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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Palavra do Sr. Bispo

10.07.20 | asal

VAMOS À FESTA...A FESTA JÁ COMEÇOU!...

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Não ouves os foguetes?... E o altifalante?... E o ribombar dos zabumbas?... E o repenicar dos sinos?... Vê, o programa está no cartaz!...

Há cartazes e cartazes, claro. Uns, mais culturais, outros, a fazer a ligação entre fé e cultura, alguns, mais comerciais e tristonhos, outros, muito piegas, noutras festas não há cartaz, se houve projeto, entenderam que o cesto dos papéis seria o melhor destino. É verdade que quem não tem cão caça com o gato, mas um bom cartaz implica reflexão, objetivo, arte e bom gosto. Em muitos lugares, no cartaz, a festa é, de facto, muito promissora, timbrosa e imponente. Não raro, a concretização da festa anunciada vem a contradizer a espampanante promessa do cartaz: paciência, são sortes!. Mas ali, no cartaz, está manifestada toda a sua grandeza e o brio incontestado dos festeiros de turno. Sem vontade de alterar as terminologias tradicionais porque são pomposas e acham que são intocáveis, ali consta que há “feéricas iluminações”, um “consagrado orador sacro”, uma “majestosa procissão” com muitos anjinhos, andores e figurado, bandas musicais de elite, desfile de grupos etnográficos e folclóricos, zabumbas e cabeçudos, poço da morte e carrocéis, pista de carrinhos, de aviões e montanha russa, um grande meio-dia de fogo, conjuntos musicais de estalo e um artista de gabarito a encabeçar o elenco do sarau de variedades que terminará com um grande espetáculo de fogo de artifício. Tudo e muito mais - ou muito menos, claro!... -, mas seja como for, a festa ali está, grande e sublime. Esticando bem os olhos, os olhos de ver e de quem quer festejar numa dinâmica da fé, a imagem do titular da festa, se lá consta, deixa dúvidas sobre se é o verdadeiro centro da festa ou apenas um pretexto para que a festa seja grande. Ela, a imagem, se lá está, está envergonhada e triste, espreita de um canto sumido ou braceja naufragada no meio do assoberbado número de tralha e anúncios comerciais lá do sítio e arredores, de perto e de mais longe, pois a festa implica organização, a organização tem despesas, as despesas têm de ser pagas, e, por vezes, os festeiros também querem deixar obra e placa, lá no coreto ou algures, mesmo à revelia do bom gosto e de quem superentende.
Mas a festa ainda só começou, hoje não passaremos do cartaz. Algumas, apesar de continuarem a ser festas, grandes e interessantes, esqueceram um pouco a sua dimensão cristã, uma maneira legítima de o povo professar e avivar a fé em sã alegria. Não é por mal que isso acontece, mas acontece, e é pena. O cartaz, a fazer-se, merece atenção, tanto pode enaltecer como vexar os responsáveis que o sonharam. Há locais onde os cartazes, pela sua qualidade e sentido, são estimados como acervo e coleção. É verdade que, por serem festas cristãs, não têm de ser apenas religiosas, embora, conforme os costumes, algumas sejam totalmente religiosas e o povo, porque elas são diferentes, as procure e viva intensamente. Há festas e romarias que, por mercê de os responsáveis as quererem iguais a todas as outras, se desvirtuaram e perderam o seu valor e interesse. Festas iguais, e com muito barulho, existem por toda a parte e não será bom que, em nome das modas e à margem das normas e comunhão eclesial, se queira que as que são diferentes e apreciadas por isso, se tornem como todas as outras. Entendemos, no entanto, que quem dinamiza, quer umas quer outras, com tanta dedicação e esforço, não pode deixar de se sentir sempre missionário, verdadeiro evangelizador, o que exige reuniões antecipadas de formação, reflexão e debate sobre o que se pretende e como concretizar. A piedade popular é um tesouro da Igreja que deve ser respeitado e valorizado, não usado!
