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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Aniversário

Miguel Cordeiro.jpg

PARABÉNS, MIGUEL!

 

Neste dia 19-02-1971, nasce o Miguel Cordeiro, com formação em Serviço Social pelo Instituto Politécnico de Tomar.

Pelo seu Facebook, sabemos que vive em Osnabruque e ainda frequentou o Seminário de Coimbra. É novo nestas andanças, pelo que não sabemos mais sobre este colega.

Pode ser que ele apareça por aqui a contar coisas. Gostávamos muito!

Aqui deixamos os nossos sinceros PARABÉNS E VOTOS DE LONGA VIDA, MUITA SAÚDE E REALIZAÇÃO DOS SEUS SONHOS...

Contacto: tel. 964 130 777

Palavra do Sr. Bispo

QUARESMA: A LÓGICA DO DOM QUE GERA CONFIANÇA

1.jpg

 

O centro do Cristianismo católico e da vida da Igreja é a Pessoa e o Mistério de Jesus Cristo. E o centro da Pessoa e do Mistério de Jesus Cristo é o seu Mistério pascal. É a Sua encarnação e o dom de Si mesmo pela vida do mundo. É a Sua morte na Cruz como plenitude da vida entregue por amor. É a Ressurreição como revelação de que o amor é mais forte do que a própria morte.
Centro da vida de Jesus Cristo, o Mistério pascal de Cristo mostra-nos o que é dar plenitude à vida: nascer e agradecer quotidianamente o dom e o valor da vida, comungar a vida dos outros e servi-los particularmente onde e quando necessitam, esquecermo-nos de nós próprios, unirmo-nos a Deus na oração filial, acolher sem julgar, deixarmo-nos surpreender pela novidade de Deus, não temer remar contra a corrente, ser radicalmente pela verdade que liberta e pela justiça que responsabiliza e ajusta, despojar-se de tudo o que impede de ajoelhar aos pés de Deus e das necessidades dos outros, deixar cair a capa da autossuficiência, ser próximo e livre, amar e perdoar mesmo quando parece impossível e o mundo refuta a motivação. É viver a fidelidade com amor de oblação mesmo quando nela se vislumbra a Cruz, a solidão.
Todos os anos a Quaresma surge na Igreja como dom e tempo favorável para, progressivamente, cada um de nós ser mais capaz de viver da graça e do dom de Deus assumindo no nosso quotidiano o estilo de Jesus Cristo. É o tempo por excelência de quem se prepara e dá passos para ser batizado na fé em Jesus Cristo. É o tempo em que os cristãos, já batizados e a viver a história de todos os dias, são desafiados a reavivar o dom do seu batismo e a refontalizar a sua fé.
A fé cristã, a nossa fé cristã, tem sempre a marca existencial da confiança absoluta em Jesus Cristo. A sua identidade envolve-nos, a sua Palavra cria-nos e recria-nos, os seus gestos modelam a nossa maneira de agir, a sua oração assume as nossas súplicas e ações de graças e ensina-nos a rezar. A fé cristã é simultaneamente dom e resposta. É fundamentalmente uma atitude de confiança em Jesus Cristo e na sua verdade revelada. É uma relação pessoal vivida num enquadramento comunitário. É uma atitude existencial que envolve tudo o que somos, fazemos e pensamos. É uma experiência de libertação porque de caminho e de purificação. Ela envolve a esperança e o amor como dimensões da sua realização. É histórica e dá sempre origem a um projeto de vida.
A fé tem, de facto, a marca da gratuidade. É da ordem e da lógica do dom. Não espera recompensa para dar o passo, não exige retribuição para se comprometer. Ao dom recebido responde sempre com a entrega confiante. É motivação, confiança, liberdade e compromisso. Nunca obrigação. Não é assim que a experimentamos!?
Para reavivar o dom do batismo, e, portanto, da fé, a Igreja aponta-nos, tradicionalmente, neste tempo de Quaresma, três grandes sinais ou atitudes: a oração, o jejum e a partilha. Não se trata de “mínimos legais” para um qualquer acesso a um mundo desejado. São antes a oportunidade e ocasião da redescoberta da fé. Reza-se para ouvir Deus e Lhe falar, para descobrirmos que não nos faz bem a loucura de querer ocupar o lugar que só Deus pode ter. Jejua-se para percebermos que há muitas coisas com as quais não podemos nunca confundir-nos ou até misturar-nos. Partilha-se para descobrirmos e saborearmos o gosto de nos sabermos amados e acompanhados em cada passo da vida. 
