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Animus Semper

PARABÉNS, ZÉ PEDRO

MAIS UM ANIVERSARIANTE!

José Pedro.jpg

 

Nasceu em 52, quando eu já estudava latim no 2.º ano, andou no seminário, onde bebeu da mesma água e comeu das sardinhas com feijão frade como nós...

É o José António Cardoso Pedro, que há muito frequenta os mesmos espaços que nós, também agradecido pela educação que recebeu, e a quem damos os nossos PARABÉNS e desejamos longa vida com saúde e felicidade.

Nesta foto, a certificar a sua presença no Encontro de Marvão, está ele a apontar para o colega Simão, acho que do mesmo ano e que curiosamente também faz anos (35), mas de casado com a sua Virgínia. A eles também saudamos e desejamos felicidades...  

 Contacto: tel. 965 019 564

PALAVRA DO SR. BISPO

Notícia, reflexão, queixa, avisos sérios nesta mensagem do nosso Bispo... A ler com atenção! AH

 

CÁRITAS RECONSTRÓI 8 CASAS E 2 EMPRESAS1.jpg

 

A Diocese de Portalegre-Castelo Branco celebra o seu 468º aniversário. Foi em 21 de agosto de 1549 que o Papa Paulo III criou a Diocese de Portalegre. Por tal razão, D. João III elevou Portalegre a cidade. Dom Julião de Alva, de origem espanhola, foi o seu primeiro Bispo. A Catedral foi construída no local da igreja de Santa Maria do Castelo, e lá se encontra, monumento nacional, de beleza ímpar mas triste e muito lacrimosa, a pedir que todas as forças locais, connosco, sejamos capazes de desafiar a boa vontade de quem de direito, para que, mesmo sendo igreja, se olhe para ela sem preconceitos e, com a devida atenção, se lhe dê a prioridade que merece para que possa ser requalificada e voltar a sorrir com mais encanto e todo o esplendor da sua bela arquitetura e património integrado. Esperamos ansiosamente que tudo isso aconteça antes que seja tarde demais!... Como sabemos, a Diocese de Portalegre integrou, mais tarde, a extinta Diocese de Castelo Branco, bem como integrou Degolados, Cabeço de Vide e o concelho de Alter do Chão, da também extinta Diocese de Elvas. 

 

A celebração deste aniversário da Diocese é muito triste para todos nós, seus membros. Grande parte do território dos seus 22 concelhos esteve debaixo de chamas impiedosas neste verão que ainda não acabou. Pelas piores razões,enchemo-nos de ver e ouvir falar dos concelhos de Castelo Branco, Proença-a-Nova, Sertã, Vila Velha de Ródão, Nisa, Sardoal, Abrantes, Mação, Oleiros, Vila de Rei, Gavião …, territórios dos distritos de Portalegre, Castelo Branco e Santarém, que fazem parte desta nossa Diocese.


A nossa Cáritas Diocesana, sempre atenta e apesar de poucos recursos, está, em nome de todos nós, diocesanos, no terreno, a fazer o que pode, também ajudada pela Cáritas Nacional, em sintonia com os Párocos e as Autoridades locais. Para além de já ter assumido a reconstrução de oito habitações e duas empresas familiares no concelho de Mação, das quais duas já estão recuperadas e uma das empresas já está a laborar com o equipamento que se adquiriu, assumiu, em virtude dos incêndios da semana passada, a recuperação de mais três casas de primeira habitação, uma em Vila de Rei, outra em Aldeia do Mato e outra em Belver. Agradecemos à Cáritas Diocesana toda a sua disponibilidade e ação no terreno, sem publicidade nem holofotes, sem aproveitamentos nem qualquer outro interesse que não seja o de estar próxima e minimizar o sofrimento de tantos.
Não foi nem tem sido muito edificante que, a par, e enquanto as populações atingidas gritavam ou gritam por socorro e sofrem desesperadamente, enquanto os seus representantes políticos locais engrossavam os seus apelos e desespero - também eles sofridos e a contabilizar prejuízos e desgraças! -, muitos filósofos do fogo, profissionais de informação, entendidos de bancada, sábios de ignorância e carpideiras de ocasião “choravam”, opinavam e voltavam a opinar sobre isto e aquilo sobre aquilo e isto, explorando a própria situação dolorosa de pessoas e populações. Muito edificante também não foi, nem é, que, pelo meio, também se meta muita politiquice, tricas, acusações mútuas de aproveitamento impróprio, muitas ocasiões para se estar calado e muitas outras em que melhor seria não dizer nada.

