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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

VOLTEI A ALCAINS

06.02.17 | asal

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Andava eu há uns tempos atrás numa pesquisa de livros quando dou com uma capa um pouco esquisita, que me atirou para os resquícios mais fundos da memória, aquele cantinho mais esquecido que quase se perde para sempre se não for activado por algum fósforo oportuno.

De que estou a falar? Desta cabeça desgrenhada, de cabelos revoltos, a denunciar desleixo e desprezo pelas conveniências sociais, que um dia entrou na minha história de um modo pouco usual. Não era na Física ou Química que o ensino do Seminário brilhava, como acontecia nas Letras. E sempre senti esta deficiência na minha formação.

Então, porque seria que em Alcains, nos anos 55 ou 56, quando um grupo de alunos se empenhava a criar um exemplar único de REVISTA manuscrita, em que nos esmerávamos a redigir poemas, jogos, anedotas, histórias, palavras cruzadas, alguém Einstein.png

tivesse sugerido que a capa fosse o desenho desta cabeça extravagante de Einstein? E mais: como se terá decidido que seria o António Henriques a desenhar esta figura  em tinta da china, técnica que nós aprendemos a usar nas aulas de Desenho, eu que sempre me considerei analfabeto em pintura (por isso me casei com uma prof.ª de Educação Visual!), só ganhando valores suficientes em desenho geométrico, onde ombreava com os outros? 

No tal cantinho escondido da minha memória, nada consta sobre esse momento e essa decisão. Mas o certo é que a capa da revista com a cabeça de Einstein em tinta da china apareceu mesmo.  Quantas horas terei passado de volta deste modelo a passá-lo para o papel, também não sei. 

 

Esta foto anda comigo há vários meses. Publico, não publico uma notícia?

 

Mas os acontecimentos provocam-me. Chamo agora o meu filho para aqui, ele que é prof. de Física e no primeiro dia deste novo ano fez questão de se fotografar em Sintra no monumento a celebrar esta célebre equação. E mc.jpgEncontra-se nas curvas apertadas entre a estação da CP e o Palácio da Vila.

 A famosa equação  E = mc^2\, determina a relação da transformação da massa de um objeto em energia e vice-versa, sendo que "E" é a energia, "m" a massa e "c" é a velocidade da luz ao quadrado, considerada a única constante do Universo.

Com tais insistências sobre Einstein, hoje, com um pouco mais de folga, resolvi ler coisas sobre este grande cientista. Alemão, este pilar da física moderna que desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica, foi o criador da "equação mais famosa do mundo" - a fórmula de equivalência massa-energia,  E = mc^2\, e foi "laureado com o Prémio Nobel de Física em 1921 "por suas contribuições à física teórica" e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica" (Wikipédia).

Cá está o mistério!

Leio entretanto que Einstein morre em 18 de Abril de 1955. E o mistério esclareceu-se. Algum professor nos aponta este motivo forte para ocupar a capa desta revista, que eu acho que era trimestral. Não líamos jornais, não víamos televisão, não ouvíamos rádio... Mas Einstein chegou até nós. 

Para somar mais alguma informação, recupero para aqui um parágrafo do meu testemunho no opúsculo de homenagem aos professores no encontro de Castelo Branco em 2016:

 

 «E como os professores nos incentivavam, já então ia fazendo poesia e escrevendo textos para uma “Revista” manuscrita pelos alunos. E havia sessões solenes para apresentar os nossos trabalhos e outros, cultivando a arte de dizer. Experimentei tocar órgão, toquei rabecão com o apoio do Sr. P. Horácio, vejam bem que boas oportunidades me iam dando. Sempre senti esta liberdade de espírito e tenho mesmo a impressão de os padres não nos oprimirem, respeitando as nossas iniciativas...»

Pois é, voltei outra vez a Alcains...

