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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

MAIS "SILÊNCIO"

17.02.17 | asal

Por tratar de um tema aqui glosado nos últimos dias e adicionar novidade aos outros comentários, aqui temos hoje a palavra do P. Anselmo Borges, no "Diário de Notícias" deste sábado. AH

Silêncio

Em 1549, São Francisco Xavier esteve no Japão e 60 anos depois já havia 300 mil católicos. Em 1614, começou uma perseguição brutal, para que renegassem a fé. Eram submetidos a dois suplícios: o da fossa e o da cruz. No primeiro, os condenados, envoltos em panos e amarrados fortemente por cordas e com um pequeno corte por detrás da orelha, donde saíam gotas de sangue, eram suspensos pelos pés, com a cabeça para baixo e para dentro de uma cloaca, podendo ficar assim dez dias até morrerem. A outra tortura: amarrados numa cruz erguida frente ao mar, ficavam abandonados às ondas, que iam e vinham esmagadoramente contra eles, no frio e na fome, dia e noite, até à morte.

Em 1966, o escritor católico Shusaku Endo, que foi proposto para Prémio Nobel da Literatura, escreveu um romance com o título Silêncio, agora em filme com o mesmo nome, de Martin Scorcese. Têm um fundo histórico. O padre jesuíta Cristóvão Ferreira apostatou, não resistindo à tortura da fossa, o que causou enorme comoção na Europa. Em plena perseguição, dois jovens jesuítas, Rodrigues e Garpe, oferecem-se para partir: move-os fundamentalmente saberem o que se passou na verdade com Ferreira, que tinha sido seu formador no seminário e que tanto admiravam.

O livro e o filme são obras cimeiras, de rara intensidade dramática e comoção, mas não admira que hoje não se perceba essa intensidade, porque, numa sociedade do bem-estar material e numa cultura do provisório e da pós-verdade, não há abertura para as decisivas questões metafísico-religiosas. Ficam aí quatro notas sobre o que penso serem os seus temas essenciais.

 

1. A primeira refere-se ao que lhes dá o título: silêncio. Note-se que se trata de Silêncio, sem artigo, simplesmente Silêncio. No meio daquele indescritível horror de sofrimento, Deus não diz nada, mantém-se num silêncio de chumbo e de breu, obstinadamente calado. A ponto de o padre Rodrigues ser tentado pela dúvida atroz, chegando a perguntar se não foi ao... nada que andou a rezar.

Perante a dor, a maldade bruta, uma natureza cega que arrasa num tsunami milhares de pessoas, não distinguindo culpados nem inocentes, o crente percebe que a fé é um combate e que se confronta, à maneira de Job, com um Deus incompreensível. "Incompreensível que Deus exista, incompreensível que não exista", escreveu Pascal. Se existe, porque é que há tanto mal? Mas, se não existe, então, em última análise, é para o nada que caminhamos e não há sentido último. E donde vem o bem?

 

2. Para Shusaku Endo, a personagem deve representar Judas. Chama-se Kichijiro e é quase omnipresente: quando parece ter desaparecido, ele está lá outra vez. Viu a família destruída pela perseguição e abjurou. Depois, quase atordoado, anda pela vida, atraiçoando aqui e ali, mas sempre a arrepender-se e a pedir perdão e a confessar-se; o padre tinha pisado o ícone cristão, mas ele ainda acredita que é padre e o pode absolver. Depois de reconhecer que Deus fez uns para heróis e outros para cobardes e ele é um destes, um cobarde, faz esta pergunta imensa: porque é que nasci neste tempo de perseguição? O padre também reconhece que aquele pobre diabo, se tivesse nascido em tempos normais, teria sido um cristão "conformado e feliz".

No livro e no filme, perguntamos a nós mesmos, bem lá no fundo, se não somos todos o Kichijiro. O que faríamos se estivéssemos lá? Porque, numa sociedade livre e no conforto, é fácil ser herói a partir de fora. Mas, quando se está dentro, quem está verdadeiramente preparado para ser realmente herói, isto é, digno em circunstâncias nas quais a alternativa é "abjurar" ou ser morto? Não apenas em relação à fé religiosa, mas em relação à defesa da dignidade humana pura e simplesmente? Quem nunca renegou?

 

3. Ele há a tortura física, ele há a tortura psicológica, mas a mais terrível é a tortura da consciência. É a ela que o padre Rodrigues é submetido. Apanhado, no meio de tanto horror, esmagado pelo cansaço, rasgado pela noite da dor, mas fiel à sua missão e à fé, tudo indica que estava disposto a dar a vida no martírio. Mas as autoridades japonesas não querem mártires, querem que os católicos e sobretudo os padres reneguem publicamente, calcando um ícone com as imagens de Cristo e da Virgem. Assim, numa chantagem estudada e num cinismo requintadamente depurado, começa o inquisidor, com a ajuda do ex-padre Ferreira, a torturar-lhe a consciência, dizendo-lhe que, se fosse um padre a sério, faria como Cristo, dando a vida pelos outros, e que não é nada, trata-se apenas de uma formalidade, pois até pode continuar no seu íntimo a professar a fé e, sobretudo, que, se calcar, aqueles cristãos que gritam de dor serão libertados.

É claro que, subjectivamente, se calcar, entendemo-lo e Deus também. E objectivamente? Ele acaba por ouvir uma "fala" de Cristo, o calcado, o pisado da História por causa dos outros e quebrando o silêncio: "Pisa-me." E ele, atenazado, ouvindo o grito dos que Cristo mandou amar, pisou, caindo em abraço terno ao Cristo calcado. Um mártir da consciência torturada a favor dos irmãos. A mulher japonesa, que lhe foi dada pelas autoridades, entendeu e, com ele já no féretro, deixou escorregar secretamente para dentro um pequeno crucifixo (este final é só do filme).

