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Animus Semper

Aconteceu no domingo...

Roubei ao Jorge Calhas e penso que não é pecado... Ando à procura de quem escreve certos escritos, dos tais que puxam ao passado, ao gosto do humano, ao sabor a vida. Obrigado, Jorge! AH

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Confidenciei ao Padre Luis que tinha curiosidade de assistir à sua cerimónia de ordenação sacerdotal e por isso lhe pedia que me avisasse do dia da Sua Ordenação..

Domingo passado, pelas 11 horas, fiz o que muitas vezes fiz. Um dia de um calendário que a todos os instantes fazia desfilar no meu cérebro imagens quotidianas dos anos cinquenta e sessenta do século passado. Enfiei o carro pelo viaduto que passa da Nac 10 em direção à Cimpor. Dirigi para junto do Rio para meter pela Miguel Bombarda de onde avisto o clube Náutico. Regresso aos meus 15 anos quando insisto em ver se na Salvador Marques ainda lá existia o teatro, mas nada encontrei. Sabia que por ali alcançaria a Filipe dos Reis e num instante estaria na Igreja de S. João Batista. Depressa verifiquei que tudo estava como esteve, nos arrabaldes da igreja Matriz.

O Dommissa.jpgingo era especial, não é todos os anos que S. Eminência ali vai ordenar um Sacerdote. A escola Primária dos meus 6 aos 10 anos lá estava enfiada na encosta que galga até ao templo, que lá do cimo apazigua toda a Alhandra. Tudo estava igual, escadaria da Igreja, guarda-ventos, as portas imponentes de entrada, a coxia, o cheiro a incenso e as três grandes naves divididas por poderosas colunas que, em cima, traçam ogivas entre si acolhendo num ar fresco e leve as mentes que se proponham fazer meditação (oração), sei que é diferente, mas foi o que sempre fiz. Orar não é comigo, daí a minha iliteracia eclesiástica. Subi as mesmas escadas que acessam ao sino da igreja e de caminho nos disponibilizam o espaço onde o meu Amigo Júlio fazia o órgão abanar ouvidos ainda a tecer-se de outros ares de ideias pouco propensas à colheita da palavra de Deus. Mas porventura, como dizia S.Eminência, tudo é consequência da eficácia duma palavra de forte impacto, um daqueles que apaga todas as outras, dando vias à Santa Fé. Antes não tivesse sido treinado no seminário ao uso do pensamento nos dias de solilóquio de retiro espiritual. “Isso pensem no que quiserem, mas nem um pio se pode ouvir!!”

Mas valeu a pena ouvir S. Eminência falar sobre Abraão e Isaac, o Paulo mais a epístola dos romanos. Mas valeu mais ouvir falar de Jesus o Cristo, o único homem que até hoje na história sapiens falou de emancipação humana, libertação das mentes aos grilhos do poder sádico do Velho do Restelo. Mas e sobretudo ver toda a gente se olhar e cumprimentar o seu irmão do lado, tal Jesus lho mandara. Estou velho… no meu tempo não havia isso… nem havia estas teclas do riso escondido no emotivo da palavra teclada. A palavra ia aos ouvidos e olhos das pessoas. Era outra palavra.. outros tempos.

Luís, muita sorte e inspiração é o que te desejo para ensinares os caminhos que Jesus apontou como sendo os da Concórdia e Paz.

Jorge Calhas

Escrevam, escrevam...

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«... a evocação de algo que me reconforta o espírito no meio desta confusão em que se transformou este mundo cujos tempos ora decorrem.»

 

O TECTO DO MEU QUARTO

 

     Hoje deu-me para aqui. Decidi recordar o meu passado de modo a que dele possa retirar um episódio, um facto ou um acontecimento que tenha marcado de algum modo a minha personalidade ou, pelo menos, me faça reviver através da evocação da minha vida que, como qualquer vida, teve o seu percurso natural, que nunca poderia ser outro, porque só há uma vida, aquela que vivemos e nunca outra que erradamente pensamos que poderíamos ter vivido. Chamemos-lhe destino ou o que quisermos, mas, neste caso, a realidade é intransponível.

        Porém, o que à partida me parecia fácil, transformou-se em coisa difícil, e dou por mim metido num emaranhado de lembranças, donde não consigo libertar-me.

