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Animus Semper

Um grito impressionante...

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Texto final do discurso de Muhammad Yunus quando recebeu o Prémio Nobel da Paz. Impressionante a clareza do seu pensamento. AH

 

CRIAMOS O QUE QUEREMOS

 

«Nós aceitamos o que queremos ou o que não recusamos. Aceitamos o facto de que haverá sempre pobres à nossa volta, que a pobreza faz parte do destino humano. É precisamente por isso que continuamos a ter pobres à nossa volta. Se acreditássemos firmemente que a pobreza é inaceitável, que não deve ter lugar numa sociedade civilizada, teríamos criado instituições e politicas que constituíssem um mundo livre de pobreza.  

 

Queríamos ir à lua e fomos. Nós conseguimos o que queremos conseguir. Se não estamos a conseguir nada é porque não nos empenhamos o suficiente. Nós criamos o que queremos.

O que queremos e o que conseguimos atingir depende da nossa atitude mental. É extremamente difícil alterar mentalidades quando estão formadas. Criamos o Mundo de acordo com a nossa mentalidade. Temos de inventar maneiras de, continuamente, mudar a nossa perspectiva e, rapidamente, alterar a nossa mentalidade, à medida que surgem novos conhecimentos. É possível reconfigurar o mundo, se reconfigurarmos as nossas mentalidades.

 

PODEMOS PÔR A POBREZA EM MUSEUS

 

Acredito que podemos criar um mundo livre de pobreza porque a pobreza não é criada por pobres. Foi criada e é sustentada por um sistema social e económico que desenhámos para nós próprios; as instituições e conceitos que formam esse sistema; as políticas que seguimos.

 

A pobreza existe porque construímos um enquadramento teórico baseado em premissas que desvalorizam a capacidades do ser humano, criamos conceitos que são demasiado limitados (como o conceitos de negócio, solvência, empreendedorismo, emprego) e instituições incompletas (como instituições financeiras que deixam os pobres de fora). A pobreza é causada mais por uma falha a nível conceptual do que por incapacidade das pessoas.

 

Acredito convictamente que podemos criar um mundo livre de pobreza se todos acreditarmos em conjunto. Num mundo livre de pobreza o único sítio onde será possível ver pobreza será nos museus. Quando as crianças em idade escolar fizerem visitas aos museus da pobreza ficarão escandalizadas com a miséria e a indignidade que alguns seres humanos tiveram de sofrer. Culparão os seus antepassados por terem tolerado esta condição desumana que durante tanto tempo existiu para tanta gente.

 

O ser humano nasce neste mundo que tem capacidades, não só para cuidar de si próprio mas para contribuir para o melhoramento do bem-estar do mundo inteiro. Alguns têm a oportunidade de, de alguma forma, explorar esse potencial, mas muitos outros nunca chegam a ter oportunidade, durante a toda sua a vida, de desembrulhar esse maravilhoso presente com que nasceram. Morrem sem que as suas capacidades alguma vez tenham sido exploradas e o mundo fica privado da sua criatividade e contribuição.

 

O Grameen deu-me uma inabalável fé na criatividade do ser humano e fez-me acreditar que o ser humano não nasceu para sofrer a miséria da fome e da pobreza.

 

Para mim os pobres são com as árvores bonsai. Quando se semeia a melhor semente da árvore mais alta, num vaso, obtém-se uma réplica da árvore mais alta, mas só com uns centímetros de altura. Não há nada de errado com a semente que se semeou, apenas o solo onde foi plantada é que não é adequado. Os pobres são como bonsais. Não existe nada de errado com as suas sementes. A sociedade é que não lhes proporcionou as bases para crescerem. Tudo o que é preciso para tirar os pobres da pobreza é criarmos um ambiente que lhes seja favorável. Uma vez que eles consigam libertar a sua energia e criatividade a pobreza desaparecerá muito rapidamente.

 

Juntemos as mãos para que todos os seres humanos tenham a justa oportunidade de libertarem a sua energia e criatividade.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Gostaria de concluir expressando a mais profunda gratidão ao Comité Nobel Norueguês por reconhecer que as pessoas pobres, e em especial as mulheres pobres, tem o potencial e o direito a uma vida decente e que o microcrédito ajuda a libertar esse potencial. 

 

Acredito que esta homenagem que nos fizeram inspirará por esse mundo fora, muitas outras iniciativas ousadas, capazes de proporcionarem um avanço histórico no processo de erradicação da pobreza global.

 Muito obrigado.»

 

NOTA: José Centeio, vamos gostar de te ouvir falar desta problemática no próximo sábado. 

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