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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

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Os nossos filhos

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É tão bom ver o filho mostrar a sua arte com a viola-baixo nas mãos, integrado nesta rica Big-Band a exibir-se no deserto!... Olhem para aquele barbas, de T-shirt cor de tijolo e chapéu à cowboy. Parabéns, filho! António Henriques

 

«The first video of the Dhahran Big Band playing in the Saudi desert. Don't miss this!

O primeiro video da Dhahran Big Band a tocar no deserto Saudita. A não perder!

António Luís Henriques»

 

 

A noção de pecado

 

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A culpa não é minha!

José Brissos-Lino | 28 Fev 2019 | Entre MargensÚltimas

 

O tema da culpa está muito presente nas religiões desde sempre, em especial no cristianismo. O sentimento de culpa é tão forte e desagradável que as pessoas, logo desde a infância, procuram remeter a culpa para os outros, de forma instintiva, sacudindo a água do capote.

Jean Bottéro, antigo padre dominicano que estudou profundamente a Mesopotâmia, investigou os mecanismos do pecado e da culpa. Nas religiões primitivas, parece que os seres humanos andariam apavorados face aos fenómenos atmosféricos que não compreendiam nem controlavam, com medo dos perigos e do desconhecido, lutando diariamente pela sobrevivência, mas não sabiam o que era o peso da culpa. Até que, há cerca de quatro ou cinco mil anos, começou a ser introduzido no imaginário colectivo o sentimento de culpa. Se o indivíduo perdia a colheita, se lhe morresse um filho ou se o seu animal de carga adoecia tal não seria devido às vicissitudes da vida, à má fortuna ou aos caprichos dos deuses, mas porque tinha feito qualquer coisa errada para merecer tal punição. Acabara de surgir a ideia de pecado.

Inicialmente, o conceito de pecado não se referia a uma transgressão do pecador na sua vida de cada dia, nem tinha uma carga moral. Resultava apenas de algum erro inconsciente na invocação dos deuses. O indivíduo associava então a violência dos elementos e a adversidade a algum erro eventualmente cometido na liturgia do animal previamente sacrificado. Era um pecado inconsciente, mas o adorador interiorizava uma culpa própria. Essa invenção mesopotâmica resultou na transferência de culpa dos poderes divinos para os homens. Martín Caparrós diz que os indivíduos descobriram então que estavam enganados: “eram eles que causavam as desgraças e deviam saber como e porquê. Os deuses eram como aqueles pais que batem no filho enquanto dizem que ele já sabe porquê.”

Sendo assim, o cristianismo deu um passo em frente ao propor um código de conduta associado à ideia de pecado. Daí resultou autonomia pessoal, já que agora os indivíduos poderiam decidir se queriam ou não quebrar as regras, como e quando. A culpa continuava a ser própria mas o castigo passava a fazer sentido e a ser associado a uma causa perceptível à consciência. Todo o mal resultava sempre dos pecados dos homens, pois Deus era infinitamente justo. Foi o que aconteceu na justificação do terramoto de Lisboa em 1755, uma catástrofe que chocou o mundo, quando o coração do Império Português ficou reduzido à insignificância. O padre Malagrida convocou o povo e a corte ao arrependimento, tomando a catástrofe como resultado da ira divina contra a corrupção da sociedade.

Porém, agora nem da culpa somos donos. As religiões perderam o seu principal instrumento de controlo e o indivíduo passou a atribuir a sua culpa aos grupos, ao sistema, à sociedade, aos políticos, aos economistas, aos ricos, aos imigrantes, aos “infiéis”. O diabo são os outros, a culpa nunca encontra com quem casar e acaba por morrer solteira.

Depois, ainda há o caso de alguns grupos neopentecostais que infantilizam a pessoa, atribuindo a culpa de todos os males à possessão demoníaca. É simples: se o pai é alcoólico é porque está oprimido pelo “demónio do álcool”, se o marido agride a mulher é porque está possuído pelo “demónio da violência” e tem que ir a uma reunião de culto na igreja para o pastor fazer uma oração a fim de expulsar tais entidades. Infantilização e controlo.     

Paul Tournier entende que a culpabilidade está ligada à relação com os outros, às críticas alheias, ao desprezo social e ao sentimento de inferioridade, sem esquecer as questões religiosas que suscita. O psiquiatra estabelece um elo entre remorso, constrangimento, consciência pesada, vergonha, timidez e até modéstia, partindo do princípio de que o sentimento de culpa é inerente ao ser humano, como um alerta de que alguma coisa foi feita de forma errada e contrapõe a graça de Deus como uma resposta: “a consciência culpada é a constante da nossa vida. Toda a educação, em si mesma, constitui um cultivo intensivo do sentimento de culpa, mesmo a melhor educação que se recebe de pais preocupados.”

