Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Aniversário

20.12.20 | asal

António Man Lopes Alves Martins.jpeg

Hoje faz anos o António Manuel Lopes Alves Martins, nascido em 20-12-1954. É do Concelho da Sertã, da aldeia de Felgaria, da antiga freguesia de Nesperal, e com residência em Braga.

Nos seus 66 anos, damos os PARABÉNS a este assíduo frequentador dos nossos encontros anuais, não obstante a distância a que se encontra. Que a vida continue a sorrir-lhe com saúde e felicidade.

Contacto: tel. 968 196 473.

Entrevista pandémica

19.12.20 | asal

Esta entrevista, desdobrada em duas, aconteceu há três semanas em Abrantes, quando dois "mascarados" se reconheceram na rua e deitaram conversa um ao outro.

Pissarra.png

Colaçospng.png

Quem havia de ser? António Colaço e Mário Pissarra... Acolheram-se a um centro de convívio, beberam a sua bica e vá de falar da situação pandémica, das mútuas relações de amizade e dos nossos encontros, como todos estão a calcular. Se aqui há erros, são meus e de mais ninguém...

A pedido daqueles que não usam o Facebook (Zé Pedro, Abílio, João Lopes, etc...), passo para aqui a dita entrevista, na esperança de alguém escrever duas linhas a comentar...

A primeira parte é muito curta, com algumas intermitências (os motores ainda estavam frios...), mas continuem, que vale a pena. É só clicar nos links seguintes.

AH

A - https://www.facebook.com/animo.diasmaisleves/videos/4689673464438693 

B - https://www.facebook.com/animo.diasmaisleves/videos/4689699544436085 

NOTA: Parece que não é possível aceder ao conteúdo das entrevistas, segundo me confirmou um amigo. Peço desculpa, mas não sei dar a volta ao problema com nova solução. AH

Palavra do Sr. Bispo

18.12.20 | asal
VERDADES DO SENHOR DE LA PALICE

D. Antonino1.jpg

 

A minha musa, coitada, deve estar confinada, com covid ou sarampelo. Sarampelo dizia-se, por lá, quando eu era pequeno. Mas isto de escrever, hoje, nem a ferros quer sair. Não há inspiração para fazer rir, cantar e fugir ao matraquilhar sisudo de conselhos sanitários e à feliz ameaça da chegada de uma vacina, mesmo que muito friorenta. O povo bem diz que não se fazem omeletes sem ovos. É uma verdade do senhor de La Palice, um senhor muito importante, uma verdade muito badalada!...
Vou recordar: Jacques de Chabannes, Senhor de La Palice, foi guerreiro francês de fibra e prestígio, dizem as boas e as más línguas. Mas bateu a caçoleta perto de Pavia, em peleja de se lhe tirar o chapéu, diz quem sabe. Foi bem feito!... terão dito os seus amigos da onça.
Os soldados que ele comandava, porém, rendidos ao seu engenho e destemor bélico, quiseram render-lhe uma homenagem de se ver e sentir. No entanto, nesse entusiasmo e fervor festivo, somos levados a crer que o autor duma canção do programa, deveria precisar, por certo, de alguns exames clínicos. Se pensou muito a medir a métrica, deveria ter muito colesterol ou grandes varizes na veia poética. Poetou assim: “O Senhor de La Palice / Morreu em frente a Pavia / Momentos antes da sua morte / Podem crer, inda vivia”. É essa a verdade do senhor de La Palice sem ele nada ter a ver com isso, o poeta é que sim!...
Dou outro exemplo para aqueles que, com dúvidas, ficaram a olhar para trás e a reler a verdade do senhor de La Palice: se antes do 25 de abril se vivia antes de morrer, depois do 25 de abril, para morrer basta estar vivo! Verdades de La Palice! Mas também é uma lapalissada afirmar que não se fazem omeletes sem partir os ovos. Mas pode haver quem queira ter as omeletes no prato e os ovos na despensa. E aqui é que está o busílis. Como calceteiros marítimos à sombra da bananeira, aguarda-se o sol na eira e a chuva no nabal, preferindo não fazer nada e, depois, descansar, à espera que tudo aconteça como exigimos!
Como o leitor acaba de ver, e também diz o povo, do comer e falar tudo vai do começar! Então, esticando eu todo este palanfrório para o campo sobre o qual costumo escrever, também na vivência da fé muitas vezes se quer o sol na eira e a chuva no nabal. Têm-se os ovos, mas prevalece a preguiça de os partir. Deseja-se o bom e o bem, mas dispensa-se qualquer esforço e trabalho. Acredita-se em milagres, e bem, de quando em vez eles acontecem. Espera-se que eles se realizem em nós, e mal. Deus, creio eu, não vem fazer o que, por preguiça ou desleixo, alguém não quer ou deixa de fazer. E para ficar bem perante si próprio, habilidosamente se floreia esse modo de ser e estar com muitos penachos e muitas razões pessoais, razões sem qualquer razão e penachos a esvoaçar ao vento. Neste crer, viver e esperar, podem-se alimentar ilusões, reivindicar exceções, puxar por peneiras e importâncias, comparar-se, julgar-se superior... Ora, estas manivelas a fazer girar a maquineta do egoísmo, não alindam ninguém, desfeiam a todos, sacodem os nervos de muitos...
O milagre por excelência foi o da salvação universal realizado por Cristo, gratuitamente, por amor, cujo nascimento vamos celebrar com muita alegria e cuidados: é Natal! Toda a humanidade usufrui desse gesto do amor de Deus para connosco, e de tal forma que “debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (At 4, 12). Esperneemos ou não, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor, embora Ele respeite as nossas opções e liberdade!...
Dentro dos seus planos, Deus, rico em misericórdia, fez a sua parte, espera agora que façamos a nossa. E ao indicar o caminho a seguir, lembrou-nos que a porta de entrada é estreita: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo: muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13, 24). Os curiosos lá do sítio, já de bloco e lápis na mão e com a fita de alfaiate ao ombro para se medirem em função da estreiteza da porte e da dieta a fazer, perguntaram a Jesus se, na verdade, eram poucos aqueles que entravam por essa porta adentro. Mas..., oh que chatice!... Jesus foi mesmo um desmancha prazeres, não lhes satisfez a curiosidade, e o enigma permanece!... Sempre foi e será coisa que não vai de palpites, não é passível de sondagens, não se esclarece com estatísticas, gráficos e variadas comparações, muito menos em gritarias como as do futebol e as da política em certos debates nas pantalhas televisivas. Jesus não lhes revela o resultado. Apresenta-lhes, isso sim, as regras do jogo num relvado onde as caneladas, as e-toupeiras, os apitos dourados e outros truques e habilidades danosas devem estar ausentes. Só o fair play tem lugar. Jesus dá-lhes a entender que aquilo que lhes deve interessar não é o de saber quantos se salvam. O que os deve preocupar é saber quais são as exigências do Reino para se puderem salvar, pois a porta, embora aberta a todos, é estreita, mesmo para os magricelas ou trinca-espinhas. Trata-se de escolher o verdadeiro caminho da vida, aquele que faz escrever uma nova e verdadeira história de vida. Portanto, não é uma questão de curiosidade, é de compromisso. Se assim não for, o dono pode fechar a porta e deixar-nos fora, a gemer.
“Esse é o problema – diz o Papa Francisco - Jesus não nos quer iludir, dizendo: “Sim, fiquem tranquilos, é fácil, existe uma bonita estrada e, lá no final, um grande portão…”. Não fala isso: fala-nos da porta estreita. Diz-nos as coisas como são: a passagem é estreita. Em que sentido? No sentido de que, para se salvar, é preciso amar a Deus e ao próximo, e isso não é confortável! É uma “porta estreita” porque é exigente, o amor é exigente, sempre, requer empenho, ou melhor, “esforço”, isto é, uma vontade decidida e perseverante de viver segundo o Evangelho. São Paulo chama isso de “o bom combate da fé” (1Tm 6,12). É preciso o esforço de todos os dias, de cada dia para amar Deus e o próximo.” Há um dono da casa que representa o Senhor. “A sua casa simboliza a vida eterna, ou seja, a salvação. E aqui volta a imagem da porta. Jesus diz: «Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: “Abre-nos, Senhor!”. Mas ele responder-vos-á: “Não sei de onde sois!”». (v. 25). Então, estas pessoas procurarão ser reconhecidas, lembrando ao dono da casa: «Comemos e bebemos contigo... Ouvimos os teus conselhos, os teus ensinamentos públicos...» (cf. v. 26); «Estivemos presentes, quando tu deste aquela conferência...». Mas o Senhor repetirá que não os conhece, chamando-lhes «praticantes de injustiça». Eis o problema! O Senhor não nos reconhecerá pelos nossos títulos — «Mas olha, Senhor, que eu pertencia àquela associação, eu era amigo daquele monsenhor, daquele cardeal, daquele sacerdote...». Não, os títulos não contam, não contam! O Senhor só nos reconhecerá por uma vida humilde, por uma vida boa, por uma vida de fé, que se traduz em obras”.
As importâncias inúteis, as sabenças empoleiradas, as façanhas trauliteiras e outras forças descarriladas em nada contribuem para se ouvir o: “faz favor de entrar” -, por aquela dita porta, estreita. Nestas questões da salvação, do amar a Deus e ao próximo como Cristo nos amou, ninguém substitui ninguém, ninguém vale porque descende, convive ou ouve gente de bem e importante. Cada um é cada qual, vale e responde por si. Se queremos omeletes, não basta que tenhamos os ovos, é preciso parti-los e cozinhá-los: verdade do senhor de La Palice.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 18-12-2020.

