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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Homenagem ao Joaquim Alves Filipe 2

17.07.18 | asal

Há momentos em que as palavras nos deixam sem palavra! Obrigado, J. Silvério! AH

Portalegre 19-05-2012 223.jpg

 

Meu caro António Henriques

Agradecendo a simpatia de me enviarem o texto de homenagem ao meu tio, ensaiei um pequeno texto, a que chamo "Recordações. Poema sem rima", que invoca os tempos dos verdes anos em que o "conheci".

Pedindo desculpa pela presunção de me armar no poeta que não sou, podem publicar este texto que, para mim, é a melhor homenagem que  poderei prestar ao meu querido tio Joaquim Filipe.

Um abraço

joaquim silverio mateus

 

"Recordações. Poema sem rima

 

Recordo-me de fugir para os braços de minha mãe nas noites de trovoada e de ela me dizer que era Deus a ralhar;

E eu acreditava;

Recordo-me da lareira que iluminava as noites com o cheiro das pinhas e da madeira queimada;

A escuridão, lá fora, combatia-se com a luz fraca e trémula dos candeeiros de azeite e da lua cheia quando ela decidia aparecer;

E, pela noite dentro, nós rezávamos ou cantávamos canções e dávamos as boas noites aos avós;

E depois mergulhávamos nas mantas de fitos ao som da chuva e das árvores fustigadas pelo vento;

Ao nascer do dia, ainda sonâmbulos, seguíamos as indicações dos mais velhos contemplando o mundo;

E o mundo eram aqueles campos de milho, o ribeiro, os sapos e as rãs, os pinheiros sem fim e os galos que há muito tinham acordado o vale com os seus cantares desafiantes!

Em Junho íamos às cerejas;

Era da casa da avó Amélia que partia o ruidoso grupo de primos e primas, pais e mães um pouco atrás, em direcção à velha cerejeira que tinha florescido em cor e em sabor;

O tio Filipe organizava os jogos, os cantorios, as brincadeiras daquelas tardes de Junho que, pensava eu, nunca teriam fim!

Recordo as incursões à ribeira e de como invejava o miúdo que nadava até ao outro lado do poço, tão distante que era impossível chegar lá;

Recordo o cheiro do pão quente, da terra molhada e das castanhas braseadas nas longas noites de inverno;

Recordo os dias da feira de Agosto, dos bois, das panelas de barro e de ferro, das foices e das enxadas, do sabor das melancias, das montanhas de melancias à beira da estrada empoeirada;

Recordo aqueles homens e mulheres vestidos de preto com as mãos sujas e enrugadas pelas enxadas que trabalhavam a terra e os pesados cestos que traziam à cabeça;

Vivia-se com pouco, mas vivia-se com um sorriso e alguns sonhos;

Agora são apenas memórias distantes, esbatidas, impossíveis de repetir;

Resta este poema sem rima e a alegria de saber que tudo isto existiu.

Joaquim Silvério Mateus "

Homenagem ao Joaquim Alves Filipe 1

16.07.18 | asal

Eu estava à espera de testemunhos como este. E outros amigos vão continuar a aparecer a dizer do seu contacto com este homem especial. Obrigado, Joaquim NogueiraJoaquim Nogueira1.jpg

 

J O A Q U I M  A L V E S   F I L I P E

 

 

Posso orgulhar-me de ter sido o amigo do Filipe que, com ele, mais conviveu, nos seus últimos anos de vida.

Quando ele foi escrivão no Tribunal da Sertã raro era o Sábado – então dia de mercado na vila – em que o Filipe não tomasse café comigo e com o meu pai no café CENTRAL da  Sertã.  Ele – o Filipe – fazia o favor de ser um grande Amigo nosso.

Nessa época, a firma de produtos resinosos de meu pai era uma das maiores, senão a maior, empresa do concelho e, como tal, o Filipe conversava muito com o “gigante”, como ele dizia, pois na qualidade de industrial da resina iam parar ao Tribunal muitos processos relacionados com as sangrias que os resineiros faziam nos pinheiros, que obedeciam a critérios de medida e profundidade muito rigorosos e limitados e os fiscais não perdoavam.

A empresa de meu Pai era solidariamente responsável e era esse o motivo dos processos, em que a firma que transformava a resina em aguarrás e pez louro, fosse chamada, sem ter qualquer culpa. Teoricamente, tinha que controlar os resineiros que se ocupavam da extração da resina. Responsável solidário era, também, o dono dos pinheiros que figurava no mesmo processo judicial.

Este um pormenor que descrevi, no sentido de dar a conhecer à juventude o rigor das leis desse tempo.

Independentemente disso, o Filipe tornou-se um grande AMIGO meu e convivemos muito.

 Assino por baixo, como se costuma dizer, tudo o que o Alves Dias escreveu relativo à personalidade e generosidade do Filipe. Nós os três almoçávamos juntos no S. Remo, muitas vezes, durante a semana. Além dos almoços das sextas-feiras, abertos a todos os antigos alunos, em que o Filipe raramente faltava. Para quem não o saiba, o Alves Dias era meu colega de escritório, na Avenida Defensores de Chaves e continuamos muito próximos e bons amigos.

