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Animus Semper

AFOGADOS EM GENTE

Desculpem lá eu puxar hoje a brasa à minha sardinha. Acho que tenho razões para me alegrar e compartilhar com os amigos... AH

 
Porque não voltar atrás?
 
Neste dias, tem-me chegado uma onda de nostalgia que não é habitual. E eu bem sei a razão.
Está a aproximar-se (15/01) a celebração dos dez anos da Unisseixal - a Universidade Sénior do Seixal, em cuja criação estive enfronhado até aos cabelos. Começou como criança, mas depressa se tornou grande.
A Unisseixal, neste ano lectivo de 2016/17, serve os desejos de 719 seniores que nela se inscreveram nas várias vertentes de formação que oferece. Cada um destes estudantes encontrou ali razões para sair de casa, dar o seu nome como aluno em três ou quatro disciplinas, pagar 90 €, que é esta a anuidade que lhe pedem. E depois é só desfrutar, o que, creio eu, corresponde a distrair-se, ter razões para sair de casa a horas determinadas, encontrar pessoas com os mesmo objectivos, ouvir o seu nome no grupo, aprender umas coisas novas ou já esquecidas, utilizar a mente, a voz, as mãos em algum instrumento, o corpo todo em movimentos de dança ou de ginástica, eu sei lá mais o quê... E eu sou um deles!
 
Há dez anos não havia nada disto! Já havia associações culturais, desportivas, populares, que iam fazendo ofertas formativas ou de ocupação dos tempos livres aos seus associados. Até a Casa do Educador do Seixal já vinha marcando presença significativa na vida de um grupo grande de educadores, que foi para eles que ela nasceu em 2002. Mas eram iniciativas menores, que atingiam apenas alguns apaniguados, sem a continuidade semanal que agora se apresenta.
Muitas vezes perguntei a mim próprio onde estariam tantas pessoas que caíram em avalanche sobre a Casa do Educador quando nos lembrámos de lançar este projecto. Parece que toda a gente precisava do mesmo, ansiava por algo de novo que desse razões ao seu viver. Estar reformado, pelos vistos, também tinha as suas inconveniências! Algumas vezes disse e escrevi que nos sentíamos «afogados em gente».
Em 15 Janeiro de 2007, abriram-se as portas a um número já considerável de pessoas (239), que começaram a vir às aulas nas mais que precárias condições, mas isso parece que não importava. A Casa do Educador era uma pequena associação, sem sede digna, apenas com uma sala e uma cozinha que anteriormente pertenciam a uma cantina escolar e à Delegação Escolar. Quando esta foi extinta, em Dezembro de 2004, os espaços foram entregues pela Câmara Municipal à Escola EB1 de Amora (a sala maior) e o resto à Casa do Educador.
 
E foi aí, naquela cozinha, que se preparou este novel projecto. Apenas uma sala serviria para as aulas. Mas, com engenho e sobretudo com tenacidade, lá foi o António Henriques correndo de escola em escola à procura de salas disponíveis que nos quisessem emprestar. E conseguimos... Andámos a pôr ovos em ninhos alheios, mas quisemos suportar essas agruras para alegrar muita gente.
Era preciso descobrir professores que voluntariamente quisessem juntar-se ao projecto e dar aulas a estes alunos especiais? Pois, também se conseguiu...
Volvidos dez anos, muita gente reconhece que foi extraordinária esta caminhada. E sempre o mesmo espírito, a mostrar sem mácula como o voluntariado pode fazer milagres, porque o espírito humano é de uma generosidade enorme. 
Voltarei ao tema brevemente.
 
Mas termino com mais uma revelação: tudo isto de que falo, Casa do Educador e Unisseixal, são trabalho em que estive empenhado já como aposentado. Alegra-me olhar para trás e ver o que um grupo de pessoas fez.
E ainda mais outra alegria: a Antonieta esteve sempre comigo, como igual, e algumas vezes o reconheci em público. Assim, foi mais fácil...
 
António Henriques

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