 

4. Eram tempos de miséria no Japão. A perseguição foi também causada pelo receio da classe dominante frente à dinâmica democratizante do Evangelho, respondeu-me uma vez no Japão um japonês. Receio acrescentado por a religião poder ser a porta aberta a imperialismos ocidentais.

Evidentemente, o cristianismo precisa de ser inculturado. Como acaba de dizer o padre Adolfo Nicolás, ex-superior-geral dos jesuítas: "Na Ásia, não há evangelização possível sem alianças com o budismo e o shintoísmo."

MAIS ANIVERSÁRIOS

17.02.17 | asal

Por onde tens andado, João Mendes Gregório?

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Vais aos nossos encontros, participas neste convívio diário e o teu nome não constava da lista de aniversariantes. 

Mas, com a ajuda dos amigos, vamos completando o número dos vivos e dos amigos que, com a graça de Deus, vão celebrando mais umas lindas primaveras. Vens de 1944, já assististe ao fim da guerra. Oxalá que não vejas outra...

Aqui estamos nós a dar-te os PARABÉNS e a desejar-te um futuro bonito, nesta idade de ouro que agora vivemos. Que vivas feliz, juntamente com tua esposa e restantes familiares. 

Olha, já que hoje temos um benfiquista a fazer anos, também te desejo que assistas brevemente aos maiores triunfos do nosso Sporting. Viva!

Não temos o n.º de telefone do João.

Mas temos a foto dos fundadores (José Alvalade e companhia), num lindo mármore embutido de várias cores que se encontra nas instalações do reino do LEÃO!...

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ANIVERSÁRIO

17.02.17 | asal

PARABÉNS, LUÍS!

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É o teu dia... O frio está a passar, o Benfica está a ganhar, a viola não quer descansar...

Assim, tens todas as hipóteses de celebrar em alegria o teu aniversário.

Parabéns, Luís Romão de Matos, pelos teus 62 aninhos!

E que esta festa se repita muitas vezes com saúde e felicidade.

Contacto: tel.  962 913 070

MUITA PEDRA A PARTIR NA BEIRA BAIXA

16.02.17 | asal

RICO TESTEMUNHO DO FRANCISCO AMARO.

COM A REFORMA, UMA OUTRA BELA VIDA...amaro.jpg

TRABALHANDO... AH

 

 

Nasci em 1948 em Juncal do Campo onde frequentei a instrução primária.

Elegi o Fundão para viver, sem esquecer as raízes, publicando 3 livros de poemas e "Registos de baptismo de Juncal do Campo".

A minha ambição nunca foi além do território da Beira Baixa, pois considero que é possível aqui a plenitude. Chamo a atenção para as qualidades dos Beirões que Artur Elias da Costa destaca no seu livro : - Castelo Branco no Trabalho.

Participo em várias associações exercitando a cidadania, pois não quero servir para “ compor “ listas.

Atingida a reforma, ocupo-me entre a agricultura, a poesia  e a pintura.

O comércio tradicional definhou e abri uma oficina  na Rua da Cale, Fundão, onde todos os dias tento preservar as belas imagens da Beira Baixa, cedendo gratuitamente uma das montras, onde os artistas  podem expor os seus trabalhos durante um mês, tentando assim chamar mais pessoas à zona antiga.

Pretendo assim transformar o ócio pintando quadros onde a flor da cerejeira permanece todo o ano, como a neve na Serra da Estrela ou os tons outonais da Serra da Gardunha.

Quadros que podem viajar a qualquer parte do mundo, divulgando a Beira Baixa e homenageando este chão, outrora calcorreado pelos nossos antepassados.

Foram eles que com o seu trabalho e arte contribuíram para a preservação da memória.

É minha obrigação respeitar e, se possível, alargar essa memória.

Já no campo da política considero que o interior é mais fustigado.  Não vejo um pensamento estratégico,  deixando instalar-se a  indiferença.

Recordo as palavras de Sartre aquando da visita a Portugal, depois do 25 de Abril, quando um jornalista lhe perguntou: - Então agora a revolução está feita? Não, a revolução só estará concluída quando acontecer dentro de cada homem...

Hoje, temos a certeza dos erros cometidos. E volto à minha origem, Juncal do Campo, onde a gente simples e humilde sabia que não podiam gastar o que não tinham e, se a horta produzisse em excesso, lá iam até à praça de Castelo Branco, na ambição de amealharem alguns tostões.

Foi com essa gente que aprendi que o património nunca se vende, pois vai-se o património e o dinheiro...

Passados 60 anos, “alguém” vende o Lagar cooperativo de Juncal e Freixial do Campo, passando por cima dos estatutos!?

Ainda há muita pedra para partir na Beira Baixa.

Mas apesar de todos os constrangimentos causados pela interioridade (desertificação, população envelhecida, falta de emprego e, muitas vCALE.jpgezes cada um só preocupado com o seu quintal, etc.), não custa dinheiro e satisfaz-me a contemplação dum pôr do sol ou uma caminhada pela Serra da Gardunha.

Como frisou Cícero: “ A vida feliz consiste na tranquilidade da mente “.

É para isso que todos os dias trabalho, almejando  o lado positivo da vida, tendo presente as palavras de Santo Agostinho: “ Mesmo que já tenhas feito uma longa caminhada, sempre haverá mais um caminho a percorrer “.

 

Silva Amaro

 

        Fundão - Rua da Cale: promovendo a Arte!

