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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Falecimento

14.04.20 | asal

Vida de clausura forçada já é triste. Mas ainda há pior...

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Comunica-me o José Ventura que faleceu a Sr.a Ilda Martins, tendo o seu funeral sido realizado hoje em Proença-a-Nova. Ela era sogra do António Luís Martins, a quem deixamos um abraço de pêsames, extensivo a toda a família.

Esta família, conhecida como os Martins da Bairrada, era muito estimada na região e conhecida por ser muito empreendedora.

O António Luís esteve com o irmão no nosso encontro da Sertã em Maio de 2019.

AH

Aniversário

13.04.20 | asal

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Hoje, 13/04, é o aniversário do Armindo de Jesus Dias!  

Nascido em 1952, são assim 68 anos, o que representa já uma boa idade!

E por aí anda a fazer pela vida, não esquecendo os amigos e o nosso grupo.

E nós alegramo-nos contigo, Armindo! Parabéns e votos de longa e feliz existência.

Contacto: tel. 917 237 023

Aniversário

11.04.20 | asal

Diogo Luís.jpgCelebra hoje o seu 36.º aniversário o Diogo Luís, um jovem...

Vive na Sertã, casado com a Carla Luís, e ainda há poucos anos eles foram pais de duas bébés, o que significa alegria a dobrar e também algumas preocupações a mais. 

Ao Diogo, um abraço especial de PARABÉNS E VOTOS DE LONGA VIDA CHEIA DE SAÚDE.

Não temos contacto telefónico.

Estão a sofrer

10.04.20 | asal

Hoje é sexta-feira da Paixão.

Nesta pequena família que nós formamos, há amigos que hoje se identificam mais com Jesus sofredor que cada um de nós. Estão fisicamente muito debilitados, esperando, para além da Ressurreição de Jesus, a sua própria reabilitação. O sofrimento e a dor fazem parte da vida, mas por vezes chegam ao extremo.

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O João Torres Heitor, velho companheiro das lides associativas, foi operado a uma infeção no hospital de S, Francisco Xavier e está mesmo muito mal.

O Leonel Cardoso Martins está a viver uma situação muito complicada há algum tempo, já com tratamentos oncológicos, e não se sente nada bem, como ainda hoje pude constatar em telefonema para um lar de Portalegre.

O nosso companheiro de projetos, o José de Jesus André continua no hospital a melhorar da infeção pelo covid-19 e ainda não será rápida a sua recuperação.

Vamos lembrá-los com insistência para que a onda de oração e desejo forte pela sua libertação produzam resultado. Que Jesus Ressuscitado nos acompanhe!

AH

Palavra do Sr. Bispo

10.04.20 | asal

UM MUNDO DOENTE AOS PÉS DA CRUZ

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O gesto impressionou o mundo, um mundo de olhos esticados para lá! Foi mais uma página da História humana, uma página inesquecível, escrita a letras de ouro! Vestido de branco, sozinho e debruçado sobre si mesmo, como que a carregar aos ombros as tragédias do mundo inteiro, o Papa Francisco subia em direção às portas da Basílica de São Pedro, para, voltado para o imenso largo, quotidianamente palco de milhares e milhares de pessoas, mas agora completamente livre, convidar o mundo crente a rezar, também pelos não crentes. Sem dizer monossílabo que se ouvisse, a tristeza gritava e pulava, incomodativa, do chão deserto e silencioso daquela praça, do caminhar pesado e lento do Santo Padre, do tom sofrido da sua voz, dos parcos gestos que a circunstância lhe impunha naquela praça circundada pela monumental colunata de Bernini a abraçar a cidade e o mundo. As nuvens choramingavam!... Foi um momento que ficará para a História, como para a História ficarão as imagens das cidades freneticamente movimentadas pelas exigências da vida, e, agora, completamente desertas, a causarem medo como se de noite escura, ameaçada por bandidos, se tratasse. Foi um momento extraordinário de oração nestes tempos em que, como referia o Papa, “densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos”. A situação sanitária que hoje aflige toda a humanidade “desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade”. Tudo nos faz perceber que “caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.” Agimos como se não houvesse limites, “avançamos a toda a velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa”, não escutamos os apelos do Senhor, “não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”.

