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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Salazar e a Escola Primária - 3

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Dos caps 4.º ao 16, o livro ocupa-se da Escola Primária salazarista em todos os seus aspetos organizativos e programáticos em estreita ligação  com a sociedade, os planos de fomento e as campanhas de alfabetização cujos resultados, apesar de positivos, nunca alcançaram a escala grandiosa  do SPN.  Mas convinha exagerá-los para   consumo interno e externo. A velha chaga  do analfabetismo, marca da 1ª República,  essa vergonha internacional, fora quase debelada pelo génio do fundador do Estado Novo, que se pretendia ser uma réplica do fundador da nacionalidade.

Os professores

Fruto de uma exaustiva  investigação,  o livro dá-nos a conhecer dezenas de decretos-leis e portarias  que se amontoavam na secretária do Diretor regional, que tinha de as fazer cumprir num curto prazo,  sobrecarregando os professores de trabalho burocrático, como é largamente explanado no cap.V ”Burocracia e repressão.”

 Entre as muitas contradições do regime no tocante ao estatuto dos professores, socialmente valorizados mas injusta e humilhantemente mal pagos, alinha-se mais esta da autoria do ministro Carneiro Pacheco: “ O professor não é um burocrata, mas um modelador de almas e de  portugueses” (p.151)   E esta outra de um decreto-lei:  Os professores devem ser, ao mesmo tempo,  burocratas disciplinados e disciplinadores, mestres, educadores e apóstolos”.   E tantas, tantas contradições que até parece que o regime de Salazar escolheu a classe dos professores para bode  expiatório  das perversões de uma ideologia a raiar os limites do  totalitarismo, entrevisto, aliás, nas conversas privadas do Senhor Cardeal Patriarca: «Cuidado, António, olha que o totalitarismo é  igual ao  comunismo, uma heresia excomungada pela Igreja».  Mas será que o homem que ambicionava ser primeiro-ministro de um Governo de um rei absoluto,  ainda estaria disposto a ouvir os conselhos do amigo?

 Poder ditatorial

Numa manha de janeiro de 1928, o jovem professor Salazar teve um encontro com o P. Mateo que viera a Portugal difundir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus ( FLOR: p.36)  O sacerdote, conselheiro do papa Pio XI, fixou-o e disse: 

“ A mim não me enganas. Por detrás desta frieza, há uma ambição insaciável. És um vulcão de ambições.”  E assim foi toda vida.. submetendo com astúcia todos os outros poderes, mesmo os espirituais,  consciente  do seu papel transcendente e providencial na História.  Tarde a Igreja reconheceu o seu engano  e demasiado tarde nós o aceitámos, abdicando da nossa cidadania, até ao declínio do Império, amordaçados por um destino que, se não perdoa os excessos de liberdade, muito  menos se compraz com a submissão bajulatória dos escravos.  Equilíbrio e sentido de medida são a regra estoica  que Ricardo Reis nos ensinou. “ Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui…”  Poema publicado na "Presença" no fatídico ano da aprovação por plebiscito da Constituição Corporativa que nos roubou a liberdade!

 Finalmente, a excelente Bibliografia de mais de 60 documentos compulsados com o gosto e o prazer do texto com que o Florentino construiu este belo Livro, que, durante muito tempo lhe pulsou nas veias e que ele tinha de libertar com a sua expressão escrita a um tempo simples e solene, correta sem ser barroca, pedagógica sem ser enfadonha. Acresce que a sinopse ou  tábua cronológica é do melhor que tenho lido,  por ser tão completa e clarificadora.

           Ad multos annos. Valete, fratres!

 

                                                                    Coimbra,1 de fevereiro de 2018

                                                                                                                              João Lopes

Salazar e a Escola Primária - 2

J.Lopes.jpg4 - Estrutura do Livro:

 

1.ª Parte:   do 1.º ao 3.º caps:  