António Henriques 

 

PENSAMENTO DO DIA

05.02.17 | asal

Quando a inspiração não ajuda, recorre-se a outrém! Isto corre pela Internet:

 

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Árvore e aves da Arábia Saudita

-   Quando um pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando o pássaro morre, são as formigas que o comem. Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto. Por isso, não desvalorize nada em sua volta. Você pode ter poder hoje, mas, lembre-se: O tempo é muito mais poderoso que qualquer um de nós! Saiba que uma árvore faz um milhão de fósforos, mas basta um fósforo para queimar milhões de árvores. Portanto, seja bom! Faça o bem!  "O tempo é como um rio. Você nunca poderá tocar na mesma água duas vezes, porque a água que já passou, nunca passará novamente. Aproveite cada minuto de sua vida e lembre-se:Nunca busque boas aparências, porque elas mudam com o tempo. Não procure pessoas perfeitas, porque elas não existem. Mas busque acima de tudo, um alguém que saiba o seu verdadeiro valor."

Tenham 4 amores:

                   - Deus;

                   - A Vida; 

                   - A Família;

                   - Os Amigos. 

Deus porque é o dono da vida;  A vida porque é curta;  A família porque é única; E os amigos porque são raros!   Mande isso para sua Família e seus grandes Amigos!

HORA DOMINICAL

04.02.17 | asal

O mistério do sofrimento e o problema da eutanásia. Obrigado, Sr. D. Antonino. AH

 

O SOFRIMENTO VENCIDO PELO AMOR

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No dia 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, celebra-se o XXV Dia Mundial do Doente. Este dia foi instituído por São João Paulo II em 1992. Foi celebrado pela primeira vez, em Lurdes, no dia 11 de fevereiro de 1993. Em 1984, João Paulo II havia já publicado a Carta Apostólica Salvifici Doloris, sobre o sofrimento humano e outros documentos se seguiram.
Mas já antes, no final do Concilio Vaticano II, em 8 de dezembro de 1965, os participantes no Concílio dirigiram uma mensagem muito especial a todos quantos suportavam provações e a quem o sofrimento batia à porta sob as mais diversas formas. Afirmavam-lhes que o Concílio sentia sobre si próprio os seus olhos “implorantes, brilhantes de febre ou abatidos pela fadiga, olhares interrogadores, que procuram em vão o porquê do sofrimento humano, e que perguntam ansiosamente quando e de onde virá a consolação”. Solidários, mas incapazes de aliviar a dor e o sofrimento de tantos, eles tornavam-se próximos e afirmavam: “sentimos repercutir profundamente nos nossos corações de pais e pastores os vossos gemidos e a vossa dor. E a nossa própria dor aumenta ao pensar que não está no nosso poder trazer-vos a saúde corporal nem a diminuição das vossas dores físicas, que médicos, enfermeiros, e todos os que se consagram aos doentes, se esforçam por minorar com a melhor das vontades. Mas nós temos algo de mais profundo e de mais precioso para vos dar: a única verdade capaz de responder ao mistério do sofrimento e de vos trazer uma consolação sem ilusões: a fé e a união das dores humanas a Cristo, Filho de Deus, pregado na cruz pelas nossas faltas e para a nossa salvação. Cristo não suprimiu o sofrimento; não quis sequer desvendar inteiramente o seu mistério: tomou-o sobre si, e isto basta para nós compreendermos todo o seu preço”.

E terminavam a sua mensagem convidando todos os doentes à coragem e à comunhão dos seus sofrimentos com os sofrimentos de Cristo pela salvação do mundo: “a vós todos, que sentis mais duramente o peso da cruz, vós que sois pobres e abandonados, vós que chorais, vós que sois perseguidos por amor da justiça, vós de quem não se fala, vós os desconhecidos da dor, tende coragem: vós sois os preferidos do reino de Deus, que é o reino da esperança, da felicidade e da vida; Vós sois os irmãos de Cristo sofredor; e com Ele, se quereis, vós salvais o mundo. Eis a ciência cristã do sofrimento, a única que dá a paz. Sabei que não estais sós, nem separados, nem abandonados, nem sois inúteis: vós sois os chamados por Cristo, a sua imagem viva e transparente.”