Recordando que, neste tempo em que fazemos memória da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, ressoa em todos nós o apelo urgente à conversão feito por Jesus, Francisco pede-nos que reajustemos a rota da vida, que aproveitemos “este tempo de prova como um tempo de decisão (...) o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é”.
De facto, a celebração do Tríduo Pascal convida-nos ao silêncio. Um silêncio fecundo, um silêncio que nos faz encontrar connosco mesmos e com Deus, adorando-O em espírito e verdade. Há dois mil anos, Jesus, o Filho de Deus, foi condenado à morte, a morte mais ignominiosa do tempo: a morte na cruz. Acusações sem consistência, calúnias, testemunhas falsas, autoridades pusilânimes, tribunais ao serviço dos caprichos humanos, tudo, tudo convergiu contra Jesus que, por obediência ao Pai e por amor aos homens, se foi entregando, esvaziando, abandonando, até se entregar nos braços do Pai, sem oferecer violência à violência. Pelo contrário, antes de tudo estar consumado, Ele pede o perdão para quem o matava. E morreu, e foi sepultado, e fez-se silêncio, e tornou-se fonte de salvação para todos os homens. A lógica de Deus não é a nossa lógica. Esta procura realizar-se através do poder, do ter e da construção de torres de Babel para atingir e ser como Deus. A Cruz recorda-nos que a realização plena consiste em conformar a vontade humana à vontade de Deus Pai. Obedecendo, Jesus carregou a cruz de todos os homens, as cruzes duma humanidade sofredora. Se Adão, desobedecendo e confiando nas suas próprias forças, ao pretender ser como Deus perdeu a sua dignidade original, Jesus, por sua vez, em total fidelidade ao Pai, sendo de condição divina, rebaixou-se, entrou na condição humana para redimir o Adão que está em nós e restituir ao homem a dignidade que perdera (cf. Bento XVI, 27-6-2012). “Ele tinha a condição divina, mas não se apegou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens. Assim, apresentando-Se como simples homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou grandemente, e Lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho no céu, na terra e sob a terra; e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fil 2, 6-11).
Jesus continua a fazer-nos o convite: «Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). E siga-me, isto é, partilhe comigo o mesmo caminho, mesmo que o mundo não compreenda e ache ser uma derrota. E aponta o modo de o fazer: “Então Jesus, levantou-Se da mesa, tirou o manto, pegou numa toalha e atou-a à cintura. Deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que tinha à cintura (...) sentou-Se de novo e perguntou: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me “o Mestre” e “o Senhor”, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós vos deveis lavar os pés uns aos outros» (Jo 13, 13-14).
Nestes dias de pandemia tão aflitivos, com o Papa Francisco saibamos apreciar aqueles que hoje estão a “escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras”.
Celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, adoremos a Cruz. Nela encontramos “Aquele que não aponta o dedo contra ninguém, mas abre os braços para todos; que não nos esmaga com a sua glória, mas se despe por nós; que não nos ama em palavras, mas nos dá a vida em silêncio; que não nos obriga, mas nos liberta; que não nos trata como estranhos, mas assume os nossos males, os nossos pecados. Para nos libertar dos preconceitos sobre Deus, olhemos o crucifixo e depois abramos o Evangelho (...) Não se esqueçam: Crucifixo e Evangelho! A liturgia doméstica será essa”, diz-nos Francisco.
Santa Páscoa!

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 09-04-2020.

A voz do pároco

10.04.20 | asal
Um pároco a falar aos seus paroquianos numa linguagem natural, humana e espiritual, também se dirige a nós. AH
Antonio Escarameia

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Caros amigos. estamos todos no mesmo barco. Queixamo-nos muitas vezes de que que não temos tempo para nada, mas agora temos tempo para tudo. Estamos numa quaresma que nos foi imposta. Quarentena e quaresma significam a mesma coisa: são tempo de recolhimento, tempo de reflexão, tempo de oração para quem tem fé e tempo de purificação do espírito e do corpo para todos. O momento mais importante da quaresma / quarentena é a nossa Reconciliação com Deus, com o próximo, com a Natureza…
Hoje é Sexta Feira Santa. A Igreja celebra a Paixão e Morte de Jesus. Nas nossas paróquias, estamos todos muito afastados, mas todos muito unidos a celebrar a Morte de Jesus no memorial da nossa procissão dos Passos, em Fratel, até ao Calvário.
Mas, depois da morte vem a vida, ainda com mais abundância: isto é, vem a Ressusrreição. E uma vida nova há de vir, de certeza, para todos nós, depois desta pandemia. Nada será como dantes.
Mas atenção, também dentro de nós tem de morrer o egoísmo, para nascer o Amor;
Tem de morrer o desânimo, para nascer a Esperança;
Tem de morrer pecado, para nascer a Vida de Deus em nós.
Só os que soubermos morrer, poderemos ressuscitar.
Boas Festas da Páscoa para vós e vossos familiares. ALELUIA

