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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

GAVIÃO - DÉCADA DE 40

05.12.16 | asal

S E M I N Á R I O   D O   G A V I Ã O

Nogueira.jpg

 «Na parte de trás da furgoneta, íamos os 3 jovens “escondidos” à frente dos colchões e das 3 malas de porão com o enxoval.... nunca bebi leite ou café...ninguém se queixou, pois a vida era assim mesmo.»

 

Entrei no Seminário do Gavião no mês de Outubro de 1944. Nesse ano, iniciaram os estudos, naquele Seminário, 42 alunos.

Nessa época, estudava-se ali desde o primeiro ao terceiro ano. Depois, ia-se para o Seminário de Alcains, onde prosseguiam os estudos até ao oitavo ano, inclusivé.

Desde o nono ano até décimo segundo, ia-se estudar para o Seminário dos Olivais, onde, em conjunto com os seminaristas do Patriarcado de Lisboa, se estudava TEOLOGIA e terminava a formação sacerdotal. 

São já muito poucos os alunos desses tempos. De facto, a maior parte da gente dessa época nasceu na década de trinta e tem, agora, (os que ainda são vivos) mais de oitenta anos.

Sou dessa época – nasci em 1933 – e, nesse sentido, permito-me contar alguns dos episódios da entrada no Seminário, inclusive da minha, pois, julgo que as coisas sofreram alterações nos anos posteriores, principalmente quando da entrada da maior parte dos nossos associados, que são mais novos que eu, regra geral, 15 a 20 anos.

Sinto-me bem a conviver com a juventude da associação e constato que os mais novos me tratam com muito carinho e muita amizade.

Tenho dado alguma da minha colaboração nas mais diversas atividades da Associação, designadamente enquanto a Associação funcionou nos moldes antigos. Continuei a ser colaborador activo nos últimos anos e tem sido com muito gosto que tenho dado essa colaboração.

 

Devido a uma pneumonia muito grave, de que fui acometido, tive que me desligar das iniciativas da Comissão, embora não me faltasse vontade. Tenho conhecimento do interesse que foi demonstrado pelas minhas melhoras, o que sinceramente agradeço, como, aliás, já o tinha feito. Devo dizer que  sobrevivi graças à minha Fé, à minha vontade de viver, à minha força anímica, ao profissionalismo e dedicação dos médicos e de todo o pessoal de enfermagem e auxiliar do Hospital Pulido Valente e, ainda e principalmente, ao carinho das minhas filhas, de todos os familiares e de todos os amigos e associados da nossa associação e aos da associação dos alunos do Colégio Nuno Álvares de Tomar. Continuo em recuperação, com fisioterapia e outros tratamentos e não tem sido fácil. Estou proibido de apanhar frio e de me engripar ou constipar.

 

Entrei no Seminário no tempo da segunda guerra mundial, com todas as carências desse período. Não havia ou eram muito deficientes os meios de transporte. Assim, o meu pai, o pai do Filipe (irmão do padre Lúcio) e o pai do José Francisco Martins (falecido em Angola) alugaram uma furgoneta. Na parte de trás da furgoneta íamos os 3 jovens “escondidos” à frente dos colchões e das 3 malas de porão com o enxoval.

Viajámos de noite para fugir à polícia e chegámos ao Gavião de manhã, onde fomos recebidos pelo corpo docente do Seminário, que nos aguardava. 

Gavião.jpegFoi fácil a integração. Os alunos dos segundo e terceiro anos – mais ou menos 60 – foram simpáticos e inexcedíveis connosco. Para se ter uma ideia das dificuldades desse período da guerra, durante os meus cinco anos de Seminário, nunca bebi leite ou café. A nossa alimentação era à base de feijão-frade e “petingas”. Que eu saiba, nunca ninguém se queixou, pois a vida era assim mesmo.

Vou ficar por aqui hoje, pois a “prosa” já vai longa e acabei por contar o que , talvez, já soubessem.