- a biografia breve de Salazar de 60 páginas de densa informação.   Sintetizar uma vida, recheada de peripécias,  pessoais e políticas, em tão curto espaço textual, afigura-se-me quase um milagre de escrita, mau grado as inevitáveis lacunas e elipses que um discurso deste tipo apresenta  e que o leitor poderá completar com as obras da bibliografia. Mas na obra do Florentino está o essencial, sem esquecer “ As paixonetas de Oliveira Salazar ( pp. 79-80),  caindo assim por terra o mito da renúncia ao casamento  para se dedicar total e  exclusivamente  ao serviço da Pátria querida - um mito forjado pela imaginação surrealista de António Ferro,  o responsável-mor  do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN, 1933), agente principal do processo de mitificação da pessoa do Chefe e da salazarização da sociedade que, ajoelhada, participava na liturgia secularizante do culto da personalidade do homem que, em certos momentos celebrativos, se esquecia das suas origens humildes. Por  alguma razão, a Igreja não conseguiu pôr o nome de “Deus na Constitução”  apesar de Salazar e o seu regime declararem  a fé do Povo como o baluarte da civilização cristã.

O 3.º capítulo merece uma leitura atenta. É talvez um dos mais bem conseguidos, a par de outros como o 14  o 15, se bem que em todos eles podemos respigar elementos novos que muito nos ajudam a formar uma ideia mais exata e fidedigna da ideologia e realizações do Estado Novo, graças ao espírito crítico  e à fina interpretação dos factos  de que o autor dá sobejas provas.  Vou apenas anunciar uns tantos  dos 12 ou 13 pilares que podem explicar a longevidade do regime:

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a) - O apoio da Igreja, que desde a 1.ª hora, o acarinhou como o seu Salvador contra os excessos jacobinos do período afonsista;

b) - A União Nacional (1930), movimento  e não tanto um partido, muito ativo em períodos eleitorais, e criado justamente para legitimar eleitoralmente um regime que carecia de reconhecimento internacional;

 c) - A mocidade portuguesa e a legião, milícias paramilitares  que,  a partir de 1936, formaram a falange dos Viriatos, combatendo ao lado de Franco;

d) - O prestígio internacional de Salazar na forma como conseguiu uma neutralidade colaborante com a Inglaterra e Alemanha na 2.ª Guerra Mundial;

e) - E outros que o simpático leitor procurará deslindar…    António Ferro bate palmas a Salazar

 

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Entre o 1º e o 3º caps. intercala-se um que pessoalmente mais me apraz. Refiro-me a Fernando Pessoa (1888-1935) e Salazar, feito de SAL+AZAR. E que é um feliz corolário da biografia  do  nosso herói, agora transformado num  ilusionista  e um jogador maquiavélico na visão satírica de um poeta realista e visionário, de olhar rápido e percuciente  retratado aqui com a mesma finura do Padre Mateo em 1928.

 Salazar não foi a única vítima da  verve irónica e satírica do nosso poeta, que não poupou Afonso Costa e Bernardino Machado  nas suas Quadras e Outros cantares.  O grande Estadista de Santa Comba sai literalmente desfeito e enxovalhado nestes dichotes certeiros:  Coitadinho/ do tiraninho/ Não bebe vinho. Nem sequer sozinho…/ Bebe a verdade/ e a liberdade…” Note-se o equívoco verbal no uso do verbo “Beber” em sentido literal e figurado.  Bebe a verdade e a  liberdade, no sentido de “sugar” e que define, desde logo o seu despotismo narcisista e auto-iluminado.

(continua) 

João Lopes

Salazar e a Escola Primária - 1

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 "Salazar e a Escola Primária  IMG_20180130_170401.jpg

 Concelho de Castelo Branco"

 RJV- Editores da Câm. - Munic. de Castelo Branco, 413pp., 2017 ( 250 exemplares)

 

 1 - O título desta obra, a última saída da oficina de trabalho de Florentino V. Beirão, investigador incansável sobre os diversos aspetos da história regional e nacional,  indica, logo à partida, uma divisão em duas partes:  Salazar, vida e obra (1889-1970) e a Escola Primária, como instituição nacional, situada no Distrito de Castelo Branco, um distrito do Interior, que, apesar da distância do Centro do Poder,  nem por isso sentiu menos o peso burocrático e a vigilância apertada do governo de Lisboa.

   O período abrangido pelo estudo vai desde a ditadura militar de 1926 e a ditadura do Estado Novo (1932-33) até à morte de Salazar (1970). A atenção do historiador foca-se sobretudo nas décadas de 30 , 40 e 50,   em que o regime averba algumas grandes vitórias  nos planos político, diplomático, económico e cultural.   Quanto à década de 60,  anunciam-se as iniciativas de desenvolvimento  urbanístico e do lançamento de infra-estruturas nas Províncias do Ultramar, mas sem grandes delongas, dada a incerteza do momento  e do desfecho da Guerra  Colonial, desencadeada  por um Salazar já septuagenário.

