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Animus Semper

O LÚCIO LOBATO PROVOCA

Olhem como vão as conversas no Facebook:Lúcio Lobato.jpg

 

 

Lucio Lobato com Jose Ventura e Joaquim Mendeiros Pedro.

Quem reconhece o sr. da frente ou que está logo atrás?

Não reconheço todos, mas o Ventura dos Valhascos também faz parte do grupo. Belos tempos amigos.

 

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Lucio Lobato Lembro-me de todos, mas os nomes não me lembro. Alcains. 

Mário Pissarra A contar do fim: José Manuel dos Santos Eusébio,Bonifácio, João Delgado, Boaventura Calvário Antunes, João Mendonça, Silva Ou Matues (parece-me mais este) e Mendeiros.
 
  
José Andrade O ti Marcelo marcou-vos falta no encontro de Idanha... será k algum dos da foto esteve presente....?
 
Joaquim Mendeiros Pedro Mário, o último é o Constantino, já falecido e o segundo é o Lúcio. Acertaste nos restantes. Estávamos no Teixoso de boa memória, onde nos deliciávamos com as canções das polacas. Lindas, as canções e as polacas.
 
Joaquim Mendeiros Pedro O João da Conceição Delgado também já faleceu.
 
Joaquim Mendeiros Pedro para Animus Semper Antigos Alunos

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Cá vai mais uma foto do Jamboree do Teixoso com o Lúcio Lobato em destaque, ao centro, com um cachorrinho que parece o meu Willy... de estimação.

Jose Ventura O Careca é...
 
Joaquim Mendeiros Pedro O Príncipe do Lichtenstein.
 
Jose Ventura Também tinha essa ideia, mas...sem certeza !
 
Animus Semper Antigos Alunos Sobre este príncipe, acho que já escrevi uma vez que o Agrupamento de Portalegre o convidou para almoçar e no fim da refeição o chefe Barata, um sénior bem conversador, senta-se com ele num tronco de pinheiro e vá de comer um cacho de uvas em conjunto. O príncipe só respondia "Yá" a tudo. E o chefe Barata, às tantas, atira: «olha lá, no Lichtenstein dois terços das pessoas são coxas?» - Yá. E vá de rir, que era o melhor remédio para esta dificuldade de comunicação. Eles vieram três do Principado e realmente dois eram coxos. A. Henriques
 
Jose Ventura Recordo-me de lhe batermos na perna e ele não reagir. Nós diziamos que ele tinha uma perna de pau !
 
 
 

Continuando a saga do Jamboree no Teixoso, no nosso tempo de escuteiros, que o Lúcio Lobato lembrou com uma foto de um grupo de Alcains de que eu e ele fazíamos parte, cá vai outra foto para o pessoal recordar. Quem se lembra?

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Jose Ventura Ao meu lado reconheço o Manuel Lopes Dias, Sargento Pascoal, Marques Pires, David Coelho, Castilho !

 
Manel Pires Antunes Estão todos muito bem vestidinhos.
 
Jose Ventura Não me recordo quem era o caminheiro, que esteve lá connosco, além do saudoso Pe. Alvaro !
 
Joaquim Mendeiros Pedro Estava lá o Pe Lúcio, e, creio, o Pe Duarte Luís.
 
José Manteigas Martins Também estou aí. Foi nesse jamboree que concluímos que metade da população do Lichensteim era coxa.
 
Joaquim Mendeiros Pedro Manteigas, onde estás? Consegues indentificar algum, para além do João Mendonça, do Manuel Pereira, já falecido, do Lúcio Lobato, do Constantino, do Janela Barbeiro, do João Delgado?
 
Mário Pissarra Ao lado do João Mendonça creio que sou eu.
 
Joaquim Mendeiros Pedro Mário, se és tu, estás irreconhecível sem barba...
Mário Pissarra Melhor, com a barba feita.
 
Joaquim Mendeiros Pedro Talvez sejas mesmo tu, com aquele teu jeito de pôr os braços como se vê na foto.
 
José Manteigas Martins Creio que sou o que está atrás do que está ao lado do João Mendonça , inclinado.
 
Joaquim Mendeiros Pedro Então, estás atrás do Mario Pissarra...
 

HÁ MAIS NA LOURINHÃ

Na Lourinhã, não há só dinossauros.

 

Na mesma rua do Museu, fomos surpreendidos por estes quadros de pintura do séc. XVI, expostos ali ao ar livre, como quem quer à força que os nossos olhos parem de olhar bugigangas e fixem estas belezas bem antigas, a adornar os nossos monumentos, neste caso o Museu da Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã. Como quem diz: se Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé...

