tempo, oculta o mistério a que se refere e para o qual aponta.

                Uma arte que não aponte para o mistério, mas que permanece preguiçosa e sem qualidade numa superfície atraente é um mero kitsch. Uma religião que apresenta os símbolos primordiais como sendo realidade, que não é capaz de olhar para os símbolos como  um caminho de aprofundamento, é o oposto exato de uma religião autêntica, é fundamentalismo. O fundamentalismo, que é uma abordagem primitivamente literal da linguagem da religião, é um kitsch religioso. Aquilo que o kitsch é para a arte, é o fundamentalismo para a religião.

                É notável que o fundamentalismo e o ateísmo vulgar partilham uma conceção quase idêntica de religião, nomeadamente umas ideias primitivas sobre Deus e a fé. Se um fundamentalista religioso e um fervoroso ateu falarem de forma como imaginam que seja Deus, provavelmente ouviremos uma caricatura da fé, muito semelhante em ambos. A única diferença é que os primeiros defendem esta conceção, enquanto os outros a refutam; no entanto, a porta à profundidade do mistério da fé permanece fechada para ambos.

(…)

 Mário.jpg               Na quarta -feira de Cinzas, dissemos que a religião e a arte têm uma função em comum: tornam visível o invisível, expressam o indizível. E nesta tarefa, aparentemente paradoxal, são úteis sobretudo os símbolos. O símbolo constrói uma ponte entre o invisível e o visível e vice-versa, entre o indizível e o dizível e vice-versa, entre a realidade sensorial e o mistério supra empírico. Simultaneamente, o símbolo desvenda e cobre aquilo para que aponta.”

Tomás Halík (2021). O Tempo das Igrejas Vazias. Edições Paulinas: 25-27; 34.

Mais uma foto

16.03.21 | asal

Olhem esta preciosidade enviada pelo João Mendes Gregório.

Cerimonial da tomada da batina no 6.º ano, em 1963.

1963 ano 6 cerim tomada batina.jpgAntónio Martins Ribeiro

Parece-me que presenciei.

João Mendes Gregório

António Martins Ribeiro,  se não me enganei andavas no ano anterior ?
 
Em 1963 já eu lutava por outra vida em Lisboa...
Fins de 65 também eu lá comecei.
Andava eu pelo 5.º ano...
Lembro-me bem deste cerimonial e da conversa que no ano seguinte tive com D. Agostinho de Moura, em Alcains, sobre o celibato e o casamento, questões velhas de hoje e de sempre.
Joaquim Mendeiros Pedro, certamente ,colhestes tília para o cônego Falcão?
Sim, sim, com um saco de plástico, e até durante o horário do estudo. "Bem, o amigo vir comigo", dizia ele com aquele ar bonacheirão, e lá ia eu, subindo à árvore a encher o saco. Fui sacristão da capelinha onde ele celebrava missa...
Em 1963 já eu trabalhava em Lisboa! Nesse ano entrei no Banco de Portugal, depois de ter gasto todo o dinheiro que ganhava no mês num curso de preparação para entrada, que durou três meses e com três dias de provas. Em mais de trezentos foram aprovados 150 e lá consegui um quarto lugar. Safa! Mas, depois, soube tão bem ......
Que lindo!!!
Naquele tempo, o hábito ainda fazia o "monge". No meu tempo o "monge" já não vestia hábito"☺️
Começou a dabandada.
Porquê? 😴
Nesta fotografia, identifico o Zé Maria, com o seu metro e oitenta e tal, à esquerda, junto ao Pe Chaves, grande jogador de voleibol, como seria de esperar. Deixo ao Gregório, o previlegio de identificar os restantes...
Ainda não tinha chegado a minha hora. Do nosso bom Bispo só me lembro de uma vez termos reparado que quando pregava, levantava uma das mãos com o mindinho e o indicador levantados e os dois do meio em baixo, sinal bastante bovino. Fartamo-nos de rir com a situação.
Sobre a foto acima: tomada da batina em 1962/63, em Alcains. Na foto, são oito os seminaristas, cujos nomes, dos chegados a Portalegre, em 1963/64 - serão os da foto - indico: António José Pires; António dos Santos Quaresma; Emanuel Lopes Farinha Martins (deve ser o primeiro da esquerda); João da Silva Inácio; Jorge Manuel Esteves Carias; José Manuel Poças Martins (3º à esquerda de Mons. Félix); José Maria Dias Vicente (o 1º à direita do Pe. Chaves); Manuel António da Cruz (o 1º à esquerda de Mons. Félix). Alguém identifica melhor?
Bonifácio, concordo com o António José Pires, o Zé Maria, o Manuel da Cruz, o João Inácio, o Zé Manuel Poças, o Emanuel e o Quaresma. O Jorge Carias deixa-me lgumas dúvidas. Não será o Gregório, que enviou a foto?
Joaquim Mendeiros Pedro
 Pela minha análise, não pode ser, porque o João Mendes Gregório não aparece entre os matriculados em 1963/64, no seminário de Portalegre (deve ter abandonado Alcains no final do ano lectivo de 1962/63); ao contrário do que respeita ao Jorge Carias, que está entre os matriculados no 2º ano de Filosofia naquele ano, como acontece com os demais que referi estarem na foto.
Então, o Jorge Carias seria o 2.º do lado direito, certo?
Não me parece...
O João Mendes Gregório poderá esclarecer as dúvidas, mesmo lá pelo Luxemburgo onde ele se encontra.