2 - O Dr. Luís Correia, pres da Câmara, faz um breve apresentação, destacando o “ relevante  contributo ( desta obra) para a compreensão do papel da Escola Primária no nosso concelho, durante o Estado Novo” Vem depois a comovente dedicatória do autor ao seu irmão José Maria, falecido durante a 3ª classe”  e ao seu dedicado professor primário João Pedro Rodrigues.

3 - A Introdução (pp 13- 14) começa com uma citação do filósofo da cultura Lucien Fèbre: “ a ciência histórica  é uma operação de escolha e o ofício do historiador  é propiciar a compreensão do passado” e, por esta razão  se justifica a “escolha” do nosso autor em privilegiar a ação  de um homem-charneira, dotado de uma inteligência invulgar, uma mente brilhante, o verdadeiro arquiteto das estruturas  políticas e culturais do Portugal contemporâneo, levantando o país e a sociedade dos escombros da primeira experiência republicana. 

A sua obra, modelada pela ideologia nacionalista e autoritária daquele tempo, não morreu com ele. Nem com a revolução de abril.  Queiramos ou não, para o bem e para o mal, ainda hoje se observam  as suas  marcas e cicatrizes  na própria organização política e no pensamento e maneira de viver de muitos portugueses. ( ver p. 84 desta obra)  Por fim, o autor apela  à leitura da sua obra e a de outros com semelhante temática, como forma  de combater o esquecimento, a amnésia coletiva em que a nossa própria identidade se esfuma em lembranças esparsas e esbatidas. A citação oportuna de Herberto Hélder  vai neste sentido: “ a minha cabeça estremece com o esquecimento” e eu, com a devida vénia, trago para aqui um convite de Milan Kundera a incitar-nos  a lutar contra o tempo e o poder: “  A luta do homem contra o poder é a luta do homem contra o esquecimento”.

(continua)

                      João Lopes

Esta é a página 84, referida no texto.

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Amanhã começa o texto...

ATENÇÃO À NOVIDADE:

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O nosso amigo João Lopes já nos enviou uma súmula da sua alocução em Linda-a-Pastora sobre o livro do Florentino Beirão, intitulado Salazar e a Escola Primária".

Vamos distribuir o texto por dois ou três dias, para não maçar. Começamos amanhã.

Antecipadamente, agradeço ao João Lopes esta colaboração. AH

Aniversário

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PARABÉNS, EDUARDO!

 

Neste 14 de Fevereiro de 1946, nasce no Tortosendo esta criança, a quem foi dado o nome de António Eduardo Santos Oliveira. Aposentado do seu trabalho nos hospitais, vive agora em Odivelas, dedicando-se particularmente aos convívios dos Serviços Sociais da Administração Pública, de que é um grande animador da vertente musical.

Nos nossos encontros, o Eduardo marca a sua contínua presença com a sua arte em fotografia, registando planos muito realistas, o que lhes dá uma vida e um realce especial.

Os encómios podiam não ficar por aqui. Mas fica o resto para outra vez. Assim,

PARABÉNS, AMIGO EDUARDO!  Desejamos-te muita saúde e alegria de viver. E continua a unir o grupo, pois só esse propósito vale a pena.

Contacto: tel.  918 302 410 

 

A ilustrar a sua actividade na vertente associativa, aqui deixamos este pequeno trecho da

"Morte, que mataste Lira..."

            

 https://www.facebook.com/EduardoOliv/videos/10211037580282564/ 

 

Aniversário

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PARABÉNS, ANTÓNIO!

 

Vindo dos idos de 1947, aqui está o nosso amigo António Martins Ribeiro, a viver em Roda, Cardigos, reformado das Alfândegas, interventivo q.b. nas muitas questões que dominam as redes sociais e algumas delas cheias de pertinência, como o caso dos fogos, da poluição e não sei que mais. Mas, acima de tudo, é agricultor por gosto pessoal e orgulha-se das suas produções. Como ele diz, «   Quanto mais velho, mais gosto das minhas culturas agrícolas.»