NOTA: Aos antigos alunos que hoje dirigem as comunidades cristãs da diocese deixamos aqui um abraço de amizade e o reconhecimento do trabalho valoroso que fazem a favor dos outros. Sintam-se fortes e acreditem que por detrás de vós há muita gente a admirar a vossa dedicação.

Uma santa e feliz Páscoa. AH

Rezar com o Papa

10.04.20 | asal

Da oração diária com o Papa - in "Click to Pray"

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Com Jesus à Tarde

“Quem não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo” (São João da Cruz).

Algumas atitudes que nos ajudam a carregar a cruz com Cristo em nosso dia a dia:

- atravessar a via do sofrimento com confiança…

- Ter fé nos momentos de tribulação e adversidade…

 -Ser justo e íntegro, mesmo que isso contrarie a maioria…

- Aprender a ser humilde, sabendo que para isso será humilhado…

- Compadecer-se daqueles que sofrem mais do que nós…

- Afastar-se do pecado…

- Amar sem distinção…

- Aceitar o que não posso mudar…

- Reformar o meu interior…

- Crer que após a dor vem a alegria, pois Deus jamais nos desampara.

JESUS NAZARENO?

09.04.20 | asal

Meu caro António

Desculpa, mas o texto"saduceu" que te enviei esta manhã era para ver se o podias publicar. Julgo ser proveitosa esta abordagem à vida de Jesus, embora uma biografia seja impossível, apesar de o herói ser uma figura fascinante. Repito o voto de uma Páscoa, cheia de Luz, que dissipe esta terrível escuridão, uma madrugada de sinos a tocar aleluias festivas. João Lopes

R. Que dizes tu, João? Alguma vez eu iria recusar texto tão profundo em reflexão, estudo e oportunidade? Eu tenho, sim, de agradecer em nome de todos os amigos que por aqui passam. AH

 

O que se pode dizer sobre o letreiro “ JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS”

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Há quem viva como se Jesus não tivesse existido. Ou que, ignorando os testemunhos históricos extra-bíblicos do judeu Flávio José (falecido por volta do ano 100) de Plínio, o Jovem(110-120),  de Tácito e Suetónio, historiadores latinos, persista em negar a existência histórica do doce Mestre da Galileia.

   Ora, é um facto histórico incontestável que Jesus nasceu por volta do ano 6 antes da era cristã (Belém ou Nazaré), dois anos antes da morte de Herodes, o Grande, morto no ano 4 aC,  usurpador idumeu do Reino da Judeia, partidário de António, e que do seu reino tomou posse uns anos antes de Octávio Augusto ser proclamado Imperador em 27 aC. A data da morte do filho de Maria pode situar-se, segundo a opinião da maioria dos biblistas, na sexta-feira de 7 de Abril do ano 30, com 36 anos, portanto. 

   Por outro lado, Jesus, filho oficial e reconhecido de José, era por via da linhagem de seu pai, descendente do rei David.  O biblista e arqueólogo Frei Frédéric Manns, OFM, escreve a este respeito: (Como José), também outros descendentes de David  eram famosos, como se comprova na inscrição de um ossário em Jerusalém. Após o regresso do exílio na Babilónia (a partir de 538 por permissão do rei Ciro), os descendentes da família David já não contavam na vida política. Depois, na época dos macabeus, a família real foi descartada quando a dinastia dos asmoneus se impôs na condução do país(134 a 67 aC). Mais tarde, Herodes, o Grande, que tinha tomado o título  de rei dos judeus, não tolerou os descendentes da família do rei David. “ ( In Bíblica, nov/dez 2016) Aliás, os descendentes desta estirpe, apesar da desolação em que caiu, ( “ Livro dos Reis, 24 e 2º Livro das Crónicas , 36 e mais lugares paralelos em Jeremias,) estiveram sempre sob suspeita até à época de Domiciano, 81-96.

