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Animus Semper

VOLTEI A ALCAINS

Einstein.jpg

Andava eu há uns tempos atrás numa pesquisa de livros quando dou com uma capa um pouco esquisita, que me atirou para os resquícios mais fundos da memória, aquele cantinho mais esquecido que quase se perde para sempre se não for activado por algum fósforo oportuno.

De que estou a falar? Desta cabeça desgrenhada, de cabelos revoltos, a denunciar desleixo e desprezo pelas conveniências sociais, que um dia entrou na minha história de um modo pouco usual. Não era na Física ou Química que o ensino do Seminário brilhava, como acontecia nas Letras. E sempre senti esta deficiência na minha formação.

Então, porque seria que em Alcains, nos anos 55 ou 56, quando um grupo de alunos se empenhava a criar um exemplar único de REVISTA manuscrita, em que nos esmerávamos a redigir poemas, jogos, anedotas, histórias, palavras cruzadas, alguém Einstein.png

tivesse sugerido que a capa fosse o desenho desta cabeça extravagante de Einstein? E mais: como se terá decidido que seria o António Henriques a desenhar esta figura  em tinta da china, técnica que nós aprendemos a usar nas aulas de Desenho, eu que sempre me considerei analfabeto em pintura (por isso me casei com uma prof.ª de Educação Visual!), só ganhando valores suficientes em desenho geométrico, onde ombreava com os outros? 

No tal cantinho escondido da minha memória, nada consta sobre esse momento e essa decisão. Mas o certo é que a capa da revista com a cabeça de Einstein em tinta da china apareceu mesmo.  Quantas horas terei passado de volta deste modelo a passá-lo para o papel, também não sei. 

 

Esta foto anda comigo há vários meses. Publico, não publico uma notícia?

 

Mas os acontecimentos provocam-me. Chamo agora o meu filho para aqui, ele que é prof. de Física e no primeiro dia deste novo ano fez questão de se fotografar em Sintra no monumento a celebrar esta célebre equação. E mc.jpgEncontra-se nas curvas apertadas entre a estação da CP e o Palácio da Vila.

 A famosa equação  E = mc^2\, determina a relação da transformação da massa de um objeto em energia e vice-versa, sendo que "E" é a energia, "m" a massa e "c" é a velocidade da luz ao quadrado, considerada a única constante do Universo.

Com tais insistências sobre Einstein, hoje, com um pouco mais de folga, resolvi ler coisas sobre este grande cientista. Alemão, este pilar da física moderna que desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica, foi o criador da "equação mais famosa do mundo" - a fórmula de equivalência massa-energia,  E = mc^2\, e foi "laureado com o Prémio Nobel de Física em 1921 "por suas contribuições à física teórica" e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica" (Wikipédia).

Cá está o mistério!

Leio entretanto que Einstein morre em 18 de Abril de 1955. E o mistério esclareceu-se. Algum professor nos aponta este motivo forte para ocupar a capa desta revista, que eu acho que era trimestral. Não líamos jornais, não víamos televisão, não ouvíamos rádio... Mas Einstein chegou até nós. 

Para somar mais alguma informação, recupero para aqui um parágrafo do meu testemunho no opúsculo de homenagem aos professores no encontro de Castelo Branco em 2016:

 

 «E como os professores nos incentivavam, já então ia fazendo poesia e escrevendo textos para uma “Revista” manuscrita pelos alunos. E havia sessões solenes para apresentar os nossos trabalhos e outros, cultivando a arte de dizer. Experimentei tocar órgão, toquei rabecão com o apoio do Sr. P. Horácio, vejam bem que boas oportunidades me iam dando. Sempre senti esta liberdade de espírito e tenho mesmo a impressão de os padres não nos oprimirem, respeitando as nossas iniciativas...»

Pois é, voltei outra vez a Alcains...

António Henriques 

 

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