Aqui estamos a dar-lhe os nossos PARABÉNS em nome deste grupo grande, tocado pela vivência dos seminários, e que ele frequenta animadamente. Que Deus te abençoe e te cumule de muita saúde e felicidade, na companhia de familiares e amigos.

Contacto: tel. 969 166 762

Ainda o Encontro de Linda-a-Pastora

Palavras do João Lopes

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Embora a gravação à distância não permita uma fácil audição, avanço com o vídeo de alguns momentos da palestra do João Lopes, que foi muito elogiada. Penso que a audição por auscultadores é melhor.

As preocupações do momento não me permitiram gravar qualquer momento das palavras do José Centeio, mas, depois do vídeo, podemos ler um conjunto importante de informações sobre a Associação Nacional de Direito ao Crédito, a que está ligado o nosso amigo. AH

 

 

 

Associação Nacional de Direito ao Crédito

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A nossa Missão

- Promover o empreendedorismo inclusivo, visando a criação de emprego e o exercício generalizado da cidadania económica.

- Apoiar os microempresários na concretização da ideia de negócio, na mediação com entidades bancárias para obtenção de microcrédito e no desenvolvimento da sua atividade.

A nossa visão

Contribuir de uma forma cada vez mais efetiva para uma sociedade que assegure o direito à cidadania económica, solidária e responsável.

Público-Alvo

Pessoas em situação de vulnerabilidade, com limitações de acesso ao crédito bancário, mas com capacidades empreendedoras para desenvolver um pequeno negócio, que lhes permita responder às suas necessidades de autonomia e de realização pessoal, garantindo a sua sustentabilidade financeira e económica e a do seu agregado familiar.

O que fazemos

- Criamos oportunidades a quem queira criar um pequeno negócio ou o seu próprio emprego:

Total de Negócios apoiados (1998-2016):   2 250

Total de Postos de Trabalho Criados (1998-2016):   2 500

Total de Crédito Concedido (1998-2016):   14 645 353€

 

E mais:

Avaliamos a viabilidade da ideia de negócio;

Trabalhamos a ideia com o promotor

Elaboramos com o próprio o Plano de Negócios

Preparamos o dossiê para financiamento

Credibilizamos e Avalizamos o dossiê junto da Instituição Financeira

Apoiamos a implementação do negócio

Acompanhamos o negócio até ao reembolso total do financiamento.

Hans Küng e a eutanásia

Parece que é uma constatação:

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«...as pessoas que acompanharam as doenças terminais de pessoas queridas e assistiram ao seu sofrimento e degradação física refugiam-se num silêncio cúmplice de aceitação da eutanásia».

 

Uma oportuna reflexão do Mário Pissarra, sempre a pedir-nos para reflectir! AH

 

 Hans Küng é para mim um teólogo de referência. O nosso primeiro encontro teve um tema inicial privilegiado - as suas críticas à encíclica Humanae vitae de Paulo VI (1968), ainda em Portalegre. Quando cheguei a Valadares, tive oportunidade de ler uma das suas obras capitais: a "Igreja I e II" (da saudosa Moraes Editores). Dessa época ficou-me sempre a exigência do Vaticano II – Do regime de cristandade à abertura ao mundo, isto é, a passagem de uma mentalidade de cerco para uma valorização das realidades terrestres.

   Um dia em 1973, recém-chegado a Abrantes, o Pe. Henrique Pires Marques viu-me a ler um grosso volume de H. Küng sobre a filosofia hegeliana e a Encarnação (La Encarnación de Dios. Introducción al pensamento de Hegel como prolegómenos para una cristologia futura). Pediu-mo porque também gostaria de o ler. Quando mo devolveu, conversámos sobre o livro e ele confessou-me: «sabes, tenho pena de não ter mais preparação filosófica para o compreender bem».

            Passados uns anos, numa reunião de formadores de Filosofia em Fátima, ao almoço, a minha colega Maria José falou deste teólogo e eu alimentei a conversa e discuti, para espanto seu, algumas das suas teses ora mostrando acordo, ora levantando objeções. Expliquei-lhe, então, qual era a minha formação e ela confessou-me que gostaria muito de ter a sua obra - a Igreja, mas já não existia no mercado. Cheguei a Abrantes, peguei nos dois volumes e enviei-lhos. Passados uns tempos, muito agradecida, enviou-me o livro de Gaston Bachelard, Le Rationalisme Apliqué.

