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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Três a fazer anos...

07.09.18 | asal

Isto vai mesmo! Começa a ser frequente termos dois e três colegas a fazer anos no mesmo dia.  

Hoje, em 7/09/2018, é assim:

Américo Agostinho1.jpg

 

- Começando pelo mais velho, PARABÉNS, P. AMÉRICO AGOSTINHO, que nasceu em 1936, natural da Palhota, S. Pedro do Esteval, e presentemente a trabalhar na zona de Portalegre como Assistente religioso do escutismo (CNE) e pároco de Alagoa e Fortios.  

Alegrámo-nos com a sua presença no Encontro de Portalegre deste ano e já aqui o apresentámos numa foto especial!

Para o saudarmos, temos o tel. 965 240 903.

 

 

Jorge Calhas.jpg

 - PARABÉNS, JORGE CALHAS, nascido em 1950 ali para os lados do Gavião, a sua amada terra. Frequentou os seminários do Gavião e de Alcains (como ele próprio diz na sua página do Facebook!). Exerceu medicina e agora está aposentado e vive em Lisboa ou ali perto. Ele já me prometeu que um dia destes ia à Parreirinha... É um daqueles amigos que aproveita a sua página facebookiana para discorrer sobre temas de medicina e outros, urdidos com linhas filosóficas que exigem esforço mental!...

Podemos contactá-lo pelo tel.  933 361 624.

 

 

- Finalmente, PARABÉNS, ADELINO FERNANDES DIAS, nascido em 1952, também em S. Pedro do Esteval, colega dos 43 alunos que entraram no Gavião no ano lectivo de 63/64. Esteve no grande Encontro de Alcains em 2010, mas não temos foto. Se alguém nos puder ajudar, agradecemos.

Contactável pelo tel. 919 077 828

 

Aos três colegas, além dos parabéns, desejamos também uma longa vida, cheia de saúde, alegria e realização pessoal.

E apareçam nos nossos encontros, para vosso e nosso contentamento. 

Falecimento

06.09.18 | asal

Pela "Reconquista" e pelos Pires Marques e M. Pires Antunes soubemos desta triste notícia:

 

p. luis_batista.jpg

No passado dia 4 de setembro faleceu no Sardoal o padre Luís da Silva Batista, com 90 anos de idade. Ordenado padre diocesano a 26 de maio de 1956, foi coadjutor da Sertã, pároco de Póvoa de Rio de Moinhos e Cafede entre 1960 e 1964, e pároco de Martinchel e Aldeia do Mato onde esteve até se retirar para a casa da irmã no Sardoal. O senhor bispo presidiu às exéquias realizadas no Sardoal, a 6 de setembro, e com o funeral na Cabeça das Mós. 

Era do ano 46/47 em Alcains e do curso dos P. Cardoso, Emílio, António Esteves, Lobato, Vermelho e Manuel Pinheiro.

Paz à sua alma.

Voltando à Igreja...

05.09.18 | asal

Continuando a reflectir sobre a situação da Igreja nos dias de hoje, trazemos para aqui mais outro texto que pode ajudar-nos a fundamentar mais a nossa opinião e postura pessoal. Também há quem ache que estes são os últimos dias da Igreja e que esta está mesmo condenada a desaparecer brevemente. Assim pensam os que obedecem a teorias maçónicas. Estão no seu direito, que não é, de modo nenhum, o pensar do verdadeiro cristão... AH

Tó Manel.jpg

 

ENCRUZILHADA 


A Igreja Católica Apostólica Romana encontra-se nos dias de hoje numa verdadeira encruzilhada da qual vai ser muito difícil sair. Verdade seja dita que ao longo da sua história bilenar, aqui refiro a Igreja no sentido mais amplo, não é qualquer novidade. 
Contudo, a situação actual é mais grave que a generalidade das crises que a têm assolado. Julgo não estar muito longe da verdade se ousar comparar a grandiosidade da crise actual com a que resultou, no século XVI, do movimento protestante vulgarmente conhecido por Reforma e a que a Igreja respondeu com o concílio de Trento e com a Reforma Católica/Contra-Reforma.
Hoje, para a Igreja Católica, o perigo não reside na criação de novas igrejas “protestantes”. O perigo actual é muito maior e reside no laicismo oficial das sociedades contemporâneas e no agnosticismo e ateísmo de um número crescente de indivíduos. O que só por si já seria um mal enorme, torna-se mais grave porque consegue argumentação eficaz nos desmandos cínicos e hipócritas de algum clero com responsabilidades hierárquicas. Tal como nos séculos anteriores à Reforma os abusos do clero eram evidentes e pouco combatidos. E deu no que deu!