Passámos assim duma culpa difusa a uma culpa com sentido e, depois, a uma inocência a toda a prova, fazendo coro com o mito do “bom selvagem” de Rosseau. As pessoas são boas, a sociedade é que não presta. Como se a sociedade não fôssemos todos nós. Sabemos que a melhor maneira de retirar conteúdo a uma palavra ou conceito é vulgarizá-lo. A banalização da culpa por via de religiões castradoras e inquisitivas desembocou num humanismo sem alma, artificial e infantil, onde ninguém é responsável por coisa nenhuma.

A resistência em assumir a responsabilidade ou mesmo a culpa pelos erros cometidos retira aos indivíduos a oportunidade do perdão (pedir e receber), essa função social e espiritual altamente libertadora, e impede uma correcção dos procedimentos no futuro. Pois é. Só os burros é que não mudam. E mesmo assim tenho dúvidas.

José Brissos-Lino é director do mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona e coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo; texto publicado também na Visão Online.

Sexualidade humana

Do "7Margens", mais uma vez uma reflexão valiosa. Extensa, mas indispensável. AH

Sexualidade humana, comportamentos desviantes, celibato – um comentário do psicanalista João Seabra Diniz

João Seabra Diniz.png

João Seabra Diniz | 25 Fev 2019 | DestaquesSem categoriaÚltimas

As reflexões que se seguem foram motivadas pelos movimentos que se têm desencadeado na Igreja Católica, a propósito de abusos sexuais frequentes da parte do clero, e do seu encobrimento por parte das autoridades eclesiásticas responsáveis. Serei muito conciso, reservando para um segundo momento uma análise mais desenvolvida do mesmo problema.

 

Penso que as afirmações que têm sido feitas devem ser enquadradas numa reflexão mais alargada do que aquela que nos tem sido transmitida pelos meios de comunicação social.

Nestes últimos dias, o Papa tomou a iniciativa de denunciar publicamente a situação existente.

 

1 – Inevitavelmente, a primeira área de reflexão terá que ser a sexualidade humana.

Cito uma passagem muito clara de que é autora uma psicanalista de língua inglesa, que trabalhou em Paris e é muito considerada. Em 1995, publicou um livro, cujo título é “The Many Faces of Eros”, que começa com a seguinte frase, bem clara:  

 Human sexuality is inherently traumatic. The many psychic conflicts encountered in the search for love and satisfaction, arising as a result of the clash between the inner world of primitive instinctual drives and the constraining forces of the external world, begin with our first sensuous relationship. (…) The slowly acquired relation of an “other” – of an object separated from the self – is born out of frustration, rage and a primitive form of depression that every baby experiences in relation to the primordial object of love and desire. Felicity lies in the abolition of the difference between self and other.( Joyce McDougall, The Many Faces of Eros, Free Association Books – London, 1995)

Isto é afirmado dentro de um pensamento científico sobre a sexualidade humana em geral. Nada tem a ver com o celibato nem com posições religiosas.

Refere-se ao facto indiscutível de que, no homem, o desejo e o comportamento sexual dependem de forma decisiva do mundo da emoção e da fantasia que se faz sobre a realidade em que se vive. Essa fantasia tem uma componente inconsciente, que determina a maneira como o indivíduo se apercebe do que sente e da maneira como concretiza, ou tenta concretizar, o desejo relacionado.

A história do amor humano e das relações mais diretamente relacionadas com o comportamento sexual, desde os testemunhos mais antigos que possuímos, é extremamente vasta. Dá-nos um exemplo esclarecedor das dificuldades existentes nesta área da existência humana.

É o conhecimento desta realidade que leva a autora que acabo de citar, a iniciar o seu livro com aquela afirmação lapidar: Human sexuality is inherently traumatic.

Muitos exemplos concretos  se podem dar, que ilustrariam bem a afirmação feita. Mas penso que esta concepção da sexualidade humana não é sequer discutível.

A história das perversões sexuais é abundante. Entre muitos outros casos, refiro só a obra do Marquês de Sade e de Sacher Masoch, de onde proveem os termos técnicos de “sadismo” e “masoquismo”.

Deixo só, como muito significativa, a afirmação frequente, usada como comentário a factos chocantes, de que “a prostituição é a mais antiga profissão do mundo”.

 

2 – É importante o reconhecimento deste facto. E é também fundamental reconhecer que a teorização científica sobre ele é muito recente na história da cultura. Em especial, o reconhecimento e o estudo da componente inconsciente do psiquismo é do final do séc. XIX.  

Até há muito pouco tempo, aos desvios do comportamento sexual, às transgressões, às perversões, davam-se explicações variadas, como sejam “más inclinações, “desonestidade”, “tentações do demónio”, “efeitos de magia”, etc. E as soluções ou terapias propostas tinham a ver com esta concepção das suas causas. Por isso, eram quase sempre de tipo religioso.

Crimes sexuais, violências sexuais, sobre crianças e adultos, sempre existiram. Esse facto não tem a ver com o celibato, mas tem a ver com o ser humano.

 

3 – No seu desenvolvimento como pessoa, o homem teve, pois, que se confrontar com as ansiedades, as angústias, as dificuldades, os dramas, os crimes, ou simplesmente a culpabilidade, ligados à sexualidade humana, aos desejos proibidos e à sua eventual satisfação.

