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Animus Semper

TRAGÉDIA DE PEDRÓGÃO

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Uma tragédia destas vai ficar na memória por tanta dor que causou e por tanto desconforto que assolou as nossas vidas. Espero que fique também na determinação voluntariosa dos nossos responsáveis de praparar um futuro mais seguro e feliz para todos. Trazemos para aqui a reflexão do António Manuel Silva. Obrigado. AH

 

TRAGÉDIA DE PEDRÓGÃO

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Em 12/08/2015 publiquei um texto intitulado “Indústria do Fogo” no qual referia que todos os anos era a mesma coisa: fogo no Verão, inacção no Inverno; muita conversa no combate, pouca acção na prevenção; muito folclore nos palcos, pouca concretização no terreno. Terminava afirmando que há muita gente a ganhar com os fogos e que estava montada uma verdadeira “indústria do fogo” com interesses muito diversificados. Parece que só os proprietários e o ambiente ficam a perder.
Em 2016, em 21/04, o Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, veio a Mação comemorar o Dia Mundial da Floresta. Vinha acompanhado do Ministro da Educação, do Ministro da Agricultura e da Ministra da Administração Interna. Viu o que de bom se tem feito no concelho de Mação. Os governantes ouviram muita coisa interessante de quem sabe muito, saber de experiência feito, sobre o ordenamento florestal e dos territórios do interior. Os governantes garantiram que tomaram nota e que, na verdade, era necessário mudar as coisas.
Ainda o Verão não chegou e Portugal já volta a arder. A situação é exactamente igual. Talvez pior. Em Pedrógão Grande faleceram 57 pessoas e mais 59 estão feridas. Pode ser pior ainda. O senhor Presidente da República, os Ministros, os Secretários e os Deputados chefiados pelo Presidente da Assembleia em exercício, Dr. Jorge Lacão, vão aos locais e falam. O Primeiro-Ministro fala a partir de Lisboa. (Hoje vai ao local.) As figuras públicas lamentam e mostram-se solidárias. Quem manda promete apoio! Quem governa garante mudanças! Não ponho em causa a bondade das intenções mas o Povo recorda que a maior parte das promessas feitas anteriormente em situações semelhantes ainda estão por cumprir. Por exemplo, na Madeira e referentes aos incêndios do ano passado… E aqui na região, julgo que em 1997 ou 1998, até se organizou uma festa musical no terreiro à entrada do IC8, no antigo cruzamento do Carvalhal (Proença a Nova), no rescaldo do maior incêndio florestal ocorrido nesta região. A iniciativa foi de Armando Vara… E pagaram às bandas que cá vieram dar música...
Perante mais do mesmo que se repete todos os anos e perante a conversa da maioria dos governos, lembro-me sempre destas duas quadras que os estudantes do meu tempo cantavam nas faculdades da Universidade de Lisboa, por volta de 1972/73, em circunstâncias e contextos muito diferentes: “Vós que lá do vosso império/Prometeis um mundo novo/Calai-vos que pode o Povo/ Querer um mundo novo a sério?” (A. ALEIXO) e “ É sempre a mesma melodia/Salazar e a sua Democracia/Com Marcello é a mesma porcaria/As moscas mudam só a merda não varia.” (Luís CÍLIA)
Nota importante: O Marcello a que a canção de Cília se refere é o Caetano, padrinho do actual Presidente.