Papa2.jpg

A Igreja tem uma dimensão humana que a torna vulnerável aos defeitos, imperfeições e abusos próprios da natureza dos homens, às lutas politicas pelo poder e aos mais variados interesses. O actual Papa, que goza de uma simpatia extraordinária dentro e fora da hierarquia eclesiástica pela simplicidade que evidencia e pela vontade de mudança que quer introduzir, não foge aos problemas mas parece estar a ser vítima de um ataque do grupo mais conservador da hierarquia da igreja católica.

Face a esta encruzilhada e à necessidade de mudança, parece-me que o caminho mais seguro a seguir seria a convocação de um novo Concílio que, após os debates convenientes, apontasse o caminho do futuro, fundamentasse e reforçasse a legitimidade das mudanças que parecem urgentes. 
Quanto a mim que retomasse, actualizasse e impusesse a pureza do VATICANO II muito mais que a ortodoxia de TRENTO…
Vales, 29/08/2018

António Manuel M. Silva

Querem papar o Papa Francisco

04.09.18 | asal
Meu caro amigo Henriques
Oxalá te chegue em boas condições esta peça que escrevi para que conste. A controversa guerra entre poderes está a dar muito que falar e não ficaremos por aqui. Quero aqui deixar o meu sincero testemunho de cristão empenhado nos problemas da Igreja, Santa e Pecadora. É importante para mim dizer de que lado estou nesta peleja. Oxalá o diálogo permita não extremar posições. Os cismas é assim que começam. Por isso, proponho um novo Sínodo para aclarar a doutrina e as questões pastorais muito controversas.
Um forte abraço
Tudo bom para ti,

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Florentino Beirão
 
 

UMA REFLEXÃO PESSOAL

 

A guerra está ao rubro. De um lado, as tropas ultraconservadoras que querem papar o corajoso renovador Papa Francisco, capitaneadas pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, que acusou o chefe da Igreja Católica de encobrir casos de abuso sexual, cometidos no seio da Igreja. Nas suas críticas, chegou mesmo a pedir ao Papa que se retire e abdique de continuar a ser o chefe da igreja católica. Na América do Norte e no Vaticano se concentra o epicentro deste sismo desafiador da doutrina do atual Papa.

Na outra frente de combate encontram-se os admiradores da obra de renovação da Igreja, imprimida por Francisco, ao longo do seu admirável pontificado, de abertura ao mundo dos mais marginalizados, nomeadamente as populações migradas. É este empenhamento papal que os ultraconservadores não toleram. Nomeadamente, ainda a nova visão da sexualidade humana, livre e responsável, bem como a nova relação da Igreja com os homossexuais. Recorde-se ainda a nova pastoral que promove a abertura aos divorciados recasados e a bandeira ecológica. Não deixa de incomodar a posição firme de Francisco face ao capitalismo selvagem que escraviza a humanidade e fecha as suas portas aos descartáveis mais idosos. 

O recente pico do afrontamento entre estas duas visões da Igreja Católica rebentou com a última visita de Francisco à tão católica Irlanda, governada por um assumido homossexual.

Neste país, Francisco vestiu os paramentos roxos da penitência, para pedir perdão pelos desmandos inqualificáveis dos pecados de pedofilia, cometidos por numerosos membros do clero, um pouco por todo o mundo. Embora os fiéis tenham sido sensíveis a este ato de contrição, foram avisando o Papa de que não bastavam as lindas palavras, mas exigiam uma ação correspondente. Dentro desta linha, o Vaticano já foi avançando que novas medidas vêm a caminho, para se tentar travar esta mancha criminosa que se instalou na Igreja Católica, sempre santa e pecadora.

Recentemente, o episcopado português já veio a terreiro, colocando-se, assumidamente, ao lado das tropas que defendem o Papa Francisco e o seu admirável pontificado.