ZONA BEIRÃ DO PINHAL SUL

14.02.17 | asal

ETNOGRAFIA DA ZONA BEIRÃ DO PINHAL SUL- CONCELHO DA SERTÃ

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GENERALIDADES

A zona beirã do Pinhal Sul compreende quatro concelhos: Sertã, Oleiros,  Proença-a-Nova  e Vila de Rei. Em tempos, esta foi a maior zona de pinheiro bravo da Europa. Infelizmente, os incêndios e as plantações de eucaliptos tiraram-nos esse record. Neste trabalho vou ocupar-me, apenas,  de aspetos etnográficos do concelho da SERTÃ e ainda, neste concelho, de uma das suas 14 freguesias ( Troviscal, Sertã, Pedrogão Pequeno, Ermida, Figueiredo, Cumeada, Marmeleiro, Cernache do Bom Jardim, Nesperal, Palhais, Castelo, Carvalhal, Cabeçudo e  VÁRZEA DOS CAVALEIROS.

 

Várzea dos Cavaleiros, situa-se na margem da ribeira da Tamolha, e é a quarta freguesia do concelho da Sertã - logo a seguir a Sertã, Cernache do Bonjardim e Pedrogão Pequeno. Tem mais de trinta pequenas povoações, entre as quais cito apenas as mais populosas e importantes, como sejam Mosteiro de São Tiago, Entre a Serra, Póvoa, Beirão, Vale do Pereiro,  Pereiro,  Maljoga,  Moinho do Cabo, Moinho Branco,  Isna de São Carlos, Sesmarias, Moita da Lomba,  Sobral, Ribeiras Cimeiras, Ribeiras Fundeiras ( onde nasci, em 1933 ) , Outeiro,  Boiçô, Sobral, Isna de São Carlos, Porto dos Cavaleiros, etc.

Segundo a lenda (chamada lenda da CELINDA), o nome Sertã tem origem no seguinte: Quando Roma tentava conquistar a LUSITÂNIA, no ataque ao castelo da Sertã, ainda existente, um soldado romano subiu às ameias do mesmo, para atacar.  A mulher do guarda do castelo, cujo marido fora morto na batalha, estava a fritar ovos numa frigideira quadrada - S E R T AM - . Para defender o castelo e vingar a morte do marido, a castelã, aproximou-se da ameia e despejou o azeite quente, a ferver, sobre os atacantes que fugiram, assim se gorando o ataque.  Desde então, o local passou a designar-se SERTÃ.

Diz um reconhecido antropólogo que o povo desta região tem “ o mesmo fundo de carater do povo português: docilidade,  bondade, grande poder de trabalho, alegria, resignação, lealdade e sobriedade” .  Acrescento, ainda, crente, honrado e respeitador.

 

ETNOGRAFIA

A definição mais interessante que encontrei para ETNOGRAFIA foi “ método de estudo utilizado pelos antropólogos, com o intuito de descrever as tradições de um grupo humano”.

Vou, assim,  descrever alguns episódios etnográficos, de que me recordo:

 

A - VIDA COMUNITÁRIA       

 

1º - REBANHO DE GADO

                A minha pequena povoação – RIBEIRAS FUNDEIRAS – tinha, nessa época, 7  fogos – famílias – ( não se admirem, hoje tem dois ). Naquela região, havia muitas famílias numerosas ( na minha casa fomos 12 ), pelo que a população rondaria cerca ou mais de 50 pessoas, incluídas as empregadas domésticas.

Não obstante a sua pequenez, cada família era dona de 5 ou 6 cabras. Para evitar maiores despesas, os moradores acordaram em admitir ao serviço um pastor comum, que, todos os dias “tirava” o gado dos currais e  levava-o  a pastar pelos campos, regressando depois do sol posto.

Curioso é que o rebanho, composto por mais ou menos 30 cabeças, ao regressar, cada grupo conhecia o seu curral e ia, em tropelia, para o local que era o do seu dono.

Excepção feita aos bodes, que entravam no curral onde houvesse uma cabra com o cio. Perguntar-se-á: porque é que não havia um só curral? A resposta é que cada família necessitava do estrume dos animais para estrumar as suas terras. A cama dos animais, assim como as próprias ruas da povoação eram, nessa época, cobertas de mato, pisado pelas pessoas e animais para estrume – o melhor adubo, substituto dos químicos.

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2º - O FORNO

                 Havia um só forno, fosse para cozer pão ( broa ), ou para fazer apetitosos assados. Normalmente, as famílias coziam uma vez por semana, de forma a terem  broa fresca. Havia rotatividade, estando colocaMoinho-de-água.jpgda, à entrada do forno, uma tábua, com furos correspondentes às várias famílias.

        

3º - O MOINHO COMUM –  AZENHA

Os cereais eram moídos num moinho ( azenha ) existente à beira da ribeira. Nessa época, em que não havia os motores de tirar água para as regas, não faltava a mesma. A partir da ribeira, num açude ali existente, desviava-se  água, para uma levada, até ao moinho. A água era conduzida, depois, por uma calha inclinada em madeira, e batia, com força, nas pás de um rodízio que rodava, transmitindo a rotação às mós do moinho, no andar superior. Uma mó era fixa, a outra rodava sobre ela, esmagando os grãos do cereal que se transformavam em farinha, que era peneirada para fazer o pão. 

Este moinho COMUM servia os moradores, havendo um livro de capa dura, que passava, de casa em casa, e cada família sabia o dia em que podia moer.

 

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4º - O LAGAR DE AZEITE

Na minha povoação, na margem da ribeira da Tamolha, funcionava, na época da apanha da azeitona, digamos de Outubro de um ano a Março/Abril do ano seguinte, um lagar de azeite movido a água. Este lagar foi desativado, por expropriação da Junta Autónoma das Estradas, com o fim de interesse público – construção do I.C.8 – auto estrada que vai de Pombal à auto estrada, nas proximidades de Castelo Branco.

