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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

A praga dos incêndios

15.09.20 | asal

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Outra vez a praga dos incêndios na região mártir do interior, desta vez na mancha contínua que restava verde abrangendo partes dos concelhos de Proença, C. Branco e Oleiros (aqui desta vez com maior incidência).

O clima, as condições climatéricas destes dias são propícias, é verdade. Mas muito mais que o clima - toda a gente sabe que há décadas o clima vem piorando para a floresta - o que isto revela, o que esta razia mostra é a incúria, a incompetência, o abandono a que o poder central condenou parte do país.

Se quisessem resolver o problema já o tinham feito, o problema da floresta demora alguns anos a resolver e só com medidas sérias, só com investimento público (que não fosse apenas para a indústria do fogo) poderia haver uma gestão minimamente eficaz do coberto vegetal, limpeza e ordenamento da floresta.

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Nada fizeram, aprovam medidas para o Diário da República, para a imprensa, para o mercado dos votos (é isso a única coisa que os preocupa). E o resultado é esta tristeza infinita que as lágrimas nao resolvem. Venham, venham dar abraços e beijos, que terão sempre alguns papalvos com quem o fazer.

Limpem-se a isto, isto é o vosso espelho! Parabéns, ditosa pátria que tais filhos tem!

Joaquim Silvério Mateus

Aniversário

15.09.20 | asal

João F. Alves.jpgParabéns, João Farinha Alves!

Nasceu no Vergão Fundeiro, Proença-a-Nova, em 1943. Correu seca e meca, enamorou-se pelos Açores, especialmente pela Ilha Terceira e vive há muitos anos em Setúbal. O notariado era o seu forte, mas agora, já aposentado, continua a aconselhar muita gente em questões de direito. 

Registo aqui os PARABÉNS DO GRUPO nos teus 77 anos, que é um modo de nos lembrarmos uns dos outros e desejarmos felicidades. Que vivas muito e sejas feliz. 

Contacto:  tel. 961 129 241

Para reflexão:

“Não permita Deus nosso Senhor que, onde eu não posso ajudar, venha a prejudicar a alguém” (Santo Inácio de Loyola). Em alguns momentos, silenciar é a melhor opção quando não soubermos o que falar ou não estivermos com informações suficientes para expor uma opinião ou ainda tomar uma decisão. Falar a palavra certa, na hora certa, para a pessoa certa e da maneira certa é um exercício a ser aprendido e treinado constantemente. Peço ao Espírito Santo o dom do discernimento para ajudar as pessoas. E quando não puder fazê-lo, que eu me lembre de orar por elas. Muitas vezes a oração de intercessão é a melhor opção para ajudarmos alguém.

In "Click to Pray"

Memórias de Idanha-a-Nova - 3

14.09.20 | asal

Os números não enganam

Já estou no terceiro texto e ainda disse pouco sobre este livro - "Autos de Memórias de Entre duas Idanhas", que o P. Adelino Américo Lourenço publicou em 2006, uma reposição da vida de há 100 anos atrás na “Villa de Idanha-a-Nova”, segundo escritos deixados pelo pároco de então.

O P. João Affonso Soares é um homem dedicado à sua terra, muito organizado nas suas tarefas, entre elas a conservação de livros e documentos e o registo escrito dos dados importantes da sua vida paroquial. Hoje vamos falar de números, sobretudo aqueles que sobressaem como diferentes em comparação com os dias de hoje. E quando lhe dizem que ele gasta muito tempo na escrivaninha a registar dados, ele responde num grito de alma:

«… conheço todos os meus parochianos; adivinho o que lhes vai na alma quando os encontro na rua ou me procuram na igreja. Compreendo a sua ausência magoada em dias de festa, procissão ou romaria. Sei onde estão os pobres e os sem trabalho, as crianças que passam fome, os doentes, os amargurados. Não me passam ao lado os dramas humanos dos meninos expostos, das donzelas prenhas e proibidas de declarar quem é o pai da criança. Conheço pessoalmente e sei onde moram os mendigos da minha Villa de Idanha-a-Nova». (p.90)

Este pároco também regista números ao compulsar os Extractos de Batismos e Óbitos que ele à pressa conseguiu copiar dos livros que a República lhe extorquiu. Já não teve tempo de fazer um extrato do dos casamentos.

Nos 19 anos de monarquia – entre 1891 e 1910 – ele regista 3006 crianças batizadas. É um número bastante significativo, mais de 150 crianças por ano.

Hoje, com 2352 habitantes pelo último censo, a freguesia está bem reduzida em população. E outros números dirão ainda mais: em 1911, o concelho de Idanha-a-Nova registava 10 393 crianças e adolescentes entre os 0 e os 14 anos, mas em 2011, esse número passou a ser apenas – 846. Muito se alterou na função de procriar nestes mais de 100 anos! Criar filhos era conseguir mais braços para o trabalho, sem negar as condições de que hoje dispomos para não termos um “ranchinho” à nossa volta!

Por mera curiosidade, descobri que o concelho de Idanha-a-Nova está no top 10 de nascimentos em 2016, no que se refere ao número médio de crianças por mulher em idade fértil. Idanha-a-Nova ocupa o 9º lugar (1,77), o que ainda não chega para a população se reproduzir na totalidade.

Voltando aos números, o escriba diz que todos se batizavam no primeiro ano de vida, mas destes ele também contou os que no mesmo ano passaram a anjinhos, nome dado aos que eram enterrados. Foram 517, uns 17% que não passavam do primeiro ano, tal não era a taxa de mortalidade. Muito sofreram as famílias… O autor até chama a estes anos “tempos de maldição”…

Outro dado sociológico bem diferente de hoje é o que se refere aos meninos expostos, crianças que foram enjeitadas à nascença e que aqui têm uma palavra de carinho: «… deixados à porta, em pequenino berço, no silêncio da noite anterior. Noite escura como breu, em todos os sentidos! Alguns encontraram a ternura de jovens mães ainda em tempo de amamentar … ou de casais que, no meio do seu ranchinho, alargaram um pouco a roda à hora do comer e meteram mais um para levar a colher da comida à boca, acabando por ser aceite como mais um filho e mais um irmão. Outros foram deixados intencionalmente à porta de casais sem filhos e deles receberam dedicação e amor, para toda a vida!» (p. 50)

Como se vê, não é preciso haver a tal roda dos mosteiros, onde se colocavam os meninos enjeitados. No livro, não vi referência a este instrumento, que foi oficializado em Portugal e perdurou até ao liberalismo.