Amabilidade

14.03.21 | asal

Amigo António,

Numa tarde de domingo soalheira, convite ao desfrutar de um passeio ao ar livre, aqui estou eu a alinhavar umas linhas de escrita que agora te envio. Como te disse, vou tentar colaborar mais amiúde com esse nosso espaço. Talvez assim outros sintam o desafio e eu não me sinta tão incomodado com as minhas prolongadas ausências.

Desejo que te encontres bem, assim como todos os companheiros, os que se passeiam pelo espaço cibernético e os outros mais avessos a estas aventuras. Como não poderia esquecer, englobo nesse meu desejo todas as famílias desses nossos companheiros.

Aproveito para desafiar cada um dos companheiros, caso ainda não o tenha feito, a visitar o site "7 Margens" e, se possível, apoiá-lo de acordo com as suas possibilidades. Queremos que o projeto seja sustentável, mas não está fácil. Como eu digo aos meus amigos, se acham que é importante e que faz falta à sociedade portuguesa, então a responsabilidade é também de cada um e o seu futuro depende do compromisso de cada um.

Para ti, companheiro e amigo,

José Centeio1.jpg

Um forte abraço,

José Centeio

 

Amabilidade: entrada para o amor que no outro habita

Amabilidade nas palavras gera confiança, no pensar gera profundidade, no dar gera amor

Lao-Tsé (604-517 a.C.) 

Quem semeia cortesia, colhe amizade, e quem planta amabilidade, colhe amor

São Basílio (329-379)

O exercício da amabilidade não é um detalhe insignificante nem uma atitude superficial ou burguesa

(Papa Francisco, Fratelli Tutti, nº 224)

 

É comum hoje ouvir-se que já não existe educação, que os jovens atualmente não têm educação alguma. Mas será que esta perceção corresponde à realidade e atinge apenas os mais jovens? Parece-me ser verdade, evidência diariamente presenciada, que se perdeu o respeito pelo que é o património coletivo, pelos bens que são de todos nós. O respeito e, por conseguinte, a necessidade de preservar, de cuidar, já que tudo parece descartável nesta nossa sociedade de desejos apressados e à medida de cada eu. Até mesmo o outro parece habitar esse domínio do descartável, o mesmo será dizer que é olhado não como necessário, essencial, à construção do eu, mas como útil à satisfação dos meus desejos e necessidades. Não há tempo a perder, porque o tempo é dinheiro. Deixamos para trás o tempo da amabilidade, o tempo de ser amável no tecimento das nossas relações quotidianas com os outros, na ilusão de que o eu se basta a si próprio. Pelo caminho perdemos também essa disponibilidade de ir ao encontro, de nos colocarmos no lugar do outro, de arriscarmos a empatia.

É verdade que ainda nos sobra a simpatia, mas esta é muitas vezes utilizada a preceito como forma de concretização do desejo. Mais do que desejo de partilha ela tornou-se arte de conquista. Por estranho e contraditório que pareça, numa época em que a amabilidade anda arredada das relações quotidianas, ela ganha cada vez mais espaço no seio das empresas, sobretudo graças ao papel da psicologia positiva na definição estratégica daquelas, nomeadamente no que à área dos recursos humanos concerne. Talvez não seja assim tão contraditório, quando se pretende ter os melhores entre os melhores com vista ao cumprimento de objetivos. E a amabilidade, para estas entidades, não deixa de ser uma arte de gestão do bem-estar interno e de conquista do exterior. Mas deixemos o assunto para quem dele sabe.