Adeus a Eduardo Lourenço (1923-2020)

18.12.20 | asal
Caríssimo Henriques
Acerca deste grande vulto das nossas letras, nunca se sabe tudo. à medida que o aprofundamos na sua obra, nem sempre fácil, mas sempre profunda mais ficamos enriquecidos. Neste limitado Natal, vamos conhecer mais e melhor este ilustre Homem de pensamento, descobrindo e relendo a sua obra.  Para ti e para todos os que nos acompanham, uma Feliz quadra Natalícia em Paz e Amor.
F. Beirão

Florentino4.jpg

 

Um deslumbrante pensador

“Há dias em que madrugamos e julgamos que vamos apanhar Deus. Em vão: Deus levanta-se sempre mais cedo” (Eduardo Lourenço).

 

O país acordou na madrugada do primeiro dia de dezembro, feriado da Restauração da Independência, com a notícia do falecimento do pensador, ensaísta e professor de filosofia, Eduardo Lourenço Faria, com 97 anos, em Lisboa.

A nível cultural, social e político nada escapou à sua fina e profunda análise crítica. Desde a literatura ao cinema, da música à poesia. Para ele, não havia barreiras à sua argúcia de pensador do nosso país, da Europa, da política e do cristianismo.

 Prémio de Camões e de Pessoa (1996 e 2011), entre muitos outros galardões que recebeu, neles se inclui ainda o mais recente de abril último, “Árvore da Vida, p. Manuel Antunes”, seu velho amigo. Em França, onde viveu muitos largos anos, como professor universitário, foi igualmente homenageado com o valioso prémio nacional Charles Veillon, em 1988.

 Eduardo Lourenço de Faria era o irmão mais velho de uma família numerosa de cinco rapazes e duas raparigas das quais, uma carmelita no Brasil. Nasceu na raia, na pequena freguesia de S. Pedro de Rio Seco, em 23.05.1923, embora registado seis dias depois. A este propósito, ironizava dizendo que “estive seis dias fora do tempo e assim fiquei sempre”. A sua pequena aldeia, sem água nem luz, como a maioria do país, faz parte do concelho de Almeida, distrito da Guarda, cidade detentora de uma boa parte do espólio literário de E. Lourenço, incluído numa biblioteca com o seu nome.

O seu pai Abílio de Faria, como capitão do exército, andou sempre de um lado para outro, dando limitada assistência aos filhos. Por esta razão, E. Lourenço, o seu filho mais velho, considerava-o como “uma referência ausente”. Sobrava a sua mãe Maria de Jesus Lourenço que teve de assumir a educação dos seus sete filhos, em ambiente de profunda religiosidade, como acontecia nas terras do nosso país republicano, tradicionalmente católico.

A este propósito, o professor e filósofo confidenciou um dia: “ a minha família era organicamente catolicíssima, poi a minha mãe era uma mulher piedosa, até mais do que isso”. Rematava dizendo que “quando se teve esse tipo de formação, ele fica sempre no fundo de nós. Uma pessoa nunca mais arranca dessa matriz”.

Após a escola primária, o menino Eduardo foi estudar para o Liceu da Guarda, e daqui rumou para o colégio militar em Lisboa. Deste modo, voltou as costas aos desígnios da mãe que o via mais destinado à vida eclesiástica.

Concluídos aqui os seus estudos, ingressou na universidade de Coimbra (1940.1946), onde foi professor- assistente, entre1947 e 1953. Nesta cidade, ligado ao CADC (Centro Académico da Democracia Cristã), alargou os seus horizontes intelectuais, cercado por uma geração de relevantes escritores neo - realistas e pensadores cristãos.

