Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Aniversário

13.02.21 | asal

PARABÉNS, ANTÓNIO!

António M. Ribeiro.jpeg

Vindo dos idos de 1947, aqui está o nosso amigo António Martins Ribeiro, a viver em Roda, Cardigos, reformado das Alfândegas. Acima de tudo, hoje é agricultor por gosto pessoal e orgulha-se das suas produções. 

Aqui estamos a dar-lhe os nossos PARABÉNS em nome deste grupo grande, tocado pela vivência dos seminários, e que ele frequenta animadamente. Que Deus te abençoe e te cumule de muita saúde e felicidade, na companhia de familiares e amigos.

Contacto: tel. 969 166 762

TEXTO E CONTEXTO

12.02.21 | asal

Este texto até vem com prefácio. Sempre vale a pena reclamar mais colaboração!... AH

Olá,meu caro António!

Boa noite!
Antes de mais, quero também eu mostrar-me grato pelo trabalho profícuo que vens mantendo ao leme desta nossa nau dos saudavelmente nostálgicos. Parafraseando outros, Deus te dê longa vida com essa capacidade de doação.
Eu que sou dos preguiçosos, tímidos e um tanto covarde, não quero, contudo, deixar cair o repto que lançaram para colaboração escrita e aí te envio um pouco de mim para todos nós, se achares que merece publicação. Quanto aos ecos, bastam-me os teus para me demover dessa inércia.
Um abraço fraterno!
Gil
 

 

Os seminaristas das Sociedades Missionárias, coitados deles, só vinham a casa um mês por ano, e mesmo esse mês sendo preenchido com o ofício diário da Santa Missa e outras atividades de cariz evangélico orientadas pelos párocos mais zelosos, como acontecia em Proença com o Sr. Vigário, padre Alfredo Dias. Nós, os felizardos diocesanos, vínhamos sempre a casa pelas férias escolares, e mesmo os das aldeias recônditas, como eu, na Isna de S. Carlos, escapávamos a essas práticas a que os da vila, por arrasto, não podiam eximir-se.

Ora, era certo e sabido que, antes de partirmos para férias, lá vinham as recomendações comportamentais, de entre as quais sobressaía o alerta para evitarmos intimidades com as primas. Contudo, apesar de não me ser estranho o dito “quanto mais prima, mais se lhe arrima!”, não compreendia que validade tinha esse alerta numa povoação pequena como a minha, em que ainda a escolarização compatível com a nossa própria não tinha chegado às mocinhas e mesmo o contacto com as primas, normalmente envolvidas nas pequenas desavenças familiares, não tão pouco frequentes nessa altura, nos estava naturalmente vedado. Claro que não nos faltaram ocasiões tentadoras, aqui e ali, graças a Deus, em que por norma nos confessávamos vítimas inocentes. Aqui, cada um saberá de si!

É este o contexto para um singelo e despretensioso arrumar de versos com que um dia, naquele convívio no Pergulho, que com o Manuel Cardoso à cabeça e o meu envolvimento orquestrámos e o Colaço, com toda aquela mestria, conduziu, eu quis homenagear as nossas esposas. Durante o repasto eu distribuí uma cópia a cada uma das esposas presentes, mas como acontece com os papéis que vamos colecionando e a que por norma quase nunca voltamos, volto eu, agora, até para anuir ao desabafo da falta de colaboração com o blogue e para dar conhecimento àqueles cujas esposas se fecharam em copas e não lhes deram a saber, e aos outros que não estiveram presentes, poucos, felizmente, naqueles tempos de embalo nostálgico inicial.

 Claro que não me arvoro em poeta lírico, desses que conseguem aninhar todo um universo de sentimentos na singeleza de uma palavra, mas mero artesão de versos, uma fórmula narrativa pessoal de expressar comoções. E que fique claro, após todo este contexto, que ex-seminaristas, ex-padres e ex-quase padres ilibamos as nossas esposas de qualquer resquício de culpa que possam ter sentido por nos desviarem do caminho do sacerdócio.

 

MATER AMORABILIS

Não te recrimines, Circe da minha paixão,

Não me subjugaram os beijos que me deste:

Quis-te minha com a razão,

Pergulho.jpeg

Não foste tu que me perdeste.

Eu não era ingénuo, só inexperiente

E vivemos nosso amor como um limiar,

Sorvemos a vida, de modo impaciente,

Destilámos amor, sem nunca fartar:

Resolvemos tudo, de uma assentada,

Como potros no pasto, à desfilada…

Rimos com os olhos, latejando o coração,                                     Encontro em Pergulho - 2009

E “ficámos”, como hoje soe dizer-se: 

Contudo, foi na transparente razão

Que Amor veio sempre abastecer-se.

Foste tu a armadilha do meu destino

Mas não culpa tua meu desatino.

Queremos hoje celebrar-te,

gil dias.png

Mater nostra amorosa,

E ante todos reconhecer-te,

Apis melifica, doce e olorosa,

Fonte da vida que o amor instiga,

Mulher, amada, amante e amiga.

                                                                                 Gil

Conselho Diocesano de Pastoral

12.02.21 | asal
Como pode interessar a alguns, publica-se. Se não quiseres, não leias! AH
 

Reunião do conselho diocesano de pastoral

Sé_Catedral_de_Portalegre.jpg

Reuniu, no passado sábado, em videoconferência, o Conselho Diocesano de Pastoral da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, sob a presidência do Bispo da diocese, D. Antonino Dias, coadjuvado pelo responsável do Secretariado da Pastoral Diocesana, padre Nuno Folgado, pároco da Sé de Castelo Branco.