Mas, o meu relacionamento mais profundo com o Filipe está relacionado com a nossa ”parceria” na Administração do património imobiliário urbano de um grande Amigo do Filipe, Ilustre Médico no IPO de Lisboa e “latifundiário” na Alentejo. O Filipe convidou-me para exercermos essa função, em conjunto. Dividimos as tarefas e a confiança do dono da propriedade era tal que as receitas das rendas eram depositadas numa conta em nosso nome, sem que ele interferisse na administração. Mensalmente dávamos contas e transferíamos o remanescente para o nosso Amigo.

Esta “parceria” durou vários (muitos anos), até ao infeliz e inesperado acontecimento que nos privou do convívio de um grande e generoso Companheiro de jornada e amigo que eu choro, sabendo que o Senhor o tem junto de Si, esperando por mim, que, como Ele, vou terminando esta vida, tentando imitá-lo nos ensinamentos morais e religiosos que me deu e deu à sociedade.

PAZ À SUA ALMA!  16 de  Julho 2 018

J.NOGUEIRA 

NESTA FOTO, três Joaquins, todos dignos de encómios. À esquerda, o J. Alves Filipe, ao fundo o J. Nogueira e aqui, mais perto, de costas, o J. Silvério, sobrinho do homenageado. Por isso, acho que esta foto fica bem com este testemunho. AH

Joaquim Al Filipe2.png

 

Parabéns atrasados

15.07.18 | asal

Paulo Vilela.jpg

Fez anos há dois dias, 13/07. E hoje aparece a aceitar a amizade no Facebook, tornando-se o nosso amigo n.º 165. Só daqui a um ano vamos pensar no seu aniversário...

Que acham? Vamos dizer alguma coisa, saudá-lo com dois dias de atraso? Ou esquecer?...

Não! Como há também os da "última hora", vamos  cumprimentar este novo amigo que se ligou ao grupo e dizer-lhe:

Paulo Vilela Vilela, nascido em 1971, a viver em Castelo Branco, aqui estamos nós, o grupo dos antigos alunos dos seminários de Portalegre e Castelo Branco a dar-te os nossos PARABÉNS atrasados no teu aniversário e a desejar-te muita saúde, longa vida e muita alegria em conjunto com os amigos e, em primeiro lugar, com a tua família, onde já vi que há umas boquinhas pequeninas a sorrir ao lado da mãe. 

Não sabemos mais de ti. Mas se apareceres por aqui ou nos nossos encontros, iremos conhecer-nos melhor!

Contacto: tel. 962 432 970

AH

Racismo é impossível...

15.07.18 | asal

O Florentino falou-nos das migrações e das misturas de sangue a que desde o início se sujeitou a raça humana. Para nos convencermos que não há puros e que o racismo é uma tonteria, nada melhor que olhar para o ADN de cada um. Este vídeo ilustra bem esta realidade.

 

No canto inferior direito, há uma roda dentada. Clicando nela, clique, a seguir, nas legendas e à direita escolha as legendas em português.

 

 

 

Fotografar

15.07.18 | asal

FOTOGRAFAR - O VÍCIO DA MODA

João Antunes2.jpg

 

Vemos por aí gente que não se cansa de tirar fotografias a tudo o que vão observando e enchendo a memória de recordações no tempo.

Tudo o que gostamos ou nos desperta algum interesse, sacamos do telemóvel, um clik e  já está.

Esta é a forma mais rápida de obtermos a imagem, aquela que vale mais que mil palavras, e algumas são tão importantes que não voltam mais.

Apreciamos hoje aqueles retratos dos tempos idos, quando os nossos avós ou nossos pais tiravam uma fotografia (retrato), era um acontecimento inédito e que era falado entre as pessoas.

Na aldeia onde nasci, ficava de olhos regalados a olhar para aqueles grandes quadros de grossos caixilhos onde estavam os familiares, bisavós, avós, pais, filhos e netos. A qualidade pouco interessava, o importante era mostrar a família.

Por isso, hoje, quando vemos um retrato antigo de acontecimentos da época, ficamos pasmados. A gente vestia uma roupa lavada para ficar bonito, lavava a cara e penteava a marrafa a preceito e as expressões ficavam como ficavam.

Mas ter um Kodak não era para todos e quem o possuía também não se podia alargar porque o rolo só tinha capacidade para uma dúzia, os mais baratinhos, e mais tarde já se adquiriam até 36. A seguir vinham os processos porque passavam os negativos,  impressão, revelação, ampliação e cópia. Muitas ficavam à partida excluídas, não tinham qualidade para a revelação,  a luz era fundamental nestes retratos a preto e branco.