Sinceramente penso que uma reforma ou ordenamento das nossas florestas nunca será ajustada se vier a ser feita por alguns destes teóricos, por mais capazes e honestos que sejam, prescindindo das autoridades e dos saberes locais e dos proprietários. Eu não a sei fazer nem me proponho para tal, mas estou convencido que não iremos lá se for feita por gente que nasceu, cresceu, estudou, viveu e se instalou em gabinetes da cidade com meras saídas para estudos, passeios, praias ou casas de férias no Alentejo profundo. É preciso saber, sim, é preciso gente competente, mas é preciso também um bom conhecimento da realidade, um estar dentro da complexidade que envolve a propriedade do minifúndio, dos sentimentos e da capacidade económica dos seus donos que sempre viveram com parcos recursos e, poupando o pouco que estas suas courelas lhes davam, lá iam vivendo e estudando os seus filhos, dando algum sabor à vida e valores à sociedade. Hoje, infelizmente, a maior parte dos seus donos já não têm forças nem capacidade económica para tão-pouco as limpar como, por aí, à boca cheia, se lhes quer exigir sem se interrogarem como é que o poderão fazer. E, segundo vamos ouvindo, a limpeza das matas do Estado também não são exemplo para ninguém…
Ao mesmo tempo que festejamos mais um aniversário da nossa Diocese, continuamos unidos a todos quantos nela sofrem por esta calamidade dos incêndios e auguramos um melhor futuro para as nossas florestas.

Antonino Dias
Afife, 21-08-2017

MAIS UM A FAZER ANOS

É O ANTÓNIO HENRIQUES!EU.jpg

 

A pedido de alguns amigos (tens de dizer no ANIMUS que fazes anos...), aqui estou eu um pouco a contragosto e sobretudo sem tempo disponível, a dizer que hoje é o meu dia de anos.

Hesitei, mas depois entrei numa de real e pensei: pois, isto dos anos no blogue não é uma feira de vaidades, mas antes uma feira de amizades. E cada vez que um nome aparece aqui a celebrar mais uma primavera, estamos a dizer a esse amigo que ele é especial  e, ao mesmo tempo, a dizer-lhe que ele é um do grupo, sempre especial porque todos somos diferentes, mas sempre igual a todos os outros porque todos aqui são importantes.

Por isso, vos digo que o António Henriques, que nasceu no Ripanso, Sobreira Formosa, em 20/08/1939, e que se fez um homem graças aos 12 anos do Seminário, faz hoje 78 anitos. Entrei em 51 no Gavião e terminei em 63. Tempos privilegiados, tocados pelo Vaticano II e por alguns profs extraordinários.

Agora, reformado do ensino, já fiz na vida coisas interessantes: além de participar activamente na vida da Igreja como formador da catequese de adultos e, como casal, na preparação do matrimónio, também trabalhei na formação de ciganos e, a partir de 2002, criei com outros a Casa do Educador do Seixal, uma associação que depois fundou a Universidade Sénior do Seixal, hoje com 720 alunos.

Foram essas actividades que me actualizaram em termos de informática, o que permitiu que eu pudesse continuar um blogue que há nove anos nos acompanhava, passando há mais de um ano a chamar-se ANIMUS SEMPER.

E aqui estou eu a olhar para a minha vida como um privilegiado, sempre com vontade de fazer coisas porque são essas coisas que me dão sabor à vida. Tenho uma família maravilhosa, agora um pouco coxa desde sexta-feira, pois a Antonieta deixou-se estatelar no chão e anda com um braço engessado e partido à espera de operação. Mas até os filhos correram de todos os lados para celebrarem os anos do pai. Graças a Deus!...

A todos vós, meus amigos, digo que é uma alegria sempre que um de vocês me envia uma coisinha para o blogue. Sim, que eu não tenho mais criatividade que qualquer de vós. Quando digo alguma coisa também tenho de trabalhar, escrever contra a preguiça que nos invade. Pronto, não tenho mais tempo...

