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Animus Semper

DIÁLOGOS SIGNIFICATIVOS

Aconteceu ontem!

Portalegre 19-05-2012 223.jpg

 

QUA 12:40 – Um Sr. Joaquim Mateus pede-me amizade no Facebook.

Quem será? Este nome nada me diz e, como costumo fazer nestas circunstâncias, escrevo como resposta:

A.H. - Não conheço o Sr.. Porque me pede amizade?

QUA 19:59

Joaquim Mateus: - Meu amigo António Henriques, acho que nos conhecemos de vários lados. Por exemplo da Buraca, da animus, de Carnide, de Alcains, de Portalegre, do Gavião, etc etc

A.H. - Caramba, tantas referências e das fortes, que não dá sequer para duvidar! Bem-vindo, que depois pelas fotos eu chego lá. Abraço.

(entre parênteses, digo o que fiz então: cliquei logo no sim, mas sem foto, como vou saber quem é?  Ah!  Vou à página do FB do Joaquim Mateus e na gaveta do “Sobre” vejo qual a data de nascimento. Corri para a nossa lista cronológica de nascimentos e descobri logo quem era...) Então respondo-lhe:

A.H. - Já percebi tudo. Escondeste o Silvério e depois querias que eu te visse... Mais um abraço. Vai à página do ANIMUS SEMPER.

Joaquim (Silvério) Mateus - Sempre resisti a isto dos facebooks e companhia e devo ser o único portuga vivo que ainda não jardinava por aqui.

Decidi continuar a não resistir e, por incrível que seja ou pareça, foi há dois ou três dias que me registei.

E mal me registei apareceu logo um conjunto vasto de amigos, de caras conhecidas. Foi nessa situação que, a medo, toscamente (porque não sei como isto funciona) carreguei nuns botões para ver o que dava.

E deu, que já tive algumas respostas simpáticas, aliás!

Voilá!

 A.H. - Tenho animado alguns a andar por aqui, a pensar que cada ano que passa nos fechamos mais em casa. As redes sociais ainda nos vão valendo para sabermos coisas uns dos outros, falar com eles, dizer que estamos vivos.

E o blogue, que vai fazer um aninho no dia 5/07, é bem um caso de sucesso como ponto de encontro entre a malta. Já vai com 42.443 visitas, à média de 112 diárias. Inimaginável. Podia dizer tanto...

E espero as tuas palavras para aqui.

Deixaste saudades... Abraço, Ant. Henriques

PROFESSOR - JOÃO MENDONÇA

Do livrinho "Olá, Professores II", estamos a apresentar a homenagem a cada um dos professores. Todos os dias terão o texto dedicado a um dos professores, com as fotos com as actualizações possíveis.

 

João Alves Mendonça

João Al Mendonça.png

 

Nasceu no Alvito da Beira, a 29 de julho de 1943

Foi professor de Literatura e de Ciências da Natureza

 

Olá, Professor João Mendonça!

 

Quem sonha ser escritor,

gosta de ler, de olhar,

gosta de escrever, gosta de fixar…

Retrata as coisas da vida

e toma atenção ao que o rodeia

como quem sabe que, às vezes,

é ele quem semeia !

Lê literatura,

lê histórias, contos e poesia,

mistura a realidade e a fantasia.

E se estuda a natureza, como ciência,

 

o ar e a terra, e sol e o mar,

pode ir mais longe

se aprender contigo,

e outros como tu,

e ser um cientista professor,

mesmo não sendo escritor.Mendonça.jpg

Ciências e letras não casavam bem,

quando as dividiam por secções,

como dantes

e se traçavam rumos para mais além

da condição de simples estudantes.

Quem não gostaria de ser escritor,

poeta ou prosador ?

 

J. Mendeiros

 

NOTA: Fomos "caçar" esta segunda foto (mais actual) a uma procissão das Sarzedas ou de S.to André das Tojeiras, onde o nosso homenageado é pároco. Mas não se fica por aqui. Também é «Vice Arcipreste, Membro dos Conselhos Presbiteral e Pastoral Diocesano; Director do Secretariado da Acção Social e Caritativa.» Aqui lhe deixamos um abraço de amizade.

PROFESSOR - MARQUES PIRES

Do livrinho "Olá, Professores II", estamos a apresentar a homenagem a cada um dos professores. Todos os dias terão o texto dedicado a um dos professores, com as fotos com as actualizações possíveis.

 

Manuel Marques Pires

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Nasceu em Aldeia de Eiras, a 25 de setembro de 1942

Foi professor de Matemática, entre outras disciplinas

 

Olá, Professor Manuel Pires!

