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Animus Semper

NÃO LHE BATAM MAIS!

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 25 ABRIL de 1974


Inesquecível. Ainda hoje tenho presentes todos os passos e todos os momentos desse dia. Desde a manhã na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa ao ataque, no final da tarde, à sede da PIDE/DGS, passando pela movimentação das tropas nas ruas da Baixa Pombalina, dos cravos do Rossio, da rendição de Marcello, no Carmo, entregando o Poder ao General Spínola para que não caísse na rua, nas mãos da multidão da qual também fazia parte. Nem nas do saudoso capitão Salgueiro MAIA, demasiado pequeno aos olhos do padrinho do actual Presidente Marcelo. Dia de sonhos, de ilusões e de juventude. Era uma quinta-feira e ao fim do dia chovia. Uma chuva tipo “molha parvos” que ia ensopando as roupas sem ser percebida mas insuficiente para arrefecer o entusiasmo e travar a "caça ao Pide".cravos.jpg 

Portugal era então um país vigiado, fechado, censurado e desigual. A PIDE/DGS e a Censura Prévia iam controlando os corpos e as mentes. A Guerra de África ia destruindo vidas e recursos, em nome da defesa de um Império anacrónico. Pouco mais de meia dúzia de grupos económicos pertencentes a meia dúzia de famílias protegidas pelo regime autocrático controlavam a economia nacional. O atraso e as desigualdades socioeconómicas eram assustadores. O 25 A de 1974 trazia a esperança.

 

25 ABRIL de 2017

Quarenta e três anos depois não existe guerra, não existe a PIDE e, em teoria, existe liberdade formal…
Todavia. Dizem as estatísticas oficiais que a desigualdades sociais nunca foram tão grandes e que a economia continua a ser dominada por meia dúzia de grandes empresas, que agora nem sabemos de quem são. Na sua maioria de capitais internacionais. Os centros de decisão estão longe de Lisboa e de Portugal. O regime não é autocrático. É formalmente democrático. As pessoas podem expressar livremente a sua opinião mas quem manda, manda. O Povo? Vota…
Uma certeza. Não há qualquer dúvida que a generalidade da população vive hoje muito melhor que em 1974. Mas, cotejando com os seus parceiros europeus, se, em 1974, Portugal estava na cauda da Europa, hoje lá continua. E com factura assustadora para pagar…
Valer, valeu! Mas tem sido tão mal tratado, o 25 de Abril de 1974!
IN MEMORIAM!

António Manuel Silva