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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

"10  RAZÕES CIVIS CONTRA A EUTANÁSIA”

14.02.20 | asal

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Em Fevereiro de 2017, escrevi no nosso Blogue um extenso artigo, em duas partes,  com o título “ A EUTANASIA: SIM ou NÃO ou ASSIM -ASSIM? Podem revê-los se assim o entenderem.

Para quem lhe escapou o artigo do Cardeal Tolentino Mendonça, resolvi transcrever o seu texto, publicado na revista do Expresso de 8 de Fev. passado, p.98. Com a devida vénia e a colaboração do António Henriques, aí vai mais uma elucidação sobre esta momentosa e decisiva questão que o Parlamento volta a discutir, posicionando-se de antemão contra a consulta pública através de um Referendo sobre uma questão de Vida e/ou de Morte, que até me parece não constar dos programas de alguns partidos que agora apresentam as suas propostas, que em concorrência, querem plasmar em leis.  

 Assisti ontem ao "Eixo do Mal". Os quatro ilustres, que, raramente, estão de acordo, atiraram-se contra o Referendo em nome de um Parlamento Soberano que sempre e só representa os interesses e direitos dos cidadãos.  Nós acreditamos de boa fé!  Por mim, não seria tão dogmático em estabelecer uma oposição radical entre Democracia Representativa e o Instrumento do Referendo, de carácter direto  e participativo. Nos países da Europa do Norte, o referendo é usado sem estes escrúpulos e aceita-se, sem levantar tanta poeira argumentativa, para dirimir assuntos da vida dos cidadãos.

  Aí vai o artigo do nosso Cardeal que, pelos vistos, só é citado e elogiado pelos intelectuais em questões convergentes!  “Nenhuma vida vale mais do que outra. Nenhuma vida vale menos. A vida dos fracos vale tanto como a dos fortes. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis.

  1. A vida tem, desde o seu princípio ao seu fim natural, a mesma dignidade absoluta que deve ser salvaguardada e protegida. Os grandes textos civis e sagrados, médicos e filosóficos que são a matriz das nossas sociedades, e formam a nossa consciência moral, recordam-no incessantemente. Ir contra o primado da vida é atentar contra a humanidade de todos os seres humanos.
  2. Não é o primado da vida que tem de estar sujeito às circunstâncias ( económicas, políticas, culturais, etc.) de cada tempo, mas sim as circunstâncias que devem estar ao serviço incondicional do primado da vida. A verdadeira missão que compete à política é o suporte infatigável da vida.
  3. Nenhuma vida vale mais do que outra. (…) A vida dos pobres vale o mesmo que a dos poderosos. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis.   Passar a ideia de que há vidas que, em determinadas situações, podem valer menos do que outras é um princípio que conflitua com os valores universais que nos regem.
  4. O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade.  Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido  de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que “ nenhum homem é uma ilha”. (Continua)    

João Lopes