 

Isto levou certas correntes de pensamento, e muitas pessoas singulares, a considerar, ou mesmo a proclamar, que a renúncia ao exercício da sexualidade representava uma decisão sensata, uma atitude de virtude heroica e um desejo de encontrar um caminho de virtude.

Surgia, assim, a decisão de renunciar ao que era vivido como más inclinações e de procurar um caminho de maior dignidade, para o que parecia aconselhável a renúncia à sexualidade e, portanto, a opção pelo celibato. Não está em causa a sinceridade de muitas destas decisões.

Tudo isto, como se sabe, ligado, quase sempre, também, a posições e ideais religiosos. E a Igreja considerou “estados de perfeição” estes caminhos de renúncia.

4 – Compreende-se, assim, que a consideração da  complexidade humana que representa o assumir a própria sexualidade e a relação pessoal que isso implica, tenha levado a renunciar à própria sexualidade pessoas que se sentem perturbadas e angustiadas com tudo o que sentem no seu íntimo a este propósito. 

Pode reconhecer-se que a escolha do celibato, em certas circunstâncias, seja uma decisão compreensível e respeitável. Mas, na realidade complexa da vida de cada um, não podemos excluir que muitas pessoas possam escolher o celibato por razões que têm a ver com angústias, culpabilidades e dificuldades que não conseguem resolver, e para as quais procuram encontrar solução deste modo. Renunciando. Quer dizer, negando o problema. O que poderá ter graves consequências no equilíbrio da pessoa.

Quando é assim, não há dúvida de que estes indivíduos ficam numa posição de grande fragilidade para enfrentar uma situação emocionalmente muito exigente, como é o celibato.

É indiscutível que este exige uma motivação esclarecida e sólida, em personalidades com características especiais de maturidade e equilíbrio, que não são frequentes. E, sobretudo, nunca pode ser uma fuga de dificuldades sentidas.

Portanto, para uma compreensão deste problema, é indispensável distinguir entre o celibato como estado e as pessoas que escolhem este caminho. A seleção dos candidatos é uma tarefa difícil, que exige uma preparação especializada de quem a faz.

A quem se confiará esta responsabilidade? A resposta não é fácil. Mas seja quem for que assuma essa tarefa, terá que estar bem consciente que a qualidade da motivação com que se escolhe o celibato, bem como o realismo e o esclarecimento com que se toma a decisão, são elementos decisivos.

Em muitos casos, e atendendo ao que tem acontecido, não podemos excluir que essa seleção, na prática, já seja feita por pessoas que, elas próprias, estão longe de corresponder a estas exigências.

 

5 – É razoável pensar que aquilo que hoje é denunciado publicamente, também foi sempre acontecendo no passado. A palavra pedofilia não era usada, embora existisse a realidade que agora se designa com essa palavra. Os factos existiam mas eram silenciados.

Por outro lado, mesmo quando tornados públicos, a divulgação da informação era completamente diferente do que é hoje. O encobrimento dos factos era a regra geral, e muitas pessoas aceitavam essa atitude como a mais “prudente”. Para evitar o escândalo.

É  bem significativo que muitos das denunciados que agora aparecem nos novos meios de comunicação social, se referem a factos ocorridos há muitos anos, e de que nunca se tinha falado, porque não havia condições para isso.

E são estes novos meios de difusão da notícia que tornaram impossível o “piedoso encobrimento” das transgressões, que era feito sistematicamente.

A novidade está, fundamentalmente, na divulgação da notícia e não nos factos em si, que sempre se soube que existiam. Antes, havia uma dificuldade em aceitar a situação que se sabia que existia, mas que era convenção aceite que não seria divulgada, para manter a idealização do celibato.  Porém, as condições atuais tornam impossível continuar a ignorar os factos.

É importante referir que temos assistido, recentemente, também a frequentes denúncias de abusos e violências no campo da sexualidade cometidos por várias figuras públicas, às vezes durante muitos anos, e que só agora foram divulgados, porque antes não era possível a divulgação.

Isto porque o problema não é só do celibato. É um problema da sexualidade humana, mas é evidente que o que se passa num contexto de violação de compromissos religiosos torna-se muito mais chocante.

A situação atual tornou impossível tentar ignorar estes factos. Mas há inúmeras referências ao longo da história a situações de transgressão das obrigações do celibato, algumas bem conhecidas dos contemporâneos

Na atualidade há uma mudança fundamental, e da maior importância, na atitude da Igreja. O Papa tomou a decisão, até agora inédita, de promover a denúncia das situações de transgressão. Quer dizer que há uma nova maneira de reagir a factos que sempre existiram, e que não têm a ver diretamente com o celibato, mas com as condicionantes da sexualidade humana.

Faço uma referência à história, entre muitas que se podiam dar. Stendhal, num livro em que conta as suas viagens no Norte da Itália em 1816, e em que descreve o modo de vida local, diz, sem qualquer comentário, apenas narrando, o que passo a transcrever.