Para desanuviar: lá nas minhas origens, que eu me lembre, e já vai ao tempo em que as galinhas tinham dentes e as cobras andavam de pé, a festa do Padroeiro tinha, umas semanas ou dias antes, a tarde festiva do levantamento do mastro da bandeira, do “pau da bandeira”. Tinha um ritual muito próprio. Era vivido com grande entusiasmo, desde o chegar, em cortejo, do grande tronco, regra geral de eucalipto por ser mais alto, até à complicada arte de o erguer lá no adro do mosteiro, com cordas e outros meios a que fosse necessário deitar a mão. Se isso já fazia parte da festa, esse momento ficava a anunciar, atempadamente, o grande dia ou dias da verdadeira festa, logo se avaliando o desempenho dos festeiros. Desempenho esse que era medido pela altura do mastro que, lá no bem longe dos céus, no seu cume, ficava a sustentar a bandeira da festa defraudada ao “irmão Vento, que rebrame e rola”, como rezava São Francisco”!
A véspera do grande dia da festa obrigava-se a um prolongado estralejar de fogo de pirotecnia de referência, nunca menos de uma hora. Um exagero e um desperdício, diziam uns, foi fraquinho e pouco, comentavam outros, foi grande e bom, assumiam os envolvidos, mas sempre motivo de regozijo para aquela garotada que gostava de se distinguir em apanhar o maior número de canas dos foguetes, feito épico a narrar no primeiro dia de escola. E tanto mais épico quanto mais se conseguisse encontrar foguetes cuja pólvora não tinha estourado. Muitos iam descalços, era a pobreza que o impunha à alegria de viver e ser criança. Criança feliz com quase nada ou nada, mas a parecer que tudo tinha com algumas canas de foguetes em convívio traquina e criativo! Quem gemia eram as cebolas e outras novidades hortícolas naquele vale de terra muito fértil e fofa, com muita água para regar, onde quase toda a gente das redondezas tinha as suas leiras de amanho para colher, comer, guardar e vender os mimos da terra e do trabalho.
O “consagrado orador sacro”, no zeloso cumprimento da sua missão, no púlpito, com mais ou menos arte, lá se esmerava a fazer valer a Palavra pela força da sua oratória, perante uma assembleia concentrada por entre os andores e de olhos e ouvidos esticados para o pregador. Não raro, saltavam lágrimas de emoção. Sermões havia que se o pregador não fizesse chorar alguém, não era sermão digno desse consagrado orador sacro. Nós, pequenitos e sentados por lá, descobrir quem primeiro deixasse rolar umas lágrimas por cara abaixo, embora interiormente arrepiados em pele de galinha por ambiente tão sério, já era para nós um desporto favorito! Eram tempos de filhos na guerra, alguns já regressados em quatro tábuas de aconchego, outros em preparação ou já em saída para lá! Eram tempos de fuga à guerra para os mais expeditos e de emigração clandestina sem se saber se a ida a assalto para a França ou para aqui ou acolá, tinha chegado a bom porto. Eram tempos de carências e de saudade dos que tinham ido lutar pela pátria ou pela vida, já que nem o contrabando associado ao trabalho possível lhes dava o desafogo necessário para viverem com dignidade. Por isso, o fazer estrebuchar o sentimento, se nos parecia ser uma das importantes e espremidas virtudes do “consagrado orador sacro”, não era bem assim, as pessoas é que estavam interiormente feridas e demasiadamente sensíveis pela ausência de familiares próximos e as notícias, as cartas e os aerogramas eram raros e distantes. Fracos tempos!... tempos difíceis e modas desse tempo!... mas o importante é que era dia de festa, e pronto, ponto, chorar também fazia parte da festa!...
De quando em vez, porém, e não para logo pôr em prática os conselhos do pregador, a festa também não tinha jeito nem grandeza se não terminasse com alguma zaragata e com a fuga acobardada de um ou mais dos litigantes nessas andanças da pancadaria. Por campos abaixo, lá se viam obrigados a dar à perna antes que as pauladas ou lá o que fosse lhes afagasse ainda mais o canastro já socado tanto quanto bastasse. E nós, curiosos e atentos a que não viesse a sobrar para nós, escutando os comentários das claques que atiçavam os ânimos, espreitávamos os fugitivos e perseguidores por aqueles longos vales abaixo em dia festivo do Padroeiro da terra. Para nós, tudo era festa... e que festa!... Muito maior ainda se houvesse roscas!...