     Muito mais tarde, numa das reuniões no "Nova Aliança" (Jornal do Arciprestado de Abrantes), o meu amigo C. Barata Gil mostra-se também muito interessado em ler um livro de H. Küng de que tinha lido algumas referências. Pelo contexto, percebi que se tratava de uma obra célebre e volumosa – Existiert Gottt? (Deus existe?) que o autor resume assim: «através de uma revisão aprofundada da crítica clássica da religião nos séculos XIX e XX: a teoria da projeção de L. Feuerbach (na qual se baseiam a teoria do ópio de K. Marx e a teoria da ilusão de S. Freud) não é capaz de demonstrar que a vida eterna seja somente uma projeção do ser humano, uma vaga esperança interessada, uma ilusão infantil. Não poderia passar-se precisamente o contrário? Ou seja, não seria possível que fosse a negação ateia de uma vida eterna a basear-se numa projeção assente na crença na bondade da natureza humana (Feuerbach), na sociedade socialista (K. Marx) ou na ciência racional (Freud)?” (p. 114) Um belo dia, o Barata Gil lá ganhou coragem e disse-me que gostava muito de ter aquele livro que eu lhe tinha emprestado (a versão em castelhano). Ficou radiante quando lhe disse: pode ficar com ele! Passados uns tempos ofereceu-me um dicionário bíblico.

   Recentemente, li a seguinte referência num livro sobre a eutanásia (M. Oliveira, Eutanásia, Suicídio Ajudado, Barrigas de Aluguer. Para um debate de cidadãos da Caminho):

   Continuei a comprar as obras deste teólogo que encontrava em línguas que me permitissem a sua leitura. Recentemente encontrei  esta referência:

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“Daniel Callahan, um dos fundadores da Bioética, na sua recente autobiografia "In Search of the Good" admite que despenalizar a eutanásia seja um convite ao abuso.

   E Hans Küng, teólogo católico, doente e quase nonagenário, deseja para si mesmo (Glükcklich Sterben), se necessário, o suicídio medicamente assistido.

   Compreendo estas duas posições “ (p. 223) conclui este médico que já presidiu à Comissão Nacional de Ética.

   Esta semana encontrei o livro e li-o de imediato. O tema tem merecido a minha atenção desde que integrei a Comissão de Ética do Hospital de Abrantes. Ao ler o livro e as referências à morte do seu irmão e do seu amigo Walter Jens, cimentou em mim uma velha convicção: as pessoas que acompanharam as doenças terminais de pessoas queridas e assistiram ao seu sofrimento e degradação física refugiam-se num silêncio cúmplice de aceitação da eutanásia. Hans Küng tem a coragem de assumir uma posição de desafio à hierarquia, suportando todo o peso pelo que simboliza, ao assumir o modo como gostaria de morrer. Deixo-os com as suas palavras essenciais sobre o tema.

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ENTREVISTA

   Jornalista (A.W) -- Toda a gente sabe que Hans Küng é uma voz que tem criticado a Igreja, talvez a mais conhecida dessas vozes. E é verdade que critica a Igreja do interior da Igreja, como teólogo católico, mas também como sacerdote católico. Ora, a sua Igreja opõe-se decididamente a que uma pessoa possa determinar por si própria o momento de despedir-se da vida. A sua Igreja entende a vida como um dom de Deus. E, por conseguinte, considera que o suicídio nega o sim de Deus ao ser humano. É o que diz o catecismo. Assumir uma atitude diferente será para si levar a cabo, de uma maneira ou de outra, um último protesto perante a igreja oficial?

 

    Hans KüngEm primeiro lugar, creio que a direção da Igreja deveria esforçar-se por adotar uma atitude diferente perante a eutanásia. Não se trata apenas da congregação dos fiéis, há, parece-me, 77% dos seus membros que, segundo os inquéritos mais recentes levados a efeito na Alemanha, consideram justificado que, na última fase da sua vida, a pessoa possa, tendo em conta as circunstâncias, recorrer ao suicídio. Creio que a direção da Igreja tem simplesmente adiado a resposta ao problema, em termos de reflexão e decisão. Ao mesmo tempo, estou convencido, firmemente convencido, de que a vida é uma graça de Deus. A vida foi-me dada, não a adquiri por mim próprio. Como crente que sou, acredito que foi um dom que Deus me fez através dos meus pais, mas isso quer dizer que esse dom da graça de Deus significa, para mim, também responsabilidade. E o catecismo di-lo, sem dúvida, igualmente.