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Destaco o nome de Mestre da Lourinhã, quadros n.º 2 e 3, que coloco por baixo para mais visibilidade. Trata-se de um pintor de influência flamenga (séc. XVI) a quem se atribuem também as pinturas do retábulo da Sé do Funchal. Este pintor, em que a figura humana e a natureza são elementos destacados no seu estilo, ainda não tem nome definido, embora alguém já lhe atribua o nome de Álvaro Pires...

 

S. João Evangelista na Ilha de Patmos, Mestre da

S. João Baptista no Deserto, Mestre da Lourinhã.

       S. João Evang. em Patmos                                           S. João Baptista no Deserto

 

Terminamos com imagens ainda mais brilhantes do mesmo pintor na Sé do Funchal: 

 

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     Políptico da Capela-mor da Sé do Funchal (1512-1517), do Mestre da Lourinhã e outros, composto por doze painéis, e que faz parte do Retábulo do altar-mor da Sé do Funchal

 

 

 

 

 

PARABÉNS!

QUEM FAZ ANOS HOJE?

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É o nosso grande amigo Joaquim Nogueira, que nasceu lá para os longínquos 1933 na Várzea dos Cavaleiros e aí está "pisando fuerte en la vida"!

Colaborador entre os principais da nossa associação quer no tempo (é do princípio, com o João Heitor...) quer na intensidade do trabalho (presentemente, é Vice-Presidente, encarrega-se de toda a contabilidade e é um activo colaborador do "ANIMUS SEMPER". Ah! Ainda superintende aos almoços na Parreirinha de Carnide)...

Por isso, temos muitas razões para estarmos presentes no seu dia de anos, dar-lhe os PARABÉNS e desejar-lhe muita saúde e muita alegria por tempos infindos. 

Um grande abraço da malta e um OBRIGADO!

Contacto: tel. 919482371

AS ESCADAS DA VIDA

 

Mais uma mensagem do Pires da Costa, desta vez acompanhado da sua esposa na foto, ela também a servir de corrimão a quem ele se agarra para saborear a vida! AH

 

«...se para subir é necessário esforço e ultrapassar muitos escolhos, é nas descidas que se dão os grandes trambolhões.»


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Pego na pena, passo a outra mão pela face, fito o tecto como que à procura de lá encontrar ajuda inspiradora, paro na expectativa de que algo possa surgir de qualquer lado e que me ajude a iniciar o texto que pretendo escrever.

Procuro desatar a imaginação que parece presa por um nó  que, com alguma angústia, sinto demasiado apertado .E, só muito lentamente, vou sentindo o cérebro a libertar-se e a espairecer como se nele penetrasse uma luz capaz de desbloquear o impasse criado  sem justificação aparente. Finalmente, após uma espécie de paragem forçada, o pensamento começa a discorrer e, na sua correnteza, surgem, finalmente, ideias que se apresentam numa espécie de «sobe e desce» movidas por impulsos automáticos e incontroláveis como que a tentar furtar-se ao controlo da minha vontade. Saia o que sair, é tempo de começar. Subindo ou descendo, não interessa.

Forço-me a mim próprio a imaginar, a caracterizar, a definir, a escalpelizar e a localizar todas as escadas que já subi e desci ao longo da vida. Sintetizo a evocação da forma mais prosaica e bastante redutora: foram muitas e variadas.

Desde a matéria, à forma, ao tamanho, ao estilo, à localização, à segurança, à estética e  à mobilidade conheci escadas de tal modo diversificadas que me  conduzem à lembrança do que caracteriza o mundo dos homens e das mulheres: há semelhanças e analogias entre todos, mas nenhum ser humano é  exactamente igual ao outro.

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Se nos cingirmos à verdadeira função de uma escada que se preze, concluímos que ela é um tanto ilusória e merecedora de análise mais profunda e detalhada. Dentro de um conceito consuetudinário, as escadas foram feitas para subir e descer. Mas, pensando bem, elas foram imaginadas para subir. O descê-las representa apenas um recurso para retomarmos o que sempre aspiramos a fazer: subir. No espaço e na vida.

Mesmo considerando aquelas que se fazem para nos introduzirmos nos subterrâneos, o objectivo visado com a sua feitura é o subir e não o descer. Subir para a terra firme.