Temas tratados: 

1 - As próximas Jornadas Mundiais da Juventude que vão ser realizadas no ano de 2013, com a presença do nosso querido Papa Francisco, na cidade de Lisboa. A Irmã Fernanda Luz, responsável pelo Secretariado diocesano da Juventude, deu a conhecer as suas linhas gerais. E surgiram diversas opiniões e propostas, no sentido de ajudar o bom funcionamento desta importante atividade eclesial. Uma delas é o problema do acolhimento que a diocese irá proporcionar aos jovens, oriundos dos quatro cantos da Igreja, com algumas famílias diocesanas que se ofereçam para os acolher. Os conselheiros sugeriram que se encontrassem alguns espaços que servissem de pontos de encontroara se fazer a pré-preparação nas paróquias e arciprestados.

2 - A complexa problemática da Família que hoje interpela toda a sociedade e a Igreja. Em tempo de pandemia, temos de aprender a potenciar todos os meios tecnológicos, com vista a envolver as famílias, ajudando-as nos seus múltiplos problemas, desde os financeiros aos afetivos e aos espirituais. Assim se fomentarão nas famílias comportamentos saudáveis, entre pais e filhos.

3 - A pandemia. Na opinião dos Conselheiros, a Igreja diocesana, nestes longos meses, tem reagido de um modo positivo, adaptando as suas estratégias a esta anormal e difícil situação. Tem havido boa utilização dos novos meios digitais de comunicação, bem como as celebrações “on-line” já muito utlizadas, nos diversos apoios aos fiéis, incluindo as famílias enlutadas.

4 - Na Pastoral Social, o responsável da Cáritas diocesana referiu o diverso apoio às pessoas e famílias mais carenciadas. Foi ainda manifestado o agrado pelo modo como a diocese e os movimentos paroquiais se têm envolvido, prestando o seu apoio aos mais necessitados, dando como exemplo o grande esforço que tem sido feito para responder às famílias mais atingidas pelos fogos florestais e pela atual pandemia. 

5 - Celebração do “Ano de S. José”, ao longo de 2021. Também foi abordado este tema, nele incluindo a indulgência plenária concedida pela Igreja aos fiéis, segundo as normas prescritas.

6 - Alguns conselheiros constataram ainda que deveria haver uma maior interação entre os diversos setores da pastoral diocesana, uma vez que, por vezes, não se tem praticado uma pastoral de conjunto, que poderia ser mais eficaz, exigindo-se para tal, o empenhamento das comunidades.

7 - Ainda se abordou o tema da Peregrinação Diocesana de maio a Fátima que deverá ter algumas limitações, devidas à pandemia.

8 - Por último, os conselheiros manifestaram a D. Antonino Dias a necessidade de a diocese melhorar o seu “site”. Para tal, foram sugeridas algumas pistas que irão ser tomadas em conta, para se tentar dar resposta a este complexo problema, que anteriormente já fora tentado.

Texto elaborado por Florentino e António Henriques

Falecimento

09.02.21 | asal

Da "paróquia de Portalegre" copio esta notícia triste. Mais um dos nossos se foi.

Cruz de cemitério.jpg

«Adormeceu no Senhor esta manhã, no Lar de Cebolais de Cima, Castelo Branco, o nosso Ill.mmo Cónego Martinho Cardoso Pereira.
Nascido em Proença-a-Velha (Conc. Idanha-a-Nova) em 30 de Maio de 1936 e aí baptizado na Igreja Matriz de Nª Sª da Silva a 25 de Julho do mesmo ano, o Senhor Cón. Martinho, depois de ter frequentado os nossos Seminários Diocesanos, foi ordenado Presbítero para o serviço da Diocese pelo Senhor D. Agostinho Lopes de Moura a 17 de Junho de 1960.
Entre 1960 e 1965 desempenhou as funções de “segundo secretário do Paço Episcopal”. Em Junho de 1965 é nomeado Coadjutor da Paróquia de Idanha-a-Nova e em Agosto de 1966 é nomeado Pároco de Ladoeiro. A partir de 1971 serve também a Paróquia de Rosmaninhal. Em 1976, deixando as anteriores Paróquias, é nomeado Pároco de S. Miguel d’Acha e de Aldeia de Sta. Margarida onde permanece até 1980 quando é nomeado Pároco de Oleiros e Vigário Cooperador de Amieira e Mosteiro cuja paroquialidade assumiria em 1986. Mantendo o serviço em Oleiros, em 1998 foi nomeado “Pároco in solidum” da Paróquia de Álvaro, em 1999 Pároco de Sobral onde serviria até 2006. Em 2007, mantendo Oleiros é nomeado Pároco de Isna até 2014, ano em que foi dispensado da paroquialidade de Oleiros, Mosteiro e Isna.
Em 2000 foi nomeado Cónego Honorário e em 2006 Cónego Capitular. Foi Arcipreste de Oleiros entre 1983 e 1986, membro do Conselho Presbiteral entre 1981 e 1991 e, depois, em 2001.
Se, vulgarmente, a morte costuma ser lida como algo contra a vida, no âmago da fé cristã olhamos para a morte como fazendo parte da própria vida, o seu avesso, parte integrante. Da nossa condição humana faz parte a fragilidade e a provisoriedade. Não somos mortais apenas porque num determinado dia, com mais ou menos anos, morramos. Somos mortais porque, desde o início e desde o nosso nascimento, é essa a nossa condição.
Ainda assim, e sabendo-nos mortais, o chamamento de Deus faz-nos dar sentido a cada dia da nossa vida. Marcados pelo baptismo aprendemos então que, de nós, o que não damos acaba por se perder. Sendo sempre momento de separação, a morte é, sobretudo e sempre, momento de verdade. A verdade do que somos que se coloca com esperança e amor de entrega diante da verdade de Deus. Por isso, com a morte, a vida não acaba mas apenas se transforma. Altera-se o modo de ser mas não desaparece o ser. E, na comunhão dos santos, cada baptizado faz a experiência de se sentir continuamente chamado para estar com Deus. Os que adormecem em Deus, em Deus para sempre viverão.