Quando as forças conservadoras se espalham por toda a Europa, defendendo, organizadamente, nacionalismos racistas e xenófobos, é altura de nos precavermos contra estas infiltrações antidemocráticas. O perigo espreita os momentos frágeis para estas forças angariarem e catequizarem os seus adeptos, sobretudo pescados entre a juventude, à procura de um ideal.

Esta extrema-direita tem aproveitado a vaga das migrações, para, demagogicamente, incutir o medo nas populações, ganhando a assim algum peso político, numa Europa em crise de valores. Mesmo em Portugal, segundo investigações recentes, este movimento xenófobo e racista encontra-se num processo de reorganização, com ligações internacionais. Com Putin e Trump a apostarem fortemente na divisão da UE, a Igreja que se tem mostrado com Francisco acolhedora dos migrantes, em lugar do medo, tem oferecido o abraço fraterno do acolhimento. Gesto contestado pelas forças da extrema–direita, contrária a todo o processo migratório que, na sua visão, é um perigo para os países de acolhimento.

 Se combatemos os crimes hediondos de alguns membros da Igreja e discordamos do discutível celibato obrigatório do clero, também afirmamos a nossa fé numa Igreja Santa e Pecadora, sempre a necessitar de uma conversão e de uma renovação profundas. Que venha um novo concílio para aclarar as controversas questões do mundo católico, também em crise, com as igrejas a ficarem sem fiéis e com o clero a rarear, comprometendo o serviço dos fiéis.

Florentino Beirão

Mais um

04.09.18 | asal
José Maria Esteves.jpg
DIA DE PARABÉNS!
 
Também não constava da nossa lista, mas o Facebook deu uma ajuda. Nós já lhe tínhamos pedido os seus dados, mas...

 

José Maria Esteves, que nasceu em 4 de Setembro de 1954, faz hoje anos. São só 64...
Trabalha nos Corpos Danone (mas ele pode dizer o que lá faz...) e vive em Castelo Branco. Depois dos seminários, estudou ainda na Universidade da Beira Interior. E mais não sabemos...
PARABÉNS, amigo José! Sê muito feliz e por muitos anos.
 
Contacto: tel. 965 545 179
 
 
 

Quem sou eu?

03.09.18 | asal

Mais uma vez o Pires da Costa nos convida a reflectir, num desafio aos filósofos da praça... Obrigado! AH 

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O FASCÍNIO DO  EU

 

      Duas letras, duas vogais, um ditongo, uma palavra. Letras virtuosas, como são as vogais, as tais que saem direitinhas, sem obstáculos, num impulso, livres como pássaros a voar. À volta delas, submissas, cansadas, desamparadas, afectadas, subalternas, circulam as consoantes. As vogais são produtos espontâneos na origem, as consoantes são produtos artificiais da linguagem. Entrassem em guerra, e teríamos nova Aljubarrota: o exército menor aniquilaria o maior. Vinte e tal para cinco. É obra! David e Golias reciclados.

      Juntam-se duas vogais e logo nos surge  a harmonia do som. Misturem-lhes umas consoantes e tudo se torna forçado. Escrevem-se apenas consoantes e, às vezes, metem-lhe no meio uma ou duas vogais, como que envergonhadas da figura triste a que as obrigam. Não há som, não há palavras, não há expressão. Há quem lhe chame um acrónimo, mas, na maior parte dos casos, ninguém sabe o que aquilo quer dizer. Não se lêem, soletram-se. E muitos não estão para isso. Vivemos na era das pressas. Já nem há tempo para escrever ou ler os nomes das coisas. Ai, é dor; ui, é admiração; ou, é alternância; ao, é destino; ei e oi são chamamento. EU, o que é?  É tudo!

     EU, a palavra mágica da linguagem! A definidora. A identificadora. Aquela que dimensiona o homem na plenitude do seu tamanho material e espiritual.

      Se considerarmos que as palavras são mensuráveis, havemos de concluir que a grafia do eu é inversamente proporcional à sua componente semântica. O eu, com as suas duas simples vogais, identifica, define, caracteriza, selecciona, afirma, nega, agride, afaga, contemporiza, interroga, responde. Todos somos eu. Pesem, embora, as analogias, cada eu é um só.