O que é isso da amabilidade? Será ela assim tão importante no tecer das relações? Pode ela tornar melhor o mundo que habitámos tão provisoriamente?  É verdade que a amabilidade não se resume ao “bom dia”, ao “desculpe”, ao “obrigado”, ao “com licença” ou outro qualquer tratamento de circunstância, mas tornarmo-nos disponíveis, como refere o Papa Francisco, para tratarmos bem os outros, dar-lhes um pouco da nossa atenção mesmo se breve e passageira, é aproximarmo-nos da umbreira da porta do outro. Como podemos nós pretender que o outro nos abra a porta de sua “casa” se nada fizermos para que ele ouse abri-la, para que ele confie em nós?

Há uma expressão popular, que ouvi várias vezes da boca da minha avó materna, que me tem acompanhado ao longo da vida e que é bem mais do que uma frase de circunstância: “A salvação não se nega a ninguém”. Muitos de nós habituaram-se desde catraios a ouvir frases como: “Até a salvação deixou de me dar”, “Passou por mim e nem a salvação me deu”, “Nunca lhe neguei a salvação”, as quais eram sinónimo de desavenças entre membros da comunidade, da aldeia. A frase de que “a salvação não se nega a ninguém, sobretudo aos nossos inimigos, é mais do que mera cortesia ou simpatia, revela-nos uma sabedoria popular de que numa comunidade ninguém deve ficar para trás, todos devem ser incluídos, até mesmo – ou sobretudo – aqueles que à luz dos códigos comunitários tiveram comportamentos desviantes. A salvação (saudação) é a garantia de que os laços não são total e definitivamente quebrados. Digamos que são uma espécie de mínimos em tempo de desavenças. Sendo o Papa Francisco oriundo de um país da América Latina, tendo ele conhecido as periferias pobres da cidade de Buenos Aires (vilas miséria), estou certo de que ele tem perfeita consciência do alcance do que significa um simples “bom-dia”, mesmo se dado a um desconhecido” e o quanto “esse esforço vivido dia a dia é capaz de criar aquela convivência sadia que vence as incompreensões e evita os conflitos”.

A amabilidade é uma forma de ser (transformação) e, simultaneamente, uma forma de estar (ação). A forma como estamos exige-nos um esforço de aproximação ao outro, requer tempo, disponibilidade, atenção, cuidado, capacidade de nos identificarmos com o outro e de nos colocarmos no seu lugar. A forma como somos exige-nos o espaço do silêncio, o reconhecimento das nossas fragilidades e das nossas limitações, a capacidade de resistirmos às tentações a que quotidianamente somos sujeitos só porque pretendemos ser parte da sociedade que é a nossa. A forma de ser exige, sobretudo, a humildade da conversão. A amabilidade será porventura, mais do que uma qualidade, um caminho a percorrer que nos aproxima do outro e, em última instância, de Deus. Ao tentar percorrê-lo, mostramos que somos dignos do Seu amor, dignos de ser amados. E isso é amabilidade. Como escreve o Papa Francisco: A amabilidade é uma libertação da crueldade que às vezes penetra nas relações humanas, da ansiedade que não nos deixa pensar nos outros, da urgência distraída que ignora que os outros também têm o direito de ser felizes (Fratelli Tutti, nº 224).

Se a vida “é a arte do encontro”, a amabilidade é o caminho que nos leva ao local do encontro. Seja através da palavra, de pequenos ou de grandes gestos, através das expressões faciais ou mesmo do silêncio, são manifestações do cuidado, da estima e do respeito que o outro nos merece. Arriscar-me-ia a dizer que a amabilidade é a síntese do que de melhor nos habita, ou seja, a nossa capacidade de amar, porque devedores de um amor maior. Saibamos nós ser dignos desse amor maior a fim de que outros nos achem também dignos do seu amor.

Dignos de serem amados, tentem ser felizes em seara de gente.

José Centeio

2021/03/14

Aniversário

14.03.21 | asal

Pedro Ribeiro.jpg

Nasceu em 1972 na Madeirã, este nosso colega, o Pedro Ribeiro, que vive em Castelo Branco e está ligado ao ramo automóvel. 

Aqui deixamos os PARABÉNS deste grupo de amigos ao colega que experimentou como nós a vida de internato no seminário. E é bom lermos e ouvirmos o nosso nome da boca de quem nos quer bem... Que sejas muito feliz e que vivas por muitos anos com saúde e alegria!

