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Animus Semper

PALAVRA DO SR. BISPO

Notícia, reflexão, queixa, avisos sérios nesta mensagem do nosso Bispo... A ler com atenção! AH

 

CÁRITAS RECONSTRÓI 8 CASAS E 2 EMPRESAS1.jpg

 

A Diocese de Portalegre-Castelo Branco celebra o seu 468º aniversário. Foi em 21 de agosto de 1549 que o Papa Paulo III criou a Diocese de Portalegre. Por tal razão, D. João III elevou Portalegre a cidade. Dom Julião de Alva, de origem espanhola, foi o seu primeiro Bispo. A Catedral foi construída no local da igreja de Santa Maria do Castelo, e lá se encontra, monumento nacional, de beleza ímpar mas triste e muito lacrimosa, a pedir que todas as forças locais, connosco, sejamos capazes de desafiar a boa vontade de quem de direito, para que, mesmo sendo igreja, se olhe para ela sem preconceitos e, com a devida atenção, se lhe dê a prioridade que merece para que possa ser requalificada e voltar a sorrir com mais encanto e todo o esplendor da sua bela arquitetura e património integrado. Esperamos ansiosamente que tudo isso aconteça antes que seja tarde demais!... Como sabemos, a Diocese de Portalegre integrou, mais tarde, a extinta Diocese de Castelo Branco, bem como integrou Degolados, Cabeço de Vide e o concelho de Alter do Chão, da também extinta Diocese de Elvas. 

 

A celebração deste aniversário da Diocese é muito triste para todos nós, seus membros. Grande parte do território dos seus 22 concelhos esteve debaixo de chamas impiedosas neste verão que ainda não acabou. Pelas piores razões,enchemo-nos de ver e ouvir falar dos concelhos de Castelo Branco, Proença-a-Nova, Sertã, Vila Velha de Ródão, Nisa, Sardoal, Abrantes, Mação, Oleiros, Vila de Rei, Gavião …, territórios dos distritos de Portalegre, Castelo Branco e Santarém, que fazem parte desta nossa Diocese.


A nossa Cáritas Diocesana, sempre atenta e apesar de poucos recursos, está, em nome de todos nós, diocesanos, no terreno, a fazer o que pode, também ajudada pela Cáritas Nacional, em sintonia com os Párocos e as Autoridades locais. Para além de já ter assumido a reconstrução de oito habitações e duas empresas familiares no concelho de Mação, das quais duas já estão recuperadas e uma das empresas já está a laborar com o equipamento que se adquiriu, assumiu, em virtude dos incêndios da semana passada, a recuperação de mais três casas de primeira habitação, uma em Vila de Rei, outra em Aldeia do Mato e outra em Belver. Agradecemos à Cáritas Diocesana toda a sua disponibilidade e ação no terreno, sem publicidade nem holofotes, sem aproveitamentos nem qualquer outro interesse que não seja o de estar próxima e minimizar o sofrimento de tantos.
Não foi nem tem sido muito edificante que, a par, e enquanto as populações atingidas gritavam ou gritam por socorro e sofrem desesperadamente, enquanto os seus representantes políticos locais engrossavam os seus apelos e desespero - também eles sofridos e a contabilizar prejuízos e desgraças! -, muitos filósofos do fogo, profissionais de informação, entendidos de bancada, sábios de ignorância e carpideiras de ocasião “choravam”, opinavam e voltavam a opinar sobre isto e aquilo sobre aquilo e isto, explorando a própria situação dolorosa de pessoas e populações. Muito edificante também não foi, nem é, que, pelo meio, também se meta muita politiquice, tricas, acusações mútuas de aproveitamento impróprio, muitas ocasiões para se estar calado e muitas outras em que melhor seria não dizer nada.

Sinceramente penso que uma reforma ou ordenamento das nossas florestas nunca será ajustada se vier a ser feita por alguns destes teóricos, por mais capazes e honestos que sejam, prescindindo das autoridades e dos saberes locais e dos proprietários. Eu não a sei fazer nem me proponho para tal, mas estou convencido que não iremos lá se for feita por gente que nasceu, cresceu, estudou, viveu e se instalou em gabinetes da cidade com meras saídas para estudos, passeios, praias ou casas de férias no Alentejo profundo. É preciso saber, sim, é preciso gente competente, mas é preciso também um bom conhecimento da realidade, um estar dentro da complexidade que envolve a propriedade do minifúndio, dos sentimentos e da capacidade económica dos seus donos que sempre viveram com parcos recursos e, poupando o pouco que estas suas courelas lhes davam, lá iam vivendo e estudando os seus filhos, dando algum sabor à vida e valores à sociedade. Hoje, infelizmente, a maior parte dos seus donos já não têm forças nem capacidade económica para tão-pouco as limpar como, por aí, à boca cheia, se lhes quer exigir sem se interrogarem como é que o poderão fazer. E, segundo vamos ouvindo, a limpeza das matas do Estado também não são exemplo para ninguém…
Ao mesmo tempo que festejamos mais um aniversário da nossa Diocese, continuamos unidos a todos quantos nela sofrem por esta calamidade dos incêndios e auguramos um melhor futuro para as nossas florestas.

Antonino Dias
Afife, 21-08-2017

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