      Perdido em longo exórdio, recheado de divagações primárias, quase me esquecia do essencial: o meu eu. Vamos, pois, a ele. Dissecando-o, desmascarando-o, esventrando-o, denunciando-o, mas perdoando-o também. Eis - me entre os escolhos de um caminho pedregoso.

      Eu! Quem sou eu? Serei o que penso ser, ou serei outro diferente do que julgo ser? Serei o que a minha convicção me diz que sou, ou serei o que os outros pensam que eu sou? Serei o que me revelo a mim próprio e aos outros, ou serei a minha própria parte oculta? Serei o que mostro ou o que escondo de propósito ou por inconsciência? Serei um original ou a cópia de outro que veio antes de mim e me determina os passos e a conduta? Quem me pode valer neste labirinto em que me encontro encurralado? Apenas o eu que sou e mais ninguém.

       Venha a educação, venha a pedagogia, venha a religião, venha a moral, venham todos os ensinamentos do mundo. Tudo isto poderá influenciar o meu comportamento, mas nada poderá mudar o meu eu. Porque tudo o que tentar influenciar o meu ser, está  a querer subtrair-me a maior riqueza que me foi concedida ao nascer: a minha liberdade de ser o que sou.

        E, sem liberdade, nenhum ser humano pode ser aquilo que realmente é. Será sempre um fantasma de si próprio e um embuste para a sociedade que o acorrentou, que o manipulou, que o deformou e ancilosou. Falamos da liberdade e não de libertário ou libertinagem. Do ser individual e não individualista. Do ser humano e não do animal humano, o que não é a mesma coisa. Do racional e não do irracional.

         Já Sócrates, o grego, que por cá andou há quase dois milénios e meio, aconselhava : “Conhece-te a ti próprio“. Na minha, quereria dizer que, só depois de nos conhecermos, poderemos compreender e conhecer os nossos semelhantes e percebermos qual o comportamento que deveremos ter para que as liberdades de todos e de cada um possam exercer-se na plenitude.

          É fácil? Tudo menos isso. Sem convicções profundas do que somos e do fim para que viemos ao mundo, todos os artifícios serão infrutíferos, para não dizermos maléficos, pelas deturpações que podem causar na nossa ansiedade, quando procuramos um bem precioso e não o conseguimos encontrar.

           Passamos a vida atolados em dúvidas que nos embargam os caminhos a trilhar e nos angustiam e obrigam a ginástica física e mental que nos vai desgastando ao longo do tempo.

            Sem convicções, quase chegamos a duvidar da nossa própria existência, tantas frustrações nos assolam o pensamento.

             Descartes, o filósofo nascido em terras gaulesas e que já por cá andou há cerca de cinco séculos, raciocinou, de forma latinizada, este princípio que o ajudou a libertar-se de algumas dúvidas que o atormentavam: “ Cogito, ergo sum”. E avançou mais: “Dubito, ergo cogito, ergo sum.”

    Não conheço o grau de alívio que terá tido com a descoberta, mas, pelo menos, concluiu que realmente existia. Isto é, que podia dizer com convicção: Existo, logo eu sou eu.

       Vai longo o depoimento, despretensioso e sem arabescos literários. Na intenção, claro. Na prática, poderá parecer outra coisa, segundo os olhos que o observarem. De qualquer maneira, não falei muito do meu eu, não porque deliberadamente me quisesse furtar à tarefa, mas porque tenho andado a pautar a minha vida da forma que considero bastante sensata, para ver se consigo levantar a ponta do véu que encobre a minha existência.

        Tal estado de alma deve-se ao facto de haver tomado à conta de bom um princípio enunciado pelo nosso Sócrates, o grego, repito,  que  já evoquei atrás, que terá dito com muito siso: “ Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”. Esta a frase simples que tanto me tem ocupado o espírito. Não para ser sábio, mas para tentar descobrir quem realmente sou.

      Aceito que ficaria o descritivo mais completo com alguns dados biográficos, daqueles mais tradicionais: o nome, a naturalidade, a filiação, a  residência, a altura, a cor dos olhos, o peso, o tamanho do colarinho.