        Pena na mão direita, rosto apoiado na esquerda, as ideias como que emperradas, recosto-me na cadeira e fixo o tecto branco, num gesto quase apelativo e direccionado não sei para onde.

        Mas este tecto branco que fixava com retoques de persistência, conduziu-me, diria que com estranha saudade, a um outro tecto que profundas marcas registou em mim desde a  infância. Assim, num repente e mentalmente, coloquei-me numa posição física tantas vezes repetida nos meus primeiros anos de vida: na cama, deitado de costas e fixando o tecto do meu quarto de criança e adolescente.

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     Este tecto do meu quarto da casa da aldeia onde nasci e me criei tinha a particularidade de ser em madeira de pinho,  recheada de nós que me fascinavam pelas descobertas que proporcionavam ao meu olhar. Eram nós de todos os feitios e tamanhos, que eu percorria com o olhar ora fixo ora errante, construindo as mais variadas fantasias que se possam imaginar. Eram figuras humanas, umas perfeitas e outras deformadas; eram animais elegantes e outros feios e carrancudos; eram mulheres com rosto encantador e outras  com caras deformadas e carrancudas; eram carros; eram árvores despidas e outras carregadas de ramos e fruta; eram casas; eram ruas e caminhos; e era , acima de tudo isto, o que eu imaginava na conjugação de toda aquela nosaria que se espalhava no tecto de madeira de  do meu quarto.

         Aquele tecto terá sido o meu primeiro condutor para a divagação das ideias, para a criatividade mental, para a actividade lúdica do meu imaginário, para a libertação do meu pensamento no restrito mundo em que me movimentava, para a percepção da curta distância existente entre a fantasia  e a realidade, para as emoções mais diversas que caracterizam o ser humano, para me incrustar na alma a fidelidade do amor, porque , em boa verdade, nunca deixei de amar aquele quarto com um tecto  que me marcou para todo o sempre. E,  pensando hoje nisso, compreendo com maior nitidez como as coisas mais simples da vida podem influenciar os caminhos que nela percorremos ao longo dos tempos.

     Perdido nestas divagações, dou por mim a pensar que o que pretendia no início da crónica era recordar-me de uma história interessante, dum facto relevante aos meus olhos e dos outros, de um acontecimento que pudesse classificar-se de extraordinário. Porém, ficou-me a sensação de não o ter conseguido. Apesar de tudo, paira na minha mente a convicção de que talvez fosse isto o que eu pretendia: a evocação de algo que me reconfortasse o espírito no meio desta confusão em que se transformou este mundo cujos tempos ora decorrem. Mas não vou aqui mencionar toda a adjectivação que poderia utilizar para definir o que por aí vai no meio de toda esta agitação e luta contínua que estão a descaracterizar o que pode dar algum equilíbrio ao viver e convívio entre todos os seres humanos. Muitos chamam-lhe luta, eu chamo-lhe desumanização. O mundo de hoje parece-nos fictício. Para mal dos nossos pecados, para muitos, trata-se de destruição lenta ou apressada daquilo que por aí se denomina da civilização mais avançada e jamais alguma vez alcançada.

     Correndo o risco de poder ser apodado de pessimista doentio, não posso deixar de me interrogar :- Que futuro podemos esperar para um mundo em que o presidente do país tido como o mais desenvolvido do planeta no último século, - sabendo-se que hoje já outros lhe estão na peugada em passo acelerado - sugira que todos os professores devem possuir uma arma na escola onde leccionam, para obstar ao terrorismo escolar cada vez mais frequente? E é em pleno século XXI que tal acontece. Ora isto é mau demais para se poder comentar. Devemos é debruçarmo-nos para ver o que está na origem de tal aberração. Pobre ensino! Pobres professores! Pobres alunos! Pobre sociedade que atingiu tais fragilidades!

     Contudo, para mim, o tecto daquela casa continuará a ser uma referência inapagável, pois foi ele que me proporcionou toda a riqueza contida daquelas noites em que, à luz do candeeiro, pude dar largas à minha imaginação com prazer, tranquilidade e  proveito. Hoje sinto-o como nunca.