Depois da sua experiência como docente, foi ensinar para algumas universidades de França e até do Brasil. Regressando deste país a França, aqui casou em 1954, com a francesa da Bretanha Annie Salomon que viria a falecer em Portugal, em 2013. Como se verifica, a sua vida foi um desalinho permanente, saltando de um país para outro. Só após a Revolução do 25 de abril, se foi aproximando mais do seu país.

A sua obra atinge cerca de meia centena de livros e está a ser organizada e publicada pela F. Calouste Gulbenkian.

Eduardo-Lourenço.jpg

Eduardo Lourenço publicou uma das suas mais importantes obras, Heterodoxias I, em 1949, onde cortou, intelectualmente, com alguns dos seus amigos e colegas marxistas, procurando espaços mais amplos para pensar, sem filiação a qualquer corrente ideológica. Em 1967, publicou ainda Heterodoxia II, onde revelou o seu modo crítico de entender a experiência cristã, como uma relação pessoal com Deus – da qual nunca se afastou. A este propósito escreveu: “a fé é um combate teórico (…) mas com a certeza de se manter com Deus uma relação que o homem não pode postular, pois Ele existe sem o seu consentimento, uma relação positiva, de pessoa a pessoa, caracterizada pelo inegável amor que Deus nos dispensa”.

O cristianismo para ele, “é uma experiência profundamente encarnada no tempo histórico concreto, pois não é possível viver sem uma parte de utopia e de sonho, onde concentramos o valor, a beleza e sobretudo a verdade e que é o divino ou antes Deus”.

forentinobeirao@hotmail.com

Conto de Natal

16.12.20 | asal

João Lopes 10.jpg

Ah!  Que a fome mata! E , quando se é um velho, dobradinho de anos e  bolsa vazia,  mais a cadela da morte, esganada, acirra os dentes.

  Há pessoas que desanimam e se deixam ir na onda baixa da indiferença, na fossa do isolamento …  Tal não foi o caso do velho Garrinchas que poiso tinha em Lourosa, concelho de Santa Maria da Feira, se a vaga geografia de um conto intemporal não nos engana. Oh, que gente tão sovina! Nem à força de padre-nossos e um rosário de ave-marias pela alma de quem lá tem, lhes arrancava um naco de pão!

  Vai daí, resolveu alargar os horizontes, matar distâncias, e por lá andou, por ceca e meca, azinhagas e aldeias, até às bordas do Marão. Graças a Deus, as gentes mostraram-se generosas. Ali vinha de regresso ao torrão nativo, com o alforge cheio de farinheiras, pão, chouriços, queijo e presunto. O vento gelava, o nevão vinha perto e o nosso herói caminhava a mata-cavalos para chegar a Lourosa na noite santa do Natal. Onde, diga-se a verdade, ninguém o esperava porque também ninguém tinha. Mas o calor do borralho, no forno coletivo, de estevas e giestas, acompanhado de outros mendigos, esse gosto, aquele povo de unhas de fome, ao menos, lhe consentia, já que do pão quente só o cheiro! “ Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário coletivo da fome, podiam.” - comenta o narrador com ironia e alguma revolta.

Nordeste.jpg

  Ansioso, com o coração a refilar, que o peso dos 75 não perdoa, teve de parar. Ensopado pela neve que caía, fofinha, mas desalmada, conseguiu lobrigar, através da cortina do nevoeiro, a Capela da Senhora dos Prazeres, toda vestida de branco. Nem mais. Era ali que ia passar a Santa Noite! Por sorte, a porta estava encostada. Entrou,  com respeito, sorriu à Santa que parece ter gostado, e, baldadas as três tentativas para acender uma fogueira lá fora, dirigiu-se à sacristia, saca de lá o bocado de um jornal, e com a madeira do andor, sequinha, toca a fazer a fogueira no “ coberto”, ou seja, no alpendre  dos peregrinos. “ O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda!” “Enxuto e quente dispôs-se então a cear, não sem antes exclamar: “ Boas Festas, Senhora! É servida?! Corta um pedaço de broa e uma fatia de febra e sentou-se. A Santa pareceu sorrir-lhe e o Menino também.” E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas, entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira que crepitava no alpendre. “Consoamos aqui os três - disse com a pureza e ironia dum patriarca. “-- A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.”

 ( adaptação do conto  NATAL de Miguel Torga, Novos Contos da Montanha, 1944)

João Lopes, com um cesto de filhoses para todos.

Aniversários - 4

15.12.20 | asal

HOJE SÃO QUATRO OS ANIVERSARIANTES...

- PARABÉNS, SR. D. ANTONINO DIAS!Antonino Dias.jpg

- É ja o primeiro a receber palmas. Natural de Longos Vales, Monção (15/12/1948), diocese de Viana do Castelo, foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga em 2000 e em 8 de Setembro de 2008, o Papa Bento XVI nomeia-o Bispo de Portalegre e Castelo Branco. Tomou posse em 7 de Outubro e em 12 de Outubro de 2008 fez a sua entrada solene na nossa diocese. 

Desejamos ao Sr. D. Antonino muita saúde, muita ousadia e muita graça de Deus para concretizar a sua missão com sucesso e felicidade pessoal.

Temos a alegria de contar com o Sr. Bispo nos nossos encontros quando lhe é possível. E desde já dizemos que contamos com a sua presença em Alcains em 15 de Maio próximo, se o raio do Covid nos deixar...

 

P. Castanheira.jpg

- Em segundo lugar, temos o P. António Martins Castanheira, nascido em 1963, com a família ligada a Oleiros. Atualmente é Membro do Colégio dos Consultores e do Conselho Presbiteral, Diretor do Seminário de Alcains, Ecónomo Diocesano, Ecónomo do Seminário Diocesano; Administrador Paroquial das Paróquias de São Vicente e São João, Concelho e Arciprestado de Abrantes.

Os nossos PARABÉNS, amigo! Não esquecemos o muito que já fez pelos nossos Encontros. Obrigado!

Contacto: tel. 964 253 070

 

Alfredo Gamanho Martins.jpg

- Em terceiro lugar, lembramos o Alfredo Gamanho Martins, que nasceu em 1943, a quem damos os PARABÉNS DO GRUPO. Profissionalmente é Chefe aposentado da P.S.P. e, como Diácono Permanente, está adstrito ao serviço das Paróquias de Castelo de Vide, Marvão, Santo António das Areias, São Julião, Beirã e São Salvador da Aramenha.

PARABÉNS a este servidor do povo de Deus em terras alentejanas.

Contacto telefónico:   914 678 471

 

Ant. Oliveira.jpg

- Por fim, quem celebra mais uma primavera é o António Pires Oliveira, natural da Amêndoa (1958), hoje advogado em Abrantes.