 

As regras são como são.

Nascem da ciência, da observação,

do estudo, da comparação,

na matemática de qualquer um,

como sempre foram e serão.

Como a vida, que a cada passo,

aparece exposta,

como regra de três simples

ou três composta.

Mas são regras reais,

embora, às vezes, mais pareçam virtuais.

Ensinaste números, fórmulas e potências

quantidades e medidas,

e outras valências…

Mas era o alemão que te empolgava,

o que nos divertia e baralhava…

Passaste da aprendizagem para o ensino,

e de equação em equação,

mudaste, um pouco, o teu “destino”.

Olhar, agora, para o passado,

é como pegar numa palavra,

que se lança ao vento,

e sentir a emoção em movimento, perene…

E dizer adeus, Auf Wiedersehen !!

 

J. Mendeiros

 

NOTA: O Sr. Cón. Manuel Marques Pires ainda faz parte do Cabido da Catedral de Portalegre, mas, devido aos seus problemas de saúde, encontra-se na situação de jubilado e a viver na paróquia do Reguengo.

Centenário das aparições (7)

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Chega-nos hoje o 7.º e último estudo do Florentino Beirão acerca do centenário das aparições. Foi um trabalho de peso, de fácil leitura mas a lembrar dados históricos pertinentes que nos ajudam a compreender melhor o lugar de Fátima na vida da Igreja, de Portugal e do mundo.

Para quem quiser ler todos os sete textos, basta clicar na tag "fátima" que se encontra no fim deste texto. AH

 

Fátima na era da globalização

 

Nas décadas de 50/60, Fátima foi-se consolidando e expandindo. Para tal, muito ajudou a relação de Fátima com Pio XII, a envolver-se nas aparições, através dum enviado à Coroação da imagem da S.ª de Fátima em 13.05.1950, bem como ao encerramento do Ano Santo em 13.10.1950. Na mensagem papal já foram referidas as viagens das 13 imagens peregrinas que andavam a percorrer o país e o mundo. Ao concelho de Castelo Branco, chegou em 1951. Anos depois, o que viria a ser o papa João XXIII, deslocou-se a Fátima em 13.5.1956, para presidir às celebrações do 25.º aniversário da consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria. Seria uma marca “indelével” na sua vida. Num clima de exaltação fatimista, no final da década de 50, em 1958, Américo Tomás - a competir com Umberto Delgado na campanha para as eleições presidenciais - decidiu aproveitar-se de uma peregrinação nacional, para se mostrar ao país devoto, aparecendo, em lugar de destaque, na Cova da Iria.

No início da década de 60, em 13.10.1962, o Vaticano declarou N.ª S.ª de Fátima padroeira da diocese de Leiria. Mais tarde, em 13.05. 1967, com Portugal plenamente envolvido na guerra colonial, Paulo VI, em clima de tensão com Salazar, visitou Fátima como peregrino, juntando-se às comemorações dos 50 anos das aparições. Note-se que ao longo da guerra colonial, predominou, por parte dos peregrinos, o cumprimento de promessas relacionadas com este conflito. Simultaneamente, com os problemas de uma emigração clandestina elevadíssima para a Europa, as famílias fizeram de Fátima um espaço de devoção de famílias aflitas. Porém a partir de 1968, já não eram só os republicanos radicais a contestar Fátima. Também no seio dos católicos progressistas e de alguns padres, começaram a surgir vozes críticas contra o fenómeno das aparições, acusando o clero de promover “um culto mágico”, de tornar a religião “utilitáriae “com cumplicidade com o regime salazarista”. Com a Revolução do 25 de abril de 1974, Fátima e a política não beliscaram as suas relações. Aprendeu-se com a dolorosa lição da 1.ª República maçónica. Contudo, as peregrinações nesta altura acabaram por diminuir.

Internacionalmente, seria sobretudo graças ao mariano papa João Paulo II que se deslocou à Cova da Iria em 1982, 1991 e 2000 que a devoção à Virgem de Fátima mais se expandiu. O ponto mais alto destas visitas deu-se em 13.05.2000, com este Papa a proclamar os irmãos Francisco e Jacinta, “devido às suas qualidades espirituais”, como Beatos da Igreja.

Mais tarde, a antiga relação da mensagem de Fátima contra o comunismo foi realçada na altura da destruição do Muro de Berlim em 1989 - construído em 13.08.1961 – tendo o santuário adquirido e ostentado um pedaço desse muro no recinto da Cova da Iria. Entretanto, este espaço ia-se embelezando e enriquecendo com a construção da monumental basílica da S.ª Trindade, inaugurada em 2007. Em 2004, retirou-se a anterior “Cruz Alta” e ali foi colocada uma mais empolgante e moderna, perto da nova basílica que alberga 8.633 fiéis.

