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Animus Semper

No princípio, era o caos…

“Trumpalhada” mostra os dentes

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Donald Trump, o 45º Presidente dos Estados Unidos, tomou posse no passado dia 20 de janeiro, após uma polémica e aguerrida maratona de propaganda eleitoral, charlatona e populista, imbuída de um nacionalismo agressivo. Embora com menos votos do que a sua adversária Hillary Clinton, as leis da USA ditaram este resultado.

Só que, após a tomada de posse, o que se pensava ter sido um certo folclore de promessas eleitorais radicais e descabeladas, logo nos primeiros dias do seu polémico mandato, as críticas, vindas de todos os quadrantes, com grandes manifestações cívicas à mistura, não têm parado, nestes primeiros dias.

As múltiplas medidas já encetadas não são para menos. Construção de um muro na fronteira com o México. Vetar refugiados de sete países muçulmanos. Eleger como seus principais inimigos os políticos de Washington e a economia internacional. Relativizar o papel da NATO e da ONU. A assinatura do decreto contra o “Obamacare” que apoiava e garantia assistência médica a milhões de cidadãos americanos pobres. O pugnar por uma América isolacionista, onde predomine o protecionismo. A agressiva declaração de guerra aos media. O ter admitido o regresso da tortura, como método legítimo para extrair confissões. Em relação aos direitos sociais e humanos, pouco parece importar a este magnate, que vive no meio de uma fabulosa fortuna.

O romper de acordos comerciais anteriores, o colocar nas mãos das polícias poderes autoritários e impor taxas aduaneiras de 20% aos países exportadores, são outras tantas medidas descabeladas que Trump quer implementar rapidamente.

A nível internacional, as relações hostis com a poderosa China e, pelo contrário, laços amigáveis com a Rússia, dá-nos bem o panorama político a ser construído nos próximos tempos.

Na verdade, o discurso populista da sua tomada de posse – todo um programa ideológico, envolvido numa retórica pobre - já nos dava indicações dos seus propósitos revolucionários de direita. A realidade destes primeiros dias de mandato faz-nos levar as mãos à cabeça, atormentados que estamos com este volte face americano na cena mundial. De laivos pró- fascistas, é todo um programa agressivo, nacionalista, xenófobo, protecionista, autocrata, instigador de medo e securitário.

Perante este programa desafiador e escolhidos que foram os seus diretos colaboradores, um conceituado economista, Paul Krugman, não teve pejo de chamar “incompetente” a Trump, acusando-o de liderar um governo de gente “corrupta e sem preparação”.

Por seu lado, o papa Francisco, não se ficando atrás, recentemente sublinhou que, nestes tempos de crise em que vivemos, “é um perigo irmos à procura de um salvador que nos devolva a identidade e nos defenda com muros”.

Criada assim uma era de profundas incertezas, destruídas que vão ser as coordenadas liberais, criadas após a II Guerra- Mundial, o que se poderá esperar desta nova Administração americana, dirigida por um “charlatão inveterado”, como o classificou George Soros?

Com apenas 40% de popularidade no início do seu mandato, Trump, já em guerra com os jornalistas e mandando às urtigas um recente acordo sobre as mudanças climáticas, mandando retomar o polémico oleoduto, entre o Canadá e o Texas, potenciador de perigo ecológico, está bem a mostrar os dentes a todos aqueles que não se encontram a seu lado. Perante esta avalanche desastrosa, que lugar para a fraca e desunida União Europeia, após o Brexit? Avisada, Theresa May, pela Inglaterra, já marcou pontos, visitando os Estados Unidos e a Turquia com quem assinou acordos comerciais.

Por sua vez, a UE não poderá ficar reduzida ao medo e à inatividade, face aos novos desafios mundiais. É hora de marcar pontos. E já.

 

florentinobeirao@hotmail.com

 

NOTA: O Florentino manifesta neste texto o sentimento comum a muitos de nós: vivemos «uma era de profundas incertezas». Esperemos que seja um caos passageiro... E quem encontra nos nossos dias sementes de esperança? AH

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