PARABÉNS, AMIGO! Que faças ainda muitos anos com saúde e felicidade. 

Contacto telefónico: n.º 966 026 783

O comboio pequenino

14.12.20 | asal

Elétrico.jpg

Hoje faz anos o Aníbal Ribeiro Henriques. Este nome está a puxar pela minha memória. É que muitas coisas aconteceram na vida dos dois que não esquecem. Muitas desapareceram levadas pelo turbilhão do armazenamento, ou porque se trocaram as caixas ou porque estavam muito cheias e começaram a deitar fora. Na minha idade, acontece!

Ora, o Aníbal é meu primo direito. Os nossos pais nasceram na Ribeira do Vale da Ursa, ali perto dos Cunqueiros e Isna de Oleiros, para vocês localizarem. Dela tenho poucas memórias, mas bem me lembro daquelas camadas de neve que enregelavam os pés. Dizia o meu pai: - “vem atrás de mim e põe os teus pés nas pegadas dos meus para andares melhor…” Mesmo assim, eu enterrava as botas naqueles buracos fundos que meu pai deixava e lá ia caminhando. Eram uns bons quilómetros. Outra recordação era o vinho morangueiro, das uvas americanas (assim se dizia) de pele rija que sempre alegrava uma refeição… A agricultura era difícil, só com encostas de sobe e desce, embora nunca faltasse a água. Bem diferente do meu Ripanso, de terras mais planas e férteis.

De lá saíram os nossos pais quando a tropa os chamou. Meu pai aprendeu, entretanto, o ofício de carpinteiro casando para o Ripanso e meu tio, depois da tropa, foi servir o país na GNR. Entretanto, arrasta também a esposa da mesma aldeia e vão morar para a Sertã.

Assim, nas férias, pude ir viver uns dias para a Sertã, no tempo em que o quartel da GNR era na Alameda da Carvalha, um antigo convento hoje transformado em hotel. Aconteceu o mesmo uns anos mais tarde. Mudam eles para Santarém e convidam-me para ir até à Scalabis, onde pela primeira vez pude passear pelas Portas do Sol, admirar o gótico da Graça e outras maravilhas.

Hoje, pelo telefone, disse ao Aníbal que ele era um gaiato, nos seus 67 anos, ao pé de mim. Mais gaiato era quando se batizou e arranjou como padrinho o meu pai. Nasceu assim outro Aníbal. Mais uma razão para maiores aproximações. E padrinho que se preze não esquece o afilhado. Talvez por agradecimento pelas atenções que meus tios tiveram comigo, quando o Aníbal fez o 2.º ano no Seminário do Gavião, meu pai convidou-o para ir passar uns dias ao Estoril, para onde tinha ido viver este carpinteiro que passou a chamar-se Mestre Aníbal e sempre deixou bom nome em toda a parte.  

E agora começa a aparecer o tal comboio do título.

Como é que o Aníbal vai da Sertã para o Estoril? Trabalhava eu no Colégio de S.to António em Portalegre e já tinha comprado uma Vespa250cm, para verem aquela potência! E estávamos em julho de 1966.

Passo pela Sertã, pego no embrulho da roupa e no gaiato e ala para Lisboa por essas estradas fora (se calhar nem a palavra autoestrada existia!). Em Alpiarça, foi a primeira e única paragem para almoçar. Mas soubemos escolher um restaurante em que pudéssemos ver na TV o memorável jogo do Mundial 66 – o Portugal-Coreia do Norte – 5 a 3.

O primo Aníbal, encantado com a viagem de moto por terras desconhecidas, deliciou-se com o bife com batatas fritas (o que havia de ser?!) e esperámos pelo jogo. Ora bolas, meia hora depois já Portugal perdia por 3-0… E quem aguenta o Aníbal? Cheio de nervoso miudinho, diz: “Primo, vamos embora, não quero ver mais!” O Tonho, mais calmo, insiste para esperar um bocadinho, que o Eusébio ainda pode mexer com o resultado. E assim foi. Mal chegou o 3-1, o Aníbal volta a olhar para o jogo.

E saímos de Alpiarça cheios de alegria e capazes de galgar seca e meca, por vias desconhecidas, que era a primeira vez que eu usava a minha carta de moto por aquelas paragens, mesmo em Lisboa. Carta de moto que me deixou mal em Évora, pois tive de repetir o exame por não saber fazer oitos e ter batido no lancil da estrada (também tive de chumbar uma vez na vida, para ser igual aos outros, não é?)…

Ao chegar a Lisboa, eu já tinha magicado como iria ultrapassar aquela grande cidade. Desviava de Sacavém para Moscavide e enfiava pela rua junto do rio, sem nunca me perder para dentro do labirinto. E assim foi: ia explicando ao Aníbal as poucas coisas que eu já tinha visto na capital, passámos pelo Terreiro do Paço, Cais do Sodré, Alcântara, sempre em frente e havemos de chegar ao Estoril.

Às tantas, grita o Aníbal: “Primo, olhe um comboio pequenino” … Eu olhei para o do Cais do Sodré, mas esse já ele conhecia. O que era novidade era o elétrico de Belém. Foi a grande novidade. Uns dias mais tarde, ainda andámos nele pelas ruas de Lisboa. Agora, é quase só para turistas, se o Covid deixar!

Nunca mais esqueci este acontecimento. Mas outros entretanto sobrevêm. Não é que me telefona o Colaço quando eu estava a escrevinhar esta história?! E quando lhe falo do meu primo, ele grita do outro lado: o quê, o Aníbal é teu primo? Era o nome à frente do meu, somos do mesmo ano…

Eu 2018.jpg

Pois, fui olhar o livro do Mons. Félix e descubro tantos nomes com quem tenho privado nos últimos anos em amizade e a comungar os mesmos sentimentos. E foram colegas do Aníbal! Conheço bem o Colaço, o António Assunção, o Alves Jana, o Tobias Delgado, o José Maria Martins, o Silva Duque, o Francisco Simão (por onde andas, Xico?), o Carrajola de Abreu (que há muito não vejo), o Zé Pedro, etc. Grandes amigos!

E tu, Aníbal, quando apareces? Até já estás reformado…

António Henriques

Aniversário

14.12.20 | asal

Aníbal R. Henriques.jpgOUTRO ANIVERSARIANTE DE NOME ANÍBAL HENRIQUES. 

Aníbal Ribeiro Henriques pertence à leva dos que entraram no Seminário do Gavião no ano de 1965/66. Todos o conhecem como vindo da Sertã, mas há muitos anos que vive em Santarém. Formou-se no Instituto Superior Técnico e o seu único emprego foi na RTP, pela qual se encontra em pré-reforma. E, já agora, digo que é meu primo direito. Mas ainda não consegui puxá-lo para o grupo.