Contacto: tel. 965 569 165

Atenção, lembro a todos a campanha de angariação de fundos para a impressão do livro sobre o Seminário de Alcains. Na mensagem dos "mais de 2000€" há informações.

A raia de Alcoutim

13.03.21 | asal

55876474e6d6421ab955c482d58746ac.jpg

 

Quando eu era criança, aparecia muito raramente na aldeia alguém a quem chamavam contrabandista. Lembro-me da bombazine e das gorras, aqueles barretes sem pala, ajustados à cabeça das crianças, com que nos protegíamos do sol e do frio e que só eles vendiam. Mal sabia eu que um dia alguém me colocaria nas mãos um livro a versar sobre essa economia clandestina que alimentava bocas de gente pobre, a viver de uma agricultura rudimentar, que precisava de outros apoios e audácia para melhorar as suas condições de vida.

Estou a falar do livro do meu colega e amigo, José Dias Rodrigues, a quem devo algumas das primeiras lições de Informática, que me iniciaram neste novo alfabeto a que muitos da minha idade resistem, ficando agarrados à imprensa de Gutenberg.

Publicou ele “A raia de Alcoutim” em setembro passado, numa homenagem à população da sua terra natal. E, como lhe prometi, aqui deixo a minha apreciação ao seu trabalho.

1 – Uma história

O autor, que logo no início afirma que não tem «qualquer pretensão de natureza literária», e quer apenas «contar uma história», não é assim tão destituído de conhecimentos, pois a sequência das páginas revela uma real ordenação de acontecimentos, uma descrição mínima de personagens e uma exaustiva abordagem dos ambientes e fainas agrícolas que leva o leitor a agarrar-se a esta história. Curiosamente, é ele que diz que «os relatos não são totalmente verdadeiros, mas também não são completamente falsos». Sim, é esta verossimilhança dos factos que nos prende e leva a imaginar que de acontecimentos reais se trata.

A nível literário, pensando nas técnicas da narração, quero ainda realçar estes pormenores: - logo no início, surge um facto inesperado – o ribombar de tiros, que nos prende pelo sofrimento das personagens e nos faz perguntar como é que eles agora vão resolver o problema; - depois, é a intriga que acompanha todas as páginas até ao fim do livro – quem te roubou o café? – foi o amante da Rosa? – quem será o amante da Rosa? - e mesmo nas últimas páginas ainda o problema não tem resolução definitiva, ficam dúvidas…

Finalmente, a nível literário, de vez em quando surgem imagens de fino recorte, como ver os homens a «deslizar como cobras ao longo do trilho irregular» (pág. 13) ou «ao ver a farda à sua frente, a adrenalina irrigou-lhe o corpo todo, como se uma injecção lhe tivesse sido aplicada…» (pág.25) ou ainda outra expressão: «José Cachopa ficou capaz de vida não ter! A sua cabeça cedeu como se uma onda gigante lhe tivesse rebentado dentro… (pág.170).

2 – O conteúdo

O autor, com a sua história, fixa-se especialmente naqueles 14 km da “raia de Alcoutim”, aquela linha imaginária ao longo do rio Guadiana, alongada para muito território espanhol,  por onde circula a vida de muita gente a viver do campo e com os mais corajosos a aproveitar-se da proximidade do território espanhol para reduzir a sua penúria através do contrabando, uma atividade perigosa por ser ilegal, não ter regras e deixar o indivíduo à mercê de um tiro, de uma prisão prolongada, dos imprevistos do negócio ou mesmo de uma traição.

O contrabando não enriquecia ninguém, mas ajudou alguns a viver melhor, situando-se entre os anos 30 e a década de 60 do século passado. Nos anos 60, outros fenómenos mais gerais alteraram a vida de muitos portugueses. O autor refere-se à emigração para fora (França/Alemanha) e mesmo para dentro de Portugal - os grandes centros urbanos e industriais - e ainda a guerra do Ultramar. Daí o subtítulo do seu livro: “Contrabando, emigração e outras narrativas”.

Esta realidade sociológica vai aparecendo ao longo das páginas através das duas personagens principais, o José Cachopa e o Manuel Roberto, um a viver do lado de cá e o segundo, depois do contrabando, a fixar-se no território espanhol, como agricultor a tomar conta de uma “finca”, já que a guerra de Espanha (1936-39) despovoara os campos na sua sanha militar de destruição, por morte de muitos e por fuga de outros que se sentiam perseguidos.