Discutível o princípio enunciado? Mas o que é que não é discutível no mundo dos homens? Só o indiscutível, mas este, à luz da razão e da liberdade, simplesmente não existe. Consequência do iluminismo filosófico? Seja. Mas, depois das trevas, é a luz que prevalece. Voltemos às escadas.

     Subir escadas assemelha-se muito ao acto de subir na vida. Em qualquer dos casos, há sempre que ter consciência das vantagens e dos riscos que comportam todas as subidas, sejam elas de que natureza  forem. É que as subidas exageradas comportam riscos cujas consequências devem ser sempre bem ponderadas, dentro do princípio simplista, mas recheado de sabedoria popular,  de que quanto maior for a subida  maior pode ser a queda.

E mesmo considerando o conhecido adágio contido na expressão «a descer todos os santos ajudam», não nos devemos iludir pois, em boa verdade,  se para subir é necessário esforço e ultrapassar muitos escolhos, é nas descidas que se dão os grandes trambolhões.

O ser humano identifica-se, fundamentalmente, com a terra firme, visto que é nela que pode encontrar tudo o que precisa para viver. A humanidade e a terra constituem o complemento por excelência da Natureza, como que destinadas a viver num permanente abraço, tão dependentes uma da outra  que, se não existisse uma intervenção recíproca no viver de cada uma delas, a vida no planeta perderia totalmente o sentido que, nesta dicotomia Terra / Homem, lhe é atribuído.

E porque assim é, o verdadeiro lugar do homem é na terra firme. Porque é inteligente e pode usar a razão, passa  grande parte da sua vida a imaginar e a construir escadas de todas as formas e feitios e com os mais diversos materiais. Umas com alicerces e outras sem eles, mas todas vulneráveis de tal modo que podem sempre desmoronar-se e reduzir-se a pó na terra firme, local onde regressa sempre toda a fantasia criativa do ser humano.

No entanto, sem escadas o que seria a vida do homem? Construam-se pois escadas em abundância, repletas de materiais ou fantasias, mais destas do que daqueles, pois só a subir conseguiremos realizar sonhos e quimeras que nos hão-de conduzir à verdadeira libertação, aquela que nos ajudará a ser criadores e a viver com sentido e dignidade.

 Afastemos o receio de subir e descer, mas pratiquemos estes actos com ponderação e  equilíbrio, para que a subida tenha um máximo de firmeza e a descida um mínimo de  segurança.

Se o leitor chegou até aqui e não se enfadou de tanta escadaria, tenho de louvá-lo e, ao mesmo tempo, pedir-lhe desculpa. Louvá-lo, pela sua paciência; pedir desculpa pelo cansaço que lhe causei com tantas subidas e descidas. Eu próprio confesso que fiquei fatigado. Porém, sem direito a indulgência, já que fui o verdadeiro pecador.

Já agora, peço-lhe que acabe a leitura, pois o que a seguir digo constitui a essência de tudo o queria transmitir.

Que todos nos compenetremos de que as escadas só desempenharão a sua função se os homens nelas souberem circular. Sem atropelos; sem empurrões; sem ultrapassagens violentas; sem rasteiras; sem pisadelas; com educação e honestidade.

Se assim for, sempre haverá uns que subirão mais do que outros, maescadas1.jpgs não virá daí mal ao mundo… Antes pelo contrário, todos poderemos beneficiar com isso, se os que podem ou conseguem subir muito alto souberem descer para ajudar os menos capazes. Até porque estes também podem ser úteis de muitas maneiras, que mais não seja para construírem os degraus que outros hão-de subir.

Evoquemos o Aleixo, o poeta  algarvio :

 

             «  Tu, que tens saber profundo, 

               És engenheiro e vês bem.

              Constrói uma ponte em que o mundo

              Passe sem esmagar ninguém.»

 

    Acrescento eu: quem diz pontes, diz escadas… As da vida ou outras.                              

 

A. Pires da Costa

POEMA

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 Fogo, guerra, ódio, emoções infindas a perturbar o nosso

viver. É a poesia do Pires da Costa...AH

 

MUNDO SEMPRE A RODAR

 

 

Ardem os troncos pelo chão,

Crepitam as labaredas no ar,

Rolam destroços em turbilhão,

Chocam-se emoções sem parar,

Neste mundo sempre a rodar.

 

Aos poucos, tudo se consome

E se desmorona com fragor,

Doentes suportando a fome,

Tristes, vacilando com a dor.

Vã esperança e cruel torpor.

 

Luzes fugazes que se apagam,

Almas desalentadas, feridas.