Parabéns, Aníbal! Deus queira que faças muitos anos com saúde e felicidade.

Contacto: 962887682

Palavra do Sr. Bispo

12.12.20 | asal
DO MENOS AO MAIS DO MAIS AO IDEAL

1.jpg

Quando alguém reage picado pelos nervos à flor da pele, regra geral perde as estribeiras, sai asneira. O bom senso foge, e ele escorrega para o chão, para a vingança, o rancor, o ódio e quejandos. Tudo isso, porém, é péssima companhia, é morrinha a esconjurar. Alguém aconselha a que, antes de se reagir, pelo menos se conte até dez... serenamente... com muita calma. Eu acho que melhor será contar até cem, ou mais, ou meter a viola ao saco e não reagir... Antigamente, poucos sabiam ler, e a sabedoria do contar não sei até onde chegaria. O que sei é que essas poses, nada fotogénicas, existem desde as origens. Logo no princípio, Caim matou Abel, por ciúmes, invejas ou lá o que fosse. E um descendente de Caim, Lamec, não era mesmo bico que se assoasse. Dizia ele: “Por uma ferida, eu matarei um homem, por uma cicatriz eu matarei uma criança. Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete” (Gn 4, 23-24). A tantos milénios de distância, estes estados de alma ainda nos apavoram. No entanto, hoje, ainda há quem faça pior ou igual, por muito menos, por nada, apenas porque o outro é diferente. Mas, então, que bichinho morderá a essa gente?

Os povos sempre vão evoluindo e as barbáries vão ficando para trás. Só se reiteram por ausência ou rudeza de formação, por cabeça dura e coração de pedra, ou porque se esquece ou nada se aprende com as lições da história. Essa rudeza, esse endurecimento do coração e essa ignorância da história continuam a ser a causa de muitas tragédias de hoje, pequenas ou grandes.
No livro do Êxodo, porém, aparece-nos um salto verdadeiramente revolucionário nessa matéria. De quando em vez, esse princípio é hoje citado de forma depreciativa, precisamente porque se admite progresso na educação e se pensa que isso já foi ultrapassado. Essa norma foi, nessa altura, de um alcance extraordinário, foi mesmo inovadora. Ordenava que quem agisse mal fosse julgado e castigado segundo a justiça. Era a lei de talião: “Se houver dano grave, então pagará vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex 21,24). Isto é, procurava-se um justo equilíbrio entre os danos causados e a pena a aplicar. Foi, de facto, um salto civilizacional, um conceito jurídico de justiça retributiva, buscando proporcionalidade. O Código babilónico de Hamurabi e vários sistemas jurídicos ao longo dos tempos foram-se inspirando nessa lei de talião. Ainda há sistemas jurídicos que hoje têm por base o direito da retaliação.
Dando mais um passo nesta saga da evolução dos povos, no Livro do Levítico aparece-nos um dado novo. Aí se lê que nada de vingança, e, se nada para além da justiça, que haja também misericórdia, condição indispensável para também se obter a misericórdia de Deus: “Não sejas vingativo, nem guardes rancor contra os teus concidadãos. Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Lev 19,18). Mesmo que este perdoar e amar fosse mais para consumo interno, dos concidadãos, o livro dos Provérbios acentua que: “se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer, se tem sede, dá-lhe de beber .... e Deus te compensará” (cf. Prov 25, 21-22).
Jesus, porém, coloca no mesmo plano o amor a Deus e o amor ao próximo: “Quem não ama o seu irmão a quem vê, como pode amar a Deus a quem não vê?” (1Jo 4, 20). E insiste na necessidade de rasgar horizontes, de destruir barreiras históricas e culturais, pois o próximo são todas as pessoas, os inimigos também (cf. Mt 5,43-48).
Entre o povo judeu, no tempo de Jesus, haveria 613 mandamentos. Destes, 365 eram proibições. Os restantes, 248, eram ações a praticar. Esta quantidade de normas com certeza que poria a cabeça de muitos em parafuso, sobretudo os mais escrupulosos. Era muita areia para quem os tinha de aprender, praticar e ensinar. Por isso, mesmo que em jeito de cilada, surge a pergunta do fariseu a Jesus: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus cita dois: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Toda a Lei e os profetas dependem destes dois mandamentos” (Mt 22,36-40). E para que não houvesse dúvidas, Jesus esclarece o doutor da Lei sobre quem é o próximo. Conta-lhe a parábola do bom samaritano, um estrangeiro, um gentio, que, ao contrário das “pessoas de bem” que, ao passarem, fizeram vista grossa, ele usou de misericórdia para com um homem mal tratado, caído e abandonado na margem do caminho. O doutor da Lei logo conclui que, de facto, esse samaritano, é que tinha agido bem em relação àquela pessoa que precisava de cuidados. Jesus, então, reafirmou-lhe: vai, e faz o mesmo (cf. Lc 10, 25-37). O próximo são, pois, os outros, sobretudo os que precisam de ajuda, sejam eles quem forem, amigos ou inimigos, ao perto ou ao longe, crentes ou não crentes. É o sentido social da existência de que fala o Papa Francisco na Encíclica Fratelli tutti. Aí, ele denuncia “aqueles que parecem sentir-se encorajados, ou pelo menos autorizados pela sua fé, a defender várias formas de nacionalismo fechado e violento, atitudes xenófobas, desprezo e até maus-tratos àqueles que são diferentes” (Ft 86).
Mas esta coisa de perdoar sempre criou mossa a muita gente. São Pedro também precisou de um esticãozinho de orelhas sobre tal matéria. Jesus falava das exigências da vida em comunidade. Esta deve basear-se na fraternidade e no amor, onde o maior deve ser o mais pequeno e todos se devem sentir responsáveis por todos, indo à procura do afastado como o pastor vai à procura da ovelha perdida. São Pedro, porém, parece que estava a achar aquilo um pouco exagerado e a precisar de alguns retoques, pois a vida em comunidade nem sempre é fácil, há sempre quem julgue ter o direito de ultrapassar os limites e há quem se julgue controlador dos mesmos. Por isso, Pedro pergunta a Jesus: «Senhor, se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Com certeza que Pedro até pensaria que já estava a ser demasiadamente generoso, perdoar até sete vezes já seria um exagero segundo os critérios em voga, já exigiria uma dose de paciência muito maior que a de Job. Mas Jesus logo lhe responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Como quem diz, o cristão está chamado a assumir uma mentalidade completamente nova, deve perdoar sempre. E conta-lhe a parábola dos dois devedores em que um recebe o perdão duma dívida incalculável, mas não é capaz de perdoar, a outro, uma ninharia que esse outro lhe devia (Mt 18, 21-35). Nessa parábola, exalta-se a infinita misericórdia de Deus para connosco, e a nossa incapacidade de perdoar o quer que seja aos outros. O que deve modelar o nosso agir em relação aos outros é aquela misericórdia que Deus tem para connosco. E a norma permanece: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
Mas dando mais um passo em frente, se devemos amar o próximo como a nós mesmos, o próximo, penso eu, nem sempre ficará bem servido. Muitas vezes, nós não nos amamos a nós mesmos. Será que se ama a si próprio aquele que despreza a sua saúde, que se afoga em vícios, que usa de violência, que entra pela maledicência e gera intrigas, que não cumpre o seu dever, que vive em pecado e na infidelidade a Deus? Como poderemos amar os outros como nos amamos a nós próprios se nós não nos amamos nem nos respeitamos?
Pois, pois, mas Cristo deu-nos um Mandamento Novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei (cf. Jo 15,12). Como quem diz: será melhor amar os outros não tanto como vos amais a vós mesmos, mas como Eu vos amei. E é diferente. Ele amou-nos gratuitamente, até ao fim, perdoando aos próprios inimigos, dando a vida sem apresentar fatura, por amor e misericórdia.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 11-12-2020.

