Neste dia 19-02-1971, nasce o Miguel Cordeiro, com formação em Serviço Social no Instituto Superior Miguel Torga.
Pelo seu Facebook, sabemos que vive em Osnabruque e ainda frequentou o Seminário de Coimbra. Não sabemos mais sobre este colega. Pode ser que ele apareça por aqui um dia a contar coisas. Gostávamos muito!
Aqui deixamos os nossos sinceros PARABÉNS E VOTOS DE LONGA VIDA, MUITA SAÚDE E REALIZAÇÃO DOS SEUS SONHOS...
Seja qual for a posição de cada um, a reflexão e o debate sobre a eutanásia é uma exigência de cidadania e não uma discussão entre alguns, em círculo fechado, mesmo se democraticamente nos representam. Quando está em jogo o tipo de sociedade que desejo para os meus netos, não quero que outros decidam sem saberem o que penso.
Neste fim de semana, que incluia o dia dos namorados, fiz a surpresa à esposa de reservar hotel em Aveiro para uns dias de turismo calmo, repousante e ao mesmo tempo cheio de beleza.
E lá fomos nós dois de comboio, à procura daquela terra que há muito não nos deleitava os olhos. E, agora que tudo passou e voltámos a casa, posso dizer que valeu a pena. Não faltou o descanso - aquele "dolce far niente"- e sobretudo pudemos encher os olhos da beleza que nos inunda a alma porque fomos educados para ela. E é dela que vou falar. Aos bocadinhos, para não cansar! E de acordo com a disponibilidade de tempo que eu tiver.
Primeiro passo - o encontro com o Fernando Leitão. Eu sabia que Esgueira ficava ali perto e lá morava a Emília e o Fernando, que há tempos encontrámos nas termas (é assim esta 3.ª idade!). E que também nos habituámos a ver e abraçar nos encontros anuais dos antigos alunos. E sabia que a Emília estava a passar um mau bocado depois da operação às cataratas, sendo o Fernando um cuidadoso enfermeiro de quase todas as horas. Assim, foi com alegria que, mesmo com estas limitações, pudemos estar com o Leitão Miranda, que nos levou a almoçar na Tia Micas e, de carro, nos mostrou os lugares mais afastados, a universidade, o seminário - hoje centro de formação na fé, e nos levou ainda aos arredores da cidade - uma cidade nova construída em terrenos baldios e agrícolas, hoje com bairros modernos e fábrica de cerâmica transformada em centro cultural.
E conversámos de quê? Das nossas experiências comuns, da luta que travámos para progredir na vida, a começar pelos nossos pais, que se sacrificaram para nos enviar para o seminário; e depois, quando quisemos passar de efetivos a provisórios outra vez (assim me dizia o Dr. Marcelino quando resolvi deixar Portalegre à procura de outra felicidade...), o que não foi fácil. Histórias engraçadas, entrançadas com amigos que nos facilitaram o caminho, sem nos tirarem todos os espinhos... Que os estudos eram muitos e conseguir um diploma superior exigia esforço!
Mas hoje, como pessoas da quarta idade, sentimos um bem estar, um alegria especial pela nossa história e pela família que temos, o que nos leva a dizer que "nos sentimos muito agradecidos", esse sentimento de gratidão que, na simplicidade e humildade do dia-a-dia, nos faz felizes.
Obrigado, Fernando! E rápida recuperação para a tua Emília. Havemos de nos ver em Alcains no dia 16 de Maio, onde outros nos esperam, como o Valentim Pires da Costa, o Manuel Pereira, o Júlio, o Amável André, etc....
Segundo passo - visita à Sé, onde parece que queríamos ver o Sr. P. Marcelino, depois Dr. Marcelino e depois bispo de Aveiro. Ele não apareceu, mas esteve sempre no meu espírito, enquanto lembrava episódios dos tempos de Portalegre que marcaram a minha formação.
Os espaços exteriores são largos, bem arranjados e solenes, com aquele célebre cruzeiro e aquela colunata a reservar o ambiente. Dentro, para além do cruzeiro original (lá fora está uma réplica), encontramos uma igreja de uma só nave, com várias capelas laterais a alongar o espaço, muito estilo barroco com vários retábulos em talha dourada e, ao lado direito da capela-mor, um moderno órgão metalizado que destoa e fere o olhar, perdoem a expressão.