Há tanto aborrecimento por falta de objetivos! Há tanto luxo por falta de disponibilidade! Há tanta solidão por falta de olhar para fora de si mesmo! E, neste caminho, a Palavra de Deus, a celebração do perdão e da reconciliação, a participação na Eucaristia mostram-nos a paixão de Cristo por nosso amor e surpreendem-nos com a conversão. O Santo Padre, na esperança de que “o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”, convida-nos também a “empreender com ardor o caminho da Quaresma apoiados na esmola, no jejum e na oração”, recorda-nos a iniciativa das “24 horas para o Senhor” que este ano decorre no dia 9 e 10 de março, e pede-nos que, em cada Diocese, pelo menos uma igreja fique aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.
Nesta Quaresma poderíamos, por isso, eleger como grande propósito da nossa caminhada a redescoberta e o reavivar da nossa fé cristã. Cristãos de prática dita regular, comprometidos em Comunidades e em Movimentos, ou Cristãos mais ao longe, sem regularidade de presença e, sobretudo, sem serenidade de pertença, poderíamos viver este tempo como um regresso à casa em que fomos batizados.
Nos últimos tempos muita coisa mudou, é verdade. A nossa fé andou por dentro e por fora das mudanças. E a grande pergunta é se as mudanças a enriqueceram ou a empobreceram. Não nos sentimos, muitas vezes, numa paisagem e numa sociedade de tipo agnóstico? Não nos damos conta de que esse agnosticismo pode perpassar ou perpassa já a nossa fé cristã? As nossas incertezas, as nossas desconfianças, as nossas dúvidas, o estilhaçar das nossas seguranças, as dificuldades da nossa comunhão, a nossa exclusiva autoconfiança, a representação que fazemos de Deus, as resistências ao sentido de pertença à Igreja, a nossa vivência dos sacramentos por tradição, as eucaristias distraídas, o sentido apenas abstrato da nossa vocação à santidade, as nossas dificuldades em rezar, dificuldades silenciosamente vividas, vividas a par dos ritos cristãos mas dando sempre corpo às nossas escolhas… tudo isto, e o mais que quisermos acrescentar, não nos deixa aquela sensação de que o agnosticismo também ataca fortemente o coração da nossa própria fé cristã? E nos tira força, e nos faz esmorecer na alegria de sermos cristãos e no entusiasmo da primeira hora?
Tempo de descobrir e redescobrir Jesus Cristo, de reavivar a fé, de refontalizar as nossas vidas, a Quaresma é tempo de descobrir e redescobrir a essência do Cristianismo (cf. Elmar Salmann). Crês em Jesus Cristo!? Creio! Firmemente!
Quaresma é, por isso, o tempo favorável da abertura do nosso coração a Deus: uma oração mais confiante, uma simplicidade mais natural, uma partilha mais alegre, a ensinar e a viver também em família. Deus espera por nós! Os outros esperam por nós. E nós temos necessidade de reavivar a fé para não perdermos o sentido da vida e da nossa integração na Igreja.
Destinamos 75% da Renúncia Quaresmal deste ano para a construção de um Centro de Saúde na Arquidiocese de Kananga, Província do Kasai Central na República Democrática do Congo. O objetivo deste Centro de Saúde é, sobretudo, socorrer as crianças roubadas às famílias e usadas como soldados ou que perderam os seus pais na guerra. Temos na nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco um sacerdote desse país a trabalhar na zona pastoral de Nisa. Aí, nesse país, “as pessoas que acreditam demonstram uma grande fé no Senhor da vida” a quem gritam “na dor e na angústia”, mas as atrocidades, os massacres, a instabilidade e o sofrimento são enormes, agravados ainda com as carências de todo o tipo. O próprio Papa Francisco, tendo em mente a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, convocou uma jornada mundial de oração e jejum pela paz, a 23 de fevereiro, primeira sexta-feira da Quaresma, à qual não devemos ficar indiferentes. Os outros 25% da Renúncia Quaresmal destinam-se ao Fundo Social Diocesano gerido pela Cáritas, um Fundo que prestou todo o seu apoio à reconstrução, e a outros gastos inerentes, de 14 casas de primeira habitação ardidas nos incêndios do verão passado na nossa Diocese, na zona do Pinhal. A todo o momento surgem novas necessidades na Diocese.

