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Animus Semper

UMA PESCARIA DE OUTRORA

Num contacto esporádico com um sobreirense, a quem perguntei se tinha sido aluno dos nossos seminários, veio-me uma resposta cheia de outroras bem ricos e palpitantes. Disse ele, entre outras coisas:

 

«Olá Antº Henriques:
  Confirmo, é verdade que fui seminarista!...
  Acontece que eu fui aluno do Seminário do Verbo Divino, em Fátima, tendo saído em 1960, quando frequentava o 4º ano.
Já conhecia o vosso BLOG, através de uma ligação temporária que houve com o António Colaço.
...   
    Fui fundador (1976) da AAVD- Associação dos Alunos do Verbo Divino, eSeminaristas da Sobreira- 1959.jpg continuo a ser um entusiasta e animador.
   Envio uma Foto do grupo de seminaristas da Sobreira, tirada em 1959 com o Pe. Peres, durante uma "peixada" no Marcelino.

Eu sou o primeiro à esqª da 1ª fila, por baixo do Joaquim sacristão. Quem será o jovem de óculos que pega no garrafão de vinho?! 

Lembro-me do Abílio e José Andrade, mas não me recordo do Antº Ribeiro Pereira.
   Desejo que vosso Magusto de S. Martinho, na Srª da Rocha em Carnaxide, decorra bem e seja uma grande jornada de confraternização.
   Com um abraço,
   António Pinto»
 
 
Na verdade, eu lembro-me bem desta peixaria, não na ribeira do Marcelino mas na ribeira do Alvito, para onde nos deslocámos não sei como, mas que foi suficientemente significativa para não mais me esquecer dela.
O do garrafão naturalmente sou eu, um dos mais velhos, então com 20 anos, de óculos e boné, capaz de transportar a pomada sem a delapidar de encontro a alguma rocha, que era coisa que não faltava no local. À minha esquerda, vejo o Abílio. À frente do grupo, temos o Sr. P. Peres e o Sr. António Esteves, o pescador profissional(!) das Giesteiras, que o pároco contratou gratuitamente para com as suas redes pescar o almoço para todas estas bocas.
Já estamos com o prato na mão, o que me diz que a foto foi tirada lá para as 4 ou 5 horas da tarde. Sim, que os peixes, ao verem tanta gente, fugiram para os seus esconderijos e não havia meio de enchermos o cesto para fritar a base do nosso repasto. Só lá para as quatro da tarde é que se conseguiu almoçar. O que nos foi valendo foram os figos, uvas e outras frutas que íamos apanhando ao longo da ribeira, possivelmente com o perdão imediato dado pelo confessor!...
 
Aproveito para prestar a minha homenagem ao Sr. P. José Dias Nunes Peres, pároco da Sobreira Formosa ao tempo, com quem privei de muito perto e que era um exemplo de desprendimento, pobreza e espiritualidade. A sua simplicidade sempre me fez estar perto, e quando precisava de mim, eu aparecia com alegria, mesmo depois de ele ter ido paroquiar para Nisa.
Com ele embarquei mesmo em pequenas lutas locais, como seja o destino a dar às esmolas que, na Semana Santa, caíam na capela da Misericórdia, pertença de uma instituição social, se assim posso dizer por falha de memória. Defendia eu então que devia ser a Igreja a depositária dessas esmolas. 
Coisas velhinhas, que também me desenvolveram...
E chega de outroras!!! 
 
António Henriques
 

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