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 10-07-2020.

Aniversários

10.07.20 | asal

Hoje - dois aniversariantes

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PARABÉNS, AMIGO!

É o teu dia, amigo João Chamiço Porfírio! E já vais em 83 primaveras... 

Natural do Gavião, estudou, completou o Curso, leccionou no Colégio de Portalegre, trabalhou muito com os escuteiros, casou-se e terminou o seu tempo de ensino em Évora. Agora, goza a sua jubilação em paz com a vida.

No seminário de Portalegre, era ele que arranjava tudo o que se desmanchava, tendo por isso dois quartos, muitas chaves e ferramentas.

Aqui deixamos os PARABÉNS da malta e muitos de nós nutrem por ti uma verdadeira admiração e amizade. E gostam de te ver feliz e a contar coisas graciosas como tu contaste tantas vezes...

Que Deus te continue a dar saúde e alegria por muitos anos. E um grande abraço neste dia.

 Contacto: tel. 917 242 411

 

Consta nos nossos dossiers que também hoje faz anos o António Campos, nascido em 1975. Mas não temos mais informações nem um simples número de telefone. 

Assim, deixamos os PARABÉNS a este amigo, com votos de longa e feliz vida. Um dia poderemos atualizar os seus dados. AH

A luta contra o racismo

08.07.20 | asal
Meu caro Henriques
Em pleno estio , envolvidos na pestífera pandemia, cá vamos tentando sobreviver por estas bandas. Felizmente, ainda sem fogos. Um ambiente pouco propício, para trabalhos muito energéticos. Contudo, o livro sobre o seminário de S. José, embora muito lentamente, não pode parar. Das fraquezas temos de encontrar forças, para sairmos vencedores.
Como nos últimos dias me têm consolado a chegada de mais alguns testemunhos para o nosso Livro, o meu ânimo, assim mais fortalecido, fica sempre mais robusto.  Atrás destes, outros certamente irão chegando, ao longo do verão. Mãos à obra que conta com a participação generosa de todos os antigos alunos desta casa, onde vivemos a nossa juventude.
Aproveito ainda para te saudar, meu caro Henriques, pelos Quatro Anos que tens servido, tão generosamente e com tanta competência e afabilidade, o ponto de encontro das nossa Vidas - o ANIMUS SEMPER: Ad multos...Parabéns !!!
Num forte abraço, as minhas saudações.

Florentino2.jpgFlorentino Beirão

 

A revolta uniu os povos

O assassinato do negro George Floyd nos Estados Unidos da América em 25 de maio, sufocado por um polícia branco, é um daqueles dramas insuportáveis que fez reagir e vir para a rua, em muitos países, negros e brancos, irmanados e revoltados contra tão vil ação. De nada valeu a este jovem protestante negro, sentindo-se sufocado e com a morte a chegar, implorar ao seu algoz que o deixasse respirar. Não lhe concedendo o alívio solicitada, lentamente, acabou por morrer, por uma questão de lã caprina - uma nota falsa de 20 dólares.

Em plena pandemia global, este trágico acontecimento levantou mais uma vez a importante questão sobre a qual desde há muito se discute, relativa à problemática estrutural do racismo na América e no mundo, incluindo o nosso país. Nesta reflexão, não acompanhamos em absoluto a afirmação de Rui Rio, líder do PSD, quando afirmou a este propósito, que o povo português não é racista. Certamente esqueceu-se da morte de um estudante de Cabo Verde em Bragança, assassinado, recentemente por um grupo de jovens brancos e de 27 homens que acabam de ser acusados pelo Ministério Público por crimes de discriminação racial.

Se ainda tem dúvidas do racismo lusitano, lembramos-lhe que não só somos um povo racista, mas que a nossa história, desde o início dos descobrimentos, tem sido um povo com um passado marcado pelo racismo.

Lembramos que na Crónica da Guiné, escrita pelo cronista Gomes Eanes de Zurara (1410-1474), os escravos vinham embarcados de África para Lagos, e aqui, eram separados dos familiares, entre clamorosos gritos e choros, quando eram vendidos aos comerciantes de escravos e engrossavam os opulentos cofres do afortunado Infante D. Henrique. Não esquecendo o interminável comércio de escravos que era feito entre África, o Brasil, América do Norte e Europa, incluindo o nosso país, quando o comércio triangular funcionou em pleno, desde o séc. XV ao XIX. Durante este longo período negro da história esclavagista, próspero para a Europa, foram cerca de 12 milhões de negros que foram levados à força de África, embarcados em condições terrivelmente desumanas, para trabalharem noutros continentes, onde eram maltratados pelos seus donos. Negócio que fez muitos milionários capitalistas que, por estes feitos, até foram merecendo estátuas públicas, nas praças das grandes cidades. É destes negociantes-capitalistas que, nas últimas semanas, muito se tem falado. Radicais anti-racistas, em ações violentas, têm vandalizado e lançado às águas as suas estátuas. Até a do jesuíta P. António Vieira, o maior mestre em prosa da nossa língua, sofreu em Lisboa um ato de vandalismo, fruto da forma estúpida e ignorante de não se conhecer o passado da nossa história. Recordemos ainda, mais recentemente, as populações negras trazidas à força do sul de Angola no séc. XX, para as plantações das grandes quintas dos fazendeiros do norte.

Como se sabe hoje, as revoltas destas populações, contra o governo português e donos dessas fazendas, encontram-se ligadas ao início das guerras coloniais, onde ocorreram indiscritíveis crimes de uma parte e de outra.

Lembramos ainda casos recentes, ocorridos nos bairros pobres e degradados de Lisboa, onde os confrontos entre as forças policiais e os negros se sucedem com alguma frequência.