Ao longo das páginas, vamos assistindo às peripécias da vida destes dois amigos, que até se ajudam nas caminhadas com cinco ou seis homens que o José Cachopa leva consigo, carregando cada um 30 kg de café e deslocando-se para a Espanha numa distância de 30 km, onde o amigo o apoia e facilita os contactos. Mais tarde, os dois embarcam na aventura da emigração, vendo-os a trabalhar em fábricas na Alemanha por uns anos e regressando mais tarde para o seu Alcoutim, com um pecúlio que os ajuda a viver melhor os seus dias.

O autor contextualiza o desenrolar desta história local com a referência às circunstâncias políticas de Portugal, Espanha e Europa que também se vão alterando e provocando mudanças na vida das pessoas. A guerra civil de Espanha, a guerra no Ultramar português, o Maio de 68, tudo influenciou as mentalidades e os projetos pessoais. Achei curiosa a referência à tendência de os alcoutinenses irem para a Marinha ou a Guarda Fiscal, como maneira de fugirem à mobilização para a guerra nas colónias.

3 – Considerações especiais

- Regionalismos: relevo em primeiro lugar o uso de uma linguagem regionalista, só acessível a quem a usou por muitos anos, o que enriquece a verdade da história. É o vocabulário técnico do dia a dia, em itálico ou em nota de rodapé, que muita graça confere ao texto.

- Riqueza toponímica: o autor esforça-se por dar nome a cada palmo de terra, quer em Portugal quer em Espanha, como quem conhece bem o terreno. Enumera os treze postos da Guarda Fiscal na região com 92 homens, cada um com guarnições diferentes, dá nome próprio às empresas da região e até à Famel, a motorizada que o tocador do fole (concertina) usava para animar os bailes. Percorre as muitas “fincas” de Espanha por onde se espalharam portugueses com nome próprio. Já não é assim tão pormenorizado quando envia os seus personagens para a Alemanha, de onde ficamos com poucas referências.

- Realismo nas descrições: tenho que dizer que me impressionou o pormenor com que o autor descreve a habitação do casal que vai viver numa “finca” em Espanha, Tariquejo, ou como ele conhece bem estes negócios escuros, sem leis, as manhas dos recetadores, dando-se ao trabalho de fazer todas as contas no deve/haver do café, dos quilos de amêndoa, bombazine e alpercatas que trazem de volta e no pagamento aos voluntários que auxiliaram o contrabandista. É até hilariante a descrição dos passos para preencher os impressos dos candidatos à emigração legal para a Alemanha. Como também é com bonomia que o trabalho na fábrica da Alemanha é tratado como «uma brincadeira de gaiatos»!

Eu2.jpg

E já me alonguei em considerações. Deixo os parabéns ao autor e o estímulo para continuar a valorizar a sua terra, os Balurcos, a que me ligam amizades inesquecíveis. Vou recrear-me um dia destes com a leitura de outro livro do José Dias Rodrigues - Ecos do passado em Balurcos”(2019), outra produção escrita a valorizar a memória da sua terra e do seu concelho.

António Henriques

Palavra do Sr. Bispo

13.03.21 | asal
COISAS DO ARCO DA VELHA!...