       Nada me custaria fazê-lo, mas acontece que deixei caducar o C C.  Bem dito, O Cartão do Cidadão. E não da Cidadania, como alguma gente desejosa de dar nas vistas e sem se aperceberem do ridículo em que caem, agora nos querem impor (palavra tão feia!).  Cidadão é o habitante da cidade, um ser, um eu. Cidadania é a forma de estar na cidade, é o exercício de um direito comum a todos os habitantes da cidade. Será uma prática, nunca um título. Isto tanto para um analfabeto como para um deputado ou deputada da nação. Sem desprimor para estes, permito-me sugerir um título que, espero, seja de fácil aceitação: Cartão de Identidade. Não ofende os géneros e satisfaz a todos e todas. Além disso, o dito sobe de consistência: de simples bilhete passa a cartão, o que já é obra. Mas, voltando à caducidade do meu documento de que falava atrás. Será que por tal facto deixei de ser eu? Administrativamente, sim. Mas por aí não vou, porque não sou jurista nem administrativo. Resta-me recorrer ao simulacro de um silogismo: - As consoantes são o meu corpo; as vogais são a minha alma. E esta é incontrolável. Está imune  aos ditadores das consciências.

       Não sei se sou o que queria ser. Mas também não queria ser o que não sou. Quero apenas ser eu. A quem de direito, se for caso disso, peço deferimento. Na certeza de que, com ele ou sem ele, continuarei a ser eu. Queridas vogais, obrigado!

A. Pires da Costa

Aniversários

02.09.18 | asal

Há dias especiais e este é um deles. Pela primeira vez, anunciamos o aniversário de três amigos no mesmo dia e, coisa rara, os três são sacerdotes. Passaram os 12 anos a puxar pela cabecinha, estudaram o bastante para avançar ano após ano (sim, que alguns eram despedidos por terem fraco aproveitamento!), assumiram os ideais do Seminário de serviço pastoral à Igreja junto dos fiéis e dos infiéis e aí estão eles a fortalecer a fé dos seus irmãos pela palavra e pelo seu próprio exemplo.

Bem, alguns já têm idade para servir a Deus com o seu descanso, dando apenas uma ajuda extra aos seus colegas.

 

1 - O priP. Cardoso.jpgmeiro nasceu em 1931, já lá vão 88 anos... É o nosso amigo P. António Martins Cardoso, a viver na Sertã, salvo erro. Foi professor dos seminários, lidou muito com jovens em Algés e depois serviu a Igreja em Fátima, isto num relance rápido sobre estes muitos anos de vida e felicidade. Ainda o ano passado esteve no nosso Encontro de Linda-a-Pastora...

Contacto: tel. 966 173 767

Manuel L. Nunes.png

 

 

2 - O segundo, também ligado à zona da Sertã por nascimento, viu a luz do dia em 1936, já lá vão 82 anitos! É o bom amigo P. Manuel Lopes Nunes. Embora a memória já falhe um bocado, acho que era ele o maior guarda-redes da nossa equipa de futebol em Portalegre. 

Presentemente, é pároco de Amêndoa e São João do Peso, numa dedicação alegre ao povo de Deus.

Contactável pelo n.º 916 228 455

 

  

 Pedro Tropa.jpg

3 - Em terceiro lugar, com o mesmo destaque dos restantes, está o colega P. Pedro Manuel Bernardino Tropa, que pastoralmente dirige as paróquias de Aldeia do Mato, Fontes, Martinchel e Souto. Nasceu em 1970, é um jovem ao lado dos colegas... Já frequenta as redes sociais, mas ainda não respondeu ao nosso pedido de amizade no Facebook. 

Contacto: tel. 962 938 724

 

A estes três aniversariantes deixamos os PARABÉNS do grupo dos antigos alunos, com votos de saúde e bom trabalho apostólico. E que vivam por muitos anos, a bem de todos nós.

