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Animus Semper

MUITA PEDRA A PARTIR NA BEIRA BAIXA

RICO TESTEMUNHO DO FRANCISCO AMARO.

COM A REFORMA, UMA OUTRA BELA VIDA...amaro.jpg

TRABALHANDO... AH

 

 

Nasci em 1948 em Juncal do Campo onde frequentei a instrução primária.

Elegi o Fundão para viver, sem esquecer as raízes, publicando 3 livros de poemas e "Registos de baptismo de Juncal do Campo".

A minha ambição nunca foi além do território da Beira Baixa, pois considero que é possível aqui a plenitude. Chamo a atenção para as qualidades dos Beirões que Artur Elias da Costa destaca no seu livro : - Castelo Branco no Trabalho.

Participo em várias associações exercitando a cidadania, pois não quero servir para “ compor “ listas.

Atingida a reforma, ocupo-me entre a agricultura, a poesia  e a pintura.

O comércio tradicional definhou e abri uma oficina  na Rua da Cale, Fundão, onde todos os dias tento preservar as belas imagens da Beira Baixa, cedendo gratuitamente uma das montras, onde os artistas  podem expor os seus trabalhos durante um mês, tentando assim chamar mais pessoas à zona antiga.

Pretendo assim transformar o ócio pintando quadros onde a flor da cerejeira permanece todo o ano, como a neve na Serra da Estrela ou os tons outonais da Serra da Gardunha.

Quadros que podem viajar a qualquer parte do mundo, divulgando a Beira Baixa e homenageando este chão, outrora calcorreado pelos nossos antepassados.

Foram eles que com o seu trabalho e arte contribuíram para a preservação da memória.

É minha obrigação respeitar e, se possível, alargar essa memória.

Já no campo da política considero que o interior é mais fustigado.  Não vejo um pensamento estratégico,  deixando instalar-se a  indiferença.

Recordo as palavras de Sartre aquando da visita a Portugal, depois do 25 de Abril, quando um jornalista lhe perguntou: - Então agora a revolução está feita? Não, a revolução só estará concluída quando acontecer dentro de cada homem...

Hoje, temos a certeza dos erros cometidos. E volto à minha origem, Juncal do Campo, onde a gente simples e humilde sabia que não podiam gastar o que não tinham e, se a horta produzisse em excesso, lá iam até à praça de Castelo Branco, na ambição de amealharem alguns tostões.

Foi com essa gente que aprendi que o património nunca se vende, pois vai-se o património e o dinheiro...

Passados 60 anos, “alguém” vende o Lagar cooperativo de Juncal e Freixial do Campo, passando por cima dos estatutos!?

Ainda há muita pedra para partir na Beira Baixa.

Mas apesar de todos os constrangimentos causados pela interioridade (desertificação, população envelhecida, falta de emprego e, muitas vCALE.jpgezes cada um só preocupado com o seu quintal, etc.), não custa dinheiro e satisfaz-me a contemplação dum pôr do sol ou uma caminhada pela Serra da Gardunha.

Como frisou Cícero: “ A vida feliz consiste na tranquilidade da mente “.

É para isso que todos os dias trabalho, almejando  o lado positivo da vida, tendo presente as palavras de Santo Agostinho: “ Mesmo que já tenhas feito uma longa caminhada, sempre haverá mais um caminho a percorrer “.

 

Silva Amaro

 

        Fundão - Rua da Cale: promovendo a Arte!