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Animus Semper

OLHAR O FUTURO NO PRESENTE

Vou partir um texto em dois

O Mário Pissarra envia de Abrantes um rico texto de análise a dois factos diferentes: a história dos nossos blogues (ANIMUS60 e ANIMUS SEMPER) e a inauguração da Exposição que celebra os 100 anos de artes em Abrantes. Depois de pensar um pouco, achei melhor dividir o texto em dois, pois assim os temas podem mais facilmente ser comentados. Qualquer deles merece reflexão. E, já agora, tenho de dizer que hoje é um grande dia para nós, pois o blogue é nosso. Noutros dias, na ausência dos vossos contactos, o blogue parece que é meu. Vamos a isto! Com um "bem-hajas" grande ao Mário. AH

 

Mário.jpgUma reflexão sobre os nossos blogues

Os fios dos afectos e da cordialidade, da compreensão e da tolerância

 

1 - As mortes voluntárias não se lamentam, registam-se apenas, respeitando a escolha do morto. Foi o que aconteceu com o animus. Obviamente que fiquei triste e mais pobre. A ameaça foi pairando no ar ao sabor da interpretação das ocorrências e ausências. Chegou a hora de se concretizar. Contudo, senti-me revoltado. Prefiro a vida com as suas inúmeras dificuldades e vicissitudes ao orgulho de um passado documentalmente preservado.

Não sou saudosista e não me comprazo com revolver recordações se posso valorizar o presente (a vida, o animus semper) e projectar o (já) curto futuro que espero viver. Já nas minhas viagens de Castelo Branco – Belver ou no regresso detestava sentar-me virado para trás. Sempre preferi arrostar o futuro e antecipar a paisagem a contemplar o fugidio passado!

2 - O que lamento em tudo isto? Alguns episódios tristes e vergonhosos de que o animus fez eco. Nem o apelo à necessidade de conquistar o respeito e a dignidade do J. Centeio, apagam a tristeza de certas acções e episódios ou legitimam respostas que vêem na jurisdicionalização da vida e das relações humanas a resposta para todos os conflitos. O mundo das relações possíveis entre os antigos alunos tem de tecer-se com outros fios, sobretudo, os dos afectos e da cordialidade, da compreensão e da tolerância, mesmo para alguns insensatos conflitos ou pouco ponderadas altercações.

O normativo na nossa associação poderá quase ser dispensado. Haverá sempre um mínimo que o funcionamento exigirá, mas a sua aceitação não pressuporá uma linguagem impositiva. Foram estes acontecimentos finais que me entristeceram e me levaram a não publicar a segunda parte do texto sobre a obra do Florentino.

Registei o óbito, mas não tenho dúvidas que o animus merecia um funeral mais condizente com a sua história pelo muito que fez para e com os antigos alunos da nossa diocese. O pretexto para regressar ao meio de comunicação que agora mais nos une – animus semper  -- é a exposição colectiva que celebre 100 anos de artes plásticas em Abrantes.

Mário Pissarra

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