MP.jpg

Porque o baptismo nos une e congrega como Igreja, rezemos uns pelos outros. E, particularmente, nesta comunhão, rezemos agora mais intensamente pelo nosso Cónego Martinho Pereira que, como Sacerdote, conduziu tantos e tantos homens e mulheres ao encontro com o Senhor Jesus Cristo. Peçamos ao Pai do Céu o acolha no seu Reino de Luz e de Paz onde a contemplação da misericórdia divina o fará descansar em paz.
As Exéquias terão lugar amanhã, quarta feira, 10 de fevereiro, pelas 10h00, no Cemitério de Proença-a-Velha, sua Terra Natal.»

Mais colaboração

09.02.21 | asal

Flores.jpg

Ontem o Mário Pissarra reclamava mais colaboração dos colegas: «Nunca compreendi muito bem o silêncio da escrita de muitos dos nossos antigos colegas.»

E o João Lopes acrescentava no seu comentário: «Sou cem por cento a favor da tua opinião de que muitos queridos associados deviam perder o medo, a vergonha ou a soberba e partilhar o que sabem.»

É verdade que o exercício de escrever não é espontâneo. Exige uma predisposição amassada em querer, uma ginástica difícil em tempos de pandemia, por outras palavras, um querer fazer alguma coisa para o grupo, mesmo que as reações, boas ou menos boas, nunca apareçam. Quantas vezes eu próprio me confronto com aqueles silêncios de dias, de que já o meu antecessor, o António Colaço, debalde se queixava, continuando "de balde vazio".

São as rotinas associativistas e mais nada que isso, penso eu. Depois, de vez em quando, temos momentos de fulgor que apagam os silêncios e salta à vista a energia do grupo e a razão última por que somos ASAL - Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco.

Assim, alegro-me por as nossas últimas campanhas estarem a dar resultado:

1 - Nos últimos dias, o Florentino recebeu pelo menos mais três ou quatro textos (e que textos - alguns de 4 e 5 páginas!) para o livro sobre o Seminário de Alcains. Lembro-me do Manel Pires Antunes, do Agostinho Pissarreira e do Jaime Gaspar Júnior. O Francisco Simão já enviou o dele há mais tempo. Temos ainda uma semana para escrevermos o nosso testemunho. Vá lá, escrevam, como já fizeram 28 dos nossos colegas!

2 - O Martins da Silva já recebeu mais alguns contributos, mas ainda estamos longe do objetivo dos 2.500.00 € (??!!) necessários para a impressão do nosso livro. O IBAN para as transferências  das quotas (é assim que nomeamos o contributo!) é - PT50 0018 0000 0343 5755 0019 8. Andam à volta de 40 os que já aderiram.

3 - A última nota de hoje é mais pessoal. Eu anuncio os aniversários (são uns 280!...) de todos os colegas de quem temos informações e muitas vezes aproveito o número de telefone para os saudar pessoalmente. Tem sido uma fenomenal carga de positividade que tenho recebido com alguns telefonemas. Desde o estranharem receber a voz de um desconhecido, que pelo blogue ou pela palavra seminário se apresenta, até a  termos depois uma conversa sem fim, em que cada um conta a sua história, sempre a olhar para os tempos de juventude com saudosa alegria, falando ainda dos colegas e das relações pessoais com outras pessoas que conhecemos de outras facetas das nossas vidas, tudo me tem acontecido. Já me aconteceu telefonar para um nome que nada me dizia, dele não tinha nenhuma memória, e de lá alguém me diz: "Tu és o António Henriques, conheci-te pela voz! E as tuas operações aos joelhos correram bem? Vi-te em Portalegre há uns 45 anos... etc. etc.!".

Natal 18a.jpg

São estes encontros telefónicos que me animam o suficiente para continuar a fazer o melhor que sei e posso, mesmo que o blogue seja pouco na nossa vida. Vamos em frente... Mas atenção: continuo a pensar que numa associação os cargos, as funções não caem eternamente em cima de uns tantos. Qualquer dia despeço-me, o que é um dado natural ...

António Henriques 

Serei uma pessoa razoável?

08.02.21 | asal
Caro António
Faço votos que te encontres com saúde assim como toda a tua família, apesar dos condicionamentos que o confinamento nos impõe.
O que vou lendo nas redes sociais e o confinamento contribuíram para a escrita do texto que te envio. 
Confio-te a correção dos erros e emendas que achares por bem.
Confio também na tua «razoabilidade» sobre a publicação ou não do texto.
Há também a intenção de ir mais além do que a publicação de aniversários e a palavra do sr. bispo. Nunca compreendi muito bem o silêncio da escrita de muitos dos nossos antigos colegas.
Um grande abraço e cumprimentos para toda a tua família na esperança de que o vírus não vos venha a incomodar.
Mário Pissarra
NOTA: Mais uma colaboração do Mário e mais um aguilhão a todos nós. Como quem diz: "Vá lá, despachem-se, escrevam antes que a morte vos leve"!!! AH
 

Serei uma pessoa razoável?