Este lagar era propriedade de 14 sócios e figurava, na Repartição de Finanças, na titularidade de um deles & sócios. Nele, os sócios moíam a azeitona de cada um, sendo-lhe retirada a “maquia” ou seja uma percentagem de azeite que era guardada num pote e, no fim da colheita, vendido e o produto da venda distribuído pelos sócios. Além da dos sócios, o lagar moía a azeitona de agricultores que não o eram e que habitavam e tinham os seus olivais nas proximidades. Havia vários lagares, v.g. nas proximidades - nas Ribeiras Cimeiras - havia outro no Porto dos Cavaleiros, também na margem da Tamolha.

O lagar, movido a água, como escrito antes, tinha uma grande roda com pás, que era impulsionada com uma corrente de água, proveniente da ribeira, através de uma levada que terminava numa calhe oblíqua que, com força, batia nas pás da grande roda metálica, transmitindo o movimento ao equipamento interior do lagar, essencialmente composto por 2 grandes galgas em pedra, que rodavam em círculo,  pisando a azeitona num “pio”. A azeitona moída era metida em ceiras e  colocadas estas numa prensa,  umas em cima das outras, para “espremer” o azeite que ia a decantar em “tarefas”. O bagaço que ficava nas ceiras era retirado com um pau e servia de ração para os porcos que cada família tinha.

Praticamente, estes lagares manuais, digamos assim, deixaram de existir, tendo sido modernizados ou substituídos, com funcionamento a eletricidade e centrifugadoras.

Era e é costume que os proprietários, quando a sua azeitona estava a ser moída, convidarem os amigos para uma TIBORNA, ou seja cozerem, na fornalha, batatas com bacalhau, aquecerem fatias de pão e embebê-las em azeite e fazerem uma seroada com vinho “carrascão”. Tão boas recordações se guardam destes convívios!

 

B - OUTRAS ACTIVIDADES

         

5º- A APANHA DA AZEITONA

Era uma das mais difíceis tarefas do trabalho rural. Na verdade, antes das novas e atuais máquinas, a apanha da azeitona era complicada. Antes de mais, porque ocorria e ocorre em pleno inverno com frio de rachar. A faina começava antes do nascer do sol e, pode imaginar-se  que temperatura tinha que se suportar. Primeiro, estendiam-se os panos debaixo da oliveira a “apanhar”. Depois, alguns trabalhadores subiam às oliveiras, através de escadas com degraus fixados nos banzos e colhiam as azeitonas que caíam sobre os panos juntamente com folhas dos ramos. Outros trabalhadores ficavam no chão a colher as azeitonas dos ramos mais baixos. Entretanto, o sol nascia e o rancho ganhava força e alegria no trabalho. Era ouvir o cantorio que soava pelas encostas. Da canção popular de que mais me recordo era,  “O CHAPÉU PRETO”, assim:

 A azeitona já está preta,                        É mentira, é mentira, é mentira, sim senhor,

Já se pode armar aos tordos,                  Eu nunca pedi um beijo,

Diz-me lá ó cara linda,                              Quem mo deu foi meu amor.

Como vais de amores novos.                   Ó que lindo chapéu preto naquela cabeça vai,  

                                                                        etc.,etc……………………………………………………                                                                                            

Continuavam com as várias quadras e logo entoavam outras canções populares, como a “Rosa arredonda a saia”, “o alecrim", “ ai, ai, ai minha machadinha” e tantas outras  que a juventude cantava à desgarrada.

Uma tradição era, quando aparecia o patrão, uma das raparigas “penhorá-lo”, oferecendo-lhe um ramo de oliveira, carregado de azeitonas. A contrapartida do patrão era o rancho receber um garrafão de vinho ou outra prenda.

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- A MATANÇA DO PORCO

Cada família engordava um ou vários porcos, através das hortaliças das hortas, das frutas, tais como figos, maçãs e, ainda dos restos de comida das refeições ( vianda ).

Em Dezembro, normalmente antes do Natal, havia a matança do porco, em que os vizinhos se entreajudavam e era uma festa. Matar, chamuscar,  pendurar, abrir, desmanchar, salgar os presuntos e pás, fazer os chouriços – morcelas, mouras, magras, farinheiras – etc.

 

7º - A CÔNGRUA

Para a conveniente sustentação do pároco da freguesia, cada família pagava, anualmente, um estipêndio em milho ou outros produtos da terra. Nas povoações havia um vizinho que se ocupava dessa tarefa.

 

8º----- A IRMANDADE

Cada povoação tinha, normalmente, uma denominada irmandade que se reunia pelo São Martinho, na casa do Irmão,  nomeado para esse ano. Cada um levava um farnel e passava-se uma tarde a beber e a comer. Nos intervalos, rezavam-se terços por alma dos falecidos. Eram estes irmãos que se ocupavam dos formalismos do funeral de quem morresse, inclusive transporte do cadáver e refeições para os “doridos”, que nada faziam, só acompanhar o familiar defunto.

Penso que mais episódios da etnografia da minha freguesia havia para descrever, mas entendo que já fui longe.Termino, com votos de Saúde e Alegria! 

 

13-02-2017 – J. NOGUEIRA   

PARABÉNS!

14.02.17 | asal

Hoje é a vez de um fotógrafo fazer anos!

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Tantas vezes apanhas a cara dos outros, que hoje é a vez de te apanharmos em pose de gente activa, comprometida e colaboradora. Embrulhas-te com as pessoas para lhes dares importância e mostrares o que por aí se faz de bom e por bem. É com a nossa associação, é com o pessoal dos Serviços Sociais da Administração Pública, etc. A cantar, a dizer poemas, lá estás em todas.

Parabéns, António Eduardo Santos Oliveira, pelos teus 71 (bela idade!) e aqui te desejamos muitos anos de realização pessoal, com saúde e alegria.

Contacto: tel. 918 302 410

AINDA O FILME

13.02.17 | asal

MAIS UMA ACHEGA sobre o filme "SILÊNCIO", desta vez do Florentino, que também acaba de o ver.