Humanamente falando, esta prática talvez fosse menos destruidora das mães do que os abortos de hoje. Os filhos seguiam a sua vida, mesmo sem saberem dos pais. O ferrete, no entanto, ficava para toda a vida no assento de batismo: no lugar da filiação, exarava-se a palavra exposto

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Por hoje, fico por aqui. Mas eu ainda pretendo continuar para mostrar mais algumas preciosidades. Nem sequer falei ainda da Senhora do Almotão (!!!).

Seguem duas fotos: uma com o P. Adelino a cantar à Senhora e outra com uma página do livro, onde cada um pode olhar para os números referidos no texto.

(continua)

António Henriques

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Aniversário

14.09.20 | asal

Faz hoje 41 anos o Jorge Francisco Esteves Jacinto, que vive em Abrantes e trabalha na empresa Aviludo. Gosta de motos e não sei que mais.Jorge Francisco Jacinto.jpg

Damos sinceros PARABÉNS ao Jorge, desejando-lhe as maiores felicidades. E que faça muitos anos com saúde e muitos amigos. 

Quando te poderemos encontrar? Ainda não te vimos...

Não temos mais informações.

Para reflexão:

«“A vida é como o mar: algumas vezes maré alta e em outras maré baixa, mas é preciso ter a coragem de mergulhar para tirar pleno proveito dele.”

Não tenha medo de se jogar quando as oportunidades aparecerem.

Você nunca sabe quando elas vão surgir ou não.

Então, é bom sempre estar preparado, mesmo que o momento não pareça o mais propício.»

Reportagem na terça-feira

13.09.20 | asal

https://www.facebook.com/636624913087554/photos/3331991930217492/ 

PRÓXIMA 3ª FEIRA | 15 de SETEMBRO | 50 DIAS

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José André esteve ligado às máquinas durante 50 dias, depois de ter testado positivo à Covid-19 no dia 22 de Março deste ano. Uma grave pneumonia e dificuldades respiratórias obrigaram os médicos do Hospital de Portimão a ligar José a um ventilador e a colocá-lo em coma induzido. Esteve assim 30 dias. Depois, foi transferido para o Hospital De Faro e ficou mais 20 dias com suporte de vida na Unidade de Cuidados Intensivos.

José só teve alta a meio do mês de Junho, mas a luta contra a doença que parou o mundo em 2020 ainda não terminou. Perdeu mais de 50 por cento da massa muscular, ficou afetado nas funções motoras e teve de reaprender a fazer tarefas tão simples como lavar os dentes.

Nas últimas semanas, o repórter Mário Antunes tem seguido a recuperação deste homem, que continua a fazer fisioterapia no Hospital de Faro e já faz caminhadas de cinco quilómetros, sempre acompanhado por Fernanda, a esposa que, na solidão da casa em Albufeira, viveu à distância o drama da doença de José André.

Na próxima terça-feira, dia 15 de Setembro, ouça na Antena1 a grande reportagem "50 Dias". Neste trabalho, ouvimos também uma das médicas que acompanhou José André. Para ele, a equipa médica foi "a família" que não pôde estar ao seu lado nos 50 dias mais duros da sua vida.

"50 DIAS"
15 de Setembro
10h15
Grande Reportagem | Mário Antunes
Sonorização | Paulo Póvoas

Aniversário

13.09.20 | asal

José Luis Bacharel.png

Conheci o  Eng. José Luís Nunes da Silva Bacharel quando a sua esposa, a Clara, ensinava no Colégio de S. António, em Portalegre, como minha colega. Trabalhava ele na Delegação de Saúde. Entretanto, passados muitos anos, volto a Portalegre e, para surpresa minha, dou com este amigo como Diácono Permanente da Diocese.

Assim, é com muita alegria que, em nome dos antigos alunos dos nossos seminários, dou os PARABÉNS ao José Luís, desejando-lhe saúde, muitos anos de vida e realização pessoal a bem do povo de Deus e da sua família.

Nasceu em Portalegre em 13-09-1945 e lá vive com a família na zona do Senhor do Bonfim. Presentemente, trabalha com o P. Américo Agostinho ao serviço das paróquias de Alagoa e Fortios.

Contacto: tel. 938 454 583 

Para reflexão:

"Quando um modelo de vida lhe parecer bem, siga-o, mas, por favor, não queira que os outros também o sigam; o pregador é intolerável." (Agostinho da Silva)

Memórias de Idanha-a-Nova - 2

12.09.20 | asal

O escrivão destas Memórias

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À medida que ia lendo páginas dos "Autos de Memórias de Entre duas Idanhas", nascia em mim uma admiração sincera por este “cidadão de Portugal” (como ele se intitula!) e súbdito de Sua Majestade (!!!).

Trata-se do P. João Affonso Soares, nascido em Idanha em 20/10/1838, ordenado presbítero em 1861 com a idade de 22 anos e que assumiu a paroquialidade de Idanha-a-Nova em agosto de 1891. No entanto, só em 1899 (passados 8 anos), depois de fazer exame de colação, passou a “pároco colado”.

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O que é que isto quer dizer? No tempo da monarquia, os padres concorriam para tomar conta de uma paróquia, ficando com um estatuto religioso e civil, prestando contas ao bispo (assuntos religiosos) e ao governador civil (assuntos civis). Eram semelhantes a um Presidente de Junta de Freguesia como Presidentes da Junta de Paróquia, encarregando-se dos recenseamentos eleitoral e militar, das certidões de bom comportamento e de pobreza, de enviar mensalmente a lista de nascimentos, casamentos e óbitos, vigiar para que os enterramentos não se fizessem fora do cemitério ou na igreja, ter o cuidado dos expostos…

Muito diferente é a situação dos padres de hoje, que são canonicamente uma extensão do bispo nas paróquias, que os nomeia e exonera de acordo com a sua vontade ou, por outras palavras, segundo o entendimento do que é melhor para a sua diocese. Nunca passam a efetivos!

