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Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Animus Semper

Associação dos Antigos Alunos dos Seminários da Diocese de Portalegre e Castelo Branco

Aniversário

Tomás Luís Pinheiro.jpg

Nasceu em 23 de Agosto de 1959 nas Sarzedas o Tomás Luís Pinheiro, que hoje vive na Póvoa de Santa Iria. E não temos mais informações, embora as tenhamos pedido.

Ou melhor, sabemos que também torce pelo Benfica, como outros muitos.

Mas aqui estamos a dar-lhe os PARABÉNS deste grupo, desejando-lhe muita saúde e longa vida. Gostamos muito que apareça nos nossos encontros. E também pode escrever nas nossas redes sociais...

Aniversário

MAIS UM ANIVERSARIANTE!

Zé Pedroa.jpg

 

Nasceu em 22/08/1952 nos Montes da Senhora, quando eu já estudava latim no 2.º ano; andou no seminário, onde bebeu da mesma água e comeu das sardinhas com feijão-frade como nós...

É o Zé Pedro, ou melhor José António Cardoso Pedro, que frequenta os mesmos espaços que nós, também agradecido pela educação que recebeu.

Aposentado há um ano, dedica-se a comunicar a sua visão da vida e dos acontecimentos. A última vez que o vimos a atuar ao vivo foi em 29 de Julho no Gavião, aquando da apresentação do livro do Alves Jana, ao lado do António Colaço e outros amigos. Aqui está uma foto de então. E nós aqui sempre a aguardar mais uma colaboraçãozinha...

Aqui te deixamos as nossas saudações, os nossos PARABÉNS E VOTOS DE LONGA, SAUDÁVEL E FELIZ VIDA...

 Contacto: tel. 965 019 564

Aniversário

Joaquim Raposo.jpg

Faz anos o Joaquim Raposo, natural de Monforte da Beira, onde nasceu em 1942. Pertence ao grupo dos novatos de 1954 no Gavião.

Presentemente, vive em Almada, aqui bem perto, à espera de um primeiro encontro.

Conseguimos uma foto no seu Facebook. 

PARABÉNS, Joaquim! Votos de muita felicidade e com saúde para melhor gozar a vida.

Contacto: tel. 919 625 157

Hoje sou eu...

Pronto! Estou a ver os meus colegas a fazer 80 anos e também eu me atrevo a passar mais este portal!

 

É verdade, faço hoje 80 anos! Por um lado, feliz por a vida ter sido para mim uma bênção e por me encontrar ainda com alguma força física e energia espiritual/mental... Tenho muito de que me alegrar, desde a minha família até aos meus amigos e mesmo aos projetos a que meti mãos...

Por outro lado, verifico que a idade que me falta já não é muita. Estamos todos a caminhar para os últimos dias, a andar mais trôpegos, a sentir falta de forças e de "vontade de fazer"! Sobretudo, tenho de me adaptar às minhas deficiências, cada vez maiores, mesmo que as recauchutagens da medicina tentem consertar os tecidos rotos...

Anima-me caminhar com amigos da minha idade e outros ainda mais velhos, que eu vejo serenos, felizes, alegres, em paz com a vida, que nos deu já tantas benesses.

Dou graças a Deus e a todos aqueles que me ajudaram e ajudam neste longo caminhar. 

Por isso, apresento-me sobretudo como alguém muito grato com os meus familiares, com os meus amigos e com todos aqueles com quem me cruzei e vou cruzando neste longo caminhar. 

Que Deus me dê sobretudo saúde mental...Deixo um abraço a quem me lê!

António Henriques

NÓS.jpg

(Natural do Ripanso, freguesia de Sobreira Formosa, concelho de Proença-a-Nova, professor aposentado da função pública há 19 anos, a viver na Amora - Margem-Sul, responsável deste blogue "ANIMUS SEMPER" e professor da Unisseixal, em que também alimenta com os alunos o blogue da disciplina "OFICINA DE PORTUGUÊS").

Contacto: te. 917831904

 

Desculpem lá eu trazer para aqui a minha cara-metade, mas tem sido ela que mais me anima, me apoia e me "educa".

14-08 - Nun'Álvares

De uma conversa no Facebook:

Nun'Álvares.JPG

Meu caro, aqui vão duas fotos da Estátua de Nuno Álvares Pereira (S. Nuno de Santa Maria), sita na av. do Restelo, no relvado ao cimo da Av. da Torre de Belém e por baixo da Ermida de S. Jerónimo (antigos frades Jerónimos que viviam na enorme cerca que incluía o Mosteiro dos Jerónimos).