 

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Silêncios  perturbadores  

 

Também acabo de ver o mesmo filme a que te referes no animus semper. Contas a sua história de uma forma correta que acompanhe. Formalmente Bom, no conteúdo, um pouco confuso. Na temática, muito atual. A tolerância religiosa. 

Quanto à tese do filme, para mim, consiste em colocar, em carne viva, a tragédia humana… o problema da liberdade e da responsabilidade. Até que ponto conseguimos ser livres, até nas opções mais íntimas que vamos fazendo na nossa vida. Por outro lado, tomamos consciência que as nossas opções silenciosas sempre afetam outros. Para o bem e para o mal. 

Não podemos esperar de Deus, de Buda ou de qualquer religião qualquer resposta para os problemas da humanidade. Ao homem compete assumir o seu destino, muitas vezes em tragédia.  

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O Silêncio, a Solidão Humana, a Liberdade é que vão definindo o Ser-se Homem. Os instrumentos, os meios, os apoios externos que cada um recebe dos outros ou procura, são sempre voláteis, depend
endo das circunstâncias existenciais. Por esta razão, ninguém poderá julgar ninguém. A tolerância impõe-se como uma premissa de sobrevivência da espécie humana. 

Gostei da tua referência aos cristãos–novos. Um só Rei. Uma só Fé. Resultado trágico que nos envergonha. Belmonte aí está para nos lembrar que a intolerância não resulta. 

Um abraço agradecido pela tua reflexão tão oportuna e substancial. O Animus Semper, deste modo, dá-nos mais ânimo para vivermos melhor o nosso silêncio interior. 

f. beirão

ANIVERSÁRIO

13.02.17 | asal

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DIA 13, PARA MIM DIA DE SORTE!

 

E para ti também, caro  António Martins Ribeiro! Vens já de 1947, o que perfaz umas dezenas certas, sem tirar nem pôr...

Assim, aqui ficam os nossos parabéns e votos de muita alegria, saúde e longa vida.

Continua a aparecer sempre, que a gente gosta de te ver.  

Contacto: tel. 969 166 762

O filme "SILÊNCIO"

12.02.17 | asal

Silêncio! O filme do momento

Mª VITÓRIA AFONSO NA FEIRA DO LIVRO 28 ABRIL 201

 

Hoje conseguimos ter a oportunidade de ir ver o filme de Scorcese, que nestes últimos tempos tem levantado opiniões contraditórias. Sinceramente, gostei. Uma das razões porque gostei foi ter passado todo aquele tempo (161 minutos!) bem desperto, sem passar pelas brasas.

O tema do filme atira-nos para o Japão do séc. XVII, quando a defesa dos valores tradicionais do Japão pelo shogunato leva à perseguição de tudo o que seja estrangeiro. E o cristianismo é o alvo principal e o símbolo maior de culturas estranhas, que desde S. Francisco Xavier se desenvolveu na sociedade japonesa e era preciso erradicar. No centro do vulcão, estão os jesuítas, quer pela sua força quer agora pela sua atitude perante os perseguidores. O édito de 1614 a proibir a fé cristã e a expulsar os missionários não foi suficiente e as comunidades cristãs continuavam na clandestinidade.

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Mas chega à Europa a notícia de um célebre Padre Ferreira, ilustre missionário e formador de missionários, ter apostatado da sua fé perante os sofrimentos a que foi submetido, passando a viver segundo os valores japoneses e o budismo. Logo outros heróis se lançam à fogueira: mesmo perante a ameaça de morte certa, dois padres (Rodrigues e Garupe) conseguem entrar no Japão para em segredo contactar e animar as comunidades cristãs e descobrir o tal apóstata, até para o demover.

Todo o ambiente do filme se caracteriza por uma extrema violência contra os cristãos e especialmente os padres. Queimá-los com água a ferver de nascentes termais, pregá-los na cruz no meio de marés vivas até morrerem, decapitá-los, pendurá-los de cabeça para baixo com a cabeça na fossa, tudo contribui para dissuadir as pessoas a abandonar a sua fé, e, no caso dos padres, a grande preocupação era levá-los a apostatar para assim eles darem o exemplo aos outros cristãos.

E chega de história.

O mais importante para mim foi a encarniçada luta das autoridades japonesas contra a mentalidade cristã desta gente. Aquelas pobres almas, de fé simples, que diziam que pagavam todos os impostos, viviam aterrados com a chegada dos chefes. Mas não largavam a sua fé, pois Cristo prometera-lhes o paraíso, coisa que na terra lhes estava vedado. Há uma veneração exagerada pelo padre e muito mais por todos os símbolos cristãos, a ponto de o padre se ver obrigado a desfazer-se do seu rosário e distribuir as contas pelos aldeãos.

No meio dos fiéis, também surge um Judas, de nome Kichijiro, que tanto serve para esconder os padres e levá-los em segurança a outras povoações, como os entrega por boas quantidades de prata; capaz de apostatar pisando a imagem sagrada para não sofrer, vem depois, por várias ocasiões, a pedir a confissão num retorno à condição inicial de cristão como gente digna! É a figura mais triste, um invertebrado, que quase tira ao filme o ar de seriedade.

A personagem principal do filme, o Padre Rodrigues, levado por princípios rígidos de educação cristã, não cede em nada e ali está ele a servir em boa consciência a Igreja Católica. Ele e os simples cristãos encontram-se ameaçados por um poder político dominador, que condenava mesmo à morte. Caso o último padre resistente abjurasse a sua religião, os cristãos não teriam mais o suporte da sua fé. Daí toda a tramóia em volta do Padre Rodrigues, que se vê confrontado com a morte de cristãos, postos a sofrer horríveis castigos à sua frente. 