Tudo foi evoluindo, apareceram máquinas fotográficas extraordinárias e a cor veio trazer vida, que digam os entendidos nas maravilhas que apresentam. E as fotografias só fazem sentido se forem vistas por outros.

máquina foto.jpg

Quem navega pelas redes sociais encontra de certeza pessoas que têm como hobby a fotografia e apresentam maravilhas dignas de serem apreciadas. Mas todos nós somos fotógrafos e a qualquer momento puxamos do smartphone, captamos o acontecimento desejando que a fotografia nos deixe inteiramente satisfeito. Se ela não ficou como seria o nosso desejo, não devemos desmoralizar, “porque a melhor fotografia é a que fazemos amanhã”.

Como alternativa, podemos apagar, mas quando ela nos satisfaz não nos cansamos de olhá-la com atenção pelo prazer que nos dá.

No mundo digital a fotografia transforma a luz em mais luz, não há revelação nem químicos e não há custos, cada um trabalha as fotos a seu gosto e quando percorremos as redes sociais onde estão milhões e milhões de fotografias, encontramos de tudo, toda a gente sente o desejo de publicar e comentar.

Falar das selfies é falar da grande sensação do momento, essas fotos digitais que uma pessoa tira a si mesmo e que as redes sociais ajudaram a popularizar.

É uma febre já com vários tipos, sendo uma moda generalizada na juventude e que me leva a concluir que da fotografia podemos tirar a maior satisfação possível.

Assim sendo, vamos continuar a fotografar.

João Antunes

   14-07-2018

Mais um aniversariante

14.07.18 | asal

Patrocínio.jpg

TARDE MAS AINDA A TEMPO...

 

Também hoje celebra mais um aniversário o nosso amigo António Patrocínio, um alentejano de raíz, a viver ali para Portalegre, onde muito tem feito pela Diocese na sua condição de solicitador.

Sabemos que tem andado arredado dos nossos encontros (lá tem as suas respeitáveis razões!), mas este ano em Portalegre foi um conviva inteiro, cheio de alegria, como demonstra esta foto, tirada na Sala da Assembleia Geral, com o António todo enlevado junto do Pai Eterno.

Não sabemos quantos anos faz, não sabemos também o seu contacto telefónico, mas aqui lhe deixamos os PARABÉNS DO GRUPO DOS ANTIGOS ALUNOS, uns associados e outros não, que nós não nos distinguimos pelas quotas pagas.

Que Deus te abençoe e te conceda a graça de longa vida, cheia de alegria e realização dos teus sonhos.

AH       

Migrações na Europa (1)

14.07.18 | asal

Sempre gostei destas pré-crónicas com que o Florentino apresenta e mimoseia os seus textos. Por isso, as publico...AHFlorentino.jpg

Meu caro Henriques
Contigo me alegro, relativamente ás tuas rápidas melhoras. Temos homem a 100%. Que bom!! 

Com a temática da emigração em alta, puxou-me a vontade de aprofundar esta temática. Não à luz da espuma dos dias, bem dolorosos embora, mas procurar, lá bem longe, a longa caminhada dos povos, dos quais, nós europeus, somos descendentes. Todos somos filhos de emigrantes. Sejamos humildes e acolhedores, como nos ensina a história longa. Só nos fica bem.
Tenho acompanhado as tuas sempre esperadas e desejadas notícias. Tuas e dos outros que comungam diariamente do mesmo pão solidário e amigo. O que nos dá muita força de viver.
Um forte abraço. Até sempre
f. beirão  

 

Uma história multicultural

Uma das questões que hoje mais interpela boa parte dos países é o premente e acutilante problema das migrações e o acolhimento de muitas populações à deriva. Só em 2017, somavam 2,9 milhões. A resposta de alguns países da UE a esta trágica realidade, por motivos ideológicos ou eleitorais, tem sido encerrar fronteiras ou criar dificuldades de acesso às pessoas que fogem da guerra ou da fome. Enquanto alguns países os recebem, solidariamente, de braços abertos, outros, numa atitude xenófoba e desumana, fecham-lhe as portas. Felizmente, este comportamento egoísta tem mexido com a consciência de muitos, inconformados com esta trágica e desumana realidade, tanto a nível das emoções, mas sobretudo, da racionalidade e do que nos ensina a longa história do velho espaço europeu. Sobre este último aspeto nos vamos debruçar, ainda que sucintamente.

O que nos ensina a história, na sua longa duração, a este respeito? Como se foi povoando a Europa, berço de várias populações, ao longo dos milénios?

Segundo os paleontólogos, a presença de hominídeos, no vasto espaço europeu, vindos de África, data de há cerca de 1,8 milhões de anos. No princípio, era o “homo erectus”, bípede, que, através da sua longa

homo sapiens.jpgevolução, atingiu a espécie “homo sapiens”, o homem moderno. Segundo os mesmos investigadores, há cerca de 700.000 anos, a Europa já era habitada por diversas espécies humanas de caçadores e recolectores que utilizavam elaboradas técnicas para sobreviverem, sobretudo com caça, fabricando instrumentos de pedra funcionais e artísticos, como os bifaces “tidos hoje, como uma primeira emergência do pensamento estético”. Só que as mudanças climáticas e os períodos glaciares foram tornando-se os principais inimigos dos primeiros habitantes da Europa - chegados em várias vagas de África e médio-oriente, obrigando-os a constantes deslocações.