D. Antonino1.jpg

 Ainda que não seja mago nem vidente, hoje vou falar de magia. Se mirabolantes, os fenómenos que apresento são evidentíssimos. Mesmo sem querer, constatam-se por aí, de quando em vez, coisas que não sei se serão do arco se da arca da velha, o leitor poderá escolher! Se não desafiam as ninfas do tejo, atestam a necessidade de purificação e de saber em quem é que, afinal, acreditamos! Terço pendurado no espelho, junto ao volante da viatura, e a ferradura atrás no taipal ou à frente, até em automóveis. Cordão pendurado ao pescoço com o Crucifixo, mas este misturado com chifres, figas e outras velharias mais, quais amados bezerros de ouro! Muitas imagens de santos, dentro de casa, e, à porta ou portão, uma ferradura ou afins. Crianças acabadas de batizar, e logo alguém a colocar-lhe uma pulseirinha no pulso com toda essa tralha, pois não vá o diabo tecê-las!... E muito mais se poderá acrescentar. Querendo estar bem com os dois, acende-se uma vela a Deus e outra ao diabo, como soe dizer-se, e eles que façam o favor de lá se entender... Fraco testemunho cristão, mesmo que alguém diga que ninguém tem nada a ver com isso! É certo que não, nem é isso que está em causa. No entanto, para além do dever de dar bom testemunho, nenhum cristão se merece sujeitar à mofa silenciosa e escarninha do bom senso!
Vou falar de magia. É evidente que não me refiro àquela magia que é a arte dos ilusionistas e prestidigitadores. Com a sua imaginação, cultura, conhecimentos e habilidade, através de jogos de mãos, truques e meios naturais, criam a ilusão de estarem a desafiar as leis da física e exercem saudável fascínio no público que se diverte com isso. Esta magia não utiliza elementos ilícitos, não tem objetivos desonestos, é inofensiva, é legítima, é arte.
Refiro-me àquela magia que, se não é fácil de definir, implica uma visão do mundo que faz crer na existência de forças ocultas que vagueiam pelo mundo e exercem a sua influência sobre a vida do cosmos e do homem. Quem as promove e exerce, mesmo que nelas não acredite, pretende convencer os outros que pode controlar essas forças e obter resultados automáticos. Porque precisam de levar a vida, convém-lhes que assim seja e difundem tal serviço, mas a culpa não é deles, são livres e respeitáveis, a culpa é de quem lá vai, embora também sejam livres. Como escreveram os Bispos da Toscânia, na sua Nota Pastoral sobre “Magia e Demónios”, publicada pela Paulinas Editora e que me provocou e apoiou neste texto, “os mágicos, que atribuem a si próprios o poder de resolver problemas de amor, de saúde e de riqueza, ou ainda os que pretendem libertar do “mau-olhado”, de “feitiços”, são indivíduos que fazem a sua própria publicidade através de anúncios pagos nos jornais diários de grande circulação, exibem diplomas ou outros comprovativos universitários e chegam mesmo a aparecer nos meios audiovisuais, sobretudo na televisão. Não é exagero falar de uma “indústria da magia”.
Se há a magia branca negativa, a imitativa, a contagiosa e a encantadora, saliento a “magia negra”, aquela que recorre a poderes diabólicos ou pretende atuar sob a sua influência, transformando os seus seguidores em “servidores de Satanás”. Tem o seu auge nas “missas negras”. No campo da adivinhação, para além da que pretende predizer ou ler o destino das pessoas através dos astros e das estrelas (astrologia), ou mediante as cartas (cartomancia/tarologia), ou das linhas das mãos (quiromancia) ou doutras trapalhices, temos aquela que recorre a médiuns para invocar o espírito dos mortos e revelar o futuro (necromancia ou espiritismo). Mas há outros grupos esotéricos e ocultistas, antigos ou recentes, da teosofia à antroposofia e à New Age, a pretender penetrar no conhecimento de verdades ocultas e adquirir poderes espirituais especiais.
Sobre a sua credibilidade “a razão científica contemporânea, ou simplesmente a razão essencial, considera a magia como uma forma de irracionalidade, seja com respeito a conceções pré-lógicas que se atribui, seja em relação aos meios que ativa ou aos objetivos que procura”. Para os cristãos, continua a ser atual o que a Igreja sempre ensinou: “Ninguém no teu seio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, porque o Senhor abomina todos os que fazem tais coisas” (Dt 18,9-12), “não vos contamineis com isso. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 19,31). Há contradição entre o anúncio da fé e a magia. O pensamento e comportamento mágico manipulam espiritualmente a realidade, alienam, criam obstáculos, afastam do Reino de Deus (cf. At13, 6-12; Gal 5,20; Ap 9,21; 18,23; 21, 8; 22,15). Hipólito excluía do Batismo os magos, astrólogos e adivinhos. Tertuliano, outro autor do século III, escreve: “De astrólogos, bruxos, charlatães de toda a espécie, não deveria sequer falar-se. No entanto, recentemente um astrólogo, que se dizia cristão, cometeu a imprudência de fazer a apologia do seu ofício! Portanto, é necessário recordar, ainda que sucintamente, a esse homem e aos colegas de ofício, que ofendem a Deus colocando os astros sob a proteção dos ídolos e fazendo depender deles a sorte dos humanos”.
Nestes nossos tempos, porém, apesar de tanta escolaridade e evangelização, com tanto saber e cultura, a escravatura a essas práticas é preocupante. Em vão se busca aí sentido e respostas para as inseguranças e fragilidades da vida. “É uma compensação do vazio existencial que carateriza a precariedade da nossa época”. Multidões de pessoas metem-se por esses atalhos, procuram esses poderes pretensamente ocultos e sobre-humanos, pensando que por aí se libertam de perturbações existenciais, da dor, do mal e do medo da morte, de situações de angústia e de temor, de questões reais e traumáticas da vida. Ou então, procuram factos extraordinários e milagrosos, inclusive no campo dos relacionamentos amorosos, no campo económico, etc.
É evidente que não se pode cair num preconceito racionalista e negar, perante fenómenos extraordinários e extremos, a possibilidade da ação do Demónio, ela pode existir. Mas também seria pouco saudável que, por falsos misticismos ou por falta de maturidade na fé, ver, sempre e em qualquer caso, a ação do Maligno e recorrer à magia que nada resolve e a todos explora e escraviza, não liberta. Como referem os Bispos da Toscânia, os atos de ocultismo “só encontram terreno fértil onde existe ausência, vazio de evangelização”. Há que proclamar novamente, “com um vigor renovado, como nos alvores da Igreja, que só Jesus, o Ressuscitado que vive eternamente, é o Salvador. “E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer outro nome dado aos homens que nos possa salvar” (At 4,12).
O atual Catecismo da Igreja Católica refere assim: “Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos "médiuns", tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demónios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia (CIgC, 2116-2117).
“Se escolhe Cristo, não podes ir ao bruxo. A magia não é cristã”, diz o Papa Francisco.
A Quaresma implica purificação e conversão verdadeira!
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 12-03-2021.