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A tragédia é esta: se apostatares, os cristãos não sofrerão mais. Agora, escolhe: queres manter a tua fé e ver teus irmãos sofrer e morrer ou, por amor aos outros, renuncias à tua mentalidade cristã? Basta colocar o pé em cima da imagem de Cristo...

Até o célebre Padre Ferreira, apóstata, é trazido para convencer o seu antigo aluno: “Por amor deles, até o próprio Cristo teria apostatado”. Mas nem este consegue grandes avanços. O Padre Rodrigues defende «a verdade» de Deus e não dobra. Mas colocado perante situações extremamente desumanas, lá aceita, sem coragem e sem alegria, renunciar ao seu passado e iniciar uma vida diferente, ao lado de uma mulher com um filho, que ele recebeu de outro condenado.

Ter-se-á convertido? Aqui está o maior mistério do filme. Tudo se encaminhava para o extermínio da fé, que nas terras japonesas não fazia sentido, «eram um pântano onde não cresciam ideias novas», como se diz no filme. Mas este, mais que falar de derrota, apela para a vitória da fé, mesmo que esta seja apenas secreta e íntima. A própria mulher que o acompanha deposita às escondidas, junto do cadáver do padre, o pequeno crucifixo que um dia um camponês lhe oferece.

 

Interrogações:

1 – Quem consegue torcer o nosso íntimo, por maiores castigos que nos inflijam? Podemos tornar-nos “cristãos-novos” ou “budistas confessos” sem uma adesão íntima e sincera? Saí do filme a relevar esta omnipotência da consciência humana, que não dobra. Vamo-nos mudando pela força da razão, pela lógica dos conhecimentos e ainda pelo testemunho dos outros, o que explica as verdadeiras conversões.

2 – Quando é que a nossa fé é pura, consciente, bem esclarecida? É uma interrogação forte do filme, em que se diz, às vezes, que a fé cristã e a budista são iguais, numa alusão à inculturação que os jesuítas praticaram (Deus seria o sol, ou a natureza..., alega o apóstata padre Ferreira). A verdade é que as pessoas deixam-se matar por serem cristãs, como hoje outros matam à espera das 70 virgens que os receberão no paraíso...

3 – Li que a noção de Deus no filme está mal situada, como se Ele fosse um estranho a isto; pois eu achei que um Deus paciente, compassivo e tolerante está bem presente no gesto continuado do padre a absolver o pecador-judas.

4 - Agora, outra questão é o silêncio de Deus, que nada diz em nenhuma circunstância, parecendo deixar-nos ao abandono neste mundo de tantas interrogações. E quem não sentiu já este silêncio de Deus? O diálogo connosco próprios, o testemunho dos irmãos e da história é que nos vão animando. Estarei eu certo? Caminhar na fé é sempre andar com algum nevoeiro, como era aquele ambiente soturno, escuro, em grande parte das cenas do filme.

Fico-me por aqui para não pesar muito.

António Henriques

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SILÊNCIO

12.02.17 | asal

Já vi o filme. Estou a escrever uns apontamentos sobre ele. Vale a pena ver. Amanhã espero publicar. Aconselho os amigos a não perderem esta obra cinematográfica. A fé é capaz de nos levar até a deixar de amar os irmãos?

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A EUTANÁSIA

10.02.17 | asal

 A EUTANÁSIA: SIM OU NÃO ou ASSIM-ASSIM?

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 A  questão da  morte medicamente assistida tem sido objeto de um aceso debate desde que, em 2015, se constituiu um Movimento Cívico em defesa  da sua despenalização, o qual haveria de desembocar no Manifesto de fevereiro de 2016” “Pelo direito a morrer com dignidade”, apresentado por nomes sonantes da cultura, da ciência e da política.  Há neste momento uma Petição dirigida ao Parlamento, com mais de 8.000 assinaturas para que se tome a decisão de alterar a lei  no sentido da sua liberalização, reconhecendo aos cidadãos direito de escolha sobre o seu destino final.

  A causa, capitaneada pelo Bloco de Esquerda, tem sido largamente tratada na comunicação social, inclusive a Internet, e está longe de recolher o consenso geral.

 

1 - Para já, dois grupos antagónicos se definiram: Os que reclamam a alteração do Código Penal , que desta matéria trata a partir do artigo 133º,  no sentido da revogação das penas previstas  para  quem incite  ao suicídio assistido ou colabore na eutanásia ativa. Exigem igualmente que sejam devidamente dilucidadas  as condições em que o doente pode usar do seu direito de decidir do tempo e do modo da sua própria morte.  O 2º grupo  pugna pela manutenção da lei vigente, protetora da vida até ao fim, diabolizando à partida a “eutanásia ativa ”, vista como uma forma encapotada de um assassínio programado.  Para estes, tal prática não se afigura como um progresso, mas um retrocesso civilizacional, uma mudança de paradigma na própria conceção  da vida humana e dos valores morais  que  fundamentam a sua dignidade inviolável. Temos, assim, a questão polarizada na oposição: morte artificial versus morte natural.

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2 - Clarificação da terminologia e dos conceitos:

No calor da polémica, confundem-se designações e conceitos, o que não favorece a compreensão de um problema intrincado e complexo, que passa pela definição da fronteira entre a vida e a morte.  Quantas vezes se ouve dizer:  isto já não é viver!  Subentende-se:  já não é vida, mas ainda não é a morte.

  Seguindo, pois, o conselho da Doutora Inês Godinho, numa esclarecedora entrevista ao Observador ( 16/03/2016) vou tentar clarificar a linguagem, fazendo-o como leitor comum e não como especialista que não sou! Por isso, estarei sempre aberto à caridade de alguma correção ou ideia complementar! Num contexto de doença, particularmente grave e incurável, o legislador prescreve. “ Quem mata outra pessoa na sequência de um pedido que ela tenha feito é punido com uma pena de prisão até três anos” (art.134º)    Ou  “  o incitamento ou ajuda ao suicídio” é punível com uma pena que pode ir de três a cinco anos.

