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Animus Semper

FOGOS, FOGOS...

Uma reflexão do Virgílio Moreira sobre os tristes acontecimentos que temos vivido nos últimos tempos. AH

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O PESADELO ESTE ANO COMEÇOU CEDO

 

Para todos os que vivem neste interior, filho bastardo dum país que despreza dois terços do seu território, todos os anos, quando o verão chega e as temperaturas sobem, são noites mal dormidas, porque ao pensamento ocorrem as imagens e sons de incêndios presenciados e vividos à porta de casa. Este ano bateu às portas dos Pedroguenses, dos Castanheirenses, dos Figueiroenses, dos Penelenses, e dos Sertanenses, como se houvesse neste país uma escala de prioridades para os incêndios. Não vou aqui falar do que aconteceu, porque a realidade suplanta-se à vista desarmada a toda e qualquer explicação, foi demais. A todos os afetados espero que tenham nesta hora força anímica para recomeçar; toda a sociedade numa onda imensa de solidariedade está convosco. 

Reza assim a Constituição da República Portuguesa no Artigo 44.º - (Direito de deslocação e de emigração):
1. A todos os cidadãos é garantido o direito de se deslocarem e fixarem livremente em qualquer parte do território nacional. 
2. A todos é garantido o direito de emigrar ou de sair do território nacional e o direito de regressar.

Só que, numa grande parte do Território Nacional, não estão criadas as condições para as pessoas se fixarem ou continuarem a viver. Um Estado só quando se mantém presente no território com as suas Instituições próximas dos cidadãos pode afirmar que “domina” esse território. Na nossa história, tivemos alturas em que tivemos de partir para África para marcar presença nos territórios que outros cobiçavam. Hoje, ninguém nos cobiça território mas o afastamento do Estado através das suas Instituições assemelha-se.

Uma pergunta que gostaria de ver respondida é: A quem pertencem os aterros e as barreiras das estradas, quer Nacionais, quer municipais? Porque, sendo limpas, seriam conjuntamente com a parte do alcatrão um grande corta- fogo. A todos quantos voluntariamente estes últimos dias de forma abnegada, foram junto dos que perderam familiares e bens dar um pouco de alento para recomeçar o "obrigado" dos que na rectaguarda quereriam também estar, mas por motivos vários não puderam. Força.

Virgílio Moreira