Voltando ao nosso escrivão de Idanha, O P. João Afonso Soares exerceu o seu múnus durante 23 anos. Usando suas palavras: «Foram vinte e três anos de devotado trabalho de Parocho da minha Villa natal a qual sempre amei e pastoreei com zelo apaixonado, sendo oito como Encarregado da Parochialidade e quinze, como Parocho colado».

Depois de renunciar ao seu ofício, com 76 anos, é o seu sucessor que lhe pede um relatório em que lhe desse «esmiuçada noticia dos conteúdos históricos dispersos por esses livros». Aos 81 anos, anda ele atarefado a reunir apontamentos sobre a história da paróquia, reunindo na sua secretária toda a documentação existente. São livros de contas, inventários, regulamentos, registos de batismos, casamentos e óbitos (com que a República iniciou o seu Registo Civil), descrição minuciosa de todo o património litúrgico… Podemos dizer que é todo o séc. XIX que por ali passa. O Livro da Confraria das Almas é de 1818…

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O P. Adelino fez um trabalho minucioso ao transcrever meticulosamente cada uma das “laudas” existentes na tal caixa misteriosa – um tesouro!

A pessoa - pensamento e ação

Já escrevi que o P. João Afonso Soares era um comentador independente, amigo sincero da sua Igreja e da sua Idanha.

Acrescento que ele naturalmente se mostra afeiçoado à monarquia: «Em preito de memória saudosa, guardo a colecção completa das moedas emitidas no curto reinado do último monarca português…».

E não esquece os atropelos da República «a Igreja transitava das ameaças da maçonaria dos últimos governos monárquicos para cair indefesa nas garras da República…». Refere mesmo o “vergonhoso exílio” imposto a D. António Moutinho, bispo de Portalegre, a quem espoliaram o paço e expulsaram, vindo acolher-se em Proença-a-Nova.

Curiosamente, na sua independência, ele afirma que «a Igreja em Portugal está aproveitando esta provação (republicana) para se libertar das amarras que a ligavam penosamente ao regime monárquico…».

Mas já na monarquia, ao tempo do liberalismo exacerbado, a propósito da expulsão das ordens religiosas, ele é claro: «O espectáculo de delapidação e vandalismo que se verificou nessa altura, comoveu e indignou todos os Homens de Cultura, mesmo os pouco afectos à Igreja, como o escritor e historiador Alexandre Herculano, o qual energicamente lamentava a perda irreparável de in-fólios e incunábulos, …, arrebatados às velhas bibliotecas dos mosteiros e lançados ao lixo por gente insana e estúpida» (p. 300)

A mesma liberdade de espírito transparece ao falar de tantas crianças – anjinhos- que ele acompanha à sepultura: «continuo a não aceitar que a mortandade tenha tantos direitos, precisamente sobre os mais inocentes»!

Como homem de acão, mostra-se bem organizado, quer na recolha das receitas quer no pagamento das dívidas, sempre com saldos positivos. Faz obras na Igreja e na torre, no cemitério e nas capelas e mostra a documentação, as cartas de rogação e as de agradecimento, assim como os contratos que ia fazendo.

Ficamos hoje por aqui. Brevemente, virão outras achegas. (continua)