Mário Pissarra.jpeg

 

 1.- Comecei por aprender que o homem é um animal racional. A racionalidade era a característica que o distinguia dos restantes animais; esses eram todos irracionais (não racionais). Os filósofos consideravam esta característica ou faculdade – a nota essencial ou distinguidora – dos humanos. Por vezes, confundiu-se racionalidade com inteligência. Os estudos sobre a inteligência mostraram a existência de várias inteligências e que os animais superiores além de conscientes são também inteligentes, embora a inteligência abstrata e manipuladora de símbolos só esteja presente nos humanos. Mais tarde, começou-se a chamar a atenção para o termo grego – logos – que tanto significa razão como palavra/verbo/dizer. Os diferentes estudos nos domínios da linguagem vieram provar que os animais comunicam e expressam, mas não teorizam nem argumentam, isto é, há certas funções da linguagem que são comuns à comunicação dos homens e dos animais. Só o homem fala, é o único que inventou palavras/conceitos, construiu línguas, inventou teorias e argumenta em defesa do que defende.

 

2.- Descartes começa a sua obra mais conhecida – O Discurso do Método – proclamando que a razão ou bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo, isto é, todos somos igualmente racionais. Brinca mesmo considerando que estamos descontentes com o que temos (riqueza, beleza, tempo livre, comodidades, liberdade, etc.), mas se alguém nos considerar sem razão ofende-nos. Por outras palavras, os nomes que chamamos às pessoas destituídas de «razão ou bom senso» são não só desagradáveis, mas diminuem-nas como homens. A revolução cartesiana consistiu em fazer depender o êxito dos homens na procura da verdade de saber aplicar bem a razão, isto é, o sucesso e a diferença entre os homens não residem na racionalidade, mas no método ao usá-la.

Houve sempre um pouco de areia nesta engrenagem. Havia homens que não mostravam grande racionalidade nos seus comportamentos e eram incapazes de pensar, dizer e agir com racionalidade. Que lhe chamemos anormais, aberrações da natureza ou doentes do foro psiquiátrico pouco ou nada altera a realidade. Os ataques ao essencialismo forçaram alguns a atribuir a racionalidade aos homens normais. A racionalidade é assim uma faculdade ou um conjunto de capacidades características da espécie humana e presente em cada ser humano concreto.

3.- Estabelecida a racionalidade como faculdade comum dos humanos normais, segue-se daí que estes sejam sempre razoáveis? Adianto já a resposta. Não!  Muitas vezes, somos muito pouco razoáveis. O homem utiliza a razão na sua ação para muitos fins, por isso se diz que a ação humana é teleológica, isto é, orientada para um fim. Daí o carácter instrumental da razão procurando os meios para alcançar esses fins/objetivos. Somos racionais ao estabelecer objetivos para a ação e encontrar e disponibilizar meios para os atingir. A razão é uma espécie de ouro de mil utilizações. As suas capacidades são postas ao serviço dos mais variados fins. Nem sempre a utilizamos ao serviço do bem. Os criminosos, pelo facto de o serem, não deixam de ser racionais e não prescindem da razão ao planear e executar os crimes que cometem.

4.- Pessoalmente, aprendi o conceito de razoabilidade desde criança e em três contextos e com significado diferente.

            4.1.- Contexto quantitativo. «Isso já é uma quantidade razoável.» Razoável significa aqui que não era uma quantidade pequena ou desprezível, mas significativa. Qualquer quantidade (azeitona, cereal, terreno, dinheiro, área, etc.) podia ser considerada ‘razoável’.

            4.2.- Contexto negocial. Trata-se de propor um preço razoável. A razoabilidade do preço era exigida a quem pedia e a quem oferecia. Demasiado baixo era mangar com o preço ou fazer pouco do produto e era ofensivo para o outro. A razoabilidade do negócio atingia-se pelo jogo da subida e descida do preço de quem pedia e oferecia. Terminava, frequentemente, quando os valores se aproximavam num valor intermédio. Selava-se com um «rachar a diferença ao meio».

            43.- Contexto ético-moral. Considerar alguém uma pessoa razoável equivalia a dizer: "é uma boa pessoa, sensata, séria, comedida, compreensiva e ponderada, que evita os extremismos, as reações a quente. A razoabilidade é, ao contrário da razão que se orienta para o abstrato, o conhecimento e a teoria, uma virtude prática, orientada, para o agir, para a prática, o saber comportar-se próximo da prudência e da justiça. Ora, como nos ensinou Aristóteles, as virtudes ganham raiz e fortalecem-se pelo seu exercício, pela sua prática. O nosso povo conservou este ensinamento no ditado «bem prega frei Tomás. Fazei o que ele diz e não o que ele faz».

5.- Mais tarde tive de queimar as pestanas com os estudos sobre a «escolha racional». Esta problemática veio da economia, tentando saber se as nossas escolhas eram as melhores em relação aos fins. Por outras palavras, temos comportamentos razoáveis, nas nossas escolhas de consumidores? As conclusões destes estudos apontam para inúmeros exemplos de escolhas pouco razoáveis. Estes estudos movem-se no que a Escola Crítica de Frankfurt chamou a razão instrumental.

6.- Os ataques e a diabolização da razão instrumental também me ensinaram muito sobre a ação e o comportamento dos humanos racionais, por vezes, muito pouco razoáveis. Foi, entre outros, com J. Habermas que a reflexão filosófica sobre a  ação humana ganhou novas dimensões e perspetivas, sobretudo no seu diálogo com a filosofia analítica anglo-saxónica e se enriqueceu significativamente.