Nos largos espaços exteriores, no meio do trânsito, ainda pudemos admirar uma gigantesca e moderna imagem de S.ta Joana Princesa, padroeira de Aveiro, em frente ao Museu de que falarei em breve.
Estas as primeiras impressões desta Aveiro modernizada, turística, aprazível ao turista.
Sim, já foi em tempos idos. O Papa Francisco, na Praça de São Pedro, no Vaticano, respondeu a três perguntas que uns noivos lhe fizeram. Sei que o texto é um pouco longo. No entanto, porque vamos viver o dia de São Valentim, Dia dos Namorados, e só o lê quem quiser, vou arriscar, publicando, na íntegra, as perguntas que lhe fizeram e as respostas que Francisco deu. Há sempre jovens espiões do futuro que gostam de percorrer e consolidar caminhos que ajudem a construir e a solidificar a vida sobre a rocha firme.
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1ª PERGUNTA: O medo do «para sempre» Santidade, hoje em dia numerosas pessoas pensam que prometer a fidelidade um ao outro para a vida inteira constitui um empreendimento demasiado difícil; muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito e até fascinante, mas demasiado exigente, praticamente impossível. Pedir-lhe-íamos uma palavra para nos iluminar a este propósito.
É importante interrogar-se se é possível amar-se «para sempre». Trata-se de uma pergunta que temos o dever de formular: é possível amar-se «para sempre»? Hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas. Certo dia um jovem disse ao seu bispo: «Eu quero tornar-me sacerdote, mas somente por dez anos!». Ele tinha medo de uma escolha definitiva. Mas trata-se de um medo geral, próprio da nossa cultura. Parece impossível fazer escolhas para a vida inteira. Hoje tudo muda rapidamente, nada dura no tempo. E esta mentalidade leva muitas pessoas que se preparam para o matrimónio a afirmar: «permaneçamos juntos, enquanto o amor durar»; e depois? Muitas saudações e até à vista! E assim termina o matrimónio. Mas o que entendemos por «amor»? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Sem dúvida, se for assim, não será possível construir sobre ele algo de sólido. Ao contrário, se o amor for uma relação, então será uma realidade que cresce, e como exemplo até podemos dizer que se constrói como uma casa. E a casa constrói-se juntos, não sozinhos! Aqui, construir significa favorecer e ajudar o crescimento. Estimados noivos, vós estais a preparar-vos para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. E não desejais alicerçá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e voltam, mas sobre a rocha do amor autêntico, do amor que provém de Deus. A família nasce deste desígnio de amor, que quer crescer como se constrói uma casa que se torne um lugar de carinho, de ajuda, de esperança e de apoio. Do mesmo modo como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também no caso do amor que funda a família, desejamos que ele seja estável e para sempre. Por favor, não devemos deixar-nos dominar pela «cultura do provisório»! Esta cultura que hoje invade todos nós, esta cultura do provisório. Não pode ser assim! Portanto, como se cura este medo do «para sempre»? Cura-se dia após dia, confiando-se ao Senhor Jesus numa vida que se torna um caminho espiritual quotidiano, feito de passos, de pequenos passos, de passos de crescimento comum, feito de compromisso a tornarmo-nos mulheres e homens maduros na fé. Porque, queridos noivos, o «para sempre» não é apenas um problema de duração! Um matrimónio não é bem sucedido unicamente quando dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar-se para sempre, eis no que consiste o desafio dos esposos cristãos. Vem ao meu pensamento o milagre da multiplicação dos pães: também para vós, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e conceder-vo-lo vigoroso e bom todos os dias. Ele possui uma reserva infinita de amor! E oferece-vos o amor que está no fundamento da vossa união, enquanto o renova todos os dias, fortalecendo-o. Além disso, torna-o ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante, é sempre necessária a oração. Ele por ela, ela por ele, e ambos juntos. Pedi a Jesus que multiplique o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso, nós dizemos: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje». Os cônjuges podem aprender a rezar com estas palavras: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje», porque o amor quotidiano dos esposos é o pão, o verdadeiro pão da alma, o pão que os sustenta a fim de que possam ir em frente. E a oração: podemos fazer a prova para saber se sabemos recitá-la? «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje». Todos juntos! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]. Mais uma vez! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]. Esta é a prece dos namorados e dos esposos. Ensinai-nos a amar-nos, a querer o bem um do outro! Quanto mais vos confiardes a Ele, tanto mais o vosso amor será «para sempre», ou seja, capaz de se renovar, superando assim todas as dificuldades. Era precisamente isto que eu vos queria dizer, respondendo à vossa pergunta. Obrigado!