Aniversário

11.12.20 | asal

P. Milheiro1.jpg

Faz hoje 89 anos o Sr. P. Joaquim Milheiro Valente, que vive no norte, em Requião, internado num lar segundo ouvimos dizer. Quando no activo, marcou a vida de muitos de nós, quer como professor quer depois no movimento Dominique, fundando ainda a Fraternidade de Cristo-Jovem.

Damos-lhe os nossos PARABÉNS e desejamos-lhe o melhor na saúde e na fruição dos valores da vida, sabendo todos que pouco a pouco o caminho se desfaz no mistério do Além, onde acreditamos encontrar uma vida melhor. Que Deus nos inspire e nos valha, neste emaranhado confuso que nos enleia. 

E deste colega, professor e amigo, muitas interpretações diferentes coexistem.

Contacto possível: tel. 252 375 165

Aniversário

07.12.20 | asal

Francisco Ant Farinh Manso.jpg

Francisco António Farinha Manso, natural de Cardigos e a viver na Moita, faz hoje 74 anos. Entrou em Alcains em 1959/60 com outros como, por ex., o Francisco Correia, o João Mendes Gregório, o Luciano Parente, o Manuel Velez da Costa... Depois do Seminário, estudou no ISCTE e diz no seu mural do Facebook que foi Responsável Tecnico-Comercial na empresa DuPont Performance Coatings.

Aqui deixamos os PARABÉNS do grupo, desejando a este novo amigo muita saúde e felicidade. Não temos contacto telefónico.

 

 
 

A economia de Francisco

05.12.20 | asal

PAPA7.jpg

Decorreu de 19 a 21 de Novembro, on line, o encontro de Assis dedicado à aposta numa nova economia e em que os jovens de todo o mundo foram convidados a participar juntamente com vozes experimentadas do mundo empresarial e académico. Mais de 2.000 jovens, de 115 países, souberam dizer presente e participar activamente nas jornadas.

O papa Francisco foi bem claro nos objectivos traçados para estas jornadas e todos os longos meses de preparação: «Estudar e praticar uma economia diferente, a economia que faz viver e que não mata; que inclui e não exclui; que humaniza e não desumaniza; que cuida da Criação e que não a delapida». Além de dois prémios nobel e outros grandes nomes da economia actual, bem como empresários, quis contar com a participação de 500 jovens de todo o planeta. Afinal, foram mais de 2.000, tal a resposta ao desafio lançado.

A juventude tem que ser profecia de uma «economia que se preocupa com a pessoa e com o meio ambiente. Daí que instituição e comunidades de todo o mundo tenham organizado em menos de um ano mais de duzentos encontros e grupos de trabalho preparatórios. E o convite não foi apenas para os que têm fé, mas extensivo a todos os homens de boa vontade, independentemente das diferenças de credo. Todos se encontraram para alcançar «um pacto para mudar a economia actual e dar uma alma à economia de amanhã».

Por feliz coincidência, encontrei um texto de meu tio cónego António Luís Vaz, escrito no «Diário do Minho» de 17 de Abril de 1938, a propósito da Páscoa e com o singular título: «Nós somos pela Revolução».

Cito: «O grande mal do nosso tempo é quererem os homens transformar o mundo com a máquina, com a técnica, sem fazer caso do único meio capaz de lhe trazer o remédio de que precisa.

O que falta aos homens do nosso tempo é o sentido do humano que lhes faça ver a grandeza do homem, a dignidade da pessoa humana em todas as classes e em todas as condições.

O problema económico não deve ser anunciado apenas em números; deve ser posto em termos humanos. E só quando todos virem no homem aquela realidade que Jesus ensinou e pela qual deu a sua vida, só então o mundo deixará de ser um covil de feras, para ser uma região de paz e felicidade.

Como tudo iria melhor se se vivesse a doutrina e os homens procurassem examinar os grandes problemas à luz que vem do alto, da divina mensagem que Jesus veio trazer, pela qual morreu e pela qual ressuscitou». Este texto tem 82 anos!

Zoran Rajn, experto em ‘crowfunding’, que dirige o Centro Internacional Crowfunding de Zagreb, na Croácia, afirma: «Creio que é necessário apostar na evangelização dos empresários e gestores, porque a verdadeira mudança social só a pode fazer quem, para além do dinheiro, tem Cristo». E acrescenta: «Os modelos sobre que plasmar o futuro e erradicar todo o tipo de pobreza, são aqueles que se baseiam em: melhor instrução, alfabetização linguística, financeira e digital, e, particularmente, a educação espiritual».

Estas são afirmações de alguém cuja especialidade, o «crowfunding, é precisamente um processo de mobilização de recursos que parte de baixo e se desenvolve der maneira colaborativa, porque «o acesso ao capital é um dos desafios fundamentais do desenvolvimento económico».

Desde sempre foi preocupação da Mãe Igreja que as pessoas não sobrevivam apenas pela esmola, mas que consigam realmente viver. A primeira grande revolução do trabalho foi operada por são Bento com o famoso ‘Ora et labora’ – ‘Reza e trabalha’. Porque, como afirma nos nossos dias Bento XVI, na ‘Caritas in veritate’ (nº 25): «Estar sem trabalho muito tempo, ou dependência prolongada da assistência pública ou privada, mina a liberdade e a criatividade da pessoa e das suas relações familiares e sociais, com graves danos no plano psicológico e espiritual». Já o Vaticano II tinha afirmado com rotundidade: «O homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida económica e social» (GS, 63) E São João Crisóstomo tinha sido mais contundente: «Não fazer participar os pobres dos próprios bens é roubar-lhes e tirar-lhes a vida (…) porque o que possuímos não são bens nossos, mas seus». (Catecismo da Igreja Católica, nº 2446).