Espinhos que picam e afagam,

Crianças que choram perdidas,

Nuas, famintas, entristecidas.

 

Permanente ignóbil agitação,  

Guerras gulosas para matar.

Toma-se o ódio como padrão,

Acorrentam-se gentes a imolar.

E este mundo sempre a rodar…

  

          Pires da Costa

AS NOSSAS VIAGENS

À CAPITAL DOS DINOSSAUROS

 

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Esta pode ser uma hipótese para uma escapadinha, aqui a 70 km de Lisboa. A Lourinhã aqui tão perto e nós não a conhecemos... E se a conhecíamos, iremos estranhar muito as novas atracções que vão interessar os turistas a partir de hoje.

Quando a visitámos, ainda estava engalanada com os enfeites de uma festa local e o nosso objectivo era sobretudo o Museu. Soubemos que era decerto a última vez que ali entrávamos, disse o funcionário, pois o Museu ia ser deslocado brevemente para novas instalações, por certo mais dignas. O espólio que ali se amontoa vai brilhar mais em espaços mais amplos. Naquele espaço, convivem as peças de um museu regional, memória das muitas actividades económicas a que se dedicavam as gentes daquela região do Oeste, e os achados paleontológicos da era dos dinossauros, que realmente precisavam de outro ambiente para se mostrarem melhor.

 

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Das mostras das profissões antigas, muitos objectos expostos chamaram a atenção. Mas, para abreviar, lembro os elementos com que se extraía a resina. O Joaquim Nogueira é que podia dizer o nome daquelas ferramentas, onde não faltava a machadinha para tirar mais uns centímetros de casca e a garrafinha do ácido para fazer que a resina escorresse para a malga. Tive ainda a oportunidade de lembrar os nomes dos muitos instrumentos do carpinteiro, que meu pai manuseava com mestria. Mas parece que não consta nenhuma profissão que ali não se apresente, pelo que vale uma visita bem ilustrativa.

 

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A secção dos dinossauros encontra-se muito compacta e há muitos achados que nem sequer podem aparecer por falta de espaço. Mas, para surpresa minha, estava eu a escrevinhar estas linhas quando descubro que neste 8/08/2017 se inaugura na Lourinhã uma grande mostra de 20 modelos de dinossauros em tamanho real, numa iniciativa apelidada de «Dinossauros Saem à Rua» e que ficará patente até meados de Setembro. E nos próximos dias 11, 12 e 13 de Agosto haverá mesmo muitas atracções e conferências sobre o tema.

Soubemos, entretanto, que esta exposição pelas ruas da Lourinhã é um simples aperitivo de outra exposição permanente com mais de uma centena de modelos no futuro Parque dos Dinossauros, a inaugurar em 2018 numa área de 10 hectares de um terreno onde funcionava a lixeira municipal. É aí que também será construído um edifício para exposição dos achados paleontológicos com 150 milhões de anos, uma loja e um laboratório para preparação de fósseis. É um investimento de 3,5 milhões de euros, que fará da Lourinhã uma verdadeira capital dos dinossauros.

E ficam vocês em casa!...

 

António Henriques

 

Apresento a seguir mais uma galeria de 8 ou 9 fotos, que podeis rolar, para sentirem mais o ambiente da capital dos dinossauros.

 

 

 

 

PARABÉNS AOS DOIS

ANIVERSARIANTES DE HOJE:

 

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- Mons. Paulo Henriques Dias, nascido em 1970, Vigário Geral da Diocese de Portalegre-Castelo Branco; Moderador da Cúria Diocesana; Juiz Diocesano; nomeado Monsenhor com o título de "Capelão de Sua Santidade" em Setembro de 2009. É ainda pároco de meio Alentejo (9 paróquias!...). Só com muita energia e saúde pode corresponder aos compromissos assumidos...

Bom amigo, os nossos PARABÉNS! E ainda votos de muita saúde e longa vida para servir a Igreja em alegria.

Contacto: tel. 967229564

 

                                              oooooooo                   oooooooo

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- Ramiro Cristóvão Pereira, outro amigo deste grupo de antigos alunos, aqui um pouco apanhado de lado num encontro ainda do tempo do muito amigo D. António Marcelino, também hoje celebra mais uma primavera.

PARABÉNS, Ramiro, e que a Vida te sorria com muita saúde e felicidade por muitos anos, na companhia de quem mais gostas.