 Por 13 vezes no Novo Testamento, Jesus é chamado Nazoreu ou Nazareno.  Não confundir com Nazireu, o que fez o voto da abstinência, não cortar os cabelos como o juiz Sansão. O qualificativo ganhou uma nova e mais lata incidência lexical quando os judeus começaram a designar os cristãos por “ Nazarenos”. (Actos, 24,5)

    Qual a origem etimológica de Nazoreu ou Nazareno?  Este epíteto não significa que Ele seja natural de Nazaré, lugarejo  nem sequer mencionado nos textos do AT. Portanto, não indica um lugar, mas o ramo secundário do clã de David, ou seja, a descendência, o germe ( NETSER, em hebraico)  de David. 

  É sabido que os judeus não regressaram todos de uma só vez do exílio. Vieram por levas, consoante os interesses e os laços que os prendiam na rica região do Eufrates e do Tigre.  Aconteceu que, no século II aC, um grupo do clã davídico veio da Babilónia, dividindo-se em dois na província da Bataneia no lado oriental do rio Jordão, rica região de Bashan, onde se localizava  a vila de Betânia (Jo, 1,28); o 2º grupo dirigiu-se para uma colina desabitada da Baixa Galileia, junto à planície de Esdrelon/Yzreel, segundo o testemunho de S. Jerónimo e de Juliano, o Africano, um leigo do séc. II, natural de  Emaús, Nicópolis, perto de Jerusalém.

   Pois bem, o étimo “ netser”, ( rebento de David) evoluiu para Nazara que se transformou em Nazareth. Isto é, o povo ou personagem dá o nome ao lugar que começou a habitar.  Por igual fenómeno de eponímia, Ulisses deu o nome a Ulisseia ou Lisboa, o mesmo se dando com Samaria, nome que provém do seu proprietário Shemer, no tempo de Omeri, rei de Israel (1Reis, 16,24). Jesus é nazareno, por ser, antes de mais, descendende do rei David e não por ser originário daquele burgo. E este título colou-se-lhe à pele, sobretudo no movimento popular de pobres e camponeses, daqueles e daquelas que tentavam sobreviver na mais baixa escala social, e que O seguiam, como se  fosse o seu libertador. Conhecemos o episódio do cego de Jericó, sentado à beira da estrada. Ao ouvir dizer que passava Jesus de Nazaré, instintivamente gritou: Filho de David, tem misericórdia de mim.   E em tantos outros lugares do NT, se conota o nome nazareno com o do “filho “de David, da sua descendência, germe da sua Casa real. Trata-se de uma  imagem ou arquétipo do inconsciente colectivo, moldado pala atribulada história do Povo de Deus.  

 Dada esta explicação de teor etiológico, voltemos à aldeia de Nazaré, onde Jesus cresceu  e foi educado sob a égide de José e Maria, no meio de uma família alargada ou parentela do mesmo clã, à semelhança das famílias orientais em que se mistura a criançada, primos e irmãos, numa algazarra álacre e agitada.  Parece-me que o figurino da família triangular do imaginário cristão ocidental (Maria, José e o Menino) não corresponde à realidade sociológica de então. Adiante.

  A educação de Jesus foi primorosa, segundo os padrões mais exigentes das escolas de Nazaré e de Sephoris (depois, Autocratis), capital da Galileia, cidade que o seu pai ajudou a reconstruir, como  artesão altamente qualificado nas técnicas da construção - tectôn, tradução dos Setenta) Jesus frequentou com sucesso os  sete anos de instrução, divididos num ciclo de 5 e outro de 2 anos. Dominava o hebraico, o grego, a história e geografia de Israel e de Judá, salientando-se nos métodos rabínicos de interpretação das Sagradas Escrituras.  Disso deu provas na disputa com os doutores da Lei, aos 12 anos, em Jerusalém. Foi, por assim dizer, o seu Bar Mizvah, o teste da sua entrada na adolescência! 

   No ano 27/28, com 33 anos, deixou Nazaré e a sua família de sangue, para se dedicar, como pregador itinerante, a anunciar a boa Nova do Reino, que mais não era do que uma nova versão daquele Reino de Paz, Justiça e Fraternidade, largamente desejado pelos Profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel, Joel, Amós, Zacarias e outros piedosos visionários de Deus. A leitura completa dos seus textos são de uma flagrante actualidade, além de um alto nível literário e poético. A sua mensagem vincula-se estreitamente com a de Jesus de Nazaré. 