Entre as várias populações aqui chegadas, há cerca de 400.000 mil anos, encontra-se uma subespécie do “homo sapiens”, o “ homo de neandertal” que era tão evoluído, que, além da sua arte na construção de instrumentos de caça, construía sepulturas, esculturas e até pinturas. Descoberto o fogo e a sua utilização nesta altura, as populações locais puderam alimentar-se melhor, com carne mais digestiva e menos tóxica. Por outro lado, o fogo iluminava os espaços habitacionais das grutas rochosas, onde se

homo neandertal.jpgrefugiava o “homo do neandertal”, afugentando os animais ferozes. À volta do fogo, terão nascido os mitos e o pensamento simbólico. Estes dois hominídeos, durante largos milénios, acabaram por conviver no espaço europeu, tendo o “homo do neandertal, por razões ainda difíceis de explicar, se extinguido há cerca de 30.000 anos a.C..

Nada leva a crer que tenha havido entre estas duas espécies de hominídeos, massacres ou guerras, pela posse da terra. Pelo contrário, os historiadores falam-nos de uma aculturação, coabitação pacífica, trocas de técnicas e de cultura. Dotados de semelhantes capacidades cognitivas, simbólicas e espirituais, souberam conviver, enriquecendo-se mutuamente. Estas duas populações foram misturando os seus genes, numa longa mestiçagem, provada em análises pelo ADN. Negando-se a causa da sua extinção a um vírus ou a pestes, os especialistas inclinam-se por explicar o seu desaparecimento, pelo facto de ele se reproduzir menos do que o “homo sapiens”. Este, sendo mais fértil, pode revitalizar-se melhor, ao ponto de conseguir integrar uma boa parte da outra espécie, cada vez mais anémica, demograficamente. O “homo sapiens”, pelo contrário, através de uniões mistas, tornou-se dez vezes mais fecundo do que os “neandertais”. Teria sido normal, segundo opinião dos investigadores, que “as duas espécies, ao longo dos milhares de anos que coexistiram, se fossem misturando, com trocas genéticas, numa vasta massa de “ homo sapiens”. Dando-se a extinção do nosso familiar “neandertal”, a responsabilidade, pela conservação do nosso espaço, ficaria entregue à nossa espécie – homo sapiens - o homem atual. À luz dos estudos laboratoriais, podemos concluir que a nossa velha Europa já foi berço de muitas espécies humanas que se foram integrando e desenvolvendo mutuamente. Hoje, como pediu o novo cardeal A. Marto, em 17.06.18, “não podemos deixar a história nas mãos de gente xenófoba”, mas tornar a nossa velha Europa um espaço aberto e multicultural. Façamos todos por isso.

florentinobeirao@hotmail.com

Aniversário

14.07.18 | asal

Amândio Mateus.jpg

PARABÉNS, Sr. Prior!

 

Celebra hoje 55 primaveras o Prior de Mação, P. Amândio da Trindade das Neves Bártolo Mateus, que também responde às paróquias de Aboboreira, Ortiga e Penhascoso.                    

Natural do Estreito, também foi professor no seminário... É ainda arcipreste de Abrantes.

Estamos consigo, bom amigo, damos-lhe os melhores PARABÉNS e desejamos-lhe longa vida, muita saúde e alegre felicidade no exercício das sua missão.

Contacto: Tel:  964 829 865                               

Estamos de férias?

13.07.18 | asal

Ora aqui está uma pergunta perturbante... Porque é que a faço?

 

Para vos dizer que é altura de nos encherem a caixa de correio electrónico (asal.mail@sapo.pt) com a descrição das vossas viagens. 

Então vocês não saem de casa? Têm medo dos ladrões?

Nem uma aldeiazinha visitam? Nem uma cidade? Nem um país?

Com 10 linhas e uma foto já se faz um relato. Se for com 20, melhor...

E os colegas gostam de vos ler... Eu saí por um dia e já falei daPeras.jpg loiça das Caldas, com tudo bem explicado!...

 

E ESSAS LEITURAS?

 

 Mas vocês não lêem? Como é que alimentam o espírito?

Pessoalmente, ando há dois meses ou quase sem apetite pelas leituras, pelo que têm de ser outros a encher estes espaços. O blogue precisa de novidades.

AH

 

NOTA: Quando há dias passámos pelo Oeste, pudemos admirar a carga de fruta que estas árvores suportam. É demais! Até quando é que estes ramos vão suportar o peso de tantas peras? 