Eleito Bento XVI, entre 11 e 14 de maio de 2010, este novo Papa também se deslocaria à Cova da Iria e aqui interpretou teologicamente, a 3.ª parte do “Segredo de Fátima”. Para responder a uma devoção dos peregrinos, em 2013 o Santuário adotou o branco “Lenço do Adeus” para saudar a Virgem e limpar as lágrimas dos peregrinos, na emotiva procissão do adeus.

Como fomos verificando, partindo de uma simples mensagem a três crianças pobres e analfabetas, Fátima foi sempre tendo capacidade para incorporar novas mensagens, metamorfoseando-se, face ao evoluir dos acontecimentos, envolvida por um substrato ancestral de religiosidade popular. Embora dentro de alguns membros da Igreja se tenham levantado dúvidas, incertezas e fortes críticas às aparições, uma grande parte do povo crente, sempre deu corpo a esta devoção. Finalmente, a presença do papa Francisco em 12-13 de maio de 2017 em Fátima, canonizando Francisco e Jacinta, na presença de cerca de um milhão de peregrinos, foi mais um momento alto nesta onda devocional, onde a religiosidade popular e o Vaticano se uniram, convivendo embora com um próspero e agressivo negócio turístico, por vezes raiando o escandaloso. Quanto a nós, difícil senão impossível, será apurar-se a verdade, nua e crua, sobre esta experiência religiosa subjetiva das “místicas visões” das crianças, sempre sujeitas a arranjos, interpretações e a novos olhares. O que é espiritual é da ordem do espiritual. Hoje, Fátima na era da globalização, aí se encontra pujante, a desafiar os novos tempos, repletos de medos e incertezas, em busca de Paz e Esperança.

florentinobeirao@hotmail.com

 

PALAVRAS FINAIS DO FLORENTINO:

António, aí vai a última colaboração sobre esta temática. Amalgamada, mas creio que não vale a pena esticar mais o tema. Espero que esta série tenha sido elucidativa do fenómeno fatimiano. Muito ficará por dizer. Mas do essencial penso que, em síntese, estará quase tudo. Outros poderão fazer melhor. Por mim, terei dado algum contributo para que libertemos Fátima de muita superstição e milagrite e, dentro da liberdade dos filhos de Deus, façamos as nossas, sempre complexas e problemáticas opções.

Muitos se manifestaram com agrado. Outros, por ventura, fartos. Novos assuntos se seguirão se o engenho, a saúde e a arte me acompanharem.

Gostei da nova iniciativa do nosso querido Animus Semper. Cada dia, uma personagem do livro II. Deste modo, mais leitores poderão aproveitar a inspiração do nosso amigo Mendeiros. Formidável a sua criatividade.

Um abraço

F. Beirão

ANIVERSÁRIO

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PARABÉNS, FRANCISCO!

 

Neste dia 14 de Junho, celebra o seu aniversário o Francisco Pedrógão Pousadas, natural de Alter do Chão e a viver em Lisboa, segundo diz o seu Facebook.

Queremos desejar-lhe um dia de anos muito feliz, na companhia de familiares e amigos.

E votos de longa vida com saúde. Quando aparece, Francisco?                               

Contacto: tel. 964 662 571

 

 

PROFESSOR - TARSÍCIO ALVES

Do livrinho "Olá, Professores II", estamos a apresentar a homenagem a cada um dos professores. Todos os dias terão o texto dedicado a um dos professores, com as fotos com as actualizações possíveis.

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Tarsício Fernandes Alves

 

Nasceu na Várzea dos Cavaleiros, a 20 de novembro de 1938

Foi professor de Latim e de Música, entre outras disciplinas

 

 

Olá, Professor Tarsício Alves!

 

Salve! Tempus fugit!

Porém, não há como fugir,

do latim, que nos enraíza as palavras,Tarsício.jpg

e nos oferece grátis,

o radical,

quando dele precisamos,

o suficiente, quantum satis.

 

 

E é uma delícia apreciá-lo,

feito música, forte ou piano

no canto gregoriano…

 

Passar do latim à música,

que ensinaste e cantaste,

de garganta afinada

é como imaginar-te a dirigir um coro

em suaves movimentos,

sem batuta, só com a mão,

depois de apanhado o tom

pelo timbre do diapasão…

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Revive-se o passado, latinando,

mas nunca se esquece o tempo,

quando se vive…cantando!