O magnífico discurso do papa Francisco dirigido no último dia das jornadas, as conclusões apresentadas pelos jovens e algumas outras considerações pertinentes, exigem que continue.

A força revolucionária dos jovens, no melhor sentido, é a grande esperança de que é possível uma mudança de paradigma económico e de vida pessoal, social e comunitária.

P. Carlos Nuno Vaz, ASSASBrag

Publicado pela UASP

Aniversário

05.12.20 | asal

Adérito1.jpg

Neste dia 05-12-58, nasceu ali para os lados de Castelo Branco o  Adérito José Alves Mateus, que estudou no Seminário, como ele diz na sua página do Facebook, seguindo depois a vida militar como profissional na Marinha de Guerra. Vive agora em Cascais.

É a este jovem de 62 anos que estamos a dar os PARABÉNS e a desejar-lhe muito sucesso, muita saúde e felicidade. E não te esqueças de nós. Aparece com farda ou sem farda, que todos te saúdam com gosto.       

Contacto: tel. 962 325 342

Palavra do Sr. Bispo

04.12.20 | asal
UM JUÍZO QUE NOS PEDE JUIZINHO

D. Antonino (2).jpg

 Toda a Festa cristã, mesmo que também tenha um tempo de preparação exterior, reclama também a preparação interior. A este tempo de preparação para a celebração do Natal chamamos Advento. De facto, para um cristão, esta feliz celebração não deve estar eivada do faz de conta, do politicamente correto, de meras aparências com luzes, pinheirinhos, prendas, presépios, foguetes, formigos, rabanadas... Sim, tudo isso é importante, é festa é festa, há que respirar diferente e fazer ruturas com o quotidiano. No entanto, para que seja uma verdadeira festa cristã, não bastam esses sinais exteriores. Trata-se do nascimento de Jesus, do mistério da incarnação e da salvação, do Emmanuel, do Deus connosco, com felizes consequências para cada um e para toda a humanidade. Porque não desiste de nos amar e deseja encontrar-se e estar connosco, Ele continua a bater à porta de cada um para “nascer” e fazer festa, convivendo à mesa do nosso coração e no seio das famílias: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). Jesus vem e faz-se encontrado na sua Palavra, na comunidade cristã, na oração pessoal, familiar e comunitária, na dinâmica sacramental e nos outros, sobretudo nos mais necessitados.

Este tempo, porém, é imagem desse outro Advento que, vivido ao longo da vida, nos coloca na expectativa da segunda vinda do Senhor que virá para ser glorificado nos seus santos, para ser admirado em todos os que tiverem acreditado, para fazer justiça dando a cada um segundo as suas obras. Será o Juízo Final, sem advogados de defesa ou de acusação, sem apelo a linhagens ou a pergaminhos, o qual reclama que, ao longo desta vida, tenhamos juízo e juizinho!...
Cada um dará contas de si próprio a Deus segundo aquela lei que o próprio Deus escreveu no coração de cada um e à qual se deve obediência. Esta lei é uma espécie de voz amiga que soa, no momento oportuno, a dizer: faz isto, o bem, evita aquilo, o mal. Nesse momento da prestação de contas, será posta a nu a verdade da relação de cada um consigo mesmo, com Deus e com os outros, será o momento em que se revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças humanas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. CIgC 1038-1041).
Prestemos atenção a como o então Cardeal Ratzinger, depois Bento XVI, nos falava deste assunto no Congresso dos Catequistas e Professores de Educação Moral e Religiosa Católicas, na viragem do milénio, quando afirmava que um elemento central de qualquer evangelização autêntica é a vida eterna e que deve ser anunciada com renovado vigor na vida quotidiana.
Dizia ele: “A este ponto, desejaria mencionar apenas um aspeto da pregação de Jesus que hoje, muitas vezes, é negligenciado: o anúncio do Reino de Deus é o anúncio do Deus presente, do Deus que nos conhece, nos ouve; do Deus que entra na história, para fazer justiça. Portanto, esta pregação é também anúncio do juízo, anúncio da nossa responsabilidade. O homem não pode fazer ou deixar de fazer o que lhe apetece. Ele será julgado. Deve prestar contas. Esta certeza é válida tanto para os poderosos como para os simples. Onde ela é honrada, são delineados os limites de qualquer poder deste mundo. Deus faz justiça, e só Ele o pode fazer por último. Nós consegui-lo-emos tanto mais, quanto mais formos capazes de viver sob o olhar de Deus e de comunicar ao mundo a verdade do juízo. Desta forma, o artigo de fé do juízo, a sua força de formação das consciências, é um conteúdo central do Evangelho e é deveras uma Boa Nova. E também o é para todos os que sofrem sob a injustiça do mundo e procuram a justiça. Compreende-se desta forma o nexo entre o Reino de Deus e os "pobres", os que sofrem e todos aqueles dos quais falam as bem-aventuranças do sermão da montanha. Eles são protegidos pela certeza do juízo, pela certeza que existe a justiça. Eis o verdadeiro conteúdo do artigo sobre o juízo, sobre Deus-juiz: há justiça. As injustiças do mundo não são a última palavra da história. Existe uma justiça. Só quem não quer que haja justiça, se pode opor a esta verdade. Se tomarmos a sério o juízo e a seriedade da responsabilidade que disso nos advém, compreendemos bem o outro aspeto deste anúncio, isto é, a redenção, o facto de que na cruz Jesus assume os nossos pecados; que o próprio Deus na paixão do Filho se torna advogado de nós, pecadores, e desta forma torna possível a penitência, a esperança para o pecador arrependido, esperança expressa maravilhosamente nas palavras de São João: diante de Deus, tranquilizaremos o nosso coração, independentemente do que ele nos reprova. "Deus é maior que os nossos corações e conhece todas as coisas" (1 Jo 3, 20). A bondade de Deus é infinita, mas não devemos reduzir esta bondade a uma pieguice afetada, sem verdade. Só acreditando no justo juízo de Deus, só tendo fome e sede de justiça (cf. Mt 5, 6) é que abrimos o nosso coração, a nossa vida à misericórdia divina. Vê-se: não é verdade que a fé na vida eterna torna insignificante a vida terrena. Pelo contrário: só se a medida da nossa vida for a eternidade, também a vida na terra é grande e o seu valor é imenso. Deus não é o concorrente da nossa vida, mas a garantia da nossa grandeza. Desta forma voltamos ao ponto de partida: Deus. Se considerarmos bem a mensagem cristã, não falamos de muitas coisas. Na realidade, a mensagem cristã é muito simples. Falamos de Deus e do homem e, desta forma, dizemos tudo”.
E o Papa Francisco, na Eucaristia da passagem dos símbolos das Jornadas Mundiais, dizia aos jovens: “Com efeito, no momento do juízo final, o Senhor baseia-Se nas nossas escolhas. Quase parece que não julga: separa as ovelhas dos cabritos, mas ser bom ou mau depende de nós. Ele limita-Se a tirar as consequências das nossas escolhas, trá-las à luz e respeita-as. Assim a vida é o tempo das escolhas vigorosas, decisivas e eternas. Escolhas banais levam a uma vida banal; escolhas grandes tornam grande a vida. De facto, tornamo-nos naquilo que escolhemos, tanto no bem como no mal. Se escolhemos roubar, tornamo-nos ladrões; se escolhemos pensar em nós mesmos, tornamo-nos egoístas; se escolhemos odiar, tornamo-nos rancorosos; se escolhemos passar horas no telemóvel, tornamo-nos dependentes. Mas, se escolhermos Deus, vamo-nos tornando dia a dia mais amáveis e, se optarmos por amar, tornamo-nos felizes. É assim, porque a beleza das opções depende do amor: não o esqueçais! Jesus sabe que, se vivermos fechados e na indiferença, ficamos paralisados; mas, se nos gastarmos pelos outros, tornamo-nos livres. O Senhor da vida quer-nos cheios de vida e dá-nos o segredo da vida: só a possuímos, se a dermos. Esta é uma regra de vida: a vida só a possuímos – agora e eternamente –, se a dermos”.
Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 4-12-2020.

