Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

E venha a Páscoa!

05.04.20 | asal

E já passaram duas semanas neste degredo… E não sabemos quantas semanas mais teremos IMG_20170621_133221.jpgde conviver com as paredes da nossa casa as vinte e quatro horas do dia! É esta a dura realidade que afetou profundamente as nossas vidas.

Pela primeira vez, sentimos que a Terra é uma aldeia global, pois todos nos sentimos ameaçados pelos mesmos inimigos, todos estamos a repetir os mesmos gestos, todos usamos as mesmas armas com vista a uma vitória final, que ainda não se vislumbra.

Antes, ainda uns respiravam paz quando outros se dilaceravam em guerras. Antes, ainda havia os que sentiam a sua vida abalada por fortes chuvadas, ciclones e tempestades sem fim, enquanto outros gemiam ao calor medonho que seca a natureza e os corpos, transformando tudo em cinza.

Hoje, do norte ao sul, de leste a oeste, percorrendo todos os continentes e países, a ameaça é a mesma – um vírus invisível a encurralar-nos em casa, a destruir os modos de produção e de convivência, o que faz adivinhar a maior crise mundial que alguma vez aconteceu…

E nós aqui estamos a sonhar com um futuro risonho, sem abandonar a esperança de um mundo novo, mais humano, mais feliz, capaz de satisfazer a todos. Não nos sentimos derrotados e continuamos a acreditar que o homem vencerá, ultrapassando mais esta crise e, porque não?, reorientando as agulhas do viver coletivo com a energia da justiça, da solidariedade, da amizade verdadeira a desfazer os egoísmos.

Estamos na primavera, portadora de novas promessas, energias e frutos. Estamos na Páscoa, que sempre nos convida a acreditar que a dor, o sacrifício e a cruz são o prenúncio de uma vida nova, como a de Jesus o Ressuscitado.

A todos os amigos leitores deixo esta minha reflexão, querendo irmanar-me convosco no combate ao delírio da prisão. Faço o convite para olharmos mais ao que se encontra ao nosso redor – as pessoas, os animais, as plantas e as flores. E oiçam a melodia dos passarinhos.

Agora estamos a experienciar novas vivências. Boa Páscoa!

António Henriques

A globalização do medo (1)

03.04.20 | asal
Meu caro Henriques
Achei oportuno revisitar a História longa, para compreendermos melhor a situação que nos é dado vivermos hoje, em prisão preventiva, sem culpa provada. Como sendo o remédio mais eficaz, temos que nos render à ciência. 
Esperamos que, dentro em breve, sabe-se lá quando!...possamos cantar os Aleluias pascais que, desta feita, só podemos gritar em voz sumida. Para todos os nossos amigos do Animus...Semper, a Esperança e a Coragem dos Homens fortes, como o Eanes. Dos fracos não reza a História.
Cordialmente, uma Páscoa, apesar de tudo, muito Feliz. 

Florentino2.jpgFlorentino Beirão

 

Relativizar a pandemia

 

Nestes dias de medo e de incerteza, face ao coronavírus (covid.19), será saudável não perdermos a cabeça, seguindo o conselho do filósofo José Gil que escreveu um lúcido livro, sobre “O medo de existir”. Como “homo sapiens- sapiens” que somos, lá fomos conseguindo sobreviver, ao longo de 40 mil anos, aos inúmeros desafios que a nossa espécie humana teve de enfrentar, perante tantos infortúnios. De tantos medos e perigos, até hoje, sempre conseguimos sair por cima, como vencedores. Por isso, ainda existimos, à face do nosso planeta.

Conhecermos a história de algumas pandemias - pestes já estudadas, a partir da documentação existente, poderá ajudar-nos a relativizar os tempos inquietantes e dolorosos desta obrigatória e enfadonha quarentena, já semeada de mortos e doentes em Portugal, mas também já a atingir a maioria dos países e sem fim à vista. Se compararmos o nosso país com os outros já atingidos, felizmente, o número de doentes e falecidos tem ficado muito aquém.