 

Antes e depois de S. Carlos (Borromeo), os párocos da região de Milão tiveram amantes. (Acabava de mencionar um facto desse tempo). Nada parece mais natural. Ninguém os censura. E dizem-nos com simplicidade: “eles não são casados”. E num domingo de manhã vi uma senhora muito empenhada em não faltar à missa que iria ser celebrada por um padre seu amante. (Stendhal, Rome, Naples et Florence, Gallimard, Paris, 1987 , p.74)

 

6 – Mas, a meu ver, há um outro problema. É uma situação extremamente grave, que torna tudo mais melindroso, mas que até agora nunca vi referida. Trata-se da relação de grande proximidade que a confissão e a direção espiritual estabelecem entre as duas pessoas, uma em situação de autoridade, como quem ensina, outra na dependência da “orientação” ou  do “juízo” que vai receber. Por esta razão, deveria ser expressamente proibido manter relações de convívio social ou de amizade, com as pessoas que se ouvem em confissão ou em direção espiritual. É evidente que esta grande proximidade é muito melindrosa e facilmente cria uma dependência patológica. É muito significativo que nunca tenha sido denunciada, embora seja muito corrente.

Também é muito significativo que a hierarquia da Igreja pareça nunca se ter preocupado com isso.

Creio que todos podíamos contar histórias sobre este assunto.

 

 

7 – Parece, pois, que o celibato obrigatório, nas condições culturais e sociais em que hoje vivemos, não poderá continuar a ser exigido como até aqui. A meu ver, exige-se uma profunda revisão, clarificando, à luz do pensamento contemporâneo, o que a Igreja pensa sobre a sexualidade, que terá que incluir o caso dos “recasados” e a homossexualidade.

Lisboa, Fevereiro de 2019

João Seabra Diniz é psicanalista e membro da Sociedade Portuguesa de Psicanálise

 

Uma Igreja renovada

Copio do "Diário de Notícias" as oito diretrizes enunciadas pelo Papa Francisco no final deste Encontro sobre a Proteção dos Menores e Adultos Vulneráveis na Igreja, que decorreu no Vaticano neste fim de semana. AH

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Para o futuro, a Igreja deve concentrar-se numa atuação que privilegie oito prioridades, determinadas a partir do guia de "Boas práticas" já formulado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

 

1ª: "O objetivo primário das várias medidas é proteger os pequeninos e impedir que caiam vítimas de qualquer abuso psicológico e físico". Ou seja, "É necessário mudar a mentalidade combatendo a atitude defensivo-reativa de salvaguardar a Instituição em benefício duma busca sincera e decidida do bem da comunidade, dando prioridade às vítimas de abusos em todos os sentidos".

 

2ª. Não hesitar em reportar às autoridades judiciais civis os casos de abusos. Recordando o que disse à Cúria Romana num discurso em dezembro de 2018, Francisco exigiu "seriedade impecável": "A Igreja não poupará esforços fazendo tudo o que for necessário para entregar à justiça toda a pessoa que tenha cometido tais delitos. A Igreja não procurará jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos".

 

 "Uma verdadeira purificação". Porque "apesar das medidas tomadas e os progressos realizados em matéria de prevenção dos abusos, é necessário impor um renovado e perene empenho na santidade dos pastores". E "acusar-se a si próprio é um início sapiencial, associado ao temor santo de Deus", ou seja, "aprender a acusar-se a si próprio, como pessoa, como instituição, como sociedade". "Não devemos cair na armadilha de acusar os outros, que é um passo rumo ao álibi que nos separa da realidade."

 

4ª O Papa Francisco enfatizou também, fortemente, de se reforçarem "as exigências da seleção e formação dos candidatos ao sacerdócio". E isto "com critérios não só negativos, visando principalmente excluir as personalidades problemáticas, mas também positivos oferecendo um caminho de formação equilibrado para os candidatos idóneos, tendente à santidade e englobando a virtude da castidade". Citando João Paulo II, afirmou: "Não se deve pretender que a graça supra o que falta à natureza".

 

 Diretivas imperativas às conferências episcopais. Francisco sentiu necessidade de dizer às hierarquias católicas de cada país que é necessário que se sigam "parâmetros" de prevenção e combate aos abusos de menores na Igreja - devendo estes ter "valor de normas e não apenas de diretrizes". Porque "nenhum abuso deve jamais ser encoberto (como era habitual no passado) e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo", é "preciso desenvolver um novo enquadramento eficaz de prevenção em toda as instituições e ambientes das atividades eclesiais".

 

 "Acompanhar as pessoas abusadas". Segundo o chefe da Igreja, "a Igreja tem o dever de oferecer [às vítimas] todo o apoio necessário, valendo-se dos especialistas neste campo" porque "o mal que viveram deixa nelas feridas indeléveis que se manifestam também em rancores e tendências à autodestruição". Dito de outra forma: "A escuta cura a pessoa ferida, e cura-nos a nós também do egoísmo, da distância, do «não me diz respeito», da atitude do sacerdote e do levita na parábola do Bom Samaritano."