Na sua Mensagem para este Dia Mundial do Doente, o Papa Francisco também manifesta a sua proximidade a todos quantos vivem a experiência do sofrimento, bem como manifesta o seu apreço a quantos, nas mais variadas tarefas das estruturas sanitárias espalhadas pelo mundo, se ocupam, com competência, responsabilidade e dedicação, das melhoras, cuidados e bem-estar diário de todos. Reitera a sua “proximidade feita de oração e encorajamento aos médicos, enfermeiros, voluntários e a todos os homens e mulheres consagrados comprometidos no serviço dos doentes e necessitados”. De igual modo se dirige “às instituições eclesiais e civis que trabalham nesta área; e às famílias que cuidam amorosamente dos seus membros doentes”.

A par, encoraja “a todos – doentes, atribulados, médicos, enfermeiros, familiares, voluntários – a olhar Maria, Saúde dos Enfermos, como a garante da ternura de Deus por todo o ser humano e o modelo de abandono à vontade divina”. Será “na fé, alimentada pela Palavra e os Sacramentos” que toda esta gente encontrará “a força para amar a Deus e aos irmãos mesmo na experiência da doença”. Cada doente é e permanece sempre um ser humano e deve ser tratado como tal. “Os doentes, tal como as pessoas com deficiências mesmo muito graves, têm a sua dignidade inalienável e a sua missão própria na vida, não se tornando jamais meros objetos, ainda que às vezes pareçam de todo passivos, mas, na realidade, nunca o são”.

Como sabemos, hoje desvaloriza-se a vida. Os defensores da eutanásia e do suicídio medicamente assistido pretendem reconhecer a licitude da supressão da vida, quando consentida, em situações de sofrimento intolerável ou em fases terminais, com o pretexto de que a vida está diminuída na sua dignidade. Sabemos, no entanto, que não se elimina o sofrimento com a morte. Com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. Também não se pode justificar a morte de uma pessoa mesmo com o consentimento desta. Um homicídio não deixa de o ser pelo facto de ser consentido pela vítima, nem a inviolabilidade da vida cessa com o consentimento do seu titular. A vida é um direito indisponível. É dom e missão, é o pressuposto da autonomia e da dignidade humana. Importante é, sem dúvida, implementar um sistema de cuidados paliativos de qualidade e para todos (cf. Doc. CEP). Como afirma Bento XVI, “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre”.
A Jornada Mundial do Doente, pode ser, segundo o Papa Francisco, um bom momento para um novo impulso capaz de “contribuir para a difusão duma cultura respeitadora da vida, da saúde e do meio ambiente”.

Antonino Dias
03-02-2017

No princípio, era o caos…

03.02.17 | asal

“Trumpalhada” mostra os dentes

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Donald Trump, o 45º Presidente dos Estados Unidos, tomou posse no passado dia 20 de janeiro, após uma polémica e aguerrida maratona de propaganda eleitoral, charlatona e populista, imbuída de um nacionalismo agressivo. Embora com menos votos do que a sua adversária Hillary Clinton, as leis da USA ditaram este resultado.

Só que, após a tomada de posse, o que se pensava ter sido um certo folclore de promessas eleitorais radicais e descabeladas, logo nos primeiros dias do seu polémico mandato, as críticas, vindas de todos os quadrantes, com grandes manifestações cívicas à mistura, não têm parado, nestes primeiros dias.

As múltiplas medidas já encetadas não são para menos. Construção de um muro na fronteira com o México. Vetar refugiados de sete países muçulmanos. Eleger como seus principais inimigos os políticos de Washington e a economia internacional. Relativizar o papel da NATO e da ONU. A assinatura do decreto contra o “Obamacare” que apoiava e garantia assistência médica a milhões de cidadãos americanos pobres. O pugnar por uma América isolacionista, onde predomine o protecionismo. A agressiva declaração de guerra aos media. O ter admitido o regresso da tortura, como método legítimo para extrair confissões. Em relação aos direitos sociais e humanos, pouco parece importar a este magnate, que vive no meio de uma fabulosa fortuna.