António Henriques

Palavra do Sr. Bispo

11.09.20 | asal

DOMINGOS SÁVIO ENTRE OS SÁBIOS DO SABER VIVER

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Os sinos repenicaram e os aplausos troaram naquela grande praça cujas colunatas de Bernini abraçam a praça, a cidade e o mundo. A Rádio Vaticano anunciava que a Basílica e a Praça de São Pedro eram o palco de uma verdadeira festa salesiana. Foi em 5 de março de 1950. Quatro anos depois, em 13 de junho de 1954, a festa repetia-se. A multidão era muito maior, muito maior foi o aplauso. Na primeira festa, dezenas de milhares de jovens de todo o mundo, associavam-se à multidão para celebrar a Beatificação de Domingos Sávio por Pio XII, um estudante de 14 anos como que a dizer-nos que a santidade é possível em todas as idades e condições. Na segunda festa, voltaram a soar os sinos pela sua canonização. Mais de vinte e cinco mil estudantes dos Colégios Salesianos lá estavam associados à Igreja Universal para aplaudir e agradecer aquele jovenzinho, verdadeiro estimulo nos caminhos da santidade. Concretizava-se assim aquilo que o Padre João Bosco havia dito em 13 de setembro de 1862: “Eu vos garanto que teremos jovens da casa elevados às honras dos altares”.
O Padre João Bosco, canonizado em 1934, foi o fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, a Sociedade Salesiana. Mais tarde, com Maria Domingas Mazzarello, canonizada em 1951, fundou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, um Instituto de Vida Consagrada feminina, bem como constituiu a Associação leiga dos Cooperadores Salesianos. Têm como carisma e missão a educação, a promoção e a evangelização dos jovens. Se os santos e as santas são a mais fina flor da humanidade, Domingos Sávio foi a primeira a sair desses jardins salesianos para perfumar e embelezar a Igreja e a sociedade.
Nascido em 2 de abril de 1842, nos arredores de Turim, Itália, Domingos era um dos três filhos de Brígida, costureira, e de Carlos Sávio, ferreiro, uma família exemplar na vivência da fé e rica em valores humanos. Desde pequenito que chamava a atenção pela sua maneira de ser e estar, pelos seus gestos, atitudes e sentimentos, pelo seu gosto em frequentar a igreja e ajudar à Missa. Não raro, se a igreja estivesse fechada, ajoelhava-se à porta e ali ficava em oração, "nevasse ou chovesse, fizesse frio ou calor". Aos sete anos fez a primeira comunhão, afirmando anos mais tarde que foi “o mais belo dia” da sua vida. Nessa ocasião, traçara um projeto de vida em que se prometia frequentar os sacramentos, santificar os dias festivos, ter como amigos Jesus e Maria, e, “antes morrer que pecar”.
Aos doze anos de idade encontrou-se com o Padre João Bosco pedindo-lhe para ser admitido no Oratório de São Francisco de Sales, em Turim, porque queria ser Padre. Dom Bosco, acolheu o rapazito que lhe pareceu e comentou ser boa fazenda, bom pano, ripostando Domingos que, então, fosse ele o seu alfaiate. Logo se destaca pela “exata observância do regulamento da casa, a empenhada aplicação no estudo, o cumprimento fervoroso dos deveres, a frequência dos Sacramentos da Confissão e da Comunhão, a disponibilidade com que acolhia e ajudava os companheiros”, como afirmam fontes salesianas das quais me estou a servir. A sua presença e testemunho caraterizavam-se pela alegria: “Sei que posso tornar-me santo, sendo alegre”. E logo cacarejava aos recém-chegados a importância dessa virtude e aquilo que a podia rapinar: «nós aqui – dizia ele - fazemos consistir a santidade no estar muito alegres”. E acrescentava: “procuramos apenas evitar o pecado, como um grande inimigo que nos rouba a graça de Deus e a paz do coração, e de cumprir exatamente os nossos deveres».
Sempre humilde e respeitoso, preferia mais ouvir do que falar, embora logo surgisse a serenar as desavenças entre os colegas, mesmo junto daqueles dos quais sofrera alguns dissabores, aquilo que leva hoje muitos sábios da nossa praça a espirrar e explicar ciência, chamando-lhe bullying.
Não sei se consta em alguma biografia dele, mas quando eu andava lá pelos bancos do aprender a aprender e em idade de melhor fixar o que esbarrava ou beliscava os ouvidos da normalidade, gravei cá no cinemascópio da memória o que um ou outro Formador nos dizia sobre São Domingos. Se estivesse a estudar e tocasse a campainha para o recreio, por exemplo, e se ele estivesse a escrever o “i”, era tão exímio na obediência que nem sequer colocava o pontinho sobre o “i”, isso ficava para o depois. Ora, se o “i” fosse tão alto como um obelisco egípcio e o pontinho a colocar, lá no seu mais alto, fosse uma enorme bola de pedra, com certeza que deixar de o fazer seria um grande e desejado alívio nessa pesada, difícil e perigosa trabalheira. Até poderia estar aí o absurdo da nossa própria vida, se o ponto, já perto do topo, sempre caísse fazendo-nos recomeçar a tarefa. Assim tal como Albert Camus, em “O Mito de Sísifo”, nos torna presente o castigo dado a esse personagem da mitologia grega para nos fazer filosofar sobre os absurdos do quotidiano existencial. De facto, isso de deixar de colocar o pontinho encima do dito cujo... só mesmo de santos!... ou só mesmo de educadores a puxar pela guelra dos educandos!... Fosse lá como fosse, sempre fazia levantar a fasquia pessoal no desafio à exigência do cumprimento do dever...
São João Bosco, que considerava Domingos “de boa índole e muito piedoso”, afirmou: “Descobri naquele adolescente uma alma totalmente conforme ao espírito do Senhor, e fiquei surpreendido considerando os efeitos que a graça de Deus tinha operado em Domingos”. De facto, tocado pelo carisma salesiano, tinha como meta alcançar a santidade e despertar nos outros isso mesmo, a conversão, a santidade, chegando a dizer: “Oh! Se eu tivesse forças e virtude, quisera ir agora mesmo, e com sermões e bom exemplo, convertê-las todas, a Deus”. Com esse objetivo e consagrado a Maria, chegou a fundar, com amigos do Oratório, a Companhia da Imaculada, um instrumento para o trabalho apostólico em grupo, donde saíram grandes colaboradores de São João Bosco. Mas, como diz o povo, tudo vai bem enquanto há saúde. Domingos, aos 14 anos, adoeceu com tuberculose, foi perdendo o petite, piorou, regressou à casa paterna, acamou, sujeitou-se aos tratamentos da época que, apesar de incómodos e dolorosos, suportava com toda a serenidade. Tendo a perceção da evolução da doença, pediu a presença do seu Pároco. Depois de quatro dias, apesar da convicção do médico e de seus pais de que ele iria melhorar, Domingos pediu a Santa Unção. Seus pais, para o animar, obtiveram-lhe uma bênção papal. Na noite do dia 9 de março de 1857, após uma nova visita do seu Pároco, pediu a seu pai que lhe lesse orações para ter uma morte serena. Cansado, adormeceu por algum tempo, mas logo acordou, perguntando o que é que o Pároco lhe tinha dito, pois já não se lembrava. Despedindo-se dos pais, e agraciado na hora da morte, exclamou: “Oh, que linda visão estou a ter! Que lindo!”. A notícia da sua morte correu célere, seu pai comunicou-a a São João Bosco: “É com lágrimas nos olhos que lhe dou esta notícia: o meu querido filho Domingos recolheu a alma a Deus, ontem à tarde, 9 de Março”.
Dom Bosco escreveu a sua biografia e diz-se que chorava cada vez que a relia. Nela conta que em várias ocasiões viu Domingos estasiado depois de receber a Sagrada Comunhão. Um dia, encontrou-o no coro da igreja, não resistiu em lhe falar: “Fui ver – conta Dom Bosco – e encontrei Domingos que falava e depois se calava, como à espera de uma resposta. Entre outras coisas ouvia claramente estas palavras: ‘Sim, meu Deus, já vos disse e vo-lo digo de novo: amo-vos e quero amar-vos até à morte. Se virdes que vos hei de ofender, enviai-me a morte: sim, antes a morte que o pecado”. Quando lhe perguntou o que fazia nesses momentos, Domingos respondeu: “Pobre de mim, vem-me uma distração, e naquele momento perco o fio das orações, e parece-me ver coisas tão belas que as horas fogem sem que eu dê por isso”.
Domingos Sávio mostra do que são capazes os jovens quando se abrem ao encontro com Cristo, o verdadeiro Amigo que provoca, interpela, atrai, inspira, desafia e faz-se companheiro de viagem nas aventuras duma vida com sentido.