É a minha primeira colaboração no nosso blogue. Prometo tentar colaborar com outros temas diferentes quando me sentir com mais saúde e força.

Lisboa, 30 de Novembro de 2 016.

 

Joaquim NOGUEIRA

 

NOTA: Para além de um grande "Obrigado" ao Joaquim Nogueira pelo seu testemunho, quisemos surpreender os amigos com mais uma foto - recordação do Encontro no Gavião em Maio de 2011, um jogo no meio das ruínas do que foi a Casa da nossa formação inicial.

E vasculhando no passado, o que o blogue anterior (ANIMUS60) permite, demos com mais uma conversa que conserva toda a actualidade. O sempre criativo e oportuno António Colaço entrevista os amigos Joaquim Nogueira e Joaquim Silvério, que opinam sobre esse tal encontro no Gavião e sobre a oportunidade de haver ou não uma associação. Muitos passos foram dados desde então, mas continua nas nossas mãos o futuro mais ou menos jubiloso deste grupo de antigos alunos. Como diz o Silvério, só aparecendo e fazendo grupo é que se avança. Mas o melhor é ouvir os entrevistados. E mais uma vez, obrigado, Colaço!

 

DE CONTINÊNCIA

05.12.16 | asal

Adérito.jpgPARABÉNS!

 

Ao Adérito Mateus, que neste dia 5/12 faz 58 anos, ele que nasceu em 58,

vamos hoje fazer uma continência especial, ou melhor, uma saudação especial a este militar de carreira que faz da continência o pão nosso de cada dia! (Corrige-me, Adérito, se errei!)

Parabéns, amigo, que sejas muito feliz e vivas por muitos anos!

Contactável pelo tel. 962 325 342.

NATAL, NATAL

04.12.16 | asal

COMO O NATAL VEM MUDANDO!!João P. Antunes.jpg

 

Já fica distante o Natal da minha infância, não tem comparação com os tempos de hoje. Sabemos bem como era esta época natalícia, mais calma e sem este frenesim de comprar tudo o que brilha.

Acho que era mais real, do pouco fazia-se muito e havia felicidade.

Os costumes locais, ainda hoje enraizados nas populações, lá continuam a praticar-se com o rigor da tradição, dando incentivo às gerações futuras.

Não se dispensava o madeiro, um grande tronco de sobreiro, azinheira ou carvalho, cuja árvore era sacrificada e transportada em carros de bois para o largo da aldeia ou adro da Igreja. Esta tarefa era desempenhada pelos rapazes que nesse ano iam a sortes.

E, chegando o dia de atear o fogo que tomava conta do grande madeiro, o povo celebrava entoando lindos cânticos de Natal, como este: "Ó meu menino Jesus, Ó meu menino tão belo, logo vieste nascer, na noite do caramelo".

Os cânticos alternavam com uns copitos de aguardente e a genica ganhava força. Vinham as filhós, tão desejadas em noite fria, que compunham os estômagos mais vazios dos rapazes que alegravam a afluência ao madeiro.

E na noite feliz, a Missa do Galo ganhava mais presenças, todos queriam participar, ver o presépio e beijar o Deus Menino. Depois, confortados e alegres, entravam pela noite da consoada até de madrugada.

Vivia-se intensamente o Natal e de tal forma nos marcou que ainda o vivemos na nossa memória.

 Presépio2.jpg

À medida que as pessoas foram saindo das suas aldeias para as cidades, a tradição natalícia foi perdendo paixão. O Natal na cidade é diferente, não tem aquele cariz singular; embora as famílias se juntem e vivam a consoada juntos, falta a originalidade. Gastamos horas em compras e até parece que é uma obrigação oferecer prendas. Esquecemos o essencial, a celebração do Natal, o nascimento do Deus Menino. Hoje podemos considerar que é mais um regabofe em família, um Natal de presentinhos, beijinhos e indigestões.