Antonino Dias
Bispo Diocesano

Aí vai a foto

É assim o Facebook! Conversa de café ou parecida... Mas sentimo-nos próximos, o que é muito bom!

E tudo porque o Ant. Henriques não apareceu com a foto. O Pires Antunes enviou-a para o José Maria Lopes, que foi celebrar o aniversário connosco. Como podia eu atender ao pedido?

Parr18.JPG

 

 

Joaquim Mendeiros Pedro E como correu o almoço de ontem na Parreirinha?

 

Animus Semper Antigos Alunos Nove caras simpáticas, sempre com novidades, o Figueira enérgico, o Manel Pereira mais estabilizado em saúde, o José Jose Maria Lopes entusiasta, o António Henriques tb presente, etc... Comeram peixe por respeito à quadra! E lembraram os ausentes.

 

Manel Pires Antunes Por referires o almoço de ontem, que correu muito bem, digo-te que na Congregação das freirinhas de Linda a Pastora, comemos talvez o melhor almoço, comparando com os anteriores. Estavam muito bons os pratos. O Tonho Henriques ficou de publicar a foto de ontem. Ainda vai aparecer, com certeza.
 
Joaquim Mendeiros Pedro Tens razão, Manel. As freiras estiveram muito bem. Gostei de ambos os pratos. Um dia vamos lá comer sável frito!

Parabéns aos dois!

Luis Rom. Matos.jpg

Hoje, são dois a celebrar mais uma primavera!

 

Nascido em 17-02-1955, apresenta-se o Luís Romão de Matos, de Oleiros e a viver em Lisboa, contactável pelo tel. 962 913 070 

Vemo-lo muito pelo Facebook. Esperamos encontrá-lo um dia destes... 

 

 

João m Gregório.jpg

 

 

 

Também no dia 17 de Fevereiro, mas de 1944, nasce o João Mendes Gregório, um sportinguista militante, de quem gostamos (e não só pelo clube). Vimo-lo pela última vez no Magusto da Senhora da Rocha. É de Monfortinho (creio eu) e vive no Barreiro.

Não temos n.º de telefone. Qualquer dia aparecerá.

 

Aos dois amigos, MUITOS PARABÉNS e que a vida vos continue a sorrir por muitos anos em saúde, alegria e amizades.

 

Relatório e Contas do Encontro

Avatar nosso.PNG

 

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DOS SEMINÁRIOS DA DIOCESE DE

PORTALEGRE E CASTELO BRANCO

COMISSÃO ANTIGOS ALUNOS SPCB

(comasalpcb@gmail.com)

(asal.mail@sapo.pt)

 

 

BREVE RELATÓRIO E CONTAS DO ENCONTRO DE LINDA-A-PASTORA - 3 de FEVEREIRO DE 2018

 

Caros Associados e Amigos,

Mendeiros1.jpg

 

A Comissão Administrativa da nossa Associação promoveu em Linda-a-Pastora mais um Encontro dos seus membros e amigos, para o qual contava com 70 inscrições, tendo afinal registado a presença de 61 participantes, por impossibilidade de comparência dos restantes, devido, sobretudo, a razões de saúde dos próprios e/ou de familiares. A todos o nosso obrigado e a certeza de que continuaremos a dar o nosso melhor pela Associação e para que o próximo Grande Encontro do final do nosso mandato, em 19 de maio deste ano de 2018, no Seminário de Portalegre possa continuar a aglutinar os antigos alunos de boa vontade, em espírito de amizade.