Foram tiradas do carro, com uma certa distância, por isso a qualidade não está grande coisa. Mas como pediste uma foto, ela aqui vai para não se perder o fio à meada, depois do artigo que o nosso ilustre professor de história Tó Manel, dos Vales, publicou no Facebook a propósito do dia 14 de Agosto, data da batalha de Aljubarrota. 

Nun'ÁlvaresA.JPG

 

Esta estátua - a única que passa a existir em Lisboa, em homenagem ao nosso herói e santo - deve-se aos esforços de uma Comissão constituída para tal, em que se destacou um ilustre beirão, de Ninho de Açor, Dr. António Gonçalves Lourenço, que faleceu recentemente, oito dias antes de completar 105 anos, e a quem tive o privilégio de conhecer. 
Não chegou, no entanto, para assistir ao momento por que tanto ansiava. 
Aos 103 anos lançou um pequeno livro, com prefácio do sr. Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, descrevendo a história sobre a desejada estátua de Nuno Álvares Pereira para a cidade de Lisboa, desde 1925!
Quando passares por aqui, vais tu fotografar ao pé a Estátua de Nuno Álvares Pereira, o herói que Lisboa há longo tempo queria distinguir. 
Um abraço.

Manel Pires Antunes

 

Do António Manuel M. Silva são as palavras seguintes e uma foto: 

Nun'Álvares1.JPG

 

14 de AGOSTO

Faz hoje 634 anos que portugueses e castelhanos se enfrentaram na denominada Batalha de Aljubarrota. 

Foi na tarde de 1385 e ali se decidiu a manutenção da independência de Portugal por mais uns anos.
O nosso vizinho de Cernache do Bonjardim, agora Santo Nuno Álvares Pereira, surgiu como herói nacional.

NOTA: Assim nos encontramos uns com os outros. Mandem mais colaborações (um textozinho e uma ou duas fotos das vossas incursões pelas belezas de Portugal). AH

Aniversário

Mário Delgado1.jpgCelebra hoje o seu 80.º aniversário o Mário Clemente Delgado, colega de muitos anos no Seminário, que quis olhar a luz do dia dois dias antes de mim.

Aqui está ele em conversa com outro amigo, o José Marques Rosa, no convívio de Novembro de 2016 na Senhora da Rocha. Foi lá o nosso último encontro, um encontro que eu gostaria se repetisse um dia destes. 

Sabemos que o Mário continua ligado aos grupos corais. Ainda este ano estava ele a cantar no Cristo-Rei no mesmo sábado em que nós estivemos na Sertã. 

Caro amigo, aqui deixo os PARABÉNS dos teus colegas do seminário, com votos de boa saúde e ainda longa vida no gozo de todas as faculdades. E que sejas feliz! Quando nos vemos?

Contacto: tel. 936 644 684

Palavra do Sr. Bispo

O Sr. Bispo também jogou à barra-bandeira e até teve uma bicicleta. Belo texto!... AH

IMG_0590.jpg

 

O DESPORTO NA PEDALADA DE SANTA MARTA

 