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 11-09-2020.

Memórias de Idanha-a-Nova -1

11.09.20 | asal

Um livro

O P. Adelino Américo Lourenço, vigário de Idanha-a-Nova, telefonou-me há dias a pedir-me o endereço para me oferecer um livro que ele publicou em 2006, por ocasião dos 800 anos da Vila de Idanha-a-Nova, que ele paroquia desde 1972. Ofereceu-mo «com muita estima», o que eu agradeço sinceramente, embora há mais de 50 anos nos tivéssemos visto apenas uma vez, numa ocasião em que passei por aquela linda terra e fui visitá-lo à igreja levando comigo outro Adelino, o meu cunhado do Fundão.

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Eu não sabia do conteúdo desta obra, mas olhei para ela com curiosidade e até me provocou interesse, a ponto de já ter passado horas com a sua leitura. É de história que se trata, é do passado que se fala, mesmo que o P. Adelino diga que lhe «falta a competência científica, necessária a tal empreendimento» (sic), mas «o amor entranhável que dedico a esta Villa…» obrigou-o a mexer nos tesouros da paróquia e a trazê-los à luz para gozo e alimento de muitos.

Estes “Autos de Memórias de entre Duas Idanhas”, com capa centrada na Igreja paroquial e duas fotos, a do pároco de há 100 anos atrás (canto superior esquerdo) e do atual (canto inferior direito), são um precioso contributo para a história religiosa dos últimos 100 anos de Idanha!

O início

Afirma o P. Adelino: «Já me tinham dito: - No chão daquele arcaz grande… está lá uma caixa de madeira». Estes arcazes guardavam as preciosidades usadas extraordinariamente na liturgia: “capas de asperges em cinco cores… ternos de casula e dalmáticas… véus d’ombros… alvas r sobrepelizes… frontais e pavilhões de sacrário”… etc.

E no arcaz estava ainda uma caixa de madeira. «Foi só quando a euforia pela chegada do ano 2000 – século XXI e 3.º milénio – despertou em mim algo de misteriosamente nostálgico, ao ponto de me decidir a puxar, para fora do velho bahú, o tesouro E na caixa o que estava? «…um maço de laudas, atadas em cruz com uma fita vermelha…». E na primeira folha, a mensagem:

Para o Vigário

              do anno 2000

«Estremecendo-me a alma e as mãos, desatei a fita…. Religiosamente… fui decifrando e meditei em cada lauda já amarelecida, testamentos de sensatez e humanidade, paz e sofrimento, dor e esperança!!!»

Em síntese, um vigário anterior, de nome João Affonso Soares, que paroquiou a Idanha entre 1891 e 1914, num trabalho de copista e comentador independente, redigiu minuciosamente o que de importante aconteceu na Idanha entre 1870 e os primeiros anos da República.

Tempos revoltos, marcados pela turbulência do liberalismo, pelo definhamento da monarquia e advento da República e da poderosa maçonaria. Este vigário, homem culto, rigoroso cronista e copista dos documentos do tempo, deixava um rico testamento ao seu sucessor do ano 2000, apelando à continuação da obra que ele deixou, especialmente o incremento da fé cristã e o combate às catástrofes das «pragas de fome e miséria para o pobre Povo…», como ele próprio diz na pág. 19:

«…a divisão desastrosa de Portugal entre absolutistas e liberais, com guerras e revoluções, cartas constitucionais e maçonaria, e sobretudo e sempre com ataques, afrontas e perseguições aos ministros sagrados da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana e muito mais catastrófico, porque mais dói, as pragas de fome e miséria para o pobre Povo, todas essas consequências sociais também aportaram à minha Villa de Idanha a Nova…»

Paramos hoje por aqui. Nos próximos dias, explanaremos o conteúdo do livro. António Henriques

(continua)

Aniversário

11.09.20 | asal

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É dos Montes da Senhora, como o João H. Ribeiro, o Zé Pedro, o Aníbal R. Henriques..., e nela exerce importantes funções. Desde o ensino à política, tem-se esforçado por servir o melhor que pode a comunidade a que pertence.

Trata-se do Carlos Alberto Ribeiro Gonçalves, que nasceu em 11-09-1970, perfazendo agora 50 anos, uma idade jovem e plena de esperança e projectos para o futuro.

Caro amigo, aqui se registam os PARABÉNS dos teus ex-colegas nos seminários, com votos de muita saúde, longa vida e muitos sucessos pessoais e familiares. E quando é que apareces?

Contacto: tel. 938 604 730

Para reflexão:

Hoje em dia as pessoas têm medo de expressar seus sentimentos. A vida é bela para quem sabe vivê-la. Sorria sempre, pois é um dos dons mais preciosos que tem.

- Agatha Sthefanini

Pimenteiras de Sacavém

07.09.20 | asal

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As que estão plantadas no território da freguesia, estão agora a mostrar os seus frutos, as bagas rosadas pendem da árvore em lindos cachos, salpicando-a de verde e vermelho.

É a pimenta rosa que, sendo originária da América do Sul, encontrou aqui um clima propício ao seu desenvolvimento e é por isso que as encontramos plantadas em ruas e praças sem que sejam notadas, até que os frutos apareçam.