2ª PERGUNTA: Viver juntos: o «estilo» da vida matrimonial Santidade, viver juntos todos os dias é bom, enche de alegria e ampara. No entanto, constitui um desafio que deve ser enfrentado. Cremos que é necessário aprender a amar-nos. Existe um «estilo» da vida de casal, uma espiritualidade da vida quotidiana que gostaríamos de aprender. Santo Padre, pode ajudar-nos nisto?
Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ele não termina quando vos conquistastes um ao outro... Pelo contrário, é precisamente neste momento que ele tem início! Este caminho de cada dia possui regras que podem ser resumidas naquelas três palavras que tu disseste, palavras que eu já dirigi inúmeras vezes às famílias, e que vós já podeis aprender a utilizar entre vós: com licença, ou seja, «posso», como tu dissestes, e desculpa. «Posso, com licença?». É o pedido amável para poder entrar na vida de outra pessoa, com respeito e atenção. É necessário aprender a pedir: posso fazer isto? É do teu agrado, se fizermos assim, que tomemos esta iniciativa, que eduquemos os nossos filhos desta maneira? Gostarias de sair comigo esta noite?... Em síntese, pedir licença significa saber entrar com amabilidade na vida dos outros. Contudo, ouvi bem isto: saber entrar com amabilidade na vida dos outros. E não é fácil, isto não é fácil. Por vezes, recorremos a maneiras um pouco pesadas, como determinadas botas de montanha! O amor autêntico não se impõe com aspereza nem com agressividade. Nas chamadas Florinhas de são Francisco encontra-se a seguinte expressão: «Deves saber que a cortesia é uma das propriedades de Deus... e a cortesia é irmã da caridade, a qual extingue o ódio e conserva o amor!» (Cap. 37). Sim, a amabilidade conserva o amor. E hoje, no seio das nossas famílias, no nosso mundo muitas vezes violento e arrogante, há necessidade de muito mais amabilidade. E isto pode começar a partir de casa. «Obrigado!». Parece fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim. No entanto, ela é importante! Nós ensinamo-la às crianças, mas depois nós mesmos a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante: recordai-vos do Evangelho de Lucas? Certa vez, uma senhora idosa disse-me em Buenos Aires: «A gratidão é uma flor que cresce em terra nobre!». É necessária a nobreza da alma para que esta flor possa crescer. Recordais-vos do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez doentes de lepra, e em seguida só um deles volta atrás para agradecer a Jesus. E o Senhor diz-lhe: e onde estão os outros nove? Isto é válido também para nós: sabemos agradecer? Nos nossos relacionamentos, e amanhã na nossa vida matrimonial, é importante manter viva a consciência de que a outra pessoa constitui uma dádiva de Deus, e aos dons de Deus é necessário dizer obrigado! Devemos sempre dar graças por eles. E nesta atitude interior é preciso dizer obrigado um ao outro, por todas as coisas. Não se trata de uma palavra amável para ser utilizada com os estranhos, para sermos educados. É necessário saber dizer obrigado um ao outro, para poder caminhar em frente, bem e juntos, na vida matrimonial. A terceira palavra: «Desculpa». Na vida cometemos numerosos erros, enganamo-nos muitas vezes. E isto acontece com todos nós. Mas aqui está porventura presente alguém que nunca cometeu um erro? Se houver alguém assim, que levante a mão: uma pessoa que nunca cometeu erros? Todos nós os cometemos. Todos! Talvez não passe nem sequer um só dia sem que os cometamos. A Bíblia recorda que a pessoa mais justa comete sete pecados por dia. Por isso, todos nós cometemos erros... Eis, então, por que motivo é necessário utilizar esta palavra tão simples: «desculpa». Em geral, cada um de nós está pronto para acusar o nosso próximo, justificando-nos assim a nós mesmos. Isto teve início a partir do nosso pai Adão, quando Deus lhe perguntou: «Adão, comeste por acaso daquele fruto?». «Eu? Não! Foi ela que me mo deu!». Acusar o outro para não dizer «desculpa», «perdão». Trata-se de uma história antiga! É um instinto que se encontra na origem de muitas calamidades. Aprendamos a reconhecer os nossos erros e a pedir desculpa. «Desculpa, se hoje levantei a minha voz»; «desculpa, se passei sem cumprimentar»; «desculpa, se cheguei atrasado», «desculpa, se esta semana estive tão silencioso», «desculpa, se falei demais, sem nunca escutar»; «desculpa, se me esqueci»; «desculpa, se eu estava com raiva e te tratei mal». Cada dia podemos pedir muitas vezes «desculpa». É também deste modo que uma família cristã prospera. Todos nós sabemos que não existe uma família perfeita, ou um marido perfeito, ou uma esposa perfeita. Nem sequer falemos de uma sogra perfeita... Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca devemos terminar o dia sem pedir perdão, sem que a paz volte ao nosso lar, à nossa família. É normal que os esposos discutam, há sempre algo sobre o que discutir. Talvez tenhais discutido entre vós, talvez tenha voado um prato, mas por favor, recordai-vos disto: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Nunca, nunca, nunca! Este é um segredo, um segredo para conservar o amor e fazer as pazes. Não é necessário fazer um bonito discurso. Por vezes é suficiente um simples gesto... e a paz volta a instaurar-se. Nunca deixeis que termine o dia... pois se tu permitires que termine o dia sem que as pazes se restabeleçam, aquilo que tens dentro de ti, no dia seguinte, será frio e empedernido, e assim será mais difícil fazer as pazes. Recordai bem: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Se aprendermos a pedir desculpa e a perdoar-nos reciprocamente, o matrimónio durará e irá em frente. Quando vêm às audiências ou às Santas Missas aqui em Santa Marta, casais idosos, que celebram as bodas de ouro, eu pergunto-lhes: «Quem suportou quem?». E isto é bonito! Todos olham uns para os outros, depois olham para mim e dizem-me: «Ambos!». E isto é bonito! Trata-se de um bonito testemunho!
3 ª PERGUNTA: O estilo da celebração do Matrimónio Santidade, ao longo destes meses estamos a fazer muitos preparativos para as nossas núpcias. Pode dar-nos alguns conselhos para celebrar bem o nosso casamento?
Fazei com que se trate de uma festa verdadeira — porque o matrimónio é uma festa — uma festa cristã, e não uma festa mundana! O motivo mais profundo da alegria daquele dia é-nos indicado pelo Evangelho de João: recordai-vos do milagre das bodas de Caná? Numa certa altura veio a faltar vinho, e a festa parece estragada. Imaginai se tivessem que terminar a festa a beber chá! Não, não pode ser! Sem vinho não há festa! Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus revela-se pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, agindo assim, salva a festa nupcial. O que aconteceu em Caná há dois mil anos acontece na realidade em cada festa de casamento: aquilo que tornará completo e profundamente verdadeiro o vosso matrimónio será a presença do Senhor, que se revela e concede a sua graça. É a sua presença que oferece o «vinho bom», Ele é o segredo da alegria completa, do júbilo que aquece verdadeiramente o nosso coração. Disto se vê a presença de Jesus naquela festa. Que seja uma festa bonita, mas com Jesus! Não com o espírito do mundo, não! E sente-se quando o Senhor está presente! Mas ao mesmo tempo, é bom que o vosso matrimónio seja sóbrio e permita salientar aquilo que é verdadeiramente importante. Algumas pessoas estão mais preocupadas com os sinais exteriores, com o banquete, com as fotografias, com as roupas e com as flores... Trata-se de elementos importantes numa festa, mas somente se forem capazes de indicar o motivo autêntico da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor! Fazei com que, como no caso do vinho das bodas de Caná, os sinais exteriores da vossa festa revelem a presença do Senhor e vos recordem, tanto a vós como a todos os presentes, a origem e o motivo da vossa alegria. No entanto, há algo do que tu disseste que desejo frisar imediatamente, porque não quero deixar passar. O matrimónio é também um trabalho para realizar em cada dia, poderia dizer um trabalho artesanal, uma obra de ourivesaria, uma vez que o marido tem a tarefa de fazer com a sua esposa seja mais mulher, e a esposa tem o dever de fazer que com que o marido seja mais homem. É preciso crescer também em humanidade, como homem e como mulher. É isto que deveis fazer entre vós. E isto chama-se crescer juntos. Isto não provém do ar! É o Senhor que o abençoa, mas deriva das vossas mãos, das vossas atitudes, do vosso estilo de vida, do modo como vos amais um ao outro. Deveis fazer-vos crescer um ao outro! Fazer com que o outro prospere sempre. Trabalhar para isto. E assim, sei lá, penso em ti que um dia caminharás pela rua da tua cidade e as pessoas dirão: «Mas olha como é bonita aquela mulher, como é exemplar! ...». «Com o marido que tem, compreende-se!». E também a ti: «Olha como ele é!». «Com a esposa que tem, compreende-se!». É isto, é preciso chegar a isto: fazer crescer um ao outro. E os filhos receberão esta herança de ter tido um pai e uma mãe que cresceram juntos, fazendo-se — reciprocamente — mais homem e mais mulher!”.