 

J. Mendeiros

 

NOTA: O P. Tarsício fez questão de estar connosco, como as fotos mostram (aqui, de costas...) e sabemos como no seu currículo a música coral desempenha uma mais-valia, assim como são de destacar as funções de responsável pela aplicação do direito canónico na diocese.

PROFESSOR - ALEXANDRE PIRES

Do livrinho "Olá, Professores II", estamos a apresentar a homenagem a cada um dos professores. Todos os dias terão o texto dedicado a um dos professores, com as fotos com as actualizações possíveis.

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Alexandre Ramos Rodrigues Pires

 

Nasceu em Penha Garcia, a 30 de junho de 1938

Foi professor de Música e de História

 

Olá, Professor Alexandre Pires!

 

 

Vieste da rocha escarpada,

da Penha, que é Garcia,

da encosta,

um pouco longe do caminho

que virias a trilhar,

mas que ninguém conhecia.

Foste menino

ao som de cantigas de embalar

que ficaram no ouvido,

a marinar…

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Já crescido e homem feito,

mostraste aos teus alunos

como se deveria cantar.

E foi, assim, também, com a história

de terras e homens,

de cá e de além mar.

Depois,

veio a transformação

da vida, que era a tua,

agora, noutro lado, noutra rua,

noutra terra das alturas,

que é Marvão…

E ali, perdido no tempo,

ficou um pedaço do teu coração…

 

J. Mendeiros

 

NOTA: Queremos destacar aqui a participação do Alexandre Pires no Grupo musical "Stella Vitae", como membro activo, ele que agora goza a sua jubilação ali para os lados de Carnaxide, em conjunto com a São, natural destas terras, Póvoa de Meadas, onde se refugiam por vezes. Um dia cumpro a promessa de ir com eles... AH

PROFESSOR - MANUEL BUGALHO

Depois da Introdução do livrinho "Olá, Professores II", aqui apresentada e escrita pelo João Lopes, iniciamos hoje a homenagem a cada um dos professores. Todos os dias terão o textoBugalho.jpg dedicado a um dos professores, com as fotos com as actualizações possíveis.

 

Manuel Carrilho Bugalho

 

 

Nasceu na Escusa, a 21 de outubro de 1936

Foi professor de Antropologia Teológica

 

 

Olá, Professor Manuel Bugalho!

 

 

A cada um, sua ciência,

com sabedoria, se possível,

ou o seu contrário, a sua ausência…

A Antropologia ensina o quê?

Fala do homem?

Estuda o homem?

Ensina aos outros o que é ser homem?

Coisas difíceis, reais ou aparentes,

como a complexidade, aliás,

das questões teológicas,

místicas, transcendentes!IMG_2001.jpg

 

Juntas e incindíveis, 

formam a antropologia teológica,

com interligações

racionais, espirituais,

nem sempre percetíveis…

Coube-te, a ti, professor,

explicar melhor, aos teus alunos,

o seu teor,

como virias, depois,

a praticar, na vida social,

com a gente do teu “ chão”

lá, em cima, na vila de Marvão…

 

J. Mendeiros

 

NOTA: Foi muito rica a participação do Manuel Bugalho no encontro, em que, falando na Casa da Cultura inaugurada por ele quando era Presidente da Câmara, se referiu à vila de Marvão de um modo apaixonado, destacando as vertentes da cultura e da acção social e ainda a presença dos seminaristas na vila, de que ele também é munícipe. Temos esperança de um dia vermos o seu testemunho nestas páginas. Pode ser, Manuel?

MARVÃO - UM RICO TESTEMUNHO

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Chegou finalmente ao nosso blogue esta pérola do Chico Cristóvão, o testemunho que fez vibrar os convivas que estiveram em Marvão e agora se publica. Cabe-nos agradecer a mais este ilustre escriba a vivência que ele quis compartilhar connosco, a razão principal por que existe este ANIMUS SEMPER. Um dia destes o Chico ainda vai falar da orquestra "Vintóitma" e de outras iniciativas que alegravam os nossos dias em Portalegre. 

Obrigado, amigo! AH

 

MARVÃO

 

O Seminário Maior esteve em Marvão desde 1949 até 1955. Durante esta meia dúzia de anos, passaram por aqui noventa e oito seminaristas, dos quais sessenta e três foram ordenados padres.

Frequentei-o durante os três últimos anos da sua existência e foi, de todos os seminários em que estudei, aquele que melhores recordações me deixou, quer pela alta espiritualidade e qualidade do ensino quer pelo encanto desta vila carregada de História, com amplos e belos horizontes, ambiente calmo e amabilidade dos habitantes. Os moradores de Marvão sempre nos manifestaram uma grande amizade, proporcionando-nos uma convivência familiar e participando na nossa vida comunitária.