    Todos temos uma responsabilidade em relação à nossa vida. Porque deveria esta responsabilidade cessar na sua última fase? Para mim, continua a estar presente nesse momento, continuo a poder assumi-la também nessa fase da vida. Em ligação com isto,  deve dizer-se ainda o seguinte: se eu fosse um homem de quarenta anos, com família, mulher e filhos, e se sofresse um insucesso -- como, por exemplo, um fracasso rotundo na minha vida profissional --, não poderia então, despedir-me, pura e simplesmente da vida, sem me preocupar com os que ficassem. A nós, foi-nos concedido – e creio que a Igreja Católica o deveria considerar com clareza – um novo período de vida. Eu não me encontraria neste estado de saúde se não dispusesse de higiene, da medicina e de tudo o resto de que felizmente podemos dispor na atualidade. (pp. 28- 29)

   Nesta época Hans Küng estava perante um avanço incapacitante da doença de Parkinson. Superada essa crise e passados uns anos acrescentou:

    “Nada mudou no que se refere à atualidade e a urgência da minha posição central: cada indivíduo é responsável perante Deus e perante os seres humanos e tem igualmente o direito de decidir por si póprio da sua vida e da sua passagem para a morte. Esta autodeterminação parece-me bem fundamentada de um ponto de vista teológico e é necessária de um ponto de vista ético. Nos termos da minha convicção, quero assim, como declarei no prólogo, «contribuir para um processo de debate continuado através da voz de um teólogo cristão que se viu, ele próprio, existencialmente afetado pela problemática aqui tratada». Após a experiência vivida da crise, a minha atitude existencial é mais forte do que nunca e a minha convicção permanece inalterada. (p.136)

 

   A eutanásia vai estar dentro de pouco tempo em discussão entre nós. A nossa participação na discussão é um ato de cidadania de que não podemos ausentar-nos. O tema é controverso, mas não é a estratégia da avestruz ou a omissão que ajuda a enfrentá-lo.

 

 NOTA: Se ouvirem dizer que não é possível ter saudades de certos livros, não acreditem. Nunca me arrependi de os ter oferecido, mas sempre que o nome de Hans Küng surge, sinto nostalgia por já não ter estas duas obras. O mais grave: sei que não as voltaria a ler, como não reli nenhuma das outras. Não sei se é irracionalidade se um exacerbado sentido de posse. De livros – entenda-se …

 

Mário Pissarra

Mensagem poética

Publicamos com muito gostoMiquelina.jpg

 

 A Miquelina, esposa do nosso sempre presente Alexandre Nunes, de Castelo Branco, enviou-nos um powerpoint com uma reflexão poética sobre os nossos encontros. Tanta poesia, tanta jovialidade, tanta beleza não podiam ficar no correio electrónico. Aqui se publica, como mensagem de incentivo e esperança aos que saem de casa e abraçam os amigos. AH  

                                                                                                                                                                                                                                                                    Miquelina e Alexandre, atrás do Pissarra

 

 

A gripe e os nossos directos

Fui roubar o texto ao Facebook. Mas é assim que estamos depois do Encontro!!! AH

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Estou com gripe, desde terça-feira, dia 6 de fevereiro, de cama. Há que anos uma gripe não me empurrava para os lençóis, mas este vírus, aparentemente, fracote, obriga-me a descansar no quentinho. Talvez a vacina que eu nunca tomei me ajudasse, mas, enfim, este ano já não há hipótese. Tenho um amigo que me dá, com regaridade, uma receita caseira com gengibre, aguardente e mel, que eu nunca segui, porque me lembro sempre de uma outra que o meu pai me recomendava em criança e que uma vez experimentei, de vinho tinto quente com açúcar, que me fez encharcar lençóis e cobertores...
O Google tem receitas caseiras para tudo, mas eu não consigo abdicar dos comprimidos e xaropes...
Em tempos idos, pelos meus 12 anos, tive a meu cargo, no Gavião, um dúzia de enfermos, com gripe e " curava-os " a café com leite com bolachas "Maria" e aspirinas a todas as refeições, regulando as doses em função da febre que lhes "tirava" com um termômetro, tudo sob a supervisão do médico, claro.
A receita não deu os resultados esperados, e lá fomos todos para férias antes do tempo!
Já não foi mau!
Eu era o enfermeiro e tinha um ou dois ajudantes, conforme as necessidades, e nunca fiquei fã das mesinhas caseiras...mas, se calhar faço mal!
Abraços e as minhas melhoras.