O romper de acordos comerciais anteriores, o colocar nas mãos das polícias poderes autoritários e impor taxas aduaneiras de 20% aos países exportadores, são outras tantas medidas descabeladas que Trump quer implementar rapidamente.

A nível internacional, as relações hostis com a poderosa China e, pelo contrário, laços amigáveis com a Rússia, dá-nos bem o panorama político a ser construído nos próximos tempos.

Na verdade, o discurso populista da sua tomada de posse – todo um programa ideológico, envolvido numa retórica pobre - já nos dava indicações dos seus propósitos revolucionários de direita. A realidade destes primeiros dias de mandato faz-nos levar as mãos à cabeça, atormentados que estamos com este volte face americano na cena mundial. De laivos pró- fascistas, é todo um programa agressivo, nacionalista, xenófobo, protecionista, autocrata, instigador de medo e securitário.

Perante este programa desafiador e escolhidos que foram os seus diretos colaboradores, um conceituado economista, Paul Krugman, não teve pejo de chamar “incompetente” a Trump, acusando-o de liderar um governo de gente “corrupta e sem preparação”.

Por seu lado, o papa Francisco, não se ficando atrás, recentemente sublinhou que, nestes tempos de crise em que vivemos, “é um perigo irmos à procura de um salvador que nos devolva a identidade e nos defenda com muros”.

Criada assim uma era de profundas incertezas, destruídas que vão ser as coordenadas liberais, criadas após a II Guerra- Mundial, o que se poderá esperar desta nova Administração americana, dirigida por um “charlatão inveterado”, como o classificou George Soros?

Com apenas 40% de popularidade no início do seu mandato, Trump, já em guerra com os jornalistas e mandando às urtigas um recente acordo sobre as mudanças climáticas, mandando retomar o polémico oleoduto, entre o Canadá e o Texas, potenciador de perigo ecológico, está bem a mostrar os dentes a todos aqueles que não se encontram a seu lado. Perante esta avalanche desastrosa, que lugar para a fraca e desunida União Europeia, após o Brexit? Avisada, Theresa May, pela Inglaterra, já marcou pontos, visitando os Estados Unidos e a Turquia com quem assinou acordos comerciais.

Por sua vez, a UE não poderá ficar reduzida ao medo e à inatividade, face aos novos desafios mundiais. É hora de marcar pontos. E já.

 

florentinobeirao@hotmail.com

 

NOTA: O Florentino manifesta neste texto o sentimento comum a muitos de nós: vivemos «uma era de profundas incertezas». Esperemos que seja um caos passageiro... E quem encontra nos nossos dias sementes de esperança? AH

PARABÉNS AOS DOIS!

03.02.17 | asal

 

Dois amigos que hoje celebram mais uma primavera.Fernando.jpg

Aqui ficam os nossos parabéns e votos de muita saúde e felicidade.

 

 

Fernando Alves Martins, a viver em Proença-a-Nova, nascido em 1952;

a contactar pelo tel. 968 252 716

 

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e o José Maria Calvário Antunes, nascido em 1953 e a viver em Coimbra.

 Contacto: tel. 917 531 215

 

A MINHA IDA PARA A TROPA-2

02.02.17 | asal

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A MINHA IDA PARA A TROPA – 2º PARTE

 

1955 – SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO – EXERCÍCIO DE FUNÇÕES NO R.A.P. 3 –FIGUEIRA DA FOZ

 

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Na primeira parte deste trabalho descrevi a entrada no Serviço Militar Obrigatório-SMO – ou seja a instrução com o JURAMENTO DE BANDEIRA e frequência do curso de oficiais propriamente dito, com a consequente promoção a aspirante a oficial miliciano e colocação no Regimento de Artilharia Pesada 3 – RAP 3 - na Figueira da Foz. Na parte final daquela primeira parte, prometi voltar ao assunto, o que passo a fazer. Assim,

 

A minha colocação ocorreu em Fevereiro de 1956. Eramos 39 aspirantes milicianos – com obrigatoriedade de 18 meses na tropa - e mais 4 aspirantes do quadro, isto é, profissionais de carreira, formados pela Escola do Exército.