A foto é nova no blogue, mas velhinha de 15 anos, tirada no cruzeiro da Rússia. Um abraço a todos. E digam quando algum faz anos, para aumentar a nossa lista...

António Henriques

FUTEBOL DE PRIMEIRA...

MAIS UMA PRECIOSIDADE

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(desta vez é o António Rodrigues que fala pelo Facebook e nós aproveitamos... AH)
 
 
Antonio Rodrigues Estes são os campeões da època futebolística 64/65 que jogavam limpinho, limpinho e cujo lema era o seguinte: "pontapé prá frente e fé em Deus". Em cima da direita para a esquerda: os saudosos Àlvaro Antunes e Catana, Duque, Diogo, Carlos Granja (o primeiro guarda redes a defender um penalty sem luvas). E o nosso também saudoso treinador Padre Àlvaro. Em baixo e pela mesma ordem: O extremo esquerdo Antonio Ventura, cujo pontapé era um pesadelo para qualquer goleiro, os três seguintes não me recordo o nome(!), a seguir está o José Henriques e do ùltimo também me esqueci do nomSeminário.jpge.
 

 

 

Antonio Rodrigues Esta foto era para ser partilhada com Animus Semper Antigos Alunos,mas esta gritante falta de jeito com a tecnologia fez com que fosse parar a outra caixa de correio.

 

NOTA: Manda mais, que nós publicamos.

E obrigado...

 

A reforma de Lutero (1)

Iniciamos hoje mais um estudo do nosso amigo Florentino Beirão, de grande actualidade neste quinto centenário da reforma protestante. AH

 

Um homem atormentado

Florentino.jpg

 

 

Comemorando-se este ano o 5.º centenário (1517) do arranque da reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero (1483-1546) na Alemanha, tentemos indagar algumas causas e consequências deste complexo acontecimento que dividiu a cristandade cristã europeia. No norte, países protestantes, e no sul, católicos.

Comecemos por tentar conhecer este frade agostinho. Nascido na Alemanha, em Vitemberg, era filho de um mineiro e entrou para um austero convento aos 22 anos em 1505, cobrindo-se aqui com um áspero hábito de lã de eremita.

Espírito atormentado pelas mazelas dos conturbados tempos do séc. XV-XVI, a sua vida conventual tornou-se um refúgio contra os males e perigos que se viviam na sociedade.

Como eremita, não lhe teria sido fácil viver dentro de um convento, ao longo de 15 anos, onde se praticavam duras penitências, em ambiente de profunda entrega à vida religiosa.

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Imerso neste clima conventual, dotado de uma poderosa inteligência, imaginação e intensa sensibilidade, Lutero, interiormente, passou a sua juventude num clima de sofrimento interior. Vivendo em finais da cristandade da idade média, com cenas terríveis do Juízo Final, esculpidas nas principais fachadas das catedrais góticas, a sua imagem de Deus era a de uma figura implacável e vingadora. Face a estas representações, o frade agostinho temia e tremia pela sua salvação eterna, face a um Deus distante, castigador e severo juiz.

Esta convicção tornou-o um místico piedoso, lutando pela salvação da sua alma, através de constantes jejuns e vigílias. Em 1510, forma-se bacharel em teologia. Terminado este estudo, decidiu viajar até Roma, para junto do opulento papado de Júlio, da família dos luxuosos Bórgias, senhores de imensas riquezas.

Vindo de uma vida conventual tão austera, na cidade eterna, o frade agostinho deparou-se com a cúpula da Igreja - papa, cardeais e bispos - regalados, a viver num ambiente faustoso, carente de fé, praticante da simonia, vivendo à custa das suas prebendas do negócio da venda das indulgências. Os cristãos acreditavam piamente que, através da compra destes benefícios espirituais, lhes eram perdoados os pecados, e, além disso, podiam ajudar os defuntos a livrarem-se mais rapidamente das penas que os lançaram no atormentado purgatório.

Conhecendo de perto este ambiente apodrecido, que, segundo ele, contradizia a mensagem de Cristo, regressou ao seu convento onde se dedicou a ensinar teologia, nomeadamente os Salmos e a Carta de S. Paulo aos Romanos, em 1515 e 1516.