Soubemos então que nem tudo é fácil... Logo no momento da floração e depois mais tarde, vai-se fazendo o desbaste das futuras peras, deitando fora muita produção para que no momento da colheita estes frutos tenham um calibre aceitável para o mercado lhes dar o devido valor. São as leis comerciais a mandar! AH

Mais um aniversário

13.07.18 | asal

João Mendes.jpg

Neste 13 de Julho de 1969, nasceu o João Mendes.

 

Ainda não temos mais elementos, que há muito lhe pedimos.

 

Mas aqui deixamos os nossos PARABÉNS e votos de muita saúde e longa vida.

Homenagem ao Joaquim Alves Filipe

12.07.18 | asal

Andamos há muito a pensar neste texto. Valia a pena publicá-lo, destacando um dos nossos nas suas qualidades de trabalho, honestidade e serviço genuino à comunidade. Chegou hoje o dia. Espero que outros amigos falem dele, numa homenagem evocativa de um grande homem. Ao J. Alves Dias, um obrigado por nos ceder o seu texto. AH Joaquim Al Filipe1.png

            

EVOCAÇÃO E HOMENAGEM 

AO JOAQUIM ALVES FILIPE

 

  

Palavras proferidas no almoço realizado no Convento das Irmãs Franciscanas, em LINDA-A-PASTORA em 31 de Janeiro de 2015

1 – Muito Boa Tarde, minhas senhoras e meus senhores, caros amigos.

2 - Bem-vindos a este almoço-convívio da Associação dos antigos alunos dos seminários da diocese de Portalegre e Castelo Branco, cuja tradição- iniciada há anos na Buraca - foi, felizmente, retomada.

Joaquim Al Filipe.png

 3 – Após a exibição do filme sobre a visita de antigos alunos ao Padre Horácio Nogueira, na qual o Joaquim Filipe teceu os melhores elogios ao seu antigo professor, bem como do filme sobre o homem extraordinário que foi o Padre Álvaro, proponho-me fazer uma singela evocação e proferir algumas palavras de sentida homenagem ao nosso grande amigo e companheiro JOAQUIM ALVES FILIPE que foi chamado por Deus em 20 de Dezembro do ano transacto, aos 85 anos de idade. Era natural do lugar e freguesia de Amieira, onde nasceu em 7 de Maio de 1929, localidade perdida na serra, entre os pinheiros então frondosos, do concelho de Oleiros, distrito de Castelo Branco, localidade esta que, naquela altura, não tinha telefone, não tinha estrada de ligação à sede do concelho nem a qualquer outro centro populacional de relevo,  nem tinha água canalizada. A vida decorria ali como se estivéssemos separados do mundo, quase como na chamada Idade Média. Mas deve referir-se que existia já uma Escola Primária e uma Igreja Paroquial com o respectivo Pároco.

 O Joaquim era filho de JOÃO ALVES FILIPE e de MARIA DE JESUS, pessoas que tambémrecordo com saudade.

 4 – Este meu propósito deve-se ao facto eu sentir uma certa responsabilidade moral na evocação deste amigo, dado que o Joaquim Filipe era meu conterrâneo, meu parente e amigo de há muitos anos, a que acresce o facto, que se me afigura não despiciendo, de a sua família ter tido sempre as melhores relações de amizade com a minha família, amizade que vem já do tempo dos nossos pais e dos nossos avós.

 Além de tudo isso, não posso esquecer – e o mesmo sucede com os meus antigos colegas de escola - que o Joaquim Filipe, pelo seu aprumo, pela sua figura vestida a rigor com fato e gravata e também pela sua natural  simpatia, era uma espécie de modelo (passe a expressão) para nós, juvenis alunos da 4ª. Classe e com as ilusões próprias dos nossos 11/12 anos

5 – Ora, como é do conhecimento da maior parte dos presentes, senhoras e senhores, caros amigos, o Joaquim Filipe frequentou os seminários da Diocese de Portalegre (Gavião e Alcains) durante cerca de 6/7 anos, sempre com o melhor aproveitamento.    Após esses proveitosos anos de estudo, e por motivos que só ele conhecia, mas que familiares e amigos compreenderam e respeitaram, por serem do seu foro intimo, resolveu interromper a sua preparação para o Sacerdócio e, consequentemente, deixar o seminário. Contudo, deve sublinhar-se que não renegou esses tempos - de sério estudo e certamente de profunda reflexão - nem os ensinamentos e conhecimentos que ali lhe foram ministrados, antes pelo contrário;

6 – Com efeito, após a saída do seminário, continuou a prestar a melhor colaboração em inúmeras actividades religiosas, quer na sua terra Natal (Amieira), quer nos locais onde prestou serviço, como funcionário judicial, nomeadamente na Pampilhosa da Serra, Sertã, Oeiras e Lisboa. Especialmente nos últimos tempos, após a passagem à reforma por limite de idade e a perda da Esposa CARMINDA DIAS FILIPE (com a qual formava um casal verdadeiramente exemplar) prestou relevantes serviços na Paróquia de Santo Amaro de Oeiras, onde residia. Antes deste sério golpe, já o Joaquim e a Esposa haviam sofrido um outro rude golpe com a  morte do filho mais novo.