        Porém, não vamos desanimar com todas as aberrações, contrastes, incongruências, delírios, maldades, agressividades que proliferam por esse mundo fora. Em contraste e apesar de tudo, ainda há valores capazes de dar esperança aos que são vítimas deste desequilíbrio em que todos somos obrigados a viver. Enquanto se construírem quartos com tectos de madeira que nos ajudem a fantasiar a criatividade das nossas consciências, haverá a possibilidade de sermos mais capazes e mais felizes.

        Para terminar, autorizo-me a evocar o Aleixo, o poeta algarvio que na sua simplicidade tantos ensinamentos nos deixou :- Tu que tens saber profundo / És engenheiro e vês bem / Ergue uma ponte, onde o mundo / Passe sem esmagar ninguém!

A. Pires da Costa     --   (Texto sem acordo ou desacordo ortográfico)

 

ADENDA - Junto este pequeno vídeo que incluí no blogue dos meus alunos (Oficina de Português) a convidá-los a escrever. O A. Pires da Costa parece que estava na minha aula!

 

 

 

Imaginar é bom...

Roubei estes texto e fotos ao Tó Manel Silva. AH

 

A BARCA… DA AMIEIRA
Não levava ao Inferno mas quase.
Durante gerações, uma outra, muito maior, abriu as águas, ainda não poluídas, do Tejo para as quentes e ondulantes searas alentejanas a milhares de “ratinhos” que, na ceifa dos campos alentejanos, iam ganhar, durante 40 dias, o pouco dinheiro líquido anual que ajudava a pagar as emergências da pobreza da vida beirã.
Era aqui uma das ligações entre a Beira e o Alentejo. Por aqui transitaram os frades cavaleiros de Malta, com sede no Crato, senhores destes territórios em visita às suas terras da Beira nas vilas de Envendos, Carvoeiro, Bichieira (Cardigos), Proença a Nova, Sertã, Oleiros… Soldados, almocreves, “físicos” e curandeiros, mouros, cristãos, judeus e pagãos, bons e maus homens, criminosos e polícias, plebeus, reis e princesas, mortos e vivos … todos por aqui transitaram!
Só eu não consegui! A barca não tinha “homem do leme”…

António Manuel M. Silva

 

 

 

Ao correr da pena

Palmeira, cerejeiras, nogueira, as árvores do meu hoje.

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Que é que se passa comigo? Será que isto é que é a escrita criativa? Mandam-me (não, foi só a sonhar!) escrever ao correr da pena e eu, sem pena mas com um teclado à frente, vou dizendo o que me vai na alma.

Agora é uma revoada de pássaros que me enche a cabeça, voando doidamente, chilreando, até que se anicham numa grande palmeira, ali para os lados do Gavião, terra que me traz à lembrança os anos de menino no Seminário, quando com mãos pequeninas tentava de uma só vez, sem repetir, apanhar o maior número de azeitonas para comer no lanche com a fatia de pão que nos era dada debaixo da tal palmeira dos meus sonhos. E se não eram azeitonas, era uma fatia de pão já barrada de coisa parecida com manteiga, que eu detestava (na minha casa nunca tinha entrado tal conduto…), mas que era uma delícia para os meus companheiros. Assim, para poder ferrar os dentes em tal alimento, pegava num pequeno canivete e ia raspando a manteiga para o pão dos amigos, e sempre havia muitos; quando a fatia se encontrava limpa daquela mistela, muito bem, já podia satisfazer os meus apetites…Seminário Gavião palmeira.jpeg

Ali passei eu umas horas no refeitório, à espera que comesse a sopa onde eu tinha vazado a colher do óleo de fígado de bacalhau, tão difícil de tragar… E como um colega tinha sugerido que na sopa era mais fácil de engolir, lá vou eu na cantiga…. Impossível! Era melhor ficar sem sopa e sem recreio. O que me valeu é que os padres, para se verem livres deste imbróglio, resolveram que eu não precisava de tomar este intragável remédio porque já era gordinho!

Levanta-se o bando de pardais daquele oásis e arrancam em direcção ao norte… Nessa data, já eu passeava por Alcains, de guarda-pó ou de batina, jogava à bola com todo o gosto e também estudava o “hora, horae”, para além de saber o meu lugar na forma, dois a dois, consoante as alturas, pequenos à frente, mais altos atrás.