O RAP3 da Figueira da Foz era um quartel de incorporação de recrutas, no qual, cada ano, eram incorporados mais de mil mancebos. Eram originários das localidades próximas, normalmente trabalhadores rurais, muitos analfabetos e uma grande parte com a 4ª classe, estes quase todos com iliteracia.  Não era fácil dar instrução militar a este contingente de jovens. Na instrução, cada aspirante era auxiliado por 2 ou 3 cabos milicianos, com preparação militar praticamente igual à dos oficiais milicianos.

 

HIERARQUIA MILITAR - EXÉRCITO

Nesta parte do trabalho tem interesse indicar os postos da hierarquia militar, nessa época – 1956 -. Havia OFICIAIS, SARGENTOS e PRAÇAS. Creio que estas categorias se mantêm.

Como Oficiais, o exército tinha OFICIAIS GENERAIS – marechal, general, tenente general, major general e brigadeiro general –; OFICIAIS SUPERIORES – coronel, tenente e major –; OFICIAL CAPITÃO – capitão –; OFICIAIS SUBALTERNOS – tenente, alferes e aspirante miliciano ou do quadro -; OFICIAIS EM FORMAÇÃO – cadetes - .Como sargentos, o exército tinha sargento mor, sargento chefe, sargento ajudante, 1º sargento, 2º sargento e furriel.

Como praças,  havia cabo de seção, cabo adjunto, 1º cabo, 2º cabo e soldado.

 Como praças em formação,   soldados recrutas.

 

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DISTINTIVOS

Cada uma destas categorias tinha um distintivo próprio:  galões para os oficiais e divisas para os sargentos e praças.

Na classe de oficiais - um general usava 3 estrelas, em triângulo, na manga; um coronel, um galão largo e 3 estreitos, no ombro; um tenente coronel, um galão largo e 2 estreitos; um major, um galão largo e um estreito; um capitão, 3 galões estreitos;  um tenente, 2 galões estreitos;  um alferes, 1 galão estreito;  um aspirante a oficial, um galão, em diagonal, no ombro.

Na classe de sargentos, um sargento ajudante, uma estrela, na manga; 1º sargento, 4 divisas , em V deitado, na manga; um furriel, 3 divisas em V deitado, na manga; um 1º cabo, 2 divisas em V deitado; um 2º cabo, 1 divisa, em V deitado ;  um cabo ajudante, 2 divisas em V na vertical; um cadete, uma estrela, no ombro.

 

ARMAMENTO

Importa também  referir qual o tipo de armas ligeiras e pesadas e o armamento pesado, peças de artilharia, canhões e obuses  que o quartel tinha à sua disposição.

ARMAS LIGEIRAS: espingarda MAUSER de 8 mm m/937; pistola metralhadora 9 mm da FBP (Fábrica de Braço de Prata-Lisboa), m/1947; pistola ou revólver de uso pessoal;  metralhadora ligeira de 7,62 mm Browning m/952;

ARMAS PESADAS : metralhadora pesada  12,7 mm, Browning m/955; canhão sem recuo 7,5 mm m/52 ; obus 14 mm com 2 pneus , puxado por um grande camião Matador com a altura de 3,1 metros, comprimento 7,751, peso 7,751 toneladas.

Essencialmente, no RAP3, dávamos instrução da mauser, da pistola metralhadora, do canhão 7,5 e do obus ( boca de fogo ) 14,0.

 

  A INSTRUÇÃO DOS rap3.jpgRECRUTAS

Como já escrevi antes, o RAP3 era um quartel de recrutamento e, por isso, como escrevi também, cada ano eram incorporados muito mais de mil mancebos. No ano de 1956, em que fui cocado na Figueira da Foz, a instrução foi dada pelos aspirantes milicianos – 39 – e pelos do quadro – 4 - .