+++ Antonino Dias Portalegre-Castelo Branco, 13-02-2020.
Em Fevereiro de 2017, escrevi no nosso Blogue um extenso artigo, em duas partes, com o título “ A EUTANASIA: SIM ou NÃO ou ASSIM -ASSIM? Podem revê-los se assim o entenderem.
Para quem lhe escapou o artigo do Cardeal Tolentino Mendonça, resolvi transcrever o seu texto, publicado na revista do Expresso de 8 de Fev. passado, p.98. Com a devida vénia e a colaboração do António Henriques, aí vai mais uma elucidação sobre esta momentosa e decisiva questão que o Parlamento volta a discutir, posicionando-se de antemão contra a consulta pública através de um Referendo sobre uma questão de Vida e/ou de Morte, que até me parece não constar dos programas de alguns partidos que agora apresentam as suas propostas, que em concorrência, querem plasmar em leis.
Assisti ontem ao "Eixo do Mal". Os quatro ilustres, que, raramente, estão de acordo, atiraram-se contra o Referendo em nome de um Parlamento Soberano que sempre e só representa os interesses e direitos dos cidadãos. Nós acreditamos de boa fé! Por mim, não seria tão dogmático em estabelecer uma oposição radical entre Democracia Representativa e o Instrumento do Referendo, de carácter direto e participativo. Nos países da Europa do Norte, o referendo é usado sem estes escrúpulos e aceita-se, sem levantar tanta poeira argumentativa, para dirimir assuntos da vida dos cidadãos.
Aí vai o artigo do nosso Cardeal que, pelos vistos, só é citado e elogiado pelos intelectuais em questões convergentes! “Nenhuma vida vale mais do que outra. Nenhuma vida vale menos. A vida dos fracos vale tanto como a dos fortes. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis.
A vida tem, desde o seu princípio ao seu fim natural, a mesma dignidade absoluta que deve ser salvaguardada e protegida. Os grandes textos civis e sagrados, médicos e filosóficos que são a matriz das nossas sociedades, e formam a nossa consciência moral, recordam-no incessantemente. Ir contra o primado da vida é atentar contra a humanidade de todos os seres humanos.
Não é o primado da vida que tem de estar sujeito às circunstâncias ( económicas, políticas, culturais, etc.) de cada tempo, mas sim as circunstâncias que devem estar ao serviço incondicional do primado da vida. A verdadeira missão que compete à política é o suporte infatigável da vida.
Nenhuma vida vale mais do que outra. (…) A vida dos pobres vale o mesmo que a dos poderosos. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis. Passar a ideia de que há vidas que, em determinadas situações, podem valer menos do que outras é um princípio que conflitua com os valores universais que nos regem.