O programa foi cumprido, totalmente, e decorreu num ambiente de grande cordialidade e alegria, sendo de realçar, por elementar justiça e como gesto de gratidão, o seguinte:

- As palavras amigas do Senhor Pe Lúcio Alves Nunes que nos vem acompanhando sistematicamente nos grandes Encontros, na eucaristia que concelebrou com o Senhor Pe António Martins Cardoso que já havia estado connosco em Marvão, lembrando na homilia a necessidade de pararmos um pouco para pensar, nesta vida frenética que vivemos de forma acelerada, como forma de nos reencontrarmos com os outros e connosco mesmos; 

- A presença do Senhor Pe Cardoso, ela própria um testemunho da vivência entre gerações de antigos alunos, e de professores e alunos, que pretendemos com estes Encontros, com a gratificante afirmação de que não esquecemos aqueles que de nós mais carecem de ajuda, dedicação e afetos, muitos já para além dos oitenta anos de idade, e que foi oportunamente aproveitada pelo António Colaço para reportar algumas das suas memórias com os condiscípulos de 1963, José Maria Martins, Armindo Dias e José Cardoso Pedro. 

- A prestimosa colaboração do José Centeio que nos traçou uma panorâmica geral sobre a problemática do microcrédito e o direito à cidadania económica de pessoas em situação de vulnerabilidade mas com capacidades empreendedoras para desenvolverem pequenos negócios, como desenvolvimento das ideias sociais nascidas, modernamente, da criatividade do Prof. Muhammad Yunus, economista e banqueiro do Bangladesh laureado com o Prémio Nobel da Paz em 2006.

- A presença do João Oliveira Lopes que nos fez a apresentação do livro “Salazar e a Escola Primária” da autoria do Florentino Vicente Beirão, também ele presente no auditório, fazendo ambos uma rememoração dos nossos tempos de alunos da escola primária, agora à luz de uma perspetiva política e sociológica do país mais atualista e corporizada no distrito de Castelo Branco, acompanhando os caminhos paralelos e complementares entre o Estado Novo e a Igreja como segmentos constitutivos da formação dos jovens estudantes da escola primária da nossa geração. 

- Durante os trabalhos usaram, também, da palavra, o Presidente João Heitor que abriu a sessão, o Joaquim Mendeiros Pedro que fez uma antevisão do Encontro de 19 de maio, em Portalegre, e o Manuel Carrilho Bugalho, que nos entoou uma breve cantiga do nosso tempo de escola primária.

 

Como é habitual e de justiça, é tempo de deixar, aqui, algumas palavras de apreço e agradecimento: Uma para o Pe Lúcio e para o Pe Cardoso pela presença e colaboração, vindo ambos para a concelebração da missa e participação ativa nos nossos trabalhos; outra, para o António Lopes que com tão boa vontade voltou a transportar o Pe Lúcio e o Pe Cardoso, entre a Sertã e Lisboa e regresso; uma terceira para o José Centeio, João Oliveira Lopes e Florentino Beirão, pelo alto nível das colaborações prestadas na Sessão; uma quarta para o António Colaço (também pela reportagem do Pe Cardoso) e para o Manuel Pires Antunes que se encarregaram do órgão e dos cânticos; uma quinta para os nossos fotógrafos de serviço, José Ventura e António Eduardo; uma sexta para o João Chambel que nos brindou com as suas Tisanas, ao lanche; uma sétima palavra para os nossos Presidente e Vice-presidente, João Heitor e Joaquim Nogueira, bem como para o José Andrade, ativos colaboradores na cobrança dos débitos e para as Irmãs da Congregação que foram de uma simpatia inexcedível, e uma oitava para o nosso bloguer e facebookiano, António Henriques que se aventurou na reportagem vídeo, com inteiro sucesso, e nos ofertou uma garrafa de Whisky.

Finalmente, uma outra, muito sentida, de reconhecimento, a todos os presentes, que envolvemos num grande abraço, onde incluímos aqueles que, por razões várias, não puderam estar connosco, embora querendo, e a quem especialmente é dirigido este apontamento de reportagem, bem como àqueles (muitos) que por e-mail, telefone, SMS e facebook, nos desejaram um bom convívio. 

Bem hajam.