Bicos

04.12.20 | asal

bicos a.jpg

Comecei por aprender a cantar a canção infantil: o meu chapéu tem três bicos, tem três bicos o meu chapéu.

A primeira vez que fui a Lisboa fui ao campo das cebolas. Espantado por as terem arrancado, pois, não vi lá cebola nenhuma. O que lá vi de valioso foi a Casa dos Bicos. Visitei-a como se fosse uma prima da casa das conchas de Salamanca.

bicos-museu.jpg

Tinha aprendido na História. A primeira vez que fui a Lisboa já tinha 19 anos. Cresci a ouvir mandar calar o bico. Dar essa ordem aos mais velhos era má educação e inadmissível. Aos da mesma idade podia ser perigoso, pois, por vezes, era tomado como provocação ou desafio. Convinha sempre «medir» o outro que se mandava calar. As crianças e os homens tinham diversas formas de medir forças. Mandar calar o bico às crianças, esses dez réis de gente ou pirralhos, era uma obrigação. Torcer o pepino desde pequenino era garantia de boa salada no futuro.

Aprendi com o meu pai o que era o bico do arado de ferro. Até sabia que os bicos tinham número consoante o tipo de solo a arar. Criticou-me várias vezes porque ao lavrar deixava bicos e marradas. Sobretudo no virar do arado nos cantos da torna. Para localizar uns terrenos referia muitas vezes o feijoal dos três bicos. Nunca identifiquei o locar para saber se era um triângulo como aprendi na escola.

Bicos1.jpg

Ao que mais assisti foi ver pessoas a porem-se em bicos desafiando a natureza. E mesmo que o solo não fosse muito dotado para a sementeira, os bicos acrescentavam um «danoninho» à natureza. Questionei-me sempre se isto não era uma forma refinada de desmentir o ditado medieval: «quod natura non dat, Salamanca non prestat» (o que a natureza não dá, Salamanca também não). Os letrados destilam a má-língua com requinte. Dão estas voltas todas para chamar burro a uma pessoa. Não é por ser dr. por Salamanca e frequentar a sua universidade que se torna inteligente. Como quem diz, quem nasce burro, morre burro. Não contentes com isso, por vezes, ao dizer a frase ainda batiam com a mão fechada no tampo da mesa. Antes dos requintes da mesa e da comida e bebida ser gourmet já a linguagem o era. Vejam a diferença de tradução da expressão latina: «hoc opus hic, labor est». A tradução literal será: «aqui é que está o trabalho»; os eruditos preferem: «aqui é que está o busílis/o nó-górdio da questão/problema»: o povo entende muito melhor: «aqui é que a porca torce o rabo».

Mas não era destes bicos que queria falar. Na minha infância, todos os dias depois do regresso do trabalho, um vizinho meu passava levando na mão um jornal a embrulhar qualquer coisa. Comecei a ouvir as raparigas um pouco mais velhas com uma certa malícia a comentar: «la vai ele com a encomenda!» A cena repetia-se e a ironia do comentário não deixava dúvidas sobre o mistério daquela encomenda diária. O pai do meu amigo era pedreiro. Como todos os outros rapazes daquela geração na Idanha ou iam ajudar os pais ou trabalhar para o campo. Para aprender uma arte (caiador, pedreiro, carpinteiro, etc.) era preciso esperar uns anos, pois já havia data para poder começar. 

Bicos2.jpg

Na Idanha dos anos 50 só muito poucos tinham hipótese de estudar. Ainda não existia o colégio diocesano e o anterior esteve fechado. Alguns ricos continuavam a estudar. Ou remediados se tivessem a sorte de ter um familiar ou uma pessoa chegada em Castelo Branco, ocasionalmente, podia ter tal oportunidade. Aos pobres estava destinado o campo, as obras e mais tarde a emigração. Alguns da vila escapavam a esta sina, tornando-se um misto de empregado de balcão e moço de fretes nos comércios e lojas. Fábricas só existiam a moagem do sr. Lobato na Carreira e duas fábricas de pirolitos no Ribeirinho. Lá estou a eu fugir e a esquecer-me dos bicos.

Mário Pissarra.jpeg

Um dia desvendei o mistério da encomenda. O meu amigo não sentia grande orgulho na aprendizagem de pedreiro junto do pai. Uma das suas tarefas era levar ao fim da jorna os bicos à forja. Sim, os bicos de tanto bicar na pedra ficavam rombos. Algumas línguas nunca ficam rombas, mas os bicos sim. Algumas pessoas nunca perdem o bico e têm a língua sempre bem afiada, mas os bicos têm de ser afiados. Para isso precisam de ficar em brasa e ser batidos na bigorna.

Termino. Antes que achem que me estou a por nos bicos que tenho bom bico ou sou um bico gourmet. O mais certo é que me mandem calar o bico. Já fechei o dito cujo. Por hoje!

bicos0.jpg

Mário Pissarra

bicos.jpg