O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que “ nenhum homem é uma ilha”. (Continua)
Em tempo de conclusão do orçamento de 2020, é lógico que nos interroguemos sobre o destino que tem o dinheiro da nossa sobrecarga de impostos. Penso que umas das parcelas mais importantes é o preço da nossa democracia que nos fica demasiado cara por haver muitos políticos sentados à mesa do orçamento. Senão reparemos: nos últimos 16 anos os votos em eleições renderam aos partidos concorrentes 250 milhões de euros – o P.S. recebeu 96 milhões e o P.S.D., 85, tendo a restante parcela sido distribuída pelos outros partidos que concorreram, incluindo os que não tiveram votos suficientes para eleger ninguém. Este ano os partidos vão custar-nos 35 mil euros por dia, de tal modo que os que têm assento parlamentar recebem em conjunto mais de 3 milhões. Se a isto juntarmos os custos dos 70 gabinetes ministeriais, os custos da Assembleia da República, os custos da Presidência da República, os custos do Tribunal Constitucional, do Tribunal de Contas, das representações diplomáticas espalhadas pelo mundo, etc. São muitos milhões de milhões que saiem do nosso bolso para pagar a toda a gente e a estes serviços. Não sei mesmo se não será esta a maior parcela de despesas do nosso orçamento…
Se a democracia é tão cara, não estou contra essa forma de governo. Penso apenas que o país poderia ser bem governado com menos gente na Assembleia da República, com governos mais reduzidos, com menos assessores, estudos encomendados, motoristas, etc. Nem nos tempos da realeza, que os republicanos acusavam de despesistas, se gastava uma percentagem tão grande do orçamento ao serviço de sua alteza. É demasiada quantidade de dinheiro, proporcionalmente ao trabalho que fazem os que nos governam.
O padre Sefer Bileçen e outros dois cristãos da Igreja Assíria Ortodoxa foram detidos na Turquia, com o padre a ser acusado de “terrorismo”, alegadamente por ter dado pão a um membro do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Detidos dia 9 de Janeiro e acusados dia 16, só no passado dia 8 de Fevereiro a informação foi libertada pelas autoridades turcas, na sequência de denúncias de activistas e crentes através das redes sociais.
Sefer Bileçen residia no mosteiro de Mor Yakup, ou São Jacob em Nisibis, na província de Mardin (sudeste do país). Os outros dois presos serão Musa Tash Takin, de Sidri, e Youssef Yar, de Üçköy, e acordo com o Christian Post, que cita a agência de notícias pró-curda Mezopotamya.
Área de maioria curda, a região tem registado episódios de tensão com o governo central desde há muito, recorda a agência AsiaNews.
De acordo com a mesma fonte, nenhuma razão foi até agora adiantada para a prisão do padre Bileçen e dos dois companheiros. Mas fontes locais citadas pela AsiaNews, agência católica de informação sobre a Ásia, informaram que o procurador teria interditado o acesso à informação e que a razão invocada teria sido “terrorismo”.
Se for verdadeira esta acusação, Bileçen pode enfrentar entre cinco a 10 anos de cadeia, “por distribuir pão aos membros do PKK”, partido proibido no país e cujo líder, Abdullah Öcalan, está detido desde 1999.
O mosteiro, construído em 1500, mas que estava em ruínas, foi reaberto pelo padre Sefer Bileçen. Contactado pela International Christian Concern, Uzay Bulut, jornalista turco há anos nos Estados Unidos, dizia que a prisão dos três assírios “pode estar ligada aos conflitos incessantes entre o PKK e o exército turco”.
De acordo com o jornalista, “os assírios estão no meio desses dois grupos hostis”. Entre as décadas de 1980 e 1990, acrescenta a AsiaNews, no auge do conflito armado entre curdos e turcos, milhares de aldeias assírias no sudeste do país foram evacuadas. E muitos cristãos foram forçados a abandonar as suas casas para fugir ao conflito.
Em 14 de Fevereiro de 1946, nasceu no Tortosendo esta criança, a quem foi dado o nome de António Eduardo Santos Oliveira.
Aposentado do seu trabalho nos hospitais, vive agora em Odivelas, dedicando-se particularmente aos convívios dos Serviços Sociais da Administração Pública, de que é um grande animador na vertente musical.
Nos nossos encontros, o Eduardo não canta, mas marca contínua presença com a sua arte em fotografia, registando planos muito realistas, o que lhes dá um realce especial.
PARABÉNS, AMIGO EDUARDO! Desejamos-te muita saúde e alegria de viver. E continua a unir o grupo, pois só esse propósito vale a pena. Até Alcains, se antes não nos virmos em Portimão... AH
Faltam agora os restantes 200 €. Vamos lá ver como vou descalçar a bota! Confesso que estou aflito, pois os dias passam e nunca mais me chegam outras boas vontades...