7 – Profissionalmente pode dizer-se que fez uma carreira brilhante, começando na Pampilhosa, passando depois à Sertã, seguidamente a Oeiras e finalmente a Lisboa, sempre com as mais altas classificações no que respeita a desempenho, saberqualidades de chefia, relações de trabalho, quer com colegas e superiores, quer com advogados e público que a ele recorriam para resolver questões relacionados com os processos que lhe estavam confiados;

8 – Atingiu o último escalão da carreira que escolheu – sempre com as maiores classificações e as melhores referências pelo que, face ao seu elevado grau de profissionalismo, conhecimentos e competência foi nomeado Director do Centro de Oficiais de Justiça e, depois, escolhido para assessor de um Secretário de Estado da Justiça (Dr. Borges Soeiro); Trata-se, segundo me foi dado  testemunhar, de caso único na carreira que escolheu e desempenhou até à reforma.

9 – Foi um bom filho, um marido exemplar e um pai extremoso para os seus 3 filhos, um dos quais, infelizmente, já falecido como antes já referido,

10 – A par da sua actividade profissional e do apurado desempenho dos seus deveres familiares, não descurou o nosso querido amigo JOAQUIM FILIPE o seu papel como elemento da chamada “Sociedade Civil” em que estava integrado, tendo participado, entre outras, nas seguintes actividades:-

  1. Na comissão “ad hoc (que incluía o meu saudoso pai DAVID DIAS) constituída para obter, junto das autoridades competentes, melhoramentos para a sua terra natal, nomeadamente o telefone, fornecimento de água e a construção de uma estrada de acesso à sede do concelho (Oleiros) de que carecia aquela freguesia;
  2. Associado fundador da LAFA – LIGA DOS AMIGOS DA FREGUESIA DE AMIEIRA (associação regionalística, tendo participado várias vezes nos seus Corpos Sociais ) ;
  3. Associado fundador desta nossa associação dos antigos alunos dos seminários da Diocese de Portalegre;
  4. Associado fundador da LAFI – Liga dos Amigos da Freguesia da Isna, onde passou alguns anos na companhia do seu tio – pároco da Isna.
  5. Participou nos órgãos sociais da CASA DA COMARCA DA SERTÃ (associação regionalística) durante vários mandatos e até muito recentemente, onde prestou colaboração de relevo, como é testemunhado pelos próprios dirigentes desta associação;
  6. Elemento da Assembleia Municipal da Câmara de Oleiros

11 – Era também um homem naturalmente integro, de uma honestidade a toda a prova, frontal, lidando com as pessoas de forma aberta, sem cinismos nem reserva mental;

12 - Muito mais havia a dizer sobre o nosso querido amigo e companheiro JOAQUIM FILIPE – que era, sem dúvida alguma, pessoa de uma grande dimensão humana, portadora do mais elevado sentido de “bem servir” - mas não vou alongar-me mais, agradecendo a atenção que vos dignastes prestar a esta minha singela evocação e modesta homenagem e espero – e desejo - que a ela se tenham associado;

13 – Para terminar, gostaria de referir ainda que o nosso amigo e companheiro Joaquim Filipe era pessoa afável, de bom trato, respeitador de superiores e subordinados e muito estimado por todos eles. Em suma, um homem bom.

14 - Por tudo isto, e o mais que fica por dizer, e que poderá ser acrescentado por cada um de vós, peço-vos que guardemos um minuto de silêncio por este nosso irmão e amigo que foi chamado por Deus e Alves Dias.jpgque, estou certo, estava preparado para partir, embora não sabendo o dia nem a hora a que seria chamado, como consta do Evagelho.

15 - Este meu pedido é extensivo a dois outros irmãos, já falecidos:- o Padre José Antão (em 2010), também natural da Amieira e o Padre Álvaro que nos deixou recentemente e que acaba de ser  homenageado por todos os presentes e, em especial, pela brilhante intervenção do nosso caro amigo e colega António Henriques.

Muito obrigado a todos e desculpem-me se demorei demasiado, abusando inadvertidamente, da vossa paciência.

Linda-a-Pastora, 31 de Janeiro de 2015 

J. Alves Dias

 

 

Mais uma foto, com o nosso amigo bem acompanhado: o seu sobrinho - Joaquim Silvério e o Joaquim Nogueira, também indelevelmente ligado à história da nossa associação.

Joaquim Al Filipe2.png

Êxito da cooperação mundial

10.07.18 | asal

 

Tailândia.jpgANJOS E DEMÓNIOS

 

Terminou bem o resgate “tailandês”.
O MUNDO inteiro envolveu-se positivamente para ajudar. Tailandeses, israelitas, americanos, australianos, chineses … Todos quiseram colaborar e foram importantes. Todos nós estivemos a “torcer por fora”…
O êxito da missão deve-se particularmente a esta generosidade e bondade universais e naturais do ser humano. Elas estão quase sempre patentes nas grandes catástrofes e fazem parte da natureza da espécie humana desde sempre.
Espantará alguns que não seja sempre assim.
Porque será que a mesma Humanidade, geradora de tão grande generosidade e altruísmo, também é capaz das maiores barbaridades, crueldades e injustiças com que todos os dias a comunicação social nos presenteia por esse Mundo fora?