Aí, era o ti Assunção que tomava conta dos pardais, batendo em tampas de panelas para os enxotar da ala de cerejeiras que ladeavam o caminho de saída para o burgo e por onde passavam as lavadeiras para levar e trazer a nossa roupa lavadinha. E comeríamos as cerejas? Dependia da perícia do batedor, que não era lá muita, pois o tabaco e o álcool dificultavam a tarefa.

E as árvores continuam por este país fora, aquelas que o fogo ainda não consumiu. 

Agora, dou comigo em sonhos na encosta da serra, numa quinta por cima do Seminário de Portalegre. Os pardais também aqui chegam, assim como os alunos do Seminário Maior e um cão a contornar uma árvore especial a precisar de atenção canina. Era uma nogueira de frutos deliciosos, dos tais que avivam a nossa memória o bastante para decorar as falas do teatro, as definições dos axiomas filosóficos ou dos princípios da moral e da teologia cristãs…

O Sr. Domingos tinha jurado, ufano, que com aquele cão as nozes estavam a salvo, que aquilo para ele era “ciência que não vem nos livros”. Mas enganou-se! Uns alunos, com algum engodo especial, abeiraram-se do cão, fizeram-se amigos e lá foram às nozes… Os pardais fugiram e o Sr. Domingos nem ouviu tal chilreada a avisá-lo.

 

A história hoje acaba aqui. E que gozo me deu…

António Henriques

Palavra do Sr. Bispo

Uma boa lição sobre a Quaresma... AH

 

RECORDAR PARA VIVER E TRANSMITIR

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Começamos a viver, com alegria e saudável determinação, a Quaresma. É um tempo exigente que nos confronta com as exigências do nosso Batismo e nos prepara para a Páscoa, a Festa por excelência dos cristãos. Neste tempo da Quaresma, reconhecemos a nossa fragilidade mas reafirmamos também a nossa confiança em Deus rico em misericórdia, pedimos-Lhe o perdão e a Sua Graça e entramos para a Festa que Ele faz connosco. Faz festa porque regressamos, porque queremos ser livres e caminhar! É a conversão de coração que, na Quaresma, tem na oração, na esmola e no jejum as suas tradicionais e mais eficazes ferramentas para o caminho de identificação com Cristo. Mas convém ter presente que o bom cristão não é um mero cumpridor de preceitos. É o que cumpre, sim, mas cumpre para se converter. Cumprir por cumprir não faz sentido, é masoquismo. Jesus até chama a isso outra coisa, chama-lhe hipocrisia! Podemos, de facto, ser exímios cumpridores e péssimos cristãos. Cristo não quer admiradores, não quer meros cumpridores, quer discípulos, convertidos e missionários que O conheçam, vivam n’Ele, com Ele, por Ele e O anunciem com alegria e esperança.
Sei que muitos as vivem e, de forma bela e pedagógica, as ensinam a viver em família. Mesmo assim, e a completar a Mensagem para a Quaresma aqui publicada na Quarta-Feira de Cinzas, vou recordar as normas sobre o jejum e a abstinência que a Conferência Episcopal, de acordo com o Código de Direito Canónico (cân. 1253), estabeleceu, em julho de 1984, para as Dioceses portuguesas:

“OS TEMPOS PENITENCIAIS

1. Na pedagogia da Igreja, há tempos em que os cristãos são especialmente convidados à prática da penitência: a Quaresma e todas as sextas-feiras do ano. A penitência é uma expressão muito significativa da união dos cristãos ao mistério da Cruz de Cristo. Por isso, a Quaresma, enquanto primeiro tempo da celebração anual da Páscoa, e a sexta-feira, enquanto dia da morte do Senhor, sugerem naturalmente a prática da penitência.

JEJUM E ABSTINÊNCIA

2. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja, a concretização do jejum fazia-se limitado a alimentação diária a uma refeição, embora não se excluísse que se pudesse tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições.
Ainda que convenha manter-se esta forma tradicional de jejuar, contudo os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência.
3. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um. Contudo, devido à evolução das condições sociais e do género de alimentação, aquela concretização pode não bastar para praticar a abstinência como ato penitencial. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito de abstinência é o que dizemos acima, ou seja, a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao luxo e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação e se revestirá de caráter penitencial.

