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Animus Semper

OS VALORES PERDIDOS...

 

João P. Antunes.jpg

O que tenho ouvido e observado no meu dia a dia

faz-me pensar; que raio de sociedade é esta! Com-

portamentos indesejáveis em público, em casa,

nos transportes, irresponsabilidades por todo o

 lado e por aí fora …

 

Quando eu era criança, os valores e costumes que estávamos obrigados a cumprir estavam enraizados nos nossos lares.

Os nossos pais, na sua humildade e respeito, iam-nos ensinando a saudar as pessoas, tirar o chapéu quando entrávamos numa casa estranha, pedir a bênção aos nossos padrinhos e respeitar os mais velhos.  Lembram-se!!

Há quem consideMP.jpgre uma subserviência, mas o que é certo é que este estado de humildade e respeito não fez mal a ninguém e hoje estranhamos a perda destes procedimentos. Só a pessoas conhecidas falamos e cumprimentamos, dizendo "bom dia" ou um "olá" e nada mais nesta vivência diária.

Quando entrei para a escola, a autoridade do professor fazia-se notar. A sala barulhenta e em plena rebaldaria entrava em silêncio repentino logo que o mestre passava a porta da entrada. E, em saudação "hitleriana", levantava-se o braço direito e em coro dizíamos "bom dia, senhor professor" e só nos sentávamos quando ele mandava.

Não se estranhava.... era o comum de cada dia.

À medida que fomos crescendo e conhecendo outras paragens, estes valores foram-se diluindo no tempo, não se encaixavam, eram muito próprios das nossas aldeias.

Fomos esquecendo certas práticas e estilos de vida na ânsia de evoluirmos para um futuro melhor.

A sociedade foi ficando vazia destes valores, mas foi adoptando outros novos, com estilos de vida fácil, vulgares, frívolos e ilusórios.

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É o vale tudo. Hoje prevalece a falta de respeito, de honestidade, integridade, justiça, a falta de unidade familiar e outros, que são considerados de bons costumes!!

A quem interessa o vazio destas práticas? A algum sistema? ou pessoas?

Os meios de comunicação social entram em nossas casas e apresentam-nos, como sendo normais, situações que vão ao encontro de muita coisa negativa. São assim algumas telenovelas, autênticas escolas de safadagem, os filmes bélicos e de terror em que as armas estão sempre presentes na prática de crimes hediondos, causando o repúdio e o franzir de olhos a quem os observa.

No entanto, ainda existe uma parcela da sociedade que consegue pensar e agir de forma racional e repugnar essa carga negativa.

Os nossos filhos e netos que hoje recebem esta sementeira de ensinamentos negativos, que comportamento virão a ter no futuro?

Estamos inseridos numa sociedade responsável em que muitas vezes não assumimos a nossa parte, deixamos andar… e transferimos essa responsabilidade para o Estado.

Esquecemo-nos que é no seio da família, quando ela está devidamente estruturada, que começa a lição das boas práticas.

Se o não fizermos e não formos verdadeiros, perdemo-nos no caminho, ficamos sem norte e caímos na vala da ignorância.

Predomina hoje a ganância e a sensação do ter e ignoram-se os valores essenciais. O que importa para a sociedade é o êxito; riquezas materiais, ambição e poder, profissão de destaque, liderança e o reconhecimento do trabalho.

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É tudo correcto, mas este apego desenfreado às coisas deste mundo, desprezando o seu semelhante e afastando-se de Deus, não é aceitável.

Daí resulta uma série de práticas altamente condenáveis que presenciamos todos os dias, que matam, roubam e destroem os sonhos e as vidas das pessoas.

A sociedade terá de alterar estas atitudes e pôr em prática os valores humanos, os princípios que devem nortear as nossas vidas e dos nossos descendentes e quem nos rodeia.

Não tenhamos medo de dizer "não" ao negativismo e façamos a nossa parte, para que haja uma sociedade mais feliz e justa, sem violência e com amor ao próximo.

A educação não é um dever só da escola, a família tem um papel fundamental neste processo, não é procurando desculpabilizar o insucesso escolar dos filhos, mas o assumir da culpa desse fracasso e dos valores transmissíveis.

Esta tarefa exige um empenhamento de todos os que têm responsabilidades na estruturação da educação, formação e valores para uma sociedade que desejamos melhor.

Que mudem os tempos e as vontades.

 

João Antunes