 

7ª Controlo do mundo digital. Francisco dedicou a este objetivo mais tempo do que aos outros. Disse, por exemplo, que "os seminaristas, os sacerdotes, os religiosos, as religiosas, os agentes pastorais e todos os fiéis devem estar cientes de que o mundo digital e o uso dos seus instrumentos com frequência incidem mais profundamente do que se pensa". Nesse contexto, apelas às autoridades dos países para "aplicarem todas as medidas necessárias para limitar os websites que ameaçam a dignidade do homem, da mulher e, em particular, dos menores". Porque - justifica - "é absolutamente necessário opor-se com a máxima decisão a tais abomínios, vigiar e lutar para que o desenvolvimento dos pequeninos não seja perturbado nem abalado por um acesso descontrolado à pornografia". Dentro do clero, é preciso agravar o delito canónico "da aquisição, a detenção ou a divulgação", realizada por um membro do clero «de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas tendo por objeto menores", nomeadamente "ampliando" a idade dos menores referidos no artigo (14 anos). "Devemos esforçar-nos por que as jovens e os jovens, particularmente os seminaristas e o clero, não se tornem escravos de dependências baseadas na exploração e no abuso criminoso dos inocentes e suas imagens e no desprezo da dignidade da mulher e da pessoa humana."

 

 Turismo sexual. Dizendo que os "discípulos e servidores de Jesus" devem observar um "respeito radical pela dignidade do outro", o Papa diz às "comunidades eclesiais" que estas devem "reforçar o cuidado pastoral das pessoas exploradas pelo turismo sexual" - sendo que, "entre estas, as mais vulneráveis e necessitadas de ajuda particular são certamente mulheres, menores e crianças". "É importante coordenar os esforços a todos os níveis da sociedade e colaborar estreitamente também com as organizações internacionais para realizar um quadro jurídico que proteja as crianças da exploração sexual no turismo e permita perseguir legalmente os criminosos", disse.

  Violência doméstica

Meu Caro Henriques
Gosto sempre de te ver refastelado, com os nossos amigos e companheiros de viagem, junto do tacho. É um regalo ver tanta saúde nos nossos jovens.
Hoje trago para aqui uma problemática que anda na boca do mundo. As sovas, às vezes mortíferas, infligidas às mulheres pelo machismo luso. Tanta desgraça em tão pouco tempo, dá muito que pensar. Eu, por mim, fiquei mais sensível a este flagelo social que tem convivido connosco e ao qual fomos fechando os olhos. O resultado é o drama de tantas famílias desfeitas, com crianças a transportarem este flagelo nas suas inocentes vidas.
Tenho gostado muito dos últimos artigos que o Animus nos tem oferecido. Bem-hajas. Num abraço fraterno, até sempre. O 18 de Maio nos espera!! Todos ao pinhal e aos gostosos maranhos... Florentino
 

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 É urgente prevenir

 

Os últimos tempos têm sido pintados de negro para algumas mulheres, vítimas mortíferas da hedionda e criminosa violência doméstica. Desde o início do ano, o país já assistiu a nove assassinatos. Se recuarmos dez anos, as vítimas atingiram as 179, com mais de 50 anos. E, entre os 36 e os 50 anos, 140 mulheres. A propósito de violência doméstica, recorde-se, ainda recentemente, dos 15 juízes do Conselho Superior de Magistratura, sete se abstiveram no caso do juiz Neto de Moura que utilizou o argumento bíblico sobre o adultério, para mitigar a pena de um homem que agrediu a sua mulher, com uma moca com pregos. Em consequência, o processo foi arquivado e tudo se reduziu a uma modesta advertência disciplinar.

Como foi possível chegar-se a esta nefasta situação social? Perguntarão alguns.

Regressemos ao séc. XIX, para não termos de recuar mais, até à antiga Grécia e à civilização romana, passando pela cristandade da idade – média, onde o papel das mulheres na sociedade foi sempre considerado inferior ao do homem, podendo este dispor da sua esposa e família, a seu belo prazer. Foi necessário chegar-se ao ano de 1878, com o nascimento dos movimentos feministas, para despontarem os primeiros alertas, a favor dos direitos das mulheres na América do Norte e na Inglaterra, países em galopante expansão industrial. Tenha-se em conta que neste século, os códigos jurídicos dos países europeus nem sequer consideravam a violência doméstica sobre as mulheres, como um comportamento criminoso. Ao marido era dado o direito de poder dispor de legítima autoridade para exercer o seu domínio sobre a esposa, do modo que ele bem entendesse. Dentro deste caldo cultural, o machismo foi-se impondo, galopando até aos nossos dias.

Quanto ao nosso país, ao longo do séc. XX, no regime ditatorial do Estado Novo, o papel da mulher foi sempre considerado como subalterno, em relação ao poder dominador do homem. Como exemplo, recordemos que a esposa não podia ausentar-se do país sem autorização expressa do marido. Uma professora não se podia casar sem o aval do Estado.