DETERMINAÇÕES SOBRE JEJUM E ABSTINÊNCIA

4. O Jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa.
5. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma.
6. O preceito de abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimir.
7. As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância.
8. Nas sextas-feiras poderão os fiéis cumprir o preceito penitencial, quer fazendo penitência como acima ficou dito, quer escolhendo formas de penitência reconhecidas pela tradição, tais como a oração e a esmola, ou mesmo optar por outras formas, de escolha pessoal, como, por exemplo, privar-se de fumar, de algum espetáculo, etc.
9. No que respeita à oração, poderão cumprir o preceito penitencial através de exercícios de oração mais prolongados e generosos, tais como: o exercício da Via-Sacra, a recitação do Rosário, a recitação de Laudes e Vésperas da Liturgia das Horas, a participação na Santa Eucaristia, uma leitura prolongada da Sagrada Escritura.
10. No que respeita à esmola, poderão cumprir o preceito penitencial através da partilha de bens materiais. Essa partilha deve ser proporcional às posses de cada um e deve significar uma verdadeira renúncia a algo do que se tem ou a gastos dispensáveis ou supérfluos.
11. Os cristãos que escolherem como forma de cumprimento do preceito da penitência uma participação pecuniária orientarão o seu contributo penitencial para uma finalidade determinada, a indicar pelo Bispo diocesano.
12. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria Diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado.

NÃO SE EXCLUEM, COMPLETAM-SE

13. É aconselhável que, no cumprimento do preceito penitencial, os cristãos não se limitem a uma só forma de penitência, mas antes as pratiquem todas, pois o jejum, a oração e a esmola completam-se mutuamente, em ordem à caridade.”

Antonino Dias
Portalegre, 16-02-2018

Aniversário

PARABÉNS, JOAQUIM! Portalegre 19-05-2012 223.jpg

 

Hoje, lembramos o Joaquim Silvério Mateus, que nos seus 69 anos fica todo torcido, ele que tem uma postura tão erecta, direita sem direitismos. E andamos com saudade de o ver, sinceramente.

A mexer no facebook com pouca técnica, no entanto, vai dizendo verdades importantes. Uma delas, com a qual estamos todos de acordo, é esta: «eu sempre resisti a isto dos face books e companhia. Mas a verdade é que é uma forma expedita de ir encontrando e e conversando com amigos. Por isso me inscrevi.»

É também pelo blogue ANIMUS SEMPER e a sua página do Facebook (Animus Semper Antigos Alunos) que estamos a lembrar-te e felicitar-te.

MUITOS PARABÉNS, amigo! Que sejas muito feliz, com saúde e amigos.

Contacto: tel. 968 928 351

Há poucos anos, numa exposição do Ant. Colaço na Mãe d'Água em Lisboa, o Joaquim Silvério foi "apanhado" pelo Colaço. Momentos de boa disposição a lembrar, onde também entra o Armindo Dias.

 

 