Mas afinal, o que nos revela a história, relativamente a grandes pestes que ocorreram ao longo dos séculos?

Recuando ao período do Império Romano que se estendia sobretudo, pela bacia mediterrânica, deparamo-nos com uma peste mortífera, no tempo do imperador Antonino (165-180) a qual dizimou cerca de cinco milhões de vítimas. Anos mais tarde, um dos seus sucessores, o imperador Justiniano (527-565) também se deparou com uma peste que vitimou cerca de 40 milhões de pessoas, reduzindo a cidade de Roma, a metade dos seus habitantes.

Há historiadores que chegam mesmo a atribuir a queda do Império Romano, não só às devastadoras invasões dos povos vizinhos, mas às sucessivas pestes mortíferas que foram dizimando a população do vasto Império.

Se analisarmos a Idade- Média, já com mais dados documentais, verifica-se que neste período continuou a haver novas e contínuas pestes as quais foram atacando as populações da Cristandade Ocidental, dotada de níveis de higiene pessoal e pública, muitíssimo deficientes. Uma das mais mortíferas, transmitida sobretudo através dos ratos, foi a já muito estudada “ Peste Negra ou Bubónica” (1343.1353) que durou cerca de dez anos e levou à cova, cerca de 200 milhões de pessoas, incluindo o nosso país, apanhado numa guerra contra a Espanha, lutando pela independência. Como sabemos, foi devido a esta mortífera peste que o bem enraizado regime feudal europeu sofreu uma grande derrocada. A Europa, jamais voltou a ser como era. É que, segundo a grande lição da história, após as graves crises, provocadas por grandes pestes, as relações económicas e sociais das nações, jamais voltam a ser exatamente, como eram.

Passados cerca de 200 anos, em 1520, novamente, a Europa teve que enfrentar uma nova epidemia, a “varíola” que provocou cerca de 56 milhões de mortos. Outras foram sucedendo ao longo do séc. XIX e XX, nomeadamente a tuberculose e a lepra as quais, por serem de difícil tratamento e cura, levaram muitas pessoas à cova, não poupando os mais jovens. E, quem não ouvi já falar aos seus antepassados da “gripe asiática ou espanhola”, após a 1.ª Grande – Guerra Mundial, ocorrida em 1918 e1919, causadora da morte de cerca de 45 milhões de pessoas? Segundo testemunhos orais, em Portugal foram tantos os mortos, vítimas desta peste que as Juntas de Freguesia tiveram de mandar abrir valas comuns nos cemitérios, para depositar os mortos. Recorde-se ainda a “gripe asiática”, com a qual também sofri em 1957, dizimou 1,1 milhões de vidas. Mais perto de nós, todos recordamos o “VIH” que já com cerca de 30 milhões de vítimas, e a Ébola, que entre 2014 e 2016, vitimou 11.300 pessoas.

Hoje, confrontados com a pandemia do Covid-19, as dúvidas dos cientistas e políticos, face aos próximos tempos, são mais que muitas.

Sem poderes de adivinhação, resta-nos, como medida de precaução e bom senso, acatar e obedecer a quem legitimamente nos hoje governa em plena democracia e, se necessário for, colocarmo-nos disponíveis, para ajudar os outros.

Segundo as recentes declarações do nosso primeiro - ministro António Costa, hoje “o dever de cada cidadão é ajudar o próximo, pois estamos todos no mesmo barco, e evitar que, por negligência ou desconhecimento, possamos pôr em risco a saúde dos outros”. Nem medo doentio nem negligência criminosa. Só a Esperança, ativa e lúcida, nos poderá salvar a todos. Cuidemo-nos todos.

florentinobeirao@hotmail.com

Palavra do Sr. Bispo

03.04.20 | asal

UM GRANDE DIA QUE NÃO SERÁ...MAS É...