A título informativo, damos conhecimento das contas, pela forma seguinte:

 

R E C E I T A 

Inscrições                                                                                                   885,00 €

Quotização/2018                                                                                         394,00

                                                                                        Soma              1.279,00 €

 

D E S P E S A

Almoço e salão                                                                710,00 €

  

SALDO POSITIVO                                                         +569,00 €

 

Saudações Associativas 

P’ Comissão Administrativa, em 16 de Fevereiro de 2018

Joaquim Mendeiros

(Vogal secretário)

Salazar e a Escola Primária - 3

J.Lopes.jpg

Dos caps 4.º ao 16, o livro ocupa-se da Escola Primária salazarista em todos os seus aspetos organizativos e programáticos em estreita ligação  com a sociedade, os planos de fomento e as campanhas de alfabetização cujos resultados, apesar de positivos, nunca alcançaram a escala grandiosa  do SPN.  Mas convinha exagerá-los para   consumo interno e externo. A velha chaga  do analfabetismo, marca da 1ª República,  essa vergonha internacional, fora quase debelada pelo génio do fundador do Estado Novo, que se pretendia ser uma réplica do fundador da nacionalidade.

Os professores

Fruto de uma exaustiva  investigação,  o livro dá-nos a conhecer dezenas de decretos-leis e portarias  que se amontoavam na secretária do Diretor regional, que tinha de as fazer cumprir num curto prazo,  sobrecarregando os professores de trabalho burocrático, como é largamente explanado no cap.V ”Burocracia e repressão.”

 Entre as muitas contradições do regime no tocante ao estatuto dos professores, socialmente valorizados mas injusta e humilhantemente mal pagos, alinha-se mais esta da autoria do ministro Carneiro Pacheco: “ O professor não é um burocrata, mas um modelador de almas e de  portugueses” (p.151)   E esta outra de um decreto-lei:  Os professores devem ser, ao mesmo tempo,  burocratas disciplinados e disciplinadores, mestres, educadores e apóstolos”.   E tantas, tantas contradições que até parece que o regime de Salazar escolheu a classe dos professores para bode  expiatório  das perversões de uma ideologia a raiar os limites do  totalitarismo, entrevisto, aliás, nas conversas privadas do Senhor Cardeal Patriarca: «Cuidado, António, olha que o totalitarismo é  igual ao  comunismo, uma heresia excomungada pela Igreja».  Mas será que o homem que ambicionava ser primeiro-ministro de um Governo de um rei absoluto,  ainda estaria disposto a ouvir os conselhos do amigo?

 Poder ditatorial

Numa manha de janeiro de 1928, o jovem professor Salazar teve um encontro com o P. Mateo que viera a Portugal difundir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ( FLOR: p.36)  O sacerdote, conselheiro do papa Pio XI, fixou-o e disse: 

“ A mim não me enganas. Por detrás desta frieza, há uma ambição insaciável. És um vulcão de ambições.”  E assim foi toda vida.. submetendo com astúcia todos os outros poderes, mesmo os espirituais,  consciente  do seu papel transcendente e providencial na História.  Tarde a Igreja reconheceu o seu engano  e demasiado tarde nós o aceitámos, abdicando da nossa cidadania, até ao declínio do Império, amordaçados por um destino que, se não perdoa os excessos de liberdade, muito  menos se compraz com a submissão bajulatória dos escravos.  Equilíbrio e sentido de medida são a regra estoica  que Ricardo Reis nos ensinou. “ Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui…”  Poema publicado na "Presença" no fatídico ano da aprovação por plebiscito da Constituição Corporativa que nos roubou a liberdade!

 Finalmente, a excelente Bibliografia de mais de 60 documentos compulsados com o gosto e o prazer do texto com que o Florentino construiu este belo Livro, que, durante muito tempo lhe pulsou nas veias e que ele tinha de libertar com a sua expressão escrita a um tempo simples e solene, correta sem ser barroca, pedagógica sem ser enfadonha. Acresce que a sinopse ou  tábua cronológica é do melhor que tenho lido,  por ser tão completa e clarificadora.

           Ad multos annos. Valete, fratres!