7.- A razoabilidade é um tema central em Rawls e imprescindível para se viver em democracia. Está no cerne das suas riquezas e fraquezas, da sua vivência no quotidiano da vida das pessoas e na organização da sociedade. Não há democracia sem pluralismo. A existência de pluralismo implica propostas diferenciadas, oposição, dissensão, mas também diálogo e negociação. Sempre que há uma maioria absoluta, o autoritarismo espreita e é uma tentação, pois pode dispensar a negociação e o diálogo ou reduzi-los a simulacros e formalidades. Numa negociação, tem de haver esforços para atingir consensos mínimos. Ora, isso implica cedências das partes envolvidas. Quando se atinge esse consenso mínimo, ainda que as negociações tenham tido êxito, nenhum dos negociadores fica totalmente satisfeito, pois a escolha/decisão final não é a da sua proposta. Os dogmatismos e fanatismos não dialogam nem negoceiam. Agarram-se às suas crenças e convicções na esperança de poder vir a impô-las aos outros. Não têm dúvidas nem se questionam e os outros não possuem qualquer parcela da verdade, são ignorantes ou deixaram-se enganar. Este modo de pensar é um obstáculo e um perigo para a democracia.

8.- Conclusão: a democracia exige tanto a razão como a razoabilidade. Sem razoabilidade não há nem pluralismo, nem tolerância, nem a noção de bem-comum ou o melhor para o país. Se cada um se fechar na sua solução, inviabilizando a negociação, nega-se o diálogo e inviabiliza-se a democracia. Não há negociação sem argumentos e os negociadores não têm a mesma força. De onde retiram a sua força? Da representatividade que os eleitores lhe conferem nas urnas. Uma das falhas da nossa vida democrática, visível na nossa vida quotidiana, é a ausência de uma cultura democrática. Em meu entender, é isso que explica muitos dos atropelos na vacinação.

Mário Pissarra

Aniversários

08.02.21 | asal

José Maria Lopes.png

PARABÉNS, JOSÉ MARIA!

O nosso grande amigo e comensal de muitas sextas-feiras faz hoje 89 anos. O José Maria Lopes, reformado das lides jornalísticas no "Diário de Notícias", grande sabedor da gramática que sabe de fio a pavio (pudera, era ferramenta do seu ofício...), escolheu estes dias para celebrar mais uma primavera. 

Vamos dar os nossos PARABÉNS ao José Maria e desejar-lhe ainda muitos anos de saúde e boa disposição para continuar a acompanhar-nos. Um amigo é um tesouro. AH

Contacto: tel. 918 576 413

E temos também um jovem!

Duarte Neves Pereira.jpg

É muito bom fazer 45 anos!... E quem é? O Duarte Neves Pereira, nascido em 1976 em Oleiros, creio, onde ele vive hoje, trabalhando como embalador na empresa JAF, segundo a sua página do Facebook. Também é benfiquista!

Damos muitos PARABÉNS A ESTE JOVEM, desejando-lhe um futuro risonho, cheio de saúde, felicidade e amigos. Um dia vamos encontrar-nos? Quando o Covid deixar, queremos estar em Alcains, para o nosso Grande Encontro Anual. E teremos lá um livro novo sobre o Seminário que nos acolheu...

Aniversário

07.02.21 | asal

HOJE FAZ ANOS O MARTINS DA SILVA!

22.jpg

De seu primeiro nome António (só podia ser este!...), nasceu em 47 da centúria anterior.

Podia ter sido muitas coisas, dada a pluralidade de vocações para que tem jeito, mas a verdade é que se gastou a construir bairros, daqueles que hoje embelezam a minha terra. E ainda continua a brilhar noutras tarefas:

- Gosta muito de conviver, estar no grupo... - E canta como elemento activo do Coral Stella Vitae; - E agora toma conta das finanças da nossa Associação, cada vez mais endinheirada para conseguirmos pagar a edição de um livro sobre o Seminário de Alcains.

Aqui te deixamos os nossos parabéns e votos de longa vida com muita felicidade.

Contactável pelo 965 026 324.

Aniversário

06.02.21 | asal

António Batista Martins.jpeg

Faz hoje anos o António Batista Martins, do Estreito, que entrou no Gavião em 58, com outros colegas como os Martins da Silva, Zé Castilho, Lúcio Lobato, António Mateus, Domingos Eusébio, António Eduardo, Pe Ilídio, Pe Manuel Mendonça, Pe Bonifácio...

PARABÉNS desta malta com espírito jovem e votos de muita saúde e felicidade.

Contacto: tel. 919 688 016

Olha lá, não queres estar em Alcains em Encontro dependente de autorização do vírus? E já com o livro sobre o Seminário bem fresquinho...

Palavra do Sr. Bispo

05.02.21 | asal
UM HOMEM SINGULAR QUE APONTA CAMINHOS

D. Antonino3.jpg

Com a guerra Franco-Prussiana e as pelejas pela unificação da Itália, o Concílio Ecuménico Vaticano I teve de encerrar portas. Durou apenas um ano, de dezembro de 1869 a dezembro de 1870. Eram tempos conturbados e a Igreja precisava de respostas colegiais, debatidas em ambiente sinodal. Para além do prato forte sobre a mesa dos debates, os Padres conciliares ainda apresentaram duas propostas relacionadas com São José. Numa dessas propostas, pediam que ele tivesse um culto mais valorizado na Liturgia. Noutra, que fosse proclamado Padroeiro da Igreja Universal. Pio IX, que convocara o Concílio e já, em 1854, indicara São José como, depois de Maria, a esperança mais segura da Igreja, acolhe de bom grado as duas propostas. Por Decreto de 8 de dezembro de 1870, Dia da Imaculada Conceição, declara São José Padroeiro da Igreja Católica e valoriza a festa de 19 de março, que já fazia parte do calendário litúrgico romano desde finais do século XV. Sem falar nos anteriores, os onze Papas que, até hoje, sucederam a Pio IX, jamais deixaram de enriquecer e promover o culto a São José. No entanto, ao longo da história, nunca houve um Papa que adotasse o nome de José.