Tó Manel.jpgÉ que, como dizia PASCAL (1623-1662) físico, matemático e filósofo francês: “Nós não somos Anjos nem Demónios, somos Homens.”

É por isso que se costuma dizer que todos nós temos um lado escuro. E que “há um Hitler escondido dentro de cada um nós sempre pronto a saltar quando as circunstâncias forem favoráveis." (Digo eu.)

 

António Manuel M. Silva

 

E diz o DN: «Mas agora houve isto, e isto foi extraordinário. Ao fim de 432 horas, finalmente, a luz. E com isso um planeta inteiro a explodir de alegria. Não há espetáculo mais belo do que a conquista da liberdade».

 

Aniversário

10.07.18 | asal

PARABÉNS, AMIGO!João 2.jpg

É o teu dia, amigo João Chamiço Porfírio! E já vais em 81 primaveras... 

Natural do Gavião, estudou, completou o Curso, leccionou no Colégio de Portalegre, trabalhou muito com os escuteiros, casou-se e terminou o seu tempo de ensino em Évora. Agora, goza a sua jubilação em paz com a vida.

No seminário de Portalegre, era ele que arranjava tudo o que se desmanchava, tendo por isso dois quartos, muitas chaves e ferramentas.

Aqui deixamos os PARABÉNS da malta e muitos de nós nutrem por ti uma verdadeira admiração e amizade. E gostam de te ver feliz e a contar coisas graciosas como tu contaste tantas vezes...

Que Deus te continue a dar saúde e alegria por muitos anos. E um grande abraço neste dia.

 Contacto: tel. 917 242 411

Alerta

08.07.18 | asal

Pissarra.jpg

Os perigos da Net

 

Certo dia, ao entregar um trabalho a uma aluna de nariz empinado e arisca, filha de um novo rico, olhou para o trabalho e as correcções que eu havia efectuado e perguntou:

  — Quem é o senhor para corrigir o que está na Net?

Lembrei-lhe que já lhes havia explicado que um trabalho de filosofia não era uma cópia e que a questão das fontes era importante. Estas tinham de ser credíveis e que as boas fontes são um suporte importante para as teses que se defendem. Tinham de ter em conta que havia fontes manhosas, desacreditadas e referência a estudos que nunca haviam sido feitos, por autoridades que não existiam e publicados em revistas que também não existiam. Mas não estive para me alongar em alertas já anteriormente dados e perguntei-lhe:

— Quem pode escrever na Net?

— Qualquer um, respondeu.

Esta tarde vou escrever sobre ti. Direi tudo o que me vier à cabeça sobre ti, a tua vida e a tua família e amigos. Publico-o. Alguém mais tarde lerá o texto. Tudo o que lá esta escrito é verdade. Ela calou-se. Muitos alunos cochicharam.  E eu, nada mais acrescentei.

Mário Pissarra

Palavra do Sr. Bispo

07.07.18 | asal

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QUERES VER O VILÃO?... METE-LHE A VARA NA MÃO!...

 