Baseado nestes estudos exegéticos, Lutero intuiu e acreditou que o justo apenas se poderia salvar pela Fé e não pelo fruto das suas obras. Imbuído desta crença, em 31 de outubro de 1517, afixou as suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Vitemberga, em linguagem serena, onde atacou a doutrina das indulgências, por supostamente garantirem aos cristãos falsas esperanças no seu poder espiritual. Criticava ainda o modo como a Igreja e o Papa (denominado de anticristo) viviam, dando maus exemplos, contradizendo o Evangelho de Cristo.

Esta atitude desafiadora colocaria em questão os ensinamentos e a prática das cúpulas eclesiásticas, as quais se sentiram atingidas. Face esta postura de Lutero contra Roma, embora de um modo algo precipitado, o papa Leão X, da família dos Médicis, decidiu agir rapidamente. Para tal, chamou a Roma Martinho Lutero, em 18 de abril de 1518, entregando-o a uma comissão inquisitorial onde lhe foi exigido que se retratasse, nomeadamente, na sua doutrina acerca das indulgências e da justificação dos fiéis. Deste modo, foi empurrado para uma situação de condenação, como herege. Esta reunião ficaria designada pela célebre dieta de Worms, a partir da qual, Lutero foi considerado um perigo ameaçador para a piedade tradicional dos fiéis e para a crença nos dogmas. Alegando dever de consciência individual, decidiu não se retratar do que o acusavam. Recorde-se, porém, que o frade agostinho não se encontrava sozinho na contestação à Igreja de Roma, tida por muitos, como o humanista Erasmo, Wiclef e Huss, como uma grande pecadora, a reformar. Os tempos de uma igreja dogmática, centralizadora e dominante, fruto de uma sólida cristandade medieval, começava a tremer. Ventos modernizadores, soprados pelo renascimento humanista e pelas doutrinas luteranas, realçando o valor do indivíduo, iniciaram uma tão profunda mudança de mentalidades e sócio - económicas na Europa que jamais viveria como dantes. Voltaremos ao assunto.

florentinobeirao@hotmail.com

REVISITAR LUTERO

HOJE REGISTO A MENSAGEM. AMANHÃ AVANÇAREMOS COM O TEXTO SOBRE LUTERO. OUTROS PODERÃO COLABORAR TAMBÉM.

OBRIGADOS, FLORENTINO. AH

 

Meu caro

Não te dou tempo para respirares. Aí vai mais uma conversinha. espero que não te aborreça.

Nestes 500 anos após Lutero, pensei que seria bom revisitar este homem, tão desconhecido.

Face a uma Igreja sempre tão Santa e tão pecadora, alguma distância histórica dá-nos bem a conhecer e compreender como ela se encontra sempre a necessitar de reforma interior. Francisco não tem feito outra coisa na sua missão profética. Pelo que tenho lido, as tuas últimas leituras também, têm ido nessa direcção. Entrares pelo pontos escuros da Igreja de hoje. Os pecados continuam a ser sempre os mesmos ou muito semelhantes...poder e avidez. Mudam os personagens, mas as vias tortuosas continuam. 

Lutero um homem sofredor com os pecados da Igreja, na complexidade do seu tempo, em mudança sócio-económica e cultural, quis contribuir para a mudança. Fiel no que acreditava e seguindo a sua consciência conseguiu dividir a Europa cristã. 

Como gostei de conhecer melhor e aprofundar este homem, apaixonado pela Bíblia, partilhar tornou-se para mim um imperativo. Seria bom que esta reflexão fosse plural. Dá pano para mangas.

Um grande abraço e agradecido pela tua dádiva ao nosso Animus, sempre a crescer.

f. beirão

DOIS ANIVERSARIANTES

Neste dia 16 de Agosto, celebram o seu aniversário os amigos:

Álvaro Martins.jpg

 

 

-  Álvaro Conceição Martins, a viver na Sertã, a quem, nos seus 68 anos, desejamos longa vida, muita saúde e muitos amigos.

Contacto: tel. 933 424 447

 

 

 

 

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- E ainda outro aniversariante: o  Américo Nunes Peres, que, se não erramos, se encontra postado nesta foto e a quem desejamos também muitos anos de felicidade, com saúde e muitos amigos.