Joaquim Mendeiros Pedro

NOTA: Claro, desejamos mesmo as tuas melhoras!

 

Por mim, preferi ir ver como estava o Algarve. Para já, mais frio que a minha casa. A descansar, vai-se experimentando a máquina. E consegui fazer o primeiro directo... Ir atrás dos saberes dos outros é uma boa maneira de também avançar. 

Basta clicar no link abaixo:

https://www.facebook.com/antonio.henriques.39/videos/10208556508629445/ 

 

Mais um aniversário

Olha quem ia ficar esquecido por não estar na lista!

PARABÉNS, JOSÉ MARIA!

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O nosso grande amigo e comensal de muitas sextas-feiras faz hoje 86 anos. O José Maria Lopes, reformado das lides jornalísticas no "Diário de Notícias", grande sabedor da gramática que sabe de fio a pavio (pudera, era ferramenta do seu ofício...), escolheu estes dias de frio para celebrar mais uma primavera.

Podias esperar mais um mesito, ter os dias mais quentinhos... Assim, nem apetece sair ao restaurante para comemorar.

Deixemos de conversa: vamos dar os nossos sinceros PARABÉNS ao José Maria e desejar-lhe ainda muitos anos de saúde e boa disposição para continuar a acompanhar-nos. Um amigo é um tesouro. AH

Contacto: tel. 918 576 413

Aniversário

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É muito bom fazer 42 anos!...

E quem é?

O Duarte Neves Pereira, nascido em 1976 em Oleiros, creio, onde ele vive hoje, segundo a sua página do Facebook.

Não temos mais referências, embora lhas tenha pedido pelo Messenger.

Damos muitos PARABÉNS A ESTE JOVEM, desejando-lhe um futuro risonho, cheio de saúde, felicidade e amigos. Um dia vamos encontrar-nos?      

As fichas da Pide

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Ouvir 1,25 m é pouco, mas diz qualquer coisa 

 

Depois da brilhante lição do João Lopes, que esperamos publicar um dia, interveio também o autor do livro "SALAZAR E A ESCOLA PRIMÁRIA...", o nosso amigo Florentino Beirão. 

Consegui gravar este trecho que aqui podeis ver. AH

 

 

 

 

 

O polémico Supernanny

Mais uma colaboração do Florentino, a cuja seriedade e saber já nos habituámos. Obrigado, AH

florent.jpg

 

Mensagem a acompanhar o texto:

«Caro Henriques

Tenho ficado extasiado com as reportagens do Animus que nos tens oferecido. Belíssimo!!!

Vou continuar à coca, diariamente, à espera de tudo o que se tenha passado em Linda-a-Pastora. Para mim, foi muito agradável passar esse dia com a nossa rapaziada..."pele com pele".

Sei que esta minha colaboração, perante as notícias deste encontro, poderá não ser oportuna. Gere como melhor entenderes.

Muito grato pelas reportagens. São mesmo para guardar.

Cordialmente...um abraço amigo

f. beirão»

 