A história lá tem as suas ironias. E se não é cíclica, pelo menos parece, somos complicados. Na dinâmica que marca o destino histórico de um povo, também a Sagrada Escritura nos dá excelentes lições, lições de arrepiar. Para levar avante um projeto social, é preciso não perder a consciência histórica. As gerações, as que lutaram e sofreram, mantêm viva essa memória. Não esquecem facilmente o que passaram. Empenham-se na mudança da situação e no regresso da prosperidade e da paz. Mas essas gerações vão desaparecendo. As novas gerações, porém, não guardam essa memória. Raramente se reconhece e dá valor ao que se recebe de mão beijada. Muitas vezes, a prosperidade conquistada a suor e sangue por uns, leva os usufruidores ao aburguesamento, à banalização dos costumes, à corrupção, a ceder às solicitações do mundo e aos ídolos que a sociedade promove e serve. Deus deixa de contar. Quem se diz crente e vai na onda, também entra no formalismo, na hipocrisia e deixa endurecer o coração. Ora, o abandono de Deus arrasta consigo o desprezo pelo homem e constrói sistemas sociais injustos. Quem percebe e reage é considerado idiota, ou idealista, ou retrógrado. Preferem-se os populistas, os demagogos e turbulentos, que logo fazem perder a liberdade e a vida. E como seria bom que, aprendendo com a história, se continuasse a construir sobre aquilo que foi positivo e bom! Nada ou pouco se aprende neste campo. De novo se bate com a cabeça na parede. Volta-se à estaca zero tantas vezes no meio de mais sofrimento, de novas guerras cada vez mais sofisticadas com todo o seu cortejo de tristes consequências. Só no limite do sofrimento e na sensação de que Deus o abandonou, o povo volta à consciência histórica, chama por Deus e acaba por reconhecer que, afinal, não foi Deus quem o abandonou, foram eles que abandonaram Deus. E lá recomeçam, lá vão erguendo a cerviz à voz de novos líderes que voltam a reorganizar o povo e o ajudam a conquistar a liberdade e a vida. 
Eis um exemplo: quando Gedeão venceu - duramente, aliás -, os madianitas, os israelitas desejavam proclamá-lo seu rei, depois o seu filho, depois o seu neto, depois… 
Gedeão, porém, não aceitou por medo de, ao interpor-se uma figura humana, a fidelidade de Israel a Deus fosse esfriando. Mas se Gedeão não quis aceitar ser rei dos israelitas, logo surge, de forma interesseira, insaciável e irresponsável, quem viu nisso o seu grande momento para atingir o poder e exercer a autoridade. Usando todos os meios e perspicácia para se fazer valer, Abimelec chega-se à frente, contrata homens ociosos e aventureiros que se colocaram à sua disposição. Vai a casa de seu pai e mata todos os seus irmãos, exceto Joatão, o mais novo, que conseguiu escapar. Por convicção, ou por subserviência, ou por medo, não tardou que a alta sociedade lá do sítio, todos os senhores de Siquém, se reunissem para, com todas as mesuras e salamaleques, proclamar Abimelec como rei. O futuro, porém, estava à vista e a ironia correu célere e mordaz. O primeiro a manifestar-se foi Joatão, o único sobrevivente aos instintos bárbaros e absolutistas de Abimelec, seu irmão. Ironizando, sobe ao monte Garizim e grita à fina flor de Siquém, aos que tinham entronizado Abimelec como rei. Conta-lhes uma fábula popular com a qual critica tão desastrosa engenharia política, levando a concluir que somente aquele que nada produz é que se presta para exercer o poder, um poder armadilhado contra a liberdade do povo, mas sendo este, o povo, que deve assumir as consequências de tal decisão: 
“Ouvi-me, senhores de Siquém, para que Deus também vos ouça. Certo dia, as árvores resolveram escolher um rei. Disseram à oliveira: “Reina sobre nós”. A oliveira respondeu-lhes: “Terei de renunciar à doçura do meu azeite, que dá honra aos deuses e aos homens, para me baloiçar por cima das outras árvores?”.
Então as árvores disseram à figueira: “Vem tu reinar sobre nós”. Mas a figueira respondeu-lhes: “Terei de renunciar à doçura do meu saboroso fruto, para ir baloiçar-me por cima das outras árvores?”.
E as árvores disseram à videira: “Vem tu reinar sobre nós”. Mas a videira respondeu-lhes: “Terei de renunciar ao meu vinho novo, que alegra os deuses e os homens, para ir baloiçar-me por cima das outras árvores?”.
Então todas as árvores disseram ao espinheiro: “Vem tu reinar sobre nós”. E o espinheiro respondeu às árvores: “Se realmente quereis escolher-me como vosso rei, vinde acolher-vos à minha sombra. Se não, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano”. (Juízes, 8…).
A oliveira, a figueira e a videira, três árvores muito apreciadas no país (como quem diz: as pessoas mais comprometidas e apreciadas!), não se colocaram na ponta dos pés, não se sentiam vocacionadas a serem rei. Preferiram continuar a servir o povo com generosidade a partir dos seus respetivos lugares e funções, oferecendo-lhe os seus preciosos frutos e assegurando-lhe a melhor qualidade de vida possível. Só o espinheiro, a esterilidade personificada que não dá fruto nem sombra nem coisa que se veja, é que se oferece para reinar no país. E logo se dirige ao povo com pompa e circunstância, com falsos paternalismos e previsível prepotência: “vinde abrigar-vos à minha sombra”.
Não tardou muito que as traições se sucedessem. Aqueles que o colocaram no trono, os próprios senhores de Siquém, quiseram – em vão, aliás! -, quiseram tirar-lhe o tapete de debaixo dos pés. O medo levou-os a refugiarem-se na cripta do templo de El-Berit. Todos lá morreram queimados debaixo do fogo dos ramos que Abimelec e os seus sequazes ali amontoaram e incendiaram para os liquidar. O próprio Abimelec, ao cercar Tebes, aproximava-se para assaltar a torre. Uma mulher, porém, lançou-lhe uma mó de moinho sobre a cabeça, fraturou-lhe o crânio. Com vergonha de morrer às mãos de uma mulher, logo chamou o escudeiro e lhe disse: “Puxa da espada e mata-me, para não dizerem que uma mulher me matou”. E assim morreu tristemente forte na sua vergonha. “Nada mais pequeno do que um grande dominado pelo orgulho”, afirmava Clemente XIV.

Antonino Dias
Portalegre, 06-07-2018.