 

 

REDES SOCIAIS

Mais uma reflexão pertinente e actual do António Colaço, que eu arrasto para o nosso blogue. É um texto publicado no "Expresso" em 5/08/2017. AH

 

REDES SOCIAIS.

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MAIS DO QUE UMA MODA 
UM MODO DE MUDAR

 

Pequena contextualização.Encontro-me de férias na vila de Mação,onde há cerca de quarenta anos fiz nascer um projecto editorial que acode pelo nome de “ânimo-para tornar os dias mais leves”, influenciado pela novidade gráfica do então “offset”.E assim nasceu a revista “ânimo” que depois da edição de dez números – já guardados religiosamente pelo meu amigo Pacheco Pereira, nos seus arquivos da Marmeleira – conheceu outras formas de sobrevivência, como a intervenção na imprensa regional e, por esta, no mundo das rádios livres e televisões regionais. Destes últimos meios de intervenção, a destacar o papel central de Abrantes no processo de legalização, já que aqui tiveram lugar os três maiores encontros de rádios que durante anos persistiram e conseguiram a almejada legalização contando no último desses históricos encontros com a presença de deputados da nação. Ainda no campo das chamadas televisões piratas, a ânimo, e todos quantos com ela colaboraram, foi objecto de um processo no DIAP por emissão clandestina no 25 de Abril de 1995, algures, em Campo de Ourique, Lisboa.Tudo isto para dizer que sempre se lançou mão das novas tecnologias, não em nome de um deslumbramento bacoco,mas porque sempre soube a pouco o que com elas podia fazer-se.
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Passo a falar na primeira pessoa porque nestes quase 40 anos que levo daquilo a que ousei apelidar de o ”animador de serviço”, o meu lema sempre foi o de que comunicar é preciso.Este breve e despretensioso puxar de galões vem a propósito da tão inesperada quanto dramática experiência vivida na passada semana com o chamado incêndio da Sertã em…Mação.Para abreviar, direi apenas que uma raiva incontida se apoderou de todos os maçanicos por percebermos que 2003 estava às portas e nada parecia fazer deter as chamas assassinas.
Confesso que só há pouco me dei conta das potencialidades do uso no Facebook das transmissões de vídeo em directo. Morando no centro histórico da vila, e não querendo passar pelo susto de ter que abandonar a casa, como no passado, percebi que nada melhor do que aproximar-me o mais possível da frente de fogo que mais rapidamente poderia entrar na vila tendo decidido partilhar essa informação,em directo, através dos meus amigos na dita rede social do Facebook, e assim, mais informados, melhor poderem precaver-se para o que desse e viesse.Só quem cá esteve sabe a dimensão dessa extenuante expectativa adiada, tantas foram as situações em que o fogo ora parecia controlado ora logo se reacendia. Não quero, por agora, entrar na polémica da gestão da ANPC segundo o princípio do “deixa arder” mas não posso deixar de expressar uma palavra de total solidariedade para com o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela,que tudo fez para que as coisas tomassem outro rumo, deixando transparecer a falta de confiança em muitas das medidas tomadas, por quem, de todo, não conhece o concelho.

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Neste contexto, quero aqui reafirmar, o papel das chamadas redes sociais no tu cá tu lá com a tragédia que nos incendiou os dias. De facto, foi importante a informação que partilhamos uns com os outros e, por via da globalização, com todos os familiares espalhados pelo mundo.Demonstrámos que os telemóveis não servem só para mostrar as últimas fotos da namorada ou do cãozinho de estimação.Demonstrámos que sabemos ter opinião mesmo que alguns dos clássicos opinion makers sintam o chão a tremer porque deixaram de ser as vacas sagradas da opinião em Portugal.Acabaram-se os territórios.A sofrida partilha de alegrias e dores tornou-nos mais solidários. Mais virados para as soluções do que para os problemas.
E pelos vistos os nossos testemunhos deram jeito às agendas das televisões e rádios nacionais. Sei do que falo.
A partir do Mação incendiado consolidei mais a certeza de que não vivo para Facebookar, antes, Facebooko porque vivo!

 

António Colaço

O ÚLTIMO ALMOÇO...

Só faltou o champanhe!

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O último almoço antes das férias serviria para comemorar os setenta do Mendeiros. Porém, um percalço alterou a programação do aniversariante. Comemorámos na mesma e esperamos que o champanhe não falte na abertura da nova época. 
Daqui vai um abraço amigo dos presentes para o Mendeiros. 
Agora, cá para nós, sempre resolveram o problema do pneu? É preciso ter mesmo azar.... não esmoreças, Mendeiros. Há sempre ocasiões. Guarda o champanhe no frigorífico....