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  Não espanta, pois, que perante a autenticidade judaica da Pessoa de Jesus, intelectuais judeus do nosso tempo como Martin Bube,r o considerasse “ o seu irmão mais velho” e David Flusser como o rabi Leo Baeck o tenham definido como “ uma personalidade genuinamente judia”, sem esqucer o grande historiador Joseph Klaussner, tio–avô do romancista Amós Oz, que na sua obra Jesus of Nazareth, 1929, o  elogia como “ o mais judeu dos judeus… e, do ponto de vista humano, ele é certamente “ a Luz para os gentios”.

 Aqui chegados, deixem dizer só mais duas palavras sobre o letreiro que Pilatos mandou colocar sobre a cruz: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”. (Jo, 19,19) O que terá exasperado as lideranças judaicas (sacerdotes saduceus, anciãos ou ricos proprietários de terras e escribas ou doutores da Lei) enfim, os principais agentes da acusação, não fora decerto o epíteto “Nazareno” que eles até viam com desprezo, mas o sintagma “Rei dos Judeus” com as suas possíveis repercussões políticas e religiosas, isso é que eles não podiam engolir. E de imediato exigiram ao Governador que modificasse o texto da sentença, clarificando o sujeito da sua enunciação: “ Não escrevas” Rei dos Judeus”, mas sim: Este homem afirmou: Eu sou Rei dos Judeus” ( Jo. 19, 21) Incomodado deveras com a chantagem que tinham feito sobre o representante da lei imperial, pressionado para decretar a condenação de um réu que ele considerava inocente, vítima de uma disputa religiosa entre judeus, maliciosamente transformada em questão política, sendo, por isso, denunciado como agitador e conspirador político, Pilatos despachou-os com o facto consumado do seu escrito. Que pensavam eles? Podia assim alterar-se a letra de um titulum do Direito Romano, o resumo da acta da sentença, a ser enviada para os arquivos do tribunal de César, no qual estava sintetizada a causa da condenação de Jesus ”Jesus Nazareno, Rei dos Judeus"? Não lhes bastava que ele, contrariado embora, tivesse proferido a sentença:  Ibis ad crucem ? Com efeito, os chefes dos judeus queriam à viva força enfatizar a ideia de que Jesus, aclamado um dia antes como Filho de David e REI, pela ralé e um bando de marginais, não passava de um rei de opereta, um megalómano e tresloucado. 

  Estavam bem longe do verdadeiro e profético conceito do Reino de Deus, que o próprio Jesus explicara a Pilatos (Jo, 18,36) e cujo carácter transcendente Ele vincara em ocasiões várias, sobretudo no Discurso do Pão da Vida, a propósito da multiplicação dos pães ( Jo,6,14-15). 

 O seu Reino é no coração da própria humanidade, proclamado com base no princípio ético novo e primordial do Amor universal e gratuito. Assim o fez ele toda a vida, entregando o seu legado aos Doze, organizadores de uma Igreja sempre em processo de expansão e rejuvenescimento baptismal e eucarístico. Baptismo e Eucaristia, os sacramentos pascais, por excelência, que transportam na noite, na nossa noite, a Luz pascal do Reino, pois para isto Ele veio ao mundo: iluminar com a Sua Luz quem, como  peregrino, faz a passagem ( PESSACH , Páscoa, ) por esta terra, que tantas vezes parece mergulhar no império das trevas.

João Lopes

Sofrer até quando?

09.04.20 | asal

"A Páscoa dos avós! A tristeza de hoje é a alegria do amanhã!

Acreditar na ressurreição é aceitar um novo ressurgir de melhores dias.

Que esta Páscoa semeie em vós um rasgo de esperança.
 
Santa Páscoa com a doçura de um abraço
 
Fernando Cardoso Leitão Miranda"
 

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Começo este texto com a mensagem do Fernando, um avô a sentir a falta dos netos e restante família. É que a coisa começa a tornar-se negra. Com o passar dos dias, a contenção de movimentos e a falta de outras vistas que nos distraiam um pouco, o tempo começa a sobrar e nem sabemos mesmo como é a melhor maneira de o ocupar...

