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Animus Semper

DEPOIS DOS INCÊNDIOS

Chegou-me esta reflexão, pertinente e corajosa, que publico para conhecimento de todos e ampliação de audiência. AH
 
 
Um abraço, António! Aí vai uma reflexão de um Oleirense, que seria criança quando por lá passei.
Fernando Cardoso Leitão Miranda
 
O Vice-Presidente da Câmara de Oleiros escreveu no Face:

A época dos incêndios já lá vai mas, infelizmente, o nosso país continua a ferro e fogo. O que se vem a suceder no que concerne às medidas e às tomadas de decisão no seguimento dos fogos de 2017 não têm fim à vista e deixam a nu a imagem de um Governo completamente desgovernado, num país que, lamentavelmente, não sabe nem quer saber tomar conta dos seus cidadãos.
Depois dos primeiros grandes incêndios de Junho, quiçá acreditando que o pior já tinha passado, houve indemnizações directas até 5.000€ para todos os afectados, sem necessidade de burocracias de maior a não ser os mais simples e naturais procedimentos legais.
Já para os grandes incêndios de Outubro, a decisão mantém-se mas, sabe-se lá porquê, as indemnizações directas passaram para 1.053€, ou seja, cerca de um quinto daquilo que fora aplicado apenas três meses antes.
Mas o maior escândalo está mesmo guardado para os incêndios de Julho, Agosto e Setembro, com o Governo a decretar que não há as mesmas indemnizações para ninguém, a não ser que todos os candidatos se inscrevam no PDR 2020, abrindo actividade como trabalhadores. independentes, com tudo o que isso acarreta em termos práticos e concretos!
Será que é preciso surgir um génio iluminado no meio destes governantes para lhes explicar o quão disparatada, inadequada e escandalosa é esta medida? Será que é assim tão difícil entender que entre os milhares de pequenos agricultores lesados, há inúmeros reformados, trabalhadores precários e profissionais de outras áreas que tentam, através do árduo trabalho no campo, melhorar um pouco a qualidade de vida dos seus familiares? Será que estes governantes não conseguem ver que, ao terem que abrir actividade por conta própria, estes pequenos agricultores ficam expostos a riscos como a perda do subsídio de desemprego em caso de demissão, prejuízos nas pensões e até ao nível da Segurança Social? É assim tão difícil entender uma evidência tão clara e gritante?

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A pergunta que eu deixo é a seguinte: o nosso país tem portugueses de primeira, de segunda e de terceira? O valor dos prejuízos é calculado em função dos meses em que ocorreram os incêndios? Ou será que os nossos governantes estão a chegar ao ponto deplorável de misturar perdas humanas com perdas materiais, valorizando os prejuízos em função da dimensão que cada tragédia assumiu na comunicação social, apenas e só para tentar escamotear a gritante realidade que é essa incompetência tremenda que têm vindo a demonstrar na forma como lidam como este flagelo desde o início?

O país ardeu... É verdade... Mas não queiram agora queimar o que resta, negando aos lesados as justas indemnizações a que têm direito pelos prejuízos sofridos. Muito menos tentando esconder essa recusa sob o manto vergonhoso de burocracias disparatadas que mais não fazem do que manietar os pequenos agricultores que nada poderão fazer caso não haja medidas que corrijam este verdadeiro crime que está a ser cometido contra eles.

(texto original escrito pelo meu colega Vereador Paulo Urbano, com o qual concordo totalmente e subscrevo na íntegra!!)