Compostas e carregadas de cachos vermelhos, balançam ao ritmo da brisa e atraem aves que se vão alimentando desta especiaria aromática e saborosa.
Uma vez que estou a falar de pimenta, há outras variedades que se encontram à venda em frasquinhos nos espaços comerciais, e cada uma com as suas características e sabores variados que dão aos alimentos.
A pimenta preta, mais conhecida como pimenta do reino, uma planta trepadeira que é originária da India e, consoante o tratamento que é dado às suas drupas, os sabores ficam distintos para usos na culinária.
É histórico que o comércio da pimenta foi bastante activo e provinha do Oriente trazido por mercadores muçulmanos, o seu preço era tão alto que chegou a ser utilizado como moeda, em paralelo com o ouro e a prata. Por isso a sua procura era tanta, que teria sido aproveitada pelos navegadores portugueses e trazida para o Ocidente.
Da colheita resultavam outros tipos de pimenta consoante o tipo que se desejava obter, porque além da pimenta preta cujos bagos eram colhidos imaturos (verdes) e deixados ao sol a secar por vários dias, ficando enrugados e enegrecidos.
Para a pimenta verde, os frutos seriam colhidos ainda imaturos e usados frescos ou submetidos a processos que mantêm a cor natural.
Para as pimentas brancas, os frutos são colhidos já maduros (vermelhos) ensacados e deixados em tanques com água corrente por uma semana para a decomposição da casca e da polpa, ficando apenas a semente que é deixada ao sol por um ou dois dias para secagem.
PJoão Antunes.jpgara obter pimenta vermelha, os frutos são colhidos já maduros e preservados em conserva.
Moída ou em grão, a pimenta está nas prateleiras para usos culinários, combinando os seus sabores com variados pratos. Também a indústria não a dispensa pelas suas propriedades medicinais e utilizada para alívio de dores musculares, artrites e nos emplastros.

A pimenteira-aroeira, árvore de médio porte que nós vemos por aí, umas são fêmeas outras machos, e na sua floração são muito atractivas para as abelhas por terem pólen em abundância.
Como árvore exótica, faz com que a sua escolha seja preferida para ornamentação paisagística requerendo os cuidados de cultivo e podas de formação, porque como árvores são de capital importância na melhoria e qualidade de vida.

João Antunes
20200905

Aniversários

07.09.20 | asal

Américo Agostinho1.jpg

PARABÉNS, P. AMÉRICO AGOSTINHO, que nasceu em 1936, natural da Palhota, S. Pedro do Esteval, e presentemente a trabalhar na zona de Portalegre como Assistente religioso do escutismo (CNE) e pároco de Alagoa e Fortios.  

Quando nestes tempos de pandemia lhe telefonei, apanhei-o a caminhar na sua garagem para tratar do físico e a rezar o terço, por certo para tratar do espírito, coisa que aqui por casa também se faz às vezes!

Para o saudarmos, temos o tel. 965 240 903.

 

- E PARABÉNS, ADELINO FERNANDES DIAS, nascido em 1952, também em S. Pedro do Esteval, colega dos 43 alunos que entraram no Gavião no ano lectivo de 63/64. Esteve no grande Encontro de Alcains em 2010, mas não temos foto. Se alguém nos puder ajudar, agradecemos.

Contactável pelo tel. 919 077 828

Aos dois colegas, além dos parabéns, desejamos também uma longa vida, cheia de saúde, alegria e realização pessoal.

Para reflexão:

A vida nem sempre é fácil, por isso Deus criou os verdadeiros amigos, anjos guerreiros que lutam conosco e nos ajudam a superar qualquer momento.

Celebrar Amália Rodrigues (4)

05.09.20 | asal
Meu esforçado Henriques
Aí te envio mais uma simples colaboração para o nosso acarinhado ANIMUS. Espero que não me classifiquem como maníaco deste tema. Quando fui descobrindo que o Fado é uma canção de grande riqueza popular, pois nos revela também o que somos como povo, tentei ir um pouco mais além.  Respeito quem não goste. Eu também já gostei menos...Mas, o que vos confidencio é que ele nos dá pano para mangas, em relação ao seu aprofundamento. Nomeadamente, a religiosidade popular revelada em muitas das suas canções... Dará pano para mangas...
Abraços fraternos para todos os que fazem parte dos nossos ideais fraternos e solidários.
Florentino Beirão

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A eterna e universal diva do fado

 

Após a escola primária, com apenas 12 anos, Amália começou a dar nas vistas no seu bairro de Alcântara, quando se preparavam as Marchas Populares de Lisboa. Daqui para a frente, foi vê-la implantar-se nos meios fadistas, logo a partir de 1935, atuando em casas típicas do fado, como no “Retiro da Severa. Nesta altura, a ideia de vir a ser profissional do fado, confessou a fadista “ encontrava-se ainda muito longe dos meus projetos de vida”.

Politicamente, o país vivia a ressaca do 28.05.1926, resultado do golpe militar de Braga, perdendo os republicanos o poder para uma ditadura militar. A partir do início da década de 30, o mesmo poder acabou por cair nas mãos de Salazar que fundou em Portugal o longo consulado do Estado Novo, de cariz fascista, mantido até à Revolução de Abril de 1974.

Porém, na maioria das famílias portuguesas, como na de Amália, a política era o trabalho e seguir os seculares valores cristãos, bebidos na família. Por isso, os seus pais e avós, vizinhos em Lisboa, aderiram ao regime.

Nesta fase da vida de Amália, como distração, havia apenas umas idas ao cinema de cariz nacionalista e as cantigas do folclore da Beira Baixa, cantadas nas festas familiares.

Como não era fácil viver-se em Lisboa, Amália ao dar já nas vistas, ia sendo convidada para cantar nas casas do fado, para ajudar a família. Um ano depois, em 1936, Amália, de corpo feito, ainda teve de trabalhar na descarga de carvão no cais de Alcântara e num quiosque de Lisboa. Com tantas lides, ainda lhe sobrava tempo a ela e à irmã Celeste, para venderem fruta e lembranças aos turistas. Dois anos depois, a mãe de Amália, criticada pela vizinhança, acabou por retirar as filhas destas tarefas.

Já com 18 anos, num dos concursos em que Amália participou com o seu irmão Filipe, apaixonou-se pelo guitarrista Francisco Cruz que a acompanhava. Este jovem, mecânico de profissão, atraiu de tal modo Amália que, logo à primeira vista, se enamoraram, embora às escondidas.

 Porém, deu-se a coincidência de nestas festas de bairro se encontrar alguém que, surpreendido com a genial voz de Amália, decidiu convidá-la para cantar nas Casas de Fado de Lisboa, onde já havia belas vozes, como Alfredo Marceneiro, Adelina Ramos, Arminda Vidal e outros.

Só que, no Estado Novo, as casas típicas do fado eram associadas às populares tabernas, casas de vícios e de costumes pouco recomendáveis. Ambientes detestados por Salazar e por lisboetas que não encaravam com bons olhos esses espaços.