Mas afinal, o que vem a ser o racismo? Segundo a Enciclopédia Universal, “é a valorização generalizada e definitiva, de diferenças reais ou imaginárias, para proveito do abusador e para detrimento da sua vítima, a fim de justificar os seus privilégios e a sua agressão”, “Público” 11.06.2020). Segundo esta definição podemos concluir que existe racismo desde que povos foram colonizados e dominados por outros. Sobretudo, pelas potências europeias que têm as mãos manchadas de sangue inocente, derramado pelas sevícias flageladoras, que durante muitos séculos foram impostas às populações africanas

Quanto a nós, há diversas razões para sermos um povo racista. Entre elas, o desconhecimento do contexto histórico em que a escravatura ocorreu. Uma outra, a falta de debate, desapaixonado e racional, sobre esta problemática.

Tendo todos nós algo de racista, devemos assumir que podemos manifestar estas atitudes que se foram entranhando em nós, pela socialização e pela cultura.

Não basta pintar ou derrubar estátuas de colonialistas ou esclavagistas para acabarmos com racismo. Dentro de nós, ele existe, à espera que o derrubemos, pelo nosso conhecimento e pela forma humanista de conviver com o outro.

florentinobeirao@hotmail.com

Mais recordações - 2

06.07.20 | asal

Memórias episódicas (2) – Acampamentos de Alvega

Mário Pissarra.jpeg

Durante as férias grandes fazia-se o acampamento. Nos dois anos do Gavião foi numa quinta em Alvega, cuja entrada se situa em frente à casa da família Matafome. À entrada havia uma pequena capela e, seguindo o caminho, ia-se ter a um local ajardinado onde se montava o acampamento. Depois descia-se até uma enseada do Tejo onde tomávamos banho.

Ao Domingo íamos à missa à aldeia, nos restantes dias toda a vida se passava dentro da quinta.

No meu primeiro ano no seminário do Gavião, o Pe. Eusébio pôs em andamento o agrupamento de escuteiros. Uma inovação tanto para o seminário como para o Gavião, que logo a seguir fundou o seu próprio agrupamento. Durante o acampamento faziam-se um ou dois Fogos de Conselho no largo em frente à igreja de Alvega, cujo pároco, o Pe. David, era uma figura fininha de óculos graduados. Mentalmente sempre se me afigurou um tira linhas.

Os Fogos de Conselho seguiam os figurinos habituais da época. Mas as pessoas, muitas delas, ainda não tinham TV em casa. Para elas era uma diversão, gostavam e aclamavam muito. Não sei se era por serem feitas por seminaristas ou não, mas a verdade é que para elas eram verdadeiramente dias de comédias. Com uns comediantes especiais, é certo, sem trapézios ou ilusionistas, sem brejeirices, mas crianças ainda e muito ingénuas.

Nos dias seguintes, a generosidade das pessoas de Alvega aumentava substancialmente. Sobretudo, produtos agrícolas, pois era a época alta das produções de regadio. Num desses dias ofereceram-nos uma carrada de melancias. Para mim, que no verão vivia num regadio onde se produzia muita melancia perto do Ladoeiro, onde hoje se faz o Festival da Melancia, era um fruto habitual e abundante. Fiquei admirado com o Alberto que nunca tinha visto uma melancia.

Fenómenos destes eram comuns no seminário, pois os alunos vinham das aldeias mais recônditas da diocese, perdidas muitas delas entre serranias, e, ao tempo, muito isoladas. Alguns de nós saíram da aldeia pela primeira vez para irem para o seminário. Já no exame de admissão havia ficado surpreendido com o Leonel da Cabeça das Mós (Sardoal) que nunca tinha visto uma bola de futebol.

Voltemos ao Alberto, de olhos arregalados e fixos no monte de melancias. Era um rapaz um pouco mais velho que a maioria de nós, um adolescente atarracado e um pouco para o gorducho da zona de Oleiros. A minha admiração não foi só de ele nunca ter visto uma melancia. Depois disse que, se lhe dessem uma, era capaz de a comer sozinho. O perfeito autorizou-o e deu-lhe uma de uma dimensão média. Não sei se o meu espanto foi maior com a sua proeza se com o ar de satisfação com que o fez. E deu conta do recado sem dar ares de enfado ou fastio.

Um belo dia, após o almoço o perfeito quis tomar café. Quem quis foi com ele à Concavada, uma aldeia ali muito perto, ao único café do local – o café de S. António, à esquina do largo da aldeia. Consequência: esgotaram-se os rebuçados e guloseimas no mercado e num comércio ali existente.