Quando os animais falavam e as galinhas tinham dentes, há muito muito tempo, também andei por lá, por essa Betânia do Lima que se dá pelo nome de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo. A vida, porém, vai-se mudando, vai exigindo novas respostas e novas formas de estar e de participar no bem comum. Obriga-nos a mudar de rumo e a entrar por ele adentro, renunciando a isto e àquilo para se poder assumir outros afazeres e por outros lugares. O gosto pelo desporto, porém, é sempre uma constante para crianças, adolescentes e jovens. Não só para esses, claro, mas sobretudo para esses. Em Seminários por onde passei, ia pertencendo, de quando em vez e à falta de melhor, como defesa central, à equipa selecionada para enfrentar outras. O voleibol, os jogos da bandeira e do beto, também os íamos saboreando, fosse com o gosto de participar fosse sob a obrigação de ter de girar. Porque não havia Asa delta, Balonismo, Parapente, Para-quedismo, Slide, Kitesurf, Alpinismo, Rapel ou outros desportos mais radicais, no tempo de canícula e de dores de barriga em época de exames, tínhamos o raquetebol, assim lhe chamávamos. Uns campitos cheios de obstáculos, mais ou menos aprimorados, construídos no chão debaixo das árvores do recreio, segundo o gosto e a habilidade de cada equipa. Jogava-se com uma pequena bola e uma espécie de raquete. Havia craques na matéria, podem crer. O ping-pong, as damas e o xadrez eram sobretudo para os tempos de chuva ou nos recreios da noite. Cartas para sueca e afins, acho que não existiam. 
Quando fui Pároco em Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, com a vontade de que agora é que vai ser, a realidade local, em estruturas desportivas, e até noutras de serviço à pastoral, não estava muito famosa e sentia-se a falta. Então, surgiu uma oportunidade a que a Paróquia, com o entusiasmo e a colaboração de tantos e tantas de boa vontade, deitou a mão. Conseguiu adquirir um espaço, desde já com condições para muita coisa, mas com a possibilidade de ir criando outras. E lá se foi sonhando, construindo e dando resposta, na medida do possível e das patacas disponíveis. Perante o que muito se ia fazendo com perseverança, entusiasmo e ajuda de todos, tudo, sobretudo para os mais novos, era sempre pouco e muito devagar. A rapaziada, e talvez seja essa uma das suas grandes virtudes, tem sempre pressa, quase nunca tem tempo nem paciência para avaliar as dificuldades de momento e as forças adversas, tudo lhe parece fácil e linear: às vezes têm razão! Nessa idade, não raro, pensa-se dominado por duas ilusões subjacentes: a de que os mais velhos nunca foram jovens, nunca foram capazes de sonhar como eles, e a de que eles, os mais novos, nunca chegarão a velhos. Mesmo que seja o sonho a comandar a vida, o tempo, e as vergastadas que o tempo sabe dar, a todos vai convertendo à realidade e às parcimónias do próprio tempo... Pior será se os jovens se deixarem morrer aos 18, 19 ou 20 anos, para serem enterrados apenas aos 80 ou 90 anos, isto é, se deixarem de sonhar e de fazer barulho, não tendo coragem para saltar do sofá e porem a render os seus talentos, competências e criatividade, como verdadeiros protagonistas na construção de uma sociedade mais justa, mais humana e fraterna, mesmo quando feridos por incompreensões, discriminações e injustiças. Desistir, afogar-se no mundo digital ou amuar frente às dificuldades, não resulta, empobrece, isola no egoísmo, traz maleitas sem conta...
Uma das coisas que constatei, de imediato, quando cheguei àquela terra e por lá deambulava, foi o entusiasmo de um avô, o Sr. Barros, o do seu filho, o Sr. Eduardo Churchill, e o dos seus netos, Ana e António Barros. Eram uns apaixonados pelo ciclismo, sabiam e manifestavam isso, mesmo quando abordavam o assunto, com amigos, lá no célebre buraco de sua casa à volta de uns copitos sociáveis de suprema qualidade. Treinavam, participavam em provas e corridas, chamavam a atenção, era bonito e eu admirava! À medida que nos fomos conhecendo e conversando, achamos por bem dar um pouco mais de estrutura àquela paixão familiar que, trepando cada vez mais com mais entusiasmo, já ia contagiando outros e outros e mais outros. E assim, com tempo e em tempo, resolveu-se, de comum acordo, integrar a Equipa no Centro Paroquial agora adquirido, onde também se construiu um campo de futebol e outras coisas se foram e se tem construído ao longo dos tempos, e bem! Graças a esta família, a outros que se foram ajuntando na pedalada, e a muitos outros que, sem pedalar, deram as mãos neste projeto, a modalidade foi singrando. Era e é um desporto caro que exigia patrocínios, estímulo e muita dedicação. As bicicletas, quanto mais leves, mais caras eram e eram precisas. Quando havia provas, quase sempre longe, era preciso quem emprestasse os carros, transportasse e acompanhasse os corredores e o staff necessário, o que sempre acontecia com invasão aos bolsos dos mais carolas, sempre generosos e prestáveis. Estou a lembrar-me de tantos nomes que só não cito porque posso falhar algum e não seria bonito da minha parte. A primeira bicicleta que este Grupo Desportivo do Centro Paroquial de Santa Marta de Portuzelo comprou acho que, por conveniência, tenho disso uma vaga ideia, ficou registada em meu nome, mas era do grupo. Uma vez ou outra, acompanhei os responsáveis ao Palácio dos Desportos, ao Porto. De resto, tudo era com eles, eu apenas estimulava, manifestava proximidade e permanecia unido nos momentos bons e menos bons. Hoje, pelo jornal da Paróquia, vou acompanhando, talvez que já sejam os filhos daqueles netos, mas vou constatando que os fãs e a garra continuam, alegrando-me com isso, torcendo por todos.
O Grupo era constituído por uma equipa masculina e outra feminina, inscrito e acarinhado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. E tal foi a dedicação que, para além da diversidade das provas em que participavam, a Equipa masculina chegou a correr na Volta a Portugal em bicicleta, sendo mais conhecida pelos patrocinadores da altura. Corria com o nome de Tensai/Santa Marta/ Mundial Confiança. Algum dos leitores com certeza que ainda se devem lembrar. Marco Chagas, grande ciclista no seu tempo e um dos melhores de sempre no panorama nacional, hoje comentador televiso nessa área, foi seu técnico. Na parte feminina, um pouco novidade, destacava-se a Anita, a Ana Barros, que sempre dava o melhor de si nas diversas provas, fora e dentro da terra. Em 1992, Ana Barros foi chamada a participar nos jogos Olímpicos de Verão, em Barcelona, mas acabou por sofrer um acidente, na véspera, em treino naquela cidade, o que não lhe permitiu participar. Foi grande pena para todos nós com muita maior pena para ela. Na diversidade dos desportos dessas Olimpíadas, havia representantes de 169 países.
E vem tudo isto a propósito de se considerar o desporto, “não só para jovens mas também para idosos”, como uma realidade humana, pessoal e social que deve fazer parte integrante da pastoral ordinária de cada comunidade. Isso, se houver gente, claro está, coisa que por estas bandas onde agora me encontro já não é riqueza que se constate muito, infelizmente! O desporto promove dinâmicas de amizade e convívio, aproxima, integra, supera fronteiras, educa, ajuda a dar o melhor de si e a crescer na estima recíproca e fraterna. 
Temos vindo a salientar o Documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida sobre a perspetiva cristã do desporto e da pessoa humana. O Documento tem como título “Dar o melhor de si” e foi publicado pela Paulinas Editora, em junho de 2018. Termino estes quatro artigos salientando, com o Documento, a necessidade de uma pastoral do desporto integrada num processo educativo voltado para a formação integral da pessoa e apta para fomentar a cultura do encontro e da paz, da alegria e da festa.