 Contacto: tel. 916 254 761

PROPRIEDADE  HORIZONTAL -- PRIMEIRA PARTE

GENERALIDADES

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Penso que uma grande parte dos leitores do blogue "animus semper" são proprietários e habitam em frações autónomas de prédios urbanos submetidos ao regime da PROPRIEDADE HORIZONTAL. Por esse facto, julgo ter algum interesse definir a perspetiva histórica e a evolução da propriedade no decorrer dos tempos, a par do evoluir da sociedade vista no seu conjunto, a natureza jurídica do condomínio, no sentido de o considerar como uma modalidade de propriedade, ou se deve ser qualificado como uma propriedade especial ou, ainda, como um tipo autónomo no conjunto dos direitos reais de gozo, tanto mais que  a propriedade horizontal  é tratada, no nosso ordenamento jurídico, como PESSOA COLETIVA.

 

PERSPETIVA HISTÓRICA

De acordo com a evolução social que foi ocorrendo ao longo dos tempos, também o conceito de PROPRIEDADE se foi modificando.  A apropriação, sobretudo da terra, foi evoluindo de propriedade COLETIVA  para  propriedade INDIVIDUAL. E compreende-se que assim tenha acontecido:  na verdade, do nomadismo das populações, em que não interessava a apropriação das terras,  passou-se para o sedentarismo, com as populações a formarem pequenas aldeias, pequenas povoações, havendo necessidade de dividir  as terras pelas  famílias, primeiro, e, depois, pelos elementos da população, individualmente considerados.

Conforme a evolução do nomadismo para o sedentarismo, também se foi acentuando o carácter individual da propriedade. De início, o Senhor da terra, embora não tivesse poderes de proprietário, podia exigir renda dos lotes de terreno que cedia aos seus vizinhos. Nessa época, relativamente à propriedade, havia aquilo que, posteriormente, foi considerada a tripartição de poderes: “ius utendi, ius fruendi e ius abutendi “ –“ direito de uso, de fruição e de disposição das coisas que pertenciam ao senhor” - .  

O regime da propriedade mantém-se ainda hoje, ou seja, mantém-se o princípio da plena propriedade privada, livre e individual, como direito real maior, integrando todas as prerrogativas que se possa ter sobre determinado bem. Assim, o titular do direito de propriedade tem o poder de utilização, total ou parcial, do bem, prefere sobre todos os outros credores, pelo valor da coisa, no pagamento da dívida de que seja titular.

Na antiguidade, e como escrevi antes, o que mais interessava era a propriedade sobre a terra, sobre o solo, sendo certo que a evolução obrigou a considerar outros tipos de propriedade, a tal ponto que houve necessidade de legislar e regulamentar esses vários tipos.prop h.jpg

 

A POSSE, ELEMENTO INTEGRADOR DO DIREITO DE PROPRIEDADE

Em termos de direito, este problema vem tratado, duma maneira genérica, no LIVRO III do CÓDIGO CIVIL, onde, no chamado DIREITO DAS COISAS, se regulamentam os vários tipos de propriedade – Artigos 1.251º e seguintes -.

Nesse indicado Livro, começa por se dar a noção de POSSE, como sendo “o poder que se manifesta quando alguém atua por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real”.  Desta definição se pode concluir, desde já, que a propriedade das coisas só se obtém possuindo-as, - poder de as usar, poder de fruir delas e poder de dispor das mesmas. Ao legislar sobre a posse, no indicado Livro III, definem-se os caracteres da posse, a maneira de a adquirir e perder, os efeitos e a defesa, sempre da posse.

 Num outro capítulo, ainda relacionado com POSSE, define-se USUCAPIÃO, como sendo “a posse do direito de propriedade ou de outros direitos reais de gozo, mantida por certo lapso de tempo, faculta ao possuidor, salvo disposição em contrário, a aquisição do direito a cujo exercício corresponde a sua atuação”.

O objetivo deste texto é dar uma ideia sobre PROPRIEDADE HORIZONTAL, pelo que não vou explanar mais sobre estes assuntos, que aflorei por entender que, ao fim e ao cabo, estão interligados. Não posso deixar de completar, no entanto, em termos gerais, como é que o Código Civil enquadra os vários direitos de propriedade, como direitos reais de gozo:  PROPRIEDADE EM GERAL  -  AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE  -  PROPRIEDADE DE IMÓVEIS  -  PROPRIEDADE DAS ÁGUAS  -  COMPROPRIEDADE  -  PROPRIEDADE HORIZONTAL - .