Leão XIII dedicou-lhe uma Carta Encíclica em que exalta as suas virtudes, apresenta-o como exemplo a toda a Igreja, insiste em que se lhe consagre o mês de março e convida os fiéis à sua devoção, inclusive pedindo que se rezasse também durante o mês do Rosário, em outubro, uma oração que ele propôs.
São Pio X acrescentou outras formas de devoção, inclusive a recitação das ladainhas em honra de S. José. Bento XV continuou a promover o culto a S. José, introduziu dois novos prefácios no cânone da missa e, por moto próprio de 25 de julho de 1920, no cinquentenário da proclamação de S. José como Patrono da Igreja, também lhe consagrou uma Carta Encíclica. E pede a todos que implorem com maior empenho o auxílio de São José, reforça a devoção de todas as quartas-feiras do ano e do mês de março, bem como pede que se tenha como eficaz protetor dos agonizantes e moribundos, no sofrimento e na morte.
Pio XI, muitas vezes realçou as virtudes de S. José, sobretudo nos dias 19 de março, seguindo na mesma linha de devoção ao Santo Patriarca. O Papa seguinte, Pio XII, divulgou orações em sua honra, e, para salientar o poder de intercessão de S. José, apresentou-o como «Padroeiro dos operários», instituiu uma segunda festa, a Festa de S. José Operário, que se celebra no Dia Internacional do Trabalhador, primeiro dia de maio, ficando a festa de 19 de março como a mais solene.
São João XXIII, em 19 de março de 1961, confia o Concílio Vaticano II à proteção de São José e pede aos fiéis que participem por meio de oração mais viva, ardente e contínua, nessa confiança em S. José e em Nossa Senhora, sua Esposa. Durante o Concílio, introduziu o nome de São José no antigo Cânone Romano.
São Paulo VI, pelo facto de a Igreja estar “sujeita a tantas atribulações, ameaças, suspeitas e contestações”, exortava a que a Igreja permanecesse “fiel à escola de Nazaré, pobre e laboriosa, mas viva, sempre consciente e forte, para poder realizar a sua vocação messiânica”. E confiava a Igreja à proteção de São José para que “este humilde e grande Santo” continuasse a missão que exerceu no quadro histórico da Encarnação. São João Paulo II falou de São José em muitíssimas ocasiões, afirmou que lhe rezava todos os dias, e dedicou-lhe uma Exortação Apostólica realçando a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja. Bento XVI várias vezes enalteceu São José pela “riqueza de uma vida completa, de um homem fundamental que, com o seu exemplo, sem proclamações, marcou o crescimento de Jesus o homem-Deus”, um homem do silêncio, “marcado pela oração constante” e pela sua confiança sem reservas à providência.
Francisco constata e afirma que “depois de Maria, nenhum santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como São José”. Ele próprio, a fim de perpetuar a confiança de toda a Igreja em São José e ao celebrarmos os cento e cinquenta anos da sua proclamação como Padroeiro da Igreja Universal, estabeleceu que, a partir do dia 8 de dezembro passado e a terminar em 8 de dezembro de 2021, seja celebrado um especial Ano de São José, em que todos os fiéis, seguindo o seu exemplo, possam reforçar a sua vida de fé. A esse propósito, com data de 8 de dezembro passado, Francisco publicou uma Carta Apostólica a que deu o título de “Com Coração de Pai”. Nessa Carta, são lembrados os traços da vida de São José transmitidos pelos Evangelhos. Francisco afirma “falar da abundância do coração” para partilhar connosco “algumas reflexões pessoais sobre esta figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós”. Um homem que apesar de ter uma presença quotidiana discreta e despercebida, tem um protagonismo sem paralelo na história da salvação. E o Papa tem presente o facto de, ao longo destes tempos de crise pandêmica, todos poderem “encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade”. Dirigindo uma palavra de gratidão pelos seus serviços de tantos, Francisco lembra que «as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. (…) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos».
São José “foi sempre amado pelo povo cristão, como prova o facto de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, há séculos, se realizarem em sua honra várias representações sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados”.
Seria interessante que as pessoas que têm o nome de José ajudassem a promover a sua devoção, tomassem iniciativas neste ano a ele dedicado, formassem grupos de reflexão, e, em vez de os pais darem aos filhos nomes que nem os avós os sabem pronunciar, honrassem São José, dando-lhes o seu nome e colocando-os sobre a sua proteção.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 05-02-2021.
 
++++
P. S. : No dia 11, dia de Nossa Senhora de Lurdes, decorre o Dia Mundial do Doente. A Conferência Episcopal Portuguesa vai assinalar este dia com uma Missa na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, às 11h00, presidida pelo Cardeal D. António Marto. Não tendo a presença de pessoas, será transmitida pelos meios de comunicação social (Rádio Renascença e TV Canção Nova) e digital (Santuário de Fátima e Agência Ecclesia). Haverá também uma referência especial com uma prece pelos profissionais de saúde e por todos os cuidadores formais e informais que neste contexto estão na linha da frente na luta contra a pandemia e no cuidado ao próximo. Aconselhamos a ler a Mensagem do Papa Francisco para esse dia. Pode-o fazer neste link:

 Rescaldo das eleições presidenciais

05.02.21 | asal
Meu bom e caro Amigo Henriques: tentei revisitar as eleições presidenciais e o resultado deu nestas reflexões que quero partilhar com os nossos bons Amigos do Ânimus-Semper. Mais do que nunca, temos de ter o ânimo ativo todos os dias. Vencer este inimigo torna-se obrigatório. Sorte para todos.
Um forte abraço para ti e para todos os que permanecem firmes neste combate.
Florentino Beirão

Florentino4.jpg

 

Um povo zangado e doente

Contados os votos das recentes eleições presidenciais, é chegado o momento de as revisitarmos, olhando para os seus resultados, extrairmos algumas conclusões que importa reter. Em primeiro lugar, dadas as circunstâncias em que decorreram, é de saudar, em primeiro lugar, a sua exímia organização que demonstrou um elevado espírito cívico de todos.