Antonino Dias
Portalegre-Castelo Branco, 16-08-2019.

Um australiano nos Montes

Este texto e esta foto chegaram pelo José Ventura. Já estava prometida há algum tempo. E a promessa cumpriu-se. Vejam as novidades:

Diamantino Ribeiro1.jpeg.jpg

«Boa tarde, António! 
Conforme prometido, envio a foto que obtive, ontem, nos  Montes da Senhora, do nosso colega, Diamantino Ribeiro, residente na Austrália. Mas agora ali em gozo de férias.

Valeu-me o José  Bernardino para localizar o nosso australiano. Como somos um grupo de residentes/visitantes, daqui, vamos combinar um almoço convívio para recordar velhos tempos.

José Ventura»

 

NOTA: Ora aqui está o Diamantino de corpo inteiro, ainda por cima todo sorridente ao lado de outros dois colegas e amigos, o Zé Ventura e outro Zé, o José Bernardino Dias, que eu tive a alegria de abraçar na Sertã em Maio. E fica-me logo o coração a saltar para saber se também poderei ir a esse almoço de visitantes (de residente só me ficou a memória e essa morrerá comigo!). Até pode ser que mais alguém queira ir de Lisboa a Proença, aproveitando o ensejo para trazer de lá uns maranhos e ...

Canguru.jpg

Diamantino, manda notícias da tua terra. Não podes conversar com esses bichos de bolsa marsupial e perguntar-lhes o que é que eles sabem de Portugal? Essa bolsa era um bom jerrican para transportar gasolina nos dias que correm!

 

Um grande abraço para os três, do António Henriques

Aniversários

Neste dia 16 de Agosto, celebram o seu aniversário os amigos:

Álvaro C. Martins.jpg

 

-  Álvaro Conceição Martins, de Cardigos e a viver na Sertã, a quem, nos seus 70 anos, desejamos longa vida, muita saúde e muitos amigos.

Aqui está ele em alegre convívio com o António Luís, no nosso encontro da Sertã. É também na Sertã que o Álvaro trabalha (ou trabalhava), ligado à Escola Secundária. Possivelmente, estará já reformado!...

E como Diácono permanente, continua Adstrito ao serviço das Paróquias de Cabeçudo, Cumeada, Marmeleiro, Mosteiro, Sertã e Troviscal.

Contacto: tel. 933 424 447

 

 

Américo Peres.jpg

 

- E ainda outro aniversariante: o  Américo Nunes Peres, do Estreito, a quem desejamos também muitos anos de felicidade, com saúde e muitos amigos.