Devassar a vida das crianças


Em má hora, o canal da SIC tem vindo a exibir a vida privada de crianças e famílias, num bizarro espetáculo semanal. Não é por acaso que o intenso debate sobre este programa, já fez correr rios de tinta. Qualquer cidadão de bom senso, sobretudo pais, no seu íntimo, terá já sentido um mal-estar ou um arrepio, perante cenas televisivas em que as crianças são expostas nas suas fragilidades. Birras, teimosias, indisposições, preguiça e tantos outros comportamentos
normais, para as suas tenras idades, são ali exibidos como se a criança fosse um bichinho do mato, um malcriado indomável.
Quanto a nós, o referido programa, não tem pretendido ser um momento de informação qualificada e séria, sobre a psicologia das crianças e de formação pedagógica dos pais, para lidar com os filhos. Pelo contrário, tem-se revelado um vergonhoso espetáculo televisivo, mostrando um mundo privado, completamente escancarado, uma espécie de um aterrador Big Brother orwelliano. Adeus liberdade e autonomia individual, valores inegociáveis, aqui espezinhados. Não bastando as novas redes sociais para diluir as fronteiras entre o privado e o público, vem agora um prestigiado meio de comunicação agredir princípios básicos da convivência humana, a troco não sabemos de que recompensas para os seus protagonistas.
Esquece-se que o exibicionismo sem pudor, da sagrada privacidade individual, pode resultar, mais tarde ou mais cedo, em nefandas consequências irreparáveis, para quem pratica este tipo de comportamentos, hoje tão usado nas redes sociais, sobretudo por jovens.
Ora, no referido programa, acontece que a criança indefesa não pôde exercer o direito de escolher a exibição da sua privacidade. Nem os seus pais têm o direito de escolher o que lhes aprouver para os seus filhos menores. Há limites que não se podem ultrapassar, sob pena de violar os direitos básicos e inalienáveis dos menores. Não é o caso das crianças revelarem publicamente, em festas da sua escola ou outras atividades lúdicas, as capacidades motoras ou
artísticas, exibidas perante os seus familiares e amigos.
Devo confessar que, do referido programa, apenas vi a cena em que se exibia uma criança a fazer uma prolongada birra, por não querer comer a sopinha. Quantos de nós não passámos já por experienciar esse tipo de comportamento conflituoso? Normalmente, os pais, na sua sabedoria natural, não fazem desta cena um drama diário que, porventura, ponha em causa a autoridade parental e a disciplina da criança. Pelo contrário, vão descobrindo estratégias, para  resolver este normal comportamento do filho. Há cantigas – Joana come a papa - livros com desenhos, o contar histórias, mil e uma maneiras de levar a água ao moinho, sem conflito pernicioso, entre as crianças e os seus pais ou educadores.
Porém, se não conseguirem resolver os problemas educativos, os pais têm hoje à sua disposição instituições sérias e credíveis, quer privadas quer públicas, para os poder ajudar. Até porque cada criança é uma pessoa, de tal modo única, que deverá ser educada e respeitada na sua individualidade, como ser humano único. O juiz Paulo Guerra, especialista na área da Proteção da Criança, sujeito de direitos, a este propósito, afirmou que “este programa televisivo viola a Convenção dos Direitos das Crianças”. Acrescentou ainda que acredita que “o Ministério Público avance com um procedimento cautelar, para proibir a emissão deste programa da SIC”. De facto, foi isso que já aconteceu. O
Ministério Público acaba de processar este canal, por crime de desobediência, uma vez que se recusou a atender o pedido da Proteção de Menores, referente a este programa. Felizmente, até ao dia 15 de fevereiro, esta ignóbil exploração comercial de crianças e famílias fragilizadas, encontra-se suspensa, por decisão judicial. Se tiver problemas com os seus filhos, se achar que não tem capacidade para os ir resolvendo, a melhor opção, quanto a nós, é solicitar ajuda a profissionais. As receitas simplistas do referido programa, são mais para espetáculo exibicionista televisivo do sofrimento privado de crianças, sem idade de consentimento, do que uma ajuda séria e pedagogicamente eficaz,
adaptada a cada caso. Cada criança é um mundo a compreender e a educar, com amor, carinho e dedicação. Exibirem o sofrimento de uma criança é que jamais deverá ser permitido.

 

florentinobeirao@hotmail.com

Aniversário

HOJE FAZ ANOS O MARTINS DA SILVA!MS.jpg

 

De seu primeiro nome António (só podia ser este!...), nasceu em 47 da centúria anterior, podia ter sido muitas coisas, dada a pluralidade de vocações para que tem jeito, mas a verdade é que se gastou a construir bairros, daqueles que hoje embelezam a minha terra. E ainda continua a brilhar noutras tarefas:

- gosta muito de conviver, estar no grupo...

- e canta! Pois, é verdade, nasceu com este dom, desenvolveu-o e ainda hoje nos delicia como elemento activo do Coral Stella Vitae, constituído por antigos alunos dos seminários.

 

Aqui deixamos os nossos parabéns e votos de longa vida com muita felicidade ao homenageado (contactável pelo 965 026 324).

 

 

 

07-02-47  António Martins da Silva                                          965 026 324

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