Palavra do Sr. Bispo

01.09.18 | asal

DO ALENTEJO A XUNQUIM COM TATIANA INCORRIGÍVEL

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Portugueses houve que sempre deram ares de fortíssimos, de muito destemidos, de muito mais aventureiros, de nada oportunistas, nada. Oh, oh se não deram!... E a moquenquice de uns dias de férias também dão para ver sítios alusivos, ouvir coisas e loisas e ter conversas de chacha sobre tais lusitanas prerrogativas. Vou partilhar, embora não seja carnaval ninguém levará a mal. É fim de férias, tempo de levezas e de algumas futilidades. E de protesto por terem acabado ou nem começado!...
Quanto à nossa hercúlea fortaleza, sem escavacar muito a memória, corroboro com a clarividência de uma fonte fidedigna. Quando uns valorosos defensores da pátria, com uma vertiginosa e europeia dor ciática de sintoma junckeriano, estavam aí, num determinado rincão deste jardim à beira mar plantado, a discutir como haveriam de se defender do inimigo e qual a estratégia a usar, logo um deles concluiu com afoita determinação e sangue frio na guelra: “É fácil!... Se fizermos como eu penso, estamos safos, estão-nos todos no papo, todos!...”. De imediato, curiosos e esperançados no produto desta cabecinha pensadora, todos os valentes companheiros esticaram o pescoço, os olhos e os ouvidos, em silêncio profundo, para assimilar bem e não perder cheta de tão heroico quão urgente e necessário plano, assim exposto: “Ora, escutem bem a minha ideia, oiçam bem!... Se forem muitos!?.... fugimos!... Se forem poucos!?... escondemo-nos!... Se não for nenhum!?... combateremos até à morte, exclusive!...”. Houve fortes aplausos ao iluminado estratega, houve gritos de entusiasmo e de gratidão pela tática a implementar, houve foguetes, fogo-de-vistas e de artifício, zabumbas e charanga... Um alívio!
Destemidos também sempre fomos, não há dúvida, até passámos além da Taprobana. Lá na vila sede do meu concelho, por exemplo, ergue-se uma estátua no chafariz da praça, onde, no brasão da qual, também se recorda o gesto destemido duma senhora que, no tempo das guerras fernandinas, extenuados e quase vencidos, sem grande gente para combater, sem pão para comer e nada para oferecer, essa mulher de armas e de pêlo na venta como sói dizer-se, arrebata às mãos dos homens ineficazes o comando da praça cercada pelos castelhanos, salta os obstáculos, encoraja os desanimados, dirige a peleja. À pertinácia do inimigo que julgava conquistar a vila pela fome, ela engendra uma última e genial estratégia. Arregaça as malgas, vai à masseira, varre a pouca farinha que lá restava, coze uns pães, os possíveis, sobe às muralhas da vila e, com garbo e pose de farta e de grande humanista, lança-os ao inimigo. Dá-lhes a entender que, na praça há pão para dar e vender. Assim: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”. Diz-se que os castelhanos, também eles exaustos e cheios de fome, acreditaram, desistiram, derrotados e envergonhados. E pronto, ponto, raiou a desejada bonança e inaugurou-se o heroico sossego! 
Mas queiram saber que o meu apreço pelo heroísmo dos meus patrícios esboroou-se. Rolou por outra muralha e monte abaixo, como bola fugitiva, com grande dor e ranger de dentes da minha parte, por ter de reconhecer a não exclusividade do feito. Foi há anos, em Israel, em Massada. O amável cicerone contou que, quando os romanos pensavam que iriam matar à sede os últimos judeus resistentes e concentrados no alto do monte, na fortaleza de Massada, alguém, de entre eles, lançou umas bilhas de água da muralha a baixo para dar a entender aos romanos que por falta de água não seriam vencidos. Os romanos, porém, não acreditaram em tanta fartura. Arranjaram forma de fazer rampa até ao alto do monte e entrar na fortaleza. Mas, que desconforto!... Ao chegarem à fortaleza, os judeus estavam todos mortos, mais de novecentos. Preferiram combinar matar-se uns aos outros do que entregar-se às mãos dos romanos. Se era um grupo de sicários, se era um gangue de assassinos a limpar ou se era o núcleo duro da resistência contra Roma, agora não interessa saber, já lá vão dois mil anos, mais minuto menos minuto. Flávio Josefo, que se obrigou a contar a história, bem poderia ter sido mais esclarecedor!... O que é certo é que tal acontecimento ainda hoje é símbolo e motivação do patriotismo judaico. 