1.jpg

Dia Mundial da Juventude!...

Tal acontecimento coincide com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Não num espadalhão de abrir a boca a batedores e ao povaréu, mas humildemente montado num jumentinho emprestado. Da multidão eufórica que o rodeava, uns estendiam as capas no caminho, outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão, e todos bradavam “Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!”. Os engravatados da cidade, alvoroçados por tão alegre e estranha manifestação, perguntavam: “Quem é Ele?” E a multidão que O acompanhava, respondia com grande alegria e entusiasmo: “É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia”.
O distanciamento social causado por esse mortífero covid-19, que teima em nos perseguir e assaltar, tudo alterou, não nos vamos encontrar com os jovens nesse dia e nesse lugar determinado, mas vamos continuar unidos e a viver. É caraterística dos jovens a paixão pela vida e pelo que a vida oferece de bom. Saber coisas, conhecer lugares e pessoas, conviver e aventurar-se, fazer experiências, ter gana de mudar o mundo, lutar e sonhar, sonhar e lutar!... Para os jovens, ouvir que a vida é breve, não faz grande sentido, para eles, isso é conselho de cotas, é experiência de quem já viveu muito e se vê aproximar do fim de linha. Para os jovens, a vida é sempre longa, o futuro tem grande lonjura, olha-se para ele com feliz esperança.
As coisas, porém, nem sempre correm como desejamos, é verdade. Há êxitos e fracassos, há alegrias e tristezas, há momentos de maior genica e muito entusiasmo, há momentos de grande desânimo e de enorme falta de vontade, há contrariedades sem fim a puxar para trás e empurrões a forçar a marcha para a frente: é a vida! No entanto, aconteça o que acontecer, não nos podemos deixar morrer por dentro. O tema que o Papa Francisco deu aos jovens do mundo inteiro para este ano de preparação para a JMJ2022 em Lisboa, vai nesse sentido: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te!” (cf. Lc 7, 14).
De facto, fora ou mesmo dentro de nós, deparamo-nos muitas vezes com realidades de morte física e espiritual que não deixam coragem para nos levantarmos, “mortos” que ficamos. Há sonhos pessoais que fracassam, há metas escolares que não se atingem, há pretensões desportivas e artísticas frustradas, há tantos desejos de felicidade que se revelam mera ilusão, escravizam e podem levar à destruição: vícios, crime, miséria, doença, angústia, tédio de viver, perda da esperança, fechar-se em si, interromper as relações sociais ou torna-las falsas... sim, são muitas e diversas as razões que podem levar à “morte” e Francisco as aponta. E, se, porventura, do interior de alguém rebentam gritos lancinantes de socorro, a falta de compaixão, a indiferença e o egoísmo de quem escuta, pode levá-lo a fazer de conta que não ouve, não quer calçar os sapatos e sair de si mesmo ao encontro dos outros.
Pela atitude de Jesus, Amigo sempre atento, compassivo e capaz de ajudar, aquele jovem morto de Naim voltou à vida. O Papa realça que isso continua a acontecer hoje: «Se perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, diante de ti está Jesus, como parou diante do filho morto da viúva, e o Senhor, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: “Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!”» (CV20).
Se há jovens “mortos”, de costas para a sociedade e a julgarem-se vivinhos da silva porque alimentam o seu ego a passear pelas redes sociais lá no sofá, há muitos outros que saltam para a vida arriscando tudo, colocando até em perigo a sua própria existência. O testemunho de tantos profissionais da saúde e colaboradores de hospitais, das estruturas sociais e outras, os governantes que têm a responsabilidade de decidir, os agentes da proteção civil e da segurança pública, os profissionais e voluntários nos serviços básicos para que a vida da comunidade continue, são, nestes tempos de pandemia, prova disso: há muitos santos na rua a cuidar do próximo! Lá estão também os jovens, atentos aos gritos de gente aflita, sofrendo com quem sofre, disponíveis e voluntários, conscientes de que «Certas realidades da vida só se veem com os olhos limpos pelas lágrimas» (CV76).