Em busca do passado

12.03.21 | asal
Hoje ninguém faz anos. Vamos, então, olhar para esta foto, situá-la no tempo e no espaço e contar alguma peripécia relacionada com o desporto de então.

Jogo voley Alcains 1962.jpg

Aproveito para dizer que faltam sete dias para o dia 19, o Dia do Pai e o Dia de S. José, que deu nome ao Seminário de Alcains, sobre o qual estamos empenhados a publicar um livro.
Ainda falta algum dinheiro. Espero que mais colegas queiram ficar ligados a esta publicação contribuindo com um donativo. Por favor, leiam no blogue o post "Já são mais de 2000 €", onde podem colher informação para a transferência dos vossos óbolos.
No dia de S. José não teremos já o dinheiro suficiente??????? AH
 
Uma vez que as fotos podem ser muito abrangentes no tempo, gostava que as mesmas fossem acompanhadas da data ou simplesmente do ano em que foram tiradas.
Grato pela atenção, o meu agradecimento.
Um abraço
 
Augusto Pissarreira, isso é o que eu estou a fazer! É que eu não sei!!! AH
 
Devia ser no tempo frio porque o Carreiro ( de C.branco) andava de sobretudo.
 
Nunca me entusiasmou esta modalidade. Pendia mais para o futebol. Mas em vólei, neste campo, tenho viva a exibição da nossa seleção frente à do Liceu Nun'Álvares de Castelo Branco, em que se destacaram os remates à rede do António Cardoso da Maljoga. Não me recordo do resultado final.
Fernando Cardoso Leitão Miranda, tenho uma foto desse jogo, o jogo decorreu em 1962 fiz parte da equipe foi organizado pelo professor que nos dava aulas de educação física como era professor no Liceu fo,i ele , o mentor que conseguiu organização desse jogo ; o Liceu ganhou o jogo mas foi muito disputado acho que foi 2-3;
Ainda joguei só que a minha altura não ajudava nada estava mais virado para a barra bandeira aonde era o terror ( o " Maior " ) e para o futebol aqui sim era um craque.
 
João Mendes Gregório,  Amigo Gregório! Eu sou mais velhinho! Estive em Alcains de 48 a 50. O jogo referido pode ser comprovado pelo nosso melhor marcador, o Pe. Cardoso que nos tem honrado com sua presença nos nossos últimos encontros.Abç
 
Fernando Cardoso Leitão Miranda,  então houve um outro jogo o tal que referi também contra um seleção do Liceu tenho fotos só que não posso agora publicar porque me encontro no Luxemburgo neste momento.
 
Segundo me parece, o pessoal da foto é, maioritariamente, do ano anterior ao meu, de 61/62, em Alcains. O rapaz da bola será o Joaquim Carita (já falecido) de Nisa, que estende o braço para o Boaventura. De costas, de camisola clara, será o José Gonçalves Pedro com o António Sousa à sua esquerda. Não consigo identificar mais ninguém.
Quanto ao jogo de que fala o Fernando Leitão, parece-me evidente que haverá uma grande distância, no tempo, em relação àquele que refere o Gregório. Basta ver que o Pe Cardoso, da Maljoga, condiscípulo do Fernando, foi professor do Gregório, no Gavião. A propósito da barra bandeira, confirmo que o Gregório era especialista neste jogo, sobretudo porque corria como ninguém, em velocidade, com as pernas ligeiramente arqueadas " À Garrincha". Ele e o Zé Andrade eram velocistas de exceção.
 