NOTA: Ao lado destas preocupações, comunico que enviei à minha mana Prazeres a cópia das mensagens de parabéns que os amigos escreveram no meu Facebook aquando do aniversário dela, de que mostrei uma foto. Recebo hoje a volta:
«Olá, meu irmão! Muito obrigada por toda essa amizade....... E agora o que faço com toda esta gente? A maior parte não os conheço !!!!! Mas estou tão contente...... OBRIGADA Prazeres»
Vindo dos idos de 1947, aqui está o nosso amigo António Martins Ribeiro, a viver em Roda, Cardigos, reformado das Alfândegas. Acima de tudo, hoje é agricultor por gosto pessoal e orgulha-se das suas produções.
Aqui estamos a dar-lhe os nossos PARABÉNS em nome deste grupo grande, tocado pela vivência dos seminários, e que ele frequenta animadamente. Que Deus te abençoe e te cumule de muita saúde e felicidade, na companhia de familiares e amigos.
E lá nos havemos de encontrar em Alcains, em 16 de Maio, como nos encontrámos na Sertã...
Na mítica Mação, onde o António Colaço assentou arraiais e está a dispor de um grande espaço para trabalhar - o Espaço Ânimo, apareceu o Eng. Ernesto Afonso, amigo dos tempos do Seminário.
Os dois conversaram sobre a vida, o presente (reforma e agricultura...) e o passado (como antigos alunos), abordando o Encontro de Alcains em 16 de Maio. Dessa conversa resultou o seguinte vídeo, que podem ver e ouvir.
Bispos apoiam ideia de um referendo contra a despenalização da eutanásia; responsáveis católicos e de várias religiões mobilizam-se em apelos a deputados. Grupo de Trabalho Inter-Religioso Religiões-Saúde renova na manhã desta quarta. 12, o apoio aos cuidados paliativos e ao acompanhamento até ao fim da vida.
O conselho permanente dos bispos portugueses pronunciou-se nesta terça-feira, 11 de Fevereiro, a favor da realização de um referendo sobre a despenalização da eutanásia. Já na manhã de quarta, 12, representantes de várias religiões que trabalham em instituições de saúde em Portugal juntam-se, em conferência de imprensa, para “reiterar a sua oposição à legalização da eutanásia e suicídio assistido em Portugal”.
No comunicado do conselho permanente, os bispos afirmam: “A opção mais digna contra a eutanásia está nos cuidados paliativos como compromisso de proximidade, respeito e cuidado da vida humana até ao seu fim natural.” E concluem, a partir daí: “Nestas circunstâncias, a Conferência Episcopal acompanha e apoia as iniciativas em curso contra a despenalização da eutanásia, nomeadamente a realização de um referendo.”
O texto recorda que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) publicou, em 2016, a nota pastoral Eutanásia: o que está em causa? Para um diálogo sereno e humanizador. E cita, depois, um parágrafo da mensagem do Papa para o Dia Mundial do Doente, que a Igreja Católica assinala a 11 de Fevereiro: “Queridos profissionais da saúde: qualquer intervenção de diagnóstico, de prevenção, de terapêutica, de investigação, de tratamento e de reabilitação há-de ter por objectivo a pessoa doente, onde o substantivo ‘pessoa’ venha sempre antes do adjectivo ‘doente’. Por isso, a vossa acção tenha em vista constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer cedência a actos como a eutanásia, o suicídio assistido ou a supressão da vida, mesmo se o estado da doença for irreversível.”
No final da reunião, em declarações aos jornalistas, o porta-voz da CEP considerou que, no actual quadro, o referendo é uma forma “útil” para “defender a vida no seu todo, desde o princípio até ao seu fim natural”.
A vida não é referendável, mas…
O padre Manuel Barbosa acrescentou que as propostas de despenalização não foram suficientemente debatidas na campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2019: “O debate deve continuar e a sociedade deve ser ouvida, numa questão essencial da vida, que nunca é referendável. Mas é uma forma de ouvir a sociedade, o que tem a dizer numa matéria tão importante da vida e da dignidade humana”, sustentou. Não negando que o Parlamento tem legitimidade para decidir sobre o assunto, o porta-voz da CEP insistiu: “É um assunto tão sério para a sociedade, que a sociedade tem de ser consultada.”
Não é a primeira vez que a hierarquia católica insiste na ideia de que não se pode referendar a vida, mas aceita a ideia do referendo como um mal menor. Tal já aconteceu nos referendos sobre a despenalização do aborto.