Foi em Marvão que vi, pela primeira vez, colegas meus na fronteira do sacerdócio a prepararem-se seriamente para esta missão. Os estudos eram mais específicos, as conversas tratavam constantemente das tarefas próprias da vida sacerdotal e as preocupações dirigiam-se para o ministério que se aproximava. Vivia-se uma piedade centrada na vida litúrgica, com o expoente máximo na missa solene de domingo, cuja vivência, dignidade e beleza de cerimonial tanto sensibilizavam o povo de Marvão. Corria de boca em boca pelas povoações vizinhas que no Seminário havia a “missa dos segredos”, nome do gesto do “ósculo da paz”, aqui avivado pelo porte da veste eclesiástica e litúrgica, pelo canto, luzes, flores, incenso e dignidade das cerimónias sagradas.

Dentro deste ambiente de religiosidade autêntica, estudo árduo, disciplina austera mas humana, vivência comunitária, testemunho de colegas e professores, eu era impelido para o ideal sacerdotal, apesar de sentir os meus limites e dúvidas. A liberdade de estudo da vocação e a ajuda dos meus superiores acabaram por me proporcionar a possibilidade de ir esclarecendo os problemas vocacionais, o que me levou a concluir que teria de enveredar por outro caminho diferente do sacerdócio.

Na nossa gíria estudantil, chamávamos ao Seminário de Marvão a “Universidade do Calhau”. Na verdade, os estudos aqui feitos tinham nível superior comparável ao das Universidades, só que não conferiam títulos académicos.

Entre as histórias ou partidas humorísticas, pode referir-se “O Enterro do Compêndio de Filosofia”, feito a altas horas da noite, na Igreja de Santa Maria que servia de dormitório, na única vez em que só nós estávamos no Seminário, livres de qualquer professor. O autor do compêndio chamava-se Reinstadler e tinha sido substituído por outros autores mais recentes. Resolvemos fazer-lhe, portanto, o enterro. Levou-se o livro em cima de um andor velho. Enquanto se ia no cortejo, cantava-se um hino em honra do autor defunto:

Chico1.jpg

“ O coitate Reinstadler

Vita tua sicut fummus

Volebas esse magistrum

Et non passabas de alumnus!

Coro:

O Reinstadler é um grande ponto…”

Durante o enterro, havia momentos para chorar. Foi tal o choro que uma voz, temendo que o barulho acordasse os vizinhos, disse: “Debetis flere piane!”. Houve também discurso de elogio fúnebre.

Outro espectáculo foi o dos doutoramentos. Um aluno que tinha sido reprovado na mesma disciplina várias vezes lá passou por fim. Foi por isso doutorado com toda a solenidade, com uma manta a servir de veste académica. Fez-se o elogio do novo doutor com veemente discurso e entrega de um canudo de papelão. Noutro doutoramento, o novo doutor apresentou um hino novo parodiando cenas e lugares de Marvão. Começava assim:

“Ai, Marvão, das muralhas

Das antiqualhas, das navalhas

Ai, Marvão, das ventanias

Das manias, das doutorias!…”

É claro que não faltou a entrega do canudo com a devida solenidade e dizendo-se as palavras rituais: “Faveas Accipere Canutum!...”

 

Pelo ambiente que aqui vivi, as amizades que fiz, a liberdade de que gozei, a afabilidade dos habitantes, a beleza da terra com os seus ares puros e vistas alargadas, as gratas recordações que guardo, a emoção com que sempre retorno, posso dizer-vos que Marvão foi o meu primeiro grande amor.

Francisco Cristóvão

CONSERVAR AS MEMÓRIAS

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Achei muito interessante a iniciativa de preservar o património nos Vales de Cardigos, que o António Manuel aqui documenta. Obrigado. AH

 

Os proprietários ainda equacionaram o desmantelamento do moinho, mas optaram pela sua manutenção e conservação e decidiram pintá-lo. Fizeram bem! É o único que resta na aldeia de Vales. Nos anos 60 estiveram na moda e eram utilizados para elevar a água dos poços. Motores de combustão e bombas eléctricas vieram substituí-los e a sua utilidade diminuiu. Foram desaparecendo e com eles a memória de uma época. Este vai ficar mais uns tempos. Ainda bem, porque já constitui uma espécie de património comunitário. Quem é que, tendo sido aluno na antiga escola primária, não se lembra do “moinho do Prédio”? Começaram no dia 08/06 os trabalhos de manutenção.

Assim…

António Manuel M. Silva