 

                                                                    Coimbra,1 de fevereiro de 2018

                                                                                                                              João Lopes

Salazar e a Escola Primária - 2

J.Lopes.jpg4 - Estrutura do Livro:

 

1.ª Parte:   do 1.º ao 3.º caps:  

- a biografia breve de Salazar de 60 páginas de densa informação.   Sintetizar uma vida, recheada de peripécias,  pessoais e políticas, em tão curto espaço textual, afigura-se-me quase um milagre de escrita, mau grado as inevitáveis lacunas e elipses que um discurso deste tipo apresenta  e que o leitor poderá completar com as obras da bibliografia. Mas na obra do Florentino está o essencial, sem esquecer “ As paixonetas de Oliveira Salazar ( pp. 79-80),  caindo assim por terra o mito da renúncia ao casamento  para se dedicar total e  exclusivamente  ao serviço da Pátria querida - um mito forjado pela imaginação surrealista de António Ferro,  o responsável-mor  do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN, 1933), agente principal do processo de mitificação da pessoa do Chefe e da salazarização da sociedade que, ajoelhada, participava na liturgia secularizante do culto da personalidade do homem que, em certos momentos celebrativos, se esquecia das suas origens humildes. Por  alguma razão, a Igreja não conseguiu pôr o nome de “Deus na Constitução”  apesar de Salazar e o seu regime declararem  a fé do Povo como o baluarte da civilização cristã.

O 3.º capítulo merece uma leitura atenta. É talvez um dos mais bem conseguidos, a par de outros como o 14  o 15, se bem que em todos eles podemos respigar elementos novos que muito nos ajudam a formar uma ideia mais exata e fidedigna da ideologia e realizações do Estado Novo, graças ao espírito crítico  e à fina interpretação dos factos  de que o autor dá sobejas provas.  Vou apenas anunciar uns tantos  dos 12 ou 13 pilares que podem explicar a longevidade do regime:

SalazarAntonioFerro.jpg

a) - O apoio da Igreja, que desde a 1.ª hora, o acarinhou como o seu Salvador contra os excessos jacobinos do período afonsista;

b) - A União Nacional (1930), movimento  e não tanto um partido, muito ativo em períodos eleitorais, e criado justamente para legitimar eleitoralmente um regime que carecia de reconhecimento internacional;

 c) - A mocidade portuguesa e a legião, milícias paramilitares  que,  a partir de 1936, formaram a falange dos Viriatos, combatendo ao lado de Franco;

d) - O prestígio internacional de Salazar na forma como conseguiu uma neutralidade colaborante com a Inglaterra e Alemanha na 2.ª Guerra Mundial;

e) - E outros que o simpático leitor procurará deslindar…    António Ferro bate palmas a Salazar

 

Fernando-Pessoafoto.jpg

Entre o 1º e o 3º caps. intercala-se um que pessoalmente mais me apraz. Refiro-me a Fernando Pessoa (1888-1935) e Salazar, feito de SAL+AZAR. E que é um feliz corolário da biografia  do  nosso herói, agora transformado num  ilusionista  e um jogador maquiavélico na visão satírica de um poeta realista e visionário, de olhar rápido e percuciente  retratado aqui com a mesma finura do Padre Mateo em 1928.

 Salazar não foi a única vítima da  verve irónica e satírica do nosso poeta, que não poupou Afonso Costa e Bernardino Machado  nas suas Quadras e Outros cantares.  O grande Estadista de Santa Comba sai literalmente desfeito e enxovalhado nestes dichotes certeiros:  Coitadinho/ do tiraninho/ Não bebe vinho. Nem sequer sozinho…/ Bebe a verdade/ e a liberdade…” Note-se o equívoco verbal no uso do verbo “Beber” em sentido literal e figurado.  Bebe a verdade e a  liberdade, no sentido de “sugar” e que define, desde logo o seu despotismo narcisista e auto-iluminado.

(continua) 

João Lopes

Salazar e a Escola Primária - 1

J.Lopes.jpg

 "Salazar e a Escola Primária  IMG_20180130_170401.jpg

 Concelho de Castelo Branco"

 RJV- Editores da Câm. - Munic. de Castelo Branco, 413pp., 2017 ( 250 exemplares)

 

 1 - O título desta obra, a última saída da oficina de trabalho de Florentino V. Beirão, investigador incansável sobre os diversos aspetos da história regional e nacional,  indica, logo à partida, uma divisão em duas partes:  Salazar, vida e obra (1889-1970) e a Escola Primária, como instituição nacional, situada no Distrito de Castelo Branco, um distrito do Interior, que, apesar da distância do Centro do Poder,  nem por isso sentiu menos o peso burocrático e a vigilância apertada do governo de Lisboa.