A primeira conclusão a reter é verificar a sua elevada abstenção, embora menos do que se imaginava. Apesar de tudo, foi mais uma vez a grande vencedora, à semelhança do que tem acontecido em atos eleitorais anteriores, para se eleger o Presidente da República. Desta vez, não foram votar 60,51% dos eleitores, certamente, muito devido à mortífera pandemia que tem castigado o país. Terá sido mesmo a principal causa para reter tantos eleitores em casa.

Apesar de tudo, a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, com 60,7%, acabou por recolher os votos oriundos de todas as sensibilidades políticas do continente e ilhas. A seu lado, esteve uma boa parte do Partido Socialista (PS), o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrata Social (CDS).

Quanto aos restantes seis candidatos, verificou-se uma fraca votação nas forças de esquerda, coladas ao Partido Comunista, com 4,32% para João Ferreira, e ao Partido do Bloco de Esquerda, com 3,95% para Marisa Matias. Por sua vez, o partido “Chega”, liderado por André Ventura, conseguiu produzir um pequeno terramoto nos partidos de direita, ao atingir os 11,9%, colocando-se assim em terceiro lugar. A diplomata e independente Ana Gomes, com apoio de uma boa parte do Partido Socialista, arrecadou 12,97%, cativando o segundo lugar. Quanto a Tiago Mayan, duplicou a votação do seu partido, a Iniciativa Liberal (IL). Por último, Vitorino Silva ficou-se pelos 2,94%.

Perante estes resultados, desta vez, deu-se, no panorama partidário, uma reconfiguração à direita, com a vitória de André Ventura. O resultado que obteve, com votos recolhidos em todas as regiões do país, sobretudo no Alentejo, merece uma aprofundada reflexão dos democratas que não se reveem nas ideias racistas, xenófobas e messiânicas, pregadas pelo seu líder, o troca-tintas e palhaceiro André Ventura.

Muitos têm sido aqueles que me vão segredando que os votos no líder do “Chega”, mais do que apoiantes das suas ideias trampistas, devem ser entendidos mais como um sentimento de protesto e zanga do eleitorado para com o Governo, assoberbado com uma enorme pandemia, com filas de ambulâncias à espera nas urgências, do que com uma adesão às ideias radicais do “Chega”. Ventura chegou mesmo a afirmar, na noite das eleições, que ele era enviado de Deus e teria como missão salvar o país do estado desastroso em que se encontra.

Quando há pouco se badalava por essa Europa fora que Portugal era o país sem significativa força política de extrema–direita, forte e organizada, a partir de agora, já teremos de contar com ela, no nosso xadrez político. Não para lhe atirar pedradas ou condenações primárias, mas combatê-la sim, com ideias e ações que possam contribuir eficazmente, para diminuir a sua influência. O desespero de muitos portugueses, a sofrer de carência de alimentos, os marginalizados, os desempregados e os sem perspetiva de um futuro mais risonho, sobretudo os jovens, ao votarem na extrema-direita, certamente zangados, terão querido manifestar o seu protesto de descontentamento aos governantes, para que ouçam o seu clamor, numa altura em que o nosso país se encontra com o mais elevado número de mortos no mundo, devido à pandemia, e, a nível de desenvolvimento, se encontra na cauda da UE. Não falando já do garrote da monstruosa dívida pública, a sobrar para os vindouros.

Esta escaldante situação, se não for alterada, pode vir a criar no futuro as condições objetivas para que as forças da extrema-direita continuem a encontrar terreno propício, para poderem crescer ainda mais no nosso país. Com o quadro político atual, será avisado olharmos, com toda a atenção, para o radical partido “Chega”, que com outros partidos de direita poderão vir a conquistar o poder em próximas eleições. Ponhamos os olhos no caso dos USA, do Brasil, da Índia, da Polónia e da Hungria. Esta nova geração de políticos, de orientação iliberal, tudo tem feito para chegar ao poder, de modo democrático. Porém, quando dele tomam conta, não o exercem deste modo, nem o abandonam democraticamente, mesmo que percam eleições. Estejamos atentos.

florentinobeirao@hotmail.com

Aniversário

05.02.21 | asal

Festeja hoje mais uma primavera o P. João Pires Coelho, nascido em 1944. 

João Pires Coelho.jpg

Presentemente, trabalha como pároco de Vila de Rei e Fundada. Sei que já trabalhou nos arquivos da diocese. E há uns anos atrás ( aí por 2005 ou 2006), fazia eu uma perninha de jornalista, também encontrei este amigo em Fátima num encontro sobre imprensa regional. Ainda existia o "Distrito de Portalegre", pelos vistos. As voltas que o mundo dá!

Aqui te deixamos os nossos PARABÉNS, com votos de saúde e realização dos teus projetos com alegria e muita felicidade pessoal.

Contacto: tel. 917 885 721

Lista de doadores

03.02.21 | asal

Olá Amigo António Henriques.

Envio-te, em anexo, a relação dos nossos amigos que até hoje contribuiram com as quotas/livro.
Explico também os montantes após esta colecta.

Martins da Silva.JPG

Se quiseres mais elementos é só pedir.

Se houver alguma falha, havemos de a corrigir.

Um forte abraço 

Martins da silva.