A mim foi-me atribuído um pelotão de 32 recrutas, o que não era pouco. Número semelhante aos pelotões dos outros colegas. A nossa primeira função foi rececionar os recrutas. Consistia na inscrição, sendo dado um número a cada um, que o utilizaria durante todo o SMO.

Logo a seguir, os recrutas passavam à barbearia onde cortavam o cabelo “à escovinha”, como se dizia (  máquina zero, para se compreender melhor ). Tomavam banho e depois dirigiam-se ao casão para lhes ser dado todo o fardamento, ou seja todo o vestuário que passariam a usar, incluindo 2 pares de botas. As medidas eram tiradas “a olho”. Muitas vezes tinha que se trocar pois era demasiado grande ou pequeno. Na caserna - enorme, como se compreende -, tudo estava preparado para os receber. Cada cama tinha 2 ou 3 beliches numerados, com o número que fora atribuído a cada um. Um leito por baixo e 1 ou 2 por cima. Com um escadote para subir aos “andares superiores”.

A partir desse momento, os recrutas verificavam o seu lugar, equipavam-se à militar e “metiam na mala” toda a roupa “à civil”, devendo vestir-se sempre à militar. Ai daquele que infringisse o regulamento. Para sair do quartel, a sentinela, que estava no portão de armas, era obrigada a examinar quem saía, controlando a limpeza do fardamento, o aprumo geral e, principalmente, as botas bem engraxadas e com lustro. Lembro-me que muitos voltavam para trás para engraxar e dar lustro às botas. Disciplina militar a isso obrigava!

No dia seguinte começava a instrução .A cada aspirante com 2 cabos milicianos foi distribuído um grupo de recrutas. No meu caso, 32, como já escrevi. Normalmente, tratavam-se os recrutas pelo número - 8..32..48..56..64,etc ( ainda me lembro ). Porém, desde o início tive, assim como muitos colegas, a preocupação de conhecer o nome de todos. Ao fim de pouco tempo, a chamada, no princípio de cada hora de instrução, já era pelo nome e não pelo número, o que deu ânimo “às tropas”.

Nas primeiras semanas, o nosso objetivo era ensinar a marchar ( esquerdo, direito ), a fazer continências, sentido, etc. Havia, sempre alguns que tinham mais dificuldade.

Tive um recruta que não conseguia e ficou a ser instruído, exclusivamente, por um cabo miliciano. No fim, tudo deu certo. Praticávamos exercícios de ginástica, a princípio muito simples, e, pouco a pouco, mais complicados com saltos ao “plinto”, subida à corda, saltar ao eixo, corridas em competição, etc.

Da parte da tarde, dava-se instrução de armamento e de outras matérias teóricas. Ensinávamos a composição das armas, designadamente da mauser, da pistola metralhadora e outras. No fim da instrução os recrutas sabiam desmontar e montar os equipamentos e o funcionamento dos mesmos.

No material pesado - peça de fogo 14 e obus 7,5 - íamos para o local onde parqueavam e ali os examinávamos e estudávamos. Lembro-me que o acessório principal do 14 era o TEODOLITO, que era um instrumento de precisão ótica  que media os ângulos verticais e horizontais. Este instrumento era fundamental para o tiro. Note-se que o 14 lançava os obuses até uma distância de 14 kilómetros. Para trabalhar com este instrumento escolhiam-se 2 ou 3 dos mais espertos, pois era uma responsabilidade enorme verificar os ângulos verticais e horizontais para que a carga explosiva “caísse” e explodisse no local previamente determinado.

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Ao fim de creio que 2 meses de instrução, o pelotão estava em condições de competir com outros. Passado mais um mês, com todos os pelotões, em parada, devidamente alinhados, havia uma cerimónia empolgante, com discursos e a que assistia todo o quartel, muito público e familiares. Era o JURAMENTO DE BANDEIRA. Um dia de convívio, com “rancho” melhorado e cânticos populares. Depois deste dia continuavam a aperfeiçoar-se os conhecimentos já adquiridos e a conhecer outros, como informação, regulação e observação, através dos quais se conheciam as estruturas das unidades e táticas de artilharia, como por exemplo, conduzir o tiro sobre os alvos, com a máxima eficácia.