Acontece porém que o braço direito de Salazar, o ideólogo António Ferro, com a sua visão política e como homem culto, intuiu que o fado, já era tão querido do povo dos turistas que poderia tornar-se um grande trunfo, para a propaganda do Estado Novo. Deste modo, graças a Ferro, começou a ser tolerado, desde que os fadistas submetessem as suas letras à censura da PIDE, a qual decidia, arbitrariamente, da sua sorte.

Nesta altura, década de trinta, já Amália cantava na muito afamada casa de fados o “ Retiro da Severa”, quando o fadista Armandinho ficou de tal modo seduzido pela voz de Amália que tudo fez para que lhe assinassem um contrato profissional e duradouro.

Concordando o namorado e os pais de Amália com a proposta de um ordenado de 500$00 por mês, imediatamente o contrato foi encerrado. O argumento dinheiro, para quem vivia pobre, seria decisivo. Assim, em janeiro de 1939, Amália estreou-se nesta casa que lhe continuou a dar enorme projeção, bem como nos filmes em que foi participando. Mas seria fora de Portugal que Amália, inesperadamente, construiria o seu maior sucesso.

Se o regime, com A. Ferro, se aproveitou de Amália, foi no estrangeiro que ela mais se foi impondo. Assim, em 1941 levou o fado a Madrid e, em 1944 ao Brasil, onde fez gravações e se casou, pela segunda vez com César Seabra em 1961. Antes, em 1952, durante 14 semanas, já tinha conquistado Nova Iorque. Em 1956, com apoio de Ferro, estreou-se no Olímpia de Paris, onde regressou em 1958, convivendo com o ceramista Manuel Gargaleiro, também um afamado ceramista beirão. Do Brasil, Amália saltou para a América Latina, Itália, Inglaterra, Canadá e Japão. Assim se foi afirmando como uma diva universal do fado e emblema de Portugal.

