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Animus Semper

FEITOS PARA O BEM E PARA O MAL?

Fomos roubar ao Mário Pissarra uma citação e um seu comentário pessoal que nos pode ajudar a pensar. AH

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CITAÇÃO:

Banalização do mal e da heroicidade ou responsabilidade social?

“Em contraposição à banalização do mal, Zimbardo criou o termo «a vulgaridade do heroísmo»: «Da mesma maneira que acreditamos que em cada pessoa há algo que a leva a fazer o mal, queremos também acreditar que há algo dentro da pessoa que a leva a praticar o bem. É algo que parece óbvio, porém não há evidência convincente que apoie a ideia de que há uma disposição inata para o bem e para o mal e, de forma nenhuma, apenas para o bem. Pode ser que exista, mas precisamos de mais dados concretos antes de nos convencermos disso.
«Até lá, proponho que nos foquemos nas condicionantes do meio ambiente do bem e do mal, que tentemos perceber o que nos rodeia que nos leva a fazer o mal, a ignorá-lo, a ser cúmplices de acções cruéis e assim culpados passivos enquanto outras pessoas agem de forma heróica para ajudar quem precisa.
Estou convencido que é vital que cada comunidade e sociedade promovam nas suas instituições formas transversais para ensinar às pessoas o heroísmo, a importância de praticar mentalmente acções heróicas para poderem defender as causas morais ou apenas ajudar uma vítima necessitada».”
Elsa Punset (2014). O Mundo nas Suas Mãos. Não é magia é inteligência social! Lisboa, Planeta: 123.

 

COMENTÁRIO:

Foi ao assistir ao julgamento do famoso nazi Eichman que ao ouvi-lo justificar as suas acções uma filósofa criou a expressão «banalidade /banalização do mal». Como é que uma homem aparentemente normal justificava com a maior das normalidades as suas acções criminosas? Quem está atento aos media não deixa de estar constantemente a a ser bombardeado com heróis de pacotilha e que, segundo os critérios normais, ficam aquém ou na melhor das hipóteses no limiar da normalidade (quem não se recorda de certas figuras de certos programas de televisão apresentadas como modelos, mas que mereciam mais a repulsa que a admiração?). Independentemente da tese que defendamos sobre o conjunto dos impulsos para o bem ou para o mal que nos constituem, sobre os quais há inúmeras teses e todas elas discutíveis, o autor sublinha a responsabilidade das instituições para nos formarEm para o bem. Não precisamos apenas de pessoas justas, mas também de instituições justas, defende P. Ricoeur.

Mário Pissarra