Durante o acampamento, passou por lá a família de um colega meu. Na altura tomei reparo e nunca mais saíram da minha memória dois factos para mim nunca vistos. Primeiro, o meu colega em vez de beijar a mãe no rosto beijou-a nas mãos. Eu, apesar de pedir a «sua bênção» à minha mãe, ela a seguir beijava-nos. O outro foi ele cumprimentar a irmã já mulher com um aperto de mão. Eu sempre cumprimentei as minhas irmãs com um beijo. O meu espanto perdeu força ao aperceber-me que essa era a forma habitual de se cumprimentarem para muitos dos meus colegas.

O ter convivido com colegas de toda a diocese foi uma riqueza para mim. Toda a minha vida tem sido um alargar de mundos a partir daí. Começou por ver os primeiros pinheiros à entrada de Castelo Branco, perto da linha da Beira Baixa, por ver pela primeira vez o comboio, etc. Uma viagem que nunca mais parou e que, apesar de a uma velocidade mais lenta, não sinto desejo de travar.
Mário Pissarra

Aniversário

06.07.20 | asal

PARABÉNS, JOSÉ CENTEIO!

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Natural da Lousa, Castelo Branco, nasceu em 1958 e vive em Loures, aqui perto da grande Lisboa, gozando a reforma e alegrando-se com as traquinices da neta.

É um lídimo entusiasta do projeto "7Margens", onde escreve e trabalha, o que nos alegra e também enriquece este blogue. O "7Margens" é um jornal digital dedicado à religião e à espiritualidade, suportado pelo voluntariado de alguns e pelas dádivas de outros.

Aqui te deixamos os nossos PARABÉNS e fazemos votos de longa vida, com saúde e muitas alegrias. Viva a Vida... Zé, gostamos de te ver por aqui e estamos contigo...

Contacto: tel. 933347603

Quatro anos

05.07.20 | asal

SAFARA - XV SEMANA CULTURAL - ACTUAÇÃO DO POLIF.

Os blogues também fazem anos.

No final deste dia - 4.º aniversário do ANIMUS SEMPER, cumpre-me dar conta do recado.

Dizem as estatísticas que o blogue apresentou os seguintes números no último ano: 

26.933 - Visitas

73 - Média diária de visitas

51.432 - Visualizações

140 - Média diária de visualizações

Para quem está por detrás, na edição do blogue, os números são sempre insuficientes. Queremos sempre mais!  Mas, na realidade, saber que estas páginas são visitadas diariamente por 73 leitores e, porque alguns se demoram por lá a olhar para vários textos, o blogue tem 140 visualizações diárias, não podemos deixar de nos alegrar.

Pessoalmente, tem sido um compromisso diário a atenção ao ANIMUS SEMPER, dentro das minhas capacidades. E assumo que este ponto de encontro é um esteio nas relações entre todos os amigos deste grupo - os antigos alunos dos seminários da diocese de Portalegre e Castelo Branco. Ainda hoje ouvi dizer que a relação entre as pessoas é um jugo comprometedor, a que muitos fogem... Mas é esta relação de amizade entre as pessoas que é vivificadora. O resto é o vazio! E quanto menos nos relacionamos menor será o sentido da vida...

Para mim, tenho sobretudo de agradecer aos muitos amigos que enriqueceram estas páginas com os seus textos e testemunhos. Mais eu esperava, mas por preguiça ou por medo de serem criticados (que tem havido por aí críticos, que nada fazem!), alguns reservam-se e não aparecem. É a vida!

Tem sido muito salutar a relação que se criou entre o grupo dos sete que assumiram a condução do grupo, agora com menos um, dado o passamento do João Heitor, que Deus haja!

Vamos continuar por mais algum tempo, sim senhor! Não sei ainda até quando, à espera de ser substituído por outro neste trabalho de fazer comunidade!

Para já, foram estes os parabéns que apareceram na página do Facebook:

  • José Maria Morgado Martins MUITOS PARABÉNS e que tenha saúde e longa vida quem o criou e lhe dá manutenção!
     
  • Agostinho Pissarreira Muitos Parabéns ao blogue, aos seus criadores e administradores.
     
  • Fernando Cardoso Leitão Miranda Que ele nos mantenha unidos e continue a fomentar momentos de partilha e de reencontros. Parábens e meu elogio a quem lhe dá vida!
     
  • Mário Pissarra Muitos parabéns e obrigado pela dedicação e trabalho do António Henriques.
     