O ditado tão popular “entre homem e mulher não metas a colher”, diz bem da atitude que se devia ter, face aos casais desavindos ou violentos. Maridos que desancavam nas suas mulheres, movidos por ciúmes ou pelo álcool, era o pão de cada dia.

Mas não se julgue que foi fácil chamar a atenção para os comportamentos criminosos da violência doméstica. Tivemos de esperar pelos finais do séc. XX, para que este problema viesse para as primeiras páginas da comunicação social. Deste modo, foi apenas a partir de 1993 que a Organização das Nações Unidas (ONU), apelou a todos os países para começarem a considerar a violência doméstica como crime, sujeito ao poder judicial. Para efetivar esta orientação, a Convenção do Conselho da Europa, através da Convenção de Istambul, realizada no dia 11 de maio de 2011, para combater a violência doméstica, contra mulheres e crianças, decretou que os países subscritores, dos quais Portugal faz parte, deveriam organizar-se no sentido de proteger as suas vítimas. Este documento entrou em vigor em 2014, com 44 países subscritores, incluindo a União Europeia.

Mas quando nos referimos à violência doméstica, incluindo a psicológica, de que estamos a falar?

Segundo os juristas, trata-se de um comportamento que envolve a violência ou outro tipo de abuso, por parte de uma pessoa contra outra, num contexto familiar, incluindo os filhos, instrumentos de uma guerra que não é deles. Estes tipos de violência, como nos diz a experiência, podem acontecer em qualquer classe social, rica ou pobre, analfabeta ou culta, em casais hétero ou homossexuais. Neste lote se incluem ainda os namorados jovens e os casais a viver em união de facto. Por incrível que pareça, até as pessoas idosas podem ser atingidas. Como se sabe, existem situações sociais e familiares que potenciam mais a violência doméstica, sobretudo, situações prolongadas de desemprego ou de precaridade.

Para se tentar debelar a criminosa violência doméstica no país, já houve várias manifestações populares. O próprio governo, preocupado com o problema, já reuniu com diversas entidades, revelando alguma vontade em combater este cancro social. Porém, se a Justiça, lenta e de mãos leves, continuar a fazer vista grossa para com os agressores e não existir um plano de prevenção, de pouco servirão as medidas anunciadas.

florentinobeirao@hotmail.com

Palavra do Sr. Bispo

VÁ LÁ...POR FAVOR… CLICK TO PRAY!...

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Internet!... um dom ao serviço do encontro e da solidariedade e do qual já não podemos prescindir. Um recurso excelente, “uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis”, como refere o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais a viver em 2 de junho próximo. Mas se constitui “uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber”, também está “muito exposta à desinformação e distorção” a ponto de “muitas vezes cair no descrédito”. Em vez de serem “uma janela aberta para o mundo”, podem criar “eremitas sociais” alheados da sociedade ou “tornar-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo”. Mas não é para esse lado manipulador e de mau uso que hoje os convido a olhar. O Papa, embora refira os seus perigos, usa, na Mensagem referida, a metáfora da rede e do corpo para ajudar a descobrir as potencialidades positivas da internet. A rede funciona graças à participação de todos os elementos e lembra uma comunidade forte pela sua coesão e solidariedade, capaz de gerar confiança, baseada no uso responsável da linguagem e da verdade. O corpo é, por sua vez, um organismo que une todos os seus membros e órgãos em função da sua verdade e beleza. Como membros que somos de um só corpo, somos responsáveis pela relação de reciprocidade entre todos, para bem do todo que é esse corpo, a comunidade humana, na sua comunhão e alteridade. Em virtude da nossa origem, “criados à imagem e semelhança de Deus que é comunhão e comunicação de Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de viver em comunidade”. O uso da social web “é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expressão de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos de experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para fazer juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso”. Esta é a rede que queremos, diz-nos Francisco, “uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres”.