Ensurdecedora gritaria

Um país em polvorosa

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Basta abrir os jornais ou ver os telejornais dos últimos dias, para nos darmos conta de que o país vive momentos de alta tensão palavrosa, em diversos setores da vida nacional. Uma gritaria tal que ensurdece os ouvidos mais obstruídos. Tudo é trazido à ribalta da opinião pública. Desde a sexualidade dos recasados, pela mão do cardeal patriarca, aos segredos da justiça, desvendados por jornais e revistas, à procura de chorudas tiragens. A subida das audiências parece tudo justificar. A este coro de vozes diárias se juntou a gritaria do mundo do futebol, onde não tem faltado o mínimo decoro e o mínimo respeito por sócios e adeptos.
Posições ditatoriais e ameaçadoras, a fazer lembrar tempos antigos, onde imperava a suposta unanimidade. Os especialistas já vão avançando que o futebol em Portugal se joga mais nos bastidores do que nos relvados, onde se encontram os verdadeiros artistas. O que poderia ser um prazer lúdico tornou-se num jogo habilidoso obscuro de fações e de interesses inconfessáveis. Chegando mesmo a roçar a corrupção, já com a Justiça ao barulho.
Neste clima de pouca saúde social, não faltaram mesmo as diatribes contra e a favor da proibição puritana de obras de arte “explícitas”. O preconceito à deriva, como se sabe e de fácil prova, só nos pode diminuir face aos novos tempos, em que a liberdade de pensamento artístico se tornou num sinal da nossa avançada civilização ocidental.
A ignorância, por sua vez, deveria mostrar mais contenção, por quem não entende nem quer compreender a obra artística, produzida ao longo da história. Na verdade, dá algum trabalho abrir as mentes a novos conceitos artísticos que emergem, fruto da criatividade dos artistas. A rejeição pura e simples será sempre um sinal de menoridade intelectual, eivada de preconceitos infundados. O obscurantismo, baseado na ignorância, torna-se assim impeditiva de podermos crescer como seres livres, em demanda da perfeição. Deste modo, podemos e devemos ser críticos, desde que abertos às ideias dos outros, que pensam de modo diferente. Ninguém é senhor da verdade, bem o sabemos e proclamamos. Na verdade, a racionalidade e o bom senso deveriam ser as grandes balizas que nos permitem a divergência, face ao novo e ao desconhecido. Não sendo assim, não poderemos evoluir, ficando-nos pelo preconceito e por águas passadas.
Aqui podemos introduzir uma reflexão sobre as novas mudanças - a nível dos costumes - com as quais o país se tem debatido nos últimos tempos. O divórcio a crescer aos saltos, o aborto já regulado na lei, o casamento entre homossexuais, as barrigas de aluguer, a despenalização da eutanásia, ainda em reflexão, bem como outros temas fraturantes, como as drogas e a robotização. Temas em aberto que não deixarão de continuar a dividir os cidadãos. Todos estes assuntos de cidadania, mais cedo ou mais tarde, vão bater-nos à porta, solicitando a nossa fundamentada e coerente opinião. Por vezes, repassada de dúvida, a solicitar a voz da consciência de cada um. Como cidadãos livres e responsáveis, dotados de inteligência e de experiência de vida, devemos estar abertos aos problemas que o mundo de hoje nos coloca. Não podemos fechar os olhos e tapar o sol com a peneira, para nos ocultarmos, cobardemente, atrás da sua rede.
Sabemos que na sociedade aberta em que vivemos, democraticamente, sempre que nos demitirmos, estamos a entregar a decisão a outros, nomeadamente aos políticos, a quem se pede, por sua vez, que saibam escutar e promover a auscultação das vozes do povo, tentando entender o sentir e a sensibilidade da maioria dos cidadãos, antes de aprovar as leis. À igreja católica, porventura, também não faria mal dar atenção às sensibilidades das comunidades dos crentes e praticantes, em matérias polémicas e controversas de disciplina que a muitos diz respeito. Todos teriam a ganhar e, certamente, se poderia evitar controversas tomadas de posição, discutíveis ou prejudiciais. Seria bom darmos ouvidos às mensagens do Papa Francisco que não se cansa de ensinar que a Igreja, mais que condenar, deve ter uma atitude pastoral de inclusão, acolhendo, com misericórdia, as pessoas de boa vontade. Deste modo, a ensurdecedora gritaria dos últimos dias bem poderia ter sido evitada.

florentinobeirão@hotmail.com

Mais fotos

Olha, Florentino, olha, P. Isidro, esta é do Gavião... Eram vocês uns putos imberbes, mas cheios de sonhos e esperança na vida.

E acompanhados do Sr. Bispo, Sr. D. Agostinho, com os professores (P.s Justo, Domingos(?), Alberto, Aníbal, Milheiro...), vocês ganham estatuto de importância. AH

 

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 Agora, damos um salto até Alcains. Ainda são tantos!... Mas devem ser todos os anos juntos. Professores: Monsenhor Moura, reitor, Mons. Félix, Cón. Falcão, P. João Rodrigues... Não identifico os outros... AH

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Quem conhece?

Aí te envio umas fotos dos seminaristas que frequentavam o seminário, entrados no Gavião, creio eu, em 1955-56. Se puderes, coloca lá no Animus alguma delas para a malta daquele tempo se deliciar e matar saudades. Florentino

 

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NOTA: Por mim, ainda dizia o nome de muitos: o João Portela (que ainda agora esteve em Linda-a-Pastora), o Zé da Graça, o João Pires Coelho, o Isidro, Agostinho G. Dias (Director do Reconquista), o Florentino Beirão, o Alexandre Nunes... AH

Na foto decima, são muito mais novinhos...

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