Descobrimos no Facebook este pormenor, à data da sua aposentação em Outubro de 2013: «Américo Nunes Peres, o último diretor da antiga Escola do Magistério Primário e depois responsável pelo Pólo da UTAD em Chaves, doutorado em Ciências da Educação, académico e pedagogo reconhecido aquém e além-fronteiras, com uma obra científica das mais notáveis no seu ramo do saber, conferencista, organizador de congressos, animador e agente cultural… acaba de depor as armas no seu combate audaz, enérgico, perseverante, que preencheu toda a sua longa carreira profissional....»

 Contacto: tel. 916 254 761

 

PARABÉNS AOS DOIS! E sejam muito felizes...

Para quem gosta de cinema

Três rostos para a liberdade

Manuel Mendes | 14 Ago 19 | Cultura e artes - homepageNewsletterÚltimas In "7Margens"

De facto, para quem o sabe fazer, o cinema é mesmo uma arte muito simples: basta uma câmara, um ponto de partida e pessoas que se vão cruzando e dialogando. E temos um filme, quase sempre um magnífico filme.

Vem isto a propósito do último trabalho do iraniano Jafar Panahi: Três Rostos. Como é do conhecimento de muitos, Jafar Panahi está proibido de filmar e de sair do Irão (em 2010 foi preso e acusado de fazer propaganda contra o Governo do Irão e a República islâmica). Mas ele não acatou a proibição, arranjando maneira de filmar e fazer com que os seus filmes saiam do país e possam ser vistos. E são sempre uma revelação. Depois de Táxi, aqui vai o convite para não perderem esta pérola. Para quem gosta realmente de cinema, de um cinema artesanal, simples, humano, cheio de pessoas e das suas vidas, ora mais dramáticas, ora mais felizes, cheio das cores e das marcas de um país com tradições que, afinal, não são assim tão diferentes de todas as outras.

O filme começa com a gravação de um vídeo, num telemóvel, por Marziyeh que está disposta a tudo para conseguir ser atriz, até a simular um suicídio. O seu objectivo é fazer ir à sua aldeia a mais famosa atriz do Irão, Benhnaz Jafari, para convencer a sua família a deixá-la ir para o Conservatório, em Teerão. O vídeo é enviado para o telemóvel de Panahi que o faz chegar a Jafari.

Muito intrigada e preocupada, ela faz a viagem no jipe de Panahi, com ele ao volante, como em Táxi. Não vai ser fácil a tarefa. É de uma grande viagem que se trata até uma remota aldeia junto da fronteira com o Azerbaijão para tentar desvendar o mistério daquele vídeo.
Pelo caminho vão conhecer – e, portanto, dar-nos a ver – a hospitalidade, a generosidade, a desconfiança, as tradições, os costumes e preconceitos de um Irão rural, muito afastado da capital. Como lhe é habitual, Panahi vai mostrando os problemas e males da sociedade iraniana muito fechada e tradicionalista: todos reconhecem e aplaudem a actriz, Behnaz Jafari, mas à filha da terra, Marziyeh, que quer seguir o mesmo caminho, chamam-lhe pejorativamente “saltimbanca” e não aceitam essa sua vontade.

Uma das singularidades do filme é que cada um faz dele próprio. É como se não houvesse personagens: a actriz é mesmo ela, o realizador é mesmo ele, como que esbatendo a linha entre a realidade e a ficção. Com este artifício, Panahi consegue um filme virtuoso e belo, marcado pela denúncia da realidade e pela coragem e bondade do seu olhar.

Sobressai neste filme, uma vez mais, a condição da Mulher num Irão ainda muito pouco capaz de reconhecer a sua dignidade. Os três rostos do filme são, de facto, Marziyeh, Jafari e Shahrzad, uma actriz do tempo pré-revolução, que vive naquela aldeia, completamente à margem, e da qual nunca veremos o rosto. Passado, presente e futuro. É por aqui que se move o realizador, deixando-nos, no final, apesar do pára-brisas estilhaçado, um caminho em aberto. Não se pode desistir da liberdade.

Se alguém viu o magnífico O Sabor da Cereja, de Kiarostami, encontrará neste Três Rostos muitas rimas e evocações. E a viagem não é menos importante, a par da inteligência e do humanismo.

 

3 Faces – 3 Rostos, de Jafar Panahi

Drama, M/14, Irão, 2018.

Prémio de melhor argumento no Festival de Cinema de Cannes

 

Manuel Mendes é padre católico e pároco de Matosinhos; o texto foi inicialmente publicado na revista Mensageiro de Santo António, de Julho-Agosto de 2019.

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