  • Herculano Lourenco Parabéns e agradecimentos pelo trabalho e dedicação do António Henriques
     
  • José Andrade Muitos parabéns aos administradores, colaboradores e leitores...
    👏👏👏💪🥂
     
  • Antonio Assunção Amigo António Henriques A gratidão é o "sengue" de quem tem animus...Bem haja
     

Hoje foi assim

04.07.20 | asal

Neste dia 4 de Julho de 2020, quando resolvemos vir passar uns dias ao Cadaval em casa de familiar, porque é que eu estou para aqui a arengar? Há momentos em que só o compromisso nos move, nos empurra para o trabalho. Hoje é um dia destes. Porque é que eu não deixo o blogue em paz e vou respirar por esses campos fora? É que, mesmo em confinamento, ainda é possível arejar...

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Viemos para aqui para mudar de ambiente, se é que isto é passar férias. Viemos ainda para gozar a maresia e o sol benfazejo da Consolação, que nos consola prevenindo artroses e reumatismos. E este passear pelo campo, agora com uma natureza prenhe de vida, com tantas leiras de pereiras, macieiras e videiras em plena fase de crescimento e maturação, é mais importante que tudo...

Assim, hoje de tarde, saimos para o primeiro passeio, depois de uma manhã ao sol da Consolação, e fomos até ao Santuário do Senhor Jesus do Carvalhal, ele próprio bem convidativo nas suas sombras frescas de uma vegetação circundante. Por ali andámos com toda a calma, olhando para os muitos motivos religiosos que enriquecem o espaço, fixando o olhar também nos azulejos que falam na multidão de romeiros que das povoações em redor caminham nos seus círios até este santuário.

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Desta vez, fixei o olhar no quadro da Samaritana com Jesus sentados no poço de Jacob. E lembrei-me que é mesmo aquela água de Vida que todos nós procuramos quando saímos das nossas casas e aparecemos nos encontros (da Sertã, de Portalegre, Castelo Branco ou Alcains...) e ainda nos almoços e jantares em que nos consolamos com a amizade, a bonomia e a aceitação dos colegas.

Atenção, também rezámos! Sentados num banco, meio ao sol meio à sombra, por mim, lembrei familiares e amigos, a saúde e a paz do mundo. E também pedi luz ao nosso Deus, aquela iluminação interior que nos ajuda a discernir o que é melhor para o futuro, que do passado nada se altera!

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E olhámos para as árvores centenárias. Até vimos um sobreiro (a cortiça não engana!) com uma ramagem muito diferente do tradicional, esta mais macia e de pequeno formato!

Finalmente, já em casa, vimos o nascer da lua por detrás da Serra de Montejunto, coisa única que a máquina captou.

Tudo isto segue nas 12 fotos que vos apresento.

Amanhã é outro dia. E que dia! O ANIMUS SEMPER faz quatro anos. Quem lhe dará PARABÉNS? 

António Henriques

Palavra do Sr. Bispo

03.07.20 | asal

MESMO COM SAUDADES ... BRINDEMOS À FESTA!...

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Se esse desmancha-prazeres que é o convi19 não nos deixa viver as festas, não deixemos de brindar à festa, as festas fazem falta. Não porque nos devam ser impostas a partir de fora, mas porque elas partem de dentro, fazem parte de nós. Embora cada um as possa viver de forma diferente, não há recanto, pequeno ou grande, com muita ou pouca gente, que não faça festa. A pessoa tem uma dimensão naturalmente festiva. No entanto, mesmo que alguém possa ser multifacetado em saberes, palhaçadas, talentos, acrobacias, pífaros e adufes, ninguém consegue fazer festa sozinho. Umas serão espontâneas e com pouca gente, outras há que reclamam organização responsável e concertada, para que, de facto, o maior número dos participantes se sinta envolvido, sem atropelos nem chinfrins.