O mercado apresenta-nos um sem número de coisas para celebrarmos esta quadra natalícia. Aparece-nos nesta altura o idoso barrigudo com barbas brancas e fato vermelho, todo simpático a fazer carícias às crianças. Esta criação nórdica, que chegou a nossas casas, invade montras e lojas como se fosse a referência do Natal, o que não deixa de ser.Presépio1.jpg

É apresentado de muitas formas, no trenó voador com nove renas, de saco às costas transportando as prendas e agora como salteador pendurado nas janelas e varandas. Acho que tirou trabalho ao Menino Jesus, que trazia prendas às crianças durante a noite e entrava pela chaminé para as deixar no sapatinho!...

A árvore de Natal, simbolizando a fertilidade da natureza, não deixa de ser outra importação nórdica. Havia o costume entre os povos pagãos da Alemanha de enfeitarem os pinheiros acreditando que que eram árvores santificadas.

Muito lentamente, esta Árvore de Natal foi ganhando aceitação nos países católicos, onde a única tradição era os presépios, e só em meados do séc. XX começou a ser aceite nas cidades, porque antes, e em especial no mundo rural, era quase ignorada.

Esta tradição do Pai Natal desvia-nos certamente das origens religiosas e do propósito verdadeiro do Natal. E estas mentiras elaboradas, a confundir-se com a nossa fé e ensinadas aos nossos filhos, perturbam bem a tradição Presépio.jpge roubam-nos antigos e perenes valores.

É uma intrusão nas nossas tradições nacionais e um símbolo da comercialização do Natal.

  Até sempre e um feliz Natal.

 

 João P. Antunes

 

NOTA: Ah! Como eu fico consolado com estas brilhantes colaborações dos meus amigos, que chegam de "livre e espontânea vontade". E espero mais... AH

PARABÉNS!

03.12.16 | asal

Ora, deixa-me cá ver quem hoje faz anos!Manso.jpg

Se houver alguém, tens de avançar com a notícia, faça chuva ou faça vento! 

E não é que eu, mesmo encharcado com a bátega que apanhei em Portimão, tenho de dar esta notícia? AH

 

Celebra hoje o seu 66.º aniversário um jovem, de nome Francisco Nogueira Manso, a quem estamos aqui a saudar com muitos parabéns e votos de muita saúde e alegria "ad multos annos" (é dos nossos e entende isto!). Da Várzea dos Cavaleiros, vive agora em Almeirim.

Se quiserem falar-lhe, liguem para o 962 866 230.

PALAVRA DO SR. BISPO

02.12.16 | asal

MARCAR A DIFERENÇA COM O DIFERENTE

Portalegre 19-05-2012 058.jpg

 