 

Relação dos contribuintes que já responderam ao apelo da direcção:

Abílio Cruz Martins

Abílio Delgado

Alvarino Carmo Barata

Aníbal Henriques                                              

António Barata Afonso

António Cruz Patrocínio

António Dias Henriques                                 

António Gil M. Dias

António Lopes Luís

António M.R. Carvalho

Antonio Manuel L. Alves Martins                  

António Martins da Silva

img-214104029-0002.jpg

António Pereira Ribeiro

António Santos Lopes Xavier 

Assis Ribeiro Cardoso

Ernesto Jana

Eurico Pires Grilo   

Eusébio Silva

Fernanda Maria Barata

Fernando Cardoso Leitão Miranda

Fernando Farinha                                            

Francisco António Correia

Francisco Luís Moura Simão

Jaime Nunes Gaspar Júnior

João Oliveira lopes                                          

Joaquim Mendeiros Pedro

img-214104029-0002 (1).jpg

Jorge Lopes Nogueira

José António Cardoso Pedro

José de Jesus André                           

José Henrique Silva

José Maria Lopes

José Ribeiro Andrade              

Manuel Lopes Cardoso

Manuel Lopes Mendonça     

NOTA: O montante já angariado com as contribuições, cujos dadores são acima relacionados,

totaliza: 1.245,00 euros. 

CONCLUSÃO: Estamos a caminhar muito bem. Com mais outro tanto devemos estar próximo do necessário. AH 

A NOSSA CAMPANHA: Para quem quer inteirar-se deste movimento e ir ao princípio, para ver como também pode entrar na lista e colaborar, aqui deixo o link:       

        - https://animussemper.blogs.sapo.pt/um-livro-em-frente-683768?tc=61937831860 

Aniversários

03.02.21 | asal

PARABÉNS A DOIS!jmcantunes.jpg

- O José Maria Calvário Antunes, do Sardoal, nasceu em 1953, estudou Direito em Coimbra, onde vive e cumpriu a sua missão de Juiz-Desembargador, agora aposentado desde 2015. Já não há razões para faltar ao próximo encontro de Alcains, quando o covid permitir.

Contacto: tel. 917 531 215

Fernando Alv Martins.jpg

- O Fernando Alves Martins nasceu em 1952 e vive em Proença-a-Nova. Não temos outras informações, para além de sabermos que profissionalmente esteve ligado à Força Aérea Portuguesa.

Contacto: Tel. 968 252 716

 

Aos dois damos os mais sinceros PARABÉNS, COM VOTOS DE MUITA SAÚDE E ALEGRIA.

Senhora das Candeias

02.02.21 | asal
 

Candeias.jpg

Hoje, 2 de Fevereiro, é o dia da Nossa Senhora das Candeias.
 
“Se o dia estiver a rir está o frio para vir, se estiver a chorar está o frio a passar” (isto é: se estiver a fazer sol a invernia está para continuar ou para vir, se estiver a chover, está o inverno a passar). Diz ainda o povo que “quantas pingas d’água caírem neste dia, quantas abelhas irão nascer”. Pelo andar da carruagem e se a sabedoria popular bater certo, a invernia está a acabar e 2021 vai ser um ano excelso em abelhas e mel. Penso que estas premonições ancestrais estarão hoje (muito) alteradas pelas alterações climáticas.
A celebração da Senhora das Candeias está, sobretudo, relacionada com a importância do azeite, quer como elemento fundamental na alimentação tradicional (dieta mediterrânica), quer como produto utilizado no curativo de várias maleitas, quer ainda como produto utilizado em práticas religiosas na sua utilização do alumiar, dar luz (alumiar o Santíssimo).

Agostinho Pissarreira.jpg

Nossa Senhora das Candeias era tradicionalmente invocada pelos cegos, como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: "Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora das Candeias (...)".

 
(Foto pessoal: candeias de azeite, a luz da minha infância)
 
Agostinho Pissarreira
 
 
OUTRA CONVERSA 
 
Nossa Senhora das Lanternas ou dos 'Foxes'.
Porque hoje é o dia da Senhora das Candeias.
É apenas uma proposta de mudança de invocação e não de fé.
Eu ainda cresci rodeado de candeias.

Sr.ª das Candeias.jpg

Hoje já ninguém usa candeias e não tarda as pessoas já não saberem o que são e remetê-las para as calendas gregas e a pré-história.
Hoje usamos lanternas/'foxes'. De preferência Leds.
Já não é a candeia que vai à frente e alumia duas vezes. À frente, com ar triunfante vai a lanterna/'foxe' a pilhas ou do telemóvel.
Também com o advento dos lenços de papel muitas candeias se apagaram.
Cresci a ver muitas crianças de candeia acesa. Por vezes, as torcidas pendiam frente à boca e tapando uma narina de cada vez, resolvia-se o problema num e com um sopro!
O grave é que os lenços de papel apagaram candeias, mas não acabaram com os ranhosos. Esses continuam a medrar e expandir-se como as plantas invasivas.
Pode considerar esta proposta uma proposta ranhosa.
Mas …
Com o selo do Luís de Camões, é inquestionável que «todo o mundo é feito de mudança». Nem que seja para tudo continuar como está.
Os tempos, a modernização, o progresso, a vida, etc., exigem que nos actualizemos. Em todos os domínios.
No tempo das lanternas, por que rezar à Senhora das Candeias se queremos luz que nos alumia na nossa vida?

Pissarra.png

Para ser coerente, tenho também de propor que de futuro a Senhora dos Candeeiros passe a ser invocada como a Senhora das Lâmpadas.

Um pedido. Não fique de «candeias às avessas» comigo por causa desta proposta. E não se esqueça: «“Se o dia estiver a rir está o frio para vir», «se estiver a chorar está o frio a passar.»
 
Mário Pissarra
 
(Observação: esta proposta não se aplica à mudança de nome do meu amigo Joaquim Candeias ou aos outros Candeia de nome. Lanterna é lá nome de gente!)