 

Manuel Pires Antunes

Leituras de férias - 5

Mais um livro, mais uma análise...

SAFARA - XV SEMANA CULTURAL - ACTUAÇÃO DO POLIF.

 

O “Vaticanum”, romance de José Rodrigues dos Santos (JRS) publicado no ano passado, foi uma prenda de Natal. O título era sugestivo, mas eu desconfiava um pouco do aviso das primeiras páginas: «A informação histórica contida nesteVaticanum.jpg romance é verídica» e, por isso, não me atirei logo à leitura. Preferia começar por informação menos romanceada, até porque também tinha entrado na nossa casa outro livro - “VIA CRUCIS” – Francisco, um Papa em perigo no seio do Vaticano, de GianLuigi Nuzzi, que me poderia ajudar a compreender melhor a realidade dos problemas que o papa Francisco enfrenta para evangelizar a Cúria Romana e todos os serviços da Santa Sé. Por aqui comecei. Já escrevi a minha opinião sobre este livro, que me ajudou a compreender melhor o romance.

 

Em férias, avancei para as 600 páginas do Vaticanum, que em 10 ou 12 dias foram devoradas. Mas é um exagero gastar tantas folhas.... Podia o autor ficar pela metade e a história não perdia. Já li vários romances do mesmo autor e nele gosto da linguagem jornalística, sem exageros literários, com uma intriga cativante a agarrar o leitor.

Desta vez, cansou-me a abundância de informação relativa aos problemas financeiros da Santa Sé, a ponto de termos de aturar as falcatruas cometidas há muitos anos e tudo o que tem acontecido desde João Paulo I, que no romance é mesmo envenenado na véspera de anunciar decisões extremas. E também me cansaram os diálogos sem fim no momento em que a cena está a atingir o clímax, parecendo que o autor manda parar a vida para dar mais explicações...

Em JRS, a acção é sempre dividida em pequenas cenas, de enredo paralelístico, avançando ora uma ora outra, mas terminando sempre cada pequeno capítulo com um chamariz para a frente, o que leva o leitor a querer saber sempre mais... A intriga policial, que o autor manipula com sabedoria, deixa-nos “em suspense” muitas vezes.

O criptanalista português, Tomás de Noronha, personagem de muitos dos seus romances, desta vez, a pedido do papa, vai «catalogar as sepulturas que se encontram na necrópole e procurar vestígios dos restos mortais de Pedro» por debaixo da basílica e vê-se embrulhado noutra situação, que é desvendar o mistério do assalto aos documentos em análise pelos auditores, especialistas externos que o Papa convidou para endireitar as finanças. E deste primeiro assalto, já com a marca do Estado Islâmico, passa-se para a acção principal. O próprio papa vai ser alvo de acções rocambolescas, bem dramáticas e no limite do trágico, onde se conjugam forças diversas, umas a querer discrição, como a máfia, e outras a procurar publicidade, como os radicais islâmicos. Em jogo surge também o grupo que representa tendências homossexuais.

Tomás de Noronha e Maria Flor continuam a namorar. Ele aparece como personagem determinante para resolver todos os enigmas e ela é apenas uma figura feminina a adoçar a situação e a distrair-nos da tensão policial. Figuras femininas, só ela e a Dr.ª Catherine Rauch, responsável pela equipa de auditores, surgem no romance, por certo para dizer que no Vaticano elas não contam muito.

O conteúdo histórico é bastante aceitável, pois condiz com muitos dos estudos publicados. JRS diz que faz «um relato factual» e confirma mesmo que «a principal fonte foram os livros de referência de Gianluigi Nuzzi...» (p.599) e em muitas páginas eu ia pensando “mas eu já li isto!”. Ficcional é tudo o resto, a começar pelos atropelos graves e extremistas contra o papa.

Mas trata-se de um romance, de uma ficção. E numa obra ficcional a leitura é agradável quando a verosimilhança existe. No entanto, neste caso, algumas soluções do enredo pareceram-me inverosímeis, senão quase impossíveis de ter acontecido, como o túnel cavado por baixo da sanita. E a figura de Tomás de Noronha, que investiga e soluciona todos os crimes também surge mais como um super-homem.

Pronto. O texto já vai longo e não consigo cortá-lo. Ficamos por aqui. O JRS continua a ser o escritor mais lido, mesmo com as críticas. E, para me distrair, talvez avance para outro livro dele. Opiniões!

António Henriques