 Configuram-se aqui duas modalidades da “morte medicamenta assistida”: a eutanásia ativa (expressão não utilizada no Código) e o suicídio assistido.

A eutanásia, etimologicamente “boa morte” , pode ser praticada, em contexto hospitalar ou não, por um profissional de saúde, que a pedido do doente, lhe administra um fármaco ou injeção letal, pondo-lhe, assim, termo à vida. O pedido deve ser formulado quando o doente se encontra ainda na posse das suas  capacidades mentais, tendo sido feito de forma informada, consciente e reiterada.  O ato só pode ser praticado em caso de doença definitiva e incurável e já em fase terminal. Exige-se a supervisão de um ou dois médicos  e, eventualmente, de um psiquiatra.   É este o conceito de eutanásia ativa.

   Caso o médico se limitar a retirar o tratamento que suporta a vida, desligando as máquinas ou aliviando a sobrecarga de medicamentos que apenas permitem uma vida vegetativa, já com morte cerebral, temos o que se chama eutanásia passiva, não punível por lei, ao contrário da eutanásia activa e do suicídio assistido.  Este difere do método anterior só no que se refere ao sujeito que pratica o ato, mantendo-se as  mesmas condições  e circunstâncias da eutanásia: é o próprio que o executa  sobre si mesmo, com um fármaco letal, fornecido ou comprado por outrem.  Há na Suíça uma clínica, chamada “Dignitas (creio ser este o seu nome!) à qual recorrem os doentes terminais para praticarem o suicídio assistido, (imaginamos com a consolação que o luxo faculta ! )

   Contrária à morte medicamente assistida nas  duas modalidades já referidas (eutanásia e suicídio), temos  a distanásia ou obstinação terapêutica, que consiste no adiamento da morte do doente, em fase terminal, com o recurso a tratamentos desproporcionados, sem possibilidade de reverter a situação.  Às vezes, o prolongamento artificial da vida causa ainda mais sofrimento, dada a pressão psicológica em que o doente e os familiares se colocam.  Já Hipócrates, o pai das medicina, grego, natural da ilha de Cós,  que aos médicos atribuía a nobre missão de salvar a vida e não de a matar,  dizia que aos clínicos  incumbe o dever de ajudar a natureza na sua luta contra os germes da doença; mas pode dar-se o caso de que o melhor será nada fazer.

Apesar de reprovável e contrária à deontologia médica, como se infere da lição do mestre grego,  o encarniçamento ou a fúria de viver a todo o custo, usando os remédios mais sofisticados, mais caros e de última geração, é  uma prática frequente, sobretudo, nas elites económicas.  Neste contexto, fazer a  avaliação da situação torna-se difícil,  em virtude da convicção ou esperança  de conseguir comprar mais um tempo de vida.

    Em franca oposição a estas práticas,  apresenta-se a “ortotanásia”, a morte corrente ou natural que, tendo experimentado as várias formas de aliviar a dor, cuidados paliativos, morfina e sedativos de diversas  tipologias,  os quais, em certas situações, até podem  encurtar a vida, deixam, no entanto, a morte acontecer como um fenómeno  que integra  o processo da existência: o ser vivo nasce, cresce,  madura,  envelhece e morre.

(Fico-me hoje por aqui. Não quero cansar os meus amigos com temas sem graça ou não? Falta-me apresentar os argumentos das duas posições em confronto: a favor  da despenalização da morte assistida ou contra.  

Por desfastio,  podem ler na Net as entrevistas de João Semedo ao Expresso (10 de março de 2016 e uma  outra do P. José Nuno, capelão hospitalar e especialista nestas matérias, dada ao Público. Com pontos de vista contrários, são ambas excelentes. E já me esquecia:  o livro de Leonardo Boff    "VIDA PARA ALÉM DA MORTE", Petrópolis, 1988 (206 pp) dá-nos a visão da antropologia cristã sobre a vida e a morte.)  

Um abraço e até breve!

João Lopes

 

NOTA: Tema difícil, a que o João Lopes meteu ombros. Parabéns! Depois da clarificação de conceitos, virá a segunda parte. Ficamos à espera... Será esta a nossa Hora Dominical de Reflexão? AH

ALMARAZ

09.02.17 | asal

ALMARAZ - um perigo constante

 

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Ninguém me tira da idéia que já estamos a ser afectados  por esta central nuclear situada aqui ao nosso lado e, pelos vestígios constatados, deixam-me a dúvida.

Nesta nossa Raia da Idanha, onde o ar ainda é puro e saudável, onde se vive com a certeza de que não há  poluição, começo a ficar de pé atrás.

Quando viajo por aquela charneca do concelho da Idanha e vejo  inúmeras árvores que em pouco tempo começam a ficar secas, ao lado de outras que vão vingando a sua sorte, interrogo-me a mim mesmo o que será isto !?

Os montados de azinheiras e sobreiros que se vêem ao longo da estrada e os eucaliptos das encostas, mostram à distância sinais da sua agonia. Algumas já secas, erguendo os seus galhos despidos de folhas, outras de ramagem amarelada sem que haja recuperação possível.

Árvores novas, outras  centenárias e moribundas, não havendo memória  de tal acontecimento.

Será dos ventos que vêm de Espanha? De lá, diz o ditado "nem bons ventos nem bons almar.jpgcasamentos".

Passo a fronteira, e vejo a Serra da Gata bem próxima de  Cilleros, Vegaviana e Moraleja. Grandes áreas de regadio que produzem  culturas diversas, hectares de milheirais, produtos hortícolas variados e é curioso observar grandes faixas  de plantas murchas.

Não é por falta de água, com certeza.