Lembrei-me dos meses em que as operações aos joelhos me retinham em casa. Entre outras coisas, escrevia então: «...Assim, não sei o que se passa: mal por estar no sofá, mal por estar na cama, mal por estar no cadeirão, ver TV não me agrada nada, ler é o mesmo... E passaram-se assim oito dias! Olho para esta perna trombuda e não gosto das dores e desta pele inchada a rebentar. E tudo tem sido evolução normal, dizem, nada perturba a quase-certeza que vou ser novamente um peão sem achaques. Mas eu é que as sofro! »
 
Curiosamente, nesta clausura, não perdi a memória de outros hábitos. Ainda há dias, depois do almoço, pergunto à Antonieta: "Então, não vamos agora até à Fonte da Telha ver o mar?"
Também os meus gatos não esquecem a escapada à rua, eles que agora estão proibidos de sair. Mas todas as noites, miam, miam ardentemente, olhando para nós e, quando nos movemos, eles correm logo para a porta de saída... E os donos não consentem! Cá em casa, ninguém sai, para o inimigo não entrar... Custava muito andar a limpar as patas com álcool.
 
Têm-me animado muito os telefonemas com os amigos. Há dias, o Pires da Costa comparou este recolhimento aos dias de retiro no Seminário, em que não havia aulas, não havia conversas nem jogos e por ali andávamos em silêncio à procura de nada. Às vezes pecávamos lendo outras coisas, brincávamos às escondidas, dávamos pontapés por baixo das mesas (o Rito parece que era artista a incomodar os outros, não era, Pires da Costa?).
Mas a solidão incomoda muito. Tenho a minha irmã Prazeres no lar das Irmãzinhas dos Pobres em Campolide, que agora está fechada no seu quarto (que belo quarto individual, com casa de banho, TV, computador!), mas o Covid-19 fez com que ela não pudesse descer até à capela para rezar nem pudesse deslocar-se para a sua sala de trabalho, onde ocupa o seu tempo... É duro... Mas são as defesas nos lares contra a pandemia. Eu ando à distância a ensiná-la a mexer no Messenger para falar com a família cara a cara... E estou esperançado!
 
A alguns amigos tenho pedido (lembras-te, Chico, João, Ernesto, José, Mário, Valentim?...) que ocupem o seu tempo para escrever o seu sentir sobre o Seminário de Alcains - episódios, estilo de vida, influência no nosso futuro... - a ver se conseguimos apresentar um livro digno da memória daquela grande instituição nos seus 90 anos de vida. Até podem criticar, que nada escapa à crítica... Olhem que estar ocupado é libertador

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Desta vez, sinto-me mais motivado que quando sofria dos joelhos. Agora caminho dentro de casa, leio muito e com gosto, faço o Duolingo (aplicação no telemóvel para aprender Inglês que me leva pelo menos uma hora!), vejo filmes, já acabei as palavras cruzadas que tinha. Ah! E também rezo mais, sim senhor!
 
Oxalá estes dias da semana santa sejam uma Páscoa libertadora, por graça do Ressuscitado e por força de cada um de nós, de quem depende a perspetiva de vida e a decisão de fazer coisas válidas no nosso tempo.
E escrevam para este blogue, façam favor! Eu sinto-me obrigado.
 
Boa Páscoa, caros amigos! E que a cruz se encha de flores...
AH

Alfabeto?!

07.04.20 | asal

Tempo de recordar

 

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 Comecei por conhecer pessoas analfabetas. Do meio que me viu crescer aprendi que os analfabetos eram os que não sabiam ler. E eram tantos. Talvez a maioria. Na minha extensa família alargada, só uma pessoa sabia ler.

 A seguir, ouvi falar em campanhas de alfabetização e concluí que isso queria dizer ensinar os adultos a ler e a escrever. Contar já eles sabiam. Mentalmente, entenda-se. Faziam contas de cabeça. Essa coisa de fazer contas de papel e lápis era habilidade de poucos. Ouvi mais falar do que vi acontecer a dita alfabetização dos adultos.

 Mais tarde, percebi que alfabetização e analfabeto eram palavras que tinham na raiz o alfa e o beta, as duas primeiras letras do alfabeto grego. Uns sabiam as duas letras os outros não sabiam. Já reparou de onde vem a palavra alfabeto?