florentinobeirao@hotmail.com

Palavra do Sr. Bispo

04.09.20 | asal

UMA JOVEM DE FIBRA - "O LÍRIO DOS MOHAWKS"D. Antonino1.jpg

Foi patrona da 17.ª Jornada Mundial da Juventude em Toronto, Canadá. Chamava-se Kateri Tekakwitha, Catarina para nós. São João Paulo II, tanto na Mensagem do Dia Mundial da Juventude de 2002 como na homilia de encerramento dessa Jornada Mundial, cujo tema era “Vós sois o sal da terra...Vós sois a luz do mundo (Mt 5, 13-14), refere-se a Catarina como “o lírio dos Mohawks”, acentuando que a santidade não é uma questão de idade. Muitos jovens mostraram virtudes heroicas diante do mundo, são exemplos de vida que a Igreja propõe a todos. Francisco, na Exortação Apostólica Cristo Vive, também a propõe aos jovens. E eu associo-me a quem procura divulgar a sua vida para que seja mais conhecida.
Muito antes de os europeus lá terem metido o bedelho, o atual Estado de Nova Iorque era habitado por dois grupos distintos de nativos, rivais entre si. Era o grupo dos Algonquianos, com várias tribos em idiomas e modos de vida semelhantes, e o grupo dos Iroqueses que constituem uma Confederação de tribos. Distribuíam-se lá pela região dos Grandes Lagos, entre o Canadá e os Estados Unidos, principalmente no Estado de Nova Iorque e na província de Quebec.
Um dia, naquelas andanças das inimizades tribais, uma mulher índia, da tribo algonquina, foi capturada por uma tribo dos iroqueses. Mas porque não há duas sem três, esta senhora acabou por ser libertada por um chefe de outra tribo, a tribo dos Mohawk. Esta senhora e este cacique Mohawk acabaram por ser os pais duma menina nascida em 1656, perto da cidade de Port Orange, no Canadá. A mãe, que era cristã, queria batizá-la com o nome de Catarina, a santa da sua devoção, mas não houve batizado. Pelo costume indígena, era ao chefe da tribo que competia dar o nome às crianças. O chefe, que era o pai e pagão, deu-lhe o nome de Tekakwitha, ‘que significa "aquela que coloca as coisas nos lugares", mostrando que ambas, mãe e filha, consideradas estrangeiras, haviam sido totalmente aceites pelo seu povo’. No entanto, a mãe nunca deixou de chamar Catarina à sua filha, nem de lhe ir semeando no coração os gestos e os valores cristãos.
Quando Catarina tinha quatro anos, seus pais e seu irmão morreram de varíola. Ela sobreviveu e ficou sob a responsabilidade do seu tio, o novo chefe Mohawk. Sobreviveu mas ficou muito sofrida, com o rosto e a vista muito afetados e outras mazelas que a desfiguravam. À medida que ia crescendo, iam ajudando a tia, inclusive na tecelagem, mas sofria pressões, era mal tratada. Quando tinha 11 anos, três jesuítas chegaram à aldeia e foram hospedados em casa do tio de Catarina, do chefe da tribo. A hospitalidade era fidalga, mas os missionários comprometiam-se a não evangelizar ninguém da tribo. À hora da refeição, os sacerdotes faziam as orações do costume, coisa que não passava despercebida aos olhos de Catarina que era quem os servia à mesa e até ficou muito sensibilizada quando um lhe disse: “Muito obrigado, minha filha, e que Deus te abençoe!”. Sempre curiosa nesta descoberta, não deixava de observar e admirar a atitude dos missionários no trabalho e no modo de ser e estar. Desejava tocar o crucifixo que eles usavam no seu trabalho apostólico, e, em segredo, tentava fazer o sinal-da-cruz e lá ia deixando sair uma prece que teria aprendido: “Ó Deus, ajudai-me a Vos conhecer e amar!”
Segundo as tradições da tribo, para ela só havia um caminho, casar-se. Eram os parentes que escolhiam o noivo. Como, porém, se tratava da família do cacique, não seria difícil. E o cerco não se fez tardar. Sem ela suspeitar, seus tios organizaram uma festa com o noivo por eles escolhido e com os seus familiares. Catarina ficou encarregada dos cozinhados para a festa. Ao aproximar-se o momento da receção, mandaram-na vestir e ornamentar-se para bem receber e servir os convidados, como convinha às regras do bom acolhimento e à sua categoria de filha e sobrinha de cacique. Embora estranhando o jeito dos convidados, ela só percebeu a marosca à hora de servir à refeição. Segundo o costume local, o casamento concretizava-se pelo simples facto de a “noiva” servir o “noivo” com o prato tradicional na presença de ambas as famílias! Ali, porém, é que a coisa ficou séria, os pratos voaram e o estrondo fez arregaçar as pálpebras e pular o silêncio boquiaberto dos comensais amuados. Firme na sua determinação e correndo o risco de ser colocada à margem da tribo e de viver na pobreza, teve um gesto de coragem. Não serviu o “noivo”, atirou com o prato ao chão e retirou-se, regressando só depois de os convidados terem abalado. Porque rejeitou este “bom partido” com que a queriam presentear, a fúria dos parentes não se fez esperar. Durante cerca de um ano, foi tratada como escrava, tudo suportando sem queixumes.
A vida na aldeia lá corria e a catequese fazia-se em pequenos grupos. Ela, porém, embora o desejasse, estava proibida de a frequentar. O caminho, porém, ia-se fazendo. Certo dia, ela expôs a um missionário o que lhe ia na alma e o seu desejo de ser batizada. O missionário, receoso pela perseguição a que a jovem podia ser sujeita, mas apreciando a sua determinação, aceitou prepará-la para o Batismo. A família foi-se abrindo, o interesse e a capacidade de Catarina admiravam os jesuítas. Pouco depois, em 18 de abril de 1676, sentiu a alegria de ser batizada. No entanto, a vida não lhe continuava fácil. Por isto e mais aquilo, e porque rejeitava as propostas de casamento, a situação ficou insustentável, ela fugiu. Ferozmente perseguida pelos seus tios e preocupados com a sua segurança, os jesuítas ajudaram-na a chegar à Missão de São Francisco Xavier, em Sault, Montreal, levando uma carta para o Padre superior dessa comunidade, onde se dizia: “Catarina vai agora juntar-se à sua comunidade. Dê-lhe guia e direção espiritual e o senhor logo perceberá que joia nós lhe enviamos. Sua alma está muito próxima de Deus Nosso Senhor….”.
Naquela aldeia, Catarina sentiu-se livre para praticar a fé, assistir à Eucaristia diária e crescer nos seus desejos de perfeição, dando exemplo de extraordinária piedade e sem descuidar o serviço à comunidade. No entanto, quase todas as comunidades têm os seus cristãos de meia tigela, os detratores, os maledicentes, os azae dos bons costumes a esticarem-se para ver o cisco nos olhos dos outros e a não enxergar a trave que está nos seus. Também ali, não faltou quem tentasse denegrir Catarina, o que, partindo da comunidade cristã, mais a fazia sofrer. Fazendo que não percebia, apresentava-se sempre bem disposta, alegre, diligente no serviço à comunidade. Aos poucos, a aldeia começou a considerá-la com respeito e admiração, ao ponto de se comentar: “Catarina só pode ser encontrada no caminho para a igreja, para os pobres e para os campos”. Ninguém escondia a sua admiração por aquela “garota índia que vive como uma freira”. Amante da natureza e sempre discreta, recolhia-se por longos períodos na floresta. Aí, diante de uma cruz que ela havia traçado na casca de uma árvore, ficava em oração, contemplando as maravilhas da natureza, louvando, agradecendo.
Em 1679, com 23 anos de idade, fez voto perpétuo de castidade, a primeira a fazê-lo entre os índios da América do Norte. Chegou a expressar o desejo de fundar um convento só para jovens indígenas, mas foi desaconselhada mercê da sua delicada saúde.
Com alegria sobrenatural permanecia firme: “Eu entreguei minha alma a Jesus no Santíssimo Sacramento e o meu corpo a Jesus na Cruz”. Sentindo que o fim se aproximava, recebeu os últimos sacramentos, rezava o seu amor a Jesus com alegria inaudita, apesar do sofrimento. Faleceu a 17 de abril de 1680, aos 24 anos de idade, sempre com o desejo de que os povos indígenas dos Estados Unidos e do Canadá conhecessem e vivessem a Paixão de Jesus. Momentos antes de morrer, o seu rosto, marcado pelas cicatrizes e sofrimento, tornou-se belo e sem marcas, com um sorriso de encantar. Não só os jovens, a aldeia inteira chorou a sua partida.
O milagre e a fama das suas virtudes espalhou-se rapidamente, muitos dos seus irmãos de raça se converteram. Foi beatificada em 22 de junho de 1980 por São João Paulo II e celebra-se em 14 de julho. Ao lado de São Francisco de Assis, Catarina é honrada pela Igreja como "Padroeira da Ecologia e do Meio Ambiente".

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 04-09-2020.

Aniversário

04.09.20 | asal

José Maria Esteves.jpg

DIA DE PARABÉNS!
 
José Maria Esteves, que nasceu em 4 de Setembro de 1954, faz hoje anos. São só 66...
Trabalha nos Corpos Danone (mas ele pode dizer o que lá faz...) e vive em Castelo Branco. Depois dos seminários, estudou ainda na Universidade da Beira Interior. E mais não sabemos...
PARABÉNS, amigo José! Sê muito feliz e por muitos anos.
 
Contacto: tel. 965 545 179

 

Para reflexão:

«Não sou digno nem de desatar as suas sandálias” (São João Batista). João Batista semeou o amor, a verdade, o bem. Nunca se engrandeceu de ser um profeta escolhido por Deus e por ter diversos seguidores. Num tempo em que vemos tantas pessoas com milhares de seguidores nas redes sociais, penso: a quem eles estão seguindo? O que estão propagando? E eu, a quem sigo verdadeiramente? Possa eu ter a postura de João nas minhas redes sociais, presenciais e virtuais, alguém que busca multiplicar os talentos concedidos por Deus ao serviço do bem, promovendo a paz, a concórdia, o amor e a solidariedade».

In "Click to Pray"