Falei com um almara.jpgagricultor no terreno e, no desenvolvimento da conversa, não deixou de mostrar a sua preocupação perante o que estava à vista e isto vem acontecendo com mais frequência de ano para ano, não deixando de atribuir à Central de Almaraz estas consequências. Quer dizer então que pode haver fugas !!  São os tais pequenos acidentes, que ficam sonegados às populações e nem convém que se suspeite.

Como ninguém garante nada, ficamos com a idéia que sim. As culturas já estarão a ser afectadas.

E as águas do rio Tejo também deixam dúvidas e preocupações, o peixe poderá estar contaminado...alguém terá de fiscalizar.

Um acidente nuclear, a ocorrer nesta região, seria  uma hecatombe para os dois países, o controle humano seria difícil, nem quero imaginar.

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É preciso termos a consciência do perigo que representa para toda a gente o "nuclear". As centrais nucleares europeias já estão a ser contestadas pelas populações e os governos redobram-se de atenção e hesitam em estender a vida útil destas centrais.

A radioactivivade não conhece fronteiras,  transmite-se pela água, pelo ar e os resíduos nucleares são um verdadeiro pesadelo para as gerações vindouras.

O abandono destes projectos seria a decisão mais acertada e que beneficiaria os países e as suas populações, desenvolvendo energias mais limpas e seguras, como as eólicas, solares, e das marés  que podem resolver as necessidades dos países.

E por nos sentirmos ameaçados na nossa tranquilidade, devemos clamar por uma vida mais segura.

 

João Antunes

NOTA: Como se vê, basta querer e aparecem boas colaborações! Obrigado aos colaboradores. AH

 

MAIS FOTOS

08.02.17 | asal

http://slide.ly/view/99c4a1411cd7e1b8c00d3107df11d414 

 

A experimentar novas técnicas, dei comigo a publicar este slideshow

sem reservar espaço para um comentariozinho.

Queria dizer que as fotos são do amigo Eduardo Oliveira,

sempre presente a cativar momentos significativos.

O acontecimento é o nosso feliz

ENCONTRO DE LINDA-A-PASTORA.

E venham mais oportunidades para um sorriso

e umas palavras amigas...

MARVÃO ESPERA-NOS!

20/05/2017

OLHA, RESULTOU...

Até me esqueci de dizer que a música é também do Stella Vitae, num album de canções populares, onde se ouvem as vozes do Martins da Silva e do Alexandre Pires. Parabéns!

AH

 

  OS QUE NADA TÊM

07.02.17 | asal

 Uma reflexão...             

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Hoje de manhã subi as escadas, como faço habitualmente quando vou à zona alta da cidade. As escadas são íngremes,seis vãos e quando se chega ao cimo o nosso ritmo cardíaco está acelerado. A meio das escadas, ia o Yanik de sacola às costas três ou quatro degraus à frente da avó.

Senhora africana, de idade avançada e apoiada na canadiana, subia a muito custo, degrau a degrau, a grande escadaria.

A criança subiu até ao cimo, olhava para a avó e esperava que ela lá chegasse.

Neste trajecto que faço diáriamente, passo por eles, saúdo-os com a salvação da manhã e digo ao Yanik, ..... "ajuda a avó". Ele olha para mim e sorri....nada dizendo.

Caminham os dois até à rua de cima e separam-se na curva. A avó vai à missa ao Santuário e ele segue com o  companheiro de classe, que o espera, para a escola que já não é longe.

Mais à frente, a escadaria da Cooperativa. É lá que, num cantinho, enrolado em trapos e cartões,  dorme um sem-abrigo, o  Nando. Não tem hora para se levantar, esgota o sono até querer. Depois começa a faina do dia... inspeccionar os contentores do lixo e procurar tudo o que é metal. É a forma de ter uns trocos.

Lá vem o Edu, homem que habitualmente permanece no Largo do Santuário.  Nada tem, vive de esmolas ... umas moedas, umas roupas e vai distribuindo sorrisos para quem olha para ele. Hoje, trazia na mão um saco de plástico e foi colocá-lo junto aos trapos do Nando, retirando-se devagarinho e silencioso para não incomodar.

Cruzando-se comigo, perguntei-lhe o que deixara naquele saco ao pé do amigo!

- Sabe, ele, quando acordar, tem lá o comerzinho no saco! Faço isto muitas vezes, temos de nos ajudar, não temos outro remédio... 

-  Então, e que comida tem o saco?

-  "Uns bolinho", respondeu ele.

 

Continuei a andar e caí em  mim... pensei... os que não têm nada ainda ajudam os que nada têm.

Que bela lição de vida.....

A pobreza é um flagelo nos nossos dias. Mas, será que as pessoas têm de ser pobres?

João Antunes

PARABÉNS!

07.02.17 | asal

 

MS.jpgHOJE FAZ ANOS O MARTINS DA SILVA!

 

De seu primeiro nome António (só podia ser este!...), nasceu em 47 da centúria anterior, podia ter sido muitas coisas, dada a pluralidade de vocações para que tem jeito, mas a verdade é que se gastou a construir bairros, daqueles que hoje embelezam a minha terra. E ainda continua a brilhar noutras tarefas:

- gosta muito de conviver, estar no grupo...

- e canta! Pois, é verdade, nasceu com este dom e desenvolveu-o e ainda hoje nos delicia como elemento activo do Coral Stella Vitae, constituído por antigos alunos dos seminários.

 

Aqui deixamos os nossos parabéns e votos de longa vida com muita felicidade ao homenageado (contactável pelo 965 026 324) e vamos apreciar a sua arte neste minuto lindo que se segue, em que o Martins da Silva até surge iluminado por vezes por uns raios de luz azul de proveniência superior.

 

 

Interpretação do Coral Stella Vitae, na Igreja Matriz de São Roque do Pico, aquando da sua estadia nesta Ilha Montanha em 07-10-2012.