Os Jesuítas responsáveis pelo Movimento do Apostolado da Oração em Portugal criaram, em Braga, em 2014, a plataforma “Click to pray”, uma app para rezar e que tiveram o gosto de apresentar na “Web Summit” de 2017, em Lisboa. Passado dois anos da sua inauguração, em Fátima, a "Click to pray" foi adotada internacionalmente como a app oficial da Rede Mundial de Oração do Papa, incluindo a sua secção juvenil, o Movimento Eucarístico Juvenil. 
Francisco, em 20 de janeiro passado, através de um tablet e frente a dezenas de milhares de católicos, juntou-se a esta nova comunidade online utilizando a aplicação “Click to pray” e recomendando-a aos jovens e a todos os fiéis, tendo ele próprio criado um perfil especial de utilizador: “Gostaria de apresentar-vos a plataforma oficial da Rede Mundial de oração do Papa, Click to pray”, disse ele. Esta app “Click to pray” permite acompanhar o Papa numa missão de compaixão pelo mundo. Dispõe de uma página web e de uma móvel, quer em Android, quer em iOS, redes sociais, traduzidas já em espanhol, inglês, italiano, francês, alemão e português. 
A plataforma disponibiliza três secções principais: “Reza com o Papa”, com as intenções de oração mensal pelos desafios que a humanidade e a missão da Igreja enfrentam; “Reza cada dia”, com um ritmo de oração em três momentos diários: manhã, tarde e noite; e “Reza em rede”, que é um espaço onde os usuários podem partilhar as suas orações com os outros, entre os quais o próprio Papa Francisco, podendo partilhar as orações entre si, ajudando a rezar e a comprometer-se com os desafios do mundo e a missão da Igreja.
A plataforma foi a app oficial de oração das Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá, para a qual foi criada uma secção multimédia, com vídeos, áudios e meditações. Antes dessas Jornadas Mundiais da Juventude, a plataforma contava já com cerca de 1,2 milhões de utilizadores. A escolha da "Click to pray" como app oficial das JMJ no Panamá, segundo António Valério, Sacerdote Jesuíta desta nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco e coordenador internacional da plataforma, foi, segundo ele, “um momento histórico e surpreendente”.
Deus quis estabelecer comunhão connosco, tomou a iniciativa de vir ao nosso encontro e desafiou-nos a ir ao encontro dos outros. Porque esta aplicação é também uma forma de o fazer, não se esqueça, divulgue e descarregue “Click to pray” no seu telemóvel, entre na rede, reze em comunhão com o Papa e com toda a Igreja.

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 22-02-2019.

Sim, é sexta-feira!

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E como é sexta, lá vamos nós até Carnide à procura de convívio, alguma novidade e muita alegria por estarmos vivos. 

Mas o que eu não esperava era encontrar aquela multidão a ocupar uma mesa comprida, o dobro do que é habitual. E com uma grande satisfação pessoal contei até 15. Imaginei logo que numa foto ficavam cortadas muitas caras. Assim, toca de mudar de filme, vamos para o vídeo... E as pessoas ficam a ver caras e corações e muito ruído à mistura. Dá mais trabalho, mas também dá muito gozo...

Tivemos os casais Mendeiros e Martins da Silva, o que sempre traz mais variedade ao convívio. As mulheres tornam-nos mais civilizados(!)... Vamos lá brincar, está bem?

NOVIDADE? - Atenção, o Mendeiros já contratou o autocarro para o dia 18 de Maio. Por isso, começamos a aceitar inscrições para este meio de transporte.

Façam favor de se inscreverem... Eu também me queria inscrever, mas o Zé Andrade proibiu-me, porque tenho de ir na véspera para, logo de manhã, começarmos a receber os dinheiros da festa. E com esta me calo e obedeço. "Atão a vida nã stá bela?"

AH 

 

 

De olhos no Vaticano

Hoje, o Vaticano está a ser olhado por todo o mundo na esperança de serem definidos caminhos justos e mais corretos para acabar com o triste espetáculo do abuso de crianças pelo clero. Pareceu-me que seria bom que todos refletissem acerca desses abusos, acerca da moral sexual apregoada pela Igreja, acerca da visão que todos temos destes temas.

O projeto "7Margens" apresenta o testemunho pessoal de alguém que todos conhecemos (Frederico Lourenço, tradutor da Bíblia e homossexual assumido) e que questiona seriamente a teoria e a prática da nossa Igreja. Vamos ler. AH   http://setemargens.com/wp-content/uploads/2019/02/Screenshot-2019-02-19-at-20.22.47-e1550607843548-300x158.png

Homossexualidade e clero católico

Frederico Lourenço | 21 Fev 2019 | Entre MargensÚltimas

Saiu na Visão [de 14 de Fevereiro] um artigo que, não obstante o sensacionalismo com que é apregoado na capa daquela revista, traz, na verdade, pouco de novo em relação a uma realidade bem conhecida: se, entre a população “civil” a percentagem de homens homossexuais anda à volta dos 10 por cento, entre padres católicos essa percentagem é bem mais alta. Segundo Frédéric Martel (autor do artigo e do livro “bombástico” que sai [esta quinta-feira, 21] em mais de 20 países, No Armário do Vaticano), quatro em cada cinco padres do Vaticano são homossexuais – independentemente, é claro, da questão de “praticarem”.

Ora, o tema dos padres gays suscita sempre a questão concomitante da sua irrelevância: se um padre católico é por definição um homem que abdica voluntariamente de ter uma vida sexual, não interessa se a sua sexualidade é hetero ou homossexual.

A minha posição é diferente. A questão da homossexualidade de muitos padres católicos não é para mim irrelevante, porque discordo da contradição intrínseca que consiste na existência de um clero obrigado a papaguear um discurso condenatório da homossexualidade, quando esse mesmo clero também é, em percentagem decerto discutível, constituído por muitos homossexuais.

