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Animus Semper

AS NOSSAS VIAGENS

Marrocos aqui tão perto (2)

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Ladeados pela sempre presente bandeira vermelha nacional, inserindo uma estrela de cinco pontas - os princípios basilares dos muçulmanos piedosos -, e profusas fotos do atual Rei Maomé VI, deixada a cidade de Casablanca, subimos até Rabat. Capital do Reino e sede do Governo, a parte antiga da cidade, com a sua peculiar Medina medieval, harmoniza-se com a urbanização moderna, convivendo em harmonia. Município romano, desde Trajano (séc. II d.C.) Rabat deve a sua origem a Salih, séc. VIII, chefe da tribo berbere dos berguatas do Atlas, que se tornou em herege islâmico. Para se defender dos ortodoxos, acabou por ter de construir aqui um refúgio fortificado. 

Chegados a meados do séc. XII, os Almóadas atacam os berguatas, acabando por os derrotar.

Vale a pena lançar um rápido olhar histórico sobre os Almóadas uma vez que a Reconquista Cristã se encontra muito ligada a este guerreiro grupo muçulmano, pregador da jihad.

Os Almóadas aparecem num contexto de crítica cerrada aos Almorávidas (séc. XI) a quem acusavam de uma fraca preocupação em manter os seus reinos muçulmanos na Península Ibérica, muito abandalhados no cumprimento da doutrina de Alá, sendo muito tolerantes com as outras religiões monoteístas. Por outro lado, verificavam que, lentamente, eles iam deixando ocupar os seus territórios ocupados pelas forças cristãs, organizadas e movidas pelo movimento da Cruzada da Reconquista, chefiada pelos reinos de Portugal e de Leão - Castela.

Para controlarem melhor estas investidas cristãs, de norte para sul da Península, colocaram a sua capital política em Sevilha, em 1170. Data desta altura a construção da grande mesquita desta cidade, restando dela apenas a Giralda (1184), anexa à atual monumental catedral gótica, a 3.ª maior da cristandade, construída em cima da antiga mesquita, a partir de 1401. A partir de 1212 começou o declínio dos Almóadas que acabaram por ser derrotados também pelo reino de Portugal, pelos Templários, em Tomar. Recorde-se que a eles se deve um grande movimento cultural na Andaluzia, enquanto reinaram em Sevilha, nomeadamente no campo da Filosofia, com o incontornável Averróis.

Durante o protetorado francês, Rabat tornou-se a sede da resistência. Independente com Mohamed V, foi-se tornando um oásis, com árvores e jardins esplendorosos e amplos, espalhados pela cidade, envolvendo o palácio real, construído no séc. XIX, sobre outro mais antigo. Sobressai na cidade o minarete de uma antiga mesquita de estilo romano-bizantino, muito semelhante à majestosa e altaneira Giralda de Sevilha.

Nesta cidade ainda se pode admirar o esplendoroso mausoléu de Mohamed V, construído para si e familiares, junto de uma labiríntica e inacabada mesquita de Hassan. O túmulo real ocupa uma vasta sala em mármore, ricamente decorado, com uma cúpula de madeira e cedro revestida de folhas de ouro, símbolo da eternidade. Ladeada por forte e longas muralhas, Rabat conserva ainda o clima de uma cidade medieval, com abertura à modernidade.

Florentino Beirão

 

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