Continuando o texto anterior, hoje, para além de tudo o que pode engrandecer uma festa, hoje vou falar daquilo que é o ponto alto de qualquer festa cristã, refiro-me à festa cristã. A festa implica gente. E se as festas podem ter várias origens, causas e pretextos e, porventura, na mente de quem as organiza, possam ter objetivos concretos a alcançar, a festa cristã também não se faz sem gente, e tem alguns objetivos. Precisa de gente que dance, ria, conviva, se divirta, aprecie a arte, a beleza e tudo o que envolve a festa. Mas a festa cristã também tem objetivos importantes: avivar a comunhão com Deus, adorar, louvar, pedir perdão, renovar-se na alegria de viver, agradecer o dom da vida e tudo quanto nela tem acontecido de bom e menos bom, reforçar a vontade de tocar a vida para a frente, com esperança, em comunhão com os outros, na justiça e na verdade, sentindo-se amado por Deus. Quem tem queimado as pestanas nesses estudos diz que a Bíblia nunca condena as festas, sejam elas quais forem, nem sequer as festas do mundo pagão ou extra bíblico. Condena, sim, e de que maneira! os abusos e as contradições que possam existir a pretexto ou por ocasião das festas. O próprio rei David e toda a casa de Israel, a título de exemplo, “dançavam diante do Senhor com todo o entusiasmo e cantavam ao som de liras, cítaras, tamborins, sistros e címbalos” (2Sm 6, 5). Se algum leitor pretender aprofundar este tema das festas, posso aconselhar, de momento, o número 4 da Série Científica da Revista Bíblica de novembro de 1995, da Difusora Bíblica, com a participação de vários colaboradores e que tem como título “A Festa e as Festas na Bíblia e na Vida”.
Na Bíblia, as festas tinham sempre origem em Deus e partiam normalmente de uma realidade do passado. Aliás, assim acontece, ainda hoje, com quase todas as festas. Mas a Festa por excelência do povo judeu era a Páscoa. Essa era a Festa das festas! O povo israelita sentia necessidade de celebrar, cantar e agradecer as maravilhas que Deus tinha realizado em seu favor, chamando-o, da escravidão do Egito, a ser nação livre e povo da Aliança. No entanto, se a Páscoa era a sua Festa por excelência, ela continha em si um alcance muito maior, uma esperança para toda a humanidade. Deus, que através de Moisés salvara o povo da escravidão, assim haveria de chegar uma nova e verdadeira salvação através do Messias esperado. Se fazia memória desse acontecimento do passado, a Páscoa apontava sobretudo para uma outra realidade muito mais promissora e de importância capital na História da Salvação. Apontava sobretudo para a pessoa do Messias, verdadeiro Cordeiro Pascal, sem defeito. Só Ele seria o verdadeiro protagonista, só Ele revelaria o plano de salvação de Deus para a humanidade, só Ele daria sentido ao presente e ao futuro, só Ele concretizaria verdadeiramente todas as promessas bíblicas e daria um sentido muito mais profundo às esperanças da humanidade. E assim aconteceu!... Ao mesmo tempo que se imolavam os cordeiros no Templo, Jesus, no alto do calvário, cumpria o ritual do cordeiro sacrificado. A prefiguração dava lugar à realidade de forma definitiva. Pelo sangue da sua Cruz, Ele trouxe ao mundo a luz e a vida, expiou os pecados da humanidade, libertou a todos da escravidão do pecado, estabeleceu uma nova e eterna Aliança com uma nova Lei, não escrita em tábuas como no Monte Sinai, mas escrita no coração de cada um de nós pelo Espírito Santo, morreu pelo povo, venceu a morte, ressuscitou. O seu gesto tem valor de redenção universal, é a suprema expressão da liberdade e do amor de Deus no seu Filho, que quis, de forma voluntária e solidária, dar a vida por todos e com todos estabelecer uma nova Aliança, fruto desse amor de Deus por nós.
Antes, porém, Cristo quis celebrar a sua Páscoa com os seus discípulos. E na sua Ceia Pascal, fez-se não só o Cordeiro imolado, uma vez por todas, mas também a comida da refeição pascal do povo da Nova Aliança, da nova Criação. Antecipou o Sacrifício com que no dia seguinte selaria essa Nova Aliança: “Tomai, todos, e comei, isto é o meu corpo que será entregue por vós... Isto é o meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”.
Se aconteceu há dois mil anos e tem o seu ponto alto na manhã da Ressurreição, ela tem também um alcance muito maior no presente e no futuro. A Eucaristia é o “hoje” da Páscoa de Jesus, é atualização, é memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É celebrada para glória do seu nome, para nosso bem e de toda a Igreja enquanto esperamos a última vinda do Senhor Jesus. É memorial, atualiza, anuncia e celebra ao mesmo tempo a passagem da morte para a vida em todos os que são inseridos pelo batismo em Jesus Cristo, devendo-a manter viva no quotidiano da sua vida enquanto peregrinam em direção aos novos céus e à nova terra.
A Páscoa de Jesus é a nossa Páscoa, é a Festa das festas dos cristãos, o fundamento e o centro de todas as festas cristãs. Se anualmente a celebramos com grande solenidade e a prolongar-se por 50 dias, a Igreja repete-a em cada Domingo do ano. A comunidade crente, em cada Domingo, o Dia em que o Senhor ressuscitou, abstém-se do trabalho, prepara-se como convém, reúne-se para fazer memória desse acontecimento com tudo aquilo que isso implica, atualiza-o, manifesta exteriormente essa alegria. É o dia da família, da comunidade cristã, dos irmãos em Cristo, da caridade, da comunhão. É o “hoje” da Páscoa de Jesus, que, como afirma São Paulo, não deve ser celebrado “com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade”. O que dizemos do Domingo, podê-lo-emos dizer das festas cristãs.... A Eucaristia é o ponto mais alto e mais solene. Tudo para ela deve convergir, tudo dela deve partir, não pode ser um mero número para encher o programa...

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 03-07-2020.

Mais recordações

03.07.20 | asal

Gavião - recordações episódicas do seminário

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No primeiro ano, a selecta de Língua Portuguesa trazia um texto descritivo do rio Douro. Era um hábito, nas aulas de Português, a leitura em voz alta. Além de desinibir para a leitura em público, potenciava a leitura expressiva e evitava a anacrónica mudança de tom quando surgia o ponto de interrogação a seguir à última palavra da frase. Nesse dia, o leitor de serviço foi o Cipriano Pires. Um rapaz sempre bem-disposto e brincalhão. O professor de português era o Pe. Manuel Baltazar Justo. Este transpunha para os gestos e o vestuário o perfeccionismo das aulas de desenho e a sua caligrafia normal era em letras de imprensa de um preciosismo tal que até as máquinas o invejavam. O Cipriano estava umas carteiras à frente e o Pe. Manuel junto a mim, encostado à porta de trás da sala. Ainda o estou a ver: batina impecável, a brilhantina no cabelo sempre presente, sem qualquer pó de giz, pois não havia licença para lhe sujar as mãos ou a roupa, pegando no livro de português no seu modo peculiar como quem pega num missal na missa, arrebita as peludas orelhas e diz: repita lá esse último parágrafo, se faz favor. O Cipriano lê o parágrafo, alguns alunos começaram a rir-se e ele exclama várias vezes: Com catorze! Eu fiquei espantado com aquela expressão. Porquê catorze e não outro número qualquer? Demorei a descobrir que aquilo era uma «porra!» eclesiástica ou um «com catano!» idanhense. Por pudor eram impensáveis exclamações mais fortes ou obscenas Até a «porra!» cedia o seu lugar a «arroz!».

Na sua leitura, o Cipriano em vez de ler que naquele local o rio Douro fazia uns SS, leu «fazia umas cúrveas». Não sei se o meu condiscípulo se perdeu e estava a pensar nas curvas do Zêzere lá para a sua terra perto de Oleiros ou se nos quis fazer rir. Lá fazer-nos rir, fez. Houve outras consequências habituais para a época.
Perderam-se sem deixar marcas. Infelizmente também se perdeu, a julgar pelo que vi nos últimos tempos de professor, o bom hábito de ler em voz alta. Esta sim, deixou marcas e graves.

Ao fim das aulas, que eram precedidas de 30 m de estudo e logo a seguir ao recreio da merenda, seguia-se o estudo grande – das 17.30 às 19.30h. Este estudo permitia levantar-nos da carteira na última meia hora para tirar dúvidas com os colegas e para ir à casa de banho. Para ir à casa de banho havia uma chave para cada cubículo e a chave ia passando de carteira em carteira. No meu primeiro ano o papel de jornal ou dos cadernos usados foi substituído pelo papel higiénico. Para não haver desperdícios ou estragos, foram dados a cada um 3 rolos. À falta de melhor paisagem, era vê-los de rolo na mão a caminho do WC.

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Num desses primeiros estudos, o Carrilho fez um embrulho que começou a passar de carteira em carteira. No exterior escreveu: «vende-se por bom preço». Ninguém resistia à curiosidade de abrir o embrulho. No seu interior estava um dente que ele acabara de arrancar. O problema foi que a folha estava identificada. O perfeito que, sentado na secretária do estrado ou deslocando-se entre as filas das carteiras sempre à coca, descobriu a brincadeira. O dente do Carrilho não teve comprador, também não sei se foi por isso, mas ofereceram-lhe um regresso a casa antes das férias de Natal.

Mário Pissarra

Aniversário

03.07.20 | asal

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PARABÉNS, JOÃO DIAS!

Nasceu em 3 de Julho de 1962 no Estreito, andou pelo Ministério da Defesa Nacional e mora em Castelo Branco. 

Pois então, aqui ficam os parabéns da malta, com votos de muita saúde e felicidade, na companhia de familiares e amigos. Sem mais informações, que em tempos lhe foram pedidas.

Aniversário

02.07.20 | asal

Abílio Dias.jpgOlha, é o Abílio da Silva Dias que se atreveu a nascer hoje, quer dizer num dia igual a este, mas em 1953... Onde? Pois, em Sernache do Bonjardim, na terra de ilustres senhores como o Nuno Álvares Pereira... Passou pelos seminários, trabalhou na Galp (outros também por lá passaram, nem que fosse só para meter gasolina!...) e agora, reformado, vive em Sines. E mais não sabemos...

PARABÉNS, ABÍLIO! Que a vida te sorria em saúde e alegria...

Contacto: tel. 966 767 065

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