Para falar do aventureirismo português, com todas as suas subtilezas, arranjos e desarranjos, nada melhor do que tornar presente o Senhor Ventura de Miguel Torga! Era de Penedono, Alentejo. Depois de guardar gado e trabalhar nas herdades do Sr. Gaudêncio, deixou tudo e atirou-se ao mundo. Foi tropa, esteve preso, brigou, matou, serviu em Macau, enamorou-se da filha do secretário do governador, tornou-se desertor. No mar da China meteu-se no contrabando de ópio. Em Hong Kong provocou zaragata. Em Pequim cruzou-se com o Sr. Pereira, um minhoto cozinheiro com quem abre uma casa de petiscos. 
Um dia, uns americanos, bêbados, insultam o minhoto. Foi o cabo dos trabalhos. A tasca ficou em cacos, as costas de uns e de outros experimentaram a força das irritadas pauladas, a casa, um caos, foi encerrada pelas autoridades locais. Mas estes dois portugueses de olho fino e pé ligeiro não era gente de desistir. A pedido do diretor da Ford, ambos vão entregar, pelo deserto, 200 camiões na Mongólia. As coisas voltam a correr mal. O deserto foi-lhes terrível e assustador. O rapto de um milionário dá azo a mais tiros e violência. E eis que a doença bate à porta do Sr. Ventura que sobrevive graças às saborosas canjas de galinha que o Sr. Pereira lhe cozinhava. A saudade leva-os a pensar visitar Portugal mas os percalços não davam tréguas nem tempo. Um grupo de supostos negociantes de armas não queria comprar as armas que os portugueses agora vendiam, queriam obtê-las pela força. Nova guerra, mais tiroteio e violência. O alentejano, a sangrar, pisgou-se com o Sr. Pereira às costas. Este, o minhoto, tinha sido ferido de morte por uma bala bem precisa em direção a ponto fraco. Mas, se este morrera, a vida do Sr. Ventura tinha de continuar, não era homem de baixar os braços. Passado um mês, em Pequim, já dançava no Grande Hotel com Tatiana, uma russa com quem casa, contra tudo e todos. A própria Tatiana achava o casamento uma parvoeira e não mudou o seu jeito de ser e estar. Era uma mulher com gosto pela vida noturna, uma mulher do mundo e da borga. Mesmo no meio de frequente pancadaria, ela dá à luz um menino, a quem é dado o nome de Sérgio. O Sr. Ventura sonha rios de dinheiro para o filho e nessa tarefa de o conseguir, mete-se em negócios tais que o obrigaram a repatriar-se. Tatiana sente-se aliviada e mais livre, fica com o filho e a fortuna. De novo no Alentejo, o Sr. Ventura dedica-se à exploração da terra. As saudades do filho, do Sr. Pereira e de Tatiana, porém, não lhe davam sossego. Entretanto, a guerra na China e a indiferença de Tatiana, trouxeram-lhe, de surpresa, ao Alentejo, o filho com 8 anos. Soube então que Tatiana lhe escoara toda a fortuna e continuava a ser aquela mulher com gosto por cabarés e variada companhia. O Sr. Ventura, de fusíveis altamente aquecidos, ferve e deixa saltar a tampa. Interna o seu filho no Colégio de Santo António, em Lisboa, e entrega-lhe a chave da sua casa no Alentejo. Doente, triste com o que ficara a saber e sem que nada o demovesse, parte para a China com a intenção de encontrar Tatiana. Após meio ano à sua procura sem qualquer êxito, cai gravemente doente, em Xunquim. Eis senão quando, Tatiana aparece-lhe no Hospital. Olha para ela com antipatia e refila palavras de esquecer. Tatiana, porém, fria e imperturbável, cerrou-lhe os olhos que a morte lhe deixara abertos. Porque as mensalidades não eram pagas, o Colégio de Santo António despachou o filho, o Sérgio, para Penedono onde foi retomar os caminhos do seu pai: guardar ovelhas na herdade do Farrobo, do Sr. Gaudêncio.
Na verdade, o português sempre foi fortíssimo, muito destemido, muito mais aventureiro, nada oportunista, nada, basta apreciar o elevado altruísmo de quem quis dar um ombrinho na árdua tarefa de burlar, desviar ou aplicar os donativos que foram dados para as vítimas dos incêndios. No país, estes ilustríssimos professores são mais que muitos. E em paga de tais benfeitorias, ainda há quem, alegadamente, lhes queira negar este gesto de amor ao próximo e ao afastado. Já lá dizia o sapateiro de Braga: Haja moralidade ou comam todos! 
Tal como Tatiana: Incorrigíveis!...

Antonino Dias
31-08-2018.

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