 

INSTITUTOS CONEXOS AO DIREITO REAL DE PROPRIEDADE

Ainda ligados ao direito real de propriedade, devem ter-se em consideração outros direitos, de que se enumeram apenas as noções, tal como constam do Código Civil,  como se passa a expor:

- USUFRUTO, USO E HABITAÇÃO –

USUFRUTO “é o direito de gozar temporária e plenamente uma coisa ou direito alheio sem alterar a sua forma ou substância “.

USO “consiste na faculdade de se servir de certa coisa alheia e haver os respetivos frutos, na medida das necessidades, quer do titular, quer da sua família”. “ Quando este direito se refere a casa de morada, chama-se DIREITO prop ho.jpgDE HABITAÇÃO”.

- DIREITO DE SUPERFÍCIE –

DIREITO DE SUPERFÍCIE “ consiste na faculdade de construir ou manter, perpétua ou temporariamente, uma obra em terreno alheio, ou de nele fazer ou manter plantações” .

- SERVIDÕES PREDIAIS –

SERVIDÃO PREDIAL “ é o encargo imposto num prédio em proveito exclusivo de outro prédio pertencente a dono diferente: diz-se SERVIENTE o prédio sujeito à servidão e DOMINANTE o que dela beneficia “ .

Era minha intenção escrever apenas sobre PROPRIEDADE HORIZONTAL. Abusando da paciência dos leitores – do que me desculpo - “encontrei-me” a escrever sobre assuntos que são básicos, mas que não eram necessários para o que me propunha.

Escreverei sobre a PROPRIEDADE HORIZONTAL numa segunda parte que vou preparar.

12-08-2 017

Um abraço e a amizade do J. NOGUEIRA.

 

 

 

 

OS INCÊNDIOS

PORQUÊ?

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Desde há dois meses é sempre o mesmo cenário no palco dos dramas e tragédias deste PORTUGAL RURAL há muito esquecido, desprezado, desconsiderado e abandonado.
A gente acorda e vê fumo. A gente olha para o chão e vê preto. A gente olha a paisagem e vê o castanho do verde queimado. A gente recorda e vê fogo e chamas em todo o lado. A gente olha para a cara das pessoas e vê tristeza e desânimo. A gente sente a impotência na alma do povo. A gente começa a sentir alguma revolta contra os muitos poderes instalados. 
Mas o que a gente gostava de perceber é o porquê disto tudo. A gente não se mete com ninguém. A gente é obediente e submissa. A gente só quer viver sossegadinha, em paz com o mundo, aqui no nosso canto cultivando uns legumes mais ou menos biológicos para o nosso sustento diário e ter uma reserva florestal para uma ou outra emergência. Porque é que nos acontece isto? Porquê?
Triste sorte a nossa! Valha-nos Deus! Porque os homens não querem...

António Manuel S. Silva

 

MEDITAÇÃO

Meditação em poema - nova mensagem do Pires da Costa! AH

 

"Humanidade, ergue-te, sê gente"...Pires Costa.jpg

 

 

Aqui banquetes, além a fome;

Aqui palácios, além barracas.

E o mundo, tranquilo, dorme,

Indiferente a estas marcas!

 

Aqui peles e sedas, além nudez,

Há dosséis e camas de cartão,

E o Mundo, em cega pacatez,

Avança inerte, sem reacção.

 

Simula atitudes com hipocrisia,

Em solidariedade ocasional.

Vive-se no patamar da apostasia,

Dando sopas quentes p’lo Natal.

 

Pios gestos, cinismo profundo,

Simulacro ignóbil da caridade.

Envergonhemo-nos deste mundo

De injustiças, egoísmo e vaidade.

 

Esforcemo-nos, sejamos capazes.

Ao alto, se erga e agite a chama

Da vida que, em horas fugazes,

Em nós vibra, crepita e clama.

 

Em preclaro renascer reluzente

Da tua consciência adormecida,

Humanidade, ergue-te, sê gente,

Inflecte tua caminhada suicida!…

 

 Pires da Costa