Agora, depois da apresentação de quatro projectos-lei – PS, Bloco de Esquerda, PAN e Os Verdes – que irão a votos no Parlamento no próximo dia 20, vários bispos se pronunciaram contra a despenalização, insistindo na importância dos cuidados paliativos e começando a admitir a possibilidade de um referendo, como recordava a agência Lusa, citada no DN.
O bispo auxiliar de Braga, Nuno Almeida, escreveu mesmo uma carta aberta aos deputados na qual afirma que “quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica desrespeitam o momento natural da morte (deixar morrer): a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa”. E acrescenta: “Não há dúvida de que há doentes que se sentem mortos psicológica e socialmente (mergulharam numa vida sem sentido e experimentam a mais profunda solidão) e parece-lhes que já só lhes falta morrer biologicamente. Quererão realmente morrer ou quererão sentir-se amados?”
O sofrimento e a vida que “assim” não vale a pena
Na sua última crónica no Expresso, o cardeal Tolentino Mendonça, responsável da biblioteca do Vaticano, descreveu as que considera as “10 razões civis contra a eutanásia”. Num dos parágrafos, diz: “O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que ‘nenhum homem é uma ilha’”.
Também o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio, dirigiu uma carta aberta aos parlamentares. Nela diz já ter ouvido de muitas pessoas o desabafo: “assim não vale a pena viver”. E enumera depois o que considera estar por trás desta expressão: “este ‘assim’ tem que ver com a falta de rendimentos para subsistir dignamente; com a impossibilidade de ter uma casa habitável ou de aceder a rendas com preços escandalosos; com o cansaço desesperante de há vários anos procurarem trabalho sem o conseguir; com não terem acesso à justiça, ou não suportarem as suas exasperantes demoras e custos, para verem respeitados os seus legítimos direitos; com a existência de uma burocracia monstruosa e ridícula que bloqueia a realização de novos projetos de vida; com a violência a que são sujeitos e sujeitas em contexto familiar, institucional e empresarial sem terem quem, oportunamente, os proteja”.
Eugénio Fonseca fala ainda da “honra atirada à lama social”; do “desespero” de ser cuidador informal sem qualquer compensação ou apoio; da falta de descanso regular; da espera de consultas ou cirurgias durante “meses e meses”; da institucionalização “contra a vontade própria”; da falta de “acesso a serviços de saúde que aliviem a dor física e o sofrimento psíquico”; ou do “confronto com a solidão, pelo desprezo dos familiares ou a falta de uma rede básica e estruturada de vizinhança”…
O presidente da Cáritas diz que não quer responsabilizar os deputados “por todas estas limitações ao bem-estar da maior parte do povo português”, para deixar um apelo: “A vossa missão é promover melhores condições de existência em todas as suas circunstâncias. O meu apelo é que faciliteis o acesso à vida.”
Jovens e religiões
Estas posições seguem-se a um movimento liderado pela Federação Portuguesa pela Vida (FPV), que tem como objectivo propor a realização de um referendo. Mas, no campo oposto, como recordava o texto da Lusa já citado, há várias iniciativas a pedir a legalização da eutanásia, incluindo uma petição de profissionais de saúde.
Também um conjunto de jovens, entre os 16 e os 30 anos, ligados a estruturas dos padres jesuítas, lançou uma outra carta aberta dirigida aos deputados. “Partilhamos com quem apresenta os projetos de lei que serão discutidos no dia 20 a preocupação com o sofrimento, a doença, a dignidade, a solidão, e a dificuldade de lidar com a morte”, diz o texto, que estará em subscrição até dia 17.
No entanto, os signatários – 805, até às 15h30 desta terça, dia 11 – consideram “que a morte assistida, nas formas de eutanásia e suicídio medicamente assistido, não é uma resposta adequada a estas questões, sendo que a sua aprovação no Parlamento poderá constituir um irremediável erro que ainda é possível prevenir”.
O Grupo de Trabalho Inter-Religioso Religiões-Saúde, que promove a conferência de imprensa da manhã deste dia 12, pretende renovar a declaração Cuidar até ao fim com compaixão, que insiste também no acompanhamento até final da vida e nos cuidados paliativos. O documento foi assinado em 2018 por representantes da Aliança Evangélica Portuguesa, Comunidade Hindu Portuguesa, Comunidade Islâmica de Lisboa, Comunidade Israelita de Lisboa, Igreja Católica, Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, União Budista Portuguesa e União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia.