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Animus Semper

ESTA É ESPECIAL!

Acabamos de dar conta desta crónica tão especial que não podemos ignorá-la.

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Mais uma vez, o Sr. D. Antonino nos surpreende e nos diz como é importante celebrar a Vida, mesmo a administrar a Santa Unção. 

 

GRATIDÃO E ALEGRIA EM COMUNHÃO FAMILIAR

 

Celebrar cem anos de vida, já vai sendo frequente. Celebrar oitenta e dois anos de matrimónio, é obra, coisa rara. Pois foi isso mesmo que aconteceu no dia vinte e cinco deste mês de maio. E lá fomos cumprimentar esses noivos de então, ambos centenários. Ele, com cento e três anos de idade. Ela, com cento e um. Casaram em Penha Garcia e residem em Monfortinho, mais propriamente em Termas de Monfortinho, concelho de Idanha-a-Nova, exemplarmente cuidados e apaparicados, em casa, pela “carinhoterapia” da sua atenta e dedicada família, verdadeiro testemunho de dedicação filial no meio da comunidade envolvente. Nessa altura, os noivos, prometeram amor mútuo que durasse para sempre, um amor que fosse “para além da formalidade social ou da tradição” e correspondesse à própria natureza humana que sempre aspira à estabilidade e ao amor para sempre. No meio das suas virtudes, limites e imperfeições, souberam crescer juntos, amadurecer o amor e cultivar a robustez da união familiar, o que constituiu também uma verdadeira escola para os filhos. Oitenta e dois anos de matrimónio, apesar dos calços e percalços, das curvas e contracurvas, dos êxitos e dos fracassos que a vida, por certo, lhes foi apresentando, são a garantia de que a vida deste casal não se reduziu "a um sentimento que vai e vem". Eles souberam apoiar o seu amor na verdade. Sim, só o amor firmado na verdade, só a verdade tocada pelo amor, faz com que a vida de um casal perdure no tempo, supere o instante efémero e permaneça firme a sustentar um caminho comum em direção a uma vida nova e plena, feliz e realizadora.

Fomos cumprimentar estes noivos de outrora, ele mais falador do que ela e incontido na alegria pela presença do Bispo, mais uma vez, em sua casa. Rodeados pelos seus familiares e pelo Pároco, administrei-lhes o Sacramento da Santa Unção, celebração em que todos participaram com fé e devoção, de coração agradecido por tão feliz ocorrência. Seguidamente, e a fim de que o seu lar continue a ser sempre iluminado pela esperança e pelo amor, foi-lhes entregue uma Bênção Apostólica que o Santo Padre o Papa Francisco concedeu a ambos, tornando-a extensiva a toda a sua família. Foi um acrescido momento de alegria e de comunhão eclesial, unidos ao Santo Padre.

Gente humilde e sacrificada, gente de trabalho e de trabalho difícil, gente de vida dura e austera, gente simples mas de valores verdadeiramente assimilados e vividos, gente feliz e a saber valorizar a família como espaço de amor e de humanização. Gente que chegou, viu e venceu. E porque não há festa sem “quodore”, não podíamos deixar de participar também, lá em casa, à volta da mesa, no convívio familiar que se seguiu, com muita alegria e paz.

Assim consta:

“Aos vinte e cinco dias do mês de maio do ano de mil novecentos e trinta e cinco, nesta Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de Penha Garcia, concelho de Idanha a Nova, diocese de Portalegre, compareceram na minha presença os nubentes José dos Santos Reino e Ermínia Pires Rodrigues com todos os papeis necessários e sem impedimento algum para o matrimónio, ele de idade de vinte e um anos, solteiro, lavrador, baptizado e morador nesta freguesia, filho legítimo de José dos Santos Senior e de Maria Esteves, naturais desta freguezia, e ela de idade de dezanove anos, solteira, doméstica, baptizada e moradora nesta freguezia, filha legítima de José Rodrigues Pires e de Emília Pires, naturais desta freguezia, os quais nubentes se receberam por marido e mulher e os uni em matrimónio conforme as leis da Santa Igreja Católica.
Foram testemunhas José Pires Rodrigues, casado, sapateiro e Joaquim Cigano, casado, lavrador, naturais e residentes nesta freguesia, os quais sei serem os próprios. E para constar lavrei este assento que depois de lido e conferido perante os Conjuges e testemunhas, o assigno só com as testemunhas não o fazendo os Conjuges por não saberem escrever.
Era est supra.
As testemunhas José Pires Rodrigues e Joaquim Cigano
O Prior P.e Possidónio Marques de Miranda”.

Antonino Dias
26-05-2017