 Já adulto, descobri que uma das razões do atraso português foi, entre outros factores, o não ter havido um movimento de alfabetização antes da escolarização. Isto porque a Portugal não chegou a Reforma / as Igrejas Reformadas ou Protestantes. Estas vozes que protestavam fizeram de Portugal um país curioso: não teve Reforma, mas teve Contra-Reforma, isto é, não teve protestantes, mas superabundaram os que protestavam contra os protestantes. Lutero, ao traduzir para alemão a Bíblia, gerou nos países do norte da Europa esse movimento de querer ler e interpretar livremente as Sagradas Escrituras. Adiantaram-se e nós ficámos à espera que o Estado criasse a escola para aprender a ler e a escrever. Ele criar, criou, tarde e a más horas, mas, inicialmente, não passou de retórica política.

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 Mais tarde ensinei sobre os analfabetos funcionais. Fizeram a escola, passaram, têm diploma, mas, na prática não sabem ler. Primeiro, verificou-se que não conseguiam ler nem escrever textos. Depois, verificou-se que não sabiam ler o mundo que os rodeava. Passei a ensinar e referir estudos sobre a iliteracia.

Hoje só queria chamar a atenção para uma espécie de iliteracia: a incapacidade de ler nos olhos, nos rostos, nos movimentos, nas lágrimas, na rigidez corporal, etc., das pessoas os seus sentimentos e as suas emoções.


Mário Pissarra

Aniversário

07.04.20 | asal

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Hoje, quase sem ninguém dar por tal, celebra o seu 83.º aniversário o António dos Reis, que nos habituámos a ver nos nossos encontros quase de braço dado com o seu e nosso amigo António Pequito Cravo. E porquê? Os dois exercem a advocacia, os dois se completam e se ajudam, o que os torna exímios. 

Pois ao António dos Reis damos os nossos PARABÉNS, desejando-lhe saúde e energia para gozar os dias por muito tempo. E mais um abraço fraterno.

Contacto: tel. 918 311 626

Aniversários

06.04.20 | asal

Para hoje temos dois aniversariantes, um beirão e outro alentejano.

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- O António Maria Romeiro Carvalho, que pelo seu Facebook é da raia (Ladoeiro - Idanha-a-Nova?), frequentou os seminários do Gavião e Alcains, estudou Sociologia e História nas universidades de Lisboa e leciona numa escola da Amadora, onde também reside com a sua família, certamente em isolamento e confinamento social como todos nós neste momento.

Estamos a dar-lhe os PARABÉNS pelos seus 66 anos e a desejar-lhe muitos anos com saúde e felicidade. Um dia vamos encontrar-nos?

Contacto: tel. 966 410 933

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 - Também hoje faz 49 anos o João Durão, um jovem ex-seminarista como nós, mas do qual nada mais sabemos. No Facebook, parece que trabalha no sector hoteleiro em Lisboa. E tem ligações a Flor da Rosa, suponho eu!...

Por isso, aqui ficam os nossos PARABÉNS e votos de longa vida... E que os seus sonhos se realizem. Esperamos que ele apareça e diga coisas, para enriquecer o grupo.

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Versos à gripe

05.04.20 | asal

Bem velhinhos, cheios de sinais ligados à sua antiguidade, aí ficam estes versos, bem adequados aos novos tempos. Obrigado, Abílio, por esta prenda! AH

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Abilio Delgado São versos feitos pela minha Avó em 1918 quando a pandemia da "GRIPE ESPANHOLA" ceifava muitas vidas. Creio já ter enviado antes para a "ANIMUS".

A minha avó nunca andou na escola. se clicar nos versos vê comentários de familiares do casal referido nos versos. Abraço não coronado.

 

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Aniversário

05.04.20 | asal

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Celebra hoje o seu 40.º aniversário o P. Nuno Miguel Lopes da Silva,  Pároco de Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada; Responsável pelo Pré-Seminário; Capelão das Irmãs Clarissas de Montalvo (Ordem de Santa Clara) e Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude e Vocações.

Cheio de responsabilidades, não lhe falta tempo para nada, mas aqui estamos para lhe dar os nossos sinceros PARABÉNS por mais uma primavera, desejando-lhe muita saúde e energia para levar a cabo a sua missão. 

Contacto: tel.  965 153 711