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Animus Semper

JOGOS OLÍMPICOS

Um espectáculo memorável

Ficou-nos na retina o espectáculo de abertura do Jogos Olímpicos. Que regalo para o olhar. À medida que a arte e imaginação avançava, deu-nos para colher algumas imagens via smartphone porque valia a pena...

São essas imagens que aqui deixamos, para memória. Viva a arte! Viva o Brasil!

 

 

 A mensagem do nosso Bispo, a propósito dos Jogos Olímpicos:

 

O DESPORTO AO SERVIÇO DA HUMANIDADE – 05-08-2016

D. Antonino.jpg

Respira-se ambiente de festa com a realização dos Jogos Olímpicos, no Brasil, longe da sua pátria original. Nasceram em Olímpia, na Grécia antiga, muitos séculos antes de Cristo. Mais rápido {Citius}, mais alto {Altius}, com mais força {Fortius} é o desafio deste acontecimento global que é festa, é espetáculo, é arte, é cultura. É “um dos fenómenos típicos da modernidade”, é um "sinal dos tempos" capaz de interpretar as novas exigências e as renovadas expectativas da humanidade”, como afirmou João Paulo II, o “atleta de Deus”, no jubileu dos desportistas, em 2000. Movimenta multidões de pessoas e não menos interesses, alguns nada recomendáveis, como a exploração, a idolatria, a corrupção de dirigentes e atletas... Desde que o desporto se profissionalizou e o prémio deixou de ser uma coroa de oliveira brava e os objetivos iniciais se foram desvirtuando, tudo é diferente, mas os jogos continuam a ser importantes e de grande relevância para toda a comunidade humana. A saúde, a cooperação, o respeito mútuo, a amizade entre os povos, a justiça e a paz, o trabalho, o esforço, o treino disciplinado, a alimentação a condizer, o autocontrolo, o cumprimento das regras, a dedicação, o fair-play, a beleza na diversidade, tudo, tudo são valores que o desporto e a própria competição promovem. A luz da chama olímpica, segundo Bento XVI, «remete para o Verbo encarnado, luz do mundo que ilumina o homem em todas as dimensões, incluindo a desportiva.» Na Bíblia encontramos muitas referências ao desporto para animar o difícil jogo da vida. Esta implica disciplina, perseverança e correr riscos, alimentando sempre a esperança de vencer. São Paulo, por exemplo, alerta para a necessidade de se correr para aquela meta onde todos podemos ser vencedores, e não apenas um: «Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganharmos uma coroa incorruptível» (1 Cor 9, 24-27). Para alcançarem aquele resultado, os atletas sacrificam-se: “é a lógica do desporto, especialmente do desporto olímpico; e é inclusive a lógica da vida: sem sacrifícios não se obtêm resultados importantes e nem sequer satisfações genuínas”. E numa carta ao seu amigo Timóteo, Paulo chama-lhe a atenção para a necessidade de se cumprirem as regras nesse jogo da vida que outras não são senão seguir o exemplo de Jesus: perseverar na oração, exercitar-se nas virtudes e levar a cruz de cada dia, com Cristo, ao jeito de Cristo: «Aquele que participa numa competição não recebe o prémio se não competir segundo as regras» (2 Tim 2, 5). A Igreja, consciente do aforisma "mens sana in corpore sano”, sempre sublinhou a importância do desporto. Muitas vezes se tem pronunciado, de forma oportuna, sobre as suas vantagens e o seu valor para o desenvolvimento do caráter, da inteligência e da vontade e da própria vida espiritual. O Concílio Vaticano II recomenda que os tempos livres sejam também ocupados com exercícios e manifestações desportivas, muito úteis para manter o equilíbrio psíquico e estabelecer relações fraternas entre os homens de todas as condições, raças e países (cf. GS61). João Paulo II desejava ardentemente que os atletas fossem campeões no estádio, mas também lhes pedia que fossem “modelo para milhões de jovens que têm necessidade de “líderes” e não de “ídolos”». Francisco também tem deixado interessantes desafios nesta área. Inspirado num desses desafios, o Vaticano vai promover, em outubro próximo, uma iniciativa sobre o “Desporto ao Serviço da Humanidade”. Muitos líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da ONU e o presidente do Comité Olímpico Internacional, vão marcar presença. Por ora, acompanhemos os jogos, no Brasil: 92 portugueses, alguns com um currículo invejável, vão competir em 16 modalidades. Façamo-lo sem exagerar na “cultura do sofá” e do zapping. E sem entrar naqueles tristes jogos do “inverno da vida” que têm muitas e sofisticadas modalidades: protestar, gemer, tossir, espirrar, amuar, maldizer…
Temos alternativa. É outra “a prova que nos é proposta» (Heb 12, 1-2). Corramo-la, pois, decididos como Paulo: “uma coisa eu faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus.» (Fl 3, 13-14).