Joaquim Mendeiros Pedro,  o jogo de futebol também existiu/ teve lugar também contra uma selecção do Liceu de Castelo Branco foi o mentor desse jogo o tal professor de educação física que também te deu aulas era um professor de baixa estatura que foi contratado pela Diocese não te lembras desse jogo ? Tenho fotos desse jogo tiradas pelo Manuel Pires, oportunamente , irei publicitar as fotos. Aqui joguei, entrei na segunda parte.
 
Reconheço o José Dias Pedro de costas e camisola branca, bem como os outros que o Mendeiros mencionou e concordo, e ainda o último à direita João Manuel Mendes Ribeiro, falecido na Guiné, também meu colega em Mafra.
 
E A CONVERSA TALVEZ CONTINUE... PARA VIVER DAS NOSSAS MEMÓRIAS... ah

Aniversário

10.03.21 | asal

Horácio L Matins.png

Parabéns ao Horácio Leal Martins, de Alcains, que faz hoje 70 anos.

Desejamos-te muita saúde e felicidade, em companhia de familiares e amigos. E que faças muitos, pois na nossa idade são cada vez mais um dom bem precioso.

E não te esqueças de aparecer no meio de nós em Alcains quando a pandemia o permitir... Lá teremos o livro a celebrar os 90 anos do Seminário de S. José.

Contacto: tel. 964 513 154

Já são mais de 2000 €

09.03.21 | asal

Bons amigos, temos mesmo de nos orgulharmos com o grupo que temos. O Seminário de Alcains está mesmo nos nossos corações e muitos estão dispostos a colaborar para que o livro sobre a história do Seminário de S. José, que inclui ainda os testemunhos de muitos colegas, seja mesmo uma realidade.

Já ultrapassámos os 2.000 €. Estamos a caminho da meta. Se as minhas contas batem certo, já temos mais de dois terços do necessário, embora o Florentino ainda não saiba o preço certo. Vamos lá ver se até ao dia 19 de Março, dia de S.José, nos chegam óbulos suficientes para garantir a edição.

Neste momento, é esta a lista dos contribuintes que o Martins da Silva enviou:

Abílio Cruz Martins

Abílio Delgado

Alca.jpg

Agostinho Pissarreira

Adelino Américo Lourenço

Alexandre L. Nunes

Alvarino Carmo Barata

Aníbal Henriques      

António Barata Afonso

António Batista Martins

António Cruz Patrocínio

António Dias Henriques      

António Gil M. Dias

António José Pires

António Leonor Marques Assunção

António Lopes Luís 

António M.R. Carvalho      

Antonio Manuel L. Alves Martins 

António Martins da Silva

Alc.jpg

António Pequito Cravo

António Pereira Ribeiro

António Rodrigues Lopes

António Santos Lopes Xavier 

Assis Ribeiro Cardoso

Carlos Filipe Marques

Ernesto Jana

Eurico Pires Grilo   

Eusébio Firmino da Silva

Fernanda Maria Barata

Fernando Cardoso Leitão Miranda   

Fernando Farinha 

Jogo voley Alcains 1962.jpg

Francisco Alves Lopes Ruivo

Francisco António Correia

Francisco Luís Moura Simão

Jaime Nunes Gaspar Júnior

João Oliveira Lopes 

João Luís Portela

Joaquim Mendeiros Pedro

Jorge Lopes Nogueira

José António Cardoso Pedro

José de Jesus André

José Eduardo Alves Jana

José Farinha Alves

Seminário de Alcains4.jpg

José Henrique Silva

José Manuel Barata Centeio

José Maria Lopes

José Maria Martins

José Pereira Caldeira

José Ribeiro Andrade           

José Ventura Domingos

Manuel Carmona Pires Lourenço

Manuel Carreiro Pires Antunes

Manuel Domingues

Manuel Lopes Cardoso

Manuel Lopes Mendonça  

O TOTAL DAS TRANSFERÊNCIAS FEITAS SOMA AGORA 2.125 €...

NOTAS:  

1 - O IBAN para as transferências das ofertas é - PT50 0018 0000 0343 5755 0019 8

2 - Os emails para onde devem dirigir a vossa colaboração são:

 - para comunicar o nome do depositante - António Silva  - antonio.m.silva1947@gmail.com

 - para receberem por correio o livro logo após a impressão: florentinobeirao@hotmail.com