O artigo da Visão menciona o meu nome de forma a sugerir que um tradutor da Bíblia casado com outro homem talvez não passe de andorinha solitária a prenunciar uma não-existente ou utópica primavera; mas como eu considero que a chegada dessa primavera é desejável, referirei aqui alguns aspectos, que redigirei de forma desiderativa.

1. Pessoalmente, gostaria que não houvesse qualquer problema (quer no interior da igreja, quer na opinião pública) no facto de um padre católico ter uma orientação sexual conducente a sentimentos de afecto relativamente a outros homens. Desde que os envolvidos sejam maiores de idade, a intimidade voluntária entre adultos deveria ser algo do foro privado. Lê-se na Bíblia que «nenhum homem sem testículos e sem pénis pode entrar na assembleia do Senhor» (Deuteronómio 23:2). Porquê o artificialismo de exigir de um padre católico que sonegue o facto de ter um corpo equipado por Deus com um órgão cuja função é propiciar prazer sexual? Pede-se a um padre que não use os olhos para ver ou que não use os ouvidos para ouvir? 

2. Da parte das esferas mais altas da hierarquia católica, seria excelente se parassem de falar em homossexualidade com intuito condenatório e que o actual Papa se retratasse relativamente à afirmação absurda de que o sacerdócio deveria ser vedado a candidatos com orientação homossexual. Pelo que Frédéric Martel apresenta na sua investigação, se tal norma tivesse efeito retroactivo, o Vaticano tornar-se-ia uma cidade fantasma. Os pretensos “escândalos” que acontecem no interior da igreja com membros do clero só são escândalos na medida em que é a própria igreja a estigmatizar a homossexualidade como algo de negativo. Seria, de facto, um grande avanço se a igreja deixasse o foro íntimo à consciência de cada pessoa e parasse, de uma vez por todas, de interferir num campo onde não lhe compete impor preceitos que ela própria, igreja, é a primeira a infringir.

3. Eu gostaria muito que a igreja parasse de ocultar o facto de a base bíblica da condenação da homossexualidade ser imensamente discutível. Em todo o Antigo Testamento, com as suas mais de 600.000 palavras, há apenas duas passagens que proíbem um homem de ter sexo com outro homem como se esse homem fosse uma mulher. Pela parte que me toca, não me sinto minimamente interpelado ou condicionado por essa proibição, pois nunca fui a mulher de nenhum homem nem nunca fiz de nenhum homem a minha mulher. O livro de Martel tem, em França e em Espanha, a palavra «Sodoma» no título. Seria excelente que a igreja explicasse às pessoas que, no interior da própria Bíblia Hebraica, o episódio de Sodoma nunca é apresentado ou interpretado como castigo pela homossexualidade dos sodomitas. Não vou desenvolver aqui esse tema, pois é por de mais sabido dos biblistas e está expresso em Ezequiel 16:29. Por seu lado, a condenação que São Paulo faz da homossexualidade em duas passagens levanta infinitas dúvidas quanto à terminologia utilizada. Não é possível estabelecer com segurança quem, exactamente, ele tem a intenção de condenar.

4. Finalmente, quando um papa afirma que não lhe compete condenar um gay (para depois entrar na contradição de querer vedar o sacerdócio a gays), seria importante vincar que, em todas as palavras atribuídas a Jesus, não há uma única que condene a homossexualidade. O sexo homossexual é pecaminoso porque não tem como finalidade a procriação? Seria importante que as pessoas soubessem que os primeiros cristãos não valorizavam a procriação; e se lermos textos sagrados do primeiro cristianismo que não entraram na Bíblia por serem inconvenientes, encontraremos um Jesus que admite o sexo com finalidade não-procriativa. Seria bom que se soubesse que houve grupos de cristãos, nos primeiros séculos depois da vida terrena de Jesus, para quem a homossexualidade não constituía qualquer problema (é o caso dos cristãos mencionados no capítulo 26 do «Panárion» de Epifânio de Salamina). É claro que, já nessa altura, a igreja católica era contra a homossexualidade. Talvez seja tempo, finalmente, de a igreja perceber que o problema não está na homossexualidade, mas sim na sua atitude em relação a ela.

Frederico Lourenço é professor universitário e tradutor da Bíblia; o texto foi inicialmente publicado na página pessoal do autor na rede Facebook (foto do autor: © Pedro Loureiro/Revista Ler)

Aniversário

PARABÉNS, JOAQUIM! Portalegre 19-05-2012 223.jpg

 

Hoje, lembramos o Joaquim Silvério Mateus, que nos seus 70 anos já não se ssenta na década anterior e cada vez mais começa a querer descansar e olhar para os amigos. E andamos com saudade de o ver, sinceramente.

Esperamos que seja na Sertã a 18 de Maio...

É pelo blogue ANIMUS SEMPER e a sua página do Facebook (Animus Semper Antigos Alunos) que estamos a lembrar-te e felicitar-te.

MUITOS PARABÉNS, amigo! Que sejas muito feliz, com saúde e amigos.

Contacto: tel. 968 928 351

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