Quando se assumem as feridas dos outros, tornamo-nos portadores de esperança e somos capazes de lhes dizer: levanta-te, não estás sozinho, Deus Pai ama-te e Jesus “é a sua mão estendida para nos erguer”. E surgem iniciativas, como, por exemplo, esta que um grupo de jovens de Abrantes, para minorar os sentimentos de isolamento e de solidão dos mais idosos, implementou o projeto "Adota um Avô". São voluntários, na maioria estudantes, que todos os dias, por telemóvel, fazem companhia ao avô ‘adotado'. A ideia foi duma Valente, escuteira e psicóloga, surgiu numa reunião do seu Agrupamento do CNE: como “fazer a boa ação” neste período de quarentena? Tendo surgido a ideia, ela foi desenvolvida no seio da Pastoral Juvenil da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, de cujo Secretariado a Teresa Valente faz parte. Embora dirigido para os idosos, o projeto já conta com muitos netos de avós adotados. A ideia está a saltar, para dentro e fora de portas. E se hoje não se conhecem, um dia, esse neto ou essa neta há de marcar encontro com esse avô ou essa avó para que se conheçam. E o desafio está lançado, tem algumas regras e objetivos, mas quem desejar participar, basta contactar pela página Facebook ‘SDPJuventude e Vocações de Portalegre Castelo Branco'.
De igual modo, qualquer gesto de amor junto de um jovem “morto” por dentro, de um jovem que sofre, que perdeu a fé e a esperança, será muito importante. Mas será tanto mais eficaz quanto mais quem o fizer for primeiramente tocado por esse amor e tiver feito a experiência dessa bondade de Deus para consigo próprio. Esse, sim, poderá gritar com toda a propriedade: «Jovem, Eu te digo, levanta-te!». Será “um toque prolongado de Jesus a comunicar vida, um toque que “penetra numa realidade de desolação e desespero”, um toque “que passa também através do amor humano autêntico e abre espaços inimagináveis de liberdade, dignidade, esperança, vida nova e plena”, um toque que faz começar a falar como o jovem de Naim: ele “começou a falar”, um toque que convida o jovem “ressuscitado” a falar das suas circunstâncias e personalidade, das suas tristezas, dos seus desejos, das suas necessidades, dos seus sonhos.
“Numa cultura que quer os jovens isolados e debruçados sobre mundos virtuais, façamos circular esta palavra de Jesus: «Levanta-te». É um convite a abrir-se para uma realidade que vai muito além do virtual. Isto não significa desprezar a tecnologia, mas usá-la como um meio e não como fim. «Levanta-te» significa também «sonha», «arrisca», «esforça-te por mudar o mundo», reacende os teus desejos, contempla o céu, as estrelas, o mundo ao teu redor”. E a todos quantos te perguntarem “Quem é Ele?”, responde com entusiasmo como aqueles que O acompanhavam na entrada triunfal em Jerusalém: “É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia”.

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 03-04-2020.

Aniversário

02.04.20 | asal

É hoje o aniversário do José Eduardo Alves Jana, nascido em 1952, um ilustre dinamizador da vida cultural e associativa de Abrantes, depois de gastar os seus anos profissionais a ensinar Filosofia na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.Jana3.jpg

Aqui estamos a dar-te os PARABÉNS e a desejar-te muita saúde para continuares a servir, já que a vida associativa é um dar e receber em troca.

Ainda em Maio, na Sertã, nos mimoseaste com o teu livro "O meu Seminário", que muitos leram e nele se sentiram retratados, como a foto documenta.

Esperamos também a tua colaboração para o livro sobre o Seminário de Alcains.

Contacto: tel. 967 204 089

Pág. 3/3