 

MANOBRAS MILITARES

No ano de 1956, realizaram-se manobras em SANTA MARGARIDA. Vinte e cinco mil militares em “combate”. 12.500 tropas amigas; 12.500 o inimigo, com capacetes pintados a amarelo, para se distinguirem. Participaram militares de todas as armas – infantaria, artilharia, cavalaria, etc. Com fogos reais, o exercício (manobras) durou 15 dias. Complicado e perigoso, por causa dos FOGOS REAIS. O meu pelotão combatia com o 14 e tinha que se saber bem ler as coordenadas no teodolito. Nesse ano não, mas houve muitos desastres em outros anos de manobras.

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Como o texto já vai extenso, vou apenas dar uma ideia do funcionamento do quartel, em que era comandante o coronel XEDAS, 2º comandante um tenente coronel, bem disposto, que levava todos os militares, semanalmente, a marchar e cantar pelas ruas da cidade, cânticos militares e populares, 3 capitães, 3 tenentes, 4 alferes, os 43 aspirantes e vários sargentos e cabos. No quartel, havia o OFICIAL DE DIA e no exterior OFICIAL DE RONDA para prevenir desacatos entre militares ou com civis. Lembremo-nos que “ quem bebe vinho dá de comer a um milhão de portugueses” Mensalmente, era nomeado UM OFICIAL E UM SARGENTO DE RANCHO e, também, um OFICIAL E UM SARGENTO DE MESSE, que se ocupavam, diariamente, da aquisição de víveres frescos para o rancho e para a messe. Na ORDEM DO DIA, eram publicados avisos e distribuição de tarefas, designadamente eram nomeadas as SENTINELAS que se colocavam em pontos estratégicos do quartel e que, de noite, alguém que se aproximasse tinha que saber a SENHA.

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Vou terminar, dizendo que tropa fazia bem a toda a gente. Não só nessa época, mas entendo que, mesmo nos dias de hoje, não seria descabido. Aliás, já exprimi a minha opinião sobre este assunto na 1ªparte deste trabalho.

A título de exemplo, confesso que ainda hoje, 61 anos depois, continuo a conviver com amigos desses tempos, fazendo almoços, regularmente. Com 4 antigos colegas, somos visitas de casa uns dos outros, lembrando esses “velhos tempos”.

Admito que foi necessária alguma paciência para ler estas memórias. No entanto, admito também que as escrevi com boa intenção e por uma boa causa.

Lisboa, 24 de Janeiro de 2017.                  

 

J.NOGUEIRA

 

NOTA: Com tanta precisão de apontamentos, ficamos capazes de seguir a via militar. Este Joaquim é imparável. A tua memória tem de nos deliciar com mais apontamentos. Parabéns e obrigado. AH

ÚLTIMOS DADOS

01.02.17 | asal

Primeira notícia:

No dia 27/01, véspera do Encontro de Linda-a-Pastora, prometi aqui que falaria dos números relativos à nossa audiência. Nada que me ponha nos bicos dos pés, mas também nada que nos desmotive. 

Servimos o melhor possível. Já aqui disse que esta tarefa de criar entre nós um espaço de encontro e convívio é uma obsessão permanente. Nada que me tire o sono, nada que me impeça de dedicar muitas horas a outras actividades igualmente aliciantes. Assim, apresento hoje os dados dos últimos dias de Janeiro.

29/01/2017 – 90 Visitas - 137 Visualizações

30/01/2017 - 94 Visitas – 157 Visualizações

31/01/2017 – 85 Visitas – 118 Visualizações

Comentários? Cada qual faça os seus. E se puderem vir para aqui, melhor.

É este o gráfico dos últimos dias de Janeiro:

2017-02-01.png

 

 

Segunda notícia: o António Trolho, operado ao coração na sexta-feira passada, não está a passar bem. A bactéria hospitalar veio transtornar a evolução positiva do seu estado de saúde. Vamos pensar nele com toda a força...

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