   O período abrangido pelo estudo vai desde a ditadura militar de 1926 e a ditadura do Estado Novo (1932-33) até à morte de Salazar (1970). A atenção do historiador foca-se sobretudo nas décadas de 30 , 40 e 50,   em que o regime averba algumas grandes vitórias  nos planos político, diplomático, económico e cultural.   Quanto à década de 60,  anunciam-se as iniciativas de desenvolvimento  urbanístico e do lançamento de infra-estruturas nas Províncias do Ultramar, mas sem grandes delongas, dada a incerteza do momento  e do desfecho da Guerra  Colonial, desencadeada  por um Salazar já septuagenário.

2 - O Dr. Luís Correia, pres da Câmara, faz um breve apresentação, destacando o “ relevante  contributo ( desta obra) para a compreensão do papel da Escola Primária no nosso concelho, durante o Estado Novo” Vem depois a comovente dedicatória do autor ao seu irmão José Maria, falecido durante a 3ª classe”  e ao seu dedicado professor primário João Pedro Rodrigues.

3 - A Introdução (pp 13- 14) começa com uma citação do filósofo da cultura Lucien Fèbre: “ a ciência histórica  é uma operação de escolha e o ofício do historiador  é propiciar a compreensão do passado” e, por esta razão  se justifica a “escolha” do nosso autor em privilegiar a ação  de um homem-charneira, dotado de uma inteligência invulgar, uma mente brilhante, o verdadeiro arquiteto das estruturas  políticas e culturais do Portugal contemporâneo, levantando o país e a sociedade dos escombros da primeira experiência republicana. 

A sua obra, modelada pela ideologia nacionalista e autoritária daquele tempo, não morreu com ele. Nem com a revolução de abril.  Queiramos ou não, para o bem e para o mal, ainda hoje se observam  as suas  marcas e cicatrizes  na própria organização política e no pensamento e maneira de viver de muitos portugueses. ( ver p. 84 desta obra)  Por fim, o autor apela  à leitura da sua obra e a de outros com semelhante temática, como forma  de combater o esquecimento, a amnésia coletiva em que a nossa própria identidade se esfuma em lembranças esparsas e esbatidas. A citação oportuna de Herberto Hélder  vai neste sentido: “ a minha cabeça estremece com o esquecimento” e eu, com a devida vénia, trago para aqui um convite de Milan Kundera a incitar-nos  a lutar contra o tempo e o poder: “  A luta do homem contra o poder é a luta do homem contra o esquecimento”.

(continua)

                      João Lopes

Esta é a página 84, referida no texto.

pág.84.jpg

 

Amanhã começa o texto...

ATENÇÃO À NOVIDADE:

J.Lopes.jpg

 

 

O nosso amigo João Lopes já nos enviou uma súmula da sua alocução em Linda-a-Pastora sobre o livro do Florentino Beirão, intitulado Salazar e a Escola Primária".

Vamos distribuir o texto por dois ou três dias, para não maçar. Começamos amanhã.

Antecipadamente, agradeço ao João Lopes esta colaboração. AH

Aniversário

Eduardo.jpg

PARABÉNS, EDUARDO!

 

Neste 14 de Fevereiro de 1946, nasce no Tortosendo esta criança, a quem foi dado o nome de António Eduardo Santos Oliveira. Aposentado do seu trabalho nos hospitais, vive agora em Odivelas, dedicando-se particularmente aos convívios dos Serviços Sociais da Administração Pública, de que é um grande animador da vertente musical.

Nos nossos encontros, o Eduardo marca a sua contínua presença com a sua arte em fotografia, registando planos muito realistas, o que lhes dá uma vida e um realce especial.

Os encómios podiam não ficar por aqui. Mas fica o resto para outra vez. Assim,

PARABÉNS, AMIGO EDUARDO!  Desejamos-te muita saúde e alegria de viver. E continua a unir o grupo, pois só esse propósito vale a pena.

Contacto: tel.  918 302 410 

 

A ilustrar a sua actividade na vertente associativa, aqui deixamos este pequeno trecho da

"Morte, que mataste Lira..."

            

 https://www.facebook.com/EduardoOliv/videos/10211037580282564/ 

 

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    50. O
    51. N
    52. D