Ao longo da história sempre houve pessoas portadoras de deficiência. O reconhecimento dos seus direitos e da sua inserção social, apesar de lento, vai fazendo o seu caminho. A proclamação do ano 1981 como “Ano Internacional dos Deficientes”, o se ter estabelecido o dia 3 de dezembro de cada ano como o “Dia Internacional das Pessoas com Deficiência” e do ano 2003 ter sido “Ano Europeu da Pessoa com Deficiência”, tudo ajudou a criar um maior conhecimento dos problemas que afetam as pessoas com deficiência. A Conferência Episcopal Portuguesa também publicou, em maio de 2003, uma Nota Pastoral intitulada: “As Pessoas com Deficiência – Cidadãos de Pleno Direito”. Multiplicaram-se as iniciativas por parte das mais variadas instituições oficiais e particulares. Criaram-se associações, organizaram-se debates, congressos e jornadas, lançaram-se programas de ação, editaram-se milhares de publicações científicas e de divulgação. Os organismos internacionais foram fazendo recomendações, publicaram-se legislações específicas, foram lançados novos programas de intervenção no âmbito da família, da educação, do emprego e da inserção social, implementaram-se soluções mais adaptadas para cada tipo de deficiência. A própria comunicação social começou a olhar para esta temática com mais atenção e frequência.
No “censos” de 2011 não se apontou a existência dos cidadãos com deficiência, foi uma falha. No entanto, possivelmente assente no “censos” de 2001, a Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, afirmava, em 2003, que existiam em Portugal 250 mil deficientes sensoriais, 70 mil deficientes mentais, 150 mil deficientes motores e 140 mil deficientes orgânicos (cf. Nota Past. CEP, 2003). Penso que ainda não são públicos os dados do “censos” que a Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, no princípio deste ano, prometeu fazer com a ajuda das autarquias e centros de saúde, procurando saber onde estão, em que condições vivem, com que recursos, que formação e aptidões profissionais têm.
Como sabemos, a dignidade da pessoa humana não resulta das capacidades que possui nem das funções que desempenha. Toda a pessoa humana é dotada de uma dignidade original e única, inviolável e indivisa, que não se baseia na funcionalidade do seu organismo mas na essência da sua natureza. A sua vida é tão sagrada como a vida de qualquer outra pessoa. Não lhe pode ser recusado “o direito à vida, à diferença e à expressão de si; o direito a ser amada, a ser reconhecida e a ser respeitada; o direito a receber a ajuda necessária à sua realização pessoal, à inserção na sociedade e à participação ativa, em conformidade com as suas possibilidades”.

Mas direitos e deveres são correlativos. Também a pessoa com deficiência, na medida das suas capacidades funcionais, tem deveres a cumprir para com os outros e a sociedade. É por este caminho, pelo exercício dos seus direitos e pelo cumprimento dos seus deveres, que a pessoa com deficiência fortalece a sua autoestima, promove a sua autonomia social e económica, e se poderá libertar do assistencialismo que inferioriza e degrada. Também por isso, não lhe pode ser recusado o direito nem escusado o dever de participar na planificação, atuação, supervisão e avaliação das ações desenvolvidas pela sociedade e que lhe dizem respeito. Como qualquer outra pessoa e segundo as suas capacidades, tem o direito inato à inserção no tecido social, cultural e religioso, à educação inclusiva, ao desempenho de uma atividade profissional. No entanto, a concretização desses direitos exige a criação de condições em legislação apropriada e disponibilização dos meios indispensáveis à concretização das normas legais, para que não sejamos um país de boas leis e más práticas. Apesar de haver já sinais positivos de adaptação às limitações de vários tipos de deficiência na via pública, na sinalização de trânsito, nos meios de transporte, nos edifícios de utilização pública e noutros lugares, ainda existem muitas barreiras arquitetónicas, sociais e culturais que é preciso continuar a eliminar (cf. Idem, CEP). E isto leva tempo, somos lentos em certas mudanças, sobretudo nas mudanças de mentalidade.
Curvamo-nos diante de todas as famílias que, com amor e fortaleza de ânimo, acolhem os filhos deficientes ou se dispõem a adotar crianças com alguma insuficiência física ou mental. Fazem-no num ambiente de “carinhoterapia” impressionante. Unidas a Cristo, evangelizam o próprio sofrimento e, com o seu testemunho, ajudam a evangelizar o sofrimento dos outros. Para todas elas, um abraço de muita admiração e estima na certeza de que “em cada pegada de amor nasce sempre uma flor de gratidão”.

Antonino Dias  – 02-12-2016

ANIVERSÁRIO

02.12.16 | asal

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PARABÉNS, ANÍBAL!

02-12-1952 - data de nascimento deste amigo, o Aníbal Rodrigues Henriques, ali da Cerejeira, sempre muito atento às horas e minutos para não perder comboio, camioneta ou piada, desde que esteja com bons amigos.  

Aqui deixamos os parabéns da malta e desejos de longa vida, com saúde e felicidade.                          Tel. 934 851 417

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